sexta-feira , 20 de outubro de 2017
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Lairinho Rosado

Solução está na política

A França elegeu há alguns meses Emmanuel Macron, 39 anos de idade, casado com uma mulher de 64 anos, por quem se apaixonou ainda aos 15 anos, que fundou um novo partido há pouco mais de um ano. O mais jovem presidente de toda a história francesa derrotou o establishment político pregando renovação.

Os franceses já chegaram ao extremo de decapitar um rei e uma rainha, Luís XVI e Maria Antonieta, por estarem revoltados com a situação daquele momento. Desta vez, Macron conseguiu a “revolução democrática”, onde suas armas foram ideias, discursos, redes sociais. Pouco depois de eleito, outra vitória incontestável: o recém formado partido elegeu 350 das 577 cadeiras no Legislativo.

No Brasil já aconteceram algumas das mudanças que Macron defende agora para a França. Um dos exemplos é a condenação de gente poderosa na Operação Lava-Jato e em tantas outras, mas as mudanças precisam ser mais profundas. Ainda há castas na sociedade brasileira, vide aqueles servidores públicos do Judiciário, Ministério Público, Executivo e Legislativo que recebem salários e vantagens milionárias sem serem questionados.

Sobre a mudança no sistema político, é óbvio e ululante que não avançaremos enquanto eleitor vender e candidato comprar voto, enquanto candidatos milionários estiverem aí para comprar a opinião de alguns setores da imprensa ou empresas decidirem eleições através de Caixa 2 eleitoral. A sociedade não pode achar que está descolada da política. É ela que elege os políticos que estão em nossas cidades, estados e em Brasília.

A solução não está na volta do regime militar, quando sequer havia liberdade para criticar o que não concordássemos, ou em levar membros do Judiciário ou Ministério Público para o comando dos poderes executivos e legislativos do País.

É importante estar de olho nos que se dizem anti-política. Não há solução para a crise política que não esteja dentro da própria política. Em São Paulo, João Dória elegeu-se prometendo muita novidade. Passados quase sete meses de gestão, muita coisa não saiu do papel. Dos mais de R$ 600 milhões que disse ter conseguido em doações de empresas e pessoas físicas, apenas 3,6% foram concretizadas. Essas e outras coisas fazem sua aprovação, que ainda é considerada boa, estar em 41% de Bom e Ótimo em junho ante 44% em fevereiro e a desaprovação subir de 13% para 22%.

Em Mossoró tivemos uma experiência que nos fez regredir alguns anos. Um prefeito que elegeu-se na esteira de declarações de membros do judiciário, dando-lhe quase que a condição de candidato único, prometeu muita coisa boa com palavras fáceis e o que vimos foi a pior gestão da história da cidade. E isso foi constatado através de pesquisas de opinião.

Ainda hoje há, aqui e alhures, aqueles que dizem ser “diferentes”, que não são “políticos profissionais”, mas que se utilizam de estratégias que nem os “profissionais” são capazes, como matérial apócrifo para atacar adversários, compra de profissionais da imprensa para endeusar-lhes a vida e criticar quem ouse discordar. Seduzem mais pelo dinheiro do que por propostas e projetos para as cidades, estados e País.

Se na França e em São Paulo vai dar certo, só o tempo dirá. A experiência em Mossoró não foi boa. Isso não quer dizer que o neófito esteja certo e aquele político experiente errado ou vice-versa. Não é isso que define a competência, índole e caráter. O mais importante é não cair no conto carochinha e saber escolher certo seus representantes.

Desemprego Recorde

No País o número de desempregados bateu recorde histórico. São 13,3% da população em idade de trabalhar, quase 14 milhões de pessoas sem emprego no mês de maio. Apesar da desaceleração nos níveis de desemprego, em março eram 14,1 milhões, a crise econômica parece não ter fim, muito por causa da crise política. Um ano atrás, 11,6 ,milhões de pessoas estavam desempregadas.

Nos últimos doze meses, a construção civil demitiu mais de 300 mil pessoas e foi o setor que mais fez crescer o número de desempregados. Serviços (-252 mil), indústria de transformação (-181 mil) e comercio (-99 mil) foram outros setores que também demitiram muita gente. O único setor com saldo positivo no último ano foi a agricultura (+10 mil), mas o setor apresenta apenas 4% das vagas formais de trabalho.

