domingo , 24 de junho de 2018
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A Gênese Kardequiana – Francinaldo Rafael

A palavra gênese empregada como substantivo feminino está diretamente relacionado com a formação dos seres, desde uma origem. No masculino, significa o primeiro livro do Pentateuco, onde é apresentada a criação do mundo adornada em simbologias muitas vezes equivocadamente interpretadas.

Em 6 de janeiro de 1868, com base na ciência existente no século 19 ainda embrionária, Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, lançou a obra “A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”. Trata-se de um livro absolutamente lógico que ora chega ao sesquicentenário.

Explica Kardec na introdução que dois elementos, ou duas forças administram o Universo: o elemento espiritual e o material. Da ação simultânea desses dois princípios nascem fenômenos especiais, que se tornam naturalmente inexplicáveis, desde que se isole um deles, do mesmo modo que a formação da água seria inexplicável, se fosse retirado um dos seus elementos constituintes: o oxigênio e o hidrogênio.

Demonstrando a existência do mundo espiritual e suas relações com o mundo material, o Espiritismo fornece a chave para a explicação de uma imensidade de fenômenos incompreendidos e considerados, em virtude mesmo dessa circunstância, inadmissíveis, por parte de uma certa classe de pensadores. Há nas Escrituras esses fatos e, por desconhecerem a lei que os rege, é que os observadores, nos dois campos opostos, girando sempre dentro do mesmo círculo de ideias. Uns, utilizando os dados positivos da ciência, outros, desprezando o princípio espiritual, não conseguiram chegar a uma solução racional. Essa solução se encontra na ação recíproca do Espírito e da matéria. É exato que ela tira à maioria de tais fatos o caráter de sobrenaturais. Tal a razão por que o Espiritismo conduz tantas pessoas à crença em verdades que elas antes consideravam meras utopias.

Logo no seu primeiro capítulo, a obra prende a atenção do leitor. Tratando das características da revelação espírita, faz uma série de questionamentos profundos. Em sequencia, fala sobre Deus, o bem e o mal, papel da ciência na gênese, astronomia, geologia, gênese orgânica, dentre outros, preparando terreno para aprofundar na gênese espiritual. Tudo num perfeito encadeamento. Após o estudo da gênese espiritual, adentra-se pela teoria dos fluidos, necessário para que se compreenda cientificamente o passe. Na sequencia, explica os milagres racionalmente. Termina apresentando a nova geração e a transição do planeta iniciada no século 19, cujo período será mais ou menos longo, dependendo do livre-arbírtrio dos seus habitantes.

De caráter científico, “A Gênese” nos leva a refletir sobre a necessidade de renovação moral, pois só o avanço nesse viés pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra, pondo um freio nas más tendências. Só ele pode fazer reinar entre a humanidade, a concórdia, a paz, a fraternidade. A inteligência sem senso moral, por inúmeras vezes acaba por abrir portas para os descaminhos.

Ano Novo e ação humana – Paiva Netto

Com a proximidade de um novo ano, repete-se o salutar costume dos votos de esperança por tempos mais felizes. Na palestra que proferi em 20 de dezembro de 2008, transmitida pela Boa Vontade TV, pela Super RBV de rádio e internet (www.boavontade.com), procurei analisar esse anseio de renovação, fundamentando minhas palavras nos versículos iniciais do capítulo 21 do Apocalipse de Jesus, segundo São João, e nos derradeiros do capítulo 22.

Visei com a mensagem demonstrar que o Livro das Profecias Finais apenas relata as consequências dos feitos humanos. Em nossa intimidade, escrevemos as páginas do nosso destino. Logo, quanto mais espiritualizado o povo, educado e instruído, melhor o rumo das nações. Como sempre ressalto: Ano-novo! Ano-bom? Depende de nós!

 

21:1 – “E vi novo céu e nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar não mais existe”.

 

A profecia de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, anuncia profunda transformação batendo às portas. E se é “um novo céu e uma nova terra”, vislumbra-se Humanidade renovada! Contudo, aquilo que o Amor não consegue concretizar a Mestra Dor comparece e apresenta a lição.

 

21:2 – “Eu, João, vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que da parte de Deus descia do céu, vestida como noiva adornada para o seu esposo”.

 

Jerusalém é um grande símbolo religioso, político e social no mundo, principalmente para judeus, cristãos e islâmicos, de várias etnias. Todos filhos de um mesmo Pai, pois assim devemos ver-nos, para, aliados, auxiliar na prevenção de tanto assunto que pode ser diplomaticamente afastado ou resolvido, até mesmo com antecedência.

 

A Esperança não morre nunca

Notem que João Evangelista narra Jerusalém descendo do Céu. Por que esse e não outro burgo? Vamos por partes: Ele era judeu. A ideia que tinha de cidade maior, para o seu coração crente, era Jerusalém. Também conhecia Roma. Entretanto, dificilmente diria: “Desce do céu a nova Roma”. Esta era metrópole culta, cosmopolita, porém altamente bélica. Cartago que o diga. Jerusalém possuía algumas dessas características. Não obstante, o seu povo acreditava num Deus único, assim como o Evangelista-Profeta.

