domingo , 20 de agosto de 2017
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Raimundinho Duarte
Raimundinho Duarte

Raimundinho Duarte

Ele é vice-prefeito do município de Lucrécia e, contrariando a lógica de que ocupantes do cargo atuam na posição de figurante de luxo na administração pública, adotou uma estratégia que além de dar função ao cargo, tem ajudado a salvar centenas de vidas na região do Médio e Alto Oeste do Estado. Conhecido pela excentricidade e alto astral, o “Elétrico” Raimundinho Duarte fala da sua atuação como vice-prefeito ativo e das suas performances em grandes eventos que já rendeu, entre outras coisas, um vídeo com cerca de 3 milhões de visualizações no Brasil e em várias partes do mundo.

Por: Márcio Costa – Editor-geral

O Mossoroense – Você ocupa o cargo de vice-prefeito de um pequeno município do interior potiguar. Diferente da maioria, você está na “contramão” e consegue exercer o cargo. Qual o segredo para conseguir ser um vice-prefeito útil?
Raimundinho Duarte – O segredo é não se acomodar. Deixar de esperar apenas pelo prefeito. Mesmo o vice não sendo votado, ele está ali ocupando um cargo para colaborar com a administração do município. Não seria justo eu receber um salário pago pelo povo e ficar de braços cruzados. Por isso me disponibilizo, e me junto aos funcionários da Secretaria de Saúde para fortalecer ainda mais as ações, assim ajudando os que procuram a secretaria pra resolver problemas relacionados à saúde.

OM – Você presta apoio em várias áreas, mas a da saúde recebe uma atenção especial. Alguma razão específica?
RD – Sim. Não consigo ficar parado quando vejo situações difíceis com pessoas esperando dias, meses, por um tratamento de saúde, uma cirurgia. Quando isso demora, não por culpa do município, e sim pelo funcionamento do sistema a nível estadual, pacientes me procuram pedindo uma força, uma palavra, e corro atrás. O povo não merece a forma que funciona o sistema de saúde do país. Nada mais gratificante do que ver uma pessoa curada depois de muita angústia pela espera.

OM – Você destaca as dificuldades do nosso sistema de saúde, mas é apenas um a mais no processo de busca de soluções de um emaranhado de problemas graves. Uma pessoa a mais apenas consegue fazer a diferença? É possível encontrar soluções num sistema tão precário sendo apenas “mais um”?
RD – Não é nada fácil. Não era pra ser assim, pois todo cidadão tem direito à saúde. Mas, infelizmente, a realidade é outra. Então procuro fazer a minha parte ajudando dessa forma. Eu conheço algumas pessoas que mesmo não ocupando cargos públicos fazem um trabalho bacana ajudando o próximo, e essas pessoas têm ajudado muito.

OM – Você tem um controle deste trabalho de assistência? Num ano é possível ajudar uma média de quantas pessoas?
RD – Não tenho um controle, pois a maioria dos casos passa pela Secretaria de Saúde. Existem outros casos que me procuram diretamente. Hoje está muito diferente. Existem clínicas espalhadas nas cidades vizinhas que fazem exames, que antes teria que ir a grandes centros. Tenho acompanhado pacientes por dois motivos, um porque gosto de acompanhar, e outro pela dificuldade de transporte no município devido a grande demanda de viagens. Então, me disponibilizo a levar pacientes. São muitos. Toda semana acompanho pacientes.

OM – A maioria dos vice-prefeitos reclama da falta de estrutura e até mesmo de boicote dos prefeitos, que atuariam em alguns casos para anular e impedir ascensão política. Como se dá sua relação com o prefeito diante da sua atuação e destaque?
RD – Acho que a boa sintonia com a secretária de Saúde do município, Socorro Araújo, que tem desempenhado um trabalho excelente, ajuda. Dou-me muito bem com o prefeito Waltinho Araújo, isso ajuda muito. Mas vejo que pra fazer o trabalho que faço, basta ter conhecimento, saber os caminhos, não precisa esperar pelo prefeito.

OM – Você foi vice-prefeito na década de 1990 e voltou a ser mais de 20 anos depois. Mudou muito neste período?
RD – Sim, mudou muito. Naquela época a maior dificuldade era o acesso a Natal, em busca de atendimento. Nós tínhamos uma casa de apoio, e que não recebia só pacientes de Lucrécia, pois pacientes de outras cidades procuravam ajuda, então nós acolhíamos. Na época o prefeito era Dr. Severino Dantas (Pipi), homem de um coração gigantesco, ajudava toda a região. A responsabilidade era grande. Tudo feito com muito carinho. O acesso melhorou, as pessoas têm o conhecimento dos seus direitos, e isso é de extrema importância.

