domingo , 25 de junho de 2017
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Elviro Rebouças

BRASIL 2015 UM TOMBO DE 3% NA ECONOMIA

Tive acesso a um bem elaborado trabalho do Banco Santander acerca da atual situação econômica do Brasil, com análise por cada estado da Federação. Estarrecido fiquei, dos 27 estados da Federação, 26 deles terão recessão este ano, e o Pará – único a escapar do debacle, terá crescimento ZERO, ou seja não vai decrescer, se salvando pela sua elevada potencialidade exportadora em minério de ferro, responsável por mais de trinta por cento da economia do Estado. O nosso sofrido Rio Grande do Norte terá um encolhimento de 3,6% neste ano, sendo superado neste retrocesso pelos estados de Pernambuco – o que vai encolher mais – com uma diminuição de 4%, sendo que a construção civil desabará ali em 14,1% no ano, a indústria cairá 4,8%, o comércio inclinará 7,9%, os serviços regredirão 1,5% e apenas a agropecuária crescerá 1,6%. O Amazonas e o Goiás regredirão – cada um – 3,8%, e a Paraíba 3,7%. Assombrosamente, estados pujantes como São Paulo (queda prevista de 2,6%), Rio de Janeiro (menos 2,5%) Minas Gerais (decesso de 2,7%), Rio Grande do Sul (atraso de 2,5%) e o Paraná (declive de 1,7%). O Brasil, no geral, terá um Produto Interno Bruto menor em 3% neste 2015, o que é grande queda para um emergente que vinha crescendo e despertando o interesse do mundo até 2010, apesar da crise mundial de 2008. Se a estimativa se confirmar, será a primeira vez desde 1996 – início da série histórica do IBGE – que a economia de todos os estados terá desempenho negativo ou nulo. A previsão é semelhante a dos economistas do mercado financeiro, que esperam contração de 2,97%, de acordo com o mais recente boletim Focus, pesquisa do Banco Central com mais de cem instituições financeiras. A economia brasileira não enfrenta uma recessão desde 2009, quando, na esteira da crise global, recuou 0,2%. Nem naquele ano o tombo foi tão disseminado: em 2009, o PIB de 17 das 27 unidades da federação avançou. Os economistas responsáveis pelo estudo do Santander alertam que o desempenho da atividade econômica entre 2014 e 2016 deve ser o pior desde 1900, inclusive dos triênios da crise de 1929 e da dívida, nos anos 1980, a chamada década perdida. Nem as regiões que se beneficiaram da fase áurea de na última década, como o Centro- Oeste, devem escapar. De acordo com os dados mais recentes do IBGE, a região registrou o segundo maior crescimento médio entre 1995 e 2010, de 4,3%, perdendo só para o Norte ( 4,7%). No mesmo período, o Brasil cresceu, em média, 3,1%. O instituto excluiu do levantamento os números mais recentes, pois prepara para o mês que vem a divulgação de dados recalculados, considerando a nova metodologia do PIB, introduzida nos números nacionais no início do ano. A ideia é de que praticamente todos os estados terão queda do PIB este ano. Recessão de 3% acaba afetando toda a economia. Mesmo regiões antes ganhadoras, como o Centro- Oeste, não conseguirão escapar.

Rating do Brasil é rebaixado
A Fitch Ratings rebaixou nesta quinta-feira a nota de crédito soberana do Brasil de “BBB” para “BBB-“. Agora, o país está a apenas um degrau de perder a chancela de “grau de investimento”, espécie de selo de bom pagador. O país já é considerado “grau especulativo” pela Standard & Poor’s, uma das três grandes agências de risco. Segundo comunicado da Fitch, o rebaixamento reflete a elevação do endividamento do governo, o aumento dos desafios para consolidação fiscal, a piora do cenário econômico e a crise política. A Fitch também manteve a perspectiva para a nota do país em estágio negativo, o que significa que poderá haver nova revisão em um prazo entre 12 e 24 meses, com chance de rebaixamento superior a 50%. O diretor da Fitch Ratings no Brasil, Rafael Guedes, afirmou que o rebaixamento da nota do país já era esperada, mas a má notícia é que a perspectiva negativa significa que o país pode perder seu grau de investimento em até dois anos.

Setor de petróleo e gás demite 30,5 mil no primeiro semestre
A crise na Petrobras, atingida pela Operação Lava- Jato, da Polícia Federal ( PF), e a queda no preço do petróleo no mercado internacional já resultaram no fechamento de 30,5 mil vagas no setor de petróleo e gás no primeiro semestre deste ano no país. O número, que representa um recuo de 18,4% em relação ao mesmo período do ano passado, foi compilado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua ( Pnad), do IBGE. Mas o número de demissões deve crescer. A tendência é que os números continuem piorando, com mais demissões. A conjuntura da economia brasileira não ajuda, e o cenário externo, com o preço do petróleo, também vem obrigando as empresas a demitirem.