segunda-feira , 17 de dezembro de 2018
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OS BUTRAGOS E O PADRE LONGINO – Wilson Bezerra de Moura

São duas figuras distintas, mas conviveram numa mesma época em Mossoró, pelo idos de 1839. Sucede que a família de João Ferreira da Costa, também conhecida como Butrago, morava no bairro Paredões, pelas informações históricas, nas imediações da ribeira do Rio Mossoró, mais precisamente nas ultimas ruas do bairro.

Era o cidadão João Ferreira da Costa homem violento, com crimes cometidos, um tipo de gente que, se não servia para amigo, muito menos inimigo. Por ironia do destino, o primeiro sacerdote mossoroense, padre Francisco Longino Guilherme de Melo, originado da família que formou os primeiros habitantes da cidade, veio como sacerdote da freguesia de Mossoró e aqui celebrou a primeira missa no dia 02 de fevereiro de 1827.

Pois bem, com passar do tempo o padre Longino passou a ser inimigo da família Butrago e isso foi o suficiente para gerar entre as partes uma questão de vida ou morte. Os Butragos organizaram grupos de bandidos, enquanto o padre teve de se reforçar com outro forte grupo de cangaceiros, trazendo gente até do alto sertão para se defenderem dos ataques dos Butragos, seus inimigos. Foram às vias de fato. A cidade de Mossoró, então freguesia, teve momentos de tiroteios entre as duas facções, com sacrifícios de vidas.

O certo é que com a formação desses grupos entre os Butragos e o padre Longino a freguesia viveu um grande período de guerrilha, prejudicando inclusive a Igreja, porquanto os fiéis deixaram de frequentar os atos religiosos . Tudo voltou ao normal quando o padre Longino resolve sair de Mossoró viajando por outras regiões, o Ceará e o Piauí, passando um bom tempo afastado, só retornando 27 anos depois.

Enquanto permanecia essa trégua, o padre vigário Antônio Joaquim assume, em 1844, a freguesia de Santa Luzia e, por sua aquiescência, recebe o padre Longino ao retornar à terra, dando-lhe um merecido acolhimento sob a égide da população, que com ansiedade o aguardava.

A família Butrago recebeu como sentença o esquecimento do povo e o padre Longino a sentença final aos 30 de março de 1876. Aos 74 anos de idade foi sepultado na capela do Cemitério de São Sebastião, sendo seu corpo encomendado pelo padre João Urbano, celebrando o ofício do ato envolto em ramerrão preto.