Jerusalém é um encanto místico. Comove o coração da gente. Mas tem sido pelos milênios pretexto para tristes acontecimentos. Todavia, a Esperança não morre nunca, raciocínio que concebi, há muitas décadas, ao ver, na televisão, um moço lamentar haver perdido a fé no futuro. Alguns, até com motivo envinagrados, retrucam: “Eu não creio nessa coisa de Esperança”. Então, o que propõem? O desânimo? O desprezo da criatura por si própria e por seus pares? Tem de haver Esperança! E, acima de tudo, vontade de realizar. Do contrário, o que lhes resta? Deitar e morrer? A Alma carece de bom estímulo. (…) Como dizer aos jovens que não alimentem a Esperança? Se o idealismo não sobreviver, que lhes sobrará? Um campo aberto para o esmorecimento. Todos percebem que, num mundo globalizado, o mal que acontece lá (qualquer lá) poderá nos abranger. Vejam a questão da economia, em 2008, de que poucos suspeitavam. Inacreditável, não é? (…) Outrossim, necessário se faz algo além do presente estágio do conhecimento terrestre: ligarmo-nos ao governo ideal que começa no Céu. Trata-se de tema que, um dia, a cautelosa Ciência abordará sem preconceitos. A intuição é a inteligência de Deus em nós. Muita vez, o que a razão demora a captar ela mais rápido alcança.

Que no novo ano busquemos na Espiritualidade Superior a bússola de nossa existência. E que haja Esperança, sim, e trabalho, de modo que ergamos para os moços condições de usufruírem um mundo mais digno, sem nunca esquecer os mais vividos, idade a que a maioria, com o avanço da medicina, certamente atingirá.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com 

‘Se Lula for preso vira o novo Nelson Mandela’ – Júlio César Cardoso

Segundo declaração infeliz do senador Paulo Paim (PT-RS), “Se Lula for preso vira o novo Nelson Mandela.”

 

Comparar Lula a Nelson Mandela é simplesmente padecer de pouca seriedade. Mandela teve a grandeza de lutar por seus ideais, por seu povo e morreu com dignidade pobre, mas sem manchar a sua história. Ao contrário, o falso patriota Lula almejou o poder para fazer fortuna na política através de negócios ilícitos, como a Lava-Jato revelou pelos depoimentos e provas da ODEBRECHT, OAS, PALOCCI etc.

 

Os exageros transcendem a racionalidade. Ninguém de sã consciência pode chegar à infeliz conclusão de Paulo Paim.

 

Que o contingente empedernido de petista, que se comporta como torcedor de time de futebol, chore igual a carpideiras contratadas, pela prisão de seu falso demiurgo, até se pode compreender as elucubrações de Paulo Paim. Mas o resto da sociedade, que é muito maior que os eleitores do PT, jamais se comoverão ao ver o maior vivaldino da nação, aquele que conseguiu enriquecer só vivendo de política, ser direcionado para a prisão, a bem da moralidade e da República.

 

Em um país sério, Lula já estaria preso e com os seus direitos políticos cassados. Não que Lula seja o único indecoroso político, pois, nesta esteira, estão TEMER, AÉCIO, SARNEY, COLLOR, RENAN, JUCÁ, LOBÃO, GLEISI e muitos outros indignos políticos.

 

Por outro lado, não pode ter credibilidade e honradez republicana quem enriquece na política. Ou seja, aquele que faz fortuna na vida política é ladrão do Erário, é larápio dos descamisados, e, portanto, não se entende como ainda existem pessoas que acreditam na honorabilidade de Lula.

 

Condenado a nove anos e meio de prisão e caminhando célere para a segunda condenação, Lula debocha do Judiciário como se ele estivesse acima da lei. Debocha porque estamos em um país pouco sério, onde o STF é de indicação política.

 

É curioso que as delações premiadas, que já fizeram retornar os cofres públicos milhões de dólares, não foram tão contestadas como no caso do ex-presidente Lula.

 

Lula contesta tudo como se a sua vestal não estivesse desmascarada, inclusive por seus próprios amigos de confiança como Palocci. Ora, não houve complô para ferrar o falso demiurgo. Lula é uma consequência natural por seu modus vivendi ao tirar proveito da ribalta do poder.

 

Lula é o Robin Hood brasileiro ao avesso. Roubou dos pobres – pois saqueou o Erário através da ODEBRECHT, OAS etc., cujo dinheiro deixou de ir socorrer a miséria e os hospitais públicos – para engordar a sua fortuna e de seus filhos.

 

Se o país não tiver memória para lembrar que a administração petista quase levou o Brasil à bancarrota, em mais de 13 anos de governo, então, que se eleja novamente Lula e seus asseclas.

 

Senador Paim, não comprometa a sua história de político operoso. Defender LULA é como defender qualquer larápio da República. Por exemplo, a diferença entre Lula e Fernandinho Beira-Mar só está no modus operandi de cada um, mas ambos são indecorosos.

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado.

Balneário Camboriú-SC

O exemplo do Cristo deve inspirar todos os campos da Vida – Paiva Netto

Jesus, o Celeste Libertador não está aprisionado ao Cristianismo humano. Ele trouxe Leis Espirituais, Morais, Ecumênicas (isto é, universais) elevadíssimas, Divinas. E não estou a afirmar qualquer aberração. Ele próprio declarou, em Sua Boa Nova, conforme os relatos de João, 16:12 a 15, que mandaria o Espírito da Verdade, ou Paráclito, para revelar novas coisas, que são Dele, Jesus, mas que não as pôde manifestar naquele momento:

 

12 Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis entender agora;

13 quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda a Verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido de mim e vos anunciará todas as coisas que hão de vir.

14 Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu para trazê-lo a todos vós.

15 Tudo o que o Pai tem é meu; por isso, vos disse que há de receber do que é meu, e anunciará a vós.

 

Então, o Seu Saber, a Sua Bondade, a Sua Solidariedade, a Sua Fraternidade, a Sua Generosidade, a Sua Compaixão se derramam sobre todas as criaturas. Os seres humanos é que separam. Deus une.

