sábado , 24 de agosto de 2019
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Laíre Rosado

Laíre Rosado: Ministro Fachim compara o Brasil à República de Weimar

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, publicou artigo no Valor Econômico intitulado “Tempos de Weimar”, que deixou muita gente confusa sobre a interpretação do seu pensamento.

Fachin compara a situação na Alemanha de 1918 a 1933 – na República de Weimar, período imediatamente antes da ascensão do nazismo – e o Brasil de hoje.

Edson Fachin

“À promessa de um pluralismo institucional [na República de Weimar] opôs-se à centralização do executivo [no nazismo]; à afirmação dos direitos fundamentais, a sua negação em sentido mais profundo. Cem anos depois, Weimar ecoa feito lição, vocação e legado. Esse passado projeta não apenas luzes, mas também suas sombras nos dias de hoje”, escreveu o ministro.

Sobre o papel do Judiciário nas democracias: “Não pode ocorrer (…) um maniqueísmo sobre a essencialidade da Justiça que se constituiu pela norma fundamental, como se fosse possível ser contra ou a favor dela. Esse binarismo é típico das disputas políticas e não deve contaminar a Justiça”.

Em relação à crise atual no Brasil, considera que “as fundações inauguradas com o novo constitucionalismo foram abalroadas por um tropel de eventos. As portas do público e do privado foram abertas e capturadas por sofisticado complexo de atos, fatos e circunstâncias, propositadamente desconexos quando necessário, massivos quando preciso, não raro virulentos como quebrar de nozes; a espetacularização em grande medida fez da vida um reality show. Impõe-se ir além dessas aparências.”

Sobre Weimar, ressalta que, com seu exemplo, pode-se aprender a “se contrapor ao vale-tudo. Há responsabilidade pessoal e há deveres institucionais na Justiça, na política e na sociedade como um todo”.

Importante ressaltar que o ministro Fachin considera que maniqueísmo e binarismo não podem contaminar e o judiciário não pode estar dividido em a favor ou contra a Lava Jato. A constituição está acima de todos.

A pergunta que todos fazem é se, a partir de agora, poderá haver uma inflexão nos casos da Lava Jato em tramitação no STF.

COLIGAÇÕES E PEQUENOS PARTIDOS
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Nas próximas eleições, os candidatos que vão disputar o cargo de vereador vivenciarão uma nova realidade política. É que, em 2020, não haverá mais a coligação nas disputas proporcionais.

Nas últimas eleições, os candidatos costumavam analisar qual o partido mais vantajoso para concorrer ao cargo eletivo. Dentro dessa estratégia, era possível eleger candidatos sem votações expressivas, ficando na suplência outros nomes que obtinham um maior número de votos.

Com o fim das coligações, “os puxadores de votos” deixarão de ser vistos como concorrente direto, mas como alguém com potencial capaz de beneficiar outras candidaturas, desde que estejam no mesmo partido. Só serão beneficiados os que estiverem na mesma legenda.
Sem as coligações, diminui a prática do “aluguel” de partidos nanicos pelos mais fortes, com o objetivo de aumentar o tempo na propaganda eleitoral gratuita. Claro, poderá permanecer para as eleições majoritárias.

Os partidos terão que se organizar melhor para emplacar seus candidatos e atrair o eleitor.

A médio prazo, a tendência é diminuir o número de legendas. Os partidos poderão ser mais sólidos e com chances de informar melhor o eleitor sobre o que ele está decidindo, quando registra seu voto na urna eletrônica.

Laíre Rosado: Moro e Dallagnol

O brasileiro está perplexo, atordoado mesmo, com o que acontece na área político-judicial no momento atual. O ministro Sérgio Moro e o procurador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dalagnol são os dois personagens principais dos acontecimentos.

Fica difícil fazer um julgamento isento, pois quase sempre ele termina invadido pelo emocional de cada um. É possível descumprir a Constituição para se chegar a um objetivo, por mais moralizador que seja?

O governador de São Paulo, João Dória, por exemplo, acha que sim. E defende ardorosamente Moro e Dallagnol. Considera que o benefício resultante no combate à corrupção justifica plenamente os métodos utilizados pelos dois.

