segunda-feira , 25 de setembro de 2017
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Quais os critérios da comunicação oficial?

            A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Mossoró torrou R$ 5,32 milhões no ano de 2015. É muito dinheiro para uma prefeitura que alardeia estar em crise e atrasa pagamentos de muitos fornecedores e prestadores de serviço, inclusive com dívidas milionárias junto a alguns veículos de comunicação.

            Uma pergunta que fica no ar: se o prefeito gastou tantos milhões em comunicação, por que, ainda assim, deve centenas de milhares de real a alguns veículos? Em que ele gastou esse dinheiro? Onde enfiou tanto dinheiro?

            Nosso mandato tentou obter respostas à estas perguntas através de um requerimento baseado na Lei de Acesso à Informação, que o prefeito insiste em fingir que não existe. Com a recusa da administração em fornecer o detalhamento dos gastos com publicidade, acionamos a Vara da Fazenda Pública do Poder Judiciário do RN. Infelizmente, até hoje não obtivemos respostas para este caso nem do Executivo municipal nem do Judiciário. Pelo menos não neste caso, pois em outros momentos a Justiça já condenou o prefeito a fornecer outras informações solicitadas.

Por causa da aversão do prefeito à transparência, o Ministério Público do RN quer que o prefeito promova em 60 dias adequações no Portal da Transparência. Por isso também a Controladoria-Geral da União (CGU) atribuiu nota zero à Prefeitura de Mossoró na Escala Brasil Transparente.

            Um fenômeno recente na comunicação mossoroense é a proliferação de blogs escritos por pessoas ligadas so grupo de Silveira Jr. Muitos, eu sequer sabia tinham blogs, mas, ao receber informações sobre os gastos com publicidade da Câmara Municipal, após ordem judicial, vi que boa parte recebia remuneração bastante generosa.

            Não sei qual o critério do prefeito ao escolher onde investir em publicidade. Algumas rádios e jornais não recebem nenhum tipo de recurso da PMM, enquanto alguns blogs, que juntos possuem poucos leitores, recebem dezenas de milhares de reais. Isso é no mínimo estranho.

            Enquanto a filial da Rede Globo em Mossoró foi desativada, dois jornais impressos fecharam suas portas e um outro jornal migrou totalmente para a internet, a agência de publicidade ligada ao grupo do prefeito, que recebeu R$ 3 milhões da Prefeitura de Mossoró em 2015, mantém um portal de notícias e lançou há poucos dias um jornal impresso para ser distribuído gratuitamente em Mossoró.

            Talvez eu esteja desatualizado e precise voltar à faculdade de Comunicação Social, além de rever tudo que aprendi na pós-graduação em marketing. Pela escola do prefeito de Mossoró, não se deve investir onde o leitor, ouvinte e telespectador estiver, mas sim empurrar dinheiro onde os elogios possam ser cooptados.

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