Os religiosos iluminados pelo espírito de concórdia e os cultores do pensamento criador sem algemas de qualquer espécie; enfim, os homens de mente aberta, crentes e ateus, pressentem isso sem dificuldade. Desejam ver a excelente influência altruística do Cristo clarear todos os setores da sociedade. Não podem abrir mão de tão extraordinária e sublime competência.

Jesus foi Cientista, quando, por ordem do Senhor do Universo, ergueu este planeta que habitamos; Economista, quando multiplicou pães e peixes e não deixou perder o que sobejou; Filósofo, quando desenvolveu Sua divina doutrina; Psicólogo, quando a adequou ao conhecimento das massas populares; Pedagogo, quando a ensinou por parábolas; Religioso, quando, convivendo com o povo e pregando aos sacerdotes no templo desde os 12 anos de idade, lhes transmitiu normas de conduzir suas existências no mundo, de maneira a merecerem a Vida Eterna; incentivador do progresso do ser humano pelo esforço próprio, quando advertiu que “a cada um será dado de acordo com as suas obras”: o Cristianismo não é escola de ociosidade; Legislador e Político, quando expôs, por intermédio de João Evangelista, que “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8)  e que, por isso, todos precisam cumprir a lei de solidariedade espiritual, humana e social, amando-se uns aos outros tanto quanto Ele mesmo nos amou:

 

— Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos (Evangelho, segundo João, 15:13).

 

Com isso, convocou o mundo à maior das reformas, que deve preceder a todas as outras, a do ser humano, pelo conhecimento dos seus valores espirituais:

 

— Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas (Evangelho, consoante Mateus, 6:33), postulado de Jesus para a formação da Economia da Solidariedade Espiritual e Humana, componente básico da estratégia da sobrevivência, que propomos para que haja uma sociedade verdadeiramente solidária, altruística, ecumênica.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com 

País sem memória ou de eleitores irresponsáveis – Júlio César Cardoso

Se o país não tiver memória para lembrar  que a administração petista quase levou o Brasil à bancarrota, em mais de 13 anos de governo, então, que  se eleja novamente Lula e seus asseclas.

Não se deve esconder a cabeça como avestruz. O governo petista deixou mais de 13 milhões de desempregados e endividados, empresas fechadas, causou o retorno  da inflação, provocou o descrédito internacional, loteou as instituições públicas entre a  pelegada incompetente, saqueou e quase destruiu a Petrobras, e, nesse período, ocorreu o enriquecimento ilícito de Lula, comprovado pela Lava-Jato, que desmascarou o falso demiurgo, já condenado a 9 anos e 6 meses da prisão e a caminho  da segunda condenação.

Grande parcela de jovens sonha  hoje em ir embora do país, decepcionados com o alto grau de corrupção política, que impede o seu desenvolvimento e que sustenta a riqueza de Lula e de outros mequetrefes políticos, agarrados ao poder e às benesses públicas. E, não obstante isso, ainda existe gente favorável ao retorno de Lula ao poder? Um político desmascarado pela Lava-Jato, Odebrecht, OAS e mais recentemente por seu amigo e homem forte do governo petista, Antônio Palocci.

Não tenho bandeira partidária, o meu partido é o BRASIL sem corrupção política. Ainda espero que LULA, DILMA, TEMER, AÉCIO, RENAN, JUCÁ, GLEISI, LOBÃO, COLLOR, SARNEY, MALUF e outros indignos políticos sejam devidamente sentenciados a passar um bom tempo na cadeia e indenizar a nação pelos prejuízos provocados.

O cenário político é o pior possível: muita corrupção. Até um ex-presidente da República é condenado pela Justiça e caminha célere para a segunda condenação. O atual presidente, por manobra encardida, escapou de ser julgado pelo STF. No Rio de Janeiro, três ex-governadores estão presos. Assim, sem outra intervenção para resgatar o amor à Pátria e a moralidade política, o Brasil não sairá do impasse  em que se encontra.

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado.

Balneário Camboriú-SC

Reforma da Previdência Social sem laudo de auditoria – Júlio César Cardoso

Sem abrir a caixa preta da Previdência Social para se conhecer de forma transparente como o dinheiro previdenciário foi administrado até hoje e, por outro lado, sem apresentar documento de auditoria atestando a situação da Previdência, o governo tenta resolver o ajuste fiscal através da reforma da Previdência Social.

Pois bem. Não há dinheiro para manter a saúde da Previdência Social, mas para bancar os gastos de Brasília, a fonte pública mostra-se inesgotável.

Vejamos. A ilha da fantasia Brasília é um buraco negro por onde grande parte do dinheiro público some. O governo não reduz a quantidade de ministérios. Não dá demonstração de austeridade nos gastos públicos. As mordomias com ministros, parlamentares e servidores do alto escalão estão estampadas nas residências, nos carros e nas viagens às suas disposições. Os gabinetes de parlamentares e de suas representações amparam contingente enorme de servidores sem concurso público.

O Senado oferece aos senadores, ex-senadores e familiares serviços médicos e hospitalares gratuitos e de forma definitiva. E, a par de tudo isso, o governo ainda tem a pachorra de querer ferrar os servidores ativos, inativos e pensionistas e de pregar que quem é contra a reforma é porque não quer perder privilégio? Mas os privilegiados estão todos encastelados no Planalto, onde o dinheiro do país jorra como água.

No governo Lula, os aposentados e pensionistas foram atropelados com a cobrança de 11% de seus proventos e pensões. Agora, esses mesmos aposentados e pensionistas são ameaçados por outra reforma.

Por acaso, os parlamentares favoráveis à reforma da Previdência conhecem o suposto déficit previdenciário com base em laudo de auditoria? Ou se baseiam apenas em dados fornecidos pelo governo?

