sábado , 25 de novembro de 2017
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Tudo tem limite, inclusive a tolerância – Wilson Bezerra de Moura

Sempre fomos fraternos, solidários, pacientes com as questões que nos afligem, aceitamos os desafios que nos atormentam, mesmo reconhecendo os limites principalmente dos abusos a que somos submetidos. Entre as incontroversas necessidades a que nos privamos, a educação, sem dúvida, tem sido o principal fator, pois esta, entre todas as civilizações, foi a que mais impôs uma ampla e irrestrita atenção.

Apesar dos primeiros momentos de nossa existência politica terem acontecido quando das invasões precárias, com invasores cruéis, impondo uma dominação violenta e sanguinária, como foi o caso da escravidão, mesmo assim não furtaram o direito de desejarmos nova cultura que viesse a quebrar as correntes da sujeição e de lutarmos pela efetiva e irrestrita liberdade.

Daí por diante vem outra questão que aflige a nação, e esta reclama, exige, a todo momento, que o poder público atente para esse aspecto. A necessidade de cuidar da educação, prestar à sociedade compromisso de aperfeiçoá-la para levar à nação brasileira o espírito de conscientização em razão de que o crescimento e desenvolvimento de qualquer povo surge na medida em que esta toma consciência de seus deveres e direitos, gerenciando-lhe na conformidade de sua capacidade de discernimento de fatos relacionados com sua própria capacidade.

A cultura sempre foi a base fundamental das civilizações em busca do progresso. Por ser uma questão complexa, a cultura tem tido suas dificuldades na implantação dos meios social, politico e econômico, ao ponto de retardar o processo de transformação para que ela própria contribua para o seu crescimento. A nossa é exemplo de trágico retardamento que nos impede acreditar em um mundo promissor. Não é pessimismo, é desilusão em ver distorcido um quadro que, se fosse bem trabalhado, a perspectiva de mundo melhor seria portentosa.

Em busca de melhores condições de vida, dessa forma convivemos aos trancos e barrancos com uma máquina administrativa completamente anarquizada, em que todos os aspectos necessários a uma boa ordem são destratados pela falta de cultura autêntica sobre os princípios de uma boa ordem.

Conservamos uma cultura da paciência que, pela sua descontinuidade no processo social, político e econômico, muito nos afligem. Ficamos impacientes no transcurso desse processo de desenvolvimento incriminado com a irresponsabilidade dos poderes públicos, que, sem duvida, leva cada elemento a não acreditar, inclusive, em seu futuro, temer perder a fé em seu destino.

Se houvesse seriedade na manutenção de uma educação clara, evidente e confiável, não teria em nenhum instante o brasileiro perdido a sua credibilidade como sujeito de identidade própria, que sempre aspirou um futuro ideal.

Eleição de 2018: o RN e o Brasil passados a limpo

blogdoneylopes.wordpress.com
09.07.17

Como o eleitor chegará às urnas em 2018?

O país certamente estará sofrendo, ainda, os efeitos da maior crise política e econômica da história.

O Estado do RN falido, com o funcionalismo em atraso e os serviços públicos essenciais – segurança pública, educação, saúde, estradas – em situação de quase calamidade pública.

Projetos, ideias e propostas consistentes, em termos sociais e econômicos para o futuro, se existem, até hoje não são conhecidas.

Ressalve-se, por justiça, os avanços na área da energia éolica no RN.

Inegavelmente trata-se de modernidade energética e suporte de infra-estrutura, cujos efeitos mais amplos dependerão de medidas complementares.

No mais, até o direito de sonhar está sendo sonegado aos norte-rio-grandenses.

Note-se, como exemplo, a proposta do editor para implantação no Grande Natal de um polo exportador e turístico, em razão da nossa posição geográfica estratégica nas Américas.

Ceará e Pernambuco já evoluem em busca de sua área de livre comércio (polo exportador).

No RN, o desprezo, por ser considerado um sonho.

Há mais de dez anos, essa ideia é propositalmente engavetada.

Não há individualização de culpa específica, por esse marasmo generalizado.

Atribui-se ao imobilismo, causado pelas dificuldades que se acumulam, principalmente para os bem intencionados na gestão pública.

Diante desse quadro dantesco, a palavra espírito público é demonizada e substituída pela pregação da redução drástica e cômoda do Estado, através da entrega das chaves do futuro nas mãos da lei da oferta e da procura, orientadas pelo realismo do mercado.

Em termos nacionais, essa inquietude conduz a posições extremadas de esquerda e de direita.

Porta vozes de um lado e de outro, anunciam o “paraíso”, a partir de soluções (a maioria vazias e sem conteúdo) estatizantes ou privatistas.

