domingo , 20 de agosto de 2017
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Enfoques Espíritas

Com Francinaldo Rafael
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A difícil renúncia – Francinaldo Rafael

Eis que um moço rico aproxima-se de Jesus e pergunta-Lhe o que deve fazer para adquirir a vida eterna. Recomendou-lhe o Mestre que seguisse os mandamentos. O jovem respondeu dizendo ser prática habitual. Perguntou então o que mais faltava fazer. Disse-lhe Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”.

Conforme narra o Espírito Amélia Rodrigues (Primícias do Reino – psicografia Divaldo Franco), as palavras doces e enérgicas de Jesus causaram-lhe inquietação. Vivia na riqueza, mas faltava-lhe algo. Podia segui-Lo, mas… Era jovem vigoroso, competidor nas corridas de bigas, que lhe davam honras, vaidades atendidas, bajulações. Queria primeiramente disputar as vitórias dos jogos. Ante a negativa do Mestre, foi-se embora tristonho.

Assim como o moço rico, diariamente travamos batalhas interiores. Dificilmente queremos abrir mão de situações que, se observadas mais atentamente, não nos acrescentam nada.

Diz o Espírito Joanna de Ângelis (Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda – psicografia Divaldo Franco)  que a superioridade do ego conduzindo o indivíduo faz com que esse se apegue as paixões primitivas, geradoras de ambições descabidas, interesses mesquinhos, incoerências. A necessidade de impor-se, de destacar-se no grupo social anula a capacidade de análise sensata, abrindo o campo mental e emocional para usufruir de gozos e lucros pessoais sempre. Por outro lado, comportamentos saudáveis conduziriam os indivíduos mais rapidamente a melhores caminhos: renunciar a insensatez, a falta de compreensão, ao pessimismo, nunca perdendo a oportunidade de ser aquele que serve sem cobrar nada em troca, que silencia ao mal, que perdoa sempre, que nunca cansa de confiar em Deus.

Quando Jesus propôs ao moço rico desfazer-se de todos os bens e segui-Lo, certamente não pretendeu estabelecer que fosse princípio único para cada criatura abrir mão do que possui e só assim conquistar a evolução. Quis mostrar que o apego aos bens materiais é obstáculo. O abuso é que torna as riquezas maléficas. Compete ao homem usá-las corretamente, trabalhando para a melhoria material do planeta. Não se pode esquecer que as vitórias de um dia, no outro passam.

Uma semana depois daquele encontro, diz Amélia Rodrigues, Cesaréia era a capital do ócio, do prazer. Ao som alegre das fanfarras, começavam as festas públicas. Aquele jovem impetuoso estava presente na competição de bigas, com seus cavalos magníficos. Ao sinal, competidores e seus carros saem em disparada. Numa manobra menos feliz, um carro vira e um corpo tomba na arena, despedaçado pelas patas velozes. Apesar da respiração agonizante, o corpo ensanguentado, as dores lancinantes, ele consegue fugir mentalmente da cena brutal e entre a névoa que lhe envolve os olhos parece ver Jesus e escuta-Lo: “Renuncia a ti mesmo, vem, segue-me”. Dois braços o envolvem veludosos e transparentes. O corpo já sem vida dá a impressão de sorrir.

O Céu e o Inferno – Francinaldo Rafael

Em 1º de agosto de 1865 foi lançada a quarta obra da Codificação Espírita: O Céu e o Inferno. Também conhecida como a justiça divina segundo o espiritismo, é um exame comparativo das diversas doutrinas, sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, etc. Traz numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e após a morte.

Allan Kardec, o Codificador, apresenta a verdadeira face do desejado Céu, do temido Inferno, como também do chamado Purgatório. Põe fim às penas eternas, demonstrando que tudo no universo evolui, conforme narra José Herculano Pires (tradutor) na introdução do livro. Diz ele: “Lendo-se este livro com atenção vê-se que a sua estrutura corresponde a um verdadeiro processo de julgamento. Na primeira parte temos a exposição dos fatos que o motivaram e a apreciação judiciosa, sempre serena, dos seus vários aspectos, com a devida acentuação dos casos de infração da lei. Na segunda parte o depoimento das testemunhas. Cada uma delas caracteriza-se por sua posição no contexto processual. E diante dos confrontos necessários o juiz pronuncia a sua sentença definitiva, ao mesmo tempo enérgica e tocada de misericórdia. Estamos ante um tribunal divino”.

