segunda-feira , 22 de julho de 2019
Home / Opinião / Enfoques Espíritas (page 5)

Enfoques Espíritas

Com Francinaldo Rafael
[email protected]

Francinaldo Rafael – Organização política no Mundo Espiritual

Em períodos de campanhas eleitorais no Brasil, as cenas são velhas conhecidas: candidatos se digladiam no jogo de palavras, nas propostas para atrair o eleitor. Mas também há aqueles cujas condutas para chegar ao poder não são nada recomendáveis do ponto de vista moral. Alcançado o desejado cargo não há somatórios de esforços entre eles para o benefício das pessoas.  A disputa  continua durante todo o mandato.

No Mundo Espiritual, a organização politica se dá de forma oposta. O trabalho é de união pelo bem comum, conforme narra o Espírito André Luiz através do médium espírita Chico Xavier. Tomemos como exemplo a cidade espiritual Nosso Lar, fundada por portugueses desencarnados no Brasil no século XVI. Nela, o Governador Espiritual é cercado por setenta e dois Ministros, sendo que cada grupo de doze toma conta de um dos seis Ministérios. Algo ainda inimaginável de ser praticado aqui na Terra.

Os Ministérios de Nosso Lar são: da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina. Diz André Luiz que: “Os quatro primeiros nos aproximam das esferas terrestres, os dois últimos nos ligam ao plano de transição, visto que a nossa cidade espiritual é zona de transição. Os serviços mais grosseiros localizam-se no Ministério da Regeneração, os mais sublimes no da União Divina”.

O Governador  é incansável. Quase nunca repousa e sua glória é o serviço permanente cuja assistência carinhosa atinge a tudo e a todos.  Mesmo diante de dificuldades que surgiram em determinado período, convocava os adversários e expunha-lhes de forma paternal os projetos e destacava a superioridade dos métodos de espiritualização. E assim ia ganhando maior número de adeptos. Quando a obra que traz essas informações foi lançada (1944), não fazia muito tempo que haviam comemorado em Nosso Lar os 114 anos da magnífica gestão dele.

Diante desses relatos percebe-se que na Terra o processo de evolução social e política da criatura humana tem sido lento. Conforme comenta o Espírito Otávio Mangabeira, “o tirano tem governado mais do que o sábio. O guerreiro tem estado à frente dos países mais do que o pacificador. Os ditadores dominaram mais povos do que os idealistas. E embora essas lições amargas da História, o ser humano em particular e os povos em geral não aprenderam a eleger os seus dirigentes”.

Mas não podemos desanimar. Afirma Mangabeira que virá o dia “no qual o homem despertará em definitivo para a mudança do próprio comportamento em relação ao próximo, particularmente aquele que assume a governança dos povos, conduzindo altíssima responsabilidade perante a própria como a Consciência Cósmica de que não se evadirá”.

Uso da psicografia nos tribunais – parte II

O doloroso e longo processo criminal que acusava o jovem José Divino de haver assassinado o amigo Maurício Henrique Garcez, teve desfecho de forma surpreendente. Levando em conta uma carta psicografada pelo médium Chico Xavier, na qual o próprio “morto” inocentava o amigo, o juiz Orimar de Bastos absolveu o acusado.

No dia 30 de setembro de 1979 em entrevista ao programa Flávio Cavalcanti exibido pela Rede Tupi de Televisão, o juiz Omar de Bastos fez questão de prestar os seguintes esclarecimentos: “Não sou espírita, sou católico”. Depois analisar as provas, de observar as perícias “(…) nós deparamos também com aquela carta psicografada. Foi justamente ela que nos deu um pequeno subsídio. (…) Coincidia justamente com o depoimento do acusado prestado durante o interrogatório. E aquilo nos trouxe a convicção de realmente o acusado falara a verdade no interrogatório”.

Com relação a admissão das provas, o art. 155 do Código de Processo Penal, determina: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas”. Com isso, verifica-se que não há limitação dos meios de provas. O próprio Código de Processo Civil, no art. 332, admite: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”.

