sexta-feira , 23 de junho de 2017
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Enfoques Espíritas

Com Francinaldo Rafael
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Francinaldo Alves – O fim do mundo está próximo?

Pessoas que tomam ao pé da letra os textos bíblicos ficam apavoradas diante da possibilidade do fim do mundo. Algumas acham que está bem próximo e há até quem confirme que a destruição será com fogo. A origem desse medo pode estar também no sermão profético de Jesus e no Apocalipse de João,  por equívocos de interpretação.

 Saindo Jesus do Templo de Salomão, diante da grandiosidade daquela construção de pedras agigantadas, os discípulos, homens simples, alguns analfabetos, comentaram-Lhe: – “Senhor, vede que templo! Vede que pedras…”  E Jesus respondeu-lhes: -“Em verdade, em verdade eu vos digo, que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada”. Naquele instante, Jesus começou a apresentar os sinais dos fins dos tempos hebreus, e os sinais do fim material daquele luxuoso templo. É tanto que posteriormente Vespasiano cercou Jerusalém para destruí-la, quando foi convidado para dirigir o Império Romano, ali ficando Tito, seu filho, que a destruiu, não deixando pedra sobre pedra. Hoje, analisando-se racionalmente, percebe-se que Jesus não se referia à história da Humanidade futura, mas à história do povo hebreu, analisa o médium Divaldo Franco. Jesus mostrou aos apóstolos vários sinais, inclusive os da futura guerra atômica, quando disse: “Quem estiver no telhado não desça; quem se encontrar no campo, não venha para casa porque não haverá tempo. Naqueles dias o Sol perderá a sua luz, as estrelas cairão sobre a Terra e a Lua se cobrirá de sangue ”. (Mt 24: 15-21). Alguma semelhança com a explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki? Tudo a ver. No momento da subida do cogumelo radioativo, o Sol teve sua luz interditada. Conforme o livro A Tragédia do Átomo, nunca se viu escuridão igual àquela noite da destruição. Os que estavam no campo, a claridade cegou em um décimo de milésimo de segundo. Cerca de cento e oitenta mil pessoas tiveram os tímpanos arrebentados com a explosão. Os que corriam derretiam-se, caindo o esqueleto, em virtude da intensidade do calor desprendido. Com a vermelhidão da fuligem, a impressão era de que a Lua estivesse manchada de sangue.

É importante atentar que quando Jesus falou “não passará esta geração sem que tudo aquilo que afirmei se cumpra” (Mt 24:34), Ele não se referia a geração carnal, pois já se passaram quarenta gerações sem o cumprimento das profecias. A frase é que foi interpretada equivocadamente. Sem dúvida, é da geração espiritual que Ele falava, pois provavelmente muitos de nós sejamos daquela geração antiga e continuamos a reencarnar, permanecendo ainda na Terra em processo de purificação moral.

Incontestavelmente o fenômeno da morte é inevitável. Acabe o mundo físico ou não, nosso corpo um dia irá morrer. E a vida continuará no além-túmulo.

Francinaldo Rafael – A sociedade será o que dela fizermos

Diariamente, veículos de comunicação diversos nos trazem noticiários que falam de violência, corrupção, inversão de valores… Chegamos ao ponto de nos admirarmos quando alguém pratica um ato de honestidade. Vira até manchete nacional!

Parece que a sociedade não tem mais conserto, dizem uns. Mas quando paramos em raros momentos de reflexão íntima, será que algo não nos incomoda? Será que não somos parcialmente responsáveis pelos acontecimentos que nos cercam? Talvez tudo isso que está aí a nos amedrontar, seja resultado de nossas indiferenças ou de acharmos que o argueiro só cai no olho do vizinho.

Em Obras Póstumas, encontramos anotações de Allan Kardec, argumentando que os males da Humanidade vêm da imperfeição das pessoas. É pelos seus vícios que prejudicam umas às outras. E, enquanto forem viciosas, serão infelizes, porque a luta dos interesses molda, sem parar, as misérias.

 Lamentavelmente há aqueles que estacionam durante muitos anos dentro dos quadros emocionais com os quais se satisfazem. Atrasam a própria marcha evolutiva. Atravessarão os portais da morte física, até que reencarnem como um aluno em recuperação na disciplina na qual foi reprovado. A experiência será retomada, para o serviço de purificação.

