quarta-feira , 19 de junho de 2019
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Nem tudo é o que parece ser – Francinaldo Rafael

Uma enxurrada de livros tidos como mediúnicos tem tomado conta do mercado literário.  Muitos, sem qualquer critério de conteúdo doutrinário que atestem informações autênticas de princípios basilares da Doutrina Espírita. Percebe-se o interesse meramente comercial. Daí se faz necessário separar o joio do trigo. O médium espírita Divaldo Franco expressa sua opinião sobre esse assunto em entrevista concedida a Federação Espírita do Paraná, da qual extraímos alguns trechos.

“ – É muito comum dizer: mas é muito boa! Mas, muito boa, porém não uma obra espírita e no que diz respeito à mediunidade, a mediunidade ficou tão barateada, tão vulgarizada, que perdeu aquele critério com que Allan Kardec a estuda em ‘O Livro dos Médiuns’. O médium é médium desde o berço. Os fenômenos nos médiuns ostensivos começam na infância e quando têm a felicidade de receber a diretriz da Doutrina, torna-se o que Chico Xavier denominava com muita beleza: mediunidade com Jesus. O que equivaleria dizer: a mediunidade ética, a mediunidade responsável, criteriosa, a mediunidade que não se permite os desvios do momento, os modismos. Mas a mediunidade natural pode surgir em qualquer época e ela surge como inspiração. O indivíduo pode cultivá-la, desenvolve-la naturalmente”.

Ressalte-se que O Livro dos Médiuns citado por Divaldo é a melhor e mais segura fonte para estudar a temática.

Prossegue Divaldo: “Verificamos, neste momento, essa enxurrada perniciosa, porque saem mais de cinquenta títulos de obras pseudomediúnicas por mês, pelo menos que nos chegam através dos catálogos, tornando-se impossíveis de serem lidas. O que ocorre? Eu recebo entre 10 e 20 solicitações mensais, pedindo aos Espíritos prefácios para obras que ainda estão sendo elaboradas. A pressa desses indivíduos de projetar a imagem, de entrarem nesse pódium do sucesso é tão grande que ainda não terminaram de psicografar – quando é psicográfica – ou de transcrevê-la, quando é inspirada, ou de escrevê-la, quando é de próprio punho, de própria concepção, já preocupado com o prefácio. Eu lhes digo: bom, aos Espíritos eu não faço solicitações. Peço desculpas por não poder mandar o prefácio desejado. Espere, pelo menos, concluir o trabalho. Pode ser que eu morra, pode ser que você morra e pode ser que o Guia reencarne antes de terminar a obra”.

Divaldo cita o exemplo de obras nas quais fazem uma inversão do processo natural. “Inverteu, porque o Espírito está tão físico no mundo espiritual! E um Espírito do sexo feminino, que tem os fluxos catamênicos no mundo espiritual e que vai ao banheiro e dá descarga! Outras obras, igualmente muito graves, falam de relacionamentos sexuais para promoverem reencarnação no Além. Ora, a palavra reencarnação já caracteriza tomar um corpo de carne. Como reencarnar no Além, no mundo de energia, de fluidos, onde não existe a carne? O Além, com ninhos de passarinhos multiplicando-se, em que as aves vêm, chocam e nascem os filhotinhos. Não é que estejamos contra qualquer coisa, mas é que são delírios, pura fascinação”.

Uma obra imaginativa é diferente de uma obra de cunho espírita. Para o estudo da Doutrina, é prudente que se busque as obras basilares com a qualidade e critério irretocáveis presentes na Codificação feita por Allan Kardec, sob a supervisão de entidades venerandas.