segunda-feira , 16 de julho de 2018
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Lairinho Rosado

Criatividade para superar desafios

 

Os paradigmas vão sendo quebrados, as crianças de hoje raramente brincam com piões ou bolas de gude, os modelos de negócios são sacudidos de tempos em tempos com revoluções tecnológicas e de conhecimento. Se transportarmos um cidadão que viveu no ano 100 para o ano 1000, ele compreenderia praticamente tudo. Agora imagine se colocássemos um sertanejo que viveu ali pela década de 1850 dentro de um shopping center, seria uma confusão. Certamente a o cabra não entenderia nada.

O homem mais rico de toda história do planeta é Jeff Bezos, fundador da Amazon; o segundo é Bill Gates, dono da Microsoft; e o terceiro é Mark Zuckerberg, criador do Facebook. O que há de comum entre eles? Todas as suas empresas nasceram de uma ideia, do conhecimento. Se antes demoravam séculos para mudar o formato de negócios, hoje não demora uma década.

A economia criativa não se resume ao grafite ou artesanato. Nela, a matéria prima é a inovação, que tanto pode ser a criação de vídeo games ou um aplicativo para vender seguro de carro. A criatividade individual ou em grupo pode gerar mais riquezas do que um determinado setor da indústria.

Se no passado parecia loucura falar em carros rodando por aí sem motorista, hoje isso já é quase uma realidade nas ruas de alguns países. A GM produz milhões de carros todos os anos, mas é a Tesla, que não produz sequer cem mil carros, a empresa automobilística mais valiosa do planeta; o AirBNB não possui um único hotel, mas é onde você encontra o maior número de quartos no mundo; o Über não tem um único carro, mas é a maior frota do planeta.

Por falta de investimentos, a bilionária economia criativa ainda sofre para se desenvolver no País. Segundo dados da FIRJAN, em 2015 São Paulo tinha 3,9% de seu PIB na economia criativa, enquanto que no Rio Grande do Norte a estimativa era de que esse índice fosse de apenas 1,1%.

As cidades que se modelam e trabalham com o horizonte de atrair e apoiar este ambiente, terão vantagens competitivas no desenvolvimento econômico e social. É um novo cenário econômico que surge pelo mundo. Há os mais variados exemplos, não só em países desenvolvidos, mas no Rio de Janeiro-RJ, Florianópolis-SC ou Recife-PE aqui no Brasil, onde a inovação tem mostrado resultados impressionantes. É preciso revisar nossas estratégias de desenvolvimento e criar ecossistemas criativo. Um belo exemplo, e não precisa ir longe, fica em João Pessoa-PB. A Vila Sanhauá fica numa antiga área degradada da cidade, que foi revitalizada, oferecendo moradia, serviços públicos e espaços comerciais voltados para economia criativa.

O ambiente adequado para a concentração de atividades envolve o planejamento urbano, desenho arquitetônico, incentivos fiscais, equilíbrio entre trabalho, habitação, comércio e lazer. Incentiva mudanças e fortalece o desenvolvimento de atividades intelectuais, abrangendo trabalhos em setores como publicidade, design, moda, software, jogos de computador, publicações eletrônicas, audiovisual, artes cênicas, etc. Tudo isso compõe a economia criativa.

Estes modelos servirão de indutores do desenvolvimento econômico, gerando empregos, riquezas e melhorando o ambiente urbano, atraindo, inclusive, outros setores da economia, como o turismo, por exemplo. É preciso se planejar para não perder o bonde da história.

Cidades Criativas

O mundo globalizado trouxe novas concepções de como poderia ser nosso sistema econômico, não deixando como opção apenas o capitalismo selvagem, que tanto concentra riquezas. Vêm recebendo cada vez mais atenção modelos como “economia solidária” e “economia criativa”.

De forma simplificada,  economia solidária organiza produção, consumo e distribuição de riquezas de forma centrada no indivíduo, caracterizada pela igualdade, e não no capital. A economia criativa é aquela que engloba não necessariamente artes, mas as novas ideias e formatos que podem movimentar, inclusive, segmentos antigos da economia.

