domingo , 25 de junho de 2017
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Enfoques Espíritas

Com Francinaldo Rafael
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Francinaldo Rafael – O problema da corrupção

Uma pesquisa rápida nos dicionários e encontraremos como sinônimo de corrupção, ato ou efeito de corromper e se corromper, adulteração, suborno, degradação moral.

A problemática é a que mais tem sido destaque na mídia, especialmente envolvendo a máquina pública. Mas engana-se quem pensa estar a corrupção apenas entre os envolvidos nesses poderes. Lamentavelmente se alastra em todos os segmentos da sociedade, ao ponto de provocar uma espécie de cegueira nos indivíduos que se embrenham nela sem se dar conta.

Vejamos algumas situações: adulteração do imposto de renda, burlar o fisco não pedindo ou emitindo nota fiscal, falsificar produtos ou adquirir falsificações como carteira de estudante, subornar o guarda, compra e venda de aprovação em concursos, em carteira de habilitação, enrolar no trabalho para ganhar hora extra, falsa gravidez ou criança maior de cinco anos no braço para furar a fila, não devolver o troco recebido a mais, gato na tv a cabo, na eletricidade, na rede de água, pegar um atestado médico falso, o famigerado jeitinho brasileiro, etc.

Pois é, algumas tão simples que podem até não figurar como ilegais, mas são posturas  antiéticas. Não é porque todo mundo faz que também vamos seguir pelo mesmo caminho. Afinal de contas nossa personalidade é individual ou coletiva?

A criatura humana carrega no seu íntimo tendências de existências passadas. Quando não encontram a vigilância e os mecanismos educadores da disciplina e correção, podem transformar-se em hábitos prejudiciais.

Conforme assegura o Espírito Joanna de Ângelis (psicografia do médium espírita Divaldo Franco) “encontrando-se insípitas no Espírito as tendências, compete à educação a tarefa de desenvolver as que se apresentam positivas, e corrigir as inclinações que induzem à queda moral, à repetição dos erros e das manifestações mais vis, que as conquistas da razão ensinam a superar”. Adverte-nos a Benfeitora que esse processo educativo deve começar de dentro para fora e não somente nos comportamentos da moral social, da aparência.

Faz-se necessário, portanto, que examinemos detidamente nossas atitudes diante de situações com as quais possamos nos deparar. Cada um fazendo a parte que lhe cabe procedendo com honestidade, integridade, a corrupção aos poucos vai tendo seu curso detido. E partiremos desta vivência de consciência tranquila. Recordemos a anotação do Evangelista João (5:29): “E os que fizerem o bem sairão para a ressurreição da vida, e os que fizerem o mal, para a ressurreição da condenação”. Examinando-a sob a tese reencarnacionista, identificaremos o renascimento do Espírito para a luz da alegria ou para a aflição reeducativa de que necessita.

 

Francinaldo Rafael – Renasce agora

Em diálogo com Nicodemos, o senador dos judeus, Jesus o adverte que para ver o Reino de Deus  é necessário nascer de novo. Ele falava sobre os sucessivos renascimentos das criaturas humanas, necessários para o avanço evolutivo de cada indivíduo.

O Espírito Emmanuel, através da psicografia do médium espírita Chico Xavier, desenvolve análises preciosas  acerca da temática, mostrando a Natureza como sábia instrutora.

Recomenda para conservarmos do passado o que foi bom, belo,  justo, nobre. Nunca guardar os detritos nem as sombras. Também não deveremos negligenciar o trabalho sob nossa responsabilidade. Cada momento é oportunidade de reajustamento. Caso possível, não deixar para depois os laços de amor e paz que podemos criar no presente, substituindo as algemas de  inimizades. Afirma ele: “Não é fácil quebrar antigos preconceitos do mundo ou desenovelar o coração, a favor daqueles que nos ferem. Entretanto, o melhor antídoto contra os tóxicos da aversão é a nossa boa-vontade, a benefício daqueles que nos odeiam ou que ainda não nos compreendem”. Sob a ótica da psicologia profunda o Espírito Joanna de Ângelis alerta  que quem permanece no clima de ofensa está amarrando-se aos elos dos renascimentos inferiores sem libertar-se. O ódio aprisiona.

