quarta-feira , 29 de janeiro de 2020
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Laíre Rosado

Laíre Rosado : Saúde em estado de calamidade

 

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O meu retorno à atividade médica fez com que eu voltasse a conviver com as dificuldades enfrentadas pelo setor, nos últimos anos, bem maiores do que a realidade no início dos anos 70, quando iniciei minha vida profissional.

O progresso da medicina e a implantação do SUS passaram a oferecer, teoricamente, maiores oportunidades de saúde ao povo brasileiro.

Acontece que o sistema de saúde no Brasil, como um todo, entrou em colapso. O que acontece em Mossoró pode ser visto em outros estados, inclusive mais ricos que o Rio Grande do Norte.

É doloroso ver o desespero dos familiares dos pacientes quando não conseguem o atendimento adequado, sobretudo nos casos em que se faz necessário o atendimento em uma Unidade de Terapia Intensiva.

O Hospital Regional Tarcísio Maia, suporte principal para o atendimento de emergência em nossa cidade foi inaugurado em 10 de maio de 1986, ou seja há quase 34 anos. Durante esse período, fecharam várias clínicas e hospitais privados em Mossoró. O HRTM, é fácil entender, não tem estrutura para atender à grande demanda que vem aumentando gradativamente a cada ano.  Aumentou a população idosa, sempre necessitando cuidados imediatos.  Concomitantemente, cresceu o número de pacientes encaminhados de outros municípios.

Faltam recursos para a construção de novos leitos. Mas, também, não existe verba suficiente para a manutenção dos serviços atualmente existentes. A judicialização da saúde, segundo os gestores, é outra causa de desequilíbrio dos orçamentos, que já não atendem às ações planejadas. Se antes eram apenas os mais ricos que tinham acesso a esse recurso, hoje, o socorro judicial também está universalizada.

No caso de Mossoró, a população não pode nem deve esperar que uma solução urgente venha somente a partir do poder público. É necessário uma mobilização ampla, urgente, de órgãos representativos da sociedade organizada, buscando forçar ou viabilizar uma solução, antes que o caos se instale na saúde e aumente o número de óbitos, por falta do atendimento adequado, hoje já bastante elevado.

 

 

Laíre Rosado: Desistência das redes sociais

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Tenho escutado muitas pessoas afirmando que estão desistindo das redes sociais. Os assuntos políticos estão se tornando insuportáveis e muitos amigos não conseguem fazer comentários com moderação.

O que se escuta no dia a dia foi confirmado em pesquisa realizada pelo DataFolha. Também é uma comprovação de que a população está politicamente dividida, sobretudo por conta do clima bolsonariano que o país está vivendo.

A pesquisa mostra que 51% dos brasileiros que usam a rede social desistiram de continuar fazendo comentários ou compartilhando conteúdo sobre política. O geral, uiima em cada quatro pessoas saiu de algum grupo para não discutir, enquanto 19% deixaram de seguir ou bloquearam o perfil de um amigo ou de um familiar.

Outro aspecto desse comportamento é o aumento das fake News que confundem as verdadeiras notícias.  59% dos entrevistados dizem que elas servem mais para divulgar notícias falsas do que informar.

O Whatsapp é hoje a rede mais popular, com 71% de usuários, seguido pelo Facebook com 60%, Instagram 42$ e o Twitter 14%.

Laíre Rosado – Internet e Eleições

A Câmara e o Senado realizaram pesquisa nacional de opinião pública para conhecer o comportamento eleitoral do brasileiro em relação às redes sociais.

O DataSenado entrevistou 2.400 cidadãos em todos os estados e os resultados da pesquisa foram discutidos no último dia 12 e dezembro.

Foi observado que o conteúdo nas redes sociais têm grande influência sobre a opinião das pessoas, com as informações influenciando na decisão de voto nas eleições, sobretudo no público mais jovem.

Na busca da informação, o WhatApp é utilizado por 79% dos entrevistados, enquanto 50% responderam preferir a televisão. Outros 49 % sempre se informam pelo You tube.