Esses novos conceitos têm também nos confrontado com ideias que chegam a se tornar filosofia de vida. A ideia de economia criativa surgiu na década de 1980 no Reino Unido e foi quando se começou a questionar quais as formas de se fortalecer as alternativas ao modelo existente.

Para se ter uma ideia da importância do setor criativo, os três homens mais ricos do mundo não produzem carro ou petróleo, mas ideias. De acordo com o índice de bilionários Bloomberg, Jeff Bezos, da Amazon, Bill Gates, da Microsoft, e Mark Zuckerberg, do Facebook, são as três pessoas mais ricas do mundo. Ter uma boa ideia vale mais do que ter uma planta de produção de navios.

O mundo está saindo rapidamente da era industrial. Qual é a nova economia que está surgindo? Onde ela acontece? Como competir? Qual o papel das cidades nessa transformação? Como fazer as pessoas ganharem dinheiro com ideias? Em 1983, Gunnar Törnqvist cunhou o conceito “ambiente criativo”, que é formado por quatro traços: informação transmitida entre pessoas; conhecimento (baseado em parte no estoque de informação); competência em certas atividades relevantes; e criatividade (a criação de algo novo, como resultado das três outras atividades).

É sobre isso que queremos trazer ao debate. Termos como incubadoras de empresas, aceleradoras, espaços de co-working, parque tecnológico e tantos outros podem parecer estranhos para muitos, mas são muito comuns na nova economia e nos novos formatos que precisamos pensar para nossas cidades. Principalmente nos países em desenvolvimento tão acostumados ao assistencialismo estatal, onde a educação de um modo geral deixa tanto a desejar. Cidade criativa é um estado de espírito, uma área voltada à inovação e à cultura.

Desde feiras que proporcionem oportunidades aos que trabalham com artesanato ou músicos, até grandes espaços que envolvam a produção científica na identificação de novos modais de produção, os cases de sucesso são muitos.

Além das ações que visam fortalecer setores como artesanato, música, artes plásticas, teatro, e outros setores do que chamamos de artes, temos desenvolvido junto com a UERN, UFERSA, IFRN, Sebrae, Senac, FIERN, dentre outros atores, promovido encontros em torno de um parque tecnológico para Mossoró, com isso fortalecendo o debate sobre o desenvolvimento da economia criativa sob um prisma mais amplo e e pensando na atração de investimentos e cabeças pensantes para nossa cidade.

O Rio Grande do Norte não é um estado industrializado, Mossoró foi muito dependente do setor petrolífero por muitos anos, a seca nos castiga com mais violência de tempos em tempos, enfrentamos uma crise permanente na saúde, na segurança pública. Precisamos de saídas a curto, médio e longo prazo para esta situação. Não existe mágica, mas existem soluções criativas.