No início de 2015, apenas 4% das pessoas que têm entre 40 e 59 anos de idade estavam desempregadas. Hoje, esse percentual subiu para 8%. Entre os mais jovens, esta situação é muito mais grave. Lá nos primeiro meses de 2015, o número de pessoas que têm entre 18 e 24 anos de idade que estavam desempregadas era de 17,6%. Hoje são 28,8% de desempregados nesta faixa etária. No geral, são quase 3 milhões de pessoas desempregadas há mais de dois anos, o que dificulta ainda mais o retorno ao trabalho. Apesar dos péssimos números, em três dos primeiros cinco meses de 2017, houve mais admissões do que demissões no mercado formal brasileiro. Entretanto o número parece quase nada diante da massa de desempregados.

Não há como Mossoró não estar inserida nesse contexto. Apesar de a atual gestão estar pagando os salários em dia, além de muitas contas atrasadas deixadas pela gestão anterior, só isso não é suficiente para aquecer a economia local. Há um trabalho de fortalecimento de parcerias entre Poder Público e Iniciativa Privada para gerar novas oportunidades de negócios e qualificação de mão-de-obra para tentar vencer a crise.

Em 2015 a queda do emprego em Mossoró foi menor que a medida no País, já em 2016 a nossa cidade teve piores índices do que os nacionais. Em maio, o saldo do emprego no Brasil foi de 0,09%, no Rio Grande do Norte o saldo foi negativo em 0,05% e em Mossoró 0,15%. Nos últimos 12 meses, o saldo nacional foi negativo em 2,18%, no nosso Estado 1,15% e em Mossoró 3,58%. A crise demorou mais a chegar por aqui, pelo visto demorará mais para a recuperação chegar.

O PIB cresceu no 1º trimestre, a confiança do investidor e das empresas melhoraram, a inflação dos últimos doze meses deverá descer abaixo dos 3%, a taxa Selic tem caído, mas ainda assim não podemos dizer que estamos na retomada do crescimento. A crise é aguda. A confusão política contribui para o agravamento.

Em Brasília cresce a possibilidade de Michel Temer ser tirado da cadeira de presidente para assumir Rodrigo Maia, deputado que até o impeachment de Dilma Rousseff não tinha muita influência além da pequena bancada do Democratas. Agora ele poderá assumir a Presidência da República. A política econômica tende a ser a mesma, mas e os demais aspectos?

O maior programa social que pode existir é a criação de empregos pelo País. Esse programa só é viável com uma economia crescente, sustentável e forte e com segurança política.

O Turismo, o Mossoró Cidade Junina e o emprego

Sempre defendi que Mossoró se posicionasse não só como atração turística principal, mas também como polo. Não apenas para serviços, comércio, educação ou medicina. Podemos ser ponto de partida e de apoio para as salinas, as serras, praias, fazendas de fruticultura e tantas outras atrações que nossa região oferece.

O turismo de eventos foi destaque até aqui, entretanto temos três grandes desafios pela frente: a Rota das Falésias, projeto do Sebrae em parceria com a iniciativa privada, o Parque Nacional da Furna Feia, com mais de 200 cavernas catalogadas, e o aeroporto Dix-Set Rosado, que funcionando com voos regulares, definitivamente coloca Mossoró nos roteiros turísticos nacionais e internacionais.

A Copa do Mundo de Futebol fez com que o turismo representasse 9,5% do PIB (R$ 466,6 bilhões) brasileiro em 2014. O número é superior a média mundial, que é de 2,5%. Cito alguns exemplos de eventos que têm sua importâcia na economia: em Santa Catarina a Oktober Fest; No Pará o Círio de Nazaré; no Amazonas o Festival de Parintins; na Bahia o Carnaval; na Paraíba o São João do Mundo.

Temos Mossoró Cidade Junina, criado em 1996 e mais alguns exemplos, de iniciativa do Poder Público, o Auto da Liberdade, carnaval, Natal Luz e Festa do Bode, e de iniciativa privada podemos citar o Mossoró Moto show, Festival Aéreo, Ficro, Expofruit, Vaquejada, Feira do Livro, Mossoró Mix e tantos outros. Todos, de uma forma ou de outra, recebem apoio público.

Um evento do porte do Mossoró Cidade Junina precisa ser planejado de um ano para o outro. A partir deste ano, já estaremos pensando na edição 2018 logo ao término da edição 2017. Para realizar convênios e captar recursos, é necessário enviar projetos ainda no ano anterior. Os grandes bancos e empresas fazem o planejamento de um ano para o outro, isso significa que os projetos para patrocínio deste ano deveriam ter sido enviados ainda no ano passado.