Mesmo sem alcançar a intensidade da repercussão da Operação Mãos Limpas na Itália, a Operação Lava Jato vem sendo repercutida na imprensa internacional.
A BBC de Londres entrevistou 7 ex-ministros de Justiça no Brasil sobre a atuação de Moro e Dallagnol, sobretudo no caso dos hackers. Todos eles, sem exceção, classificam as atitudes dos dois como sendo: ”Ilegal”, “Irregular”, “abusivo”, “absurdo”, “Indecente” e outros adjetivos semelhantes.

Para grande parte dos brasileiros, Moro e Dallagnol estão totalmente afastados da linha do “Direito”. Outros, entretanto, julgam que eles merecem merecem o reconhecimento do povo brasileiro, sendo totalmente inaceitáveis em relação ao comportamento dos dois.

Laíre Rosado: No futuro, médicos também poderão trabalhar com Uber

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Lembro da crise econômica dos anos 70. Houve desregulamentação do sistema monetário internacional e o aumento mundial do preço do petróleo, com reflexos até mesmo no ritmo de crescimento dos países industrializados, atingiu a economia nacional.

Nessa época estava estagiando no Hospital Distrital de Brasília e costumava ler os jornais antes de sair para o trabalho. Fui surpreendido com a informação de que, em São Paulo diversos advogados estavam inscritos num concurso para motorista do caminhão de coleta do lixo.

Agora, leio um artigo assinado por Dr. Bruno Rossini, médico fundador da Clínica OTOVITA, onde fala de experiência vivida quando viajava em um Uber. O motorista revelou que era cirurgião dentista, trabalhando em estética facial e aplicação de toxina botulínica. Antes, Rossini havia encontrado outros profissionais liberais de carreiras consideradas clássicas pilotando para terceiros, como advogados, engenheiros e administradores.

Como médico, Rossini prevê que a mesma situação do dentista-motorista venha a acontecer com os médicos. Hoje, o Brasil é o país como maior número de faculdades de medicina do mundo, com cerca de 310 escolas. Até o ano 2030 teremos cerca de 700.000 médicos formados no país. Hoje, somos por volta de 400.000, muitos já endividados da graduação por terem utilizado o sistema FIES.

Pode parecer estranho pensar que, em breve, poderemos ter colegas dirigindo Uber. Mas, fatalmente isso acontecerá. Aliás, há anos que outros profissionais vêm trabalhando como taxistas, durante à noite e nos finais de semana. A chegada do Uber facilitou essa migração. Contudo, obedecendo as leis do mercado, sempre existirão profissionais de sucesso.

Laíre Rosado: Patrimônio Nacional

Comentei, anteriormente, que a eleição de Jair Bolsonaro para presidente da República mostrou que o Brasil é um país politicamente dividido. Esse conflito de ideias deverá perdurar por todo seu mandato e mais algum tempo, se chegar a ser reeleito para o cargo.

Os defensores de Bolsonaro não aceitam críticas, justificam e defendem ardorosamente toda e qualquer medida por ele adotada, mesmo que conflitem com a lógica da situação.

A oposição ainda está atordoada. A prisão de Lula e o desmantelamento de uma estrutura política montada ao longo de praticamente 16 anos de mandatos presidenciais não está resistindo à fúria do governo atual, que denomina essa operação de despetização do Brasil.

O depoimento do ministro Sérgio Moro na Comissão de Constituição e Justiça do Senado foi uma prova dessa situação. Protegido pela maioria dos senadores presentes, Moro não teve dificuldades em rebater os argumentos da oposição.

A radicalização ficou patente com os apoiadores do ministro defendendo que nada houve de errado nos diálogos divulgados pelo site “The Intercept”. A oposição defendeu que os diálogos contidos na gravação desmontam completamente a operação Lava-Jato.

Na Grande Imprensa, a mesma coisa. Alguns afirmando que o ministro Sérgio Moro foi o grande vitorioso. Em sentido contrário, outros atestam que ele saiu enfraquecido e o melhor caminho será a renúncia do cargo até que a polícia federal apure os fatos.

E Bolsonaro? Bem, o presidente declarou que Sérgio Moro é um patrimônio nacional e, portanto, permanecerá no cargo

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, durante solenidade de assinatura da MP para confisco de bens de traficantes, no Palácio do Planalto.

Laíre Rosado: Nem Dilma nem Temer

O governo Jair Bolsonaro será permeado por incertezas administrativas.

Antes de assumir, o presidente eleito costumava fazer declarações que eram contrariadas pelo próprio Bolsonaro, no dia seguinte, ou, apenas, poucas horas depois.

Nesta semana, enviou ao Congresso projeto de lei dando autonomia total ao Banco Central.