 Não é comum o uso da psicografia nos tribunais.  Como ela vem de Espíritos, seres que estão em um plano invisível e inacreditável para muitos,  necessita de ser associada a provas. A carta citada inicialmente, assinada pelo Espírito Maurício Garcez traz a  assinatura dele, que submetida a exame grafoscópico comparando-a com a cédula de identidade, deu legitimidade à mensagem. Nessa temática, um trabalho minucioso intitulado Psicografia à Luz da Grafoscopia foi realizado pelo perito grafotécnico Carlos Augusto Perandréa, que mostra a certeza da verificação de documentos psicografados, podendo atestar autenticidade e autoria. Outra coisa importante que é preciso se levar em conta para uso da psicografia nos tribunais, é o caráter, a conduta do médium. Nesse caso que citamos, Chico Xavier se encaixa perfeitamente num perfil acima de qualquer suspeita.

Depois da sentença, o Juiz Orimar de Bastos foi bastante criticado por  alguns colegas, taxado de juiz do Além; mas não se incomodou com isso. Perguntado como distinguir um caso autentico de psicografia  de uma fraude que poderia ludibriar a justiça, respondeu tranqüilo: “Isso é um risco que acontece no judiciário todos os dias. A gente vê fraudes frequentes em outros casos”. O notável advogado e autor de vários livros Dr. José de Freitas Nobre afirmou em artigo: “o juiz Orimar de Bastos teve o privilégio de iniciar uma nova visão interpretativa do crime”.

Como nada acontece por acaso, depois de tudo, Orimar de Bastos recebeu de Chico Xavier, uma psicografia do Espírito Adalberto Pereira que, quando encarnado, fora juiz na cidade de Anápolis (GO), enaltecendo seu trabalho e informando que tudo já havia sido planejado pelo Mundo Espiritual, e que vários amigos do invisível também haviam examinado o processo, auxiliando-o no seu espírito analítico.

Atualmente o juiz Orimar de Bastos está aposentado, tornou-se espírita e é membro da Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas (Abrame).

Francinaldo Rafael – Uso da psicografia nos tribunais – parte I

Na semana que passou, jornais cearenses relataram o fato de uma carta psicografada ter colaborado para a identificação de uma ossada humana. Surpreso, o inspetor que investiga o caso disse que o inquérito foi reaberto.

Não é novidade acontecimento desse tipo. Em julho de 1982, uma decisão do Juiz Orimar de Bastos causou grande repercussão no Brasil e no exterior. Levando em consideração uma psicografia, absolve o estudante José Divino Nunes, que casualmente havia matado o amigo  Maurício Garcez Henrique.

No dia 8 de maio de 1976, na cidade de Goiânia (GO), uma brincadeira com revólver ocasionou a morte de um jovem e, consequentemente, originou um drama que se arrastou por anos. Na residência dos pais, ao pegar numa arma de fogo pela primeira vez, o estudante José Divino Nunes, de 18 anos, atingiu o inseparável amigo Maurício Garcez Henrique, 15 anos, com um tiro no tórax. Conduzido às pressas ao hospital, Maurício faleceu antes de receber os primeiros socorros.

Aberto o inquérito  para apuração dos fatos, desde a primeira declaração dada à autoridade policial, José Divino afirmou que nunca pensou em matar Maurício; que tudo não passara de uma terrível fatalidade. Eram vizinhos, colegas de escola e amigos íntimos havia quatro anos. Toda a versão narrada por Divino coincidia com os dados técnicos da reconstituição realizada pelos peritos.

Seis dias após o incidente, aquela família católica recebeu a visita espontânea de D. Augustinha Soares e D. Leila Inácio, que traziam mensagens mediúnicas dos filhos que já haviam partido para o além. Foi a primeira vez que tomaram conhecimento de que os mortos escrevem, afirmou o pai de Maurício Garcez. Sentindo que as cartas vindas do Mundo Espiritual eram convincentes, resolveram  buscar orientação e paz, à luz do espiritismo. Após algumas visitas a Chico Xavier, receberam notícias do filho, enviadas através de Espíritos amigos. Eis que em 27 de maio de 1978, Maurício envia a primeira carta psicografada aos pais. Em um dos trechos diz: “(…) Peço-lhes não recordar a minha volta para cá, criando pensamentos tristes. O José Divino e nem ninguém teve culpa em meu caso. Brincávamos a respeito da possibilidade de se ferir alguém, pela imagem no espelho; sem que o momento fosse para qualquer movimento meu, o tiro me alcançou, sem que a culpa fosse do amigo, ou minha mesmo (…)”. Os pais, comovidos com o recebimento dessa primeira carta,  não tiveram dúvidas em divulgá-la,  juntamente com uma cópia da cédula de identidade de Maurício, mostrando a semelhança da assinatura em ambos os documentos. A carta foi anexada aos autos do Processo Judiciário, tornando-se peça relevante tanto para o advogado de defesa, quanto ao Juiz responsável. Em um dos trechos da sentença, diz o Meritíssimo Juiz Orimar de Bastos: “(…) Temos que dar credibilidade à mensagem (…), embora na esfera jurídica ainda não mereceu nada igual, em que a própria vítima, após sua morte, vem relatar e fornecer dados ao julgador para sentenciar”.

