quarta-feira , 19 de dezembro de 2018
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Prefeitura de Ponta Grossa (PR) gastará mais de R$ 6 milhões com saída dos cubanos do "Mais Médicos".
Prefeitura de Ponta Grossa (PR) gastará mais de R$ 6 milhões com saída dos cubanos do "Mais Médicos".

Cidade brasileira que deu 74% dos votos a Bolsonaro perde 75% dos médicos

Ponta Grossa, no Paraná, vai perder 60 dos 80 médicos que trabalham nos Centros de Saúde, por conta da saída dos médicos cubanos do programa ‘Mais Médicos’. Nesse município,  74% dos habitantes votaram no presidente eleito Jair Bolsonaro, responsável pelas declarações que fizeram o governo cubano acabar com a parceria com o Brasil.

Bolsonaro deseja que os profissionais, que hoje não precisam fazer o Revalida, passem a fazê-lo obrigatoriamente. Além disso, quer que os contratos feitos de forma coletiva através da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) sejam individuais com cada médico e não com seus países de origem.

O presidente eleito foi mais além ao questionar se os cubanos são mesmos médicos. Disse não aceitar que os profissionais cubanos sofram injustiças: “os cubanos ganham aproximadamente 25% dos salários” e “o resto vai para alimentar a ditadura cubana”, adianta.

O governo de Cuba considerou as declarações de Bolsonaro “ameaçadoras e depreciativas” e decidiu finalizar a parceria com o Brasil imediatamente. Os médicos cubanos já começaram a deixar o Brasil. No entanto, a ausência dos profissionais estrangeiros deixará, além de Ponta Grossa, cerca de outras 600 cidades sem atendimento de saúde adequado, algumas até sem médico nenhum.

Os médicos cubanos trabalham em cidades remotas no interior do país que os médicos brasileiros não quiseram ir e, portanto, as vagas não foram ocupadas no concurso do programa Mais Médicos.

O Ministério da Saúde do Brasil informou que realizará outro concurso para contratar novos profissionais, com prioridade para os brasileiros, e espera que os médicos comecem a trabalhar em fevereiro de 2019.

Até os novos contratos, todavia, o prefeito de Ponta Grossa, Marcelo Rangel, diz que os habitantes terão problemas nos Centros de Saúde. “Estamos fazendo contratos de emergência de 25 novos médicos. Isso custará cerca de 6,5 milhões de reais para a cidade, que serão retirados  de outras áreas”, explica.