O contratante que chega depois, corre o risco de não conseguir contratar artista desejado naquela data ou de pagar mais caro por isso. A mesma lógica serve para as empresas que alugam palcos, iluminação, banheiros químicos, transporte ou segurança. É preciso, sem dúvida, haver planejamento.

Outro ponto delicado é a burocracia e necessidade de realizar todo o processo licitatório com a maior transparência, prestando todas as informações à sociedade e aos órgãos de controle. A licitação pode envolver desde a alimentação servida ao pessoal da segurança, dos banheiros químicos distribuídos pelas ruas ao redor do evento, dos artistas que se apresentam no Chuva de Bala, trio elétrico, brinquedos, iluminação, estandes e tendas, segurança, transporte, até os artistas e bandas. Até uma cidade cenográfica precisa ser montada. É um número colossal de documentos e prestação de contas.

A iniciativa privada também tem um papel importante no contexto do evento. Vejamos o caso do Pingo da Mei Dia. Quantos camarotes são montados? Quantas pessoas são contratadas para trabalhar nestes espaços? Quanto de bebida e comida é comercializada? Quantos ambulantes ganham dinheiro ali? Quantos freezers, ar-condicionados, luzes e serviços de som são alugados? Quantos quartos de hotel são ocupados? Quantos pratos nos restaurantes são vendidos com o público que vem para o evento?

O Mossoró Cidade Junina é por Lei um Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Norte. Precisamos adequá-lo às novas realidades, levá-lo para outros pontos da cidade, descentralizar e democratizar o evento. O Mossoró Cidade Junina é nosso, é do povo de Mossoró, é do povo do Rio Grande do Norte.

A importância das Micro e Pequenas Empresas no Desenvolvimento

Em um ano de crise, muito tem se falado nas possíveis saídas para o embaraço econômico que passamos. Ao analisar os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), vê-se que nos últimos anos temos tido mais demissões do que admissões. Já são mais de 13,5 milhões de brasileiros sem um emprego formal.

Interessante perceber que quando comparamos a geração de empregos entre as micro e pequenas empresas, empresas de pequenos porte e nas empresas maiores, o saldo da geração de emprego só é positiva entre as menores. Isso significa dizer que na base da pirâmide, as micro e pequenas têm gerado mais do que demitido.

Outro ponto importante que vale à pena ser ressaltado é que isso mostra também um número considerável de novas empresas sendo formalizadas, gerando, além do emprego, mais receita para os municípios, estados e para a União. Com a nova Lei da Terceirização esse número deve aumentar ainda mais no País como um todo através dos CNPJ de Micro Empreendedor Individual (MEI).

Microempreendedor Individual (MEI) pode ter faturamento até R$ 60.000/ano, as Microempresas (ME) têm faturamento de até R$ 360.000 e as Empresas de Pequeno Porte têm faturamento de até R$ 3,6 milhões/ano. Elas têm, graças à Lei Geral da Micro e Pequenas Empresa, um regime tributário diferenciado e representam um total de 94,3% das empresas abertas no País e empregam 85% da mão de obra formal.

Além da Lei Geral, é importante que as MPEs recebam também um acompanhamento especial, que tenham atenção dos governos. O Desenvolvimento não pode ser negligenciado e precisa ser encarado como prioridade. Ao avaliar a quantidade dos empreendedores individuais ano a ano, percebe-se que há um crescimento exponencial.

Em 2008, dois anos após a instituição da Lei Geral, Mossoró tinha 68 MEIs, representando 1% das empresas ativas. Hoje são mais de 8.000 e representam 41%. O número de Microempresas não aumentou muito em números absolutos, mas diminuiu violentamente sua representatividade. Em 2008 eram 4.380 microempresas e representavam 64% do total, hoje são 5.685 e representam 29% das empresas funcionando em Mossoró.

Na série histórica, percebe-se que na medida em que sobe a representatividade das MEIs, diminui-se a das MEs. São pessoas iniciando seus próprios empreendimentos, outras formalizando seus pequenos negócios. O apoio através da qualificação e do acompanhamento é imprescindível.

