domingo , 21 de outubro de 2018
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Enfoques Espíritas

Com Francinaldo Rafael
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O Evangelho Segundo o Espiritismo: essência da moral ensinada por Jesus – Francinaldo Rafael

Uma das cinco obras que compõem a Codificação Espírita é O Evangelho Segundo o Espiritismo. Lançada no dia 15 de abril de 1864 em Paris (França), há quem pense tratar-se de uma bíblia criada pelos espíritas. Desde já esclarecemos que tal ideia não corresponde à realidade.

Analisando-se os Evangelhos, percebe-se que as matérias contidas nele podem ser divididas em cinco partes: os atos cotidianos da vida do Cristo, os milagres, a profecias, as palavras que serviram ao estabelecimento dos dogmas da Igreja e os ensinamento moral.

As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se incontestável. É terreno onde todos os cultos podem reunir-se, quaisquer que sejam suas crenças, visto que não é constituída por elementos propiciadores de munição das disputas religiosas, que geralmente tem origem nas questões dogmáticas.

Como essas diretrizes de bem proceder dizem respeito às circunstancias da vida privada ou da pública, ao principio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça e, acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura, é dessa parte o objetivo exclusivo de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ao mesmo tempo proporciona o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. Afinal de contas “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente à razão, em todas as épocas da Humanidade”, afirmava Allan Kardec, o Codificador.

Conforme a introdução da obra, muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autores sacros em geral, parece pouco compreensível por falta do instrumento que lhes dê o verdadeiro sentido. O Espiritismo apresenta esse instrumento, conforme pode conferir quem o estuda com seriedade.

Para complementar cada ensinamento, foi acrescentado ao Evangelho Segundo o Espiritismo algumas instruções escolhidas, dentre as que os Espíritos ditaram em vários países e por diferentes médiuns. Se elas fossem tiradas de uma fonte única, poderiam talvez ter sofrido uma influência pessoal ou a do meio. Ao contrário, a diversidade de origens prova que eles concedem os ensinamentos por toda parte, sem privilegiar ninguém isoladamente.

Esta obra é para uso de todos. Dela podem extrair os meios em conformidade com a moral do Cristo  e o respectivo proceder, isentos de qualquer alegoria.

FOTO: Shutterstock Images

A Gênese Kardequiana – Francinaldo Rafael

A palavra gênese empregada como substantivo feminino está diretamente relacionada com a formação dos seres, desde uma origem. No masculino, significa o primeiro livro do Pentateuco, onde é apresentada a criação do mundo adornada em simbologias muitas vezes equivocadamente interpretadas.

Em  6 de janeiro de 1868, com base na ciência existente no século 19 ainda embrionária, Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, lançou a obra “A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”. Trata-se de um livro absolutamente lógico que ora chega ao sesquicentenário.

Explica Kardec na introdução que dois elementos, ou duas forças administram o Universo: o elemento espiritual e o  material. Da ação simultânea desses dois princípios nascem fenômenos especiais, que se tornam naturalmente inexplicáveis, desde que se isole um deles, do mesmo modo que a formação da água seria inexplicável, se fosse retirado um dos seus elementos constituintes: o oxigênio e o hidrogênio.

Demonstrando a existência do mundo espiritual e suas relações com o mundo material, o Espiritismo fornece a chave para a explicação de uma imensidade de fenômenos incompreendidos e considerados, em virtude mesmo dessa circunstância, inadmissíveis, por parte de uma certa classe de pensadores. Há nas Escrituras esses fatos e, por desconhecerem a lei que os rege, é que os observadores, nos dois campos opostos, girando sempre dentro do mesmo círculo de idéias. Uns, utilizando os dados positivos da ciência, outros, desprezando o princípio espiritual, não conseguiram chegar a uma solução racional. Essa solução se encontra na ação recíproca do Espírito e da matéria. É exato que ela tira à maioria de tais fatos o caráter de sobrenaturais. Tal a razão por que o Espiritismo conduz tantas pessoas à crença em verdades que elas antes consideravam meras utopias.

Logo no seu primeiro capítulo, a obra prende a atenção do leitor. Tratando das características da revelação espírita, faz uma série de questionamentos profundos. Em sequencia, fala sobre Deus, o bem e o mal, papel da ciência na gênese, astronomia, geologia, gênese orgânica, dentre outros, preparando terreno para aprofundar na gênese espiritual. Tudo num perfeito encadeamento. Após o estudo da gênese espiritual, adentra-se pela teoria dos fluidos, necessário para que se compreenda cientificamente o passe. Na sequencia, explica  os milagres racionalmente. Termina apresentando a nova geração e a transição do planeta iniciada no século 19, cujo período será mais ou menos longo, dependendo do livre-arbírtrio dos seus habitantes.