Emmanuel  nos chama a reflexão e  ao mesmo tempo orienta: “Alguém te magoa? Reinicia o esforço da boa compreensão. Alguém não te entende? Persevera em demonstrar os intentos mais nobres. Deixa-te reviver, cada dia, na corrente cristalina e incessante do bem”.

Recordando então a afirmativa de Jesus sobre o nascer de novo, o Benfeitor Espiritual nos convida a renascer agora nos nossos propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os obstáculos que nos cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre nós mesmos.

Francinaldo Rafael – As lições do Mestre

Conforme narra o Espírito Amélia Rodrigues (psicografia do médium espírita Divaldo Franco), a época em que Jesus nasceu esse  mundo estava tomado pelas paixões selvagens. As sociedades exaltavam o poder transitório, não havendo lugar para o amor nem para a fraternidade. A guerra devorava vidas. A ilusão dos valores materiais encobriam a claridade e a justiça. Aumentava a quantidade de pessoas na miséria: sem terras, sem teto, sem trabalho, que se entregavam ao roubo, a ociosidade.

A divisão de classes explicitava a dureza dos corações. Fariseus e saduceus odiavam-se mutuamente em luta pelo poder, tal qual os herodianos e os publicanos.

Israel aguardava um Messias poderoso. Desejava alguém sanguinário e vingativo lhe devolvesse as glórias perdidas. No desejo doentio de dominar outros povos confundiu as profecias que anunciavam a Era da Verdade.

Veio Jesus com Sua doutrina de boas-novas de alegria, mensagens de ternura e encorajamento para os excluídos. Elegeu-os irmãos, conviveu com eles, alimentou-os ensinou dignidade ao mesmo tempo em que fazia o convite de renovação íntima.

Diante de uma samaritana, mesmo sabendo inimiga, conduziu-a a mensageira da fraternidade tentando restaurar a união entre os clãs. Transformou uma outra, perturbada por espíritos obsessores, em edificante exemplo de propaganda de Suas palavras, sendo a primeira a vê-lO redivivo no terceiro dia após a crucifixão. Ao poderoso Nicodemos informou sobre os vários renascimentos das criaturas humanas. Censurado por comer e beber com as classes menos favorecidas,  jamais recusou-se a ajudar quem necessitasse.

Suas parábolas são ricas em lições de ética, de comportamento e de recursos terapêuticos para a libertação de pessoas algemadas pelos conflitos íntimos: o bom samaritano, proposta de compaixão e misericórdia; o filho pródigo, ensinamento sobre arrependimento e reabilitação; as virgens loucas e as prudentes, advertência para sobriedade e equilíbrio; a figueira seca, convite a produtividade e ao bem.

São as preciosas lições do Mestre apresentadas ao mundo, simples e nobres e que permanecem atualizadas por todos os séculos. Resta a cada um reflexionar e caminhar em Sua direção.

Francinaldo Rafael – Ressurreição e reencarnação

Narra o evangelista Mateus (cap 17.v.10 a 13) que após a transfiguração de Jesus diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João, esses O interrogaram: “- Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro? Respondeu Ele: Na verdade Elias havia de vir e restaurar todas as coisas; digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Então entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista”.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos relata que a reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As ideias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam ressurreição o que o Espiritismo, mais prudentemente, chama reencarnação. A ressurreição dá  a ideia de que é possível um corpo  já morto voltar a viver. Tal fato não é possível do ponto de vista científico,  sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos em outras composições. A reencarnação é a volta do Espírito em outro corpo especialmente formado para ele.

A palavra ressurreição, portanto, não poderia ser aplicada para Elias nem aos outros profetas. Segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois  João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado. A ideia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra é encontrada em muitas passagens dos Evangelhos. Se fosse errônea essa crença, Jesus a haveria combatido, como combateu tantas outras. Longe disso, Ele a sanciona com toda a Sua autoridade, colocando-a como princípio e condição necessária, quando disse: “Ninguém pode ver o reino dos céus se não nascer de novo,”  e insiste: “Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.”