Restos a pagar

ATUALIZAÇÃO – 31/01/2018.
Em 04 de janeiro escrevi um texto comparando números do Portal da Transparência. No texto eu mostrava a arrecadação e pagamentos do primeiro ano desta quarta gestão da prefeita Rosalba Ciarlini e fazia uma comparação com o primeiro ano de Claudia Regina e Francisco José Jr (Silveira).
Bem, os números do Portal da Transparência referentes à 2017 foram atualizados, por isso volto a escrever sobre o assunto. Os dados de 2013 (1º ano de Claudia) e 2014 (1º ano de Silveira) continuam os mesmos.
O total efetivamente pago pela Prefeitura, o que passou em seu caixa, de acordo com o Portal, foi o seguinte em cada ano:
2013 -> R$ 421.850.569,11 (Atualizado pelo IGP-M, saltamos para 522.507.616,26)
2014 -> R$ 451.604.071,55 (Atualizado pelo IGP-M, vamos para 539.640.582,15)
2017 -> R$ 448.636.958,70
Observando o total de dinheiro que passou pelo caixa da PMM, comparando-se ao primeiro ano de Rosalba, vê-se que Silveira teve 20,28% mais recursos em seu primeiro ano e Claudia Regina 16,5% a mais. Silveira foi o que mais teve dinheiro para administrar.
Apesar disso, além da queda nos recursos nos cofres públicos em 2017, diante do total destroçamento da estrutura e das contas públicas, a atual gestão pagou mais contas da gestão anterior do que o fizeram Claudia Regina e Francisco José.
Em 2017, a gestão de Rosalba Ciarlini pagou R$ 37.907.454,82 em “restos a pagar”, conta deixada por Silveira.
Em 2014, em seu primeiro ano de gestão, Silveira pagou R$ 16.376.439,84 (atualizado pelo IGP-M) de “restos a pagar” de contas deixadas por Claudia Regina.
Em 2013, em seu primeiro e único ano como prefeita, Claudia Regina pagou R$ 22.291.140,65 (atualizado pelo IGP-M) de “restos a pagar” da gestão da aliada Fafá Rosado.
Acima percebe-se que numericamente Rosalba pagou mais contas deixadas pelo antecessor do que Francisco e Claudia. Proporcionalmente, a atual gestora utilizou R$ 9,3% do total que teve nos cofres para pagar contas passadas, enquanto que Silveira utilizou 3% e Claudia 4%.
A conclusão que temos é que, mesmo com receita menor, a responsabilidade falou mais alto nesse ponto. A prefeita manteve os salários dos servidores municipais em dia e ainda pagou muita conta passada.
Isso não é opinião, são números. Qualquer um pode verificar as informações no Portal da Transparência, que funciona como livro caixa da gestão pública.

Efeito Lula

        De junho de 2013 pra cá, a rejeição à política só tem crescido. Com a Operação Lava-Jato e algumas outras ao redor do País, com as malas de dinheiro em apartamento ou vida luxuosa em palácios da moda, patrocinadas com dinheiro público e usufruída por alguns poucos, a imagem de quem faz política é a pior possível.

        É com esse cenário que vamos viver 2018 e as eleições para Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembléias legislativas. Sou radicalmente contra o voto nulo, mesmo as vezes aceitando a dificuldade que alguns têm em achar alguém que concentre o que pensam ser o mínimo aceitável para receber seus votos.

        O ex-presidente Lula e muitos que fizeram parte de seus governos e do da ex-presidente Dilma sofrem um linchamento público ostensivo desde que começou a Lava-Jato, mesmo assim o Datafolha lhe deu 38% na preferência do eleitorado para 2018, o Ideia Big Data ouviu de 34% dos eleitores que Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve e o Ibope lhe deu em média 35% na corrida presidencial.

Você pode até não gostar de Lula, mas não pode dizer que estes três institutos têm qualquer tipo de ligação política ideológica com o petista. Também não pode dizer que só vota em Lula quem é nordestino e “cliente” do Bolsa Família. Tem muita gente rica, estudada, formador de opinião que está ao lado do ex-presidente.

        Para tumultuar ainda mais o meio de campo, o Tribunal Regional Federal-4, que julgará os recursos de Lula contra a condenação imposta pelo juiz Sergio Moro, marcou o julgamento para janeiro, fazendo deste processo um dos mais céleres, se não o mais, naquela corte. Lula será condenado? Se for, cai na Lei da Ficha Limpa e não pode ser candidato? Quem ele apoiaria? Transferiria os votos?

        Isso tudo reflete não só na corrida presidencial. A força de Lula no Nordeste é grande, disso ninguém duvida. Reflexo disso no RN é que a senadora Fátima Bezerra lidera as pesquisas pro Governo e a deputada Zenaide Maia desponta como vencedora de uma das cadeiras na disputa pelo Senado. É óbvio que isso é simplesmente um reflexo da força do ex-presidente por estas bandas, afinal, a atuação das duas se destaca mais por serem contra o presidente Temer e a favor de Lula e Dilma.