Dois capítulos de O Céu e o Inferno foram antecipadamente publicados na Revista Espírita em 1865. Um, na edição  de janeiro, intitulado “Da apreensão da morte, vigorosa peça de acusação”, e o outro em março com o título “Onde é o Céu”. Pareciam simples artigos, mas esse último trazia uma nota final anunciando que ambos fariam parte de uma “nova obra que o Sr. Allan Kardec publicará proximamente”. No mês de setembro já estava à venda.

A leitura e o estudo atento da obra são importantes tanto para espíritas como para não espíritas, por permitir a compreensão do sentido da vida humana na Terra. Seguindo na introdução, Herculano Pires discorre: “Kardec nos dá nas suas páginas o balanço da evolução moral e espiritual da humanidade terrena até os nossos dias. Mas ao mesmo tempo estabelece as coordenadas da evolução futura. As penas e recompensas de após a morte saem do plano obscuro das superstições e do misticismo dogmático para a luz viva da análise racional e da pesquisa científica. É evidente que essa pesquisa não pode seguir o método das ciências de mensuração, pois o seu objetivo não é material, mas segue rigorosamente as exigências do espírito científico moderno e contemporâneo. O grave problema da continuidade da vida após a morte despe-se dos aparatos mitológicos para mostrar-se com a nudez da verdade à luz da razão esclarecida”.

Vida, sono e sonho – Francinaldo Rafael

O sono é um estado recorrente, cíclico e fase fisiológica normal e necessária do organismo. Nessa etapa há o refazimento orgânico, consolidação da memória, reequilíbrio de funções diversas.

O ser humano passa cerca de um terço da vida dormindo. Esse estado, de certa forma é um treino, mesmo que inconsciente, para o fenômeno da morte.

Semelhante a morte, quando o Espírito se liberta do corpo físico, durante o sono há ocorrência idêntica.

Como não há inatividade nas Leis da Vida, mesmo durante o repouso da matéria, o Espírito se movimenta atraído pelo que o interessa. Desprende-se parcialmente e busca lugares e pessoas com os quais mantém vínculos. Quando retorna ao corpo traz lembranças que imprime no cérebro. Poderão ocorrer os sonhos dos mais diversos tipos. Inclusive alguns se tornaram conhecidos mundo afora como os narrados na Bíblia, os desdobramentos de Santa Teresa de Ávila, Voltaire.

Há  correlação entre os acontecimentos e o estado evolutivo de cada ser.

Nessa parcial liberdade, segue na direção de ambientes que lhe são agradáveis ou onde gostaria de estar, se assim o fosse possível fisicamente. Afirma o Espírito Manoel Philomeno de Miranda através da psicografia do médium espírita Divaldo Franco (no livro Temas da Vida e da Morte): “Em tal circunstancia, pode viajar com os seres amados, que reencontra além da cortina carnal, participando dos seus estudos e realizações, aprendendo lições que lhe ficarão em gérmen, penetrando, inclusive, nos registros do passado como do futuro”. Quando almeja ideais de enobrecimento da Humanidade, recebe inspiração para enriquecimento desses planos do bem.

Nem sempre essas viagens em corpo espiritual durante o sono levam a ambientes de felicidade.

Em razão do hábito dos  maus pensamentos, comportamentos pouco saudáveis, Espíritos afins a esse panorama são conduzidos a redutos de crimes, de perversão, ampliando as percepções negativas. Trazem para o hábito diário as inspirações recebidas.

Diante disso tudo, afirma Philomeno: “Se alguém diz como e o que sonha, é fácil explicar-lhe como vive nas suas horas diárias. Dorme-se, portanto, como se vive, sendo-lhe os sonhos o retrato emocional da sua vida moral e espiritual”.