Ontem, os liberais foram surpreendidos com a informação de que o presidente da República havia telefonado ao presidente da Petrobras para desautorizar um anunciado aumento no preço do óleo diesel.

A repercussão foi imediata e teve, como primeira consequência, prejuízo superior a R$ 32 bilhões, queda das ações da estatal na bolsa de valores e a valorização do dólar. Mais grave ainda pode ser considerada a quebra de confiança entre os empresários e o presidente da República.

No Governo, questiona-se o desprestígio do ministro da Economia, Paulo Guedes. Considerado um superministro, Guedes encontra-se em viagem pelo exterior. Não foi consultado sobre a decisão, nem sequer informado da determinação presidencial.

O ministério de Minas e Energia, a quem a Petrobras está vinculada, divulgou nota negando a interferência do Executivo na empresa, mas o próprio presidente Bolsonaro assumiu ter ligado para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para questionar o aumento.

De resto, é esperar que o Governo consiga encontrar uma diretriz em relação às metas administrativas.

Nos bastidores, comenta-se que Bolsonaro não quer ser chamado uma “Dilma de calças”, a ex-presidente Dilma baixou o preço dos combustíveis, gerando enorme prejuízo à estatal,  nem comparado a Temer que mostrou incompetência ao não conseguir evitar a greve dos caminhoneiros.

LAÍRE ROSADO: Ser ou Estar Ministro

SER OU ESTAR MINISTRO

O ministro da Educação, Ricardo Vélez, participa de audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

Eduardo Mattos Portella era um intelectual na verdadeira acepção da palavra. Baiano de nascimento, foi crítico, professor, escritor, pesquisador, conferencista, pensador, advogado, político e membro da Academia Brasileira de Letras.

Em atividades políticas, pertenceu ao gabinete do presidente Juscelino Kubitscheck entre 1956 e 1961. Foi ministro da Educação no governo militar de João Batista Figueiredo, de 15/03/79 a 26/11/80.

Apesar de ministro de Figueiredo, combatia a censura e apoiou a primeira Greve Nacional dos Professores das Universidades Federais, em 1980. Após declarar esse apoio, foi procurado pela imprensa que o questionou sobre o fato de ser ministro da Educação e apoiar a greve. Sua resposta, hoje, seria viralizada nas redes sociais: “estou ministro. Não sou ministro.” É claro, foi demitido pelo presidente.

O atual ministro da Educação, Ricardo Vélez não tem a grandeza de Portella. Em várias ocasiões o presidente Bolsonaro declarou que o ministro não tem mostrado competência administrativa. Sem comunicar ao ministro fez mudanças em cargos importantes do ministério. Entretanto, o ministro colombiano declarou, esta manhã, que não conversou com Bolsonaro e que não irá deixar o comando do MEC.

Na verdade, apesar da insistência em permanecer no cargo, Ricardo Vélez “está ministro. Não é mais ministro”.

LAÍRE ROSADO: De juventude e de Nouvelle Vague

 

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Um dos meus filhos costuma dizer que teria preferido a experiência de tempos passados do que aproveitar os momentos da juventude nos tempos atuais. Segundo ele, sua geração não tem como sentir as vibrações da juventude dos anos 60. Pode ser que ele tenha razão, mas tudo tem seu tempo certo para acontecer.

Lembro movimentos que marcaram a minha geração, como a bossa nova, a nouvelle vague, os Beatles, a participação dos estudantes no movimento político por meio d representações, como a União Nacional dos Estudantes, UNE, os Diretórios Estaduais e Municipais de Estudantes. Quando ainda inexistiam as redes sociais, estudantes do mundo inteiro acompanhavam a atuação do alemão Daniel Cohn Bendit, estudando na França, que se transformou no ídolo de muitos.

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Não sou crítico de cinema (coluna que existia em todos os grandes jornais), nem conhecedor profundo do que ficou conhecido como a sétima arte, o cinema. A origem do nome vem do teórico italiano, crítico de cinema Ricciotto Canudo que, em 1923, publicou um documento “O Manifesto das Sete Artes”. Sua pretensão era integrar o cinema à categoria das belas artes: música, pintura, escultura, arquitetura, poesia e dança.