Fica difícil raciocinar pelo bom senso.

Deformam-se, até de má fé, certas “verdades” e “diagnósticos”, tidos como viáveis para a superação dessa conjuntura de crise.

A deformação nasce da ação nefasta de corporações e de radicais, a serviço das posições de direita e de esquerda, já superadas no tempo.

Por exemplo:

Necessidade da reforma do estado
Combate à corrupção
Reforma política, eleitoral e partidária
(1) Não há como negar que o Estado brasileiro extrapola as suas funções constitucionais.

Por isso, impõe-se uma reforma.

Se hoje, o Estado é dadivoso e onera as finanças públicas, a solução não será eliminá-lo ou enfraquece-lo, ao ponto de anular as suas funções constitucionais.

Ele terá que ter o tamanho “necessário” ao atendimento razoável das carências coletivas, assim entendidas como de toda a sociedade, independente de renda.

Esses objetivos podem ser alcançados, sem a necessidade de “tsunamis” tributários, que desestimulem e onerem os investimentos.

Por outro lado, torna-se imprescindível a ação fiscalizadora e idônea do Estado, de preferência através de agencias reguladoras autônomas, sem influência política, para transformar os incentivos e estímulos concedidos à atividade econômica, realmente numa “rua de mão dupla” e não “mão única”.

Nesse caso, a reciprocidade é exigida, por tratar-se de diferimento tributário, com aplicação de recursos públicos originários da receita pública.

(2) Como negar a prioridade absoluta do combate à corrupção?

Entretanto, essa tarefa não poderá sobrepor-se a Constituição e as leis.

Há princípios legais, que mesmo com imperfeições, são fundamentais à Democracia.

Nesse particular não há alternativa: ou são obedecidos esses princípios, ou o Estado fatalmente resvala para o autoritarismo.

Se a corrupção aniquila o Estado, ela terá ser combatida, a partir das competências atribuídas na trilogia dos poderes.

Somente essa concepção tornará possível obediência à regra, de que o “Direito” individual é aquele que deve ser protegido e a “Garantia” consiste no respeito irrestrito ao mecanismo criado para a defesa desse direito.

(3) Sobre reforma política, eleitoral e partidária, uma breve consideração.

Sem ela, nenhuma outra mudança consistente e estável será alcançada.

O meio para evitar novos “curativos”, com repetidas recidivas, terá que ser a convocação, o quanto antes, de uma Assembleia Constituinte originária.

Sem um ajuste geral no sistema constitucional e jurídico do país, o eleitor chegará às urnas de 2018 inseguro, com o seu futuro comprometido e sem meios concretos de passar o RN e o país a limpo.

ENSAIO FERNANDO PESSOA I – Das muitas Pessoas que foram Pessoa

Por Violeta Quevedo – Graduanda em Letras pela UFRN

De Fernando Pessoa a Fernando Pessoas

Um homem, um Ser, vários seres;

uma (?) pessoa que ecoa, ressoa

Difícil de falar, complexo de entender!

O poeta? A obra? Como escolher?

Tudo Nele extrapola; desdobra, redobra;

é singular; é plural

Fenômeno sem igual

Entre idas e vindas,

muitas vidas numa só vida

Afinal, o que/quem é real?

Nascido Fernando António Nogueira Pessoa, em Lisboa, a 13 de junho de 1888 e faleceu também em Lisboa, em 30 de novembro de 1935; tornado simplesmente (?) Fernando Pessoa, (ou não seria melhor Fernando Pessoas?). Segundo o próprio, essa seria sua única biografia a ser escrita pelos interessados do futuro.

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples

Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra todos os dias são meus.

Fernando Pessoa

Considerado um dos maiores poetas do século XX, o mais universal poeta português e ainda ter sido incluído por Harold Bloom, crítico literário, na sua lista dos 26 melhores escritores da civilização ocidental, Fernando Pessoa é um fenômeno enigma célebre. Não apenas pela qualidade de sua vasta produção literária, tanto em português, quanto em francês e inglês, mas também e, para alguns principalmente, pela forma como a produziu. Seja na condição de ortônimo ou de seus heterônimos.

Ao longo de sua vida, para muitos, paradoxalmente, considerada insípida, pacata, insossa, enquanto existência humana, teria criado tantos heterônimos, que ainda hoje não se sabe exatamente quantos. Se é que algum dia se saberá. 72 heterônimos é o número mais aceito como real, mas na biografia “Fernando Pessoa: Uma (quase) Autobiografia”, do brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho, lançada em 2011 e resultado de um trabalho de oito anos de pesquisa, é citado a existência de 127 “Pessoas”.