É interessante notar que o público jovem usa mais as redes sociais e também dá mais valor a informações nesses meios para sua decisão de voto. 51% dos entrevistados desse grupo responderam que levaram as redes sociais em consideração na hora de escolher seu candidato.

O impacto das mídias sociais também é maior entre eleitores que se consideram de direita, pessoas com escolaridade mais alta e pessoas com renda familiar mais alta.

As redes sociais mudaram não apenas o modo de agir dos eleitores, mas, sobretudo, dos candidato que precisam se adaptar a essa nova realidade na eleições futuras.

Presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais

As redes sociais derrubaram o ditador egípcio Hosni Mubarak. O arquiteto Ahmed Maher fundou o Movimento 6 e Abril que se tornou um dos principais grupos de jovens ativistas no país que, utilizando-se da Internet, se organizaram de forma rápida, ganharam o apoio da população e derrubaram  um ditaador que se mantinha no poder por mais de 31 anos no poder

No lado ocidental, o ex-presidente Barak Obama soube usar as redes sociais com habilidade, atraindo eleitores jovens para sua campanha. Na presidência, continuou nas redes, usando o Twitter com frequência. Foi o primeiro presidente da Repúblcia a fazer um vídeo ao vivo no Facebook e a postar uma foto com filtro no SnapChat.

Donald Trump construiu grande parte de sua campanha eleitoral através de tweets. Mesmo antes de concorrer à presidência ele era muito ativo, respondendo e retuitando outros usuário. Interagia principalmente com usuários comuns quando eles o elogiavam ou diziam que ele devia se candidatar à presidência. E também rebatia quando se sentia insultado.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro é considerado “um mestre das redes sociais”.  Quase sempre é auxiliado pelos familiares e, segundo os adversários, vários robots são utilizados em sua comunicação. Utiliza-se de vídeos explosivos, como o de um folião urinando em outro durante o carnaval, defende os filhos, agride jornalistas e provoca adversários. O fato é que Bolsonaro conta hoje com cerca de 25 milhões de seguidores nas redes sociais, sendo considerando o presidente mais engajado na América Latina.

 

Laíre Rosado – Cinquentenário

Há cinquenta anos, em um 13 de dezembro, voltava, em definitivo, à Mossoró. Na véspera, havia recebido o diploma de médico pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, depois de dez anos estudando em Natal. Desde sempre ao meu lado, Sandra Maria da Escóssia Rosado, nesse mesmo mês, havia concluído o segundo grau, na Escola Doméstica de Natal e dias depois, para minha alegria, era aprovada no vestibular para a Faculdade de Serviço Social na Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte. Nessa época, é claro, já estávamos namorando, o que significa mais de 50 anos de entendimento. Depois, Sandra concluiu o curso de direito na Universidade Potiguar do RN.

É muito tempo, mas lembro que meu irmão, Laéte Gurgel Rosado, foi nos deixar na Estação Rodoviária, em frente à Faculdade de Direito, para que embarcássemos em um ônibus da Viação Nordeste, com destino à Mossoró. Olhou para mim, muito sério, e disse, “meu irmão, a partir de hoje, você inicia uma nova vida. Tenho certeza que você será vitorioso como médico, em Mossoró. No próximo ano, será minha vez”. Laéte, passava a cursar o 6º ano de medicina. Estava mais emocionado que eu.

Ontem, 12 de dezembro, 1969, foi a cerimônia de colação de grau. A primeira reunindo todas as faculdades, com um orador escolhido pelo próprio diretor da Faculdade de Medicina. Quase que todas as faculdades, nos dias que antecederam a grande festa, realizaram suas colações de grau, isoladamente. A solenidade foi na Praça Cívica, antes, praça Djalma Maranhão. Realizamos a nossa no Teatro Alberto Maranhão e fui escolhido para ser o orador.

Não gosto de falar na primeira pessoa, mas voltarei ao assunto, porque muitos fatos que aconteceram no mundo acadêmico dessa época merecem registro, por terem acontecido durante o regime militar. São fatos que não foram registrados, porque vividos unicamente no meio acadêmico e, muitas vezes, às escondidas, para evitar prisões e torturas praticadas pela repressão militar existente no momento.

