domingo , 18 de agosto de 2019
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Marta é finalista no prêmio de melhor jogadora do mundo

Melhor do mundo 6 vezes, Marta mira 1º grande título pela seleção

Há perguntas que só admitem uma resposta. E a resposta é afirmativa e contundente quando o protagonista é Lionel Messi e se questiona se o atacante nascido na Argentina é um dos grandes nomes do futebol em todos os tempos.

“Por acaso ele não é parte da história?”, questionou Marta ao falar sobre o argentino a jornalistas em janeiro deste ano, durante concentração da seleção brasileira na Granja Comary, em Teresópolis.

A conversa aconteceu porque os jornalistas discutiam o reinado de Marta no futebol feminino. A alagoana já foi eleita melhor do mundo seis vezes, uma a mais que Messi e o atacante português Cristiano Ronaldo, mas, assim como os dois, nunca foi campeã mundial pela seleção.

Messi e Marta têm um vice-campeonato cada e o mesmo algoz, a Alemanha. A Argentina perdeu para a ‘Mannschaft’ na prorrogação em 2014 no masculino, e no feminino o Brasil foi derrotado na decisão de 2007.

“Mas por acaso Messi não entrou na história do futebol?”, insistiu a camisa 10 do Brasil, desafiante.

“Não é porque não ganhou que o seu nome deixa de estar na história. Isso é coisa de brasileiros, que criticam muito, principalmente no futebol. Parece que você entra por ganhar e que não pode entrar por competir”, argumentou a capitã da seleção dirigida por Oswaldo Alvarez.

“As pessoas trabalham para ganhar títulos, é evidente, mas também para ganhar oportunidades. Voltar aqui, à Granja, e ver como tudo mudou, ver que realmente a nossa modalidade está crescendo, não é uma coisa que acontece de um dia para outro. Para nós, que estamos envolvidas nessa luta, isso é muito melhor que um título”, completou, entre lágrimas.

É que por trás dos holofotes, dos prêmios e do carinho da torcida, Marta guarda uma história de sofrimento. “O meu começo foi muito difícil”, destacou a craque em entrevista concedida à Agência Efe quando jogava pelo Rosengard, da Suécia.

“Eu percebia que jogava melhor que os meninos e isso, em certa maneira, gerava ódio, uma discórdia. Os meninos não aceitavam, me humilhavam, me diziam que eu tinha que parar de jogar. Digamos que o futebol naquela época era um esporte totalmente voltado para o mundo masculino. Eu sou de uma cidade muito pequena, e aquilo gerava confusão. Todos, incluindo os meus irmãos, falavam mal de mim. Foi muito difícil. Eu só queria jogar com eles! Os comentários das pessoas me deixavam realmente triste, mas nunca até o ponto de não querer jogar mais ao futebol”, recordou.

Aos 33 anos, ela continua jogando. Como se o tempo tivesse parado, continua guiando a seleção brasileira junto com Formiga, de 41 anos e que recentemente renovou contrato com o Paris Saint-Germain, e Cristiane, maior artilheira da história dos Jogos Olímpicos, contando homens e mulheres.

No entanto, o nível apresentado recentemente pela seleção não é nada animador. A última vitória das brasileiras aconteceu em julho do ano passado, sobre o Japão, pela Copa das Nações. Depois disso, para Estados Unidos (4 a 1 e 1 a 0), Canadá (1 a 0), Inglaterra (2 a 1 e 1 a 0), França (3 a 1), Japão (3 a 1), Espanha (2 a 1) e Escócia (1 a 0), com 18 gols sofridos e apenas cinco marcados.

O primeiro objetivo, portanto, é superar a fase de grupos para igualar os oitavas de final alcançadas em 2015. Na chave, estão a Austrália, algoz de quatro anos atrás, Itália e Jamaica, adversária de estreia, no próximo domingo.

“O jogo mais difícil será contra a Austrália. Sempre nos trouxe dificuldade. A Itália tem um estilo europeu e luta bastante, e a Jamaica é a equipe sobre a qual tenho menos informação. Temos que nos estabilizar como equipe e nos sentirmos bem”, comentou Marta.

Grupo C (seleções e posição no ranking da Fifa):.

Brasil (10).

Jamaica (53).

Austrália (6).

Itália (15).

Programação (horários de Brasília):.

Dia 9 de junho.

8h Austrália – Itália (Valenciennes).

10h30 Brasil – Jamaica (Grenoble).

Dia 13 de junho.

13h Austrália – Brasil (Montpellier).

Dia 14 de junho.

13h Jamaica – Itália (Reims).

Dia 18 de junho.

16h Jamaica – Austrália (Grenoble).

16h Itália – Brasil (Valenciennes).

Lucía Santiago.

 

Agência Brasil