De caráter científico, “A Gênese” nos leva a refletir sobre a necessidade de renovação moral, pois só o avanço nesse viés pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra, pondo um freio nas más tendências. Só ele pode fazer reinar entre a humanidade, a concórdia, a paz, a fraternidade. A inteligência sem senso moral, por inúmeras vezes acaba por abrir portas para os descaminhos.

 

 

 

 

 

Semeadura livre, colheita obrigatória – Francinaldo Rafael

Afirma o Espírito Emmanuel através do médium Chico Xavier que, de forma isolada, cada um de nós tem no planeta o mapa das próprias lutas e serviços. O berço de todos é o princípio de um labirinto de tentações e de dores, intimamente ligadas à própria vida nessa esfera. Esse percurso é traçado por cada um e  necessita ser percorrido com inabalável coragem moral.

Assim sendo, todos temos que travar o bom combate com as adversidades porque o ser humano não nasceu para ser vencido por elas. Todo ser humano deveria atentar para a própria conduta, através do exercício contínuo da autorreflexão. Analisar  como se comporta diante de si mesmo e do próximo; se faz o bem sem esperar retorno; se é capaz de tirar preciosas lições das provas às quais é submetido; evita procurar ou apontar os defeitos dos outros, sabendo que também os tem, etc. É amplo o horizonte a ser vislumbrado nesse viés, pois conforme advertiu o Cristo, a oração e a vigilância são essenciais para evitar as quedas nas tentações.

Para ilustrar vamos a um caso trazido pelo médium Raul Teixeira vivenciado em uma cidade importante do Brasil.

Ao dirigir-se para o  restaurante com os seus anfitriões, enquanto esperavam a  abertura do semáforo, ele viu uma mulher maltrapilha ali ao lado, no caixote do lixo procurando comida e separado a mais limpa  da  mais suja. A cena causou-lhe tamanho impacto que perdeu a vontade de almoçar, apesar da necessidade.  Já no restaurante, enquanto tentava se restabelecer mentalmente, pensava  naquele ser que nada tinha, e ele ali com os seus amigos. Através da mediunidade, naquele instante um Espírito amigo que o acompanha na tarefa doutrinária se fez presente. A entidade o acalmou, alegando que mesmo oferecendo comida àquela senhora, ela recusaria. De forma breve contou a história daquela mulher:  nessa existência, era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado. Por ter prejudicado tanto o povo, havia reencarnado em condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez no mundo espiritual, após a morte do corpo físico. Veio nessa circunstância para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: as dificuldades financeiras do próximo. Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não deixava aquele lugar onde outrora lhe prestaram grandes homenagens.

O fato narrado não se trata de  um castigo divino, pois a divindade não nos trata com punições. É uma consequência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os próprios atos, pensamentos, sentimentos. Reforça Emmanuel que muito antes da reencarnação, de acordo com as vocações e grau de evolução, o Espírito faz a análise das possibilidades, estuda o caminho que melhor lhe parece na luta pelo aprimoramento.

Portanto, a cada nova existência somos matriculados na escola da vida, repetindo as disciplinas onde fomos reprovados. Pela bênção da reencarnação, a memória é obscurecida num esquecimento quase total do passado, para que todos os esforços sejam valorizados.

 

Aquele que se eleva será rebaixado – Francinaldo Rafael

Enquanto Jesus pregava no monte a sublime mensagem consoladora das bem-aventuranças, os discípulos se aproximaram d’Ele e perguntaram:

– Quem é o maior no reino dos céus?

O Mestre respondeu que para entrar no reino dos céus era necessário se apequenar como uma criança, modelo de simplicidade de coração.

Aproxima-se então a mulher de Zebedeu e pede a Jesus o favorecimento dos filhos Tiago e João: que aos dois fosse concedido sentar-se um à direita e o outro à esquerda d’Ele. Perante a indignação dos demais apóstolos, o Mestre esclareceu que tal concessão não caberia a Ele. E os advertiu: “Aquele que quiser tornar-se o maior entre vós seja aquele que serve; e que aquele que quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo”.

