terça-feira , 25 de setembro de 2018
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Lairinho Rosado

Importância do turismo para Mossoró

 

O turismo é o terceiro segmento mais importante da economia mundial, estando atrás apenas da indústria automobilística e farmacêutica. No Brasil esses números são mais discretos. Por muitas vezes debatemos este tema e de como poderíamos aproveitá-lo melhor no desenvolvimento de Mossoró. Muitos já trabalharam por isso na construção histórica com alguns passos à frente, tantos outros para trás.

Com a retomada dos voos comerciais, nossa cidade entra no tabuleiro do turismo nacional. Por que não dizer no internacional? Antes, sem o acesso aéreo, ficava difícil competir. Agora que temos o voo, precisamos agir em outras frentes para atrair o turista.

Quando falamos em turismo, não podemos pensar apenas em “sol e mar”, mesmo tendo praias belíssimas em nossa região. Temos eventos como Mossoró Cidade Junina, Chuva de Balas no País de Mossoró, Oratório de Santa Luzia, Natalis, Expofruit, Ficro e Festival Aéreo de Mossoró, mas podemos ter mais. Além disso, temos o viajante corporativo, que tem, inclusive, representado boa parte dos passageiros no voo da Azul Linhas Aéreas em nosso aeroporto.

A parceria público-privada é essencial no setor. As ações realizadas para melhorar a cidade e torná-la mais agradável para o turista, que serão também para o morador, é uma das responsabilidades do Poder Público. A iniciativa privada precisa criar produtos turísticos para atrair e segurar os turistas por mais dias.

O que temos na nossa cidade e nossa região que só encontramos aqui? Alguns potenciais, como visitação turística às salinas, o que já tem sido trabalhado discretamente por algumas empresas, turismo rural, com visitas e demonstrações em fazendas de fruticultura e apiários, por exemplo, e o que considero a cereja do bolo: o parque nacional da Furna Feia, um conjunto de centenas de cavernas belíssimas que fica na área da antiga Maísa, entre Mossoró e Baraúna.

Enfrentamos muitas dificuldades. Nos últimos tempos, temos visto um problema sério na Segurança Pública, o que tem sido noticiado de forma ostensiva no noticiário e redes sociais, dificultando o aumento do fluxo de turistas em nosso Estado e impedindo o avanço do turismo para o interior.

Em 2017, 58,5% dos turistas estrangeiros no RN vinham da Argentina, 9,3% do Uruguai, 3,6% do Paraguai, 3,4% de Portugal e 3,3% do Chile. Os pacotes elaborados e vendidos pra esse público envolvem outros Estados, como Pernambuco, Ceará e até mais distantes como São Paulo e Maranhão.

Do Brasil, o grande emissor de turistas para o Rio Grande do Norte é o Estado de São Paulo, mas temos um fluxo razoável de turistas dos nossos vizinhos nordestinos. O turismo regional é um ponto muito importante, sem deixar de pensar na atração os estrangeiros e de outras regiões do País.

Os turistas estrangeiros e de outros estados ficam concentrados na região da Grande Natal e Pipa, o que não significa dizer que não se interessariam pelo interior. E é esse o trabalho que não só Mossoró tem feito, mas alguns outros municípios. A participação em campanhas e feiras, mostrando nossos potenciais e atrativos, é extremamente importante, principalmente àquelas voltadas para agentes de viagem e operadores de turismo.

Geração Fakenews

Mais uma vez recorro ao professor de Harvard Carl Sunstein para escrever sobre o momento de agudamento do radicalismo que vivenciamos no mundo. Em uma época em que as pessoas estão cada vez mais conectadas, cabem reflexões (ignorada pela grande maioria) como “por que nos expomos tanto em redes sociais?” ou “por que o mundo está cada vez mais intolerante?”.

