sábado , 19 de agosto de 2017
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Enfoques Espíritas

Com Francinaldo Rafael
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Estamos aptos a malhar Judas? – Francinaldo Rafael

Ainda persiste nos dias atuais a prática da malhação do Judas, costume trazido pelos portugueses e espanhóis. Através dela, alguns exercitam os sentimentos de violência, vingança, condenação, ainda persistentes no íntimo de muita gente.

Refletindo sobre os ensinamentos e exemplos de Jesus, qualquer pessoa vai perceber que em nenhum momento Ele condenou alguém.

Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos do Mestre, era o tesoureiro do grupo, numa demonstração de confiança que tinham nele. Antes, era negociante, habituado a vender mercadorias e receber pagamentos.

Ele tem sido censurado ao longo dos anos em virtude do seu ato de haver traído Jesus. Mas, um detalhe precisa ser lembrado: Jesus sabia antecipadamente do que ocorreria.

É tanto que na ceia da Páscoa, comentou: – “Um de vós me entregará”. Mesmo assim, até o ultimo instante, proporcionou ao discípulo inquieto oportunidade ao bem.

Por trinta moedas, Judas entregou o Amigo aos adversários, mas logo em seguida fez consciência de culpa. Sem estrutura emocional para enfrentar-se e conviver com os demais, tentou fugir de si mesmo através da morte.

A história e o inconsciente coletivo, bem como a imaginação da sociedade, condenam de forma intensa Judas e o seu ato. Até os dias atuais, homens ensinam seus filhos a destruir bonecos com atos de selvageria, na famigerada malhação do Judas.

Dessa forma, acabam tirando a oportunidade para uma melhor análise do feito e da pessoa, que resultariam em importante aprendizado. Acerca dos perigos do julgamento de atitudes alheias, o Espírito Joanna de Ângelis (através da psicografia de Divaldo Franco) nos alerta que os dados disponíveis são sempre deficientes.

E a alta carga emocional de simpatia ou antipatia pessoal, responde pelo que se examina, de forma benigna ou maligna. E recomenda ainda, que nos envolvamos de amor pelos ingratos, os fracos, os caídos, os delinquentes, os perversos, lembrando que na medida em que julgarmos seremos julgados.

Esclarecem os Espíritos Superiores que Jesus antes de aparecer às mulheres que foram ao túmulo vazio, descera às regiões de sofrimento onde Judas se encontrava após a morte do corpo físico. Fora resgatar o amigo, levando confortando e incentivo para libertar-se da culpa e recuperar-se.

Afirmou que nunca o deixaria ou o condenaria. Judas fechou seu ciclo de dolorosas reencarnações na Terra no século XV. Havia reencarnando na França como Joana D’arc, aquela jovem que ouvia as vozes do além e conduziu exércitos à vitórias. Sofreu traições e perseguições que eram impostas aos adeptos de Jesus, e suas provas culminaram quando ela foi queimada viva na fogueira da inquisição.

Não faz sentido a humanidade continuar condenando Judas. Relembrando aquela época, ele narra: “Olho complacentemente aos que me acusam, sem refletir se podem atirar a primeira pedra!”.

Enfoques Espíritas – Fatos do 31 de Março

Fatos marcantes para o espiritismo ocorreram no dia 31 de março, em diferentes anos. O fenômeno de Hydesville (EUA) no ano de 1848 foi um deles. Na casa da família Fox, a menina Kate estabeleceu comunicação com o estranho invisível que provocava pancadas.

Depois tomou-se conhecimento que se tratava do Espírito do mascate Charles Rosma, naquele local assassinado. Além desse, outros tantos se seguiram. Destaque para as mesas girantes que aguçaram a curiosidade de um famoso professor e educador francês de nome Hippolyte Léon Denizard Rivail, que futuramente viria a adotar o pseudônimo de Allan Kardec.

Avançando no tempo, o relato do Espírito Vianna de Carvalho (através da psicografia de Divaldo Franco) nos remete ao ano de 1869.

Descreve que após uma noite de reflexões, quando foi visitado pelo Espírito da Verdade, orientador do trabalho missionário, Allan Kardec despertou eufórico e recompensado interiormente. Pela manhã, entre 10h e 11h, após atender a um jovem que veio adquirir um exemplar da Revista Espírita, sentiu-se maravilhado.