 

Francinaldo Rafael – Reflexões sobre a morte

Para morrer basta estar vivo, diz o ditado popular. É um fenômeno natural do qual ninguém escapará e para o qual é recomendável que nos preparemos dia a dia.

A Doutrina Espírita prova que a morte não existe, senão do ponto de vista material. Extingue-se a vida do corpo físico, mas o Espírito imortal prossegue em outra dimensão.  Todo ser humano deseja vida longa, ser feliz, concretizar  planos. Mas quando se fala de morte…

Para muita gente é assunto assustador, quando não desesperador.  Esse temor da morte é um efeito da sabedoria da Providência Divina e consequência do instinto de conservação presente em todos nós. É necessário enquanto não se está suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura. Sem esse freio poderíamos ser desleixados com nossa vida e partirmos dela prematuramente, atrasando nosso adiantamento. À medida que o homem compreende melhor a vida futura, o medo da morte diminui.

Há aquelas criaturas que deleitam-se na fantasia da eterna juventude, no desfrutar dos prazeres e que se dependesse delas, a vida deveria ser apenas isso. No entanto, tudo muito repetitivo pode tornar-se motivo de tédio ou vazio existencial, por não ter significado. A Divindade, ao estabelecer limites orgânicos, proporciona  tempo e oportunidade necessários para o desenvolvimento ético-moral e espiritual do ser humano. A Doutrina Espírita, no seu aspecto consolador e esclarecedor, mostra-nos a certeza do reencontro dos entes queridos  após a morte do corpo físico, paciência e coragem para suportar as fadigas transitórias desta vida.

Então, cientes de que ninguém conseguirá driblar a morte por mais que tente, vejamos os sábios conselhos do Espírito Joanna de Ângelis para que nos preparemos diante dessa realidade: “Pensa com frequência e tranquilidade na tua desencarnação. Considera que o momento, por mais distante se te apresente, chegará fatalmente. Recorda os teus desencarnados com carinho, envolvendo-os em ternura e orações. Fala-lhes mentalmente a respeito da realidade na qual se encontram e de como se devem comportar, procurando apoio dos seus guias e a proteção do Senhor da Vida. Morrendo e retornando logo depois, Jesus cantou o hino da imortalidade gloriosa que culmina a sua trajetória na Terra de maneira insuperável”.

Francinaldo Rafael – Não há morte

Depois que partiram do círculo carnal aqueles a quem amas, tens a impressão de que a vida perdeu a sua finalidade.

As horas ficam vazias, enquanto uma angústia que te dilacera e uma surda desesperação que te mina as energias se fazem a constante dos teus momentos de demorada agonia.

Estiveram ao teu lado como bênçãos de Deus, clareando o teu mundo de venturas com o lume da tua presença e não pensaste, não te permitiste acreditar na possibilidade de que eles te pudessem preceder na viagem de retorno.

Cessados os primeiros instantes do impacto que a realidade te impôs, recapitulas as horas de júbilo enquanto o pranto verte incessante, sem conforta-te, como se as lágrimas carregassem ácido que te requeima desde a fonte do sentimento à comporta dos olhos, não diminuindo a ardência da saudade. . .

Antes da situação, o futuro se te desdobra sombrio, ameaçador, e interrogas como será possível prosseguir sem eles.

O teu coração pulsa destroçado e a tua dor moral se transforma em punhalada física, a revolver a lâmina que te macera em largo prazo.

Temes não suportar tão cruel sentimento. Conseguirás, porém, superá-lo. Muito justas, sim, tuas saudades e sofrimentos.

Não, porém, a ponto de levar-te ao desequilíbrio, à morte da esperança, à revolta. . .

Os seres a quem amas e que morreram, não se consumiram na voragem do aniquilamento. Eles sobreviveram.

A vida seria um engodo, se se destruísse ante o sopro desagregador da morte que passa.

A vida se manifesta, se desenvolve em infinitos matizes e incontáveis expressões. A forma se modifica e se estrutura, se agrega e se decompõe passando de uma para outra expressão vibratória sem que a energia que a vitaliza dependa das circunstâncias transitórias em que se exterioriza.

