Esta semana, Fafá Rosado escolheu o jornal Tribuna do Norte, de Natal, para assumir o que todos nós mossoroenses já sabíamos: está negociando sua renúncia em troca de uma indicação para o Tribunal de Contas do Estado, um cargo vitalício com direito a muitas regalias, dentre elas indicar cargos comissionados com salários superiores a R$ 12 mil, com a governadora. O "emprego" é desejado por 10 em cada 10 pessoas que sabem de sua existência.
Em todas as pesquisas que analisam a opinião do eleitor sobre eleições 2012 divulgadas até aqui, o vereador Chico da Prefeitura aparece em segundo lugar, a vereadora Cláudia Regina em terceiro e em quarto lugar está a vice-prefeita Ruth Ciarlini, irmã da governadora, cunhada de Carlos Augusto, presidente do DEM mossoroense. Não seria mais fácil apoiar o segundo colocado? Certamente, não. Os líderes do DEM na cidade devem ter algum tipo de pesquisa qualitativa que aponta Ruth como melhor candidata. Só isso explicaria a pressão e força que estão fazendo para que a tríade Gustavo-Leonardo-Fafá abra mão de pelo menos nove meses à frente da Prefeitura Municipal de Mossoró.
Depois que deu a declaração que estava negociando a renúncia em troca do TCE, a prefeita deu, como se diz no jornalismo, um mergulho. Os assessores que mantêm colunas nos jornais calaram-se. A Gerência de Comunicação afirmou aos jornalistas Julierme Torres e Carol Ribeiro, da TCM, que a jornalista da Tribuna havia se equivocado, que a prefeita não dissera aquilo. Em Natal, Mossoró e até em Brasília os movimentos pós "saída do armário" foram todos no sentido de abafar o caso. Até o deputado Leonardo Nogueira foi à mesma Tribuna do Norte desmentir a esposa.
A vereadora Cláudia Regina disse que ia esperar a posição oficial do partido e voltou a afirmar que, se não fosse candidata a prefeita, não seria candidata a nada, disse que não tomava decisões por "raiva ou birra". O vereador Chico da Prefeitura, líder do grupo nas pesquisas, disse que o DEM vivia uma ditadura e que foi tratado como um "copo descartável". Os dois são, ou eram, pré-candidatos do partido. Os demais vereadores da bancada governista, que foram diversas vezes pedir para que a prefeita não renunciasse, devem ter ficado zonzos com a entrevista. Não disseram absolutamente nada.
Quem deve estar curioso, quem sabe até furioso, é o eleitor, o cidadão mossoroense, diante das declarações da prefeita, que, eleita pela maioria deles, está negociando a renúncia antes do fim do mandato para assumir uma "boquinha" num cargo vitalício no Tribunal de Contas do Estado. Órgão que, inclusive, deveria julgar as contas da prefeitura de... Mossoró!
O jornalista Alex Medeiros disse no Twitter: "a saúde do RN precisando melhorar o atendimento ao público e o governo Rosalba querendo nomear uma enfermeira para o TCE". Cito-o aqui para levantar um questionamento: quais os critérios técnicos na escolha da ainda prefeita de Mossoró para uma vaguinha em um Tribunal de Contas?
De resto é esperar. Quem sabe um dia ficamos sabendo o que está por trás dessa negociação.






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