sábado , 19 de agosto de 2017
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Ezequiel Fernandes era natural de Pau dos Ferros
Ezequiel Fernandes era natural de Pau dos Ferros

Geraldo Maia – Ezequiel Fernandes

Geraldo Maia do Nascimento – Ezequiel Fernandes

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Nasceu a 9 de abril de 1892, na cidade de Pau dos Ferros/RN, sendo filho legítimo de Hipólito Cassiano de Souza e D. Francisca Fernandes de Souza. Fez os primeiros estudos em sua cidade natal, mas aprendeu apenas o necessário para realizar o seu grande sonho que era trabalhar no comércio, ao lado do seu pai e de um irmão, Francisco Fernandes de Souza, constituindo-se a firma Souza & Filhos.

Em 1913, com apenas 21 anos de idade, Ezequiel resolveu casar-se. Escolheu para esposa uma prima, Ester Fernandes, de cujo enlace resultou em três filhos: Laete Fernandes, Luís Fernandes e Aldo Fernandes.

Em 1923 recebeu um convite do seu primo Alfredo Fernandes, para trabalhar com ele em Mossoró, como sócio da firma Alfredo Fernandes & Cia. Aceitou de imediato o convite e assumiu, desde então, a gerência dos negócios.

Era um homem trabalhador, já com experiência em comércio, gostava de madrugar e tinha, como se dizia na época, tino para o negócio. Com essas qualidades, deu aos negócios o desenvolvimento mais satisfatório, de modo que já em 1927, a firma Alfredo Fernandes & Cia. dominava toda a zona Oeste, atingindo até os estados da Paraíba e do Ceará.

Nesse mesmo ano uma tragédia abalou a sua estrutura familiar, com a morte da sua esposa, Ester Fernandes, deixando-o profundamente abalado. E aquele ano de 1927 seria um ano terrível para Mossoró com a invasão da cidade pelo bando de cangaceiros chefiados por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, o que muito atrapalhou os negócios.

Em 1928 Ezequiel Fernandes casou-se novamente com sua prima, D. Guiomar Fernandes de Oliveira, mas não tiveram filhos.

Raimundo Fernandes, amigo e colaborador de Ezequiel na sua empresa, narrou um fato interessante que foi registrado por Walter Wanderley em seu livro “Gente da Gente – Memórias”, editado pela Pongetti. Disse que durante a grande seca de 1932, Ezequiel Fernandes criou na empresa que dirigia uma verba de socorro aos flagelados, distribuindo víveres, ajudando os necessitados. Como bom sertanejo e de coração aberto, sabia da necessidade daquela gente trabalhadora, obrigada a mendigar por uma situação alheia a sua vontade.

Com a saúde debilitada, viu-se obrigado a residir em Fortaleza, onde tinha uma melhor assistência médica. De lá orientava os negócios da firma através do seu substituto Pedro Fernandes Ribeiro, outro esteio da empresa. Homem ativo, era, Ezequiel, de uma memória sem limite. Tinha tudo na cabeça, inclusive dados referentes aos balanços, posição dos correntistas, de modo que, quando se aproximava a época do balanço geral, ele dizia o resultado dos negócios em números bem aproximados.

Quando acontecia haver qualquer discordância entre o que ele dizia e a contabilidade da firma, afirmava cheio de convicção: – “Procurem que deve haver algum engano”, o que normalmente acontecia.

Vítima de uma moléstia terrível, que desafiou todos os recursos médicos da época, Ezequiel Fernandes faleceu em 25 de janeiro de 1966, deixando saudades entre familiares e amigos e grande exemplo de trabalho, perseverança e honestidade. Deixou um herdeiro dentro do seu negócio, na pessoa de seu filho, Aldo Fernandes de Sousa, que com os sócios passou a dirigir a empresa.

A Cidade de Pau dos Ferros, sua cidade natal, o homenageou emprestando o seu nome a uma Praça local. Os seus sucessores e diretores da Cia.

Alfredo Fernandes Indústria e Comércio mandou confeccionar, no Rio de Janeiro, um busto de seu chefe desaparecido, que foi colocado na referida Praça, na sua terra, para orgulho dos seus conterrâneos. Mossoró também lhe rendeu homenagem emprestando o seu nome a uma rua localizada no bairro Abolição.

Foi, Ezequiel Fernandes, um homem querido e admirado, tanto no lar como na sociedade, nas terras onde viveu, trabalhou e deixou grande exemplo. Mossoró guarda a sua memória.