Algumas universidades têm projetos de incubadoras de empresas. Umas voltadas apenas para empresas iniciadas pelo público interno, outras são abertas para a comunidade. Iniciamos desde o começo do ano rodadas de conversas com as instituições no intuito de ampliar e fortalecer estes projetos. A intenção é servir de polo de união entre empreendedores, academia e Poder Público.

Paralelo a isso, a Prefeitura de Mossoró e o Sebrae vão formalizar um convênio para qualificar aqueles que já têm e também os que desejam iniciar um negócio. A expectativa é de que possamos fortalecer a geração de emprego e renda também através dos micro e pequenos empreendedores.

O Desenvolvimento discutido no IV EMDS

Aconteceu em Brasília o IV Encontro de Municípios com o Desenvolvimento Sustentável. O evento foi organizado pela Frente Nacional dos Prefeitos – FNP e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae e reuniu quase dez mil pessoas que de alguma forma estão envolvidas com o desenvolvimento de nosso País.

O Sebrae convidou vários secretários municipais e Agentes de Desenvolvimento (AD) do Rio Grande do Norte para participar dessa rica troca de experiências exitosas e análises das mais diversas situações. Órgãos públicos como Governo Federal, bancos, empresas como Uber e instituições como Nações Unidas marcaram presença.

As abordagens eram das mais diversas, com a possibilidade escolha do tema que se gostaria de ouvir e debater. O foco principal, no entanto, é sempre o fortalecimento do desenvolvimento de forma sustentável, principalmente através das pequenas e médias empresas, do micro e pequeno empreendedor, os setores que mais empregam no Brasil.

Estratégias não deixaram de ser debatidas. Os prejuízos e embaraços causados pelas “fakenews”, que são aquelas mentiras propaladas pelas redes sociais que muitos repassam como sendo verdade e como combate-las, a falsa interpretação de que a comunicação digital se resume ao Facebook e Instagram, a falta de cobertura da em boa parte do País, onde 37 cidades concentram 50% do acesso à internet e a democratização do acesso à internet, que é um mito, foram algumas das abordagens feitas.

Cases de sucesso apresentados, como o de Madre de Deus (BA), município com apenas 20.000 habitantes e que tem quase a metade de seu território ocupado pela Transpetro, onde a prefeitura criou um programa de distribuição de renda que usa um cartão que só pode ser usado em máquinas exclusivas nos estabelecimentos locais que estejam com regularidade fiscal em dia, fortalecendo assim a arrecadação, o mercado local e impedindo que o dinheiro seja usado para outros fins.

Outro muito interessante foi o de Cariacica-ES, onde o município fortaleceu o empreendedorismo com a criação da Casa do Empreendedor, que reúne em um só lugar sete secretarias e corpo de bombeiros, reduzindo a concessão de alvará de 150 dias para 48 horas. Posteriormente foi criado o Alvará Web, um alvará temporário, valido por 90 dias até que toda documentação seja apresentada.

No fim, foi feita a escolha dos membros da Executiva Nacional do Fórum Nacional dos Secretários de Desenvolvimento, onde nosso nome foi escolhido para compor este, que é um espaço para articulação, troca de experiências, qualificação e engajamento para inserir o desenvolvimento como pilar da gestão pública brasileira.

A ideia é estar sempre fortalecendo a economia local através de criatividade e inovação, qualificando a mão de obra e trabalhando em parceria. O futuro do País passa pelos estados e pelas cidades. O futuro passa pelo fortalecimento da economia, pois o maior projeto social é a criação de oportunidades e emprego.

Combata o bom combate

 

Creio que somos espíritos em um corpo e não um corpo com espírito. Diante disto, fica a pergunta de onde viemos e pra onde vamos. A idéia de eternidade, de uma coisa que não tem início ou fim determinado, é discutido desde as mais antigas civilizações.

Todas as religiões acreditam em vida após a morte, acreditam no mundo espiritual. Algumas divergem sobre como se dá a pós-morte física, em como se dá o contato com o que chamamos Deus. Alguns perguntam “quem” é Deus, outros “o que é” Deus. Muitas são cristãs e têm no exemplo de Jesus Cristo sua base.

Apesar de todos o que professam alguma fé acreditarem na vida após a morte, há muita dificuldade em se lidar com a partida dos entes queridos desta vida. Mesmo sendo a única certeza universal a de que morreremos um dia, sofremos bastante com a despedida.