Na jornada evolutiva – Francinaldo Rafael

Caso houvesse a publicação de uma lei geral para a finitude do ser humano, certamente o artigo  primeiro seria: “Todos são iguais perante a morte, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a toda a população mundial a inviolabilidade desse direito”.

Diariamente, a todo instante, dos quatro cantos da Terra partem milhares rumo ao país da morte. Saem de grandes centros culturais, de velhos círculos ainda materialmente atrasados, das metrópoles, das tribos, vilas, campos, etc. Em resumo: ninguém escapa, independente de raça, cor, pobreza, riqueza…

Conforme nos lembra o Espírito Emmanuel no prefácio da obra No Mundo Maior, psicografada por Chico Xavier, raros viveram sublimados realizando deveres nobres. A maioria ainda se constitui de pequenos em espíritos, lutando por títulos que lhes exaltem a personalidade. Muitos se acomodaram em vícios diversos, trilharam caminhos insensatos, e quase sempre se diziam “eleitos da Providência”. Nessa ilusão justiçavam o próximo sem olhar as próprias faltas. O paraíso estava reservado a si e o inferno para os outros.

Visto que após a morte do corpo físico o destino de todos é o mundo espiritual, como abrigar na mesma estação Espíritos oriundos de culturas, posições e bagagens tão diferentes?

Perante a Justiça Divina, todos tem o mesmo direito. “Provavelmente, porém, estão distanciados entre si, pela conduta individual, diante da Lei Divina, que distingue, invariavelmente, a virtude e o crime, o trabalho e a ociosidade, a verdade e a simulação, a boa vontade e a indiferença. Da contínua peregrinação do sepulcro, participam, todavia, santos e malfeitores, homens diligentes e homens preguiçosos”, diz Emmanuel.

Visto que o dicionário divino ressalta as palavras “regeneração”, “amor”, “misericórdia”, não há como avaliar por uma única medida cada indivíduo. Por exemplo, o selvagem que eliminou semelhantes a flechadas, teria recebido as mesmas oportunidades de aprendizado que o europeu supercivilizado que mata o próximo à metralhadora? Ambos estariam aptos a ingressar no paraíso apenas por arrependimento ou cultos exteriores? O próprio Emmanuel responde: “A lógica e o bom senso sem sempre se compadecem com argumentos teológicos imutáveis. A vida nunca interrompe atividades naturais por imposição de dogmas estatuídos de artifício”. Enfatiza ainda lembrando que se uma obra de arte humana exposta num museu exigiu anos para ser empreendida e realizada, que dizer da obra sublime de aperfeiçoamento da alma, destinada a glórias inalteráveis?

Para a aquisição de riquezas imperecíveis, jamais será através de felicidade improvisada. Sempre através da sabedoria e do amor. A morte não proporcionará acesso gratuito para a glória celeste. Nem transformará homens em anjos. “Cada criatura transporá essa aduana da eternidade com a exclusiva bagagem do que houver semeado, e aprenderá que a ordem e a hierarquia, a paz do trabalho edificante, são características imutáveis da Lei, em toda parte”.

O cisco de Deus – Francinaldo Rafael

Domingo, 30 de junho de 2002. Por volta das 19h30 desencarnou aos 92 anos de idade o médium Francisco Cândido Xavier, em meio as vibrações de alegria do povo brasileiro pela conquista da Copa do Mundo de futebol.

Segundo informações de pessoas próximas a ele, como de costume, nesse dia acordou cedo, fez orações e  alimentou-se normalmente. Pediu para fazer a barba. O enfermeiro respondeu que o barbeiro estava impossibilitado de fazê-la naquele dia; só no dia seguinte. Chico então retrucou que não adiantaria mais, pois já seria tarde. No dia anterior, apesar de toda a debilidade orgânica, fez questão de ir à distribuição de alimentos no bairro denominado Cidade Ozanan. Estava de semblante sereno e feliz.  Já na tardinha do domingo, pediu para tomar banho e vestir-se devidamente. Jantou e foi depois conduzido ao leito, onde permaneceu sereno, motivo para que os presentes se afastassem um pouco, exceto seu médico o Dr. Eurípedes Tahan. Colocou-se de mãos postas, erguidas para o alto, em evidente atitude de oração. Minutos depois, baixando os braços, cruzou-os sobre o peito e asserenou de vez. Dr. Eurípedes relatou  de público, que Chico, nos momentos de transição, não apresentou o mínimo sinal de sofrimento, nenhum gesto que denunciasse sequer desconforto ou descontentamento. Era seu desejo, partir num dia em que todos os brasileiros estivessem felizes. E assim aconteceu.