De qualquer forma, independente da quantidade, vale a densidade da obra e sua determinação e dedicação ao processo criativo; seu desapego de si e quase que da vida que corria, ocorria e decorria ao seu redor. Tão intensa e pulsante internamente, que um Pessoa só não dava conta de exteriorizar todo o turbilhão que devia lhe invadir a alma.

Autor precoce, relata numa carta de 13 de janeiro de 1935, ao amigo e crítico literário, Adolfo Casais Monteiro, que seu primeiro heterônimo (Chevalier de Pas) provavelmente teria surgido aos seis anos (aos sete anos Pessoa publicaria seu primeiro poema). É também nessa carta que ele relata a criação dos heterônimos Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos e menciona que uma das possíveis causas da origem de seus heterônimos seria um “fundo traço” de histeria presente em sua personalidade, ou, quem sabe, uma hístero-neurastenia (hipótese que ele mais considerava).

Álvaro de Campos foi “criado” como um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, influenciado pelo simbolismo, mas que logo aderiu ao futurismo. De sua “autoria”, destacam-se as “Odes”, publicadas na revista Orpheu, em 1915, o “Ultimatum”, publicado na revista Portugal Futurista, em 1917 e o poema niilista, “Tabacaria”, escrito em 1928, considerado um dos mais conhecidos e influentes da língua portuguesa.

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,

Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,

Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,

Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,

Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,

Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

[…]

Ricardo Reis foi descrito como um médico, latinista, racionalista e monárquico, símbolo da herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, na harmonia e num certo bucolismo, com elementos epicuristas e estoicos. De acordo com Pessoa, teria se mudado para o Brasil em protesto à proclamação da República em Portugal.

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.

Mas finge sem fingimento.

Nada esperes que em ti já não exista,

Cada um consigo é triste.

Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,

Sorte se a sorte é dada.

Ricardo Reis

Alberto Caeiro, segundo Fernando Pessoa, que também o considerou como o seu “mestre”, seria órfão, rústico e ingênuo, só tendo recebido a instrução primária. Sua poesia era aparentemente simples, mas, no fundo, denota uma intensa complexidade filosófica. O poema “O guardador de rebanhos” abriu uma sequencia de uns trinta poemas escritos em pé e de uma só vez, num dia (08 de março de 1914) considerado “triunfal” para Pessoa. É um exemplo de sua “simplicidade complexa”.

Eu nunca guardei rebanhos,

Mas é como se os guardasse.

Minha alma é como um pastor,

Conhece o vento e o sol

E anda pela mão das Estações

A seguir e a olhar.

Toda a paz da Natureza sem gente

Vem sentar-se a meu lado.

Mas eu fico triste como um pôr do Sol

Para a nossa imaginação,

Quando esfria no fundo da planície

É se sente a noite entrada

Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego

Porque é natural e justa

E é o que deve estar na alma

Quando já pensa que existe

E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos

Para além da curva da estrada,

Os meus pensamentos são contentes.

Só tenho pena de saber que eles são contentes,

Porque, se o não soubesse,

Em vez de serem contentes e tristes,

Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva

Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos

Ser poeta não é uma ambição minha

É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes

Por imaginar, ser cordeirinho

(Ou ser o rebanho todo

Para andar espalhado por toda a encosta

A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do Sol,

Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz

E corre um silêncio pela erva fora.

[…]

Além desses três que o próprio Pessoa parece destacar como seus prováveis preferidos, há ainda o semi-heterônimo Bernardo Soares, um guardador de livros, que para muitos estudiosos seria o mais próximo ou parecido com o Fernando Pessoa “real”. Ele o diferenciava dos demais e o classificava como um semi-heterônimo “porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afetividade” (Fernando Pessoa). Dizia que ele (Bernardo) aparecia sempre que ele (Pessoa) estava cansado ou sonolento. Dele destacamos o “Livro do Desassossego”, considerado uma das obras fundamentais da ficção Portuguesa do século XX.

Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado encarnado numa outra pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não.

Para criar, destruí-me; tanto me exteriorizei dentro de mim, que dentro de mim não existo senão exteriormente. Sou a cena viva onde passam vários atores representando várias peças.

Do Livro do Desassossego

A invulgar visão de Nestor – Tomislav R. Femenick

Tomislav R. Femenick – Jornalista e escritor

O Rio Grande do Norte tem filhos ilustres que são praticamente desconhecidos por seus conterrâneos. Tomemos como exemplos o caso de João Almino, escritor mossoroense eleito para a Academia Brasileira de Letras, até então um ilustre desconhecido para a maioria de nós potiguares.