Emoções complexas surgiram-lhe do coração ao cérebro, e ele rodopiou, tombando fulminado no solo. Era o dia 31 de março daquele ano. O grande Codificador do Espiritismo havia terminado sua tarefa na Terra. A Codificação ficaria para enfrentar os desafios do futuro.

Sem se deixar levar por qualquer mancha de personalismo, Allan Kardec, estruturou de forma racional, organizada e codificada, a Doutrina Espírita. Fez questão de observar que essa Doutrina não é dele, e sim dos Espíritos Superiores que a revelaram. Buscou, colheu e estudou todos os ensinos desses Espíritos. Submeteu tudo ao crivo da razão, conferiu as revelações com outros Espíritos através de médiuns diversos.

À sua época, Allan Kardec enfrentou e superou com mestria, sucessivas etapas desafiadoras que lhe foram apresentadas. No dizer do Espírito Vianna de Carvalho, “exatamente no momento em que as mentes mais esclarecidas se libertavam da imposição dogmática, dando início à era da investigação racional com as armas frias da pesquisa científica, quando os postulados religiosos padeciam a pública desmoralização cultural dos seus aranzéis metafísicos, ele se permitiu adentrar pelos dédalos das dúvidas, a fim de aplicar os recursos da época na construção da experiência imortalista”.

Pessimismo, suspeitas de descrédito, insanas perseguições, calúnias bem urdidas, ciladas trabalhadas pela astúcia e pela desonestidade foram desenvolvidas para que pudessem apanhar os dedicados obreiros da nova causa. A todos os riscos foram submetidos, sem, no entanto, desfalecerem nos seus ideais.

Seguiu Kardec trabalhador incansável e destemido, até o último instante de sua jornada terrena. Rompidas as barreiras corporais, alçou voo rumo à imortalidade, onde prossegue aliado ao trabalho de Jesus. E no transcurso de mais um 31 de março, saudamos o grande Benfeitor da Humanidade vibrando em sua memória.

Francinaldo Rafael – Um olhar sobre as traduções bíblicas

Escrita durante muitos séculos e produto de muitas mãos, a Bíblia é chamada de “a palavra de Deus”. Mas é necessário critério,  racionalidade, contextualização na leitura dos texto  nela registrados, para evitar equívocos de interpretação.

O juiz de direito Haroldo Dutra Dias, formado em língua grega clássica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em hebraico pela União Israelita de Belo Horizonte, especialista em paleontografiacrítica textualaramaico e francês, é autor de uma tradução do Novo Testamento para o português. Na referida obra, concentra esforços na recuperação do sentido original das palavras, expressões idiomáticas, etc., numa espécie de arqueologia linguística e cultural.

Em seus estudos, Dutra nos alerta sobre os cuidados na história das traduções bíblicas. Vejamos: o Velho Testamento foi produzido por hebreus, que falavam o hebraico. E o hebraico não foi sempre o mesmo ao longo de mil anos, tal qual nossa língua portuguesa desde a carta de Caminha até os dias de hoje. Há livros escritos em hebraico antigo, outros já no mais moderno.

Outro ponto a ser considerado é que por volta no ano 700 a. C., o povo hebreu foi escravizado pelos babilônios e em torno do ano 500 a.C, já levados para a babilônia, começaram a esquecer o hebraico e passaram a falar o aramaico que era a língua dos babilônios. O livro do profeta Daniel (hebreu), por exemplo, foi escrito a maior parte em aramaico. Quando voltaram para a palestina, pela sucessão de gerações, a maioria não sabia ler o hebraico.

Por volta do ano 200 a.C, surge o império de Alexandre, O Grande. Conquista tudo ao redor do mediterrâneo e dissemina a língua grega, o idioma internacional da época. Nesse período, os sábios de Israel fizeram uma tradução do Velho Testamento para o grego.

Avancemos ao tempo em que Jerusalém caiu sob o domínio dos romanos, cuja língua era o  latim.