Sua vida não foi fácil. Desde a infância o sofrimento era companheiro presente. Órfão de mãe aos cinco anos de idade, surras três vezes ao dia com vara de marmelo, garfos espetados na barriga, obrigado a lamber feridas…

Seu grau de escolaridade só foi até o curso primário. Começou a trabalhar a partir dos oito anos de idade numa fábrica de tecidos, das 15h até as 2h. Chico sempre se sustentou do seu modesto salário. Aposentou-se como datilógrafo subordinado ao Ministério da Agricultura. Nunca recebeu um centavo sequer fazendo uso da mediunidade. Dos  mais de quatrocentos livros que psicografou, doou todos os direitos autorais a federativas espíritas e entidades assistenciais.

Porta-voz de Deus? “Uma besta encarregada de transportar documentos dos Espíritos” – dizia ele. Um apóstolo? “Nada disso. Cisco Xavier”. Autodenominava-se um cisco de Deus. Assim, defendia-se do assédio e evitava a perigosa armadilha da vaidade. “Ajudai-vos uns aos outros” era sua receita para todos os males. Tinha Jesus como permanente farol a iluminar seu caminho. Recomendava a oração como aliada constante: “Ninguém pode imaginar, enquanto na Terra, o valor, a extensão e a eficácia de uma prece nascida na fonte viva do sentimento.”

Transcorridos quinze anos do retorno de nosso querido Chico à Pátria Espiritual,  seu exemplo de vida permanece entre nós. O homem chamado amor, o cisco de Deus, esquecia-se de si mesmo para beneficiar o próximo.

Nem tudo é o que parece ser – Francinaldo Rafael

Uma enxurrada de livros tidos como mediúnicos tem tomado conta do mercado literário.  Muitos, sem qualquer critério de conteúdo doutrinário que atestem informações autênticas de princípios basilares da Doutrina Espírita. Percebe-se o interesse meramente comercial. Daí se faz necessário separar o joio do trigo. O médium espírita Divaldo Franco expressa sua opinião sobre esse assunto em entrevista concedida a Federação Espírita do Paraná, da qual extraímos alguns trechos.

“ – É muito comum dizer: mas é muito boa! Mas, muito boa, porém não uma obra espírita e no que diz respeito à mediunidade, a mediunidade ficou tão barateada, tão vulgarizada, que perdeu aquele critério com que Allan Kardec a estuda em ‘O Livro dos Médiuns’. O médium é médium desde o berço. Os fenômenos nos médiuns ostensivos começam na infância e quando têm a felicidade de receber a diretriz da Doutrina, torna-se o que Chico Xavier denominava com muita beleza: mediunidade com Jesus. O que equivaleria dizer: a mediunidade ética, a mediunidade responsável, criteriosa, a mediunidade que não se permite os desvios do momento, os modismos. Mas a mediunidade natural pode surgir em qualquer época e ela surge como inspiração. O indivíduo pode cultivá-la, desenvolve-la naturalmente”.

Ressalte-se que O Livro dos Médiuns citado por Divaldo é a melhor e mais segura fonte para estudar a temática.

Prossegue Divaldo: “Verificamos, neste momento, essa enxurrada perniciosa, porque saem mais de cinquenta títulos de obras pseudomediúnicas por mês, pelo menos que nos chegam através dos catálogos, tornando-se impossíveis de serem lidas. O que ocorre? Eu recebo entre 10 e 20 solicitações mensais, pedindo aos Espíritos prefácios para obras que ainda estão sendo elaboradas. A pressa desses indivíduos de projetar a imagem, de entrarem nesse pódium do sucesso é tão grande que ainda não terminaram de psicografar – quando é psicográfica – ou de transcrevê-la, quando é inspirada, ou de escrevê-la, quando é de próprio punho, de própria concepção, já preocupado com o prefácio. Eu lhes digo: bom, aos Espíritos eu não faço solicitações. Peço desculpas por não poder mandar o prefácio desejado. Espere, pelo menos, concluir o trabalho. Pode ser que eu morra, pode ser que você morra e pode ser que o Guia reencarne antes de terminar a obra”.