Outro caso típico era o natalense Nestor dos Santos Lima, ex-combatente da II Guerra Mundial, embaixador, escritor e membro da Academia Norte-Riograndense de Letras, recentemente falecido. Seus livros mais conhecidos são: “La tercera América”, “La imagen del Brasil en las cartas de Bolívar”, “De uma varanda sobre o Nilo: tempos de Nasser” e “Samurais e Jecatatus”.

Por ocasião da terceira reimpressão do meu livro “Os escravos: da escravidão antiga à escravidão moderna”, em 2005 (portanto há doze anos), por sugestão do meu amigo Itamar de Souza, submeti o livro ao crivo de Nestor dos Santos Lima, uma pessoa que até então eu não conhecia.

Para complicar mais ainda esse arranjo, o cidadão andava adoentado, residia no Rio de Janeiro e eu morava aqui em Natal. Falamos várias vezes por telefone, principalmente eu lhe informando sobre notícias do Rio Grande do Norte e de sua Natal. Dizíamos que ficamos “amigos à longa distância”.

No entanto, eu não esperava que fosse atendido quanto ao exame do livro. Para minha surpresa, alguns dias depois recebi uma carta datilografada do embaixador (sim, em “máquina de escrever”, como se dizia antigamente), comentando o livro e dando sugestões para melhora-lo do ponto de vista político-analítico.

Pela sua importância como instrumento crítico e como revelação do seu pensamento altamente culto, reproduzo aqui alguns trechos da carta que recebi de pesquisador Nestor dos Santos Lima: “Ipanema, 6.7.05. Prezado professor Tomislav. Ufa! Acabei (de ler) o seu livro, com grande proveito para a consolidação das minhas informações sobres os demais países latino-americanos com contingentes de população negra, que conheci ‘de visu’ durante meus últimos anos de serviço latino americano no Caribe. (…) Seu livro, além do respeitável número de páginas cheias de informação, ainda traz uma rica bibliografia detalhada, em apoie ao texto.

E um oceano de informação sobre o tema ‘da escravidão antiga à escravidão moderna’. Seria melhor se, à luz do declínio do prolongado domínio dos marxistas dos últimos anos (Marx et caterva), ficasse menos enfático o apoio dos vivos aos mortos, ademais de que o ‘Capital’ envelheceu no seu enfoque, embora permaneça válido no seu diagnostico – mas não tanto na validade dos remédios prescritos.

Mas você fez o que pôde, para não se deixar enredar nos dogmas marxistas, hoje em demolição. Teria sido boa oportunidade para desvencilhar-se do embrulho entre culturas e civilizações, o qual até Cascudo não deslindou. Mas fica para outras edições, que o seu livro certamente terá no futuro. Abraços do Nestor”.

O embaixador tinha razão. Citemos somente um exemplo de contorção histórica, realizado por esquerdistas travestidos de pesquisadores, que fazem uso de uma argumentação para lá de suspeita. Está havendo um movimento (e uma reação) para denominar uma rua da capital alemã em homenagem à Ana Zinga, uma rainha africana do século XVII que, segundo os marxistas, teria lutado contra o colonialismo português em Angola. Em uma espécie de relativismo cultural, eles escondem o fato de que Zinga era também traficante de escravos.

Mais do que isso: ela monopolizava o comércio escravista e vendia seus irmãos a portugueses e holandeses, dependendo de quem pagasse mais ou de quem estivesse controlando a colônia. O caso foi trazido a público por um dos maiores jornais da Alemanha, o “Berliner Zeitung”, em reportagem da jornalista Maritta Tkalec, que cita justamente o meu livro “Os Escravos”, o mesmo analisado pelo meu amigo embaixador. Bem que ele me alertou sobre os embrulhos marxistas.

Nestor dos Santos Lima entrou para o serviço diplomático em 1947, tendo servido na antiga Iugoslávia, México, Guatemala, Egito, Dinamarca, Japão, Venezuela, Suriname e Republica Dominicana. Segundo Gilberto Freire, Nestor Lima em suas atividades diplomatas unia os “setores políticos e econômicos, à uma preocupação pelos assuntos culturais em um amplo sentido antropológico ou sociológico de cultura”.

Tribuna do Norte. Natal, 06 jul. 2017

 

O patrimônio da Caridade – Paiva Netto

A Caridade é o conforto de Deus para as Almas e o relacionamento cordial entre criaturas que firmemente desejam a preservação deste mundo. Ela é uma função espiritual e social, não apenas um ato particular de socorrer apressadamente o mais próximo. É uma política dignificante, um planejamento humanitário, uma estratégia, uma logística de Deus, entendido como Amor — “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8) —, a nós oferecida, de modo que haja sobreviventes à cupidez humana. A Caridade é a Força Divina que nos mantém de pé. Sabemos, e basta ir ao dicionário, que Caridade é sinônimo de Amor. Portanto, é respeito, solidariedade, companheirismo, cidadania sem ferocidades. O mundo precisa de carinho e Amor. Quem diz que não quer ser amado está doente ou mentindo, o que, no fundo, no caso em questão, é a mesma coisa. Pode ter certeza de que a pessoa está gritando lá dentro: “Socorro! Preciso ser amado! ou, preciso ser amada! Mas não tenho coragem de dizer! Tenho vergonha de reivindicar, um pouco que seja, da Fraternidade dos meus irmãos humanos! Mas escutem o meu apelo desesperado e silencioso!”.