O que é uma vida diante da eternidade? Não adianta dizer que é como um grão de areia no deserto, pois a areia, um dia, poderá ter fim. O que sabemos? Não podemos ter certeza, só a fé. A fé nos mostra verdades que podem diferir de uma pessoa para outra, de uma religião para outra. Muitos cometem o equívoco de achar que sua verdade é a correta e a do outro é errada.

Tenho a convicção que dessa vida a gente só vai levar o que vivemos e fazemos. Como disse um amigo esses dias, a hora de fazer o bem é agora, pois ontem já passou e o amanhã pode não existir. Todos nós seremos imortais nas lembranças daqueles que nos amam e no bem que fazemos.

Uma prima querida, que lutava contra o câncer havia quatro anos, partiu para o plano espiritual esses dias. Penso que teve uma sobrevida, apesar da violência da doença, porque nunca baixou a cabeça, nunca perdeu a autoestima, nunca deixou de amar e agradecer pela vida.

Juju tornou-se eterna no coração de todos nós pelo ensinamento que deixou. “Seja feliz”, repetia aos amigos e amigas. Muitos chegavam a pensar que ela não estava doente, já que sempre respondia que estava bem. Uma guerreira. Buscou cuidar da família e amigos até o último momento, quando era ela quem precisava de apoio.

Na minha fé, acredito que ela está sendo amparada por espíritos amigos, livrou-se do invólucro carnal tão machucado pela doença. Precisará de nossas orações para se adequar à esta condição. Logo estará trabalhando pelo bem daqueles que amou e continuará amando, cuidando de todos como fazia quando habitava o plano material.

Seja como for, Juliana nos deixou uma grande lição, a de nunca baixar a cabeça diante das dificuldades. Independente do tamanho do problema, ele nunca será maior do que sua vontade de vencer. Independente do resultado, combata o bom combate. Deixe a lição de que viver vale muito à pena.

Tchau, 2016

O ano que termina dificilmente deixará saudades a um grande número de brasileiros. A maioria esmagadora vai desejar que este ano nunca tivesse acontecido. As crises política e econômica afundaram um o País num recessão inimaginável há poucos anos e levou de volta à pobreza um número enorme de pessoas e o desemprego atingiu patamares altíssimos ainda em 2015.

Alguns defendem que Fernando Henrique Cardoso arrumou a casa e Lula fez a festa. O problema foi a ressaca no Governo Dilma Rousseff, que nunca administrara nem tinha qualquer experiência em pleitos eleitorais, que assumidamente odiava o relacionamento político. Gostava de mandar e ser obedecida. Seus carões nos ministros eram públicos e de conhecimento de todos.

Com os erros estratégicos na economia e o agravamento da crise política, o Brasil foi rumo ao fundo do poço em uma velocidade impressionante, levando embora milhões de empregos, aumentando a violência, dificultando ainda mais a vida daqueles mais necessitados da atenção dos serviços públicos. Um dos efeitos colaterais foi a explosão da violência em quase todo o País.

O Rio Grande do Norte, que já vivia no aperto, viu a situação se deteriorar ainda mais. Mesmo com quase R$ 1 bilhão raspado do Fundo Previdenciário, o Governo Robinson não conseguiu pagar os salários continuam atrasados dos servidores efetivos, fornecedores sem ver seus pagamentos, terceirizados sem salários. A Saúde, Segurança e Educação agonizam como nunca visto por aqui.

Em Mossoró vimos a pior gestão da história da cidade. Não caberia em um artigo se enumerasse cada um dos tropeços, dos absurdos cometidos pelo Governo Silveira. A ascensão política do então vereador, catapultado para a cadeira de prefeito pelas forças do Judiciário, foi tão rápida quanto a concretização do desastre administrativo que fez Mossoró regredir pelo menos uma década.

Foi um ano em que nomes e ideias perigosas ganharam força perante a opinião pública, a ponto de alguns defenderem a volta do regime militar e aplaudir decisões monocráticas e quase ditatoriais de ministros do nosso Supremo Tribunal Federal. Como disse escreveu Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre: “aplaudir decisões do Supremo que desrespeitam a Constituição é flertar com a ditadura”.

Que em 2017 possamos ver o fortalecimento das instituições, a criatividade dos gestores, o crescimento da economia e a volta do emprego. Creio que com esses avanços, todo o resto tende a voltar a evoluir. Que a boa utopia nos mantenha em um caminho de buscas por melhorias.