Reforça Kardec que o progresso geral é a resultante de todos os progressos individuais; mas, o progresso individual não consiste apenas no desenvolvimento da inteligência, na aquisição de alguns conhecimentos. Nisso não há mais do que uma parte do progresso, e essa, não conduz necessariamente ao bem, pois há homens que usam o saber para o mal. O progresso consiste, sobretudo, no melhoramento moral, na depuração do Espírito, na extirpação maus germes que em nós existem. Esse é o verdadeiro progresso, o único que pode garantir a felicidade ao gênero humano, por ser o oposto mesmo do mal.

Boas leis, sem dúvida contribuem para a melhoria social, mas não acabam com as más ações. Não é instituição educativa A ou B que terá o papel definitivo de extinguir os males da sociedade. Apresentam diretrizes, mas o ponto de partida está inteiramente no aperfeiçoamento moral das pessoas. Apenas a lei moral pode penetrar a intimidade da consciência de cada um e reformá-lo. Somente assim mereceremos uma existência harmoniosa, numa sociedade que será exatamente o que dela fizermos.

Francinaldo Rafael – Esquecimento do passado

Não é raro pessoas nos questionarem, interessadas em saber quem teriam sido ou o que fizeram em reencarnações anteriores. Algumas alegam que se soubessem certamente teriam a chance de não repetir erros.

Resposta clara e concisa sobre esse fato é trazida pelos Benfeitores Espirituais. É vantagem esse véu que a divindade lança sobre nosso passado. As lembranças trariam gravíssimos inconvenientes. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo afirmam: “Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais”.

Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de corrigir atitudes equivocadas. Se lembrasse do passado, talvez o  ódio fosse despertado outra vez no íntimo. De todo modo,  se sentiria humilhado em presença daquelas a quem ofendera.

Para nos melhorarmos Deus concedeu o que necessitamos: a voz da consciência e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial.

Ao nascer, o homem traz consigo o que adquiriu. Em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes. “Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações”, afirmam os Espíritos.

Vale ressaltar que o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Voltando à vida espiritual, o Espírito readquire as lembranças do passado.

E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do ontem. “Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência de seus atos anteriores; sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes de emancipação da alma, se os sabe aproveitar. ”

Como podemos perceber, teríamos várias dificuldades ou constrangimentos se tudo nos fosse permitido lembrar. Aceitemos o passado como passado, sem negá-lo ou descartá-lo, mas aproveitando o presente para os ajustes necessários.

Francinaldo Rafael – Em Viagem

A existência terrestre é uma viagem educativa.

Começa na meninice, avança pelos caminhos claros da plenitude física, e altera-se na noite da enfermidade ou da velhice, para renovar-se, além da morte…

Repara, pois, como segues.

Não te agarres aos bens materiais, senão no estritamente necessário para que te faças valioso irmão no concurso aos companheiros de jornada e útil a ti mesmo.

Há muitos viajores que sucumbem na caminhada sob pesados madeiros de ouro a que se jungem, desvairados.

Não reclames devotamento afetivo do próximo, e, sim, ama e ajuda a todos os que se aproximem de ti, para que o teu amor não desça do Alto aos tenebrosos despenhadeiros do exclusivismo.

Muitos peregrinos enlouquecem o coração no mel envenenado das afeições doentias e demoram-se longos séculos na corrente viscosa do charco.

Não prossigas viagem guardando ressentimento, para que não aconteça te prendas impensadamente aos labirintos do ódio.

Muitos viajantes, a pretexto de fazerem justiça, tombam, insensatos, em escuras armadilhas da crueldade e da intriga, com incalculáveis prejuízos no tempo.

Recordas que iniciaste a excursão terrestre sem qualquer patrimônio e encontraste carinhosos braços de mãe que te embalaram, amparando-te, em nome do Eterno…

Lembra-te de que nada possuis, à frente do Pai Celestial, senão tua própria alma e, por isso mesmo, só em tua alma amealharás  os tesouros que a ferrugem não consome e que as traças não roem.

Prazer e dor, simplicidade e complexidade, escassez e abastança, beleza da forma ou tortura do corpo físico, são simplesmente lições.

O caminho do mundo, que atravessas cada dia, é apenas escola.

