sábado , 19 de agosto de 2017
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Enfoques Espíritas

Com Francinaldo Rafael
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Francinaldo Rafael – Não há morte

Depois que partiram do círculo carnal aqueles a quem amas, tens a impressão de que a vida perdeu a sua finalidade.

As horas ficam vazias, enquanto uma angústia que te dilacera e uma surda desesperação que te mina as energias se fazem a constante dos teus momentos de demorada agonia.

Estiveram ao teu lado como bênçãos de Deus, clareando o teu mundo de venturas com o lume da tua presença e não pensaste, não te permitiste acreditar na possibilidade de que eles te pudessem preceder na viagem de retorno.

Cessados os primeiros instantes do impacto que a realidade te impôs, recapitulas as horas de júbilo enquanto o pranto verte incessante, sem conforta-te, como se as lágrimas carregassem ácido que te requeima desde a fonte do sentimento à comporta dos olhos, não diminuindo a ardência da saudade. . .

Antes da situação, o futuro se te desdobra sombrio, ameaçador, e interrogas como será possível prosseguir sem eles.

O teu coração pulsa destroçado e a tua dor moral se transforma em punhalada física, a revolver a lâmina que te macera em largo prazo.

Temes não suportar tão cruel sentimento. Conseguirás, porém, superá-lo. Muito justas, sim, tuas saudades e sofrimentos.

Não, porém, a ponto de levar-te ao desequilíbrio, à morte da esperança, à revolta. . .

Os seres a quem amas e que morreram, não se consumiram na voragem do aniquilamento. Eles sobreviveram.

A vida seria um engodo, se se destruísse ante o sopro desagregador da morte que passa.

A vida se manifesta, se desenvolve em infinitos matizes e incontáveis expressões. A forma se modifica e se estrutura, se agrega e se decompõe passando de uma para outra expressão vibratória sem que a energia que a vitaliza dependa das circunstâncias transitórias em que se exterioriza.

Não estão portanto, mortos, no sentido de destruídos, os que transitaram ao teu lado e se transferiram de domicílio.

Prosseguem vivendo aqueles a quem amas.

Aguarda um pouco, enquanto, orando, a prece te luarize a alma e os envolvas no rumo por onde seguem.

Não te imponhas mentalmente com altas doses de mágoas, com interrogações pressionantes, arrojando na direção deles os petardos vigorosos da tua incontida aflição.

Esforça-te por encontrar a resignação.

O amor vence, quando verdadeiro, qualquer distância e é ponte entre abismos, encurtando caminhos.

Da mesma forma que anelas por volver a senti-los, a falar-lhes, a ouvir-lhes, eles também o desejam.

Necessitam, porém, evoluir, quanto tu próprio.

Se te prendes a eles demoradamente ou os encarcera no egoísmo, desejando continuar uma etapa que hora se encerrou, não os fruirás, porque estarão na retaguarda.

Libertando-os, eles prosseguirão contigo, preparar-te-ão o reencontro, aguarda-te-ão…

Faze-te, a teu turno, digno deles, da sua confiança, e unge-te de amor com que enriqueças outras vidas em memórias deles, por afeição a eles.

Não penseis mais em termos de “adeus” e, sim, em expressões de “até logo mais”.

Todos os homens na terra são chamados a esse testemunho, o da temporária despedida. Considera, portanto, a imperiosa necessidade de pensar nessa injunção e deixa que a reflexão sobre a morte faça parte do teu programa de assuntos mentais, com que te armarás, desde já para o retorno, ou para enfrentar em paz a partida dos teus amores. . .

Quanto àqueles que viste partir, de quem sofres saudades infinitas e impreenchíveis vazios no sentimento, entrega-os a Deus, confiando-os e confiando-te ao Pai, na certeza de que, se souberes abrir a alma à esperança e a fé, conseguirás senti-los, ouvi-los, deles haurindo a confortadora energia com que te fortalecerás até o instante da união sem dor, sem sombra, sem separação pelos caminhos do tempo sem fim, no amanhã ditoso.

(Mensagem do Espírito Joanna de Ângelis psicografada pelo médium espírita Divaldo Franco)

Francinaldo Rafael – Semana Espírita de Mossoró

No prefácio da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), o Espírito Verdade comenta que “(…) são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”. Sinaliza uma das missões do espiritismo que é tornar claros os ensinamentos de Jesus, proporcionar a análise racional e a reflexão de cada indivíduo.