Eis a mistura na época de Jesus, salienta Haroldo Dutra: o povo que morava na Galiléia e em Jerusalém, falava na linguagem popular o aramaico. Quando entrava na sinagoga, o texto bíblico era lido em hebraico e havia as traduções livres para entendimento. Os soldados romanos falavam latim. E a comunicação com os estrangeiros que chegavam era feita em grego. Foi nessa pluralidade de linguagens que viveram os primeiros seguidores do Cristo. Daí, todos os manuscritos do Novo Testamento estar escritos em grego. Como Paulo de Tarso disseminou o cristianismo mundo afora, se não tivesse grafado desse modo, haveria dificuldade de entendimento.

No ano 400 d.C, as igrejas romanas quiseram começar a dominar as outras igrejas cristãs. Foi solicitado a Jerônimo que fizesse uma tradução de toda a bíblia para o latim. Era a língua oficial do império romano, e o cristianismo passou a ser religião oficialmente tolerada por ele. Jerônimo lançou mão do original hebraico, texto em aramaico,  em grego, em latim antigo e fez uma tradução para o latim moderno, a Vulgata. Nessa tradução, muito da riqueza da obra se perdeu. Então a igreja adotou-a como a Bíblia. Diz Dutra: “Aqui começou a maior deturpação da história do cristianismo. Não por culpa de Jerônimo, mas pelo que fizeram com a Vulgata Latina”. E cita um exemplo: existia na cultura hebraica “Sheol”, o lugar da alma dos mortos. A Septuagenta traduziu para “hades” que tem outra conotação: era um espectro da alma; e Jerônimo traduziu pelo advérbio de lugar, “infernos”, o que está embaixo. E com a fertilidade da imaginação, chegou-se ao inferno.

Em apenas um exemplo citado nessa análise trazida por Haroldo Dutra, percebemos a facilidade de equívocos na interpretação da bíblia. Daí a necessidade de um estudo mais aprofundado, para evitar-se julgamentos e condenações em nome de Deus.

Francinaldo Rafael – A dualidade humana

A escritora carioca Sylvia Orthof  Gostkorzewicz lançou em 1985 a obra  “Uxa, ora Fada, ora Bruxa”, para o público infantil.  Vejamos algumas passagens:

Em determinado dia, Uxa  segue para encontrar o príncipe, perder o sapatinho e dizer sim. É uma fada notável, atenciosa, envolvente. Tal qual as outras fadas, veste-se de rosa, tiara com estrela na cabeça, varinha de condão.  Está muito feliz. Começa a subir a escadaria do castelo, mas de repente senta e começa a pensar: “Será que eu quero mesmo deixar cair meu sapatinho de cristal?” Quando o príncipe aparece, Uxa corre para longe com medo da transformação em  princesa e ter que ser feliz para sempre. Vira bruxa de repente, com todas as características peculiares: vestido azul, chapéu com lua, vassoura. Fica feliz em fazer brincadeiras desagradáveis com outras pessoas, comporta-se maldosamente. Termina vencida pelo amor, apaixonada por um computador. Silvia Orthof conclui a estória mostrando Uxa uma fada-bruxa, as vezes antiga, outras vezes moderna.

Carregamos em nós humanos essa dualidade. Somos dicotômicos. Somos capazes de lutar, de realizar coisas ditas impossíveis. Temos impulsos de esquecermos nós mesmos para ajudar  na necessidade alheia. Mas por outro lado, em algumas vezes não nos abalamos em caluniar, mentir, gerar conflitos. Temos o lado fada e o lado bruxa. Esse último muitas vezes aflora inesperadamente e nos surpreende de forma assustadora, nos fazendo pensar: como pude ter agido assim?

Para lidar com essa dualidade visando progresso evolutivo, o “conhece-te a ti mesmo” é o meio eficaz para a criatura humana se melhorar nesta vida e de resistir ao arrastamento para o mal, asseveram os Espíritos Superiores. A forma prática para conseguir tal intento é recomendada pelo Espírito Santo Agostinho: “Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma”.

Nessa viagem interior proposta por Santo Agostinho é possível que identifiquemos nossa porção fada e nossa porção bruxa. Não eliminaremos essa última, mas ficaremos atentos ao nosso comportamento. Saberemos o que nos tira o equilíbrio e passaremos a atentar mais para tal zona de conflito.