Participei das primeiras reuniões com o grupo que criou, ou recriou, o Cine Clube Tirol, em Natal, que teve como sua expressão máxima em Moacyr Cirne. Natal ficou pequeno para Moacyr que, ganhando dimensão nacional, teve que se transferir para o Rio de Janeiro. No grupo, e a essa época, era obrigatória a leitura do “Cahiers du Cinéma” para se ficar atualizado com as transformações do cinema, sobretudo na França. “O Encouraçado Potenkim”, de Sérgio Eisenstein, era considerada a obra máxima, inigualável, do cinema.

Essas memórias ressurgiram com a notícia do falecimento de Agnes Varda, precursora da Nouvelle Vague (Nova Onda) e única mulher a participar do movimento e que filmou mais de 50 títulos. A nouvelle Vague Francesa é considerado um dos mais importantes movimentos da história do cinema.

Em Natal, os filmes nouvelle vague eram projetados no Cine Nordeste, com a vantagem de ser a primeira sala de projeção com ar refrigerado. Alguns ainda são revisitados pela internet, como: Hiroshima Meu Amor, Cléo das 5 às 7 As Duas Faces da Felicidade, Nas garras do vício, Acossado, Os Incompreendidos, Zazie no Metrô, Paris Nos Pertence, Jules e Jim, Os Incompreendidos.

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Em outra oportunidade, quem sabe, voltarei a falar sobre os filmes de Alain Resnais, Jean Luc Goddard, François Truffaut e outros que trouxeram alegria e arte aos cinéfilos de todas as épocas.

Laíre Rosado: Maltratar o presidente da Câmara é caminho para o desastre

A história do país é rica em exemplos de presidentes da República que se desentenderam com o Poder Legislativo e se deram mal. Fazendo uma retrospectiva a partir dos anos 60, tem o exemplo de Jânio Quadros, que se repetiu com Fernando Collor. A ex-presidente Dilma Rousseff também não gostava de dialogar com o Congresso e foi afastada da presidência por um processo de impeachment. Ao que parece, o atual presidente, Jair Messias Bolsonaro, decidiu trilhar pelo mesmo caminho, mesmo tendo a experiência de muitos anos de mandato parlamentar.

São mais de cem dias de administração. A cada dia que passa o governo enfrenta mais problemas, com um detalhe peculiar. As dificuldades não são criadas pela oposição, mas pelos familiares, seus filhos e, depois, pelos próprios aliados.

O presidente Bolsonaro afirma que a reforma da Previdência é sua prioridade de governo. Para que isso aconteça, é necessário uma reforma constitucional, que exige três quintos dos votos dos deputados (308) e dos senadores (49).

O deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, vinha sendo importante aliado, disposto a articular o voto dos deputados. De um momento para outro, passou a ser hostilizado por um dos filhos do presidente, com mensagem retuitada pelo pai. Decidiu renunciar à missão e entregá-la ao presidente da República.

Como observador da cena política, evitando interferir diretamente nos assuntos de governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso faz um alerta a Bolsonaro: “paradoxo brasileiro: os partidos são fracos, o Congresso é forte. Presidente que não entende isso não governa e pode cair; maltratar quem preside a Câmara é caminho para o desastre. Precisamos de bom senso, reformas, emprego e decência. Presidente do país deve moderar, não atiçar”.

Jingles Presidenciais – 1 Getúlio Vargas

JINGLES DE CAMPANHAS PRESIDENCIAIS- 1
GETÚLIO VARGAS

Getúlio Vargas

Jingle de campanha política marca pessoas que atravessam os anos sem esquecer o que ouviu em relação aos candidatos, pouco importando a simpatia pelos nomes festejados. O jingle tem o objetivo de ajudar a eleger o candidato.

Getúlio Vargas assumiu o governo em 1930 através de um golpe militar, sendo deposto por outro golpe, no dia 29 de outubro de 1945. Getúlio retorna ao poder em 1951, desta vez eleito, em 1950, ano em que venceu as elições com quase quatro milhões de votos.

A música de sua campanha foi composta por Haroldo Lobo e Marino Pinto e interpretado por Francisco Alves. Era uma referência ao fato de Getúlio ter determinado que as repartições públicas colocassem o retrato do presidente na parede.
Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar

O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar
O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar

Eu já botei o meu
E tu, não vais botar?
Já enfeitei o meu
E tu, vais enfeitar?

O sorriso do velhinho faz a gente se animar
O sorriso do velhinho faz a gente se animar

“Bota o retrato do velho” foi lançada como marchinha de carnaval, sendo a mais tocada no tríduo carnavalesco de 1950