Não estão portanto, mortos, no sentido de destruídos, os que transitaram ao teu lado e se transferiram de domicílio.

Prosseguem vivendo aqueles a quem amas.

Aguarda um pouco, enquanto, orando, a prece te luarize a alma e os envolvas no rumo por onde seguem.

Não te imponhas mentalmente com altas doses de mágoas, com interrogações pressionantes, arrojando na direção deles os petardos vigorosos da tua incontida aflição.

Esforça-te por encontrar a resignação.

O amor vence, quando verdadeiro, qualquer distância e é ponte entre abismos, encurtando caminhos.

Da mesma forma que anelas por volver a senti-los, a falar-lhes, a ouvir-lhes, eles também o desejam.

Necessitam, porém, evoluir, quanto tu próprio.

Se te prendes a eles demoradamente ou os encarcera no egoísmo, desejando continuar uma etapa que hora se encerrou, não os fruirás, porque estarão na retaguarda.

Libertando-os, eles prosseguirão contigo, preparar-te-ão o reencontro, aguarda-te-ão…

Faze-te, a teu turno, digno deles, da sua confiança, e unge-te de amor com que enriqueças outras vidas em memórias deles, por afeição a eles.

Não penseis mais em termos de “adeus” e, sim, em expressões de “até logo mais”.

Todos os homens na terra são chamados a esse testemunho, o da temporária despedida. Considera, portanto, a imperiosa necessidade de pensar nessa injunção e deixa que a reflexão sobre a morte faça parte do teu programa de assuntos mentais, com que te armarás, desde já para o retorno, ou para enfrentar em paz a partida dos teus amores. . .

Quanto àqueles que viste partir, de quem sofres saudades infinitas e impreenchíveis vazios no sentimento, entrega-os a Deus, confiando-os e confiando-te ao Pai, na certeza de que, se souberes abrir a alma à esperança e a fé, conseguirás senti-los, ouvi-los, deles haurindo a confortadora energia com que te fortalecerás até o instante da união sem dor, sem sombra, sem separação pelos caminhos do tempo sem fim, no amanhã ditoso.

(Mensagem do Espírito Joanna de Ângelis psicografada pelo médium espírita Divaldo Franco)

Francinaldo Rafael – Semana Espírita de Mossoró

No prefácio da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), o Espírito Verdade comenta que “(…) são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”. Sinaliza uma das missões do espiritismo que é tornar claros os ensinamentos de Jesus, proporcionar a análise racional e a reflexão de cada indivíduo.

Acerca da publicização da Doutrina, o  Espírito Emmanuel  faz o alerta no livro Estude e Viva: “(…) o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação”. Pela psicografia do médium espírita Divaldo Franco, o Espírito Marcelo Ribeiro comenta: “O Espiritismo é um tesouro de alto valor que tem a missão de produzir lucros de amor e juros de paz. Ocultá-lo, sem o promover entre as criaturas, é o mesmo que enterrar uma fortuna, que assim perde a finalidade para a qual existe. Retê-lo, constitui crime de avareza, considerando-se a fonte de luz de que padecem as criaturas. (…) O Espiritismo é o antídoto eficiente e rápido para os males que grassam, na Terra, derruindo o materialismo e promovendo a vida. Difundi-lo, a rigor, é tarefa de quantos se identificam com as suas lições e nele encontram satisfação de viver. Não é lícito impô-lo, nem justo deixar de apresentá-lo”.

Ciente da grande importância dos postulados espíritas e o dever de disseminá-los, o Movimento Espírita de Mossoró mais uma vez realiza o maior evento de divulgação do segmento nessa região do nosso estado: a Semana Espírita na cidade, entre dos dias 23 e 29 do corrente mês. Em sua 28ª edição, este ano traz como tema central Um Desafio Chamado Família. É oportunidade de refletir o porquê de estarmos inseridos em determinado clã familiar, os laços de família, os novos modelos de família, violência doméstica, etc. As crianças também tem espaço no evento em atividades educativas.

