terça-feira , 24 de outubro de 2017
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Francinaldo Rafael – Eutanásia: ato inadequado

Francinaldo Rafael – Eutanásia: ato inadequado

Certa vez fui questionado a respeito de como a Doutrina Espírita analisa a eutanásia. Meu interlocutor afirmava-me que caso tivesse um ente querido sofrendo em fase terminal, não hesitaria em abreviar-lhe os sofrimentos. Com certeza não concordamos com tal ato. Enquanto muitos homens da ciência debruçam-se sobre suas experiências em busca da maior longevidade, países considerados de primeiro mundo estabelecem leis desumanas que permitem ceifar a vida. Como pode o homem aventurar-se em decidir o que é da alçada de Deus? Não podemos esquecer que estamos reencarnados em um mundo de provas e expiações  e que cada criatura traz sua carga de débitos cármicos, causados por desajustes pretéritos.

O Espírito Joanna de Angelis através da psicografia de Divaldo Franco, no livro Nascente de Bênçãos, nos afirma que “(…) a morte com dignidade, conforme algumas pessoas pensam e planejam, jamais será aquela propiciada por agentes externos que apressam a consumação do corpo. A dignidade está na maneira como é enfrentada a desencarnação, mesmo porque, após o silêncio sepulcral, a vida estuante aguarda o viandante com o patrimônio que lhe é próprio e não com os disfarces em que se oculta. Portanto, abreviar-se a morte de um paciente terminal, na suposição de que as suas são dores impossíveis de serem suportadas, é cometer hediondo crime contra a Vida e a Humanidade nele representada, já que ninguém se pode facultar a presunção de autor da existência para poder interrompe-la  a bel-prazer. É certo que há momentos ímpares de dor e angústia, mas os procedimentos médicos podem atenuá-los auxiliando o ser a aguardar o momento de libertação, quando todas as energias estejam esgotadas e ele possa, por fim, libertar-se feliz e recuperado para sempre de todas as aflições.”

Em 1860 Allan Kardec interrogou o Espírito São Luís a respeito da eutanásia e o Benfeitor respondeu que os momentos finais podem proporcionar ao moribundo, relâmpagos de lucidez para o arrependimento que o auxiliará na vida após o corpo.

Portanto, para o materialista que não vê senão o corpo, a eutanásia seria a solução para o fim dos sofrimentos do doente terminal, mas na realidade oferece apenas um suposto término, pois deixa inúmeras questões não resolvidas a se prolongarem no além-túmulo, embaraçando a evolução do Espírito  e acarretando-lhe uma maior soma de dores.