Laíre Rosado: ASSINATURA DIGITAL

O Tribunal Superior Eleitoral, por 4 x 3, decidiu ser possível utilizar assinatura eletrônica legalmente válida nas fichas ou listas expedidas pela Justiça Eleitoral para apoiamento à criação de partido político.

Embora numa votação apertada, diferença de apenas um voto, a medida se enquadra nos critérios de modernidade do sistema eleitoral brasileiro. Nesse sentido, o ministro Luiz Salomão comparou a forma digital de coleta de assinaturas à urna eletrônica, enquanto o processo de coleta manual de assinaturas seria como a obsoleta votação por cédulas.

No STF, em alguns processos, os ministros já apresentam seus votos pela Internet. O Congresso Nacional estuda fazer o mesmo em relação aos votos de deputados e senadores.

Quem sabe, em futuro próximo, o eleitor poderá também escolher seus candidatos a cargos eletivos, confortavelmente instalado em sua residência, por meio do voto eletrônico.

Laíre Rosado – Mossoró contra o Proedi

Faltou sensibilidade política ao Governo Fátima Bezerra ao instituir o programa de isenção fiscal concedido à indústria, que poderá causar prejuízo superior a R$ 87 milhões aos municípios. Isso, sem considerar os reflexos das perdas do ICMS no FUNDEB e FSUS.

Enquanto os municípios enfrentarão prejuízos, o Estado alega que terá incremento de R$ 2.265.637,03 a cada mês, com essa mudança de Proadi para Proedi.

Os municípios, prejudicados com essa mudança, estão entrando com ações junto ao Tribunal de Justiça do RN, onde, preliminarmente, deverão ter ganho de causa.

A decisão do Executivo é tida como inconstitucional, pois está disposto no art. 150, inciso I, §6º. Da Carta Magna e o art.96 da Constituição estadual, há necessidade de lei estadual específica para a concessão de crédito presumido com relação ao ICMS, o que não aconteceu.

O incentivo governamental foi concedido de forma unilateral, portanto, inconstitucional em sua origem. Depois, o referido decreto não estima o impacto orçamentário e financeiro do benefício fiscal, como exigido no art. 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

No caso de Mossoró, a prefeita Rosalba Ciarlini, em boa hora, seguiu o exemplo da prefeitura de Natal e recorreu ao TJRN contra a adoção do PROEDI, que trará grandes prejuízos ao município.

Laíre Rosado: Pacote da Crueldade

PACOTE DA CRUELDADE

O presidente Bolsonaro pode comemorar a aprovação da Reforma da Previdência, até com certa facilidade, no Congresso Nacional. Os ex-presidentes Lula e Temer também tentaram, mas não conseguiram.

O melhor momento para um presidente conseguir aprovar medidas dessa natureza é logo após sua posse, quando ainda recebe apoio de grande parte da população. À medida que o tempo vai passando, ações desse tipo vão ficando mais difíceis de aprovação, política e popular.

Bolsonaro encaminhou ao Congresso o projeto de reforma da Previdência no momento certo.  Entretanto, os parlamentares têm o mérito maior da aprovação dessa proposta. O Executivo atrapalhou mais do que ajudou. É por isso que o governo precisa entender que não foi apenas sua força de poder que conseguiu aprovar a reforma da Previdência. O momento nacional exigia essa transformação previdenciária e isso foi entendido pelos parlamentares.

Envaidecido com essa vitória junto ao Congresso, o presidente Bolsonaro ousou encaminhar outras duas medidas polêmicas, a extinção do DPVAT e o desconto para previdência do seguro desemprego.

Certamente, o governo vai enfrentar forte resistência no Congresso para ver aprovadas essas duas medidas.

O seguro desemprego é a única forma das famílias sobreviverem no tsunami do desemprego que toma conta do país. Taxar quem não tem emprego é uma grande crueldade, semelhante ao tentar endurecer a concessão da aposentadoria rural, medida derrubada pela Câmara.