Como escrevi em Como Vencer o Sofrimento (2002), o Amor revela a Luz, e a Luz espanta a treva. Que mais quereremos nós? O ser humano tem carência de Amor verdadeiro. É o que muitos dirigentes dos povos em definitivo precisam entender. Governa bem aquele que governa o coração. Exclamam alguns: “— Ah, eu não falo em Caridade!”. Infelizmente creem que ela se resume em dar às pressas esmola ao mendicante que os interpela. Já estão em falta quando se irritam diante do necessitado, que em geral é efeito e não causa. Devem refletir sobre este ditado latino: “Hodie mihi; cras, tibi”. (Hoje, eu; amanhã, você). Ou seja: agora, o pedinte é ele; amanhã, poderemos ser nós. O pior é que alguns transferem essa “amofinação” para um sentimento elevadíssimo, que é a Caridade, que eles não entendem muito bem, mas que se personifica na cola que junta as partes separadas da sociedade mundial. Enfim, Caridade é a esperança que repousa em Deus.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com

Povo em festa na chegada de Dom José – Wilson Bezerra

São momentos alucinantes de um povo que se sente gratificado com a dádiva da vida, em especial quanto ao sentimento religioso, ao receber a visita em sua terra de um clérico sob o qual são determinantes a fé cristã.

Nesse entusiasmo fascinante o povo mossoroense como sempre acolhedor, ansiosamente aguarda a chega do sacerdote Dom José.

Era notícia veiculada na edição de O Mossoroense de 31 de outubro de 1923, numa fase em que a população guardava ansiosa para auscultar genuflexo, o insigne Pastor que vinha em missão religiosa da cidade de Assú, cumprindo determinação superior para pregar o evangelho em outra região, no caso Mossoró. S. Excelência Revma.

Dom José Pereira Alves, veio da cidade do Assú em missão especial de receber o calor humano dos Mossoroense e retribuir a colaboração que o povo de Mossoró fizera onde este residia isto foi assim uma troca de parceria entre o corpo religioso.

Desde o momento em que se anunciava a visita pastoral os féis se entrelaçaram numa corrente de exultação e alegria em ter satisfação de recepcionar o admirável sacerdote, estimado pelos rio-grandenses.

Prestar recepção é o requisito indispensável de reconhecimento por relevantes serviços que tenha ou venha prestando esse religioso que acaba de mostrar-se à cidade para grandeza de todos.

Muitos mossoronses formavam comissões, iam até a cidade do Assú para manifestar-lhe reconhecimento e gratidão por tão relevantes compromisso religioso do sacerdote Dom José pela efetiva ação pastoral.

A movimentação dos fiéis foi intensa. Comissões se veiculam à entrada da cidade para receber o visitante, cujo transporte que o conduzia chega à Praça dos Fernandes onde aguarda grande massa popular que o recebe com fogos e repica de Sinos na Igreja.

Sua Excelência Dom José paramenta-se na casa do empresário M.F. do Monte depois apresentou-se ao público religioso que o aguardava na matriz da cidade. A palavra oficial ao ilustre visitante coube ao deputado Rafael Fernandes politico da região que manifestou o contentamento do povo a tão distinta figura clerical que de certo fortifica o sentimento religioso de todos.

A agricultura irrigada: antecedentes, configuração atual e perspectivas – Rogério Cruz

O cultivo do melão no estado do Rio Grande do Norte (RN) é hoje uma realidade em movimento, ora de destruição, ora de geração de riquezas, tanto em nível produtivo, quanto territorial, ou ainda ambiental, que impactam a economia da região Oeste potiguar.

Essa dedução decorre da leitura do artigo intitulado “A dinâmica da produção de melão no RN”, de autoria de Joacir AQUINO e José Aldemir FREIRE, publicado neste jornal em 09 de março, p.p.

A partir dali propõe-se ampliar aquela discussão mediante uma breve reflexão especificamente a partir dos movimentos ocorridos na história da economia agrícola, em nível regional. Para tanto, toma-se como estudo de caso, o município de Baraúna (RN), porquanto parte integrante daquela economia oestana potiguar.

