sábado , 22 de setembro de 2018
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Cidades Criativas

O mundo globalizado trouxe novas concepções de como poderia ser nosso sistema econômico, não deixando como opção apenas o capitalismo selvagem, que tanto concentra riquezas. Vêm recebendo cada vez mais atenção modelos como “economia solidária” e “economia criativa”.

De forma simplificada,  economia solidária organiza produção, consumo e distribuição de riquezas de forma centrada no indivíduo, caracterizada pela igualdade, e não no capital. A economia criativa é aquela que engloba não necessariamente artes, mas as novas ideias e formatos que podem movimentar, inclusive, segmentos antigos da economia.

Esses novos conceitos têm também nos confrontado com ideias que chegam a se tornar filosofia de vida. A ideia de economia criativa surgiu na década de 1980 no Reino Unido e foi quando se começou a questionar quais as formas de se fortalecer as alternativas ao modelo existente.

Para se ter uma ideia da importância do setor criativo, os três homens mais ricos do mundo não produzem carro ou petróleo, mas ideias. De acordo com o índice de bilionários Bloomberg, Jeff Bezos, da Amazon, Bill Gates, da Microsoft, e Mark Zuckerberg, do Facebook, são as três pessoas mais ricas do mundo. Ter uma boa ideia vale mais do que ter uma planta de produção de navios.

O mundo está saindo rapidamente da era industrial. Qual é a nova economia que está surgindo? Onde ela acontece? Como competir? Qual o papel das cidades nessa transformação? Como fazer as pessoas ganharem dinheiro com ideias? Em 1983, Gunnar Törnqvist cunhou o conceito “ambiente criativo”, que é formado por quatro traços: informação transmitida entre pessoas; conhecimento (baseado em parte no estoque de informação); competência em certas atividades relevantes; e criatividade (a criação de algo novo, como resultado das três outras atividades).

É sobre isso que queremos trazer ao debate. Termos como incubadoras de empresas, aceleradoras, espaços de co-working, parque tecnológico e tantos outros podem parecer estranhos para muitos, mas são muito comuns na nova economia e nos novos formatos que precisamos pensar para nossas cidades. Principalmente nos países em desenvolvimento tão acostumados ao assistencialismo estatal, onde a educação de um modo geral deixa tanto a desejar. Cidade criativa é um estado de espírito, uma área voltada à inovação e à cultura.

Desde feiras que proporcionem oportunidades aos que trabalham com artesanato ou músicos, até grandes espaços que envolvam a produção científica na identificação de novos modais de produção, os cases de sucesso são muitos.

Além das ações que visam fortalecer setores como artesanato, música, artes plásticas, teatro, e outros setores do que chamamos de artes, temos desenvolvido junto com a UERN, UFERSA, IFRN, Sebrae, Senac, FIERN, dentre outros atores, promovido encontros em torno de um parque tecnológico para Mossoró, com isso fortalecendo o debate sobre o desenvolvimento da economia criativa sob um prisma mais amplo e e pensando na atração de investimentos e cabeças pensantes para nossa cidade.

O Rio Grande do Norte não é um estado industrializado, Mossoró foi muito dependente do setor petrolífero por muitos anos, a seca nos castiga com mais violência de tempos em tempos, enfrentamos uma crise permanente na saúde, na segurança pública. Precisamos de saídas a curto, médio e longo prazo para esta situação. Não existe mágica, mas existem soluções criativas.