O envio da mensagem pelo presidente Bolsonaro, propondo a extinção do DPVAT e o desconto para previdência do seguro desemprego, foi logo batizado como “o pacote da crueldade” e, é mais provável que seja rejeitado pelo Congresso Nacional.

Laíre Rosado: Conquistas femininas na Islândia

Fotografia: Ólafur K. Magnússon
Fotografia: Ólafur K. Magnússon

Estava acostumado a ouvir maravilhas sobre a Islândia, também conhecida como Terra do Gelo. O nome da capital, Reykjavic despertava a curiosidade dos alunos

É um país com apenas 322.600 habitantes, usufruindo de elevado padrão social, com PIB per capita de 66.033 dólares – um dos maiores do planeta – mais que o dobro do PIB brasileiro, atualmente em queda.

Agora, leio no The Intercept Brasil, que nesse país nórdico classificada pela ONU como o 3º país mais desenvolvido do mundo, também havia grande diferença entre gêneros, com as mulheres trabalhadoras ganhando menos de 60% do salário dos homens.

Em 24 de outubro de 1975, em sinal de protesto, as mulheres islandesas resolveram tirar “um dia de folga”, quando as mulheres não iriam ao trabalho e não tinham nenhuma tarefa doméstica. A ideia era demonstrar a importância delas para o país.

As islandesas tiveram o cuidado de não chamar o movimento como sendo greve, mas um dia de folga. Nesse dia, os jornais do país não foram impressos, porque as tipógrafas eram quase todas as mulheres. O mesmo com os telefones, pois só havia telefonistas.

Uma demonstração direta do sucesso do movimento foi a eleição, 5 anos depois, de Vigdís Finnbogadóttir, a primeira mulher presidente do país.

No Brasil, a conquista de espaços pelas mulheres tem se mostrado muito mais lenta do que o registrado na Islândia, a Terra do Gelo

Laíre Rosado: 30 anos de Constituição Estadual

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A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte programou alguns eventos para comemorar o Trigésimo Aniversário da Constituição Potiguar. Ontem, foi a homenagem aos constituintes de 1989, os que elaboraram essa Constituição e, entre os quais, estou incluído.

Confesso que fiquei emocionado. Dos 27 deputados que participaram da formatação dessa Constituição, cinco faleceram. Quatro deles continuam exercendo mandato na Assembleia, Getúlio Rego, Raimundo Fernandes, José Dias e Vivaldo Costa. O reencontro com os ex-colegas deputados foi comemorado por todos.

Fui eleito deputado estadual em 1986, integrando a bancada majoritária do PMDB na 54ª legislatura. Nesse pleito, fui o mais votado no Estado. Um detalhe digno de registro foi que, somente com a votação recebida em Mossoró, 14.213 votos, teria sido eleito deputado estadual. Entretanto, deixando os votos de Mossoró, os 10.489 votos restantes, recebidos nos demais municípios, também teriam garantido minha eleição.

Claro que fiquei feliz com esse resultado, fruto de um trabalho intenso durante quatro anos, além da força do ex-deputado Vingt Rosado, responsável maior por esse resultado. Mas, não fiquei envaidecido com o resultado. Tive ainda a alegria de construir grandes amizades, que persistiram durante todo esse tempo.

Nessa época, o governador do estado era Geraldo Melo que sempre me prestigiou, inclusive, ajudando muito, na minha primeira eleição como deputado federal. Foi um político que sempre admirei, pela inteligência e na persistência em governar um Estado durante doze anos, três mandatos, dirigido por adversários.

Aliás, nessa sessão de ontem, estiveram presentes a governadora Fátima Bezerra e três ex-governadores, Geraldo Melo, Robinson Faria e Vivaldo Costa.

O deputado Getúlio Rêgo, no décimo mandato de deputado estadual, portanto, o decano, falou em nome dos homenageados. Levou filhos e netos para o evento. Não conseguiu conter a emoção, sentimento que foi transmitido aos que estiveram na solenidade.

Foi um dia de boas recordações.