Acerca da publicização da Doutrina, o  Espírito Emmanuel  faz o alerta no livro Estude e Viva: “(…) o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação”. Pela psicografia do médium espírita Divaldo Franco, o Espírito Marcelo Ribeiro comenta: “O Espiritismo é um tesouro de alto valor que tem a missão de produzir lucros de amor e juros de paz. Ocultá-lo, sem o promover entre as criaturas, é o mesmo que enterrar uma fortuna, que assim perde a finalidade para a qual existe. Retê-lo, constitui crime de avareza, considerando-se a fonte de luz de que padecem as criaturas. (…) O Espiritismo é o antídoto eficiente e rápido para os males que grassam, na Terra, derruindo o materialismo e promovendo a vida. Difundi-lo, a rigor, é tarefa de quantos se identificam com as suas lições e nele encontram satisfação de viver. Não é lícito impô-lo, nem justo deixar de apresentá-lo”.

Ciente da grande importância dos postulados espíritas e o dever de disseminá-los, o Movimento Espírita de Mossoró mais uma vez realiza o maior evento de divulgação do segmento nessa região do nosso estado: a Semana Espírita na cidade, entre dos dias 23 e 29 do corrente mês. Em sua 28ª edição, este ano traz como tema central Um Desafio Chamado Família. É oportunidade de refletir o porquê de estarmos inseridos em determinado clã familiar, os laços de família, os novos modelos de família, violência doméstica, etc. As crianças também tem espaço no evento em atividades educativas.

Participar de um evento espírita não significa tornar-se adepto. Captar seguidores não é preocupação do espiritismo. Importante é as pessoas darem-se a chance de  analisar e submeter ao crivo da razão as informações recebidas, como também de profundas reflexões acerca de si próprios.

 A Semana Espírita de Mossoró é uma opção  para os contatos iniciais  com essa nascente de bênçãos, fonte segura e impulsionadora para o progresso da humanidade.

Francinaldo Rafael – O féretro

O féretro seguia, devagarinho, pelo estreito caminho da fazenda. As plantações, o gado e as benfeitorias indicavam a riqueza do proprietário das terras. O cemitério ficava a dois quilômetros de distância.  O caixão, todo branco, indicava tratar-se do sepultamento de uma criança. Os acompanhantes eram poucos, apenas os familiares e os padrinhos. Todos pareciam muito tristes e o cântico, quase um murmúrio, confirmava a angústia daqueles corações. Eram lavradores simples e suas mãos cheias de calos mal podiam segurar as alças do caixãozinho.

Um carro parou, rente ao caminho, na rodovia, a pedido da filha do dono do veículo, para que ela pudesse observar, de perto, aquele enterro.

– Filhinha, disse o pai que não a contrariava, é uma tolice o que você está pedindo. É pura perda de tempo.

– Mas eu quero ver, papai – resmungou a jovenzinha de seus dez anos.

Faltavam alguns passos, para que o féretro entrasse na rodovia, dando seguimento ao seu destino.

– Veja, papai, eles são muito pobres. Aquela mulher deve ser a mãe. Ta chorando muito. Coitada, está descalça. O homem, também.

– Vamos embora, meu  bem – disse o pai. Detesto presenciar estas cenas.

O caixão chegou à rodovia. Colocaram no chão para descansar. O velho lavrador enxugou o suor do rosto com a manga da camisa, parecendo meio sem jeito à frente daquele homem de aparência tão importante, que descera do carro.

– É parente seu? – perguntou o recém-chegado.

– Minha filha – respondeu com os olhos cheios de lágrimas – morreu por falta de recurso.

– Ah! Lamento! – disse o interlocutor, e puxou a menina para que entrasse no carro, demonstrando certa contrariedade. Ficou ainda mais surpreso, quando o lavrador perguntou:

 – O sinhô foi bem de viagem?

– Eu?

– É, num tava no instrangero?

– Como sabe?

Pigarreando, Horácio respondeu que estava muito cansado e que a Europa era um lugar muito bom para descansar a cabeça.

– Se me der licença, eu e minha filha vamos andando.

– Ocê ta muito bonita Rosemary. Deus ti abençoe.