Outro fato ocorreu quando Jesus entrou na casa de um dos principais fariseus para fazer a refeição. Observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs que quando participassem de qualquer celebração, verificassem se não haveria alguém mais considerável para tal assento. Com isso evitaria a vergonha do pedido de quem convida, para ceder o espaço a outrem. O prudente seria ocupar o último lugar e caso o anfitrião convoque para os primeiros, ai sim, seria motivo de glória perante os outros.

Conforme o Evangelho Segundo o Espiritismo, esses ensinamentos de Jesus são princípios de humildade, condição essencial para a felicidade.

Ao mesmo tempo, a doutrina mostra exemplos de pessoas que na Terra eram consideradas pequenas aos olhos de outros humanos muitas vezes recheados de orgulho, preconceito, egoísmo, e se tornaram grandes no mundo espiritual. Ao morrer levaram consigo a única coisa que proporciona grandeza no além-túmulo: as virtudes.

Por outro lado, maiores e poderosos com arroubos de superioridade e infalibilidade, se apequenaram. Ao deixar o mundo material não foi possível levar a riqueza, os títulos, a linhagem familiar, que proporcionavam a glória impermanente. Não tendo outra coisa, chegam no além como náufragos. Conservam apenas o orgulho, o que torna a nova condição mais humilhante, por verem exaltados aqueles que menosprezaram na Terra.

Conforme adverte a mensagem esclarecedora do Evangelho, é importante que não dos deixemos ser dominados pelo orgulho, nem nos colocarmos na posição de sempre merecedores do primeiro ou do  melhor lugar em tudo, se não quisermos ser obrigados a descer depois. Lembremos que as reencarnações sucessivas são como uma longa viagem onde se necessita trocar de transporte várias vezes, e não se sabe as condições do próximo veículo.

Mitos e fantasias – Francinaldo Rafael

Vive-se uma época na qual o culto aos mitos e fantasias estão de certa forma deixando em segundo plano as reflexões acerca das conquistas do Espírito imortal.

Renascem culturas bárbaras adotadas como exibicionistas pela juventude moderna, a geração de novos deuses, o exagerado culto ao corpo, grupos sociais que se entendem superiores  aos outros, avanço no consumo de drogas lícitas e ilícitas e esportes mais violentos que remetem ao recuado tempo dos gladiadores.

Vê-se também ressurgirem músicas ruidosas, rebuscando os movimentos tribais do corpo. Muitas delas associadas ao petisco da sensualidade exacerbada favorecendo ao sexo desenfreado e sem compromisso consigo nem com o outro.

Analisando essa problemática sob o olhar da psicologia analítica de Carl Gustav  Jung, o Espírito Joanna de Ângelis comenta que o ser humano marcha em sua jornada trazendo a herança arquetípica dos períodos iniciais da evolução. Prossegue sob a influência dos mitos que se modificam apenas aparentemente, mas permanecem impondo-se como forma de desenvolvimento cultural ou fugas da realidade mediante os modismos que surgem.

Lembra  a Benfeitora que a predominância nos mitos da violência que dão sustentação aos instintos primários dos quais o homem já deveria estar livre, arrastam multidões delirantes a comportamentos cujos desfechos giram em torno da desintegração da identidade humana.

Ressalta Joanna que muitos entusiastas incorporam “o mito do poder, da glória, da força e, desenvolvendo músculos e condutas, passam a acreditar-se como predestinados à imortalidade física, ao fascínio do arrastamento das multidões que os idolatram, tornando as próprias existências insuportáveis, que somente podem continuar levando, quando mergulhados nas drogas que os abatem os consomem nas infelizes overdoses”.

Entretanto, como o ser humano caminha rumo ao progresso inesgotável, inevitavelmente chegará o dia no qual a busca de si o despertará para outras condutas. Programas de ascensão darão lugar a novos padrões de comportamentos.

Vivemos dias de Procusto – Francinaldo Rafael

Estamos atravessando um delicado período de exacerbação dos comportamentos extremistas. O egoísmo leva pessoas a impor aos outros regras de moral, padrão de beleza, gostos, etc. Faz recordar o mito de Procusto.

Procusto é um personagem da mitologia grega. A cama de ferro que possuía em casa tinha o exato tamanho dele. Todos os hóspedes eram convidados a se deitarem nela. Se fossem  altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama. Quem tivesse baixa estatura era esticado até atingir  a medida do móvel. Nunca alguém se ajustava exatamente ao tamanho da cama, porque Procusto mantinha secretamente, duas camas de tamanhos diferentes.