 

O abismo da Câmara Municipal

 

Estamos prestes a concluir o ano legislativo da Câmara Municipal e continuamos a assistir um espetáculo de mau gosto, um show de horrores patrocinado por alguns que querem pelo fim da força brindar aquele que é considerado o pior prefeito da história de Mossoró com um naco de poder por mais alguns anos.

O que vemos no Legislativo sob a presidência do mesmo partido que governa o Rio Grande do Norte através do presidente estadual do partido, governador Robinson Faria, e a prefeitura de Mossoró, através de Francisco José Jr, parece ser característica comum aos três homens que receberam essa responsabilidade.

Na Câmara Municipal, sem dar explicações de como o que deveria ser um saldo superior a R$ 3 milhões se transformou num débito superior a R$ 1 milhão (R$ 4 milhões de diferença), o presidente exonerou 90% dos cargos dos gabinetes dos vereadores, pagou os direitos trabalhistas de apenas alguns mais ligados a ele.

Além dessa pérola administrativa-financeira, querem criar, com o apoio do presidente e do líder da bancada governista, que se esforçam de forma hercúlea, uma agência reguladora que cria trina cargos comissionados, um cargo de semideus que não pode ser exonerado e despesas que podem passar de R$ 2 milhões ano.

O prefeito cerca vereadores na tentativa de aprovar o projeto que lhe permitirá indicar um pupilo que terá salário de R$ 11.700 sem a menor possibilidade de ser exonerado do cargo, que, sem necessidade de prestar contas, terá um orçamento milionário. É uma mini prefeitura dentro da PMM.

Alguns vereadores se comportam como se em desenho animado estivessem. Nos cartoons, quando o chão se abre, o personagem continua andando até olhar para baixo e percebem não há nada sob seus pés. Se não olhassem, atravessariam o abismo. Esse abismo é a distância entre o que eles estão fazendo e o que a sociedade espera.

Triste fim de legislatura esse da Câmara Municipal de Mossoró. A população assiste, decepcionada, a arena em que se transformou o plenário da Casa. Ao invés de uma arena onde se debatem grandes temas importantes para a cidade, ela assiste um presidente que grita colegas e não contribui em nada para o engrandecimento das discussões.

Não fui candidato à reeleição por considerar que dei minha contribuição ao Legislativo, mas continuarei, como cidadão e comunicador, observando os trabalhos da Casa, na torcida de que a próxima legislatura possa eliminar o abismo, exercer um bom trabalho e levar os grandes debates à Câmara Municipal de Mossoró.

O que acontecerá até 2018?

As manifestações vistas no último domingo em várias cidades do Brasil mostram que uma parcela da população não está satisfeita com os rumos do País, ao mesmo tempo em que mostrou o apoio de uma massa à Operação Lava-Jato e ao Ministério Público Federal e o repúdio ao Congresso Nacional e seus líderes.

A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, afirmou que a descrença estimula a “justiça com as próprias mãos”. Alguns chegam ao ponto de defender um regime autoritário, outros apoiam atos como inclusão de provas ilícitas em processos, abolir o habeas corpus ou defender o abuso de autoridade por parte de juízes e promotores.

A guerra de informação é enorme. O que a Câmara dos Deputados aprovou sobre as “10 medidas”, projeto feito pelo MPF, não inibe a Lava-Jato, mas sim, quando existir, o abuso de autoridade. Também não anistiou nenhum crime, pelo contrário, tornou crime o “caixa 2”, aumentou a pena para corrupção, que virou crime hediondo. Retirou ainda a possibilidade de utilização de prova ilícita e incluiu a possibilidade de responsabilizar juízes e promotores por abuso de autoridade.

O advogado Erick Pereira, doutor em Direito Constitucional, escreveu um artigo, que encerra dizendo que “Erram os deputados quando, oportunisticamente, intimidam o Judiciário; erram os procuradores quando ameaçam a sociedade com “renúncia coletiva”. Resta-nos manter a esperança na luta pela introdução de mudanças, ainda que praticadas por um sistema imaturo.”

Como escreveu o promotor Fuad Faraj, de Curitiba, “o título do projeto de lei vendia combate à corrupção, mas o conteúdo dava ao cidadão também opressão e violação de direitos fundamentais. […] O Projeto aprovado, e talvez deva ser essa a razão do ódio profundo que suas Excelências devotam ao parlamento integrado por deputados eleitos pelo voto popular, inclui responsabilização criminal para promotores e juízes, entre outros atos, por atos ilícitos por eles praticados, antes “punidos” apenas na seara disciplinar.”