Não se pode ignorar que R$ 426 bilhões devidos por empresas ao INSS representam quase o triplo do déficit anual calculado pelo governo: R$ 149 bilhões. Entre as devedoras estão as maiores empresas do país, como Bradesco, Caixa, BB, JBS, Itaú, Santander, Valle. Vejam, por exemplo:
– Itaú/lucro/2016: R$ 6 bilhões. Dívidadorcom Previdência: R$ 88 milhões
– Caixa/lucro/2016: R$ 4 bilhões. Dívida com Previdência: R$ 550 milhões
– BB/lucro/2016: R$ 3 bilhões. Dívida com Previdência: R$ 208 milhões
– Bradesco/lucro/2016: R$ 16 bilhões. Dívida com Previdência: R$ 465 milhões
Fonte: Sindilegis.

O relator da CPI no Senado concluiu que a Previdência Social não é deficitária, e aí? Assim, como se pretende endossar uma reforma previdenciária alicerçada apenas em dados fornecidos pelo governo e não em laudo de auditoria?

O Banco Mundial recomenda a reforma. Mas a instituição, certamente, não conhece como o dinheiro previdenciário foi administrado pelos diversos governos. O trabalhador ativo, inativo e pensionista não pode ser penalizado pela má administração política da Previdência Social.

Portanto, sem apresentação de laudo de auditoria atestando o déficit previdenciário, a reforma carece de credibilidade.

Júlio César Cardoso. Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

Pe. Cornélio Rodrigues – Reflexão para o II Domingo do Advento (Marcos 1,1-8)

Por Pe. Francisco Cornélio Rodrigues.

