terça-feira , 21 de novembro de 2017
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Francinaldo Rafael – A Paixão de Cristo

Para estudo científico do passado da humanidade, os homens da arqueologia valem-se dos testemunhos materiais que dele existem. Os Espíritos levam certa vantagem. Como todos os fatos ficam gravados no chamado éter divino ou ambiente, eles visitam o passado e recolhem as impressões possíveis ao seu estado evolutivo. São os arquivos espirituais. Dentre os Espíritos especialistas em trazer essas informações podemos citar André Luiz, Humberto de Campos e  Amélia Rodrigues. As obras de Amélia Rodrigues são ricas em detalhes sobre a época em que Jesus esteve encarnado entre os homens e, provavelmente, não serão encontrados em outra literatura que não a espírita.

Narra Amélia Rodrigues que enquanto os amigos de Jesus encaravam os aplausos à entrada de Jerusalém como sinal de triunfo, Ele não demonstrava qualquer júbilo. Ressoavam como prenúncio de grandes dores. Ele viera ao mundo também para estimular a crença nos incrédulos; e para tanto deveria doar a vida num supremo sacrifício. Jesus houvera afirmado: “Quando eu for erguido atrairei todos a mim.” Era o Mestre procurando demonstrar-nos que era necessária a sua execução para que O entendêssemos e O amássemos. A criatura humana tinha necessidade de sangue e Jesus sabia dessa fase primária da Humanidade. Era necessário atrair-nos da única maneira de sentirmos emoção. Portanto, nenhuma surpresa no Mestre, diante da matança que tomava forma contra Ele. Em expressiva serenidade esperou o acontecimento gerado pela força violenta dos fracos. No bárbaro espetáculo, Espíritos inferiores, entidades perversas achavam-se vitoriosos. Ledo engano. Na palavra do Espírito Bezerra de Menezes sobre a crucificação “O Heroi Silencioso da Cruz, de braços abertos, transformou o instrumento de flagício em asas para a libertação de todas as criaturas, e a luz que fulgurou no topo da cruz converteu-se em perene madrugada para a Humanidade de todos os tempos”.

Esquecendo-se dos exemplos de Jesus jamais, algumas pessoas promovem um equívoco nos dias de hoje: a malhação de Judas, exteriorizando os sentimentos de violência, vingança, condenação, que anda persistem no íntimo de muitos. Esclarecem os Espíritos Superiores que Jesus antes de aparecer às mulheres que foram ao túmulo vazio dirigiu-se às regiões de sofrimento onde Judas se encontrava após a morte do corpo físico. Fora resgatar o amigo, levando conforto e incentivo para libertar-se da culpa e recuperar-se. Afirmou que nunca o deixaria ou o condenaria. Desse modo, não faz sentido a Humanidade continuar condenando Judas. Ele  fechou seu ciclo de reencarnações dolorosas aqui na Terra no século XV, quando reencarnado na pele de Joana D’Arc foi queimado vivo na fogueira da Inquisição. Relembrando aquela época, ele narra: “olho complacentemente aos que me acusam, sem refletir se podem atirar a primeira pedra!”

Nesse período deveremos compreender que Jesus não é nosso salvador conforme a tradição comodista. Ele ensinou-nos o caminho da correção dos equívocos, como também morrer com dignidade, pois já que não tinha dívidas a pagar superava a dor pelo amor, dando-nos o exemplo.