 Levando em conta o relato da carta de Maurício Garcez psicografada pelo médium Chico Xavier, que em nada divergia das declarações do acusado no seu interrogatório, no dia 16 de julho de 1979, o Juiz Orimar de Bastos declarou absolvido o estudante José Divino Nunes.

Francinaldo Rafael – Mediunidade: ponte entre dois mundos

As manifestações mediúnicas tem seus registros nas páginas da História.  Os Espíritos nunca deixaram de se comunicar com os homens e a mediunidade sempre esteve presente na vida dos indivíduos, bem como no seio das religiões, desde o totemismo.

 O Espírito Emmanuel informa através da psicografia do médium espírita Chico Xavier que, o Evangelho é um livro de mediunidade por excelência. Vejamos alguns pontos: o Espírito Gabriel entra em contato com Zacarias prevendo o nascimento de João Batista; em seguida procura Maria de Nazaré anunciando-lhe a vinda de Jesus; um amigo espiritual conversa com José da Galiléia sobre esse mesmo assunto, dentre muitos outros.

 Na noite de 31 de março de 1848, em Hydesville, Estado de Nova York (EUA), na casa da família Fox as meninas Kate e Margaret estabeleceram diálogo com o  Espírito Charles Rosma.

São muitos os casos de vidência mediúnica na existência dos Santos da Igreja Romana. A clarividência na vida  de Sta. Teresa D`Ávila é por ela mesma atestada na sua  autobiografia, assim como Sta. Margarida Maria Alacoque. Temos ainda relatos sobre fenômenos vivenciados por D. Bosco, Cura D`Ars, Sta Catarina Labouré.

No Brasil destacamos entre outros, o saudoso Francisco Cândido Xavier que por via mediúnica psicografou mais de quatrocentos livros e Divaldo Franco com mais de duzentas obras, abordando os mais amplos assuntos.

A mediunidade, conhecida por uns e envolta em mitos e superstições por outros, é inerente a todos nós independente do credo religioso e serve de ponte entre o mundo  físico e o extra físico. Em algumas pessoas se apresenta de forma ostensiva e em outras de modo quase imperceptível. Semelhante às demais faculdades do ser humano, exige estudo e cuidados especiais como também exercício correto dentro dos princípios éticos e morais.

 

Francinaldo Rafael – A grande transição

Há diferença entre o grau de adiantamento ou de  inferioridade dos diversos mundos. A Terra faz parte  daqueles em estágio de provas e expiações, onde o mal ainda predomina. Para que seus habitantes  sejam felizes é preciso  que somente Espíritos propensos ao bem a povoem.

Vive-se no nosso planeta atualmente, o momento da grande transição, de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração, onde o bem prevalece. Conforme o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, obreiros do Senhor se sucederão ininterruptamente alterando os hábitos sociais, os costumes morais, a literatura e a arte, o conhecimento geral, ciência e tecnologia. Serão despertados os interesses mesmo daqueles que encontram-se adormecidos.

As alterações que se observam são de natureza moral, convidando o ser humano à mudança de comportamento para melhor, alterando os hábitos viciosos, a fim de que se instalem os modelos de justiça, do dever, da ordem e do amor.

Antes, porém, de chegar esse momento, a violência, a sensualidade, a baixeza, os escândalos, a corrupção atingirão níveis jamais pensados, alcançando o fundo do poço, enquanto as enfermidades degenerativas, os transtornos bipolares de conduta, as cardiopatias, os cânceres, os vícios e os desatinos sexuais clamarão por paz, pelo retorno à ética, à moral, ao equilíbrio.

Graças a misericórdia divina, milhões de Espíritos nobres oriundos de outras esferas, estão descendo à Terra para o enfrentamento inevitável entre o amor abnegado e a violência destrutiva. Missionários que estiveram empenhados na educação e na solidariedade em reencarnações anteriores, estarão também retornando, contribuindo para a construção da nova mentalidade, desde o berço, facilitando as alterações que já estão ocorrendo.