        Segundo o Datafolha, 31% do eleitorado aparece como “antiLula” e outros 31% como “pendulares”. Bolsonaro lidera entre o terço “antiLula”. Quem conquistará os “pendulares”? Até onde vai a força de Bolsonaro? Alckmin decola? Ciro vai mesmo? Marina Silva tem fôlego? Além disso, quanto teremos de  votos brancos e nulos teremos? Incertezas que servem de combustível para especulações que animam os que gostam de conjecturar sobre quadros políticos.

        Uma coisa não pode ser negada, assim como em outras tantas eleições que tivemos Lula como candidato, em 2018, mais uma vez, teremos nele um grande efeito sobre a eleição.

 

A solução não está em uma cartola

Em tempos de descrédito recorde da classe política, outsiders tentam entrar na política atacando os que estão nela há mais tempo, pregando o novo, dizendo ser o midas e que todos os problemas só não foram solucionados antes porque os outros são oligarquias, raposas velhas, incompetentes e todos os demais adjetivos pejorativos que encontram.

Vimos isso em Mossoró, quando o então vereador Francisco José Jr venceu a eleição dizendo ser a novidade da política, que Mossoró viveria um ciclo de ouro do desenvolvimento caso aposentasse nomes com muitos anos serviços prestados à cidade. Sempre válido lembrar também a ajuda que recebeu algumas pessoas propagando que outros candidatos não tinham aval da justiça.

Nas eleições de 2016 tivemos em todo o Brasil candidatos que se diziam empresários e até quase santos, que era hora de aposentar os “velhos”. Velho aqui não significa necessariamente a idade, mas, para os que se diziam novidade, todos aqueles que não tivessem embarcado em seu sonho político de vencer os adversários políticos afirmando não ser político, mesmo que seus palanques tivessem alguns políticos com práticas políticas bem ultrapassadas. Entendeu? Eu não.

Em São Paulo, maior cidade do Brasil, vimos o empresário da comunicação João Dória vencer pregando que ele, sim, saberia consertar a cidade. Fez ao longo de 11 meses de gestão mais de 40 viagens pelo mundo, não entregou o que prometeu e fez muito marketing político eleitoral, por exemplo, plantando árvores de Pau Brasil afirmando ser uma homenagem “ao maior cara de pau do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva”, numa clara intenção de rivalizar com o nome que lidera as pesquisas da corrida presidencial de 2018.

Outro fato que chama atenção em quem não é da política, é a falta de tato para lidar com situações que o desagradem. O empresário geralmente se recusa à ouvir crítica, mas político precisa saber ouvir, já que são servidores da sociedade. Mais uma vez recorro a Dória, que jogou um buquê de rosas no chão ao recebê-lo de ciclistas que manifestavam pro mais segurança. Em outro episódio, o prefeito demitiu um subprefeito porque o mesmo afirmou que faltava dinheiro para ações. O prefeito demitiu-o afirmando que ele deveria ter tido criatividade. O problema é que agora, quando vê pesquisa mostrar que 39% dos paulistanos consideram sua gestão ruim ou péssima e apenas 29% bom e ótimo, Dória diz que seu problema é a falta de dinheiro deixada pelo antecessor, o petista Fernando Haddad.

Para 2018 temos vários nomes prometendo resolver tudo com um simples toque da mão. O Brasil e seus Estados passam por problemas sérios e precisarão de muito trabalho para consertar. É bom ficar de olho para não comecer o erro que Mossoró cometeu em 2014, para não eleger quem muito promete o que não terá condições de entregar.

Político, seja ele iniciante na vida pública ou antigo nas lutas eleitorais, precisa compreender que os tempos são outros, que o povo tem mais acesso à informação (falsa e verdadeira), que precisa saber lidar com a escasses de recursos e, cada vez mais, a falta de paciência da sociedade.

Definitivamente, a solução não está guardada em uma cartola de Mandrak ou de qualquer outro mágico.

E 2018, hein?

A avassaladora crise política, provocada principalmente pela Operação Lava-Jato, e a pior crise econômica em muitas décadas têm provocado um fenômeno extremamente negativo para a classe política e um risco muito grande para o futuro do País, diante das incertezas sobre o que poderá acontecer no Brasil nos próximos anos.