Neste segundo domingo do advento, a liturgia nos convida a ler e refletir os primeiros versículos do Evangelho segundo Marcos: 1,1-8. Se trata de um texto bastante rico e profundo. Como o advento é, para a liturgia, o tempo por excelência de preparação para o Natal do Senhor, é importante voltarmos o olhar para o princípio do evangelho, reconhecendo o papel dos personagens que estiveram em tal princípio, como hoje recordamos a figura de João, o Batista.
De maneira única em todo o Novo Testamento, assim Marcos inicia seu escrito: “Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (v. 1). Somente ele intitula sua obra de Evangelho, inaugurando um novo gênero literário. Evangelho (em grego: euanguélion) significa boa notícia, boa nova, notícia agradável. Era uma palavra mais utilizada na esfera política que religiosa. Na verdade, “euanguélion” era a palavra que se usava para anunciar as notícias mais importantes do império, como o nascimento de um filho do imperador e as vitórias em uma guerra ou batalha. Ao utilizá-la para falar dos acontecimentos referentes a Jesus, Marcos se assume como subversivo, afirmando que boa notícia não é o que sai de Roma, através de decretos imperiais, mas o que sai de Nazaré, na vida de um homem simples, corajoso e cheio de amor: Jesus.
Se Marcos se assume subversivo politicamente, aplicando “euanguélion” a Jesus, é nítida também a sua subversão religiosa, ao abrir a “história” de Jesus com a mesma palavra que se abre o Antigo Testamento, com o termo grego “arkhê”, cujo significado mais autêntico é princípio, ao invés de início, como traz o texto litúrgico. O autor quer dizer que a história da salvação tem, em Jesus, um novo princípio, um novo fundamento, desafiando a religião oficial da época, até então, controladora do nome de Deus.
O homem do qual o evangelista irá falar ao longo do evangelho, Jesus, é Cristo, ou seja, messias, e, ao mesmo tempo, Filho de Deus. O termo Cristo (Cristós) é a tradução grega de messias, assim, o evangelista ensina que o tempo da espera acabou: o tão esperado messias libertador de Israel chegou, mas não como tinha ensinado o magistério oficial, ou seja, ele não veio como rei, guerreiro e vencedor, mas simples e pobre, embora não seja preocupação de Marcos narrar o nascimento de Jesus, como fizeram Mateus e Lucas.
Ao afirmar que Jesus é também Filho de Deus, Marcos desafia, ao mesmo tempo, tanto o império quanto a religião da época. Ora, o judaísmo esperava um messias filho de Davi, o qual viria para proteger e libertar somente o povo de Israel; ao denominar Jesus como Filho de Deus, Marcos diz que Jesus veio para a humanidade toda, e não para um povo exclusivo, ao mesmo tempo em que desmascara a religião imperial que cultuava o imperador romano como filho de Deus. Portanto, de modo simples, mas ao mesmo tempo profundo, Marcos enfrenta os dois poderes mais fortes e organizados da época na terra de Jesus: o império romano e a religião oficial judaica.
Até aqui, refletimos apenas sobre o primeiro versículo, o qual funciona como título e introdução geral a todo o Evangelho segundo Marcos. Na continuidade, do segundo versículo em diante, o evangelista apresenta a figura de João, o Batista, e sua missão profética de precursor de Jesus. Para introduzir a missão de João, Marcos recorre à tradição profética: “Está escrito no livro do profeta Isaías: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’ ” (vv. 2-3). Aqui, embora mencione somente Isaías, a citação é, na verdade, uma mescla de Isaías com Malaquias (cf. Ml 3,1; Is 40,3). O objetivo do profeta é assegurar que a missão de João continua e atualiza o profetismo bíblico tradicional, do qual Jesus é o seu verdadeiro cumprimento.
Após a fundamentação bíblico-profética, o evangelista descreve a missão de João e os seus efeitos, dizendo que ele “apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para a remissão dos pecados” (v. 4). Ora, o deserto (em grego: erémos) é o lugar ideal para a relação entre Deus e o seu povo; representa uma etapa no processo de libertação, como aconteceu no primeiro êxodo; por isso, quando o povo demonstrava infidelidade, os profetas apresentavam a necessidade de retornar ao deserto para voltar a viver o ideal da aliança (cf. Os 2,14; 9,10; 13,5; Am 2,10; 5,25). Assim, a presença de João no deserto é um convite para Israel romper com as estruturas vigentes e retornar às suas origens. O batismo de conversão serve como chamada de atenção: todos tem um certo grau de culpa na situação de degradação do país. É necessário que cada um tome consciência de sua responsabilidade na construção de um mundo novo, através da conversão.
A pregação de João, como proposta de libertação, atraía “toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro” (v. 5a). Certamente, o evangelista exagera aqui, mas faz parte de suas intenções teológicas. Com isso, ele está propondo que um novo êxodo estava para acontecer, iniciando com a pregação do Batista e se completando com a missão de Jesus. A antiga terra prometida, principalmente a cidade de Jerusalém, tinha se transformado em terra de escravidão. Dessa vez, não era um faraó o algoz, mas a própria casta sacerdotal do templo. Foi dessa gente que controlava a vida do povo e explorava em nome de Deus que Jesus veio libertar, em primeiro lugar.
A religião institucionalizada era sinal de exploração, abuso de poder. E, de todas as formas de exploração, a pior é aquela que usa o nome de Deus, ou seja, a exploração religiosa. Mais uma vez, a tradução litúrgica omite um dado importante do texto, ao dizer que “os moradores iam” ao encontro de João. Na língua original, o grego, o autor emprega o verbo “ekporêuomai”, cujo significado é sair, libertar-se; por isso, a tradução correta seria “toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém, saíam…”. Saíam porque o julgo da exploração estava pesado demais, e viam na pregação do Batista um sinal de luz e libertação. O evangelista antecipa o projeto do Reino  de Jesus: menos institucional e mais profético.
As pessoas que saíam das antigas estruturas, “confessavam os seus pecados e João as batizava no rio Jordão” (v. 5b). A confissão aqui, não é um rito, mas um reconhecimento do pecado e arrependimento, conforme reza um salmista: “Confessei a ti o meu pecado, e minha iniquidade não te encobri; eu disse: “Vou a Iahweh confessar a minha iniquidade!” (Sl 32,4). Ser batizado no Jordão quer dizer atravessá-lo, passar por ele, como passou o povo do primeiro êxodo; de fato, a travessia do Jordão foi a última etapa da longa caminhada do povo de Deus antes de entrar na terra prometida, já sob a liderança de Josué, após a morte de Moisés (cf. Js 1,2). Assim, a proposta de João é um convite a um novo êxodo, ou seja, uma nova libertação que se aproxima, e só pode participar quem faz a experiência do deserto e da travessia, ou seja, quem passa de uma mentalidade antiga para uma nova.
Além das citações de Isaías e Malaquias, a descrição que o evangelista faz de João também reforça suas credenciais de profeta: “João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo” (v. 7). De fato, Elias, um dos maiores profetas da história de Israel, é apresentado em 2Rs 1,8 com características semelhantes. É mais uma prova de que o verdadeiro profeta é aquele que anuncia com palavras, ações e, principalmente, com o testemunho; a vida simples de João comprova esse testemunho e ainda serve de contraposição à vida opulenta da elite religiosa e política de Jerusalém. Essa descrição funciona como um apelo do evangelista para a comunidade cristã configurar-se como religião profética, combatendo as primeiras tendências de institucionalização do cristianismo.
Até aqui, a pregação de João, como convite à conversão, fora apenas mencionada, mas nenhuma palavra sua fora ainda citada. Eis, então: “Depois de mim, virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vou batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo” (vv. 7-8). Certamente, muitas pessoas confundiam João com o messias, por isso, ele esclarece. Como verdadeiro profeta, sabe que seu papel, na história da salvação é de instrumento de Deus, Aquele que é maior! A referência ao gesto de desamarrar as sandálias costuma confundir bastante as interpretações; mais que um simples gesto de humildade do Batista, é uma referência a Israel como esposa, fazendo uso da lei judaica do levirato: tirar a sandália significava apropriar-se do direito de tomar a mulher (viúva) como esposa (cf. Rt 3,5-11). Assim, João deixa claro que não é ele o esposo, porque essa missão não lhe compete. O direito de fecundar Israel é exclusivo de Jesus, para tornar novamente fértil aquela esposa explorada e tornada estéril pela elite sacerdotal de Jerusalém.
João administrava apenas um rito: o batismo com água, o qual era somente um sinal do batismo por excelência: com o Espírito Santo. Esse batismo é definitivo, é o cumprimento de profecias e condição para o povo de Israel voltar à condição de povo de Deus (cf. Ez 36,24-28), e ao mesmo tempo sinal de universalização da salvação: o Espírito Santo, como superação e substituição da Lei, dará condições, ao ser acolhido, para que todos os povos sejam contemplados com a libertação inaugurada por Jesus.
Somos, então, neste segundo domingo do advento, convidados a rever nossa prática religiosa, e tomar uma decisão, fazendo um êxodo pessoal: abraçar a religião profética, abandonando todas as práticas das antigas estruturas, renovando a maneira de conceber Deus e abrindo-se ao Espírito Santo, dom de Jesus, o balizador por excelência.
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http://porcausadeumcertoreino.blogspot.com.br/2017/12/reflexao-para-o-ii-domingo-do-advento.html
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Para quem quiser aprofundar o EVANGELHO DE MARCOS, acesse este site:-
http://xacute1.com/?p=962
Xavier Cutajar
Veja material sobre: Apocalipse, Evangelhos, Liturgia e Vídeos da SOCIEDADE NO TEMPO DE JESUS aqui no Meu Site:  http://xacute1.com

