sábado , 23 de setembro de 2017
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SANTA LUZIA, ILUMINAI SUA MOSSORÓ

Santa Lúcia de Siracusa (nascida em  283  e morta  304 depois da era cristã), mais conhecida simplesmente por Santa Luzia(santa de luz), segundo a tradição da Igreja Católica, foi uma jovem siciliana, nascida numa família rica de Siracusa, na Itália, venerada pelos católicos como virgem e mártir cristã, que, segundo conta-se, morreu  durante as perseguições de Diocleciano. Na antiguidade cristã, juntamente com Santa Cecília, Santa Águeda e Santa Inês, a veneração a Santa Lúcia foi das mais populares e, como as primeiras, tinha ofício próprio. Chegou a ter vinte templos em Roma dedicados ao seu culto. Santa Luzia, como se lê nas Actas, pertencia a uma família rica de Siracusa. A mãe dela, Eutíquie, ficou viúva e havia prometido dar a filha como esposa a um jovem concidadão. Luzia, que tinha feito voto de se conservar virgem por amor a Cristo, obteve que as núpcias fossem adiadas, também porque a mãe foi atingida por uma grave doença. Devota de Santa Águeda, a mártir de Catânia, que vivera meio século antes, Luzia quis levar a mãe enferma em visita ao túmulo da Santa. Desta peregrinação a mulher voltou perfeitamente curada e por isso concordou com a filha, dando-lhe licença para seguir a vida que havia escolhido; consentiu também que ela distribuísse aos pobres da cidade os bens do seu rico dote. O noivo rejeitado vingou-se acusando Luzia de ser cristã ao procônsul Pascásio. Ameaçada de ser exposta ao prostíbulo para que se contaminasse, Luzia deu ao procônsul uma sábia resposta: “O corpo contamina-se se a alma consente.” O episódio da cegueira, ao qual a iconografia a representa, deve estar ligado ao seu nome Luzia (Lúcia) derivado de lux (= luz), elemento indissolúvel unido não só ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural. Por este motivo Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui-lhe a função de graça iluminadora. É assim a padroeira dos oftalmologistas e daqueles que têm problemas de visão. Os mossoroenses, em primórdios muito antes da elevação para a categoria de município em 1870, dedicam especial devoção à virgem mártir italiana, como sua padroeira. A primeira edificação no local foi uma capela fundada oficialmente no dia 5 de agosto de 1772, portanto há mais de duzentos e quarenta anos. Na ocasião, o sargento-mor da ribeira do Mossoró, Antônio de Souza Machado, e sua mulher, Rosa Fernandes, receberam autorização para construir uma capela na fazenda Santa Luzia, de sua propriedade. Em 13 de julho de 1801, Rosa Fernandes, já viúva, doou o patrimônio da Capela de Santa Luzia, onde já eram enterrados os mortos da cidade desde 1773. Em 1830 foi feita uma reforma na capela, que recebeu uma imagem de Santa Luzia de Mossoró, em madeira, esculpida em Portugal. Até 1842, a capela era ligada à freguesia do Apodi. Naquele ano, em 27 de outubro, foi elevada à categoria de igreja matriz. Com o crescimento da cidade, ficou pequena para atender às necessidades da população. Assim, em 24 de março de 1858 iniciou-se a sua reconstrução, no mesmo local. A obra demorou dez anos, e a igreja foi reinaugurada ainda sem a conclusão das torres, que só ficariam prontas em 1910 quando o padre Pedro Paulino Duarte da Silva promoveu na época uma meritória campanha em prol da conclusão das torres da igreja. Em 28 de julho de 1934, com a criação da diocese de Mossoró, a matriz de Santa Luzia foi elevada à categoria de catedral diocesana. Luzia, heroína, virgem e santa tem sido, portanto, há mais de dois séculos o oráculo eficaz dos mossoroenses que a tem como padroeira, intercessora, milagrosa, gloriosa, poderosa e protetora da visão de cada devoto. A sua devoção e fé dos mossoroenses, visitantes e romeiros são constatadas durante o ano todo.  Entretanto de 3- com a hasteamento das bandeiras e novenário – a 13 de dezembro – com a procissão aonde se concentram  em média 120 mil fiéis, é o período marcante de sua festa. É a festa – traço de união entre a igreja e povo. A lembrança que nos chama a evocar os precursores e condutores da santa imagem de Luzia pelas ruas, praças e avenidas e zona rural de Mossoró. O monsenhor Luiz Ferreira Cunha da Mota, nascido no lugar, da melhor cepa, vigário de Santa Luzia por 23 anos, foi prefeito e grande benfeitor da sua terra, admirado e amado  ainda hoje pelos seus conterrâneos, os monsenhores Raimundo Gurgel do Amaral, Hamilcar Mota da Silveira e  Luiz  Soares de Lima. Lembrar do monsenhor Huberto Bruening sisudo, probo, inflexível  e devotado a Cristo – o catarinense, de sangue alemão,  trazido por dom Jaime, para aqui ser ordenado aos 23 de idade, para auxiliá-lo na instalação da diocese, a quem foi entregue a missão de fundar e ser o primeiro  reitor do Seminário de Santa Teresinha, sempre com suas “Mensagens de Fé”. Ele longilíneo com 1,95 metro de altura, magro, voz tonitruante, lâmpada Coleman acima da cabeça, para iluminar as ruelas escuras na peregrinação de noventa dias, de casa a  casa, antecedendo às festividades do mês de dezembro, andando por toda a cidade. Fez isto por 35 anos seguidos. Amando Mossoró, mais que muitos dos que nasceram na terra, e ao perceber a hora do seu encontro com o pai celeste, deliberadamente, pediu para que essa confluência fosse na  terra de Santa Luzia, que ele  considerava como sua também. E quando falamos em Santa Luzia, vem o natural: “MOSSORÓ COM ALEGRIA SAÚDA SANTA LUZIA” que nos traz a presença inolvidável desse que foi a viga mestra do catolicismo entre nós, o monsenhor Américo Vespúcio Simonetti, por 29 anos, desde 1980 até sua morte em 05.10.2009, vigário paroquial de Santa Luzia. Monsenhor Américo, o incansável, o virtuoso, trabalhou com afinco como  vigário-geral de toda diocese, ao  cáritas para os pobres, idealizador da Rádio Rural para expandir a comunicação da doutrina e da evangelização, dos movimentos eclesiais de base, com foco para a educação. Hoje temos a  perseverança, a dedicação, a inteligência  e a humildade do Pe. Walter Collini, nascido na Itália, servindo com amor à causa cristã, há 37 anos na diocese de Mossoró, e 5 anos vigário de Santa Luzia. O hino oficial de Santa Luzia nos remete sempre ao “Virgem-mártir, invicta heroína, intercede por nós ao Senhor e nas lutas da vida presente dá-nos forças, alento e ardor”.

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