quarta-feira , 23 de agosto de 2017
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“Realizações” SÓ PROMESSA. MOSSORÓ TODA VIDA!

Os leitores de Mossoró devem, como eu, estar fadigados com a procrastinação das soluções dos problemas maiores que afligem o desenvolvimento do município que, diga-se a verdade, vem crescendo pujante, ainda, pelas suas amplas potencialidades econômicas, educacionais, inclusive com cinco universidades aqui instaladas e pelos aspectos sociais, pela sua vocação de crescer e ser liberta, mas que tem contado muito pouco com a participação dos poderes públicos, do federal ao municipal, independente de partidos ou tendências políticas. O velho alcaide Jerônimo Dix-huit Rosado Maia, de tão saudosa memória, foi deputado estadual, deputado federal, senador, presidente do INDA, três mandatos como prefeito  da terra aonde nasceu e à qual tanto amou e pela qual deu a sua própria vida, cunhou como dístico da sua segunda exitosa administração o “MOSSORÓ TODA VIDA”, lembrando sempre nas suas perorações que  “QUEM NÃO FAZ UM POUCO MAIS POR  SUA TERRA, NÃO FARÁ NADA PELA TERRA DE NINGUÉM”. Ocapitão Dix-huit faleceu em 22.10.1996, mas suas centenas de obras são reais e vitais para Mossoró. Duas, ao menos, são realizações que merecerão elogios daqui a cem anos. A Esam, hoje Universidade Federal Rural do Semi-Árido-Ufersa,  e aí por inspiração do seu irmão, intelectual e professor Vingt-un Rosado, criada pelo município, na administração de Raimundo Soares de Souza, e a tricotonização do nosso rio, que divide a cidade, e a cada cheia causava medo e transtorno a todos.  O que temos assistido, ultimamente, são promessas eleitoreiras, que nunca são realizadas, num verdadeiro estelionato político, e lamentavelmente parece que o povo, mesmo melhorando no nível de conscientização, não está precatado para tais enganos. Cadê o complexo viário? Há mais de seis anos, com a presença festiva da então ministra Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, já presidente da República no segundo mandato, a obra foi iniciada, para ser concluída em dezoito meses. Continua desfigurado, viadutos rachados, sem sinalização, sem iluminação e sem passarelas, numa extensão de 17 km, causando mortes e acidentes a toda semana. Cadê a duplicação da avenida Francisco Mota?  no bairro Costa e Silva, anunciada  para imediatamente, há seis anos, não foi colocada ainda a primeira pá de pavimentação e elasticidade.  Por onde anda o projeto de vitalização do aeroporto Dix-sept Rosado?  Anunciada há seis anos, de concreto restam as pistas amplas, construídas há mais de quatro décadas. Estação de passageiros vergonhosa, cercas quebradas, animais pastando no interior, a administração a cargo do Departamento de Estradas de Rodagem -DER – (parece piada, mas é verdade), os voos regulares prometidos nada, balizamento noturno sempre sem operação, ou seja, ficou tudo abandonado. Durante o dia ainda sobem e descem pequenas aeronaves.A solução do problema do abastecimento d’água da cidade de 300 mil habitantes? Todo dia nos falta o precioso líquido, apesar da prometida (e não cumprida) adutora da barragem de Santa Cruz, em Apodi, com 600 milhões de metros cúbicos de capacidade, uma gota dela não chegou até aqui para consumo. A recuperação do rio Mossoró? Hoje um esgoto fétido, coberto de aguapés, encobrindo o antigo cartão postal da cidade. O parque da cidade? Por onde o mossoroense iria ter o seu resfolegar dia e noite, com fauna, flora, piscinas, e restaurantes para viver melhor. Ficou no papel, talvez já perdido. Cadê o porto seco de Mossoró? Onde seriam armazenadas milhares de toneladas de Commodities, para serem exportados para a África e para os Estados Unidos. O porto não veio e a seca aumentou. Onde ficou a ampliação da assistência médica pública para todos? Ela só fez piorar, e nada de novo aconteceu apesar do “compromisso de palanque”. E a cultura de Mossoró? A Estação das Artes e o Teatro MunicipalDix-huit Rosado, ótimas realizações da então prefeita RosalbaCiarlini, com o apoio da Petrobras,  não nos deixaram órfãos. Mas oTeatro Estadual Lauro Monte Filho, antigo Cine Cid, foi desativado para obras que estão paralisadas há mais de três anos. Ao invés de artistas, peças teatrais e disputas culturais, lá ,por todo este tempo, habitam misturados, sôfregos pombos e morcegos. Um grafiteiro pintou no tapume: “UM TEATRO ABANDONADO”. Não há controvérsia! Cadê o novo estádio Professor Manoel Leonardo Nogueira? Inaugurado festivamente em 4 de junho de 1967 – quase meio século – com capacidade inicial para 20 mil pessoas, teve o seu maior público no jogo Flamengo-RJ 3 x 2 Baraúnas, em 11.08.1985, com o galinho Zico e companheiros, 19 mil  pagantes. Apesar de prometido um centro olímpico, pelo Governo do Estado, com maquete e projeto desfilando na cidade, até hoje o primeiro tijolo da ampliação não foi colocado, e por limitação imposta pelo Corpo de Bombeiros, o hoje modesto campo de futebol não pode receber mais que 9 mil espectadores. E o reforço na nossa segurança pública? Já tivemos aqui no II Batalhão da Polícia Militar um contingente de 800 homens. Hoje? Menos da metade, com dois batalhões de polícia, o II e XII, com 143 homicídios registrados, até o dia 20 de novembro, só este ano. E a estrada do cajueiro? Ligando Mossoró à zona jaguaribana do estado do Ceará? E a potencialização do turismo na chamada Costa Branca, ligando Mossoró, Tibau, Grossos e Areia Branca, com a construção da ponte monumental entre as duas últimas cidades? Mais de uma centena de reuniões, audiências públicas e despachos oficiais. Uma simples cabana foi erguida. Meu caro leitor, espero que dias melhores virão, mas precisamos, antes, sermos conscientes nas nossas escolhas. MOSSORÓ TODA VIDA!

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