domingo , 25 de junho de 2017
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Reajustes abaixo da inflação, resultam em perda no poder de compra de quase metade das famílias brasileiras (Foto: Cacau).
Reajustes abaixo da inflação, resultam em perda no poder de compra de quase metade das famílias brasileiras (Foto: Cacau).

Quase metade dos acordos salariais no Brasil em 2015 não compensaram a inflação

Uma pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou dados preocupantes: no ano 2015, quase a metade das negociações salariais no Brasil tiveram reajuste que não compensaram a inflação. O estudo mostrou que 30% das negociações tiveram reajuste equivalente à inflação e outros 18% ficaram abaixo, ou seja, 48% dos acordos não compensaram a elevação de preços do período.

Foram analisados os reajustes de 708 acordos nos setores da indústria, do comércio e dos serviços. Pouco mais da metade dos reajustes salariais, cerca de 52%, apresentaram ganhos acima da inflação, estimada em 11,28% pelo Instituto Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Já o aumento real médio dos salários em 2015 foi de apenas 0,23%.

Na prática, os reajustes abaixo da inflação, resultam em perda no poder de compra de quase metade das famílias brasileiras.

Resultado foi o pior dos últimos 11 anos

No estudo, o Dieese publica que desde o ano 2004, quando 45% das negociações não superaram a inflação, não se observava um resultado tão desfavorável para os trabalhadores brasileiros em relação aos reajustes salariais.

No ano 2004, cerca de 19% dos reajustes ficaram abaixo do inflação, outros 26% tiveram valor igual ao índice e 55% obtiveram ganhos reais. Naquele ano, o ganho real médio nos salários foi de 0,61%, percentual superior ao alcançado em 2015. No entanto, o Dieese pondera ainda que os resultados do ano passado são “notoriamente melhores do que os observados no período anterior a 2004”.