Teus afetos mais doces são companheiros com tarefas diferentes das tuas…

Segue sem imposição, sem preguiça, sem queixa e sem exigência…

O corpo é teu veículo santo. Não lhe conspurques a harmonia.

A experiência é tua instrutora. Não lhe menosprezes o ensinamento.

O próximo de qualquer procedência é teu irmão. Não o abandones.

O tempo é o empréstimo divino que recebeste do Céu, para a edificante peregrinação. Valoriza-o com o teu aprimoramento no amor e na sabedoria.

E, aceitando Jesus por Mestre, em teus passos de cada hora, guarda a certeza de que, em breve, atingirás a alegria do sublime retorno ao nosso Divino Lar.

(Mensagem do Espírito Emmanuel, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier)

Francinaldo Rafael – Organização política no Mundo Espiritual

Em períodos de campanhas eleitorais no Brasil, as cenas são velhas conhecidas: candidatos se digladiam no jogo de palavras, nas propostas para atrair o eleitor. Mas também há aqueles cujas condutas para chegar ao poder não são nada recomendáveis do ponto de vista moral. Alcançado o desejado cargo não há somatórios de esforços entre eles para o benefício das pessoas.  A disputa  continua durante todo o mandato.

No Mundo Espiritual, a organização politica se dá de forma oposta. O trabalho é de união pelo bem comum, conforme narra o Espírito André Luiz através do médium espírita Chico Xavier. Tomemos como exemplo a cidade espiritual Nosso Lar, fundada por portugueses desencarnados no Brasil no século XVI. Nela, o Governador Espiritual é cercado por setenta e dois Ministros, sendo que cada grupo de doze toma conta de um dos seis Ministérios. Algo ainda inimaginável de ser praticado aqui na Terra.

Os Ministérios de Nosso Lar são: da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina. Diz André Luiz que: “Os quatro primeiros nos aproximam das esferas terrestres, os dois últimos nos ligam ao plano de transição, visto que a nossa cidade espiritual é zona de transição. Os serviços mais grosseiros localizam-se no Ministério da Regeneração, os mais sublimes no da União Divina”.

O Governador  é incansável. Quase nunca repousa e sua glória é o serviço permanente cuja assistência carinhosa atinge a tudo e a todos.  Mesmo diante de dificuldades que surgiram em determinado período, convocava os adversários e expunha-lhes de forma paternal os projetos e destacava a superioridade dos métodos de espiritualização. E assim ia ganhando maior número de adeptos. Quando a obra que traz essas informações foi lançada (1944), não fazia muito tempo que haviam comemorado em Nosso Lar os 114 anos da magnífica gestão dele.

Diante desses relatos percebe-se que na Terra o processo de evolução social e política da criatura humana tem sido lento. Conforme comenta o Espírito Otávio Mangabeira, “o tirano tem governado mais do que o sábio. O guerreiro tem estado à frente dos países mais do que o pacificador. Os ditadores dominaram mais povos do que os idealistas. E embora essas lições amargas da História, o ser humano em particular e os povos em geral não aprenderam a eleger os seus dirigentes”.

Mas não podemos desanimar. Afirma Mangabeira que virá o dia “no qual o homem despertará em definitivo para a mudança do próprio comportamento em relação ao próximo, particularmente aquele que assume a governança dos povos, conduzindo altíssima responsabilidade perante a própria como a Consciência Cósmica de que não se evadirá”.

Uso da psicografia nos tribunais – parte II

O doloroso e longo processo criminal que acusava o jovem José Divino de haver assassinado o amigo Maurício Henrique Garcez, teve desfecho de forma surpreendente. Levando em conta uma carta psicografada pelo médium Chico Xavier, na qual o próprio “morto” inocentava o amigo, o juiz Orimar de Bastos absolveu o acusado.

No dia 30 de setembro de 1979 em entrevista ao programa Flávio Cavalcanti exibido pela Rede Tupi de Televisão, o juiz Omar de Bastos fez questão de prestar os seguintes esclarecimentos: “Não sou espírita, sou católico”. Depois analisar as provas, de observar as perícias “(…) nós deparamos também com aquela carta psicografada. Foi justamente ela que nos deu um pequeno subsídio. (…) Coincidia justamente com o depoimento do acusado prestado durante o interrogatório. E aquilo nos trouxe a convicção de realmente o acusado falara a verdade no interrogatório”.