Procusto é uma representação da intolerância. Boa metáfora para demonstrar as  várias tentativas de imposição do ser humano ao próximo.

O Espírito Joanna de Ângelis (Leis Morais da Vida – psicografia Divaldo Franco) nos adverte que “a toda criatura é concedida a liberdade de pensar, falar e agir, desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo”. Reforça que a liberdade é a grande luta da Humanidade através dos milênios contra a usurpação, a violência, a hegemonia de forças dominadoras.

A Benfeitora nos lembra também que há muitos críticos na Terra que apenas veem o que lhes é adequado. Apontam facilmente erros, amplificam detalhes negativos mesmo que insignificantes. São perfeccionistas em relação às tarefas alheias, combativos contra os companheiros de labuta, nos quais sempre descobrem falhas. “São críticos, porém, incapazes de aceitar as apreciações que os desagradam. Quando advertidos ou convidados ao diálogo franco, de que se dizem partidários, justificam os enganos e justificam-se, não admitindo admoestações ou corrigendas”, diz ela taxativamente.

Como há muitos desses críticos na Terra, Joanna recomenda que não nos detenhamos nas observações deles. Mesmo que nos agridam, oremos  por eles. “Não tens o dever de agradá-los, é verdade, porém não os tenhas como inimigos”. E nos chama a atenção para o exemplo de Jesus, que impiedosamente perseguido,  fiscalizado e combatido por “defensores da verdade” prosseguiu sereno por saber que os doentes mais infelizes são os que se recusam reconhecer a posição de enfermos, quando os ‘piores cegos são aqueles que não querem ver”.

Por fim, para atravessarmos com um pouco de serenidade esses tormentosos dias, se faz necessário que nos desarmemos interiormente. Que nossas atitudes não sejam  de Procustos da atualidade, e sim, aquela para a qual o Mestre nos convidou: fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fosse feito.

Allan Kardec: o homem, a missão – Francinaldo Rafael

A literatura espirita é abundante. Centenas de obras estão ao alcance da população tanto em meio físico, quanto eletrônico. Mas como em toda grande conquista se faz necessário jornada bem alicerçada, nessa feita o grande baluarte foi o professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Rivail recebeu educação primorosa desde a infância. Enriqueceu a bagagem com o célebre professor Pestalozzi, na Suíça. Desde a juventude sentiu-se atraído para a Ciência e a Filosofia. Bacharelado em Letras e Ciências, fundou em Paris uma instituição de ensino, onde ministrava Química, Física, Astronomia e Anatomia Comparada. Não cobrava daqueles que não podiam pagar. Publicou uma série de obras na área de educação e várias delas foram integradas ao currículo de estudos da Universidade de França. Era um homem  cético, sem instinto poético, inclinado ao método, a ordem, a disciplina mental. Praticava na palavra escrita e falada, a precisão, a nitidez, a simplicidade, dentro de um vernáculo perfeito, livre de excessos. O filósofo e escritor Camille Flammarion denominou-o de o bom senso encarnado.

Após cinquenta anos de preparação acadêmica e moral, Rivail foi convocado pela espiritualidade para codificar a Doutrina Espírita. Em virtude de ser nome ser conhecido e respeitado pela comunidade científica, optou por assinar como Allan Kardec a publicação da primeira obra – O Livro dos Espíritos – e as subsequentes.

Era um período em que a filosofia através de Hegel, Marx e Engels estabelecia ser desnecessária a alma para interpretação da vida e compreensão do Universo. Florens e Cuvier declaravam nunca haver encontrado alma nas centenas de cadáveres que dissecaram. Moleschot , Büchner e Karl Vogt afirmaram que o Espírito é uma exsudação cerebral. Em meio a tudo isso surge Kardec com uma filosofia comportamental apoiada na força da lógica e da razão, apresentando a preexistência da alma ao corpo e sua sobrevivência a morte, uma ciência resultada de profundo trabalho de investigação fundamentado na experiência, resistente ao descrédito e a perseguição. Tanto que até hoje permanece irretocável.

