sábado , 16 de dezembro de 2017
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Sulla Mino – A gramática da vida

Sulla Mino – A gramática da vida.

“Ou melhor. A gramática da sua vida. A gramática da vida é mais simples, mais sabia e mais eficiente do que a dos livros. No português da vida, toda frase que se preze tem sujeito e predicado. E, de preferência, sujeito composto. É que… “Eu vou a Roma” é uma boa frase. Mas… “Eu e você vamos a Roma” é muito melhor! Na vida, uma boa companhia é imprescindível. Na gramática do cotidiano, o pretérito tem que ser perfeito! O que aconteceu no passado ficou lá! Nada de começar os seus dias com “eu podia ter passado”, “eu sabia a resposta”, “eu me enganava na faculdade”…

O tempo não volta. Aprenda com o que aconteceu. Olhe para frente. Na gramática da vida, o futuro só pode ser o futuro do presente. Frases do tipo “eu gostaria de ser juiz” devem ser riscadas do seu vocabulário. Substitua por “eu serei juiz”.

E você será. O que o português chama de “futuro do presente”, a bíblia chama de “fé” e o Direito de “direito adquirido”. Você tem o “direito adquirido” de ser quem você quiser. A liberdade foi conquistada há anos. Não seja escravo das suas próprias fraquezas.

A gramática da vida traz vida para a gramática. Por quê? Porque há poder em nossas palavras. Sempre acontece aquilo que nós repetimos que vai acontecer… Então escolha bem suas repetições! Escreva suas metas no quarto, no caderno, na bolsa. Escreva na testa, no braço…

Mas escreva principalmente no pulmão. Tem gente que respira o sonho. Seja um deles. A gramática da vida exige repetição. Você não aprende a conjugar todos os verbos em um dia. Você não fica forte em uma semana na academia. Você não vira juiz em um mês.

Persista. Vencer demanda tempo. Concordo. Mas ser feliz não. A frase “eu sou feliz” deve vir no presente. Quem é apenas circunstancialmente feliz, na realidade, não é feliz. Só está alegre. É bem diferente. Alegria depende do momento, do acontecimento, do outro. É um sentimento que começa de fora para dentro. Felicidade é de dentro para fora.

Por fim, na sua vida, conjugue o verbo no modo imperativo. Olhe para você mesmo e diga: Continue! Persista! Sorria! Afinal de contas, você é o que você acha que você é! Um dia cheio da gramática da vida para todos nós!”. Esta foi minha reflexão nesta semana.

E me pergunto, todos os dias, quais as conjugações que tenho feito em minha vida… E penso no amor, e me confundo, me agrido mentalmente. Não tenho conseguido terminar minha concordância. E afirmo, no meu português incerto, que apenas o amo, e este amor tem de calado a boca, abafado minhas letras miúdas e frágeis.

E sinto que não tenho razão, nem mesmo para ficar triste. Drummond dizia: “a razão sem razão de me inclinar aflito sobre restos de restos, de onde nenhum alento vem refrescar a febre desse repensamento: sobre esse chão de ruínas imóveis, militar e na sua rigidez que o orvalho matutino já não banha ou conforta”. Minha gramática realmente anda morna, meu amor numa calmaria absurda dentro de mim…