segunda-feira , 17 de dezembro de 2018
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Semeadura livre, colheita obrigatória - Francinaldo Rafael

Semeadura livre, colheita obrigatória – Francinaldo Rafael

Afirma o Espírito Emmanuel através do médium Chico Xavier que, de forma isolada, cada um de nós tem no planeta o mapa das próprias lutas e serviços. O berço de todos é o princípio de um labirinto de tentações e de dores, intimamente ligadas à própria vida nessa esfera. Esse percurso é traçado por cada um e  necessita ser percorrido com inabalável coragem moral.

Assim sendo, todos temos que travar o bom combate com as adversidades porque o ser humano não nasceu para ser vencido por elas. Todo ser humano deveria atentar para a própria conduta, através do exercício contínuo da autorreflexão. Analisar  como se comporta diante de si mesmo e do próximo; se faz o bem sem esperar retorno; se é capaz de tirar preciosas lições das provas às quais é submetido; evita procurar ou apontar os defeitos dos outros, sabendo que também os tem, etc. É amplo o horizonte a ser vislumbrado nesse viés, pois conforme advertiu o Cristo, a oração e a vigilância são essenciais para evitar as quedas nas tentações.

Para ilustrar vamos a um caso trazido pelo médium Raul Teixeira vivenciado em uma cidade importante do Brasil.

Ao dirigir-se para o  restaurante com os seus anfitriões, enquanto esperavam a  abertura do semáforo, ele viu uma mulher maltrapilha ali ao lado, no caixote do lixo procurando comida e separado a mais limpa  da  mais suja. A cena causou-lhe tamanho impacto que perdeu a vontade de almoçar, apesar da necessidade.  Já no restaurante, enquanto tentava se restabelecer mentalmente, pensava  naquele ser que nada tinha, e ele ali com os seus amigos. Através da mediunidade, naquele instante um Espírito amigo que o acompanha na tarefa doutrinária se fez presente. A entidade o acalmou, alegando que mesmo oferecendo comida àquela senhora, ela recusaria. De forma breve contou a história daquela mulher:  nessa existência, era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado. Por ter prejudicado tanto o povo, havia reencarnado em condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez no mundo espiritual, após a morte do corpo físico. Veio nessa circunstância para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: as dificuldades financeiras do próximo. Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não deixava aquele lugar onde outrora lhe prestaram grandes homenagens.

O fato narrado não se trata de  um castigo divino, pois a divindade não nos trata com punições. É uma consequência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os próprios atos, pensamentos, sentimentos. Reforça Emmanuel que muito antes da reencarnação, de acordo com as vocações e grau de evolução, o Espírito faz a análise das possibilidades, estuda o caminho que melhor lhe parece na luta pelo aprimoramento.

Portanto, a cada nova existência somos matriculados na escola da vida, repetindo as disciplinas onde fomos reprovados. Pela bênção da reencarnação, a memória é obscurecida num esquecimento quase total do passado, para que todos os esforços sejam valorizados.