Jesus, conhecedor da nossa intimidade, afirmou: “Vós sois deuses. Podeis fazer tudo o que eu faço e muito mais”, num gesto de motivação e esperança. Resta-nos avaliar a quem serve nossa dualidade: a fada ou a bruxa? Desse modo, empreenderemos esforços para nos libertarmos do homem velho e fazer surgir o homem novo.

Francinaldo Rafael – Estejamos contentes

O Espírito Emmanuel, através da psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, enviou a Terra preciosos ensinamentos. Dentre eles, comentários sobre trechos pinçados dos Evangelhos que nos permitem largas reflexões. Vejamos: “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.” – Paulo (I Timóteo, 6:8).

Diante da assertiva do apóstolo, Emmanuel nos conduz a perceber que não necessitamos de muito para nossa vivência. Toma como exemplo o detentor do monopólio do trigo,  que apesar da mesa farta, apenas  algumas fatias de pão saciarão sua fome. O fabricante de tecidos disporá de poucos metros do produto para as próprias roupas.

Diante disso  adverte sobre nossos deveres humanitários:

“Por que esperas o banquete, a fim de ofereceres algumas migalhas ao companheiro que passa faminto?

Por que reclamas um tesouro de moedas na retaguarda, para seres útil ao necessitado?

A caridade não depende da bolsa. É fonte nascida no coração.

É sempre respeitável o desejo de algo possuir no mealheiro para socorro do próximo ou de si mesmo, nos dias de borrasca e insegurança, entretanto é deplorável a subordinação da prática do bem ao cofre recheado.

Descerra, antes de tudo, as portas da tua alma e deixa que o teu sentimento fulgure para todos, à maneira de um astro cujos raios iluminem, balsamizem, alimentem e aqueçam…

A chuva, derramando-se em gotas, fertiliza o solo e sustenta bilhões de vidas.

Dividamos o pouco, e a insignificância da boa vontade, amparada pelo amor, se converterá com o tempo em prosperidade comum.

Algumas sementes, atendidas com carinho, no curso dos anos, podem dominar glebas imensas.

Estejamos alegres e auxiliemos a todos os que nos partilhem a marcha, porque, segundo a sábia palavra do apóstolo, se possuímos a graça de contar com o pão e com o agasalho para cada dia, cabe-nos a obrigação de viver e servir em paz e contentamento”.

 

Francinaldo Rafael – O problema da corrupção

Uma pesquisa rápida nos dicionários e encontraremos como sinônimo de corrupção, ato ou efeito de corromper e se corromper, adulteração, suborno, degradação moral.

A problemática é a que mais tem sido destaque na mídia, especialmente envolvendo a máquina pública. Mas engana-se quem pensa estar a corrupção apenas entre os envolvidos nesses poderes. Lamentavelmente se alastra em todos os segmentos da sociedade, ao ponto de provocar uma espécie de cegueira nos indivíduos que se embrenham nela sem se dar conta.

Vejamos algumas situações: adulteração do imposto de renda, burlar o fisco não pedindo ou emitindo nota fiscal, falsificar produtos ou adquirir falsificações como carteira de estudante, subornar o guarda, compra e venda de aprovação em concursos, em carteira de habilitação, enrolar no trabalho para ganhar hora extra, falsa gravidez ou criança maior de cinco anos no braço para furar a fila, não devolver o troco recebido a mais, gato na tv a cabo, na eletricidade, na rede de água, pegar um atestado médico falso, o famigerado jeitinho brasileiro, etc.

Pois é, algumas tão simples que podem até não figurar como ilegais, mas são posturas  antiéticas. Não é porque todo mundo faz que também vamos seguir pelo mesmo caminho. Afinal de contas nossa personalidade é individual ou coletiva?

A criatura humana carrega no seu íntimo tendências de existências passadas. Quando não encontram a vigilância e os mecanismos educadores da disciplina e correção, podem transformar-se em hábitos prejudiciais.

Conforme assegura o Espírito Joanna de Ângelis (psicografia do médium espírita Divaldo Franco) “encontrando-se insípitas no Espírito as tendências, compete à educação a tarefa de desenvolver as que se apresentam positivas, e corrigir as inclinações que induzem à queda moral, à repetição dos erros e das manifestações mais vis, que as conquistas da razão ensinam a superar”. Adverte-nos a Benfeitora que esse processo educativo deve começar de dentro para fora e não somente nos comportamentos da moral social, da aparência.