Para tanto, levanta-se a seguinte questão: o que significa (ou) para a economia regional a emergência de uma agricultura irrigada, ou, especificamente, o plantio do melão irrigado?

Inicialmente, desde uma perspectiva histórica, entende-se que, a formação econômica local e sua caracterização atual foram pautadas por três tipos de contextos produtivos, tal como se apresenta a seguir:

a) um primeiro movimento fez-se na direção da exploração da madeira, que teve início na segunda metade dos anos 1930 e que nos anos 1940 deu origem às serrarias e, consequente, no aparecimento de produtos industriais (mesa, cadeira, etc.); mas, foi um tipo de atividade econômica que teve um ciclo curto, e hoje sequer existe; essa tradição mantém-se, ainda, somente que em cidades próximas situadas no estado do Ceará (CE);

b) um segundo movimento produtivo surgiu com a produção do algodão mocó, que ali ocorreu a partir dos anos 1960 e que se estendeu até praticamente os anos 1980, com pequenas indústrias geradas a partir dele mas fora daquele espaço local; isso gerou um período de muita riqueza para a região semiárida em geral, enquanto vigorou, tendo em vista os padrões daquela época; seu desaparecimento provocou um vazio produtivo, que foi preenchido – apenas em alguns territórios, escolhidos pelos investidores externo – ocasião em que se deu a ascensão da já existente agricultura irrigada; esta, até então, era feita de modo insipiente e precário;

c) Em terceiro lugar, essa agricultura irrigada de perfil produtivo moderno surgiu na economia do estado do Rio Grande do Norte (RN) ainda no final dos anos 1970, e se fez presente através dos primeiros cultivos de melão, especificamente no município de Mossoró (RN); em seguida, nos anos 1980, expandiu-se inicialmente para a região do Vale do Açu (RN); e, somente nos anos 1990 é que se desenvolveu especificamente no município de Baraúna (RN). Hoje, a produção caminha em direção a Tibau, Galinhos e Apodi sobretudo a partir de 2014, conforme ainda registro do artigo acima citado. É uma economia em movimento, em busca de solo fértil e de água abundante e igualmente barata.

Assim, esses três segmentos produtivos, em momentos distintos, que configuraram a economia agrícola de Baraúna, teriam sido setores estanques – ou seja, o desaparecimento de um não implicou necessariamente no surgimento do ciclo produtivo seguinte. E, ainda, cada ciclo apresentou especificidades em relação aos demais.

Assim, a primeira atividade era extrativa e depredadora da natureza e que teve pouca expressividade econômica. A segunda decorreu de execução de estímulos oriundos de mercados externos, com plantios que também provocaram grande desmatamento, ao lado de um expressivo dinamismo econômico em relação ao ciclo anterior. E, por fim, o melão que é uma atividade de plantio – tal como o é o algodão e diferentemente do que foi a madeira – que desmatou relativamente menos porque se instalou em áreas já degradadas. Todavia, polui e destrói a natureza com seus dois principais componentes: ação de produtos químicos (agrotóxicos) e instrumentos mecânicos. Estes, incidem sobre um bioma frágil, tal como o existente no semiárido. E, por fim, é uma atividade de um dinamismo econômico maior do que os dois ciclos anteriores – madeira e algodão.

Em suma, cada um desses momentos produtivos apresentou um padrão de desenvolvimento técnico próprio e de relações de trabalho específicas, em diferentes tempos históricos, e, ainda, todos eles estiveram prioritariamente voltados para atender demanda exógena à região onde se deu o plantio.

Na atualidade, as especificidades da agricultura irrigada do melão são maiores até porque o grau de complexidade – tanto da produção, quanto da comercialização – são evidentemente maiores.

Nesse contexto econômico, o risco produtivo aumenta, até porque, há redução dos estoques de água, o que provoca dois tipos de teses.

A primeira defende que haverá exaustão das reservas hídricas, num médio e longo prazos, fato que colocaria em xeque a vida no semiárido. A verificar.

A segunda nega essa proposição apontando a necessidade de maiores estudos a respeito desse movimento e defende o crescimento econômico a todo custo porque fator gerador de emprego e renda. Essa ideia está em curso, mas, é uma contradição em processo porque se tem efeitos positivos na esfera econômica, apresenta efeitos adversos em outras esferas da vida.

Diante dessas teses cabe indagar: e, a sociedade local e regional, o que diz a respeito? Concordará ou discordará dessa condição de existência, que, na atualidade, promove um crescimento econômico não necessariamente sustentável?

 

Rogério Cruz é doutor em Desenvolvimento Econômico/Unicamp e Professor da UFRN. Aposentado.