Allan Kardec em sua gloriosa e desafiadora missão empreendeu trabalho hercúleo. Além de codificar as obras basilares do espiritismo criou a Revista Espírita, primeiro instrumento de divulgação nessa natureza;  fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, primeiro Centro Espírita do mundo; fez várias e longas viagens pelo interior da França, com objetivo de dar instruções e ao mesmo tempo instruir-se, ver as coisas de perto, sondar opiniões, apertar a mão dos irmãos espíritas.

Na definição do Espírito Vianna de Carvalho (psicografia Divaldo Franco-Reflexões Espíritas) “vanguardeiro do progresso, Kardec é o pensador e cientista que mais penetrou a sonda da indagação no organismo das Leis, e ofereceu as extraordinárias lições morais que se derivam da Lei Natural ou de Amor, que é universal, porque promana de Deus, o Criador”.

 

Kardec, obrigado! – Francinaldo Rafael

Em 3 de outubro é comemorado o nascimento de Allan Kardec, O Codificador do Espiritismo. Homenageando o mestre lionês, o Espírito Humberto de Campos enviou à Terra a seguinte mensagem:

“Kardec, enquanto recebes as homenagens do mundo, pedimos vênia para associar nosso preito singelo de amor aos cânticos de reconhecimento que te exaltam a obra gigantesca nos domínios da libertação espiritual.

Não nos referimos aqui ao professor emérito que foste, mas ao discípulo de Jesus que possibilitou o levantamento das bases do Espiritismo Cristão, cuja estrutura desafia a passagem do tempo.

Falem outros dos títulos de cultura que te exornavam a personalidade, do prestígio que desfrutavas na esfera da inteligência, do brilho de tua presença nos fastos sociais, da glória que te ilustrava o nome, de vez que todas as referências à tua dignidade pessoal nunca dirão integralmente o exato valor de teus créditos humanos.

Reportar-nos-emos ao amigo fiel do Cristo e da Humanidade, em agradecimento pela coragem e abnegação com que te esqueceste para entregar ao mundo a mensagem da Espiritualidade Superior.

E, rememorando o clima de inquietações e dificuldades em que, a fim de reacender a luz do Evangelho, superaste injúria e sarcasmo, perseguição e calúnia, desejamos expressar-te o carinho e a gratidão de quantos edificaste para a fé na imortalidade e na sabedoria da vida.

O Senhor te engrandeça por todos aqueles que emancipaste das trevas e te faça bendito pelos que se renovaram perante o destino à força de teu verbo e de teu exemplo!…

Diante de ti, enfileiram-se, agradecidos e reverentes, os que arrebataste à loucura e ao suicídio com o facho da esperança; os que arrancaste ao labirinto da obsessão com o esclarecimento salvador; os pais desditosos que se viram atormentados por filhos insensíveis e delinquentes, e os filhos agoniados que se encontraram na vala da frustração e do abandono pela irresponsabilidade dos pais em desequilíbrio e que foram reajustados por teus ensinamentos, em torno da reencarnação; os que renasceram em dolorosos conflitos da alma e se reconheceram, por isso, esmagados de angústia nas brenhas da provação, e os quais livraste da demência, apontando-lhes as vidas sucessivas; os que se acharam arrasados de pranto, tateando a lousa na procura dos entes queridos que a morte lhes furtou dos braços ansiosos, e aos quais abriste os horizontes da sobrevivência, insuflando-lhes renovação e paz, na contemplação do futuro; os que soergueste do chão pantanoso do tédio e do desalento, conferindo-lhes, de novo, o anseio de trabalhar e a alegria de viver; os que aprenderam contigo o perdão das ofensas e abençoaram, em prece, aqueles mesmos companheiros da Humanidade que lhes apunhalaram o espírito, a golpes de insulto e de ingratidão; os que te ouviram a palavra fraterna e aceitaram com humildade a injúria e a dor por instrumento de redenção; e os que desencarnaram incompreendidos ou acusados sem crime, abraçando-te as páginas consoladoras que molharam com as próprias lágrimas…

Todos nós, os que levantaste do pó da inutilidade ou do fel do desencanto para as bênçãos da vida, estamos também diante de ti!…

E, identificando-nos na condição dos teus mais apagados admiradores e com os últimos dos teus mais pobres amigos, comovidamente, em tua festa, nós te rogamos permissão para dizer: Kardec, obrigado!… Muito obrigado!”.

 

(Psicografia: Francisco Cândido Xavier – Livro: Histórias e Anotações). 

