quinta-feira , 18 de abril de 2019
Home / Artigos / MORCÊGO DOAR SANGUE, SACI CRUZAR AS PERNAS – Wilson Bezerra de Moura

MORCÊGO DOAR SANGUE, SACI CRUZAR AS PERNAS – Wilson Bezerra de Moura

É costume da raça humana, em especial do brasileiro, quando se desengana com uma situação, fazer jogatina de desilusão. Em todos os tempos de sua história política os motivos são muitos e indesejáveis que os direciona a não só temer a situação em que vive como perder por completo a esperança nos dias futuros.

Com a Proclamação da República, em 1889, reascenderam novas esperanças no povo, claro, não podia ser diferente. Merecia pensar com firmeza que as garras cruéis de um regime absolutista quebravam-se e corroíam-se os grilhões que o dominava, o desespero de uma raça que vivia amordaçada não só pela escravidão, mas pelo poder causticante do absolutismo que o escravizava em todos os sentidos da vida, desde a discriminação social, política, racial e econômica e por aí se vai, até a desigualdade social que predominou ao tempo, até hoje torturando a sociedade brasileira.

A República gerou, por consequência adversa, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o que ficou estabelecido cada um interdependente, com poderes distintos e invioláveis, sobretudo com a preservação de um suposto regime democrático que, no entendimento de muitos, culminaria com a salvaguarda de interesses gerais.

Mera ilusão! Tudo se modificou. E para pior. Quebram-se as algemas dessa condição livre, independe e inviolável para a interferência entre os poderes, promovendo os desgastes de todos e de cada um indistintamente. Os poderes interferindo nos demais, cada um não só interferindo nos demais como agindo dentro de suas áreas cometendo certos deslizes no princípio da igualdade.

O Executivo, pelo que têm demonstrado os fatos históricos, ao se agregar aos interesses partidários, tem sido infeliz na administração da coisa pública, mais para o lado de cometer atos ilícitos, no mínimo cometendo corrupção.

O Legislativo, descomprometido por completo com sua finalidade de defensor das garantias individuais, para o qual foi eleito pelo processo livre e independe, por enquanto, e quando se entende ser, defende prioritariamente interesses particulares.

Sem se esperar, o Judiciário entra numa condição de ter que recorrer à ajuda popular para o defender de acusações populares. Sem sombra de dúvidas, uma terrível e inesperada situação tomou conta dos destinos dos três poderes oriunda da chamada República Federativa, que veio para manter não só o equilíbrio da sociedade, mas garantir-lhe a preservação princípios democráticos.

A esperança de ver tudo resolvido como deveria ser está no fato de que algum dia isso aconteça quando o Morcego doar sangue o Saci cruzar as pernas.

Para esse eterno dilema de uma nação com mais de quinhentos anos de existência cometendo gafes dessa natureza, dá para se acreditar apenas no lema dos brasileiros desenganados, história do Morcego e do Saci.