Com relação a admissão das provas, o art. 155 do Código de Processo Penal, determina: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas”. Com isso, verifica-se que não há limitação dos meios de provas. O próprio Código de Processo Civil, no art. 332, admite: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”.

 Não é comum o uso da psicografia nos tribunais.  Como ela vem de Espíritos, seres que estão em um plano invisível e inacreditável para muitos,  necessita de ser associada a provas. A carta citada inicialmente, assinada pelo Espírito Maurício Garcez traz a  assinatura dele, que submetida a exame grafoscópico comparando-a com a cédula de identidade, deu legitimidade à mensagem. Nessa temática, um trabalho minucioso intitulado Psicografia à Luz da Grafoscopia foi realizado pelo perito grafotécnico Carlos Augusto Perandréa, que mostra a certeza da verificação de documentos psicografados, podendo atestar autenticidade e autoria. Outra coisa importante que é preciso se levar em conta para uso da psicografia nos tribunais, é o caráter, a conduta do médium. Nesse caso que citamos, Chico Xavier se encaixa perfeitamente num perfil acima de qualquer suspeita.

Depois da sentença, o Juiz Orimar de Bastos foi bastante criticado por  alguns colegas, taxado de juiz do Além; mas não se incomodou com isso. Perguntado como distinguir um caso autentico de psicografia  de uma fraude que poderia ludibriar a justiça, respondeu tranqüilo: “Isso é um risco que acontece no judiciário todos os dias. A gente vê fraudes frequentes em outros casos”. O notável advogado e autor de vários livros Dr. José de Freitas Nobre afirmou em artigo: “o juiz Orimar de Bastos teve o privilégio de iniciar uma nova visão interpretativa do crime”.

Como nada acontece por acaso, depois de tudo, Orimar de Bastos recebeu de Chico Xavier, uma psicografia do Espírito Adalberto Pereira que, quando encarnado, fora juiz na cidade de Anápolis (GO), enaltecendo seu trabalho e informando que tudo já havia sido planejado pelo Mundo Espiritual, e que vários amigos do invisível também haviam examinado o processo, auxiliando-o no seu espírito analítico.

Atualmente o juiz Orimar de Bastos está aposentado, tornou-se espírita e é membro da Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas (Abrame).

Francinaldo Rafael – Uso da psicografia nos tribunais – parte I

Na semana que passou, jornais cearenses relataram o fato de uma carta psicografada ter colaborado para a identificação de uma ossada humana. Surpreso, o inspetor que investiga o caso disse que o inquérito foi reaberto.

Não é novidade acontecimento desse tipo. Em julho de 1982, uma decisão do Juiz Orimar de Bastos causou grande repercussão no Brasil e no exterior. Levando em consideração uma psicografia, absolve o estudante José Divino Nunes, que casualmente havia matado o amigo  Maurício Garcez Henrique.

No dia 8 de maio de 1976, na cidade de Goiânia (GO), uma brincadeira com revólver ocasionou a morte de um jovem e, consequentemente, originou um drama que se arrastou por anos. Na residência dos pais, ao pegar numa arma de fogo pela primeira vez, o estudante José Divino Nunes, de 18 anos, atingiu o inseparável amigo Maurício Garcez Henrique, 15 anos, com um tiro no tórax. Conduzido às pressas ao hospital, Maurício faleceu antes de receber os primeiros socorros.

Aberto o inquérito  para apuração dos fatos, desde a primeira declaração dada à autoridade policial, José Divino afirmou que nunca pensou em matar Maurício; que tudo não passara de uma terrível fatalidade. Eram vizinhos, colegas de escola e amigos íntimos havia quatro anos. Toda a versão narrada por Divino coincidia com os dados técnicos da reconstituição realizada pelos peritos.

