sábado , 19 de outubro de 2019
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Manifestação contra o genocídio do povo negro lança Rede Nenhuma Vida a menos

Centenas de pessoas se reuniram em Curitiba, no ato contra o genocídio do povo negro e pobre. Assim como em outras cidades por todo o Brasil, o ato foi também um protesto contra o assassinato de Agatha Félix, de oito anos, que foi baleada na noite da última sexta (20), no Complexo do Alemão (zona norte do Rio de Janeiro). Movimentos sociais, entidades e apoiadores também aproveitaram a manifestação para lançar a Rede Nenhuma vida a menos.

A iniciativa de criar a Rede aconteceu logo após a morte da menor Agatha, mas também por um caso de prisão injusta de um jovem negro em Curitiba. A estudante de Ciências Sociais, Gabriela Luiz, integrante da Rede, contou que concomitantemente à morte da Agatha, um jovem negro trabalhador, em Curitiba, estava indo fazer um pagamento para o patrão e foi interceptado pela polícia. “Ele ficou detido por dois dias simplesmente porque portava dinheiro. Ou seja, foi preso por ser negro. Mais este fato nos motivou a criar este coletivo.”

A Rede tem uma página no facebook que servirá para divulgar novos atos, como também para receber denúncias e pedidos de ajuda. “As pessoas podem entrar em contato na página e teremos sim uma rede de advogados que nos apoiarão”, explica Gabriela.  A Rede buscará também através de atividades, manifestações e debates acompanhar e fazer o acolhimento de denúncias e fortalecer os laços de resistência e solidariedade frente a Política de morte”, patrocinada pelo Estado brasileiro.

O estudante de doutorado em Engenharia, Everton, presente no ato, disse que a luta é constante contra a Politica da Morte patrocinada pelo Estado brasileiro. “Estamos aqui contra o genocídio da população negra. Dados oficiais apontam que a cada 23 minutos morre um jovem negro no Brasil. São dados alarmantes. Nós, população negra, estamos morrendo diariamente,” disse o estudante. Everton também destacou que o protesto também é contra o Pacote Anti Crime, de Sergio Moro. “Ações policiais desastrosas como o que  aconteceu no Rio com a Agatha e outras crianças que morreram na escola, em casa, na rua. Foram assassinados pelo Estado brasileiro. Este pacote anticrime legitima a morte das crianças e da juventude. Já disseram, testemunhas disseram que não havia ninguém e a polícia atirou para matar.”  A manifestação aconteceu no centro da cidade ao longo de toda a noite. Outras manifestações serão realizadas para divulgação da Rede.

 

Brasil de Fato