Em A Era do Radicalismo, tentando resumir um livro em uma frase, o professor mostra como pessoas que pensam de forma parecida em determinado viés se tornam mais radicais ao estarem juntas. Com a planificação do mundo através da internet, um morador de Reykjavik na Islândia pode fazer parte de um grupo em uma rede social qualquer com moradores de Punta Arenas no Chile e se tornarem mais radicais ao compartilhares suas ideias.

Sob o prisma da análise do que é verdade e o que é opinião, ou ainda, de que uma verdade de um indivíduo pode ser diferente de outro e nem por isso um esteja certo e o outro errado, é assustador ver a força do que convencionou-se chamar de fakenews, ou “notícia falsa”, que se prolifera pelas redes sociais mais rápido que rastilho de pólvora.

Se temos a geração X, Z, millennials ou qualquer outra definição que a Sociologia queira dar, sempre relacionada ao período de nascimento do indivíduo, temos hoje a geração “fakenews”, que não tem nada a ver com a época de seu nascimento, mas com o comportamento de escolher sua versão de acordo com suas crenças e ideologias.

Muitos hoje se comportam de tal forma a buscar na internet uma versão que se encaixe naquilo que ele acredita para um determinado acontecimento, então ele passa a creditar naquilo como verdade absoluta, quer que os outros acreditem e fica contrariado quando alguém questiona aquela versão. Que fique claro, versão podem existir muitas, fato, não. Seus valores não tem o poder de alterar fatos.

São Tomás de Aquino, falando sobre ter os mesmos valores básicos, podendo divergir em um ponto ou outro, dizia que amigo era aquele que queria as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas. Levando isso ao pé da letra, isola-se cada vez mais. Não enxergo uma solução única, principalmente porque as partes radicalizadas quase nunca se enxergam assim, não estão dispostas a ceder uma vírgula daquilo que acredita e se o fizerem correm o risco de serem expulsos de seus grupos.

No Brasil atual, é praticamente impossível estabelecer um diálogo, por exemplo, entre um eleitor de Lula e um de Bolsonaro. As partes não se entendem e, geralmente, partem para a agressão ou desqualificação do outro. Um não quer e não aceita acreditar que pode estar equivocado ou exagerando em algum ponto.

É triste, mas estamos cada vez mais perdendo a capacidade do diálogo. Sem diálogo, não há caminho para o distensionamento.

 

Ímpeto e Cautela

“Tivesse Churchill autoridade ilimitada sobre os chefes [das forças armadas], o resultado teria sido desastroso … arriscados apenas em nome da ação e não da busca prudente de objetivos estratégicos. Por outro lado, se as coisas tivessem sido deixadas inteiramente nas mãos dos chefes de Estado-Maior, a cautela poderia ter impedido muitas iniciativas úteis.”

Churchill é hoje idolatrado (já li dezenas de livros sobre ele) pelo papel decisivo que teve para a vitória contra o Nazismo na Segunda Guerra Mundial e  pela persistência e fé inabalável naquilo em que acreditava. Só depois de muitas derrotas e de ser colocado de lado durante anos no Parlamento britânico, ele foi içado ao maior cargo político da Inglaterra.

Duas coisas todos que já leram qualquer coisa sobre ele sabem é que ele bebia diariamente e fumava muito charuto. Poucos sabem, porém, que logo após a vitória da guerra, Winston perdeu as eleições. Um número menor ainda de pessoas sabe que ao longo da vida sua carreira política não foi de muitas vitórias emblemáticas.

Terminado o breve passeio histórico e voltando ao primeiro parágrafo, uma passagem do livro O Bunker de Churchill, de Richard Holmes, onde fica claro que um precisava de freio e outros precisavam de acelerador; um precisava de ser chamado à sensatez, outros precisavam sair da letargia.

Isso serve para tudo na vida e na política não é diferente. Equilíbrio é a palavra chave. Não adianta ter um bom técnico se não tiver sensibilidade nem um bom político se não tiver as principais características de um líder: capacidade de escutar, ceder, aceitar a possibilidade de ser convencido de que não estava certo, liderar a todos, não somente seus seguidores.