Pe. Francisco Cornélio – Reflexão para o I Domingo do Advento

Por  Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues.
Neste domingo, a Igreja inicia mais um ano litúrgico, convidando-nos a, mais uma vez, percorrer o caminho de Jesus Cristo, contemplando e vivendo o mistério da sua vida, morte e ressurreição. Advento é a palavra que designa a primeira etapa do ano litúrgico, cujo sentido literal é vinda ou visita. Trata-se de um tempo especial que a Igreja dedica à preparação para a magnífica celebração do Natal do Senhor, expressão maior da visita definitiva de Deus à humanidade.
Com o início do novo ano litúrgico, iniciamos também a leitura do Evangelho segundo Marcos, porém, não do seu início, mas do seu final, precisamente do seu pequeno discurso escatológico, comparado ao de Mateus. Por isso, o texto proposto para hoje é Mc 13,33-37. O discurso escatológico está presente nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), e trata das realidades últimas e finais da história, antecedendo as narrativas da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
A princípio, parece até paradoxal que a preparação para o natal seja iniciada com palavras sobre as realidades últimas. Porém, é necessário compreender o advento como uma oportunidade de preparação para a vinda constante do Senhor na vida de cada pessoa, tornando essa vinda uma presença, ao invés de apenas alimentar uma expectativa futurista e preparar para uma única data ou evento. É importante também perceber a continuidade do tempo: como nos últimos domingos do ano litúrgico anterior refletimos, a partir do discurso escatológico de Mateus, o tema da vigilância, é também com esse tema que abrimos o novo ano.
O Evangelho proposto consiste nas últimas palavras de Jesus antes do relato da paixão: Mc 13,33-37. É necessário fazer uma pequena contextualização para uma compreensão mais adequada do mesmo. Jesus se encontrava em Jerusalém e, ao sair do templo, os discípulos expressaram admiração a respeito da magnitude do templo; à essa admiração, Jesus respondeu: “não restará pedra sobre pedra”. Então, os discípulos perguntaram: “Quando estas coisas acontecerão?” (cf. Mc 13,1-4). Portanto, o Evangelho de hoje é a conclusão da resposta de Jesus a essa pergunta dos discípulos.
Ainda a respeito do contexto, é necessário recordar o versículo que precede de imediato o nosso texto: “Ora, a respeito daquele dia ou hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,32). Como sabemos, passados alguns anos após a ressurreição, os cristãos começaram a inquietar-se, pois esperavam com muita ansiedade pela segunda vinda do Senhor e, como essa não acontecia, muitos desanimavam, sobretudo quando começaram as perseguições. Por isso, explorou-se bastante a pregação sobre a imprevisibilidade dessa vinda, enfatizando que o importante é manter vivo o espírito de vigilância, sem preocupação com o dia ou a hora.
Foquemos, pois, em nosso texto: Mc 13,33-37. A palavra chave desse pequeno texto evangélico é o imperativo “vigiai”; a mesma ocorre três vezes (vv. 33.35.37) embora a versão litúrgica omita uma delas, infelizmente: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento” (v. 33). Ao invés de “Cuidado! ficai atentos”, seria mais adequado: “abri os olhos e vigiai”, por corresponder melhor à expressão grega “blépete agrípneite”. Diante da indefinição, não há outra saída para a comunidade a não ser a vigilância. Esse versículo prepara o leitor/ouvinte para a pequena parábola que vem a seguir, mostrando como deve ser feita essa vigilância.
Eis a continuação: “É como um homem que, ao partir, para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando” (v. 34). Em apenas um versículo, Marcos consegue transmitir uma parábola extraordinária, modificada e ampliada por Mateus e Lucas (cf. Mt 25,14-30 = parábola dos talentos // Lc 19,11-28 = parábola das dez minas). A partida do homem para o estrangeiro equivale ao intervalo temporal entre a ascensão e a tão esperada, porém desconhecida, segunda vinda do Senhor.
O evangelista quer ensinar à sua comunidade que, ao invés de preocupar-se com questões relativas ao tempo em que o Senhor virá, o importante é trabalhar para a sua mensagem manter-se viva e atuante na vida das pessoas, uma vez que Ele nunca se ausentou da comunidade que nunca deixou faltar o amor. Para isso, é importante que cada membro sinta-se responsável, como servo bom e fiel, ao bem-estar da casa. Surpreende o uso da imagem da casa: sinal de universalidade, ao contrário da vinha, por exemplo, imagem exclusiva do povo de Israel, e ao mesmo tempo, sinal das pequenas comunidades, nas quais todos se conhecem e devem viver em comunhão, a partir de relações movidas pelo amor, a justiça e a solidariedade. Na casa, enquanto, família, todos são iguais: empregados e porteiros, com a mesma responsabilidade de não deixar faltar o amor e a concórdia, bem como o pão material, tão necessário para o dia-a-dia.
O perigo de esfriamento na vivência da fé era tão grande, a ponto de ser necessário insistir no imperativo “vigiai”; assim, prossegue o versículo seguinte: “vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer” (v. 35). Sendo o Senhor o dono da casa, aos servos compete apenas vigiar. Porém, é necessário ressaltar, mais uma vez, a natureza dessa vigilância tão cara ao Senhor; não se trata de busca por segurança ou conforto, mas simplesmente de manter o evangelho vivo e atuante na vida das pessoas. A comunidade vigilante é aquela na qual os sinais do Reino se manifestam: amor e justiça em abundância. Onde esses valores abundam, o que menos tem importância é o tempo. Inclusive, quanto mais tardar o Senhor, mais frutos a casa/comunidade terá gerado; por isso, o cristão só pode ter pressa em uma coisa: em fazer o bem!
O motivo da vigilância é muito claro: “Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo” (v. 36). É claro que o texto não se refere ao dormir como a necessidade natural do ser humano, pois dessa ninguém pode privar-se, mas como a indiferença e a omissão em relação aos valores do evangelho. Nesse caso, dormir significa deixar de praticar a mensagem de Jesus Cristo, abandonar seu ensinamento. Mais que triste, é até trágico quando uma comunidade abandona a mensagem libertadora do evangelho, deixando de praticar o amor, a justiça e a solidariedade, ou seja, quando não tem mais a fraternidade como sinal distintivo. Por isso, o convite é novamente reforçado e, agora, com a sua dimensão universal mais explícita ainda: “O que vos digo, digo a todos: Vigiai!” (v. 37). Todos da comunidade, e em todos os tempos, são convocados à vigilância da prática do amor.
Não importa quando o Senhor virá pela segunda vez. Procuremos celebrar a sua primeira vinda, ou seja, o natal, como certeza de que Ele já veio e conosco está; porém, sua presença constante não será percebida enquanto não assumirmos a nossa responsabilidade na casa que Ele nos confiou: a família, a comunidade, o universo como “casa comum”. Para celebrarmos bem a certeza de que Ele já veio, só nos resta mantermo-nos acordados, ou seja, praticando o amor, acima de tudo. Vigiar é isso!