– A menina cochichando com o pai, falou que o homem a conhecia. Horácio, estranhando, perguntou:

– Você nos conhece?

– Sim sinhô!

– Onde é que mora?

– Na fazenda, doto.

– Sim, mas que fazenda?

– Na sua.

Esta psicografia do Espírito Hilário Silva ditada à médium Irene Carvalho, evidencia um fato que pode acontecer com muitos de nós. Pessoas próximas necessitando algum tipo de apoio, e a gente sem se dar conta de que pode ser útil. Reflitamos.

Francinaldo Rafael – Professor Rivail e sua gloriosa missão

Condenado pelo Concílio de Constança, Jan Huss  foi queimado vivo numa fogueira em 06 de julho de 1415. Nos dias gloriosos da intelectualidade de Paris, renasce em 03 de outubro de 1804 (Lyon, França) como Hippolyte Léon Denizard Rivail. A começar do berço, recebeu educação primorosa. Desde a juventude, sentiu-se atraído para a Ciência e a Filosofia. Fez os primeiros estudos em Lyon e enriqueceu sua bagagem de conhecimentos em Yverdon, Suíça, com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos. No Instituto Pestalozzi desenvolveu as ideias progressistas do Positivismo, que o colocariam mais tarde no rol dos mais célebres livres pensadores que a Humanidade conheceu.  Voltou à França bacharelado em Letras e Ciências. Em Paris fundou uma instituição de ensino, onde ministrava Química, Física, Astronomia e Anatomia Comparada. Não cobrava daqueles que não podiam pagar, revelando, desde cedo, seu caráter humanitário.

Publicou uma rica série de obras na área de educação, principalmente tratando sobre matemática e gramática francesa. Demonstração de rara versatilidade, iniciando, aos 20 anos de idade, com a edição do Curso Prático Teórico de Aritmética. Várias de suas respeitadas obras foram integradas ao currículo de estudos da Universidade de França. De temperamento cético e sem instinto poético nem romanesco, todo inclinado ao método, à ordem, à disciplina mental, praticava, na palavra escrita e falada, a precisão, a nitidez, a simplicidade, dentro de um vernáculo perfeito, livre de excessos. O filósofo e escritor Camille Flammarion denominou-o de o bom senso encarnado.

Mas, uma surpresa o aguardava. Após cinquenta anos de preparação acadêmica e moral, o professor Rivail seria convocado pela espiritualidade para codificar a Doutrina Espírita. Tendo ouvido falar nos fenômenos das mesas girantes que respondiam as perguntas que lhes eram dirigidas, procurou conhecê-los de perto e analisá-los profundamente. Numa noite, comunicou-se o Espírito Zéfiro, declarando-se seu Espírito Protetor. Confessou-lhe que o houvera conhecido numa existência anterior, no tempo dos Druidas, na Gália, quando Rivail se chamava Allan Kardec. Ao mesmo tempo revelou-lhe a missão para a qual havia sido escolhido. O professor Rivail comparecia a cada sessão com uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas; eram respondidas com precisão, profundeza e de modo lógico. Diversos médiuns foram utilizados para confirmação das orientações espirituais. Era indispensável que nada ficasse incorreto, obscuro, duvidoso. Tinha plena consciência do alcance moral da nova doutrina e de sua missão.

Em virtude de seu nome ser muito conhecido e respeitado pela comunidade científica, quando da publicação da obra, o professor Rivail optou por assinar como Allan Kardec. Tal foi o sucesso, que a primeira edição rapidamente se esgotou. Além de O Livro dos Espíritos, organizou também O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno,  A Gênese, livros basilares da Doutrina Espírita.

Hippolyte Leon Denizard Rivail – Allan Kardec – faleceu em Paris, em 31 de março de 1869 aos  65 anos de idade, vitimado pela ruptura de um aneurisma.

 

Francinaldo Rafael – Ganhando Resistência

Reconhece você que a sua resistência precisa aumentar; por isso mesmo não despreze o esforço no bem algum tanto a mais além do nível.

Se o trabalho parece estafante, suporte mais um pouco as dificuldades em que se lhe envolvem os encargos.

Onde lhe pareça já haver exercitado o máximo de humildade, apague-se um tanto mais em favor de outrem para que o seu grupo alcance a segurança ideal.

Demonstre um pouco mais de paciência nos momentos de inquietação e evitará desgostos incalculáveis.

