terça-feira , 19 de novembro de 2019
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O cisco de Deus – Francinaldo Rafael

Domingo, 30 de junho de 2002. Por volta das 19h30 desencarnou aos 92 anos de idade o médium Francisco Cândido Xavier, em meio as vibrações de alegria do povo brasileiro pela conquista da Copa do Mundo de futebol.

Segundo informações de pessoas próximas a ele, como de costume, nesse dia acordou cedo, fez orações e  alimentou-se normalmente. Pediu para fazer a barba. O enfermeiro respondeu que o barbeiro estava impossibilitado de fazê-la naquele dia; só no dia seguinte. Chico então retrucou que não adiantaria mais, pois já seria tarde. No dia anterior, apesar de toda a debilidade orgânica, fez questão de ir à distribuição de alimentos no bairro denominado Cidade Ozanan. Estava de semblante sereno e feliz.  Já na tardinha do domingo, pediu para tomar banho e vestir-se devidamente. Jantou e foi depois conduzido ao leito, onde permaneceu sereno, motivo para que os presentes se afastassem um pouco, exceto seu médico o Dr. Eurípedes Tahan. Colocou-se de mãos postas, erguidas para o alto, em evidente atitude de oração. Minutos depois, baixando os braços, cruzou-os sobre o peito e asserenou de vez. Dr. Eurípedes relatou  de público, que Chico, nos momentos de transição, não apresentou o mínimo sinal de sofrimento, nenhum gesto que denunciasse sequer desconforto ou descontentamento. Era seu desejo, partir num dia em que todos os brasileiros estivessem felizes. E assim aconteceu.

Sua vida não foi fácil. Desde a infância o sofrimento era companheiro presente. Órfão de mãe aos cinco anos de idade, surras três vezes ao dia com vara de marmelo, garfos espetados na barriga, obrigado a lamber feridas…

Seu grau de escolaridade só foi até o curso primário. Começou a trabalhar a partir dos oito anos de idade numa fábrica de tecidos, das 15h até as 2h. Chico sempre se sustentou do seu modesto salário. Aposentou-se como datilógrafo subordinado ao Ministério da Agricultura. Nunca recebeu um centavo sequer fazendo uso da mediunidade. Dos  mais de quatrocentos livros que psicografou, doou todos os direitos autorais a federativas espíritas e entidades assistenciais.

Porta-voz de Deus? “Uma besta encarregada de transportar documentos dos Espíritos” – dizia ele. Um apóstolo? “Nada disso. Cisco Xavier”. Autodenominava-se um cisco de Deus. Assim, defendia-se do assédio e evitava a perigosa armadilha da vaidade. “Ajudai-vos uns aos outros” era sua receita para todos os males. Tinha Jesus como permanente farol a iluminar seu caminho. Recomendava a oração como aliada constante: “Ninguém pode imaginar, enquanto na Terra, o valor, a extensão e a eficácia de uma prece nascida na fonte viva do sentimento.”

Transcorridos quinze anos do retorno de nosso querido Chico à Pátria Espiritual,  seu exemplo de vida permanece entre nós. O homem chamado amor, o cisco de Deus, esquecia-se de si mesmo para beneficiar o próximo.