No cenário local também temos muitas incertezas. O governador, natural candidato à reeleição, enfrenta dificuldades tremendas, sendo o único Estado do nordeste onde os salários dos servidores estão atrasados, situação que tende à piorar com a pressão de diversos setores do Governo pressionando por pagamento adiantado aos demais servidores, como aconteceu com a segurança.

No plano nacional, lidera todas as pesquisas o ex-presidente Lula, que representa a esquerda, e em segundo o controverso deputado, militar da reserva, Jair Bolsonaro, representando a extrema direita, que defende constantemente a ditadura militar e chegou a dizer que filho seu não casaria com negras, mas tem grande inserção no público jovem das classes A, B e C.

Há ainda os outsiders, aqueles nomes que não são políticos tradicionais e que desejam chegar ao topo da política brasileira. João Dória, que antes de 2016 fazia sucesso com comunicação, chegou à prefeitura da maior cidade do Brasil com o apoio de Geraldo Alckmin. Surge agora o nome do apresentador Luciano Huck, que já conversou, entre outros, com o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa.

Por outro lado, há ainda nomes já conhecidos do eleitor brasileiro como o cearense Ciro Gomes, a acreana Marina Silva ou do governador de São Paulo Geraldo Alckmin. No meio do caminho, decisões judiciais que podem atrapalhar alguns planos e provocar o surgimento de novos nomes na disputa.

No Rio Grande do Norte temos liderando as pesquisas a senadora Fátima Bezerra, que pega carona na popularidade do presidente Lula no Nordeste e que até agora não apresentou nenhuma aliança; prefeito de Natal Carlos Eduardo, com boa avaliação e liderando pesquisas na Grande Natal, mas sem uma maior inserção no interior; e o governador Robinson Faria, desaprovado maciçamente pelo eleitor potiguar. Por fora, até aqui, o desembargador Cláudio Santos.

Próximo ano teremos também as eleições para Senado, Câmara dos Deputados e assembléias legislativas. A bancada federal do RN enfrenta um desgaste enorme e alguns de seus deputados e senadores podem ter sérias dificuldades em seus planos de reeleição. Tem novos nomes querendo chegar lá, mas também há nomes experientes sonhando voltar.

As eleições do próximo ano serão tumultuadas ainda pelo clima belicoso que toma conta das redes sociais. As famosas fake news (notícias falsas) veiculadas irresponsavelmente em alguns casos e criminosamente em outros darão trabalho às equipes de comunicação.

Tudo isso gera incerteza e isso tende a atrapalhar o discernimento do eleitor na hora da escolha.

 

Solução está na política

A França elegeu há alguns meses Emmanuel Macron, 39 anos de idade, casado com uma mulher de 64 anos, por quem se apaixonou ainda aos 15 anos, que fundou um novo partido há pouco mais de um ano. O mais jovem presidente de toda a história francesa derrotou o establishment político pregando renovação.

Os franceses já chegaram ao extremo de decapitar um rei e uma rainha, Luís XVI e Maria Antonieta, por estarem revoltados com a situação daquele momento. Desta vez, Macron conseguiu a “revolução democrática”, onde suas armas foram ideias, discursos, redes sociais. Pouco depois de eleito, outra vitória incontestável: o recém formado partido elegeu 350 das 577 cadeiras no Legislativo.

No Brasil já aconteceram algumas das mudanças que Macron defende agora para a França. Um dos exemplos é a condenação de gente poderosa na Operação Lava-Jato e em tantas outras, mas as mudanças precisam ser mais profundas. Ainda há castas na sociedade brasileira, vide aqueles servidores públicos do Judiciário, Ministério Público, Executivo e Legislativo que recebem salários e vantagens milionárias sem serem questionados.

Sobre a mudança no sistema político, é óbvio e ululante que não avançaremos enquanto eleitor vender e candidato comprar voto, enquanto candidatos milionários estiverem aí para comprar a opinião de alguns setores da imprensa ou empresas decidirem eleições através de Caixa 2 eleitoral. A sociedade não pode achar que está descolada da política. É ela que elege os políticos que estão em nossas cidades, estados e em Brasília.