Abstenha-se algo mais de reclamações mesmo justas, no que se reporta aos seus interesses pessoais, e observará quanta simpatia virá depois ao seu encontro.

Mostre um pouco mais de serenidade nos instantes de crise e você se transformará no apoio providencial de muita gente.

Confie algo mais na proteção da Bondade Divina e conseguirá superar obstáculos que se lhe figuravam intransponíveis.

Nos dias de enfermidade aguente um tanto mais as dificuldades do tratamento e você apressará as suas próprias melhoras de maneira imprevisível.

Tolere um tanto mais as intrigas que, porventura, lhe assediem o campo de ação, sem lhes oferecer qualquer importância e defenderá a sua própria felicidade, com inesperado brilhantismo.

Você vive no mundo em meio de provas e lutas, desafios e necessidades, ao modo de aluno entre as lições de que precisa na escola, em favor do próprio aproveitamento; aprenda a suportar os convites ao bem dos outros e você ganhará os melhores valores da resistência.

(Mensagem do Espírito André Luiz – Psicografia do médium Francisco Cândido Xavier)

Francinaldo Alves – O fim do mundo está próximo?

Pessoas que tomam ao pé da letra os textos bíblicos ficam apavoradas diante da possibilidade do fim do mundo. Algumas acham que está bem próximo e há até quem confirme que a destruição será com fogo. A origem desse medo pode estar também no sermão profético de Jesus e no Apocalipse de João,  por equívocos de interpretação.

 Saindo Jesus do Templo de Salomão, diante da grandiosidade daquela construção de pedras agigantadas, os discípulos, homens simples, alguns analfabetos, comentaram-Lhe: – “Senhor, vede que templo! Vede que pedras…”  E Jesus respondeu-lhes: -“Em verdade, em verdade eu vos digo, que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada”. Naquele instante, Jesus começou a apresentar os sinais dos fins dos tempos hebreus, e os sinais do fim material daquele luxuoso templo. É tanto que posteriormente Vespasiano cercou Jerusalém para destruí-la, quando foi convidado para dirigir o Império Romano, ali ficando Tito, seu filho, que a destruiu, não deixando pedra sobre pedra. Hoje, analisando-se racionalmente, percebe-se que Jesus não se referia à história da Humanidade futura, mas à história do povo hebreu, analisa o médium Divaldo Franco. Jesus mostrou aos apóstolos vários sinais, inclusive os da futura guerra atômica, quando disse: “Quem estiver no telhado não desça; quem se encontrar no campo, não venha para casa porque não haverá tempo. Naqueles dias o Sol perderá a sua luz, as estrelas cairão sobre a Terra e a Lua se cobrirá de sangue ”. (Mt 24: 15-21). Alguma semelhança com a explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki? Tudo a ver. No momento da subida do cogumelo radioativo, o Sol teve sua luz interditada. Conforme o livro A Tragédia do Átomo, nunca se viu escuridão igual àquela noite da destruição. Os que estavam no campo, a claridade cegou em um décimo de milésimo de segundo. Cerca de cento e oitenta mil pessoas tiveram os tímpanos arrebentados com a explosão. Os que corriam derretiam-se, caindo o esqueleto, em virtude da intensidade do calor desprendido. Com a vermelhidão da fuligem, a impressão era de que a Lua estivesse manchada de sangue.

É importante atentar que quando Jesus falou “não passará esta geração sem que tudo aquilo que afirmei se cumpra” (Mt 24:34), Ele não se referia a geração carnal, pois já se passaram quarenta gerações sem o cumprimento das profecias. A frase é que foi interpretada equivocadamente. Sem dúvida, é da geração espiritual que Ele falava, pois provavelmente muitos de nós sejamos daquela geração antiga e continuamos a reencarnar, permanecendo ainda na Terra em processo de purificação moral.

Incontestavelmente o fenômeno da morte é inevitável. Acabe o mundo físico ou não, nosso corpo um dia irá morrer. E a vida continuará no além-túmulo.

Francinaldo Rafael – A sociedade será o que dela fizermos

Diariamente, veículos de comunicação diversos nos trazem noticiários que falam de violência, corrupção, inversão de valores… Chegamos ao ponto de nos admirarmos quando alguém pratica um ato de honestidade. Vira até manchete nacional!