Vítimas inocentes – Paiva Netto

O Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão (4 de junho), instituído pelas Nações Unidas em 19 de agosto de 1982, teve inicialmente o propósito de chamar a atenção para o drama dos milhões de pequeninos que sofrem os efeitos da guerra, muita vez perdendo suas vidas.

Os cidadãos de bem, em toda parte, não podem ficar surdos aos gritos de dor desses inocentes. Trata-se de patrimônio humano, garantia de futuro — que desejamos mais feliz — da civilização.

Mas o despertar da sociedade deve abranger igualmente as crianças que padecem de agressão nos próprios lares, nas escolas, nas ruas, mesmo em países não considerados campos de guerra declarada, e as sacrificadas pelo horrendo tráfico de órgãos, ou, ainda antes de nascerem, pelo procedimento criminoso do aborto.

O psicólogo dr. Pedro Lagatta, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), em entrevista ao programa Viver é Melhor, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), expôs aos telespectadores várias faces da violência que acomete as crianças, sejam elas físicas ou emocionais; incluídos aí o execrável abuso sexual e o perverso bullying. Tudo isso com consequências dolorosas e duradouras.

Trago-lhes hoje esclarecimento importante do dr. Lagatta, em que ele procura estabelecer um diferencial em torno da polêmica e famosa palmada, ainda em uso por muitos pais na educação dos filhos. “Palmada é um termo bem ruim; é um eufemismo que tenta de alguma maneira esconder o que acontece realmente nas casas. Quando a gente fala que as crianças apanham de chinelo e objetos duros, o que acontece é um sistemático espancamento. Palmada parece que os pais só vão lá e dão umas palmadinhas para fazer a criança parar de chorar, mas muitas vezes não se trata disso, se trata da autorização para a violência, uma violência séria”.

O tema merece de pais e educadores vigilância constante quanto aos limites que devem ser absolutamente respeitados. Corrigir não significa agredir. É o que defende a Pedagogia do Afeto, que desenvolvemos na rede de ensino da LBV.

A sabedoria popular ilustra bem ao comparar as crianças com a argila, pronta para ser moldada. Ora, os melhores jarros, as mais belas cerâmicas carecem de cuidados específicos em sua confecção. Se o oleiro não souber unir disciplina e carinho, o trabalho apresentará defeitos indesejáveis.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com.

A conscientização da sociedade no trânsito – Carlos Santana

O número de acidentes nas estradas do Brasil é preocupante: mais de 41 mil pessoas morrem todos os anos, vítimas de acidentes fatais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Estatísticas indicam que 94% dos acidentes fatais são decorrentes de falhas humanas. Todos os anos, instituições não governamentais e o poder público discutem medidas variadas para educar e mobilizar motoristas, pedestres e ciclistas e para alertá-los sobre o perigo de adotar condutas imprudentes no trânsito. 

Nesse sentido, destaca-se o movimento Maio Amarelo, lançado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária há quatro anos, e que, em 2017, teve o período mais frutífero. Com o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade da construção de um trânsito seguro para a preservação da vida, a campanha contou com a adesão de todos os Departamentos Estaduais de Trânsito do país, além de diversos órgãos de diferentes setores da sociedade civil. Neste ano, o Maio Amarelo promoveu o tema “Minha Escolha Faz a Diferença”, que destacava a proibição do uso do aparelho celular ao volante, do consumo de álcool antes de dirigir, e incentivava o respeito aos limites de velocidade, o uso do cinto de segurança, entre outras atitudes.

A sociedade, sentindo-se vítima e responsável pelas casualidades decorrentes da insensatez no trânsito, abraçou o movimento. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) demonstram que houve uma redução de 25% no número de mortos no trânsito na primeira quinzena de maio de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado, e uma redução de 8% no número de acidentes.

Soma-se a esses esforços, o trabalho dos agentes do Detran por meio de blitzen educativas, palestras, atividades lúdicas, além da grande divulgação por parte da mídia, tinham o intuito de levar o cidadão a questionar o comportamento no trânsito. Destaca-se também o papel dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), que trabalham para estimular uma conduta altruísta e para preparar e formar motoristas que priorizem a segurança sempre que estiverem com as mãos no volante.

Nesse sentido, são peças fundamentais os instrutores de autoescolas e os simuladores de direção veicular, pois promovem a condução responsável por meio de práticas em diferentes expoentes que exigem do motorista percepção e cuidado. Hoje já é possível que o aluno vivencie a experiência de conduzir e manusear o celular ao mesmo tempo ou de reproduzir o estado de embriaguez no volante, por exemplo, o que reforça a nocividade dessas ações e fortalece os ensinamentos dos instrutores.