Pátria armada Brasil – Francinaldo Rafael

Também no nosso Brasil o ensinamento crístico “Amai-vos uns aos outros”, ao longo dos milênios parece ter sofrido a ação da brincadeira popular do telefone sem fio. O armai-vos uns contra os outros tem sido bastante perceptível nos tumultuados dias atuais. E não se trata da aquisição de revólver ou similar. A mais evidente arma é da intolerância em amplo espectro. São pessoas que a todo momento digladiam-se obcecadas em impor suas vontades e suas certezas. Rareia o respeito mútuo.

O Espírito Joanna de Ângelis através da psicografia de Divaldo Franco (Livro: Estudos Espíritas) nos recorda que raramente a História revela presença de tolerância. Sempre dominou a imposição política, filosófica e religiosa, onde privilegiadas minorias exigiram subordinação aos seus postulados.

De modo alternado, a intolerância aliada da covardia foi a grande promotora de mártires e vítimas de suplício, nos mais diversos setores da vida.

O Espírito Vianna de Carvalho (Livro: Reflexões Espíritas) nos alerta que é unânime a necessidade de se viver na Terra o ambiente saudável de uma sociedade justa, na qual direitos e deveres humanos sejam idênticos, ao mesmo tempo em que a miséria socioeconômica, as discriminações de qualquer tipo, ou os prejuízos do egoísmo não tomem vitalidade. Enfatiza ele: “Reconhecemos, os idealistas vinculados ao espiritualismo ou às filosofias materialistas, que o homem é o grande investimento da vida, e que somente mediante a sua valorização e promoção, lograremos tornar o mundo dignamente habitável, realmente um lugar respeitável para a manifestação da vida inteligente e o inter-relacionamento saudável”.

Reforça ainda Vianna que o homem tem como missão inteligente e grande desafio, crescer moralmente enquanto reencarnado, e gravar a justiça social e humana nos atos que pratica e na vivência em relação ao próximo.

Urge que nos desarmemos e conforme recomendou o Mestre, necessário que nos amemos uns aos outros, num convite a sociedade para a aplicação da lei do amor, promovendo-o na educação, no trabalho e em todas as atividades da vida, oportunizando o desabrochar dos valores éticos e morais.

Conquistar e conquistar-se – Francinaldo Rafael

Mais corriqueiro do que gostaríamos, aqui e ali nos deparamos  com  pessoas astutas, que estão sempre dispostas a  semear sua vileza, na busca desenfreada do ter. Não é fácil conviver harmonicamente com esses comportamentos.

Para não entrarmos ‘em rota de colisão’, o esforço diuturno do exercício da paciência necessita ser redobrado.

Atentemos para a mensagem a seguir, de autoria do Espírito Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier.

“Não procures os cimos do mundo ao preço de mentira e astúcia, porque ninguém trai os imperativos da vida.

Conquistar não é conquistar-se. Muitos conquistam o ouro da Terra e adquirem a miséria espiritual. Muitos conquistam a beleza corpórea e acabam no envilecimento da alma. Muitos conquistam o poder humano e perdem a paz de si mesmos. Necessário que o espírito se acrisole na experiência e na luta, valendo-se delas para modelar o caráter, senhoreando a própria vida.

Para possuirmos algo com acerto e segurança, é indispensável não sejamos possuídos pelas forças deprimentes que nos inclinam sentimento e raciocínio aos desequilíbrios da sombra.

Indubitavelmente, todos podemos usufruir os patrimônios terrestres, nesse ou naquele setor do cotidiano, mas é preciso caminhar com sabedoria para que o abuso não nos infelicite a existência.

É por isso que sofrimento e dificuldade, obstáculo e provação constituem para nós preciosos recursos de superação e engrandecimento.

Todos os valores externos concedidos à personalidade, em trânsito no mundo, são posses precárias que a enfermidade e a morte arrancam de improviso, mas todos os valores que entesouramos no próprio ser representam posses eternas que brilharão conosco, aqui e além, hoje e amanhã. . .

Na esfera espiritual, cada criatura é aproveitada na posição em que se coloca e somente aqueles que conquistaram a si mesmos, nos reiterados labores da educação, através do suor ou da lágrima, do trabalho ou da lágrima, são capazes de cooperar na extensão do amor e da luz, cujo crescimento na Terra exige, invariavelmente, o coração e o cérebro, as ações e as atitudes daqueles que aprenderam na lei do próprio sacrifício a conquista da vida imperecível.

Reflete naquilo que te falam, antes de te entregares psicologicamente ao que se te diga…”