Parece que a sociedade não tem mais conserto, dizem uns. Mas quando paramos em raros momentos de reflexão íntima, será que algo não nos incomoda? Será que não somos parcialmente responsáveis pelos acontecimentos que nos cercam? Talvez tudo isso que está aí a nos amedrontar, seja resultado de nossas indiferenças ou de acharmos que o argueiro só cai no olho do vizinho.

Em Obras Póstumas, encontramos anotações de Allan Kardec, argumentando que os males da Humanidade vêm da imperfeição das pessoas. É pelos seus vícios que prejudicam umas às outras. E, enquanto forem viciosas, serão infelizes, porque a luta dos interesses molda, sem parar, as misérias.

 Lamentavelmente há aqueles que estacionam durante muitos anos dentro dos quadros emocionais com os quais se satisfazem. Atrasam a própria marcha evolutiva. Atravessarão os portais da morte física, até que reencarnem como um aluno em recuperação na disciplina na qual foi reprovado. A experiência será retomada, para o serviço de purificação.

Reforça Kardec que o progresso geral é a resultante de todos os progressos individuais; mas, o progresso individual não consiste apenas no desenvolvimento da inteligência, na aquisição de alguns conhecimentos. Nisso não há mais do que uma parte do progresso, e essa, não conduz necessariamente ao bem, pois há homens que usam o saber para o mal. O progresso consiste, sobretudo, no melhoramento moral, na depuração do Espírito, na extirpação maus germes que em nós existem. Esse é o verdadeiro progresso, o único que pode garantir a felicidade ao gênero humano, por ser o oposto mesmo do mal.

Boas leis, sem dúvida contribuem para a melhoria social, mas não acabam com as más ações. Não é instituição educativa A ou B que terá o papel definitivo de extinguir os males da sociedade. Apresentam diretrizes, mas o ponto de partida está inteiramente no aperfeiçoamento moral das pessoas. Apenas a lei moral pode penetrar a intimidade da consciência de cada um e reformá-lo. Somente assim mereceremos uma existência harmoniosa, numa sociedade que será exatamente o que dela fizermos.

Francinaldo Rafael – Esquecimento do passado

Não é raro pessoas nos questionarem, interessadas em saber quem teriam sido ou o que fizeram em reencarnações anteriores. Algumas alegam que se soubessem certamente teriam a chance de não repetir erros.

Resposta clara e concisa sobre esse fato é trazida pelos Benfeitores Espirituais. É vantagem esse véu que a divindade lança sobre nosso passado. As lembranças trariam gravíssimos inconvenientes. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo afirmam: “Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais”.

Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de corrigir atitudes equivocadas. Se lembrasse do passado, talvez o  ódio fosse despertado outra vez no íntimo. De todo modo,  se sentiria humilhado em presença daquelas a quem ofendera.

Para nos melhorarmos Deus concedeu o que necessitamos: a voz da consciência e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial.

Ao nascer, o homem traz consigo o que adquiriu. Em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes. “Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações”, afirmam os Espíritos.

Vale ressaltar que o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Voltando à vida espiritual, o Espírito readquire as lembranças do passado.

E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do ontem. “Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência de seus atos anteriores; sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes de emancipação da alma, se os sabe aproveitar. ”

Como podemos perceber, teríamos várias dificuldades ou constrangimentos se tudo nos fosse permitido lembrar. Aceitemos o passado como passado, sem negá-lo ou descartá-lo, mas aproveitando o presente para os ajustes necessários.

Francinaldo Rafael – Em Viagem

A existência terrestre é uma viagem educativa.

Começa na meninice, avança pelos caminhos claros da plenitude física, e altera-se na noite da enfermidade ou da velhice, para renovar-se, além da morte…

Repara, pois, como segues.

Não te agarres aos bens materiais, senão no estritamente necessário para que te faças valioso irmão no concurso aos companheiros de jornada e útil a ti mesmo.

Há muitos viajores que sucumbem na caminhada sob pesados madeiros de ouro a que se jungem, desvairados.

Não reclames devotamento afetivo do próximo, e, sim, ama e ajuda a todos os que se aproximem de ti, para que o teu amor não desça do Alto aos tenebrosos despenhadeiros do exclusivismo.

Muitos peregrinos enlouquecem o coração no mel envenenado das afeições doentias e demoram-se longos séculos na corrente viscosa do charco.