Tal qual ocorre em outros planetas, chega o momento em que a Terra ascenderá na escala dos mundos, conduzindo seus filhos. Como em toda batalha, momentos difíceis surgirão exigindo fortalecimento pela oração e estabilidade emocional. Nunca, porém, estaremos a sós. Jesus, nosso e guia, permanece velando-nos diuturnamente.

Francinaldo Rafael – Eutanásia não!

Rico e bem sucedido, o jovem Will tinha uma vida intensa. Viagens, esportes radicais, conquistas as mais diversas. Em dia chuvoso, ao atravessar a rua é atingido por uma moto. O acidente deixa-o tetraplégico. Preso a uma cadeira de rodas e com a saúde frágil, dependerá de cuidadores todas as horas. A situação o abala profundamente ao ponto de pensar na possibilidade da eutanásia, prática controlada e assistida por especialistas pela qual se abrevia a vida de um doente incurável.

O fato citado é enredo do filme “Como eu era antes de você”. Mas poderia ser real.

Afinal de contas, alguém tem o direito de abreviar a vida, mesmo em circunstancias dolorosas como essa? Reflitamos à luz da imortalidade.

O Espírito Emmanuel através da psicografia do médium Francisco Cândido Xavier afirma que o homem não tem o direito de praticar a eutanásia em nenhuma situação, mesmo que essa aparente ser medida de caridade. “A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito da vida imortal. Além do mais, os desígnios divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens não pode decidir nos problemas transcendentes das necessidades do Espírito”. Em outra oportunidade, tratando novamente do assunto, Emmanuel enfatiza que quando nos encontrarmos diante de alguém que a morte parece cercar, recordemos que a vida prossegue além desse fenômeno de renovação.

O Espírito André Luiz através do referido médium, apresenta o caso verídico de Cavalcanti, que na sua agonia final teve a vida abreviada pelo médico, aplicando-lhe a chamada “injeção compassiva”. Em poucos instantes estava morto, para um espectador comum. Porém, relata André Luiz, que Cavalcanti encontrava-se preso ao corpo inerte e incapaz de qualquer reação. A carga fulminante da medicação, por atuar diretamente em todo o sistema nervoso, atinge os centros do organismo peris­piritual, levando-o a permanecer colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, inva­dido, ele mesmo, de estranho torpor. A separação total do Espírito da matéria, só se deu após vinte horas de trabalho intenso dos operários do Mundo Espiritual.

Orienta André Luiz: “Quando passardes ao pé dos leitos de quantos atravessam prolongada agonia, afastai do pensamento a ideia de lhes acelerardes a morte! Ladeando esses corpos amarrotados e por trás dessas bocas mudas, benfeitores do plano espiritual articulam providências, executam encargos nobili­tantes, pronunciam orações ou estendem braços amigos!”.

E, sabiamente, alerta a todos nós que ainda temos a visão limitada acerca dos traços gerais do ser humano: “…por amor aos vossos sentimentos mais caros, dai consolo e silêncio, simpatia e veneração aos que se abeiram do túmulo! Eles não são as múmias torturadas que os vossos olhos contemplam, destinadas à lousa que a poeira carcome… São filhos do Céu, pre­parando o retorno à Pátria, prestes a transpor o rio da Verdade, a cujas margens, um dia, também vós chegareis!”.

Francinaldo Rafael – Carência afetiva

Algumas reportagens recentes mostraram mais um sedutor que enganava mulheres. Através das redes sociais aproximava-se das vítimas e, depois de iniciar um relacionamento, criava estórias que as sensibilizava.  Desse modo conseguia facilmente tirar dinheiro delas.

Dado as circunstâncias dos fatos, as vítimas, talvez, apresentassem em comum, o mesmo ponto fraco: carência afetiva. Agora estão todas com seus sentimentos feridos, autoestima abalada, sem contar com a subtração dos bens materiais, em busca de justiça.

Necessário se faz  que pessoas acometidas por esse tipo de agressão, busquem superar as lembranças amargas do insucesso anterior, não recuando diante de novas oportunidades de relacionamento que venham a surgir.