A solução não está na volta do regime militar, quando sequer havia liberdade para criticar o que não concordássemos, ou em levar membros do Judiciário ou Ministério Público para o comando dos poderes executivos e legislativos do País.

É importante estar de olho nos que se dizem anti-política. Não há solução para a crise política que não esteja dentro da própria política. Em São Paulo, João Dória elegeu-se prometendo muita novidade. Passados quase sete meses de gestão, muita coisa não saiu do papel. Dos mais de R$ 600 milhões que disse ter conseguido em doações de empresas e pessoas físicas, apenas 3,6% foram concretizadas. Essas e outras coisas fazem sua aprovação, que ainda é considerada boa, estar em 41% de Bom e Ótimo em junho ante 44% em fevereiro e a desaprovação subir de 13% para 22%.

Em Mossoró tivemos uma experiência que nos fez regredir alguns anos. Um prefeito que elegeu-se na esteira de declarações de membros do judiciário, dando-lhe quase que a condição de candidato único, prometeu muita coisa boa com palavras fáceis e o que vimos foi a pior gestão da história da cidade. E isso foi constatado através de pesquisas de opinião.

Ainda hoje há, aqui e alhures, aqueles que dizem ser “diferentes”, que não são “políticos profissionais”, mas que se utilizam de estratégias que nem os “profissionais” são capazes, como matérial apócrifo para atacar adversários, compra de profissionais da imprensa para endeusar-lhes a vida e criticar quem ouse discordar. Seduzem mais pelo dinheiro do que por propostas e projetos para as cidades, estados e País.

Se na França e em São Paulo vai dar certo, só o tempo dirá. A experiência em Mossoró não foi boa. Isso não quer dizer que o neófito esteja certo e aquele político experiente errado ou vice-versa. Não é isso que define a competência, índole e caráter. O mais importante é não cair no conto carochinha e saber escolher certo seus representantes.

Desemprego Recorde

No País o número de desempregados bateu recorde histórico. São 13,3% da população em idade de trabalhar, quase 14 milhões de pessoas sem emprego no mês de maio. Apesar da desaceleração nos níveis de desemprego, em março eram 14,1 milhões, a crise econômica parece não ter fim, muito por causa da crise política. Um ano atrás, 11,6 ,milhões de pessoas estavam desempregadas.

Nos últimos doze meses, a construção civil demitiu mais de 300 mil pessoas e foi o setor que mais fez crescer o número de desempregados. Serviços (-252 mil), indústria de transformação (-181 mil) e comercio (-99 mil) foram outros setores que também demitiram muita gente. O único setor com saldo positivo no último ano foi a agricultura (+10 mil), mas o setor apresenta apenas 4% das vagas formais de trabalho.

No início de 2015, apenas 4% das pessoas que têm entre 40 e 59 anos de idade estavam desempregadas. Hoje, esse percentual subiu para 8%. Entre os mais jovens, esta situação é muito mais grave. Lá nos primeiro meses de 2015, o número de pessoas que têm entre 18 e 24 anos de idade que estavam desempregadas era de 17,6%. Hoje são 28,8% de desempregados nesta faixa etária. No geral, são quase 3 milhões de pessoas desempregadas há mais de dois anos, o que dificulta ainda mais o retorno ao trabalho. Apesar dos péssimos números, em três dos primeiros cinco meses de 2017, houve mais admissões do que demissões no mercado formal brasileiro. Entretanto o número parece quase nada diante da massa de desempregados.

Não há como Mossoró não estar inserida nesse contexto. Apesar de a atual gestão estar pagando os salários em dia, além de muitas contas atrasadas deixadas pela gestão anterior, só isso não é suficiente para aquecer a economia local. Há um trabalho de fortalecimento de parcerias entre Poder Público e Iniciativa Privada para gerar novas oportunidades de negócios e qualificação de mão-de-obra para tentar vencer a crise.