Não prossigas viagem guardando ressentimento, para que não aconteça te prendas impensadamente aos labirintos do ódio.

Muitos viajantes, a pretexto de fazerem justiça, tombam, insensatos, em escuras armadilhas da crueldade e da intriga, com incalculáveis prejuízos no tempo.

Recordas que iniciaste a excursão terrestre sem qualquer patrimônio e encontraste carinhosos braços de mãe que te embalaram, amparando-te, em nome do Eterno…

Lembra-te de que nada possuis, à frente do Pai Celestial, senão tua própria alma e, por isso mesmo, só em tua alma amealharás  os tesouros que a ferrugem não consome e que as traças não roem.

Prazer e dor, simplicidade e complexidade, escassez e abastança, beleza da forma ou tortura do corpo físico, são simplesmente lições.

O caminho do mundo, que atravessas cada dia, é apenas escola.

Teus afetos mais doces são companheiros com tarefas diferentes das tuas…

Segue sem imposição, sem preguiça, sem queixa e sem exigência…

O corpo é teu veículo santo. Não lhe conspurques a harmonia.

A experiência é tua instrutora. Não lhe menosprezes o ensinamento.

O próximo de qualquer procedência é teu irmão. Não o abandones.

O tempo é o empréstimo divino que recebeste do Céu, para a edificante peregrinação. Valoriza-o com o teu aprimoramento no amor e na sabedoria.

E, aceitando Jesus por Mestre, em teus passos de cada hora, guarda a certeza de que, em breve, atingirás a alegria do sublime retorno ao nosso Divino Lar.

(Mensagem do Espírito Emmanuel, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier)

Francinaldo Rafael – Organização política no Mundo Espiritual

Em períodos de campanhas eleitorais no Brasil, as cenas são velhas conhecidas: candidatos se digladiam no jogo de palavras, nas propostas para atrair o eleitor. Mas também há aqueles cujas condutas para chegar ao poder não são nada recomendáveis do ponto de vista moral. Alcançado o desejado cargo não há somatórios de esforços entre eles para o benefício das pessoas.  A disputa  continua durante todo o mandato.

No Mundo Espiritual, a organização politica se dá de forma oposta. O trabalho é de união pelo bem comum, conforme narra o Espírito André Luiz através do médium espírita Chico Xavier. Tomemos como exemplo a cidade espiritual Nosso Lar, fundada por portugueses desencarnados no Brasil no século XVI. Nela, o Governador Espiritual é cercado por setenta e dois Ministros, sendo que cada grupo de doze toma conta de um dos seis Ministérios. Algo ainda inimaginável de ser praticado aqui na Terra.

Os Ministérios de Nosso Lar são: da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina. Diz André Luiz que: “Os quatro primeiros nos aproximam das esferas terrestres, os dois últimos nos ligam ao plano de transição, visto que a nossa cidade espiritual é zona de transição. Os serviços mais grosseiros localizam-se no Ministério da Regeneração, os mais sublimes no da União Divina”.

O Governador  é incansável. Quase nunca repousa e sua glória é o serviço permanente cuja assistência carinhosa atinge a tudo e a todos.  Mesmo diante de dificuldades que surgiram em determinado período, convocava os adversários e expunha-lhes de forma paternal os projetos e destacava a superioridade dos métodos de espiritualização. E assim ia ganhando maior número de adeptos. Quando a obra que traz essas informações foi lançada (1944), não fazia muito tempo que haviam comemorado em Nosso Lar os 114 anos da magnífica gestão dele.

Diante desses relatos percebe-se que na Terra o processo de evolução social e política da criatura humana tem sido lento. Conforme comenta o Espírito Otávio Mangabeira, “o tirano tem governado mais do que o sábio. O guerreiro tem estado à frente dos países mais do que o pacificador. Os ditadores dominaram mais povos do que os idealistas. E embora essas lições amargas da História, o ser humano em particular e os povos em geral não aprenderam a eleger os seus dirigentes”.

Mas não podemos desanimar. Afirma Mangabeira que virá o dia “no qual o homem despertará em definitivo para a mudança do próprio comportamento em relação ao próximo, particularmente aquele que assume a governança dos povos, conduzindo altíssima responsabilidade perante a própria como a Consciência Cósmica de que não se evadirá”.