OM – E a política? Mudou muito?
RD – Sim. A responsabilidade é muito maior com o controle dos gastos, a lei de responsabilidade fiscal. Também na vida pessoal do político. O povo tem sua grande importância nesse processo de mudança. Esta cobrando seus direitos, fiscaliza…

OM – Seu mandato como vice-prefeito acaba no fim de 2016. Qual será o próximo passo de Raimundinho Duarte na política?
RD – Claro que quero continuar na política no meu município. Mas amigos de vários pontos do RN têm me incentivado ser candidato em 2018. Estou analisando, mas não descarto essa possibilidade. Tenho ficado surpreso com a quantidade de amigos e amigas, profissionais em todas as áreas, vários segmentos, entusiasmados me lançando candidato em 2018. Estou ciente da responsabilidade. Tenho amigos políticos ocupando cargos municipais que já deram sinal de apoio. Mas é preciso aguardar.

OM – Saindo do campo da politica. Você é conhecido pela vida intensa que leva, com presença marcante em eventos do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba. Como consegue energia para conciliar esta rotina?
RD – As pessoas e eu também me pergunto de onde vem tanta energia. Acredito que é gostar de ver as pessoas felizes. Não gosto de ver pessoas tristes. Daí vem à vontade de dançar. Agora mesmo, durante esta entrevista, recebi dois convites. Uma turma de amigos em Olho D’água do Borges, e em sítios aqui de Lucrécia me chamando para churrascos. Lembro-me que em Natal fui a seis eventos numa noite só. O carinho que recebo me dá uma energia sem controle.

OM – Durante a Finecap, feira anual realizada em Pau dos Ferros, gravaram uma performance sua durante um show que viralizou nas redes sociais e apenas no Youtube se aproxima de 3 milhões de visualizações. Como se deu este episódio? Como encarou a repercussão?
RD – Este vídeo foi gravado na madrugada de 6 de setembro, e nos primeiros dias fiquei assustado, preocupado, um pouco nervoso. Não pelo vídeo, mas como seria a reação dos meus pais, meus irmãos, das pessoas da minha cidade Lucrécia, e claro, dos amigos espalhados por aí. Não gostei da forma que uma pessoa divulgou o episódio utilizando da seguinte frase: “Vice-prefeito de Lucrécia toma todas e solta a franga”. Com certeza esta pessoa não me conhece. Tanto faz beber ou não, danço do mesmo jeito. Mas o bom de tudo foi quando a dupla sertaneja Jorge & Matheus compartilhou o vídeo em sua Fan Page e comentou. “Homem feliz é outro nível. Não importa soltando a franga ou não. O importante é ser feliz. Viva a felicidade! Rindo até 2050.” Tenho recebido mensagens de vários pontos do Brasil e até de outros países. Muitos falam: “Como eu queria um político desses na minha cidade”.

OM – Mas este não é o primeiro caso em que suas performances geram grande repercussão. Anos atrás você parou um show da banda Aviões do Forró, uma das principais atrações do país num carnaval fora de epoca em Tibau. Como se deu este episódio?
RD – Isso mesmo, amigo. Tudo começou com a coluna assinada no jornal O Mossoroense a seu convite e do diretor Alvanilson Carlos. A partir da coluna no jornal acompanhei o início da banda Aviões por todo o Rio Grande do Norte. Solange Almeida onde me via destacava minha presença. E num desses shows em Tibau, lá vinha Aviões no trio, quando Solange de longe me avistou em cima de um paredão de som, parou de cantar e disse: “Xandy, você está vendo o que estou vendo? Raimundinho Duarte fechando num paredão.” Foi tuuuuudo! Gosto de festas, gosto de farras com amigos e amigas, mas nunca fujo das minhas responsabilidades. Isso é importante.

OM – Estamos encerrando um dos anos mais difíceis da história do país. Como exemplo de felicidade e alto astral qual a mensagem que você deixa para que as pessoas entre o novo ano com otimismo e alegria?
RD – Vou falar o que sempre falo. Dificuldades todos nós temos, mas nunca reclame. Agradeça a Deus por ter saúde, pois sem saúde não tem como correr atrás dos objetivos. A crise chegou de surpresa, mas com confiança, e muita fé, sairemos dela. Se Deus quiser.

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