A alegria se mistura com o mel inebriante que faz de um povo e uma cidade inteira se voltarem para tão aguardada folia de Momo. E no contagiante mela-mela pelas ruas da cidade, gente vindo de toda as partes e direções se misturam aos homens, mulheres e meninos na demonstração mais infinita de alegria. Gerundiando os verbetes de folia: pulam, gritam e cantam: é tempo de Carnaval. Afinal, ainda é possível ouvir a furiosa que vem lá do chão da Praça do Carnaval da terra do saudoso Gilberto Avelino, do poeta Benito Maia Barros e seu incansável macauísmos, do maestro Antônio Cícero de Castro e o seu dobrado vindo da filarmônica Monsenhor Honório, do bloco da vitória de Colô Santana, do violão impagável de Fracilúzio, das memórias empoeiradas do Museu José Elviro de João de Aquino, da bossa nova de Hianto de Almeida e das orações com preces de amor do Monsenhor Penha. Macau do bloco Os Bruxos e das cordas do violão do talentoso professor Tião Maia, do frevo vibrante de Leão Neto, do café sem igual da Djane - a imperatriz da Praça da Conceição, do Bloco Balancê. Macau da alegria sincera e amiga da cigarra do sal, Dorotéia Dantas, e os seus famosos dindins "Me Chupe". Macau do coração adocicado da jornalista Regina Barros, a nossa barra da ilha. Macau de Camapum com as suas águas sempre calmas e mornas. Macau do sal da ilha do Alagamar. Macau do vento que sopra manso de um povo acolhedor, simples e ordeiro. Macau do poeta que declara o amor: "De rio em preamar sereno, onde, entre ferrugens e sombras, descansam âncoras, e navegam fantasmas de barcos cinzentos."
E viva o Carnaval.
SAL A GOSTO
Domingo é dia de muito Carnaval na cidade de Macau. E a partir do meio-dia na praia de Camapum muita ferveção com a banda Kabaço Molhado elétrico e mela-mela com as bandas Classe A, Grafith, Lane Cardoso. Quer mais? A noite ainda tem os desfiles da tribo dos índios guaranis, frevo no pé e na praça, com a orquestra Harmonia do Frevo e no corredor da folia tem festa no palco com paredão do Brasil, Forró dos Plays elétrico e Fantasmão.
MAIS FOLIA
Já na cidade de Guamaré, distante 40km de Macau, a atração de hoje é o cantor Tatu, ex-vocalista da banda Araketu. E durante o dia a partir das 16h, o trio elétrico percorre o "arrastão" na Avenida da Folia com o tradicional mela-mela mais a banda Fantasmão e no palco as bandas Bakulejo e Voa Voa encerram a noite.
COMISSÃO DE FRENTE
Paetês e lantejoulas não vão faltar se depender de Dorotéia Dantas, que sai como destaque vestida de tigresa na Escola Ases do Ritmo de Netinho de Colô. Já a Escola de Samba Beija-Flor, do bairro do Valadão, tem o seu samba-enredo assinado e cantarolado pelo cantor macauense Marrocos. Vamos todos para a avenida que hoje as escolas vão desfilar com seu carros alegóricos, suas alas de história para contar.
Em tempo de parabenizar o trabalho sério que vem sendo apresentado pelo Conselho Tutelar de Macau. A turma boa preparou um esquema especial para fazer valer o direito da criança e do adolescente, durante o Carnaval 2012. De dez o trabalho do sangue bom presidente Emanuel Queiroz.
ESTRELA PRIMEIRA
E a nossa Lane Cardoso? De agenda cheia, meu bem. Macauense da gema, a cantora potiguar segue por todo o Rio Grande do Norte com show durante o dia e a noite para animar o Carnaval nos quatro cantos. Hoje, na cidade de Macau, Lane arrastará meio mundo de gente e uma banda da lua pelas ruas no mela-mela. Merecemos.
RADIOLA DE FICHA
E os manos Ceiça e Anchieta Jácome, de quem somos fãs de carteirinha, prometem repetir o sucesso dos anos anteriores com o bloco mais irreverente do Carnaval de Macau, o bloco Radiola de Ficha. Música brega e romântica é a receita para animar os centenas de foliões que hoje saem para os requebros com o Alvimar Farias. Vamos todos!
SUPERMAN
Quem não é fã do trabalho do fotógrafo Canindé Soares? O muso de Débora desembarcou na capital salineira para ser o responsável pelos cliques que vão rodar o mundo com o seu olhar para lá de sensível do melhor Carnaval do Estado. Merecemos.
MEU CORAÇÃO BORIM
O saudosismo me acometeu nestes dias de folia. Ai que saudades da minha infância, quando corria descalço pelas ruas do Porto do Roçado, em tempos de Carnaval, para ver a bateria de Lila anunciar os primeiros clarins da sua Escola Imperadores do Samba. Era mais precisamente na rua Baixa Verde, que em meio à multidão observava no canto do olho e sorrateiro o colorido mágico das roupas das baianas que estavam sempre a girar, rodando feito pião colorido ao som do sedutor samba-canção da velha guarda. Tempos bons.



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