Seis dias após o incidente, aquela família católica recebeu a visita espontânea de D. Augustinha Soares e D. Leila Inácio, que traziam mensagens mediúnicas dos filhos que já haviam partido para o além. Foi a primeira vez que tomaram conhecimento de que os mortos escrevem, afirmou o pai de Maurício Garcez. Sentindo que as cartas vindas do Mundo Espiritual eram convincentes, resolveram  buscar orientação e paz, à luz do espiritismo. Após algumas visitas a Chico Xavier, receberam notícias do filho, enviadas através de Espíritos amigos. Eis que em 27 de maio de 1978, Maurício envia a primeira carta psicografada aos pais. Em um dos trechos diz: “(…) Peço-lhes não recordar a minha volta para cá, criando pensamentos tristes. O José Divino e nem ninguém teve culpa em meu caso. Brincávamos a respeito da possibilidade de se ferir alguém, pela imagem no espelho; sem que o momento fosse para qualquer movimento meu, o tiro me alcançou, sem que a culpa fosse do amigo, ou minha mesmo (…)”. Os pais, comovidos com o recebimento dessa primeira carta,  não tiveram dúvidas em divulgá-la,  juntamente com uma cópia da cédula de identidade de Maurício, mostrando a semelhança da assinatura em ambos os documentos. A carta foi anexada aos autos do Processo Judiciário, tornando-se peça relevante tanto para o advogado de defesa, quanto ao Juiz responsável. Em um dos trechos da sentença, diz o Meritíssimo Juiz Orimar de Bastos: “(…) Temos que dar credibilidade à mensagem (…), embora na esfera jurídica ainda não mereceu nada igual, em que a própria vítima, após sua morte, vem relatar e fornecer dados ao julgador para sentenciar”.

 Levando em conta o relato da carta de Maurício Garcez psicografada pelo médium Chico Xavier, que em nada divergia das declarações do acusado no seu interrogatório, no dia 16 de julho de 1979, o Juiz Orimar de Bastos declarou absolvido o estudante José Divino Nunes.

Francinaldo Rafael – Mediunidade: ponte entre dois mundos

As manifestações mediúnicas tem seus registros nas páginas da História.  Os Espíritos nunca deixaram de se comunicar com os homens e a mediunidade sempre esteve presente na vida dos indivíduos, bem como no seio das religiões, desde o totemismo.

 O Espírito Emmanuel informa através da psicografia do médium espírita Chico Xavier que, o Evangelho é um livro de mediunidade por excelência. Vejamos alguns pontos: o Espírito Gabriel entra em contato com Zacarias prevendo o nascimento de João Batista; em seguida procura Maria de Nazaré anunciando-lhe a vinda de Jesus; um amigo espiritual conversa com José da Galiléia sobre esse mesmo assunto, dentre muitos outros.

 Na noite de 31 de março de 1848, em Hydesville, Estado de Nova York (EUA), na casa da família Fox as meninas Kate e Margaret estabeleceram diálogo com o  Espírito Charles Rosma.

São muitos os casos de vidência mediúnica na existência dos Santos da Igreja Romana. A clarividência na vida  de Sta. Teresa D`Ávila é por ela mesma atestada na sua  autobiografia, assim como Sta. Margarida Maria Alacoque. Temos ainda relatos sobre fenômenos vivenciados por D. Bosco, Cura D`Ars, Sta Catarina Labouré.

No Brasil destacamos entre outros, o saudoso Francisco Cândido Xavier que por via mediúnica psicografou mais de quatrocentos livros e Divaldo Franco com mais de duzentas obras, abordando os mais amplos assuntos.

A mediunidade, conhecida por uns e envolta em mitos e superstições por outros, é inerente a todos nós independente do credo religioso e serve de ponte entre o mundo  físico e o extra físico. Em algumas pessoas se apresenta de forma ostensiva e em outras de modo quase imperceptível. Semelhante às demais faculdades do ser humano, exige estudo e cuidados especiais como também exercício correto dentro dos princípios éticos e morais.

 

Francinaldo Rafael – A grande transição

Há diferença entre o grau de adiantamento ou de  inferioridade dos diversos mundos. A Terra faz parte  daqueles em estágio de provas e expiações, onde o mal ainda predomina. Para que seus habitantes  sejam felizes é preciso  que somente Espíritos propensos ao bem a povoem.

Vive-se no nosso planeta atualmente, o momento da grande transição, de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração, onde o bem prevalece. Conforme o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, obreiros do Senhor se sucederão ininterruptamente alterando os hábitos sociais, os costumes morais, a literatura e a arte, o conhecimento geral, ciência e tecnologia. Serão despertados os interesses mesmo daqueles que encontram-se adormecidos.

