sexta-feira , 6 de dezembro de 2019
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Manifestantes protestam em SP contra falas de Bolsonaro em favor da ditadura

Centenas de manifestantes protestaram nesta segunda-feira em São Paulo contra as seguidas declarações do presidente Jair Bolsonaro em favor da ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985.

Os manifestantes levaram fotos de algumas das 434 pessoas que, segundo a Comissão Nacional da Verdade, foram assassinadas ou desapareceram por razões políticas no período, um dos mais obscuros da história do Brasil.

Entre os desaparecidos da época está Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, lembrado hoje durante a manifestação pacífica que teve como lema “Ditadura nunca mais”.

Bolsonaro disse recentemente que sabia a verdade sobre o paradeiro de Santa Cruz e atribuiu a morte a grupos de esquerda, contradizendo documentos oficiais do período e o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que afirma que ele foi preso e morto por agentes do Estado.

As declarações se somam a uma lista de exaltações, distorções e falsidades ditas pelo presidente sobre a ditadura militar, que abriram as feridas deixadas por um período que esteve marcado pela repressão e milhares de casos de tortura, como lembraram os manifestantes.

“Bolsonaro está recuperando um discurso histórico que ele não inventou: que a ditadura do Brasil não existiu e que foi branda. Precisamos novamente levar essa luta adiante, dizer que a ditadura existiu, assassinou e provocou desaparecimentos”, disse à Agência Efe Viviana Mendes, que faz parte de uma comissão de familiares de mortos e desaparecidos no período.

O professor Lucas Marcelino disse que foi às ruas hoje para resgatar a memória, a verdade e a justiça, mantendo viva a luta para que se encontrem os restos mortais daqueles que foram mortos pelo regime ditatorial.

Como responsáveis pelas torturas do período, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade identificou 377 agentes da ditadura que não puderam ser julgados pela ampla anistia decretada em 1979, que beneficiou tanto militares como integrantes de grupos armados da esquerda.

Um dos chefes do aparelho repressivo da ditadura beneficiado pela anistia foi Carlos Alberto Brilhante Ustra, a quem Bolsonaro exaltou enquanto ainda era deputado federal durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

“O Brasil não puniu seus torturadores”, lamentou Marcelino.

 

Agência EFE