Faz-se necessário, portanto, que examinemos detidamente nossas atitudes diante de situações com as quais possamos nos deparar. Cada um fazendo a parte que lhe cabe procedendo com honestidade, integridade, a corrupção aos poucos vai tendo seu curso detido. E partiremos desta vivência de consciência tranquila. Recordemos a anotação do Evangelista João (5:29): “E os que fizerem o bem sairão para a ressurreição da vida, e os que fizerem o mal, para a ressurreição da condenação”. Examinando-a sob a tese reencarnacionista, identificaremos o renascimento do Espírito para a luz da alegria ou para a aflição reeducativa de que necessita.

 

Francinaldo Rafael – Renasce agora

Em diálogo com Nicodemos, o senador dos judeus, Jesus o adverte que para ver o Reino de Deus  é necessário nascer de novo. Ele falava sobre os sucessivos renascimentos das criaturas humanas, necessários para o avanço evolutivo de cada indivíduo.

O Espírito Emmanuel, através da psicografia do médium espírita Chico Xavier, desenvolve análises preciosas  acerca da temática, mostrando a Natureza como sábia instrutora.

Recomenda para conservarmos do passado o que foi bom, belo,  justo, nobre. Nunca guardar os detritos nem as sombras. Também não deveremos negligenciar o trabalho sob nossa responsabilidade. Cada momento é oportunidade de reajustamento. Caso possível, não deixar para depois os laços de amor e paz que podemos criar no presente, substituindo as algemas de  inimizades. Afirma ele: “Não é fácil quebrar antigos preconceitos do mundo ou desenovelar o coração, a favor daqueles que nos ferem. Entretanto, o melhor antídoto contra os tóxicos da aversão é a nossa boa-vontade, a benefício daqueles que nos odeiam ou que ainda não nos compreendem”. Sob a ótica da psicologia profunda o Espírito Joanna de Ângelis alerta  que quem permanece no clima de ofensa está amarrando-se aos elos dos renascimentos inferiores sem libertar-se. O ódio aprisiona.

Emmanuel  nos chama a reflexão e  ao mesmo tempo orienta: “Alguém te magoa? Reinicia o esforço da boa compreensão. Alguém não te entende? Persevera em demonstrar os intentos mais nobres. Deixa-te reviver, cada dia, na corrente cristalina e incessante do bem”.

Recordando então a afirmativa de Jesus sobre o nascer de novo, o Benfeitor Espiritual nos convida a renascer agora nos nossos propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os obstáculos que nos cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre nós mesmos.

Francinaldo Rafael – As lições do Mestre

Conforme narra o Espírito Amélia Rodrigues (psicografia do médium espírita Divaldo Franco), a época em que Jesus nasceu esse  mundo estava tomado pelas paixões selvagens. As sociedades exaltavam o poder transitório, não havendo lugar para o amor nem para a fraternidade. A guerra devorava vidas. A ilusão dos valores materiais encobriam a claridade e a justiça. Aumentava a quantidade de pessoas na miséria: sem terras, sem teto, sem trabalho, que se entregavam ao roubo, a ociosidade.

A divisão de classes explicitava a dureza dos corações. Fariseus e saduceus odiavam-se mutuamente em luta pelo poder, tal qual os herodianos e os publicanos.

Israel aguardava um Messias poderoso. Desejava alguém sanguinário e vingativo lhe devolvesse as glórias perdidas. No desejo doentio de dominar outros povos confundiu as profecias que anunciavam a Era da Verdade.

Veio Jesus com Sua doutrina de boas-novas de alegria, mensagens de ternura e encorajamento para os excluídos. Elegeu-os irmãos, conviveu com eles, alimentou-os ensinou dignidade ao mesmo tempo em que fazia o convite de renovação íntima.

Diante de uma samaritana, mesmo sabendo inimiga, conduziu-a a mensageira da fraternidade tentando restaurar a união entre os clãs. Transformou uma outra, perturbada por espíritos obsessores, em edificante exemplo de propaganda de Suas palavras, sendo a primeira a vê-lO redivivo no terceiro dia após a crucifixão. Ao poderoso Nicodemos informou sobre os vários renascimentos das criaturas humanas. Censurado por comer e beber com as classes menos favorecidas,  jamais recusou-se a ajudar quem necessitasse.