Conforme esclarece o Espírito Joanna  de Ângelis através da psicografia do médium espírita Divaldo Franco, “não se pode mensurar todas as pessoas com os dados adquiridos na convivência com alguém. O desacerto em um relacionamento deve ensinar como não mais comportar-se em nova ocasião. Para tanto, torna-se imperiosa a conduta de libertação da mágoa, abrindo-se ao milagre do amor. (…) Cultivar-se, porém, os ressentimentos que decorrem das experiências malogradas, cuja finalidade é proporcionar amadurecimento psicológico, desenvolvimento emocional, não passa de capricho infantil”.

Tramas desagradáveis como esse tipo citado na mídia e que podem envolver a qualquer um de nós, apesar de sua rudeza, trazem à tona a necessidade que temos de melhor lidarmos com  nossos sentimentos. O que não podemos perder de vista é  a certeza de que, conforme nos afirma a Benfeitora Espiritual, “o amor é portador da magia renovadora que tudo apaga e consome, abrindo infinitos espaços para a instalação da felicidade. Ninguém existe, que haja transitado pelos sublimes caminhos do amor, sem que tenha experienciado algum tipo de desafio, que nunca se deve transformar em ressentimento”.

Francinaldo Rafael – Intolerância e fanatismo

Eis que o mundo é sacudido nesse domingo (12) com o noticiário sobre a tragédia ocorrida na boate Pulse, em Orlando (EUA), frequentada pelo público LGBT. Um rastro de pelo menos 50 mortos e tantos outros feridos foi deixado pelo americano  Omar Siddique Mateen, de 29 anos.

 Em entrevista a um canal de televisão, o pai dele apontou  a homofobia como possível causa da chacina. Há aproximados dois meses, Mateen ficara transtornado quando vira dois homens se beijarem e nutria ódio a comunidade homoafetiva. O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade, qualificou Mateen como um “soldado do calificado” e que Deus o permitiu  “atacar os imundos cruzados (…)”.

Vivemos dias extremistas, onde casos de intolerância e fanatismo tem alimentado cotidianamente a mídia. Cabe-nos parar e refletir um pouco sobre nosso comportamento no exercício da convivência, especialmente no respeito ao próximo.

Afirma o Espírito Joanna de Ângelis através da psicografia do médium espírita Divaldo Franco que a intolerância e o fanatismo muitas vezes surgem e impõem-se sem respeito as regras, dando lugar a sofrimentos evitáveis. “Ambos são heranças persistentes dos estágios primários, responsáveis pelo processo da evolução”. Prossegue:  “O intolerante assim como o fanático somente veem o que lhes apraz, aquilo que consideram real e, portadores de narcisismo, mantêm a presunção pessoal de que, pelo fato de aceitarem essa conduta, todas as demais pessoas estão equivocadas quando pensam de maneira diferente. (…)A intolerância é mazela da alma que torna irritadiça a pessoa que a sofre, impulsionando-a à tomada de atitudes duras e insensíveis quanto aos resultados. O fanático, por sua vez, abraçando o comportamento que lhe parece real e superior, também se torna indiferente aos efeitos que advenham para aqueles que se movimentam em área diversa da sua. (…) A história está abundante desses indivíduos que cometeram crimes hediondos, ora em nome da fé religiosa, noutros momentos em nome de comportamentos políticos, culturais, desportivos, artísticos e de variada denominação. Acreditam-se honestos e fiéis aos sentimentos que os animam e esforçam-se para mudar a estrutura da sociedade, tornando-se inimigos do amor e da compaixão, geradores de sofrimentos e amarguras”.

Apresentando um ângulo iluminativo, a Benfeitora Espiritual afirma: “Ninguém tem o direito de engessar as mentes e os sentimentos alheios nas suas fórmulas, exigindo que se pense conforme lhes é imposto. (…) Não há, pois, razão, nunca, para manterem-se atitudes de intolerância e de fanatismo, porque a vida é feita de bênçãos, de equilíbrio e de beleza”. E conclui afirmando que enquanto a intolerância e o fanatismo geram guerras, a gentileza e a liberdade produzem paz, facultando alegria e essência superior.

 

Francinaldo Rafael – Transtornos obsessivos

Conforme relato do psiquiatra Dr. Jorge Andréa dos Santos, membro da Associação Médico-Espírita do Brasil, “o psiquismo humano está sujeito a interações cada vez mais intensas. Como nossa vida mental será resultado de muitas etapas (reencarnações), as ligações apresentam profundas relações não só com os fatores e experiências presentes, mas também com as fontes e registros de todo o nosso passado”.

