terça-feira , 22 de outubro de 2019
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Cidadãos de bem matam mulheres a cada duas horas – Luane Fernandes

O debate acerca do feminicídio e do armamento da população cresce constantemente no Brasil. Em contrapartida, os dados acerca da violência, também.

Segundo um levantamento feito pelo G1, a cada duas horas uma mulher é assassinada no Brasil. Considerando os dados oficiais dos estados relativos a 2017 são 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios, que são os casos em que a mulher é morta devido a um crime de ódio pela sua condição de gênero.

Devido a crescente violência, muitos brasileiros têm defendido o armamento da população para que possam atuar em legitima defesa, protegendo o seu patrimônio e a sua família. Todavia, a população brasileira feminina sofre de violência doméstica. Cenários de mulheres sendo mortas pelos seus maridos vem se tornando cada vez mais comuns no país.

Segundo o delegado Janderson Lube, “Os crimes de feminicídio, no geral, ocorrem em um ambiente doméstico, muitas vezes praticado dentro da própria casa da residência do casal. Diante também das circunstâncias de fuga do autor, do companheiro da vítima, nós chegamos a essa constatação de que é feminicídio logo no início das investigações”, diz.

A insegurança das mulheres dentro de suas próprias casas leva a questionar se o armamento seria uma solução para o problema da violência contra a mulher. Os casos de violência doméstica comprovam que nem sempre há proteção nos lares, que deveriam ser um local de segurança, mas acabam se tornando um lugar de extrema violência.

Ao reunir dados de 37 anos de pesquisas, acadêmicos norte-americanos da Stanford Law School afirmam que o porte de arma contribui para o aumento de crimes. A partir da pesquisa, eles descobriram que os estados norte-americanos que facilitam o acesso de armas a seus cidadãos têm níveis mais altos de crimes violentos não fatais do que estados que restringem o porte de armas.

A partir da revogação da lei do desarmamento, os “cidadãos de bem” teriam o direito a proteção em legítima defesa. Mas e quanto as mulheres que são mortas por esses mesmos que clamam serem cidadãos de bem? O armamento da população também armaria os mesmos criminosos que matam mulheres a cada duas horas. Se o armamento é capaz de aumentar as estatísticas de crimes violentos, uma arma de fogo nas residências brasileiras apenas acentuaria os crimes de feminicídio.