terça-feira , 25 de setembro de 2018
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Papa diz que não basta virar a página dos abusos, é preciso reparar os danos

O papa Francisco afirmou que não basta virar a página do “drama” dos abusos contra menores por parte de membros do clero, mas se deve buscar reparação para que as vítimas possam curar suas feridas.

“Acabar com isto não significa simplesmente virar a página, mas buscar uma cura, uma reparação, tudo que for necessário para curar as feridas e devolver a vida a tanta gente”, disse o papa em um encontro particular que teve com jesuítas em Dublin, durante a viagem que realizou no final de agosto à República da Irlanda, e cujo conteúdo foi divulgado hoje.

Francisco, que se reuniu com mais de 50 jesuítas logo após se encontrar durante uma hora e meia com oito vítimas de abusos sexuais na Irlanda, qualificou de “drama” estes fatos que estão sendo descobertos em vários países, segundo a transcrição do encontro publicado hoje pela revista dos jesuítas “Civilità Católica”.

“Este drama dos abusos, especialmente quando são muito difundidos e causam grande escândalo, tem por trás uma Igreja que é elitista e clericalista, uma incapacidade de estar perto do povo de Deus”, lhes disse o pontífice.

E acrescentou: “O abuso sexual não é o primeiro. O primeiro abuso é o de poder e consciência”.

O papa afirmou que custou a crer nas histórias que viu documentadas nos relatórios elaborados recentemente sobre vários casos de abusos sexuais.

“Acabo de escutá-los agora na sala ao lado e estou profundamente comovido. Dou a vocês uma missão especial: limpem isto, mudem as consciências, não tenham medo de dizer as coisas claramente”, lhes pediu o papa.

Francisco também disse que tinha ficado surpreso e horrorizado ao ser informado que na Irlanda aconteceram casos de mulheres solteiras das quais foram retirados seus filhos. “Escutar isto me tocou profundamente o coração”, afirmou.

Perguntado por um dos presentes o que pode ser feito para lutar contra os abusos, Francisco lhes disse: “Temos que denunciar os casos que conhecemos”.

 Agência EFE