A Doutrina Espírita trata do tema obsessão de forma didática, que torna compreensível o processo da influência espiritual do ser desencanado no psiquismo do encarnado. Vejamos então: a obsessão simples é observada quando há pouca interferência espiritual nas correntes mentais do atingido; a obsessão-fascinação é um processo mais grave, no qual as ondas do emissor são recepcionadas e assentadas na mente receptora, fazendo parte da estrutura do pensamento. O indivíduo fica como que totalmente envolvido pelas sugestões do Espírito obsessor e passa a não distinguir mais o certo do errado. Já a obsessão-subjugação traduz um bloqueio intenso da vontade, as resoluções do psiquismo estarão subordinadas ao jugo das ondas emitidas pela entidade,  que passa a comandar de modo integral o obsidiado. Influências de Espíritos rancorosos podem levar suas vítimas a de alguma forma afastarem-se das possibilidades de serem ajudadas, só pelo prazer da vingança ou sede de destruição.

O Espírito Joanna de Ângelis, através da psicografia de Divaldo Franco, nos alerta que “favorecendo o otimismo, este produz a vitalização dos centros do equilíbrio psicofísico, reabastecendo  de  energias compatíveis as engrenagens eletromagnéticas do campo mental, vitalizando os fulcros debilitados da fomentação de forças mantenedoras da vida.”

Jesus na condição de Terapeuta Divino, prescreveu contra os flagelos da obsessão: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”. Advertiu também: “Fazer ao próximo somente o que desejar que este lhe faça.”Agindo desta forma, estaremos desfazendo os laços de animosidades que ainda encontram-se fixados em muitos de nós e despertando para o bem e para a felicidade.

Francinaldo Rafael – Momentos de aflição e prova

Momentos de aflição e prova surgem pelo caminho, inesperados, concitando à disciplina espiritual indispensável ao processo evolutivo do ser.

Águas serenas que são açoitadas por fortes vendavais; paisagens tranqüilas que se modificam ao império de tempestades violentas; climas de paz que se convertem em campos de lutas rudes; viagem segura, que se torna perigosa; objetivos próximos de conquistados, que se perdem de repente; saúde que cede à enfermidade; amigos dedicados, que vão adiante; adversários vigorosos, que surgem ameaçadores; problemas econômicos que aparecem, constringentes, tantos são os motivos de aflição e prova, que ninguém avança, na terra, sem os experimentar.

Enquanto domiciliado no corpo, Espírito algum se encontra em segurança, vitorioso, isento de experiências difíceis, de possíveis insucessos.

Os momentos de prova e aflição constituem recurso de aferição dos valores morais de cada um, mediante os quais o homem deve adquirir mais valiosas expressões iluminativas como suportes para futuros investimentos evolutivos. Por isso, somos todos atingidos por tais métodos de purificação.

Vigia-te, no momento de aflição e prova, a fim de que não compliques, por precipitação, o teu estado íntimo.

Suporta o  vendaval do testemunho com serenidade; recebe a adaga da acusação indébita com humildade; aceita o ácido da reprimenda injusta com nobreza; medita diante do sofrimento com elevação de sentimentos.

Todos os momentos difíceis cedem lugar a outros; os de paz e compreensão.

Não te desalentes, exatamente quando deves fortalecer-te para a luta.

São nos instantes difíceis que as resistências morais devem estar temperadas, suportando as constrições que ameaçam derruir fortalezas íntimas.

Quando estiveres a ponto de desfalecer, procura refúgio na oração.

Orando, renovar-se-ão tuas paisagens mentais e morais, elevando-te o ânimo e reconfortando-te espiritualmente.

Jesus,  que não tinha qualquer dívida a resgatar e que é o Sublime Construtor da Terra, enquanto conosco não esteve isento dos  momentos de aflição, demonstrando, amoroso, como vencê-los todos e, ao mesmo tempo, ensinando a técnica de como retirar, do aparente mal, as proveitosas lições da felicidade.

Considera-Lhe os testemunhos e, em qualquer momento em que sejas defrontado pela aflição ou prova, enfrenta a circunstância e extrai, do amor, a parte melhor da tua tarefa de santificação (Mensagem do Espírito Joanna de Ângelis psicografada pelo médium Divaldo Franco, extraída do livro Oferenda).