Em momentos de crise, como a que vivemos, precisamos de gente que tenha tanto capacidade técnica como sensibilidade política, gente que compreenda haver “verdades” diferentes e que a diferença na forma de ver as coisas não precisa transformar as pessoas em inimigas nem muito menos que isso signifique necessariamente um estar certo e o outro errado.

Nos últimos anos o nosso País vem vivendo um clima de exagerado “nós contra eles, eles contra nós”, dividindo ainda mais um povo já tão afastado pelos abismos sociais. Ora, eu não preciso ser inimigo de quem defende o aborto, de quem é contra os programas sociais, de quem defende o armamento desenfreado da população, muito menos de alguém que simplesmente não pretende votar na mesma pessoa que eu.

Em A Era do Radicalismo, Cass Sunstein defende a tese de que estamos cada vez mais radicais, que quando pessoas que pensam de forma parecida se unem, os sentimentos se agudizam e se tornam mais violentos, sejam eles sentimentos de caridade ou de ódio. A internet e o mundo globalizado fortalece isso, por exemplo, ao proporcionar  o encontro de um terrorista do Oriente Médio com um jovem negro americano marginalizado pela comunidade e que alimenta revolta dentro de si.

O Brasil não precisa de um governo de loteamento político da Esplanada dos Ministérios, muitos menos de um governo imbecilizado pelo radicalismo. O Brasil precisa de um líder que tenha capacidade de ouvir, de ceder quando isso for bom para todos e de reagir, de dizer não, quando isso não trouxer benefícios para a coletividade.

Criatividade para superar desafios

 

Os paradigmas vão sendo quebrados, as crianças de hoje raramente brincam com piões ou bolas de gude, os modelos de negócios são sacudidos de tempos em tempos com revoluções tecnológicas e de conhecimento. Se transportarmos um cidadão que viveu no ano 100 para o ano 1000, ele compreenderia praticamente tudo. Agora imagine se colocássemos um sertanejo que viveu ali pela década de 1850 dentro de um shopping center, seria uma confusão. Certamente a o cabra não entenderia nada.

O homem mais rico de toda história do planeta é Jeff Bezos, fundador da Amazon; o segundo é Bill Gates, dono da Microsoft; e o terceiro é Mark Zuckerberg, criador do Facebook. O que há de comum entre eles? Todas as suas empresas nasceram de uma ideia, do conhecimento. Se antes demoravam séculos para mudar o formato de negócios, hoje não demora uma década.

A economia criativa não se resume ao grafite ou artesanato. Nela, a matéria prima é a inovação, que tanto pode ser a criação de vídeo games ou um aplicativo para vender seguro de carro. A criatividade individual ou em grupo pode gerar mais riquezas do que um determinado setor da indústria.

Se no passado parecia loucura falar em carros rodando por aí sem motorista, hoje isso já é quase uma realidade nas ruas de alguns países. A GM produz milhões de carros todos os anos, mas é a Tesla, que não produz sequer cem mil carros, a empresa automobilística mais valiosa do planeta; o AirBNB não possui um único hotel, mas é onde você encontra o maior número de quartos no mundo; o Über não tem um único carro, mas é a maior frota do planeta.

Por falta de investimentos, a bilionária economia criativa ainda sofre para se desenvolver no País. Segundo dados da FIRJAN, em 2015 São Paulo tinha 3,9% de seu PIB na economia criativa, enquanto que no Rio Grande do Norte a estimativa era de que esse índice fosse de apenas 1,1%.

As cidades que se modelam e trabalham com o horizonte de atrair e apoiar este ambiente, terão vantagens competitivas no desenvolvimento econômico e social. É um novo cenário econômico que surge pelo mundo. Há os mais variados exemplos, não só em países desenvolvidos, mas no Rio de Janeiro-RJ, Florianópolis-SC ou Recife-PE aqui no Brasil, onde a inovação tem mostrado resultados impressionantes. É preciso revisar nossas estratégias de desenvolvimento e criar ecossistemas criativo. Um belo exemplo, e não precisa ir longe, fica em João Pessoa-PB. A Vila Sanhauá fica numa antiga área degradada da cidade, que foi revitalizada, oferecendo moradia, serviços públicos e espaços comerciais voltados para economia criativa.

O ambiente adequado para a concentração de atividades envolve o planejamento urbano, desenho arquitetônico, incentivos fiscais, equilíbrio entre trabalho, habitação, comércio e lazer. Incentiva mudanças e fortalece o desenvolvimento de atividades intelectuais, abrangendo trabalhos em setores como publicidade, design, moda, software, jogos de computador, publicações eletrônicas, audiovisual, artes cênicas, etc. Tudo isso compõe a economia criativa.

Estes modelos servirão de indutores do desenvolvimento econômico, gerando empregos, riquezas e melhorando o ambiente urbano, atraindo, inclusive, outros setores da economia, como o turismo, por exemplo. É preciso se planejar para não perder o bonde da história.

Cidades Criativas

O mundo globalizado trouxe novas concepções de como poderia ser nosso sistema econômico, não deixando como opção apenas o capitalismo selvagem, que tanto concentra riquezas. Vêm recebendo cada vez mais atenção modelos como “economia solidária” e “economia criativa”.

De forma simplificada,  economia solidária organiza produção, consumo e distribuição de riquezas de forma centrada no indivíduo, caracterizada pela igualdade, e não no capital. A economia criativa é aquela que engloba não necessariamente artes, mas as novas ideias e formatos que podem movimentar, inclusive, segmentos antigos da economia.

Esses novos conceitos têm também nos confrontado com ideias que chegam a se tornar filosofia de vida. A ideia de economia criativa surgiu na década de 1980 no Reino Unido e foi quando se começou a questionar quais as formas de se fortalecer as alternativas ao modelo existente.

Para se ter uma ideia da importância do setor criativo, os três homens mais ricos do mundo não produzem carro ou petróleo, mas ideias. De acordo com o índice de bilionários Bloomberg, Jeff Bezos, da Amazon, Bill Gates, da Microsoft, e Mark Zuckerberg, do Facebook, são as três pessoas mais ricas do mundo. Ter uma boa ideia vale mais do que ter uma planta de produção de navios.

O mundo está saindo rapidamente da era industrial. Qual é a nova economia que está surgindo? Onde ela acontece? Como competir? Qual o papel das cidades nessa transformação? Como fazer as pessoas ganharem dinheiro com ideias? Em 1983, Gunnar Törnqvist cunhou o conceito “ambiente criativo”, que é formado por quatro traços: informação transmitida entre pessoas; conhecimento (baseado em parte no estoque de informação); competência em certas atividades relevantes; e criatividade (a criação de algo novo, como resultado das três outras atividades).

É sobre isso que queremos trazer ao debate. Termos como incubadoras de empresas, aceleradoras, espaços de co-working, parque tecnológico e tantos outros podem parecer estranhos para muitos, mas são muito comuns na nova economia e nos novos formatos que precisamos pensar para nossas cidades. Principalmente nos países em desenvolvimento tão acostumados ao assistencialismo estatal, onde a educação de um modo geral deixa tanto a desejar. Cidade criativa é um estado de espírito, uma área voltada à inovação e à cultura.

Desde feiras que proporcionem oportunidades aos que trabalham com artesanato ou músicos, até grandes espaços que envolvam a produção científica na identificação de novos modais de produção, os cases de sucesso são muitos.

Além das ações que visam fortalecer setores como artesanato, música, artes plásticas, teatro, e outros setores do que chamamos de artes, temos desenvolvido junto com a UERN, UFERSA, IFRN, Sebrae, Senac, FIERN, dentre outros atores, promovido encontros em torno de um parque tecnológico para Mossoró, com isso fortalecendo o debate sobre o desenvolvimento da economia criativa sob um prisma mais amplo e e pensando na atração de investimentos e cabeças pensantes para nossa cidade.

O Rio Grande do Norte não é um estado industrializado, Mossoró foi muito dependente do setor petrolífero por muitos anos, a seca nos castiga com mais violência de tempos em tempos, enfrentamos uma crise permanente na saúde, na segurança pública. Precisamos de saídas a curto, médio e longo prazo para esta situação. Não existe mágica, mas existem soluções criativas.

Restos a pagar

ATUALIZAÇÃO – 31/01/2018.
Em 04 de janeiro escrevi um texto comparando números do Portal da Transparência. No texto eu mostrava a arrecadação e pagamentos do primeiro ano desta quarta gestão da prefeita Rosalba Ciarlini e fazia uma comparação com o primeiro ano de Claudia Regina e Francisco José Jr (Silveira).
Bem, os números do Portal da Transparência referentes à 2017 foram atualizados, por isso volto a escrever sobre o assunto. Os dados de 2013 (1º ano de Claudia) e 2014 (1º ano de Silveira) continuam os mesmos.
O total efetivamente pago pela Prefeitura, o que passou em seu caixa, de acordo com o Portal, foi o seguinte em cada ano:
2013 -> R$ 421.850.569,11 (Atualizado pelo IGP-M, saltamos para 522.507.616,26)
2014 -> R$ 451.604.071,55 (Atualizado pelo IGP-M, vamos para 539.640.582,15)
2017 -> R$ 448.636.958,70
Observando o total de dinheiro que passou pelo caixa da PMM, comparando-se ao primeiro ano de Rosalba, vê-se que Silveira teve 20,28% mais recursos em seu primeiro ano e Claudia Regina 16,5% a mais. Silveira foi o que mais teve dinheiro para administrar.
Apesar disso, além da queda nos recursos nos cofres públicos em 2017, diante do total destroçamento da estrutura e das contas públicas, a atual gestão pagou mais contas da gestão anterior do que o fizeram Claudia Regina e Francisco José.
Em 2017, a gestão de Rosalba Ciarlini pagou R$ 37.907.454,82 em “restos a pagar”, conta deixada por Silveira.
Em 2014, em seu primeiro ano de gestão, Silveira pagou R$ 16.376.439,84 (atualizado pelo IGP-M) de “restos a pagar” de contas deixadas por Claudia Regina.
Em 2013, em seu primeiro e único ano como prefeita, Claudia Regina pagou R$ 22.291.140,65 (atualizado pelo IGP-M) de “restos a pagar” da gestão da aliada Fafá Rosado.
Acima percebe-se que numericamente Rosalba pagou mais contas deixadas pelo antecessor do que Francisco e Claudia. Proporcionalmente, a atual gestora utilizou R$ 9,3% do total que teve nos cofres para pagar contas passadas, enquanto que Silveira utilizou 3% e Claudia 4%.
A conclusão que temos é que, mesmo com receita menor, a responsabilidade falou mais alto nesse ponto. A prefeita manteve os salários dos servidores municipais em dia e ainda pagou muita conta passada.
Isso não é opinião, são números. Qualquer um pode verificar as informações no Portal da Transparência, que funciona como livro caixa da gestão pública.

Efeito Lula

        De junho de 2013 pra cá, a rejeição à política só tem crescido. Com a Operação Lava-Jato e algumas outras ao redor do País, com as malas de dinheiro em apartamento ou vida luxuosa em palácios da moda, patrocinadas com dinheiro público e usufruída por alguns poucos, a imagem de quem faz política é a pior possível.

        É com esse cenário que vamos viver 2018 e as eleições para Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembléias legislativas. Sou radicalmente contra o voto nulo, mesmo as vezes aceitando a dificuldade que alguns têm em achar alguém que concentre o que pensam ser o mínimo aceitável para receber seus votos.

        O ex-presidente Lula e muitos que fizeram parte de seus governos e do da ex-presidente Dilma sofrem um linchamento público ostensivo desde que começou a Lava-Jato, mesmo assim o Datafolha lhe deu 38% na preferência do eleitorado para 2018, o Ideia Big Data ouviu de 34% dos eleitores que Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve e o Ibope lhe deu em média 35% na corrida presidencial.

Você pode até não gostar de Lula, mas não pode dizer que estes três institutos têm qualquer tipo de ligação política ideológica com o petista. Também não pode dizer que só vota em Lula quem é nordestino e “cliente” do Bolsa Família. Tem muita gente rica, estudada, formador de opinião que está ao lado do ex-presidente.

        Para tumultuar ainda mais o meio de campo, o Tribunal Regional Federal-4, que julgará os recursos de Lula contra a condenação imposta pelo juiz Sergio Moro, marcou o julgamento para janeiro, fazendo deste processo um dos mais céleres, se não o mais, naquela corte. Lula será condenado? Se for, cai na Lei da Ficha Limpa e não pode ser candidato? Quem ele apoiaria? Transferiria os votos?

        Isso tudo reflete não só na corrida presidencial. A força de Lula no Nordeste é grande, disso ninguém duvida. Reflexo disso no RN é que a senadora Fátima Bezerra lidera as pesquisas pro Governo e a deputada Zenaide Maia desponta como vencedora de uma das cadeiras na disputa pelo Senado. É óbvio que isso é simplesmente um reflexo da força do ex-presidente por estas bandas, afinal, a atuação das duas se destaca mais por serem contra o presidente Temer e a favor de Lula e Dilma.

        Segundo o Datafolha, 31% do eleitorado aparece como “antiLula” e outros 31% como “pendulares”. Bolsonaro lidera entre o terço “antiLula”. Quem conquistará os “pendulares”? Até onde vai a força de Bolsonaro? Alckmin decola? Ciro vai mesmo? Marina Silva tem fôlego? Além disso, quanto teremos de  votos brancos e nulos teremos? Incertezas que servem de combustível para especulações que animam os que gostam de conjecturar sobre quadros políticos.

        Uma coisa não pode ser negada, assim como em outras tantas eleições que tivemos Lula como candidato, em 2018, mais uma vez, teremos nele um grande efeito sobre a eleição.

 

A solução não está em uma cartola

Em tempos de descrédito recorde da classe política, outsiders tentam entrar na política atacando os que estão nela há mais tempo, pregando o novo, dizendo ser o midas e que todos os problemas só não foram solucionados antes porque os outros são oligarquias, raposas velhas, incompetentes e todos os demais adjetivos pejorativos que encontram.

Vimos isso em Mossoró, quando o então vereador Francisco José Jr venceu a eleição dizendo ser a novidade da política, que Mossoró viveria um ciclo de ouro do desenvolvimento caso aposentasse nomes com muitos anos serviços prestados à cidade. Sempre válido lembrar também a ajuda que recebeu algumas pessoas propagando que outros candidatos não tinham aval da justiça.

Nas eleições de 2016 tivemos em todo o Brasil candidatos que se diziam empresários e até quase santos, que era hora de aposentar os “velhos”. Velho aqui não significa necessariamente a idade, mas, para os que se diziam novidade, todos aqueles que não tivessem embarcado em seu sonho político de vencer os adversários políticos afirmando não ser político, mesmo que seus palanques tivessem alguns políticos com práticas políticas bem ultrapassadas. Entendeu? Eu não.

Em São Paulo, maior cidade do Brasil, vimos o empresário da comunicação João Dória vencer pregando que ele, sim, saberia consertar a cidade. Fez ao longo de 11 meses de gestão mais de 40 viagens pelo mundo, não entregou o que prometeu e fez muito marketing político eleitoral, por exemplo, plantando árvores de Pau Brasil afirmando ser uma homenagem “ao maior cara de pau do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva”, numa clara intenção de rivalizar com o nome que lidera as pesquisas da corrida presidencial de 2018.

Outro fato que chama atenção em quem não é da política, é a falta de tato para lidar com situações que o desagradem. O empresário geralmente se recusa à ouvir crítica, mas político precisa saber ouvir, já que são servidores da sociedade. Mais uma vez recorro a Dória, que jogou um buquê de rosas no chão ao recebê-lo de ciclistas que manifestavam pro mais segurança. Em outro episódio, o prefeito demitiu um subprefeito porque o mesmo afirmou que faltava dinheiro para ações. O prefeito demitiu-o afirmando que ele deveria ter tido criatividade. O problema é que agora, quando vê pesquisa mostrar que 39% dos paulistanos consideram sua gestão ruim ou péssima e apenas 29% bom e ótimo, Dória diz que seu problema é a falta de dinheiro deixada pelo antecessor, o petista Fernando Haddad.

Para 2018 temos vários nomes prometendo resolver tudo com um simples toque da mão. O Brasil e seus Estados passam por problemas sérios e precisarão de muito trabalho para consertar. É bom ficar de olho para não comecer o erro que Mossoró cometeu em 2014, para não eleger quem muito promete o que não terá condições de entregar.

Político, seja ele iniciante na vida pública ou antigo nas lutas eleitorais, precisa compreender que os tempos são outros, que o povo tem mais acesso à informação (falsa e verdadeira), que precisa saber lidar com a escasses de recursos e, cada vez mais, a falta de paciência da sociedade.

Definitivamente, a solução não está guardada em uma cartola de Mandrak ou de qualquer outro mágico.

E 2018, hein?

A avassaladora crise política, provocada principalmente pela Operação Lava-Jato, e a pior crise econômica em muitas décadas têm provocado um fenômeno extremamente negativo para a classe política e um risco muito grande para o futuro do País, diante das incertezas sobre o que poderá acontecer no Brasil nos próximos anos.

No cenário local também temos muitas incertezas. O governador, natural candidato à reeleição, enfrenta dificuldades tremendas, sendo o único Estado do nordeste onde os salários dos servidores estão atrasados, situação que tende à piorar com a pressão de diversos setores do Governo pressionando por pagamento adiantado aos demais servidores, como aconteceu com a segurança.

No plano nacional, lidera todas as pesquisas o ex-presidente Lula, que representa a esquerda, e em segundo o controverso deputado, militar da reserva, Jair Bolsonaro, representando a extrema direita, que defende constantemente a ditadura militar e chegou a dizer que filho seu não casaria com negras, mas tem grande inserção no público jovem das classes A, B e C.

Há ainda os outsiders, aqueles nomes que não são políticos tradicionais e que desejam chegar ao topo da política brasileira. João Dória, que antes de 2016 fazia sucesso com comunicação, chegou à prefeitura da maior cidade do Brasil com o apoio de Geraldo Alckmin. Surge agora o nome do apresentador Luciano Huck, que já conversou, entre outros, com o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa.

Por outro lado, há ainda nomes já conhecidos do eleitor brasileiro como o cearense Ciro Gomes, a acreana Marina Silva ou do governador de São Paulo Geraldo Alckmin. No meio do caminho, decisões judiciais que podem atrapalhar alguns planos e provocar o surgimento de novos nomes na disputa.

No Rio Grande do Norte temos liderando as pesquisas a senadora Fátima Bezerra, que pega carona na popularidade do presidente Lula no Nordeste e que até agora não apresentou nenhuma aliança; prefeito de Natal Carlos Eduardo, com boa avaliação e liderando pesquisas na Grande Natal, mas sem uma maior inserção no interior; e o governador Robinson Faria, desaprovado maciçamente pelo eleitor potiguar. Por fora, até aqui, o desembargador Cláudio Santos.

Próximo ano teremos também as eleições para Senado, Câmara dos Deputados e assembléias legislativas. A bancada federal do RN enfrenta um desgaste enorme e alguns de seus deputados e senadores podem ter sérias dificuldades em seus planos de reeleição. Tem novos nomes querendo chegar lá, mas também há nomes experientes sonhando voltar.

As eleições do próximo ano serão tumultuadas ainda pelo clima belicoso que toma conta das redes sociais. As famosas fake news (notícias falsas) veiculadas irresponsavelmente em alguns casos e criminosamente em outros darão trabalho às equipes de comunicação.

Tudo isso gera incerteza e isso tende a atrapalhar o discernimento do eleitor na hora da escolha.

 

Solução está na política

A França elegeu há alguns meses Emmanuel Macron, 39 anos de idade, casado com uma mulher de 64 anos, por quem se apaixonou ainda aos 15 anos, que fundou um novo partido há pouco mais de um ano. O mais jovem presidente de toda a história francesa derrotou o establishment político pregando renovação.

Os franceses já chegaram ao extremo de decapitar um rei e uma rainha, Luís XVI e Maria Antonieta, por estarem revoltados com a situação daquele momento. Desta vez, Macron conseguiu a “revolução democrática”, onde suas armas foram ideias, discursos, redes sociais. Pouco depois de eleito, outra vitória incontestável: o recém formado partido elegeu 350 das 577 cadeiras no Legislativo.

No Brasil já aconteceram algumas das mudanças que Macron defende agora para a França. Um dos exemplos é a condenação de gente poderosa na Operação Lava-Jato e em tantas outras, mas as mudanças precisam ser mais profundas. Ainda há castas na sociedade brasileira, vide aqueles servidores públicos do Judiciário, Ministério Público, Executivo e Legislativo que recebem salários e vantagens milionárias sem serem questionados.

Sobre a mudança no sistema político, é óbvio e ululante que não avançaremos enquanto eleitor vender e candidato comprar voto, enquanto candidatos milionários estiverem aí para comprar a opinião de alguns setores da imprensa ou empresas decidirem eleições através de Caixa 2 eleitoral. A sociedade não pode achar que está descolada da política. É ela que elege os políticos que estão em nossas cidades, estados e em Brasília.

A solução não está na volta do regime militar, quando sequer havia liberdade para criticar o que não concordássemos, ou em levar membros do Judiciário ou Ministério Público para o comando dos poderes executivos e legislativos do País.

É importante estar de olho nos que se dizem anti-política. Não há solução para a crise política que não esteja dentro da própria política. Em São Paulo, João Dória elegeu-se prometendo muita novidade. Passados quase sete meses de gestão, muita coisa não saiu do papel. Dos mais de R$ 600 milhões que disse ter conseguido em doações de empresas e pessoas físicas, apenas 3,6% foram concretizadas. Essas e outras coisas fazem sua aprovação, que ainda é considerada boa, estar em 41% de Bom e Ótimo em junho ante 44% em fevereiro e a desaprovação subir de 13% para 22%.

Em Mossoró tivemos uma experiência que nos fez regredir alguns anos. Um prefeito que elegeu-se na esteira de declarações de membros do judiciário, dando-lhe quase que a condição de candidato único, prometeu muita coisa boa com palavras fáceis e o que vimos foi a pior gestão da história da cidade. E isso foi constatado através de pesquisas de opinião.

Ainda hoje há, aqui e alhures, aqueles que dizem ser “diferentes”, que não são “políticos profissionais”, mas que se utilizam de estratégias que nem os “profissionais” são capazes, como matérial apócrifo para atacar adversários, compra de profissionais da imprensa para endeusar-lhes a vida e criticar quem ouse discordar. Seduzem mais pelo dinheiro do que por propostas e projetos para as cidades, estados e País.

Se na França e em São Paulo vai dar certo, só o tempo dirá. A experiência em Mossoró não foi boa. Isso não quer dizer que o neófito esteja certo e aquele político experiente errado ou vice-versa. Não é isso que define a competência, índole e caráter. O mais importante é não cair no conto carochinha e saber escolher certo seus representantes.