Parte da sociedade brasileira quer o fim da corrupção. Isso é fato. Alguns, porém, desconsideram que furar fila em banco, tentar subornar policial na blitz, oferecer atestado médico falso pro trabalhador faltar ao serviço, sonegar imposto de renda e tantas outras posturas adotadas por muitos, também são atos de corrupção.

O brasileiro encontrou em junho de 2013 uma forma de mostrar aos governantes que não está satisfeito. Não resta dúvidas de que as manifestações enfraqueceram Dilma Rousseff e contribuíram para sua queda. Desde a campanha pelas Diretas Já não se via tanta gente nas ruas.

Enquanto a economia não melhorar, os nervos continuarão à flor da pele. Temos um sério problema aí, uma vez que a agenda política dos governos antecede qualquer outra. Para implantar reformas que o governo considera importante, precisa de apoio.

A instabilidade provocada por outra mudança de governo neste momento seria muito ruim para o País. A partir do próximo ano, se Temer for afastado, teríamos eleição indireta onde o presidente seria escolhido pelo Congresso. O mesmo tão criticado por tantos. Quantas manifestações o atual governo aguenta? Resiste até 2018?

A Vitória do Incerto

Dia desses li um artigo escrito por Glenn Greenwald no portal The Intercept Brasil que abordava a derrota do candidato Marcelo Freixo para Marcelo Crivella na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O principal tema do artigo é a dificuldade da esquerda em se comunicar com aqueles que ela diz defender.

A recém encerrada eleição americana trouxe um alerta para o mundo com o seu resultado: a vitória do candidato Donald Trump, empresário multibilionário que já pediu falência quatro vezes, acusou imigrantes de serem estupradores, fez terríveis declarações contra islâmicos, negros, mulheres e hispânicos. Foi a vitória do politicamente errado.

No Brasil há um movimento que, mesmo ainda minoritário, precisa ser observado com atenção. A extrema direita, tendo no daputado Jair Bolsonaro o principal representante, tem despertado cada vez mais interesse. Bolsonaro já homenageou torturadores e chegou ao ponto de dizer que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada porque era muito feia.

A humanidade vive ciclos, a sociedade é mutante de acordo com o tempo. Por causa da velocidade da informação, os pensamentos extremistas estão sendo potencializados. É isso que mostra o trabalho de Cass Sunstein, que resultou no livro “A Era do Radicalismo”, onde demonstra com exemplos como pensamentos parecidos se potencializam nesse novo contexto.

A crise iniciada no mercado norte americano em 2008 fortaleceu o discurso de extrema esquerda daqueles que  consideram o capitalismo o demônio em forma de organização social. Com isso, vieram também os que não são tão contra o capitalismo assim. Junto com esse debate, que se tornou estéril, veio o ódio de gênero, religião, cultural, orientação sexual e assim por diante.

Desde que Marx falou na exploração do homem pelo homem, criticando o capitalismo (as relações de trabalho existentes à época que, de fato, eram quase de escravidão), o mundo viu surgir regimes comunistas (em sua maioria terminaram se tornando ditatoriais) e uma parte da sociedade que se achava no direito de qualquer coisa para defender “o povo” contra os capitalistas.

O extremismo não é solução. A verdade de um pode não ser a verdade do outro. E a verdade de A não significa que a verdade de B está errada. O mundo precisa de mais diálogo, de mais respeito, de mais tolerância. As verdades de cada um não dão o direito de agredir ou diminuir a outra parte. O crescimento da extrema direita é preocupante, como também o seria o da extrema esquerda.

Marcelo Freixo diz que quer defender o povo pobre das garras da elite, mas venceu apenas na Zona Sul carioca, onde estão os mais abastados da capital fluminense. O discurso misógeno, racista e xenófobo de Donald Trump não impediu que imigrantes e negros votassem nele nem impede que Jair Bolsonaro tenha considerável apoio de pobres e ricos brasileiros com discurso parecido.

Não se pode ignorar a complexidade do pensamento humano. A esquerda e a direita precisam compreender que suas ideias não são necessariamente as certas ou as erradas, mas, principalmente, que são pontos de vista que precisam ser debatidos com todas as alas. Respeitar os divergentes e seus direitos, para talvez respeitar e conquistar mais apoiadores.