Participar de um evento espírita não significa tornar-se adepto. Captar seguidores não é preocupação do espiritismo. Importante é as pessoas darem-se a chance de  analisar e submeter ao crivo da razão as informações recebidas, como também de profundas reflexões acerca de si próprios.

 A Semana Espírita de Mossoró é uma opção  para os contatos iniciais  com essa nascente de bênçãos, fonte segura e impulsionadora para o progresso da humanidade.

Francinaldo Rafael – O féretro

O féretro seguia, devagarinho, pelo estreito caminho da fazenda. As plantações, o gado e as benfeitorias indicavam a riqueza do proprietário das terras. O cemitério ficava a dois quilômetros de distância.  O caixão, todo branco, indicava tratar-se do sepultamento de uma criança. Os acompanhantes eram poucos, apenas os familiares e os padrinhos. Todos pareciam muito tristes e o cântico, quase um murmúrio, confirmava a angústia daqueles corações. Eram lavradores simples e suas mãos cheias de calos mal podiam segurar as alças do caixãozinho.

Um carro parou, rente ao caminho, na rodovia, a pedido da filha do dono do veículo, para que ela pudesse observar, de perto, aquele enterro.

– Filhinha, disse o pai que não a contrariava, é uma tolice o que você está pedindo. É pura perda de tempo.

– Mas eu quero ver, papai – resmungou a jovenzinha de seus dez anos.

Faltavam alguns passos, para que o féretro entrasse na rodovia, dando seguimento ao seu destino.

– Veja, papai, eles são muito pobres. Aquela mulher deve ser a mãe. Ta chorando muito. Coitada, está descalça. O homem, também.

– Vamos embora, meu  bem – disse o pai. Detesto presenciar estas cenas.

O caixão chegou à rodovia. Colocaram no chão para descansar. O velho lavrador enxugou o suor do rosto com a manga da camisa, parecendo meio sem jeito à frente daquele homem de aparência tão importante, que descera do carro.

– É parente seu? – perguntou o recém-chegado.

– Minha filha – respondeu com os olhos cheios de lágrimas – morreu por falta de recurso.

– Ah! Lamento! – disse o interlocutor, e puxou a menina para que entrasse no carro, demonstrando certa contrariedade. Ficou ainda mais surpreso, quando o lavrador perguntou:

 – O sinhô foi bem de viagem?

– Eu?

– É, num tava no instrangero?

– Como sabe?

Pigarreando, Horácio respondeu que estava muito cansado e que a Europa era um lugar muito bom para descansar a cabeça.

– Se me der licença, eu e minha filha vamos andando.

– Ocê ta muito bonita Rosemary. Deus ti abençoe.

– A menina cochichando com o pai, falou que o homem a conhecia. Horácio, estranhando, perguntou:

– Você nos conhece?

– Sim sinhô!

– Onde é que mora?

– Na fazenda, doto.

– Sim, mas que fazenda?

– Na sua.

Esta psicografia do Espírito Hilário Silva ditada à médium Irene Carvalho, evidencia um fato que pode acontecer com muitos de nós. Pessoas próximas necessitando algum tipo de apoio, e a gente sem se dar conta de que pode ser útil. Reflitamos.

Francinaldo Rafael – Professor Rivail e sua gloriosa missão

Condenado pelo Concílio de Constança, Jan Huss  foi queimado vivo numa fogueira em 06 de julho de 1415. Nos dias gloriosos da intelectualidade de Paris, renasce em 03 de outubro de 1804 (Lyon, França) como Hippolyte Léon Denizard Rivail. A começar do berço, recebeu educação primorosa. Desde a juventude, sentiu-se atraído para a Ciência e a Filosofia. Fez os primeiros estudos em Lyon e enriqueceu sua bagagem de conhecimentos em Yverdon, Suíça, com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos. No Instituto Pestalozzi desenvolveu as ideias progressistas do Positivismo, que o colocariam mais tarde no rol dos mais célebres livres pensadores que a Humanidade conheceu.  Voltou à França bacharelado em Letras e Ciências. Em Paris fundou uma instituição de ensino, onde ministrava Química, Física, Astronomia e Anatomia Comparada. Não cobrava daqueles que não podiam pagar, revelando, desde cedo, seu caráter humanitário.

