domingo , 22 de outubro de 2017
Home / Universo / Entrevista / Otoniel Maia de Oliveira
Otoniel Maia de Oliveira
Otoniel Maia de Oliveira

Otoniel Maia de Oliveira

Aos 65 anos de idade, 41 deles dedicados ao jornalismo policial, Otoniel Maia de Oliveira é hoje referência nesse ramo de atuação. Com passagens pelas principais rá- dios de Mossoró, Otoniel comanda atualmente um dos programas policiais mais assistidos da região na televisão aberta, o Linha de Fogo.

Casado há 36 anos com Maria de Fátima Maximina Mota, Otoniel Maia é pai de doze filhos, cinco frutos de seu primeiro casamento, quatro de seu atual relacionamento e mais três adotados.

Além de repórter policial, Otoniel Maia está exercendo o quinto mandato de vereador pelo município de Felipe Guerra. Aposentado pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) por invalidez, tendo prestado 35 anos de serviço à Universidade,assumindo as funções de diretor de transporte, de patrimônio, de serviços gerais, o entrevistado desta semana do caderno Universo tem muita história para contar.

O Mossoroense: O senhor atua na área policial há bastante tempo. Conte-nos um pouco sobre sua experiência nesse ramo.
Otoniel Maia: Eu comecei na rádio Difusora, em 1970, fazendo três programas como disk-joquei, o que hoje seria o apresentador, sendo que o disk-joquei tinha mais liberdade, mantinha um contato direto com o ouvinte. No mesmo ano fui para a rádio Tapuyo apresentar um programa só aos domingos. Lá existia um programa policial comandado por J.Belmont, e quando ele saiu eu continuei o programa, o Patrulha na Cidade. Fiquei na Tapuyo durante trinta anos, depois voltei para a Difusora para apresentar o Cidade Aflita. Na sequência, fui para a rádio Libertadora fazer um programa em cadeia com a rádio do Apodi, um programa policial também.

OM: Como surgiu esse interesse pela área policial?
OM: Eu fui subdelegado de polícia nomeado pelo secretário de Segurança Pública, em 1966. O subdelegado assumia no lugar do delegado, que na época era o sargento de polícia, e quando ele viajava quem assumia era eu. Por conta disso, eu sempre gostei de polícia. É tanto que hoje eu tenho três filhos policiais.

OM: Nós podemos afirmar que os momentos mais marcantes da sua carreira profissional foram as entrevistas que o senhor fez com o temido Valdetário Carneiro?
OM: É verdade, porque eu era o único repórter do Rio Grande do Norte a quem Valdetário dava entrevista. Foram pelo menos seis entrevistas. Teve uma, inclusive, que foi reprisada a pedidos, e o superintendente da polícia no RN ligou para mim, e perguntou: “Essa entrevista é ao vivo, onde é que o homem está?” E eu respondi: “Quem tem que procurar bandido é a polícia, não sou eu não doutor”. Eu encontrei com Valdetário várias vezes, à noite, de madrugada, fui atrás dele na Paraíba, nós passávamos a noite bebendo juntos. Ele só confiava em mim.

OM: Por quê?
OM: Primeiro pelo parentesco com Dr. Benevides, que era meu primo, por isso Valdetário depositava toda a confiança em mim. Lembro que uma vez vieram me buscar, de uma hora da manhã, em casa, para fazer uma entrevista com ele, e fui informado que o bando dele assaltaria o banco de Apodi, e assaltaram dois bancos. Normalmente, eu tinha conhecimento de quase tudo, porque eu transmitia muita confiança. Nunca tive medo de Valdetário, pelo contrário, tinha uma grande amizade com ele, era um amigo.

OM: Além das entrevistas com Valdetário Carneiro, que outra reportagem marcou sua vida profissional?
OM: Uma chacina que aconteceu em Areia Branca, em 2003. Na época, eu trabalhava na TV Ponta Negra. Em um sábado, em casa, recebi a ligação do dono da TV, Carlos Alberto, informando que haviam prendido uma pessoa em Areia Branca, porque ele tinha estuprado e matado uma menina. Quando cheguei lá estavam cinco mil pessoas jogando paralelepípedo na delegacia, atearam fogo em oito viaturas, cortaram telefone. Nesse dia a Globo estava fora do ar, e eu fui manchete nacional e em mais 11 países com essa matéria. Foram 29 minutos de exibição seguidos.

OM: Mossoró hoje vive um cenário onde a violência impera. São mais de 150 assassinatos em quase nove meses. Com décadas de experiência na cobertura policial, como o senhor avalia esse momento que estamos vivendo?
OM: Eu nunca vi tanto empenho dos policiais para trabalhar como estou vendo agora, mas só que eles não possuem meios. Até o governo anterior, eram 20 viaturas circulando em Mossoró, hoje são 15 veículos, incluindo motos, carros. E não tem jeito, daqui pra frente é de pior a pior, ninguém espere melhora. O atual governo deveria ter convocado os 70 delegados aprovados no concurso, mas não chamou. Os policiais também não serão chamados.