 

O mar de Sophia – Nathália Oliveira

“Quando eu morrer voltarei para buscar

Os instantes que não vivi junto ao mar”

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Existe entre o povo português e o mar uma inegável ligação. Inicialmente apresentava uma fonte de mitos, histórias e lendas. Mas com a evolução dos conhecimentos humanos, foi transformando-se numa fonte de riqueza graças às viagens ultramarinas. Devido a sua localização geográfica privilegiada, Portugal foi pioneiro nessas navegações. O mar faz parte da identidade do povo português e influenciou em obras de autores como Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa. Além desses, Sophia de Mello BreynerAndresen também se rendeu as belezas dos oceanos. Em suas obras retrata de forma singular e majestosa a praia e outros elementos ligados ao mar.

Sophia foi uma das mais importantes poetisas portuguesas contemporâneas. Autora de catorze livros de poesia, escreveu também contos, histórias infantis, artigos, ensaios e teatro,tendosua obra traduzida para diversos idiomas. Além de escritora e poetisa, Sophia também trabalhou na tradução de obras de Dante Alighieri e Shakespeare.

Foi a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, em 1999, o maior prêmio literário da língua portuguesa. A poetisade origem dinamarquesa por parte do pai, nasceu na cidade do Porto, Portugal, no dia 6 de novembro de 1919. Estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, mas não chegou a concluir o curso. Casou-se com o jornalista, advogado e político Francisco Souza Tavares com quem teve cinco filhos,dos quais alguns não negaram os seus genes literários. Faleceu em Lisboa, no dia 2 de julho de 2004.

Sophia teve seu primeiro contato com a poesia quando ainda era muito nova. Aos três anos de idade, uma empregada da família ensinou-lhe a “Nau Catrineta”, um poema anônimo romanceado ligado a tradição oral portuguesa. Esse poema narra as desventuras dos tripulantes durante uma longa travessia marítima. Um pouco mais tarde, sob influência de seu avô, um grande apreciador de poesia, Sophia aprende de cor os poemas de Camões e de Antero. Com esses poemas, nasce na jovem escritora a paixão pela poesia.

Seus primeiros versos foram escritos aos doze anos. Alguns dos seus poemas matinais, escritos a partir dos catorze anos, foram incluídos em seu primeiro livro publicado em 1944 sob o título Poesia. Sophia tinha vinte e cinco anos quando o publicou com o apoio financeiro do pai. Foram apenas trinta exemplares lançados, porém bastaram para que seu talento fosse reconhecido no mundo da poesia. Essa aceitação fez com que a ela prosseguisse no caminho da escrita. Nessa primeira obra, imagens poéticas como a natureza, o mar, as praias e os jardins são abordados.

Em sua criação artística o mar ocupa uma posição de destaque, quer seja na poesia, quer seja nos seus contos. Sophia passou boa parte de sua infância na Quinta do Campo Alegre, na Praia da Granja. Adorava passar horas na praia brincando sozinha nas piscinas naturais. Esses momentos de sua infância ligados à praia foram o início de sua forte atração pelo mar. Além das praias portuguesas, Sophia também dedicou poemas aos mares e as praias do Mediterrâneo e do Mar Egeu como também as suas ilhas. Sua primeira visita à Grécia, em 1961, serviu de inspiração para sua poesia, principalmente em seu livro Dual.

Sophia não se dedicou muito à poesia durante a infância dos seus filhos. No entanto, a autora sentiu falta de uma literatura infantil decentequando seus filhos tiveram sarampo. Foi então que voltou a escrever e começou a inventar histórias para crianças. “Comecei a inventar histórias para crianças quando os meus filhos tiveram sarampo” — lê-se num depoimento publicado em 1986. “Mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da ‘mensagem’: uma criança é uma criança, não é um pateta. Atirei os livros fora e resolvi inventar. Procurei a memória daquilo que tinha fascinado a minha própria infância. (…) Nas minhas histórias para crianças quase tudo é escrito a partir dos lugares da minha infância.”Seus livros infantis tornaram-se um verdadeiro culto na literatura infantil, foram lançados dezenas de edições dos seus contos de fadas. Os mais famosos são A Menina do Mar e A Fada Oriana, publicados no fim dos anos 1950. Seus livros preencheram a lacuna que existia na literatura portuguesa infantil, marcando várias gerações.