Em 2015 a queda do emprego em Mossoró foi menor que a medida no País, já em 2016 a nossa cidade teve piores índices do que os nacionais. Em maio, o saldo do emprego no Brasil foi de 0,09%, no Rio Grande do Norte o saldo foi negativo em 0,05% e em Mossoró 0,15%. Nos últimos 12 meses, o saldo nacional foi negativo em 2,18%, no nosso Estado 1,15% e em Mossoró 3,58%. A crise demorou mais a chegar por aqui, pelo visto demorará mais para a recuperação chegar.

O PIB cresceu no 1º trimestre, a confiança do investidor e das empresas melhoraram, a inflação dos últimos doze meses deverá descer abaixo dos 3%, a taxa Selic tem caído, mas ainda assim não podemos dizer que estamos na retomada do crescimento. A crise é aguda. A confusão política contribui para o agravamento.

Em Brasília cresce a possibilidade de Michel Temer ser tirado da cadeira de presidente para assumir Rodrigo Maia, deputado que até o impeachment de Dilma Rousseff não tinha muita influência além da pequena bancada do Democratas. Agora ele poderá assumir a Presidência da República. A política econômica tende a ser a mesma, mas e os demais aspectos?

O maior programa social que pode existir é a criação de empregos pelo País. Esse programa só é viável com uma economia crescente, sustentável e forte e com segurança política.

O Turismo, o Mossoró Cidade Junina e o emprego

Sempre defendi que Mossoró se posicionasse não só como atração turística principal, mas também como polo. Não apenas para serviços, comércio, educação ou medicina. Podemos ser ponto de partida e de apoio para as salinas, as serras, praias, fazendas de fruticultura e tantas outras atrações que nossa região oferece.

O turismo de eventos foi destaque até aqui, entretanto temos três grandes desafios pela frente: a Rota das Falésias, projeto do Sebrae em parceria com a iniciativa privada, o Parque Nacional da Furna Feia, com mais de 200 cavernas catalogadas, e o aeroporto Dix-Set Rosado, que funcionando com voos regulares, definitivamente coloca Mossoró nos roteiros turísticos nacionais e internacionais.

A Copa do Mundo de Futebol fez com que o turismo representasse 9,5% do PIB (R$ 466,6 bilhões) brasileiro em 2014. O número é superior a média mundial, que é de 2,5%. Cito alguns exemplos de eventos que têm sua importâcia na economia: em Santa Catarina a Oktober Fest; No Pará o Círio de Nazaré; no Amazonas o Festival de Parintins; na Bahia o Carnaval; na Paraíba o São João do Mundo.

Temos Mossoró Cidade Junina, criado em 1996 e mais alguns exemplos, de iniciativa do Poder Público, o Auto da Liberdade, carnaval, Natal Luz e Festa do Bode, e de iniciativa privada podemos citar o Mossoró Moto show, Festival Aéreo, Ficro, Expofruit, Vaquejada, Feira do Livro, Mossoró Mix e tantos outros. Todos, de uma forma ou de outra, recebem apoio público.

Um evento do porte do Mossoró Cidade Junina precisa ser planejado de um ano para o outro. A partir deste ano, já estaremos pensando na edição 2018 logo ao término da edição 2017. Para realizar convênios e captar recursos, é necessário enviar projetos ainda no ano anterior. Os grandes bancos e empresas fazem o planejamento de um ano para o outro, isso significa que os projetos para patrocínio deste ano deveriam ter sido enviados ainda no ano passado.

O contratante que chega depois, corre o risco de não conseguir contratar artista desejado naquela data ou de pagar mais caro por isso. A mesma lógica serve para as empresas que alugam palcos, iluminação, banheiros químicos, transporte ou segurança. É preciso, sem dúvida, haver planejamento.

Outro ponto delicado é a burocracia e necessidade de realizar todo o processo licitatório com a maior transparência, prestando todas as informações à sociedade e aos órgãos de controle. A licitação pode envolver desde a alimentação servida ao pessoal da segurança, dos banheiros químicos distribuídos pelas ruas ao redor do evento, dos artistas que se apresentam no Chuva de Bala, trio elétrico, brinquedos, iluminação, estandes e tendas, segurança, transporte, até os artistas e bandas. Até uma cidade cenográfica precisa ser montada. É um número colossal de documentos e prestação de contas.