Divaldo cita o exemplo de obras nas quais fazem uma inversão do processo natural. “Inverteu, porque o Espírito está tão físico no mundo espiritual! E um Espírito do sexo feminino, que tem os fluxos catamênicos no mundo espiritual e que vai ao banheiro e dá descarga! Outras obras, igualmente muito graves, falam de relacionamentos sexuais para promoverem reencarnação no Além. Ora, a palavra reencarnação já caracteriza tomar um corpo de carne. Como reencarnar no Além, no mundo de energia, de fluidos, onde não existe a carne? O Além, com ninhos de passarinhos multiplicando-se, em que as aves vêm, chocam e nascem os filhotinhos. Não é que estejamos contra qualquer coisa, mas é que são delírios, pura fascinação”.

Uma obra imaginativa é diferente de uma obra de cunho espírita. Para o estudo da Doutrina, é prudente que se busque as obras basilares com a qualidade e critério irretocáveis presentes na Codificação feita por Allan Kardec, sob a supervisão de entidades venerandas.

Oração à pátria brasileira – Francinaldo Rafael

Pátria Brasileira! Abençoada pela fulgurante luz das estrelas do Cruzeiro do Sul, estás programada pelo Senhor da Vida para que sejas, em futuro não distante, o centro de irradiação do Evangelho restaurado.

Enquanto a humanidade sofre a noite terrível que se abate sobre a Terra, e tu experimentas, solo verdejante, a sombra dominadora do descalabro moral dos homens, na Consciência Cósmica que te gerou, estão definidos os desafios e rumos para que logres as tuas conquistas em futuro próximo.

Dormem, nas montanhas em que te apoias e na intimidade das águas oceânicas do Atlântico, que te banha de norte a sul, tesouros inimagináveis que te destacarão mais tarde do concerto econômico das grandes nações.

Embora a conspiração deste momento contra as tuas matas grandiosas, sobreviverás às ambições desconcertantes de madeireiros, pecuaristas e agricultores desalmados, e dos conciliábulos nefandos que lutam pela destruição da tua Amazônia, que permanecerá como último pulmão da Terra, sustentando a sociedade que hoje se encontra sem rumo.

Padeces, na conjuntura atual, a sistemática desagregação dos valores ético-morais, políticos e emocionais, os mesmos que abalam o mundo, mas esses transitórios violadores do dever passarão, enquanto persistirá a tua destinação histórica. Pátria do porvir!

Conseguiste libertar-se da mancha cruel da escravidão em etapas contínuas, que culminaram no gesto audaz da tua filha, que não teve pejo de, na ausência do pai, pôr fim ao abuso da exploração impiedosa do negro, também teu filho, no eito terrível e hediondo da perversidade.

Logo depois, já livre do jugo da pátria-mãe que te humilhava, pondo-te em subalterna situação, aspiraste por voos mais altos, que um dia se transformaram em liberdades democráticas que sorriam para ti, e o teu pavilhão verde, azul e amarelo tremulou, numa república, que a partir de então podia compartilhar do banquete internacional realizado pelos povos livres da Terra.

É certo que ainda estertoras, neste momento de desafios, quando a cultura cambaleia, a ética desfalece, a moral se perverte e os direitos humanos esquecidos são postos à margem pelos dominadores ignorantes de um dia.

Tu, porém, sobreviverás a toda essa desdita, Brasil!

Compreende, neste momento, a desenfreada manobra dos manipuladores da opinião pública e a daqueles que te dilapidam os valores, transferindo-os para os paraísos fiscais da ignomínia e da insensatez, porque esse hediondo crime contra tua economia e os milhões de vidas, será de duração efêmera. Eles morrerão deixando tudo em contas secretas, em aplicações de que jamais se utilizarão….