Publicou uma rica série de obras na área de educação, principalmente tratando sobre matemática e gramática francesa. Demonstração de rara versatilidade, iniciando, aos 20 anos de idade, com a edição do Curso Prático Teórico de Aritmética. Várias de suas respeitadas obras foram integradas ao currículo de estudos da Universidade de França. De temperamento cético e sem instinto poético nem romanesco, todo inclinado ao método, à ordem, à disciplina mental, praticava, na palavra escrita e falada, a precisão, a nitidez, a simplicidade, dentro de um vernáculo perfeito, livre de excessos. O filósofo e escritor Camille Flammarion denominou-o de o bom senso encarnado.

Mas, uma surpresa o aguardava. Após cinquenta anos de preparação acadêmica e moral, o professor Rivail seria convocado pela espiritualidade para codificar a Doutrina Espírita. Tendo ouvido falar nos fenômenos das mesas girantes que respondiam as perguntas que lhes eram dirigidas, procurou conhecê-los de perto e analisá-los profundamente. Numa noite, comunicou-se o Espírito Zéfiro, declarando-se seu Espírito Protetor. Confessou-lhe que o houvera conhecido numa existência anterior, no tempo dos Druidas, na Gália, quando Rivail se chamava Allan Kardec. Ao mesmo tempo revelou-lhe a missão para a qual havia sido escolhido. O professor Rivail comparecia a cada sessão com uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas; eram respondidas com precisão, profundeza e de modo lógico. Diversos médiuns foram utilizados para confirmação das orientações espirituais. Era indispensável que nada ficasse incorreto, obscuro, duvidoso. Tinha plena consciência do alcance moral da nova doutrina e de sua missão.

Em virtude de seu nome ser muito conhecido e respeitado pela comunidade científica, quando da publicação da obra, o professor Rivail optou por assinar como Allan Kardec. Tal foi o sucesso, que a primeira edição rapidamente se esgotou. Além de O Livro dos Espíritos, organizou também O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno,  A Gênese, livros basilares da Doutrina Espírita.

Hippolyte Leon Denizard Rivail – Allan Kardec – faleceu em Paris, em 31 de março de 1869 aos  65 anos de idade, vitimado pela ruptura de um aneurisma.

 

Francinaldo Rafael – Ganhando Resistência

Reconhece você que a sua resistência precisa aumentar; por isso mesmo não despreze o esforço no bem algum tanto a mais além do nível.

Se o trabalho parece estafante, suporte mais um pouco as dificuldades em que se lhe envolvem os encargos.

Onde lhe pareça já haver exercitado o máximo de humildade, apague-se um tanto mais em favor de outrem para que o seu grupo alcance a segurança ideal.

Demonstre um pouco mais de paciência nos momentos de inquietação e evitará desgostos incalculáveis.

Abstenha-se algo mais de reclamações mesmo justas, no que se reporta aos seus interesses pessoais, e observará quanta simpatia virá depois ao seu encontro.

Mostre um pouco mais de serenidade nos instantes de crise e você se transformará no apoio providencial de muita gente.

Confie algo mais na proteção da Bondade Divina e conseguirá superar obstáculos que se lhe figuravam intransponíveis.

Nos dias de enfermidade aguente um tanto mais as dificuldades do tratamento e você apressará as suas próprias melhoras de maneira imprevisível.

Tolere um tanto mais as intrigas que, porventura, lhe assediem o campo de ação, sem lhes oferecer qualquer importância e defenderá a sua própria felicidade, com inesperado brilhantismo.

Você vive no mundo em meio de provas e lutas, desafios e necessidades, ao modo de aluno entre as lições de que precisa na escola, em favor do próprio aproveitamento; aprenda a suportar os convites ao bem dos outros e você ganhará os melhores valores da resistência.

(Mensagem do Espírito André Luiz – Psicografia do médium Francisco Cândido Xavier)