 A cultura brasileira, já acostumada com maus hábitos, carece de um processo compreensivo e profundo de reeducação nas estradas. Valores de respeito ao próximo, ensinados a todos como premissa de uma convivência harmônica, são condições indispensáveis para melhorar as condições do trânsito. O Maio Amarelo já mobilizou pessoas de 23 países, nos cinco continentes. No Brasil, os números mostram que o cidadão entendeu a causa. Que na continuidade do ano mantenha-se a construção de um trânsito mais humanizado, a fim de reduzir as perdas e casualidades nas ruas, estradas e rodovias do país.

 Carlos Santana é empresário, advogado e tem experiência profissional de mais de 12 anos no segmento de trânsito e veículos. É vice-presidente do Grupo Tecnowise, que atua há 30 anos no mercado de tecnologia, infraestrutura e desenvolvimento de soluções para os segmentos de trânsito, veículos, simulação e mobilidade humana, sendo responsável pela produção de equipamentos de simulação profissional, como os simuladores de direção veicular.

 

Deserto, seca, poluição… – Paiva Netto

Dezessete de junho é o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca. Vale, portanto, ressaltar recentes e alarmantes estatísticas. Uma delas vem da OMS, conforme nos informa o site da ONU-Brasil: “A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou a necessidade de reduzir as emissões de poluentes como o carbono negro, o ozônio, o metano e o dióxido de carbono, que não só contribuem para as mudanças climáticas, como também provocam mais de 7 milhões de mortes associadas à poluição do ar por ano”. E, conforme noticiou a Deutsche Welle, uma pesquisa do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica diz que os reservatórios de água no país, considerados críticos pela Agência Nacional de Águas (ANA), perderam em média 80% de sua cobertura florestal.

Ora, os danosos impactos desse verdadeiro “arboricídio” estão aí. O ar, o solo e a água diariamente escasseiam em qualidade, fertilidade e abundância.

Cuidado, estamos respirando a morte

Há 17 anos, em 1o de julho de 2000, a revista Manchete publicou um artigo meu que parece até que foi escrito hoje:

Atualmente, em vastas regiões da Terra, o simples ato de respirar corresponde à abreviação da vida. Sofrimentos de origem pulmonar e alérgica crescem em progressão geométrica. Hospitais e consultórios de especialistas vivem lotados com as vítimas das mais diferentes impurezas.

Abeirar-se do escapamento de um veículo é suicídio, tal a adulteração de combustível vigente por aí. Isso sem citar os motores desregulados…

Cidades assassinadas

Quando você se aproxima, por estrada, via aérea ou marítima, de grandes centros populacionais do mundo, logo avista paisagem sitiada por oceano de gases nocivos.

Crianças e idosos moram lá… Merecem respeito.

No entanto, de maneira implacável, sua saúde vai sendo minada. A começar pela psíquica, porquanto as mentes humanas vêm padecendo toda espécie de pressões. Por isso, pouco adiantará cercar-se de muros cada vez mais altos, se de antemão a ameaça estiver dentro de casa, atingindo o corpo e a psicologia do ser.

Em cidades praieiras, a despeito do mar, o envenenamento atmosférico avança, sem referência à contaminação das águas e das areias… O que surpreende é constituírem, muitas delas, metrópoles altamente politizadas, e só de algum tempo para cá seus habitantes na verdade despertarem para tão terrível risco.

Despoluir qualquer área urbana ou rural deveria fazer parte do programa corajoso do político que realmente a amasse. Não se pode esperar que isso apenas ocorra quando se torna assunto lucrativo. Ora, nada mais proveitoso do que cuidar do cidadão, o Capital de Deus.

As questões são múltiplas, mas esta é gravíssima: estamos respirando a morte. Encontramo-nos diante de um tipo de progresso que, ao mesmo tempo, espalha ruína. A nossa própria.

Comprova-se a precisão urgente de ampliar em largo espectro a consciência ecológica do povo, antes que a queda de sua qualidade de vida seja irreversível. Este tem sido o desafio enfrentado por vários idealistas pragmáticos. Entretanto, por vezes, a ganância revela-se maior que a razão. O descuido no preparo de certas comunidades, para que não esterilizem o solo, mostra-se superior ao instinto de sobrevivência. (…)

A poluição que chega antes

A infinidade de poluições que vêm prejudicando a vida de cada um deriva da falência moral que, de uma forma ou de outra, inferniza a todos. Viver no presente momento é administrar o perigo. Mas ainda há tempo de acolhermos a asserção de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944): “É preciso construir estradas entre os homens”. Realmente, porque cada vez menos nos estamos encontrando nos caminhos da existência como irmãos. Longe da Fraternidade Ecumênica, não desfrutaremos a Paz.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com.