Enquanto isso ocorre, gemem no teu solo os filhos da miséria, ocultos nos escombros do abandono.

As tuas vielas, ruas e avenidas nos pequenos burgos do interior, nas metrópoles, veem e sofrem inermes, a desenfreada correria da violência que se atrela ao selvagem potro da morte, dizimando vidas, taladas em pleno alvorecer.

Paga, porém, em paciência e compaixão o preço da tua destinação histórica, na tua condição de futura pátria da paz e do Evangelho de Jesus.

Isto passará, e logo depois da noite sombria, uma aurora de esperanças irá colocar-te no lugar que está reservado, quando poderás oferecer lições de misericórdia e de solidariedade ao mundo que não perdoa, tu que apresentas em forma de um grande coração  simbolizando a afabilidade e a doçura.

Oro por ti, Brasil, e por vós, brasileiras e brasileiros, na condição de filho que também sou da terra iluminada pela constelação do Cruzeiro do Sul.

 

DEODORO (*)

(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldodo Pereira Franco, na sessão da noite de 16 de novembro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia).

(*) Marechal Deodoro da Fonseca.

Nota dos Editores da mensagem.

É impossível terceirizar a evolução – Francinaldo Rafael

Terceirização é assunto recorrente no meio midiático nos dias atuais. Há até quem a veja como solução para tudo. Mas há certas coisas que não se encaixam nesse viés, em virtude de serem essencialmente individuais. Dentre elas a evolução.

O Espírito imortal reencarna repetidas vezes até atingir o clímax da sua jornada: a perfeição. Mas para atingir esse estágio se faz necessário submeter-se a todas as ocorrências da existência corporal, ao mesmo tempo em que colabora com sua parte na obra da Divindade. A todos é dado o mesmo ponto de partida: são criados simples, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta.

A cada nova reencarnação a criatura humana traz experiências das existências anteriores, num ciclo sucessório natural “E através desse mecanismo os êxitos abrem espaços a conquistas mais amplas e complexas, assim como o fracasso em algum comportamento estabelece processos que impõem problemas no desenvolvimento dos cursos que prosseguem adormecidos”, afirma o Espírito Joanna de Ângelis, através do médium Divaldo Franco. E enfatiza: “Ninguém se encontra isento do patrimônio de si mesmo como resultado dos próprios atos. São eles os responsáveis diretos por todas as ocorrências da marcha evolutiva, o que constitui estimulo para o ser, liberando-o dos processos de transferência de responsabilidade para outrem ou para os fatores circunstanciais, sociais, que normalmente são considerados perturbadores”.

Mesmo em situações em que se aponta a genética como responsáveis por casos orgânicos ou psíquicos que restrinjam o indivíduo, são derivados de condutas pessoais anteriores. Necessitam ser considerados como processos reeducativos para o aprimoramento de cada ser humano.

Diante dessas evidências vamos percebendo que é impossível terceirizar nosso processo evolutivo. Seremos nós mesmos os condutores dessa escalada.

 

Riqueza necessária – Francinaldo Rafael

Certo grupo discutia a respeito de locais onde seus membros deveriam ou não frequentar. Acreditavam que em virtude do seu patamar social, não seria recomendável ir àqueles onde mais humildes também pudessem usufruir. Poderiam se contaminar pelos maus hábitos.

Quem dera essa narrativa inicial fosse fantasia. Lamentavelmente é realidade nos dias atuais, onde o preconceito ainda tem guarida no íntimo de muitas pessoas que se acham superiores aos semelhantes pelos mais diversos motivos.

A riqueza necessária a ser acumulada, conforme recomendou Jesus, é o tesouro no céu, não como algo em lugar circunscrito. São valores íntimos geradores de estados de paz na consciência, sensação de plenitude.

O Espírito Emmanuel (através da psicografia de Chico Xavier) nos lembra que é sempre passageira a galeria de toda evidência carnal. E reforça: “Beleza física, poder temporário, propriedade passageira e fortuna amoedada podem ser simples atributo da máscara humana, que o tempo transforma, infatigável. Amealhemos bondade e cultura, compreensão e simpatia”.