Suas parábolas são ricas em lições de ética, de comportamento e de recursos terapêuticos para a libertação de pessoas algemadas pelos conflitos íntimos: o bom samaritano, proposta de compaixão e misericórdia; o filho pródigo, ensinamento sobre arrependimento e reabilitação; as virgens loucas e as prudentes, advertência para sobriedade e equilíbrio; a figueira seca, convite a produtividade e ao bem.

São as preciosas lições do Mestre apresentadas ao mundo, simples e nobres e que permanecem atualizadas por todos os séculos. Resta a cada um reflexionar e caminhar em Sua direção.

Francinaldo Rafael – Ressurreição e reencarnação

Narra o evangelista Mateus (cap 17.v.10 a 13) que após a transfiguração de Jesus diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João, esses O interrogaram: “- Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro? Respondeu Ele: Na verdade Elias havia de vir e restaurar todas as coisas; digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Então entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista”.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos relata que a reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As ideias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam ressurreição o que o Espiritismo, mais prudentemente, chama reencarnação. A ressurreição dá  a ideia de que é possível um corpo  já morto voltar a viver. Tal fato não é possível do ponto de vista científico,  sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos em outras composições. A reencarnação é a volta do Espírito em outro corpo especialmente formado para ele.

A palavra ressurreição, portanto, não poderia ser aplicada para Elias nem aos outros profetas. Segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois  João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado. A ideia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra é encontrada em muitas passagens dos Evangelhos. Se fosse errônea essa crença, Jesus a haveria combatido, como combateu tantas outras. Longe disso, Ele a sanciona com toda a Sua autoridade, colocando-a como princípio e condição necessária, quando disse: “Ninguém pode ver o reino dos céus se não nascer de novo,”  e insiste: “Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.”

 

Francinaldo Rafael – Reflexões sobre a morte

Para morrer basta estar vivo, diz o ditado popular. É um fenômeno natural do qual ninguém escapará e para o qual é recomendável que nos preparemos dia a dia.

A Doutrina Espírita prova que a morte não existe, senão do ponto de vista material. Extingue-se a vida do corpo físico, mas o Espírito imortal prossegue em outra dimensão.  Todo ser humano deseja vida longa, ser feliz, concretizar  planos. Mas quando se fala de morte…

Para muita gente é assunto assustador, quando não desesperador.  Esse temor da morte é um efeito da sabedoria da Providência Divina e consequência do instinto de conservação presente em todos nós. É necessário enquanto não se está suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura. Sem esse freio poderíamos ser desleixados com nossa vida e partirmos dela prematuramente, atrasando nosso adiantamento. À medida que o homem compreende melhor a vida futura, o medo da morte diminui.

Há aquelas criaturas que deleitam-se na fantasia da eterna juventude, no desfrutar dos prazeres e que se dependesse delas, a vida deveria ser apenas isso. No entanto, tudo muito repetitivo pode tornar-se motivo de tédio ou vazio existencial, por não ter significado. A Divindade, ao estabelecer limites orgânicos, proporciona  tempo e oportunidade necessários para o desenvolvimento ético-moral e espiritual do ser humano. A Doutrina Espírita, no seu aspecto consolador e esclarecedor, mostra-nos a certeza do reencontro dos entes queridos  após a morte do corpo físico, paciência e coragem para suportar as fadigas transitórias desta vida.

Então, cientes de que ninguém conseguirá driblar a morte por mais que tente, vejamos os sábios conselhos do Espírito Joanna de Ângelis para que nos preparemos diante dessa realidade: “Pensa com frequência e tranquilidade na tua desencarnação. Considera que o momento, por mais distante se te apresente, chegará fatalmente. Recorda os teus desencarnados com carinho, envolvendo-os em ternura e orações. Fala-lhes mentalmente a respeito da realidade na qual se encontram e de como se devem comportar, procurando apoio dos seus guias e a proteção do Senhor da Vida. Morrendo e retornando logo depois, Jesus cantou o hino da imortalidade gloriosa que culmina a sua trajetória na Terra de maneira insuperável”.