A iniciativa privada também tem um papel importante no contexto do evento. Vejamos o caso do Pingo da Mei Dia. Quantos camarotes são montados? Quantas pessoas são contratadas para trabalhar nestes espaços? Quanto de bebida e comida é comercializada? Quantos ambulantes ganham dinheiro ali? Quantos freezers, ar-condicionados, luzes e serviços de som são alugados? Quantos quartos de hotel são ocupados? Quantos pratos nos restaurantes são vendidos com o público que vem para o evento?

O Mossoró Cidade Junina é por Lei um Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Norte. Precisamos adequá-lo às novas realidades, levá-lo para outros pontos da cidade, descentralizar e democratizar o evento. O Mossoró Cidade Junina é nosso, é do povo de Mossoró, é do povo do Rio Grande do Norte.

A importância das Micro e Pequenas Empresas no Desenvolvimento

Em um ano de crise, muito tem se falado nas possíveis saídas para o embaraço econômico que passamos. Ao analisar os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), vê-se que nos últimos anos temos tido mais demissões do que admissões. Já são mais de 13,5 milhões de brasileiros sem um emprego formal.

Interessante perceber que quando comparamos a geração de empregos entre as micro e pequenas empresas, empresas de pequenos porte e nas empresas maiores, o saldo da geração de emprego só é positiva entre as menores. Isso significa dizer que na base da pirâmide, as micro e pequenas têm gerado mais do que demitido.

Outro ponto importante que vale à pena ser ressaltado é que isso mostra também um número considerável de novas empresas sendo formalizadas, gerando, além do emprego, mais receita para os municípios, estados e para a União. Com a nova Lei da Terceirização esse número deve aumentar ainda mais no País como um todo através dos CNPJ de Micro Empreendedor Individual (MEI).

Microempreendedor Individual (MEI) pode ter faturamento até R$ 60.000/ano, as Microempresas (ME) têm faturamento de até R$ 360.000 e as Empresas de Pequeno Porte têm faturamento de até R$ 3,6 milhões/ano. Elas têm, graças à Lei Geral da Micro e Pequenas Empresa, um regime tributário diferenciado e representam um total de 94,3% das empresas abertas no País e empregam 85% da mão de obra formal.

Além da Lei Geral, é importante que as MPEs recebam também um acompanhamento especial, que tenham atenção dos governos. O Desenvolvimento não pode ser negligenciado e precisa ser encarado como prioridade. Ao avaliar a quantidade dos empreendedores individuais ano a ano, percebe-se que há um crescimento exponencial.

Em 2008, dois anos após a instituição da Lei Geral, Mossoró tinha 68 MEIs, representando 1% das empresas ativas. Hoje são mais de 8.000 e representam 41%. O número de Microempresas não aumentou muito em números absolutos, mas diminuiu violentamente sua representatividade. Em 2008 eram 4.380 microempresas e representavam 64% do total, hoje são 5.685 e representam 29% das empresas funcionando em Mossoró.

Na série histórica, percebe-se que na medida em que sobe a representatividade das MEIs, diminui-se a das MEs. São pessoas iniciando seus próprios empreendimentos, outras formalizando seus pequenos negócios. O apoio através da qualificação e do acompanhamento é imprescindível.

Algumas universidades têm projetos de incubadoras de empresas. Umas voltadas apenas para empresas iniciadas pelo público interno, outras são abertas para a comunidade. Iniciamos desde o começo do ano rodadas de conversas com as instituições no intuito de ampliar e fortalecer estes projetos. A intenção é servir de polo de união entre empreendedores, academia e Poder Público.

Paralelo a isso, a Prefeitura de Mossoró e o Sebrae vão formalizar um convênio para qualificar aqueles que já têm e também os que desejam iniciar um negócio. A expectativa é de que possamos fortalecer a geração de emprego e renda também através dos micro e pequenos empreendedores.