A criatura humana só possui de seu, apenas aquilo que pode levar deste mundo. Do que adquiriu na transitoriedade carnal  é apenas usuário. Sua real propriedade é a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais.

Ao chegar ao mundo dos Espíritos não será perguntado a nenhum de nós quanto tínhamos na Terra, qual posto ocupávamos, quais títulos nos foram concedidos… A consciência nos interrogará a respeito da soma de nossas virtudes, qual a destinação dada aos bens materiais por nós administrados…

Recordando o fato inicialmente citado, cabe a reflexão: quem disse que apenas pessoas mais pobres são grosseiras, tem maus hábitos, cometem delitos?

Portanto, com base nos ensinos do Mestre, Emmanuel nos recomenda para que cresçamos na virtude e incorporemos a verdadeira sabedoria, porque mais cedo ou mais tarde, sem exceção, seremos visitados pela morte que a todos nivela: pobres ou ricos, independente de raça ou de cor, status social ou qualquer coisa assim.

Doutrina Espírita: 160 anos de nova luz para a humanidade – Francinaldo Rafael

No dia 18 de abril de 1857 sob o pseudônimo de Allan Kardec, o professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail lançava em Paris O Livro dos Espíritos.

Discorrendo sobre temas que eram relevantes também para a Filosofia e filósofos europeus do século XIX, é o primeiro dos cinco livros que compõem a base da Doutrina Espírita. Informa acerca da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o futuro da humanidade. Apresenta ao homem condições para esclarecimentos sobre suas inquietações: o que sou, de onde vim, para onde vou, qual a razão da dor e do sofrimento, qual o sentido da minha existência.

As principais fontes sobre como foi redigida a obra estão na Revista Espírita e em textos autobiográficos publicados por Kardec no livro Obras Póstumas, especialmente o intitulado “A minha primeira iniciação no Espiritismo”.

Muito afeito a racionalidade, homem da ciência, apesar de não acreditar na manifestação de Espíritos, a convite de confrades magnetizadores Rivail se aproximou de grupos que lidavam com a mediunidade. Analisando o fenômeno, ficou impressionado com as informações trazidas pelas entidades. Mas se incomodava com o caráter fútil das perguntas que eram feitas pelos participantes.

Incentivado pelos Espíritos, o professor Rivail empreendeu projeto de pesquisa sério com metodologia própria. Enfocando Filosofia, Psicologia e natureza do mundo invisível, desenvolvia questões  e submetia-as aos imortais;  algumas delas através do pensamento, o que lhe dava mais confiança na existência de seres inteligentes. As respostas chegavam por via da psicografia mecânica das jovens médiuns Julie e Caroline Baudin (14 e 16 anos de idade respectivamente). Nesse processo era usada uma cesta com lápis preso a ela. Todo o conteúdo psicografado foi submetido a revisão por uma terceira médium: Ruth Celine Japhet.

O Livro dos Espíritos foi organizado em sua primeira edição com 501 perguntas e respostas. Em 18 de março de 1860, foi publicada a segunda edição, definitiva, revisada e ampliada, com 1.019 questionamentos e os respectivos esclarecimentos. Em várias oportunidades, Allan Kardec enfatizou que a obra é a reunião dos ensinamentos ditados pelos Espíritos Superiores e publicado por ordem deles. Nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não lhes tenha sofrido o controle. Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação pertencem a Kardec, O Codificador.

Ao longo desses 160 anos, a Doutrina Espírita no seu tríplice aspecto de ciência de observação, filosofia espiritualista e religiosidade, tem proporcionado esclarecimentos de forma racional em relação a jornada das criaturas humanas, sob o olhar das Leis Divinas, eternas e imutáveis. Também pela revelação objetiva das vivências sucessivas e o processo contínuo de aprendizado na busca do aperfeiçoamento através das oportunidades que a vida oferece. Seus ensinamentos conduzem o homem a redescoberta de si mesmo.

No Rio Grande do Norte, 18 de abril foi oficializado como o Dia do Espírita, através de Projeto de Lei do deputado Nélter Queiroz, sancionado pelo então governador Garibaldi Alves Filho, em 1996.