A Menina do Mar foi considerado um dos melhores livros publicados no mercado brasileiro em 2014, segundo a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Foi publicado pela Cosac Naify, com ilustrações da autora brasileira Veridiana Scarpelli. A obra, que em Portugal faz parte do Plano Nacional de Leitura, conta a história de um menino, que vive numa casa branca voltada para o mar, que um dia encontra uma menina, pequenina e de cabelos azuis, que estava a dançar com um polvo, um caranguejo e um peixe.

 

“—Mas o que é a saudade?—perguntou a Menina do Mar.
— A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora…”

 

Sophia não dedicou-se apenas a escrita. Foi uma das fundadoras da Comissão Nacional do Apoio aos Presos Políticos de Portugal e em 1975, fora eleita deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista. No entanto, sua carreira política não teve longa duração. Optou pela literatura à qual se dedicou ao longo dos anos até a sua morte. Apesar do seu afastamento do ambiente político, sempre se preocupou com o mundo a sua volta, não hesitando em expor sua opinião quando considerasse necessário.

Sua linguagem poética soa como uma voz de liberdade. É comum evocar em seus versos os objetos, as coisas, os seres e os dias. Sophia retrata o mar como um espaço de nascimento, de regeneração.

Mar

“De todos os cantos do mundo

Amo com um amor mais forte e profundo

Aquela praia extasiada e nua

Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.”

 

Nesse poema, seu amor pela praia é descrito como “amor mais forte e profundo”. No verso “… Onde me uni ao mar, ao vento e à lua”, observamos Sophia sentir-se completa ao estar nessa “praia extasiada e nua”. Suas palavras transmitem a satisfação em estar ali, como se ela, o mar, a lua e o vento se unissem para formar uma única coisa.

 

As ondas

“As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma

Do mar que cantava só para mim.”

 

Em As ondas, Sophia nos mostra sentir-se confortável com a companhia do mar, da areia e da espuma das ondas. “Do mar que cantava só para mim” com a ideia de um espetáculo só para ela, que deve ser apreciado.

 

Mulheres à beira mar

“Confundido os seus cabelos com os cabelos
do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e
tão denso em plena liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura
dos seus pulsos penetra nas espumas.”

 

Já nessa estrofe de Mulheres à beira mar, em poucas palavras conseguimos sentir a liberdade vivida pelo eu-lírico ao correr pela praia “Confundido os seus cabelos com os cabelos do vento”.

 

Liberdade

“Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lucida unidade

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.”

 

No poema Liberdade, a praia é retratada como um lugar puro, onde “Não há nenhum vestígio de impureza”.

A cantora brasileira Maria Bethânia, em 2006 gravou o álbum “Mar de Sophia” em homenagem a poetisa. Várias faixas remetem ao oceano, os símbolos e os mitos tão contemplados pela portuguesa, entre elas “Memórias do mar”, “Grão de mar” e “As praias desertas”. A cantora fez um belíssimo trabalho homenageando o legado de Andresen. Vale a pena conferir e apreciar esse álbum de Bethânia.

 

Nathália Oliveira é Graduanda em Letras pela UFRN.

Educação com Espiritualidade Ecumênica – Paiva Netto

A ausência de Solidariedade, de Fraternidade, de Generosidade tem suscitado grande defasagem entre progresso material e amadurecimento moral e espiritual. Daí o nosso fraterno alertamento: é hora de aplacar as paixões. Se, apenas como argumento, o Brasil não progredir, os maiores perdedores serão os brasileiros. Além do mais, é sempre hora de superar ressentimentos. Entretanto, não haverá Paz enquanto persistirem cruéis discriminações e desníveis sociais criminosos, provocados pela ganância, que, por meio de eficiente Educação com Espiritualidade Ecumênica, devemos combater. Se não optarmos por caminhos semelhantes, estaremos sentenciados à realidade denunciada pelo Gandhi (1869-1948): “A menos que as grandes nações abandonem seu desejo de exploração e o espírito de violência, do qual a guerra é a expressão natural e a bomba atômica, a consequência inevitável, não há esperança de paz no mundo”.

A solução está em Deus

Sempre um bom termo pode surgir quando os indivíduos nele lealmente se empenham. E isso tem feito com que a civilização, pelo menos o que andamos vendo por aí como tal, milagrosamente sobreviva aos seus piores tempos de loucura. A sabedoria do Talmud dá o seu recado prático: “A Paz é para o mundo o que o fermento é para a massa”.

Exato!

Há quem prefira referir-se ao espírito religioso, exaltando desvios patológicos ocorridos no transcorrer dos milênios. (De modo algum incluo nestes comentários os historiadores e analistas de bom senso.) Creio que essa conduta beligerante, que manchou de sangue a História, urge ser distanciada de nossos corações, por força de atos justos, porquanto maiores são as razões que nos devem confraternizar do que as que servem para acirrar rancores. O ódio é arma voltada contra o peito de quem odeia. Muito oportuna, então, esta advertência do pastor Martin Luther King Jr. (1929-1968), que não negou a própria vida aos ideais que defendeu: “Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não a arte de conviver como irmãos”.

De fato, o milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é que aprendam a amar-se, para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa para o uso bélico da antimatéria. O melhor altar para a veneração do Criador são Suas criaturas. Torna-se urgente que a Humanidade tenha humanidade.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.