As alterações que se observam são de natureza moral, convidando o ser humano à mudança de comportamento para melhor, alterando os hábitos viciosos, a fim de que se instalem os modelos de justiça, do dever, da ordem e do amor.

Antes, porém, de chegar esse momento, a violência, a sensualidade, a baixeza, os escândalos, a corrupção atingirão níveis jamais pensados, alcançando o fundo do poço, enquanto as enfermidades degenerativas, os transtornos bipolares de conduta, as cardiopatias, os cânceres, os vícios e os desatinos sexuais clamarão por paz, pelo retorno à ética, à moral, ao equilíbrio.

Graças a misericórdia divina, milhões de Espíritos nobres oriundos de outras esferas, estão descendo à Terra para o enfrentamento inevitável entre o amor abnegado e a violência destrutiva. Missionários que estiveram empenhados na educação e na solidariedade em reencarnações anteriores, estarão também retornando, contribuindo para a construção da nova mentalidade, desde o berço, facilitando as alterações que já estão ocorrendo.

Tal qual ocorre em outros planetas, chega o momento em que a Terra ascenderá na escala dos mundos, conduzindo seus filhos. Como em toda batalha, momentos difíceis surgirão exigindo fortalecimento pela oração e estabilidade emocional. Nunca, porém, estaremos a sós. Jesus, nosso e guia, permanece velando-nos diuturnamente.

Francinaldo Rafael – Eutanásia não!

Rico e bem sucedido, o jovem Will tinha uma vida intensa. Viagens, esportes radicais, conquistas as mais diversas. Em dia chuvoso, ao atravessar a rua é atingido por uma moto. O acidente deixa-o tetraplégico. Preso a uma cadeira de rodas e com a saúde frágil, dependerá de cuidadores todas as horas. A situação o abala profundamente ao ponto de pensar na possibilidade da eutanásia, prática controlada e assistida por especialistas pela qual se abrevia a vida de um doente incurável.

O fato citado é enredo do filme “Como eu era antes de você”. Mas poderia ser real.

Afinal de contas, alguém tem o direito de abreviar a vida, mesmo em circunstancias dolorosas como essa? Reflitamos à luz da imortalidade.

O Espírito Emmanuel através da psicografia do médium Francisco Cândido Xavier afirma que o homem não tem o direito de praticar a eutanásia em nenhuma situação, mesmo que essa aparente ser medida de caridade. “A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito da vida imortal. Além do mais, os desígnios divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens não pode decidir nos problemas transcendentes das necessidades do Espírito”. Em outra oportunidade, tratando novamente do assunto, Emmanuel enfatiza que quando nos encontrarmos diante de alguém que a morte parece cercar, recordemos que a vida prossegue além desse fenômeno de renovação.

O Espírito André Luiz através do referido médium, apresenta o caso verídico de Cavalcanti, que na sua agonia final teve a vida abreviada pelo médico, aplicando-lhe a chamada “injeção compassiva”. Em poucos instantes estava morto, para um espectador comum. Porém, relata André Luiz, que Cavalcanti encontrava-se preso ao corpo inerte e incapaz de qualquer reação. A carga fulminante da medicação, por atuar diretamente em todo o sistema nervoso, atinge os centros do organismo peris­piritual, levando-o a permanecer colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, inva­dido, ele mesmo, de estranho torpor. A separação total do Espírito da matéria, só se deu após vinte horas de trabalho intenso dos operários do Mundo Espiritual.

Orienta André Luiz: “Quando passardes ao pé dos leitos de quantos atravessam prolongada agonia, afastai do pensamento a ideia de lhes acelerardes a morte! Ladeando esses corpos amarrotados e por trás dessas bocas mudas, benfeitores do plano espiritual articulam providências, executam encargos nobili­tantes, pronunciam orações ou estendem braços amigos!”.

E, sabiamente, alerta a todos nós que ainda temos a visão limitada acerca dos traços gerais do ser humano: “…por amor aos vossos sentimentos mais caros, dai consolo e silêncio, simpatia e veneração aos que se abeiram do túmulo! Eles não são as múmias torturadas que os vossos olhos contemplam, destinadas à lousa que a poeira carcome… São filhos do Céu, pre­parando o retorno à Pátria, prestes a transpor o rio da Verdade, a cujas margens, um dia, também vós chegareis!”.