OM: A educação dos jovens também é determinante para reverter esse quadro?
OM: Em primeiro lugar tem que está a família. Tenho oito filhos homens, e todos pedem minha benção e me chamam de senhor. Eles não fazem nada sem me consultar.

OM: Então quer dizer que o filho do senhor, Otoniel Maia Júnior, advogado em Mossoró do traficante Fernandinho Beira Mar, pediu sua autorização para defender Beira Mar?
OM: Sim, ele me consultou, e procurei ouvir a opinião de juízes a respeito desse assunto, e um chegou até a questionar meu filho, mas Otoniel Júnior explicou que não iria se envolver, iria fazer o trabalho dele. E hoje, o Fernandinho é apaixonado por ele. Além de Beira Mar, ele também tem cinco clientes envolvidos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). E eu estou muito feliz.

OM: Em que momento o senhor decidiu ingressar na vida política? Como ocorreu essa transição da polícia para esse novo ramo?
OM: Eu fui candidato três vezes a vereador aqui em Mossoró, em 1972, 76, e 82. Eu sempre tive facilidade em fazer boas amizades, e fui candidato a pedido do deputado Vingt-Rosado, mas não me elegi, porque não tinha como. Eu era locutor, não tinha condições financeiras. Aí surgiu o convite para ser candidato em Felipe Guerra, me elegi em 1992, e de lá para cá não perdi mais nenhuma eleição.

OM: Otoniel, quais os problemas de saúde que o senhor já enfrentou e enfrenta atualmente?
OM: Eu só sou vivo hoje porque sou crente. Por conta da bebida eu contraí diabetes, uma hepatite C, que acabou provocando um câncer no fígado, sendo que um médico em São Paulo disse que eu não tinha nem três meses. Depois, saí daqui cego para Natal, fiz cinco cirurgias nos olhos, o médico afirmou que eu não iria mais enxergar. Ainda tive um infarto, fui à UTI, e agora perdi os rins, por isso faço hemodiálise.

OM: Em algum momento esses problemas chegaram a abalar efetivamente sua estrutura psicológica e emocional?
OM: A mim, não. Nunca chorei, nunca perdi noites de sono, nunca disse que ia morrer porque o Deus que eu tenho é muito forte, Ele é quem me segura. O meu Deus eu não troco por ninguém, eu só estou aqui por conta Dele.

OM: Esses obstáculos então não interferem na forma como o senhor conduz a sua vida?
OM: Nunca, nunca. Na época do câncer, eu cantava na igreja, e dizia tenho um tumor maligno, mas Deus que permitiu, ele vai me curar. As doenças não têm poder sob o meu corpo, porque ele é ungido pelo sangue de Cristo. Doença nenhuma vai me abalar.

OM: Considerando a sua determinação e vontade de viver, o senhor se considera um exemplo para as pessoas?
OM: Sou. Dr. Cure (médico oncologista) deu uma entrevista afirmando que com anos de experiência na oncologia, nunca tinha visto um ser humano como eu. Ele disse que a Organização Mundial da Saúde vai ter que requisitar o meu corpo para fazer estudo. Já à UTI quatro vezes, mas no dia seguinte estava aqui na TV, agradecendo a Deus.

OM: E hoje, como o senhor está?
OM:Hoje eu estou bem, muito bem. Do câncer eu estou curado, a vista às vezes atrapalha um pouco, e devido à diabetes hoje eu ando com o bolso cheio de confeitos para não ter uma hipoglicemia. A hepatite C estacionou, faz cinco anos. E continuo com a hemodiálise.

OM: Casado pela segunda vez, pai de 12 filhos, quem é Otoniel Maia no convívio familiar?
OM: Eu já fui muito ruim, saía na sexta-feira e chegava domingo à noite em casa, era muito namorador, mas sempre fui bom pai. Eu nunca fui de colocar meus filhos no colo e beijá-los, agora eu dava carinho a eles de outras maneiras, mandando-os à escola. Hoje, eu deveria ser um advogado criminalista, mas não estudei, por isso priorizo a educação dos meus filhos.

OM: Vereador em seu quinto mandato, repórter policial com mais de quatro décadas de atuação. Aos 65 anos, é possível afirmar que o senhor conseguiu realizar todos os seus anseios? Ou o senhor ainda deseja concretizar muitos outros sonhos?
OM: Eu achava que já tinha realizado todos os meus sonhos, mas que não são só meus, porque eu estou aqui para servir. Mas há cinco anos, quando contraí o câncer, e ao sair de casa, em direção a Natal para começar o tratamento, parou um irmão em frente a minha casa e disse: Jesus me mandou aqui e disse que vai acrescentar 15 anos na sua vida. Isso é para quem crer. Já faz cinco anos, e eu creio que passarão os dez, e o Senhor me concederá ainda mais 15 anos de vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *