sábado , 16 de dezembro de 2017
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Laíre Rosado

Eliane Cantanhêde : Teatro do Absurdo

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo
09 Julho 2017

elianecantanhede

A brincadeira em Brasília, se é possível fazer alguma brincadeira em meio à tragédia, é que já começou o “fora, Maia” na Austrália e no Japão e que José Dirceu já faz até planos. Em áudio divulgado nas redes sociais, avisa que está “de pé e na luta” e faz uma profecia: “Nós (ele, Lula e o PT) vamos voltar”.

Os tucanos se unem aos petistas para empurrar o presidente Michel Temer ladeira abaixo, mas só o PT tem a lucrar com isso. Os petistas serão os grandes vitoriosos da eventual queda de Temer e vão empurrar Maia rampa acima, mas para liderar o “fora, Maia” no dia seguinte. O momento é de oposição e quem sabe fazer oposição é o PT.

É assim que o ex-presidente Lula vem subindo nas pesquisas, recuperou os seus 30% e está na liderança para 2018 no rastro da desgraça de Temer, das revelações sobre o PMDB e da queda estonteante de Aécio Neves. Palocci e Joesley Batista colaboram, jogando a culpa em Mantega, o mordomo da vez.

Toda a trama se desenrola dentro do cronograma previsto pelos petistas lá atrás, quando já não suportavam Dilma e arregaçavam as mangas para infernizar Temer com os movimentos camaradas. Bem melhor fazer oposição a um presidente impopular do que carregar uma presidente que se revelou um desastre.

Durante meses de fogo cruzado, Temer conseguiu sobreviver basicamente pela falta de um sucessor e pelo pânico de a economia sofrer mais ainda. Agora, na fase do fogo amigo do PSDB, cresce a onda a favor de Maia, mas as incertezas continuam. Temer tem explicações a dar à Justiça, mas Maia foi citado nas delações da Odebrecht e da OAS e está na lista Janot-Fachin.

O remanejamento de equipes da PF em Curitiba significa exatamente o oposto do que se imagina. A Lava Jato não está sendo esvaziada, está evoluindo, porque a investigação dos “sem-mandato” já praticamente se esgotou em Curitiba, onde estão bem adiantados os inquéritos contra Lula e estão presos Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro, Eduardo Cunha, Antonio Palocci e outros menos cotados.

É hora, portanto, de se concentrar nos “com mandato”. A equipe não foi desmobilizada, apenas sai de Curitiba para investigar em Brasília, Rio, Minas, Bahia, Rio Grande do Norte e por aí afora, com foco no “PMDB da Câmara” e aliados. Inclusive Maia?

Conclusão: enquanto Temer for presidente, ele e ministros como Eliseu Padilha e Moreira Franco não vão ter um minuto de sossego. A PF, o Ministério Público e o ministro Edson Fachin estarão a postos, mantendo a pressão, enquanto os juízes de primeira instância “comem pelas bordas”, capturando os sem-mandato (que sobraram) do entorno de Temer.

É assim que o Brasil, pobre Brasil, vive a mesma situação da era Dilma: se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. Manter Dilma, impopular, paralisada e inepta seria jogar o País e sua economia num buraco cada vez maior. Tirá-la seria, como foi, entregar o poder ao PMDB, que não é flor que se cheire.

A crise e o dilema se repetem. Manter Temer, impopular, investigado e perdendo apoios, é fechar os olhos para os escândalos. Tirá-lo é jogar a economia numa grande incógnita e desviar o foco e as acusações para Rodrigo Maia. Uma festa para o PT.

Porém, não são só Lula e PT que comemoram a aflição de Temer e a eventual chegada de Maia. Na outra ponta, está Jair Bolsonaro, que lembra Donald Trump. Ele era tão absurdo que ninguém dava bola… Se absurdos acontecem até na potência, quanto mais num País afundado numa crise sem fim. Dilma caiu, Temer pode cair, Maia é uma incógnita e 2018 pode nos reservar Lula versus Bolsonaro. Absurdo?

Açodamento e desmazelo do MPF beneficiam criminoso; Joesley mentiu!

Em seu editorial de ontem, (08) o Estadão afirma que o PGR negociou mal e beneficiou a JBS.

Joesley Batista

Leiam editorial do Estadão:
A validade dos chamados acordos de delação premiada depende fundamentalmente de dois elementos, cuja falta é grave o bastante para suscitar a anulação dos termos da colaboração: a voluntariedade e o compromisso inarredável com a verdade.

Um investigado, acusado ou réu não pode estar sentado à mesa de negociação com o Ministério Público ou com a autoridade policial sob ameaça ou coação. Ele precisa estar disposto a contar o que sabe por livre e espontânea vontade, em troca dos benefícios relativos à persecução penal a que está sujeito pelo crime que lhe é imputado. Além disso, para ser digno de receber tais prêmios, que podem chegar ao perdão judicial, é mandatório que diga a verdade às autoridades, por mais óbvio que isso possa parecer.

Esses requisitos obedecem a um imperativo legal – conforme as disposições da Lei 12.850 de 2013, que trata das organizações criminosas – e serão verificados pelo Poder Judiciário em dois momentos: a voluntariedade, na fase de homologação do acordo; e a veracidade das alegações, no momento da sentença, após a reunião de um conjunto de provas no curso do processo que comprove o que o colaborador disse às autoridades. De acordo com o mesmo diploma legal, nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações do agente colaborador.

Desde sua divulgação, em maio, o acordo de colaboração premiada firmado entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o sr. Joesley Batista, controlador da J&F, vinha sendo bastante criticado por variados segmentos da sociedade pela disparidade entre o que o delator ofereceu de informações ao Estado e o que dele recebeu em troca, a saber, a imunidade total para os gravíssimos crimes que confessou ter cometido.

Já seria questionável, de pronto, a concessão de imunidade total a um criminoso confesso e contumaz, atitude que não se coaduna com o próprio conceito de justiça que deve sempre pautar as ações da PGR. Causou ainda mais estranheza a irrazoabilidade dos termos negociados no acordo com o sr. Joesley Batista, cujo resultado, como já foi dito neste espaço, foi uma denúncia inepta por corrupção passiva contra o presidente da República.

Sabe-se agora que sr. Joesley Batista mentiu para a PGR. Durante as tratativas para o fechamento do acordo de colaboração premiada, ele negou ter tido qualquer de seus negócios facilitado por Antonio Palocci no âmbito do BNDES. Entretanto, de acordo com informações veiculadas pelo Estado, a JBS – uma das empresas controladas pela holding J&F – pagou, entre dezembro de 2008 e junho de 2010, cerca de R$ 2,1 milhões à Projeto Consultoria Empresarial e Financeira, empresa do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil dos governos Lula da Silva e Dilma Rousseff, em troca das gestões de Palocci com a direção do BNDES para o aporte de US$ 2 bilhões do banco estatal que serviram para a compra da Pilgrim’s Pride Corporation pela JBS por cerca de US$ 2,8 bilhões em 2009. Vale dizer, por meio da intervenção remunerada de Antonio Palocci, a JBS ampliou seus negócios nos Estados Unidos utilizando mais de 70% de capital do BNDES. É importante repetir que, mesmo quando questionado, o sr. Joesley Batista negou ter recebido auxílio de Antonio Palocci para fechar seus negócios bilionários.

Além de ter negociado os termos do acordo de colaboração premiada da JBS contrariando ditames legais, vê-se agora que a PGR negociou mal. É inadmissível que uma delação que baseou uma denúncia contra o presidente da República venha eivada de mentira. Não se pode supor que um fato dessa gravidade seja um mero “descuido” da PGR, que de pronto acreditou na palavra do delator e não fez uma averiguação prévia de sua veracidade.

O açodamento e o desmazelo do Ministério Público Federal no tratamento das informações entregues pelo sr. Batista reforçam a percepção de que os objetivos da delação são, antes de tudo, eminentemente políticos.

Governador da Segurança

A segurança pública tem sido um dos maiores calos da administração do governador Robinson Faria. O discurso empolgado motivou os eleitores que acreditavam ser possível melhorar a segurança no Rio Grande do Norte. Apesar do otimismo sempre presente do governador, na prática, não estão sendo alcançados resultados que atendam às promessas de campanha.

Os últimos dados oficiais divulgados na semana passada falam em queda de 17% no índice de criminalidade, com Mossoró registrando baixa de 28%. Esses números são questionados por alguns analistas e, na prática, esse avanço não está sendo percebido pela população.No primeiro semestre deste ano houve aumento de 220 assassinatos a mais do que o mesmo período em 2016.

Na verdade, falta efetivo policial e estrutura para o trabalho da polícia militar. É grande a quantidade de viaturas quebradas e o número de policiais na ativa é inferior a 8.200. A cada ano, a PM perde 800 servidores por aposentadoria, baixas por morte e demissões por motivos diversos.

Além desses problemas da Corporação, a Polícia Militar do RN acumula dívida em torno de R$ 700 mil, havendo dificuldade até mesmo para a compra de cartuchos para os armamentos.

Será preciso bem mais para o governador Robinson Faria, no futuro, ser lembrado como o Governador da Segurança.

Sucessão 2018

A crise política que, há meses, ocupa os principais espaços midiáticos, tem desviado a atenção do eleitor em relação às eleições de 2018. A reforma política caminha nas duas Casas do Congresso, mas ninguém tem certeza sobre o que será aprovado e sancionadas em tempo hábil para serem aplicadas nesse pleito. Esse fato não se constitui em empecilho para que as negociações sejam iniciadas, sobretudo entre os grandes partidos, diferente das dificuldades que serão enfrentadas pelos partidos de menor expressão eleitoral.

Mossoró esteve na linha de frente com as vitórias da prefeita Rosalba Ciarlini que foi eleita para o Senado em 2006 e, logo em seguida, para o governo do Estado, em 2010. Nas últimas eleições os candidatos ao governo os candidatos majoritários sempre tiverem interesse em um companheiro de com influência em Mossoró. Nessa condição de candidatos a vice-governador, sem obtenção de êxito, disputaram Rosalba Ciarlini (Lavoisier Maia), Carlos Augusto (Fernando Bezerra) e Laíre Rosado (Fernando Freire).

É possível que Mossoró volte a figurar nas chapas majoritárias em 2018. Para não dizer que não existem especulações, o empresário Tião Couto, que disputou a prefeitura em 2016, tem projetos políticos futuros, havendo declarado estar à disposição para concorrer aos cargos de senador ou mesmo de governador. Acredita-se que disputará uma cadeira de deputado federal ou, no mínimo de deputado estadual. Mas não recusaria uma proposta de ser companheiro de um empresário candidato ao governo do Estado.

Até o momento, a mídia potiguar tem destacado somente críticas e agressões aos detentores de mandatos eletivos. O laboratório político não iniciou a formulação de projetos visando as eleições de 2019. A ideia é que esse quadro permanecerá inerte, até o final deste ano, para que os pretendentes não sejam lançados à fogueira antes do tempo. Depois de assentado o pó da Lava-jato serão avaliados os estragos produzidos e seus reflexos no pensamento do eleitor. Mesmo assim, nos bastidores, a sucessão foi iniciada.

Campeonato no STF

Em sua coluna de ontem (02.07.17) a colunista Eliane Cantanhêde analisou a situação do STF em relação aos últimos julgamentos mostrando posição de ministros nervosos, plenário dividido e o que poderá acontecer em futuro próximo:

Eliane Cantanhede

“Ao entrar em recesso na sexta-feira, o Supremo deixou várias feridas abertas. Elas vão atravessar julho, com a presidente Cármen Lúcia de plantão, e desembocar em agosto, quando há várias decisões a serem tomadas por um plenário claramente dividido, turmas que parecem tateando, ministros com nervos à flor da pele e o relator da Lava Jato, Edson Fachin, ainda sob observação.

O julgamento da semana passada sobre os limites das delações premiadas foi uma boa mostra do novo equilíbrio do Supremo, que vai persistir durante o eventual julgamento do presidente Michel Temer, caso a Câmara autorize o processo, e as nervosas decisões sobre a Lava Jato, que serão acompanhadas com lupa – e mau humor – pela sociedade.

O ano no Judiciário começou com a morte, trágica em todos os sentidos, do ministro Teori Zavascki. Ninguém é insubstituível, mas não havia nenhum outro Teori, com tantas vantagens, para relatar a Lava Jato. Por sorteio, caiu no colo de Fachin, que era lembrado pelo voto apaixonado a Dilma Rousseff em um congresso do PT em 2010, mas não era conhecido nem tão marcado quanto os colegas mais antigos. Ele, portanto, vem sendo revelado ao longo do próprio processo.

Fachin e seu gabinete trabalham em sintonia com o procurador-geral Rodrigo Janot e a PGR, como no inquérito contra o presidente da República. Janot pediu, ele homologou sem pestanejar e sem ouvir o plenário. E também suspendeu o mandato parlamentar de Aécio Neves, mais uma vez, sem consulta aos colegas. De outro lado, tirou cinco processos do juiz Sérgio Moro, quatro contra Lula e um contra Guido Mantega. Para contrabalançar, quem sabe, mandou soltar Rodrigo Rocha Loures.

No julgamento sobre a revisão das delações, Fachin foi socorrido pelo novato Alexandre de Moraes, que soprou a saída para o impasse e a brecha para que os acordos de delação não sejam “petrificados”. Agora, o relator entra em uma fase crucial: enquanto Janot apressa as providências contra Temer, Raquel Dodge entra em cena. Respeitados na categoria, ambos têm o firme propósito de combater a corrupção, mas ele é, digamos, mais afoito; ela, mais cuidadosa. E, se Janot era próximo de Fachin, Dodge não é. Para Temer, essa pode ser uma boa notícia.

A troca na PGR, porém, não resolve a divisão no STF e agosto já vai chegar com uma saia-justa, depois que Marco Aurélio, meia hora antes do início do recesso, surpreendeu Fachin e todo o STF ao desfazer as decisões do relator da Lava Jato sobre Aécio. Além de se livrar do pedido de prisão da PGR, o mineiro pode reassumir o mandato, ter de volta o passaporte e encontrar a irmã Andrea e outros envolvidos.

Marco Aurélio citou o voto popular e a independência entre os Poderes, mas foi ele quem mandou destituir o então presidente do Senado, Renan Calheiros, criando uma crise entre Judiciário e Legislativo e mal-estar entre os colegas. Além disso, soou muito subjetivo o ministro citar a “carreira elogiável” de Aécio.

A divisão no Supremo parecia caminhar para uma guerra frontal entre Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, mas isso vem se ampliando a cada julgamento e há também um claro realinhamento em relação ao mensalão. De um lado, Fachin, Barroso, Fux e Rosa Weber. De outro, Marco Aurélio, Gilmar e Lewandowski. Cármen Lúcia e Celso de Mello pairam acima disso. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli tendem a ser pêndulos.

Como na preparação de um campeonato, os times estão se formando, os jogadores assumindo suas posições, os lados se estudando. O que está em jogo, porém, não é um troféu nem são os aplausos, mas o equilíbrio entre o fundamental combate à corrupção que todos queremos e o Estado democrático de direito que conquistamos a duras penas.”

Estadão: Denúncia Inepta

DENÚNCIA INEPTA

Petição inicial inepta é a que é considerada não apta a produzir efeitos juridicos, por vícios que a tornam confusa, contraditória, absurda, incoerente; ou por lhe faltarem os requisitos exigidos pela lei, não se apoiar em direito expresso ou por não se aplicar à espécie o fundamento invocado. A inépcia enseja a preclusão e proíbe-se de levar adiante a ação.

Em um dos seus editoriais de hoje, o jornal O Estado de São Paulo considera a denúncia do procurador-geral Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer de inepta e que o Supremo Tribunal Federal faria bem se mandasse arquivá-la.

A denúncia de Janot, diz o editorial, “é baseada somente na palavra do delator e em diálogos que deveriam ser interpretados com bem menos ligeireza, não só porque estão entrecortados, tornando-se incompreensíveis em vários momentos, mas principalmente porque foram captados pelo empresário com a intenção evidente de comprometer o presidente, sabe-se lá por que obscuras razões. E tudo o que se pode dizer, da leitura das pouco mais de 60 páginas da denúncia do procurador-geral, é que as acusações evidentemente carecem de base.

Em seu último parágrafo, o jornal conclama o presidente Michel Temer a lutar “para reunir maioria no Congresso não apenas para rejeitar a denúncia, mas para seguir adiante com as reformas. O País não pode continuar refém de irresponsabilidades.”

Julgamento do STF vai, no fim, fortalecer delações

Vera Magalhães
Estadão
22 Junho 2017

Vera Magalhães

O que inicialmente parecia ser uma ameaça aos acordos de delação premiada e à continuidade da Operação Lava Jato deverá terminar por fortalecer o instituto da colaboração judicial e o papel do Ministério Público Federal.

O julgamento de um agravo regimental interposto pelo governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, questionando o fato de a delação dos executivos do grupo JBS ter sido designada diretamente ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, abriu espaço para que o STF começasse a debater, ontem, mais amplamente o instituto da delação.

A discussão se estendeu sobre a legitimidade de um juiz ou ministro homologarem monocraticamente os acordos e sobre a validade dos benefícios concedidos aos delatores da JBS.

Diante da evidência, nos primeiros votos, de que a maioria da corte estava convencida a não mexer em nenhum dos três pontos, o ministro Gilmar Mendes pediu um aparte ao voto do novato Alexandre de Moraes e desferiu um duro ataque ao Ministério Público Federal, ao qual acusou de descumprir a lei e legislar de maneira indevida não só na delação da JBS quanto em casos anteriores.

“Uma renúncia de Temer acalmaria o país?”

Análise política do jornal EL PAÍS

13.06.17

Juan Arias

Juan Arias

Talvez o presidente Michel Temer se arraste legalmente até 2018, mas seu mandato e seu governo estão mortos.

Estão sendo sepultados pelas investigações da Lava Jato e pelo esforço de todos para fazê-la naufragar.

O que fazer?

A renúncia de Temer acalmaria os ânimos de uma sociedade cada dia mais perplexa e que começa a desconfiar até da justiça, que parecia o último baluarte de esperança para regenerar o sistema?

Dizem que alguns partidos e políticos importantes prefeririam que Temer chegasse sangrando a 2018.

Isso interessa ao país?

Existe, sem dúvida, o problema pessoal do presidente, que só ele pode resolver segundo sua consciência, e existe o que seria melhor para o país, para sua economia e para sua estabilidade democrática.

O dilema não é fácil e, apesar de faltar pouco mais de um ano para as novas eleições presidenciais, pode se tratar de um tempo infinito que acabe minando ainda mais instituições já cambaleantes.

Hoje, até seguidores de Dilma duvidam se não teria sido melhor, para ela e para o país, ter renunciado antes de se submeter ao duro, polêmico e lento ritual de impeachment.

Teria sido um gesto que a teria enaltecido.

E diante do que hoje vive o país, uma decisão que tivesse economizado na época, com eleições diretas, o embaraço por que passa não só a presidência de Temer mas quase toda a classe política.

Se Temer renunciasse, assegurando uma sucessão tranquila por parte do Congresso, que respeitasse a atual equipe econômica e preparasse sem sobressaltos as eleições presidenciais de 2018, talvez o país pudesse deixar de sangrar.

Já é grave a possibilidade de que a crise econômica se aprofunde, arrastada pela incerteza da guerra aberta entre Poderes do Estado, e uma nova saída forçada do presidente da República, desta vez por motivos de corrupção, poderia criar uma crise sem precedentes desde os tempos obscuros da ditadura.

A quem serviria um desenlace traumático com os três Poderes do Estado em guerra e com uma sociedade inclinada a substituições de cunho autoritário ou populista?

O mundo tem os olhos postos no Brasil e com não com pouca apreensão.

Não é uma alegria para ninguém, dentro ou fora do país, ver um gigante econômico, no qual tantas esperanças foram depositadas, cambalear agitado por uma crise interna plena de incertezas lúgubres.

Temos ao lado a Venezuela, o rico país vizinho que se desgarra e se desfia todo dia atormentado pela teimosia de políticos que preferem o caos, e até a miséria das pessoas, a apear de um poder que se sustenta à força, contra a vontade da maioria.

Os analistas mais serenos concordam que o Brasil ainda está em tempo de dar marcha ré da loucura que o agita e oferecer à sociedade a possibilidade de decidir em paz sobre seu destino em eleições livres em 2018.

Se o grau de responsabilidade depende da força do poder de quem preside as instituições, neste momento cabe a Temer, que está no fim de seu longo caminho político, até ontem sem máculas, oferecer ao país uma saída o menos dolorosa e perigosa possível, por mais difícil que lhe seja pessoalmente.

Li que, depois de se conhecer as fatídicas conversas que hoje o incriminam, Temer chorou pensando no que dizer amanhã a seu filho.

A seu filho e a todo um país, cansado de uma classe política que parece ter se esquecido da dor das pessoas, preocupada e absorta como está em como acabar com a Lava Jato para salvar a própria pele.

Os brasileiros comuns, os que continuam sustentando o país com seu trabalho duro e honrado para que não se afunde ainda mais, sabem o que querem e estão à espera.

E todos sabemos, pela História antiga e recente, onde pode desembocar a ira dos que se sentem traídos.

O ódio a bordo

POR MÍRIAM LEITÃO
13/06/2017 06:01

miriam-leitao

Sofri um ataque de violência verbal por parte de delegados do PT dentro de um voo. Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo.

Sábado, 3 de junho, o voo 6237 da Avianca, das19h05, de Brasília para o Santos Dumont, estava no horário. O Congresso do PT em Brasília havia acabado naquela tarde e por isso eles estavam ainda vestidos com camisetas do encontro. Eu tinha ido a Brasília gravar o programa da Globonews.

Antes de chegar ao portão, fui comprar água e ouvi gritos do outro lado. Olhei instintivamente e vi que um grupo me dirigia ofensas. O barulho parou em seguida, e achei que embarcariam em outro voo.

Fui uma das primeiras a entrar no avião e me sentei na 15C. Logo depois eles entraram e começaram as hostilidades antes mesmo de sentarem. Por coincidência, estavam todos, talvez uns 20, em cadeiras próximas de mim. Alguns à minha frente, outros do lado, outros atrás. Alguns mais silenciosos me dirigiram olhares de ódio ou risos debochados, outros lançavam ofensas.

— Terrorista, terrorista — gritaram alguns.

Pensei na ironia. Foi “terrorista” a palavra com que fui recebida em um quartel do Exército, aos 19 anos, durante minha prisão na ditadura. Tantas décadas depois, em plena democracia, a mesma palavra era lançada contra mim.

Uma comissária, a única mulher na tripulação, veio, abaixou-se e falou:

— O comandante te convida a sentar na frente.

— Diga ao comandante que eu comprei a 15C e é aqui que eu vou ficar — respondi.

O avião já estava atrasado àquela altura. Os gritos, slogans, cantorias continuavam, diante de uma tripulação inerte, que nada fazia para restabelecer a ordem a bordo em respeito aos passageiros. Os petistas pareciam estar numa manifestação. Minutos depois, a aeromoça voltou:

— A Polícia Federal está mandando você ir para frente. Disse que se a senhora não for o avião não sai.

— Diga à Polícia Federal que enfrentei a ditadura. Não tenho medo. De nada.

Não vi ninguém da Polícia Federal. Se esteve lá, ficou na porta do avião e não andou pelo corredor, não chegou até a minha cadeira.

Durante todo o voo, os delegados do PT me ofenderam, mostrando uma visão totalmente distorcida do meu trabalho. Certamente não o acompanham. Não sou inimiga do partido, não torci pela crise, alertei que ela ocorreria pelos erros que estavam sendo cometidos. Quando os governos do PT acertaram, fiz avaliações positivas e há vários registros disso.

Durante o voo foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. Não filmei porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias. Ameaçaram atacar fisicamente a emissora, mostrando desconhecimento histórico mínimo: “quando eles mataram Getúlio o povo foi lá e quebrou a Globo”, berrou um deles. Ela foi fundada onze anos depois do suicídio de Vargas.

O piloto nada disse ou fez para restabelecer a paz a bordo. Nem mesmo um pedido de silêncio pelo serviço de som. Ele é a autoridade dentro do avião, mas não a exerceu. A viagem transcorreu em clima de comício, e, em meio a refrões, pousamos no Santos Dumont. A Avianca não me deu — nem aos demais passageiros — qualquer explicação sobre sua inusitada leniência e flagrante desrespeito às regras de segurança em voo. Alguns dos delegados do PT estavam bem exaltados. Quando me levantei, um deles, no corredor, me apontou o dedo xingando em altos brados. Passei entre eles no saguão do aeroporto debaixo do coro ofensivo.

Não acho que o PT é isso, mas repito que os protagonistas desse ataque de ódio eram profissionais do partido. Lula citou, mais de uma vez, meu nome em comícios ou reuniões partidárias. Como fez nesse último fim de semana. É um erro. Não devo ser alvo do partido, nem do seu líder. Sou apenas uma jornalista e continuarei fazendo meu trabalho.

(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)

Gilmar Mendes: “se é para ter medo da procuradoria, é melhor o Supremo fechar”

Leia a coluna de Claudio Humberto: http://zip.net/btrhJf

Hoje, 13:

“O ministro Gilmar Mendes voltou a encarar a Procuradoria Geral da República (PGR), chefiada por Rodrigo Janot até setembro, afirmando nesta segunda-feira (12) que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar o controle das ações e deixar de ser mero “chancelador” da PGR.

O ministro, que também preside o TSE, disse ainda que “se é para ter medo da procuradoria, é melhor o Supremo fechar as portas”.