sexta-feira , 13 de dezembro de 2019
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Sínodo 2019: Assembleia debate criação de rito próprio para as comunidades católicas na Amazônia

Participantes alertaram para violações aos direitos dos povos indígenas

Cidade do Vaticano, 08 out 2019 (Ecclesia) – Os participantes no Sínodo especial para a Amazônia, que se iniciou este domingo, debateram a possibilidade de criação de um rito litúrgico próprio para as comunidades católicas na região.

O tema foi abordado primeiras sessões de trabalho da assembleia convocada pelo Papa Francisco, que reúne bispos, missionários, representantes indígenas e especialistas convidados.

O portal ‘Vatican News’, que apresenta as sínteses das intervenções – à porta fechada – informa que uma das propostas em cima da mesa é a de estabelecer experimentalmente, “de acordo com o correto discernimento teológico, litúrgico e pastoral”, um rito católico da Amazônia, para “viver e celebrar a fé em Cristo”, com uma presença “permanente” de ministros.

Na Igreja Católica existem os ritos latinos (tendo por base o rito romano e admitindo as variantes dos ritos ambrosiano, hispânico e outros, como o bracarense) e ritos orientais (especialmente o bizantino); várias Igrejas orientais em comunhão com Roma admitem a ordenação sacerdotal de homens casados, mas não é consentido casar depois da ordenação.

Atualmente, a Igreja Católica de rito latino admite homens casados apenas ao diaconado, primeiro grau do sacramento da Ordem (diaconado, sacerdócio, episcopado).

Na 3ª reunião geral (congregação) do Sínodo especial, debateu-se a “possibilidade de escolher ministros autorizados à celebração da Eucaristia ou de ordenar diáconos permanentes” na Amazónia, que possam administrar os Sacramentos.

Na conferência de imprensa diária, que decorreu pelas 13h30 de Roma (12h30 em Lisboa), o cardeal Pedro Ricardo, arcebispo de Huancayo (Perú) e vice-presidente da Rede Eclesial Pan-amazónica (REPAM), sublinhou a imensidão” deste território, em que um vicariato apostólico (divisão eclesiástica) pode ter metade da Itália.

“A Igreja tem de defender os que lutam para proteger as suas terras, criar redes específicas de proteção e ativar, a nível diocesano, ações permanentes de solidariedade e de promoção da justiça social”, apelou.

O responsável católico rejeitou ainda quaisquer práticas que atentem contra a “sacralidade” da vida.

Victoria Lucia Tauli-Corpuz, relatora-especial da ONU para os direitos dos povos indígenas, uma das convidadas especiais do Sínodo de 2019, manifestou aos jornalistas as suas preocupações com a impunidade dos que praticam violência contra estas populações.

A responsável alertou para problemas levantados pelos garimpeiros, pela mineração e por grandes projetos hidroelétricos, nos quais as populações indígenas “não são consultadas”.

“Há um grande risco de genocídio”, advertiu.

Moema Maria Marques de Miranda, antropóloga brasileira, da Rede Igrejas e Mineração, assessora da REPAM, falou num “momento único da história do planeta”, pelo “sentido de urgência” face a projetos “predatórios” que podem levar à destruição da Terra.

“Temos de estabelecer um diálogo profundo”, sustentou.

No Sínodo mais “verde” de sempre, o Vaticano anunciou um investimento de 10 mil euros para a plantação de árvores em 50 hectares da bacia amazônica, como forma de compensar as emissões de carbono durante a assembleia.