sábado , 14 de dezembro de 2019
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A convocação de novas eleições não foi suficiente para conter o propósito de golpe de Estado / Bas Czerwinski/AFP
A convocação de novas eleições não foi suficiente para conter o propósito de golpe de Estado / Bas Czerwinski/AFP

Golpe: Evo renuncia diante de atos violentos e pressão de militares; SIGA

Após comunicado das Forças Armadas da Bolívia, que pediu a renúncia do presidente, Evo Morales anunciou a saída do governo. “Conspiram contra a democracia. Tenho obrigação de buscar essa paz”, disse, destacando que a saída tem como propósito a pacificação. Ao encerrar o pronunciamento, falou sobre o compromisso com as populações mais humildes e que continuará com este propósito. “Vamos seguir lutando como sempre fizemos.”

O vice-presidente Álvaro Garcia Linera também renunciou. “Policiais perseguiram campesinos. Famílias de trabalhadores foram intimidadas, sequestradas, suas casas queimadas, roupas destruídas”, descreveu. Ele destacou a lealdade a Evo. “Sou um vice-presidente leal a nosso presidente indígena e campesino”, declarou.

 

Evo Morales anunciou, na manhã deste domingo (10), a convocação de novas eleições. O comunicado foi feito ao lado de organizações sociais no hangar presidencial, na cidade de El Alto. Nas últimas duas semanas, a violência se intensificou no país após o candidato opositor Carlos Mesa não aceitar o resultado que reelegeu Morales. O mandatário também anunciou mudanças no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Decidi, em primeiro lugar, renovar todos os membros do Tribunal Superior Eleitoral; nas próximas horas a Assembleia Legislativa Plurinacional, de acordo com todas as forças políticas, estabelecerá os procedimentos para isso; segundo, convocar novas eleições gerais que, por meio da votação, permitam eleger democraticamente suas novas autoridades, incorporando novos atores políticos ”, afirmou o presidente.

Evo Morales e Álvaro García Linera foram reeleitos com 2,8 milhões de votos e mais de dez pontos percentuais de diferença em relação ao segundo colocado, Carlos Mesa, no pleito de 20 de outubro. O setor mais radical da oposição queria forçar a realização de um segundo turno. Morales aceitou uma auditoria dos resultados e convidou a Organização dos Estados Americanos (OEA), Paraguai, México, Espanha e as Nações Unidas para acompanhar o processo de revisão.

 

Brasil de Fato