sábado , 23 de setembro de 2017
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A importância da indústria de máquinas-ferramenta no país

É inadmissível imaginar um país de dimensões continentais gigantescas e uma população com mais de 200 milhões de habitantes, como o Brasil, sem uma indústria pujante de bens de capital e, em particular, de máquinas-ferramenta. É uma questão estratégica para um país ter a sua própria indústria de máquinas-ferramenta, a fim de garantir a manufatura de bens duráveis para o seu consumo e para as suas exportações. A sustentabilidade, assim como o desenvolvimento e o equilíbrio econômico de um país são resultados da sua capacidade de produzir e suprir de forma competitiva o consumo e, para isso, os bens de capital são imprescindíveis.

A economia de um país não pode depender, somente, da produção e exportação de seus produtos primários. A sua riqueza está, além da exploração e comercialização de suas abundantes commodities, na produção de bens duráveis que agregam valor, através da aplicação de tecnologia e inovações.

O Brasil se projeta no mercado internacional como um tradicional fabricante de bens de capital, detentor de uma vasta experiência no desenvolvimento e produção de máquinas e equipamentos de alta qualidade e desempenho, entre eles, as máquinas-ferramenta, que além de suprir a demanda local, também são fornecidas para países com elevada exigência tecnológica, como os Estados Unidos da América, Alemanha e muitos outros da Europa.

A indústria de máquinas-ferramenta brasileira está capacitada para atender as necessidades de produção no país, com elevado conteúdo tecnológico. Por outro lado, essa indústria, também, conta com o fornecimento de máquinas-ferramenta importadas, quer seja para atender picos de demanda ou para suprir equipamentos com características não produzidas no país. Neste último caso, existem os “ex-tarifários”, que desoneram as suas importações. A importação de máquinas-ferramenta deve ser entendida como um canal aberto, porém dentro de um ambiente econômico sadio, tendo com base um câmbio justo e em condições comerciais isonômicas como aquelas aplicadas nos países dos seus concorrentes internacionais.

O engajamento da indústria nacional junto aos mais diversos programas de comercialização e de inovação, envolvendo universidades e entidades fomentadoras, contribuiu muito para o fortalecimento e a rápida evolução das máquinas e equipamentos fabricados no Brasil nos últimos anos. O setor de bens de capital brasileiro atingiu um patamar de diversificação de equipamentos, atrelado à tecnologia de ponta que permite aos mais variados setores se manterem atualizados, utilizando máquinas nacionais com alta tecnologia, produtividade e qualidade, contribuindo para o aumento da competitividade brasileira. Nesse contexto, o BNDES vem exercendo um papel de extrema importância no fomento da indústria nacional, oferecendo linhas de financiamento, tanto para o desenvolvimento de novos equipamentos, através da inovação, quanto para a aquisição de máquinas, que irão contribuir para a sua competitividade de forma sustentável.

Carlos Pastoriza – Presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ / SINDIMAQ

Como utilizar o networking a favor do seu negócio

A palavra networking entrou em nosso vocabulário a partir da década de 1990, com o advento da globalização e a necessidade de as pessoas e as empresas se relacionarem cada vez mais para fazer negócios em escala mundial.

Há trinta ou quarenta anos, as pessoas costumavam recorrer a alguém influente nas empresas, na política ou na comunidade onde moravam, a fim de obter alguma indicação, principalmente quando se tratava de emprego.

O termo utilizado na época era “pistolão”, alguém com poder e prestígio para indicar você para uma vaga sem a necessidade de teste ou concurso. Bastava uma indicação e você estava praticamente empregado. O treinamento vinha depois, com a prática. Independentemente da classe social, muita gente recorria a um “pistolão” para obter vantagens pessoais e para facilitar o caminho das pedras.

Atualmente, o termo “pistolão” é usado com menor ênfase em algumas cidades mais afastadas das capitais, principalmente quando está relacionado com empresas públicas, mas a exigência dos concursos inibiu muito essa prática.

Isso obriga as pessoas a estudarem mais, a se dedicarem mais e a se relacionarem melhor para conquistar a credibilidade necessária para arranjar bons empregos e fazer bons negócios. Além disso, a competitividade no mercado aumentou mais do que a capacidade de as pessoas se relacionarem.

O termo networking é uma junção das palavras net (rede) e working (trabalhando). Na prática, é a sua rede contatos trabalhando a seu favor quando necessário. No mundo dos negócios quanto maior a rede contatos de um empreendedor, maior a possibilidade de aproveitar as oportunidades existentes e de realizar bons negócios.

De acordo com Jeffrey Gitomer, autor de O Livro Negro do Networking, fazer contatos é mera questão de ser amigável, de ter capacidade para se entrosar e de estar disposto a dar algo de valor primeiro. Quando combinar esses três atributos, terá descoberto o segredo que existe por trás dos poderosos contatos que levam a relacionamentos ainda mais valiosos.

No mundo dos negócios, as pessoas preferem fazer negócios com amigos. Quer dizer que, para galgar a escada do sucesso em qualquer atividade ou negócio, muito mais do que estratégia, técnicas de vendas e formação educacional, você precisa mesmo é de amigos? Sim. Se não for apenas interesse, amigos vão querer ajudá-lo sempre, por toda a vida.

Para tirar melhor proveito do seu networking é necessário desenvolver uma rede de relações profissionais. Não estamos falando da sua rede de amigos no Facebook, Orkut ou Twitter para compartilhamento de fotos, frases, piadas e vídeos. Refiro-me a um processo ilimitado de contatos com pessoas de todas as áreas relacionadas ao seu negócio para troca de informações, atualizações, conselhos úteis e, principalmente, apoio moral, se necessário.

Por que estou dizendo isso? De nada adianta ter mil ou dez mil amigos nas redes sociais se não pode contar com eles quando necessário. Como afirma Gitomer, a qualidade de seus relacionamentos determina o destino deles.

O maior objetivo para alguém querer estabelecer um contato é poder utilizá-lo de maneira recíproca mais adiante. Você pode estabelecer networking por toda a parte, desde que esteja consciente da finalidade e também preparado para isso.

Infelizmente, nem todos os contatos são importantes e são poucos os que resultam em negócios. Contatos são apenas contatos. Você nunca sabe aonde poderão levá-lo nem o que acontecerá se uma pessoa disser a outra que fez contato através de você.

Vejamos agora as questões mais importantes que você deve aprender sobre networking para a sua ideia e para o seu futuro: como fazer contato com pessoas ou profissionais a favor do seu negócio. Engenheiros, administradores, advogados, arquitetos e outros milhares de profissionais estão sempre procurando ampliar os seus negócios e a melhor forma de fazer isso é viver conectado aos profissionais do seu círculo de relacionamentos.

Na prática, contadores conhecem centenas de contadores, engenheiros conhecem centenas de outros engenheiros, empreendedores estão conectados a outros milhares de empreendedores e todos eles conhecem milhares de clientes e profissionais que podem ajudá-lo a decolar no empreendimento.

Na medida em que aumenta o seu networking com profissionais relacionados com a sua ideia ou o seu negócio, as oportunidades aparecem e as soluções também. E para transformar possíveis contatos em reais possibilidades de negócio, procure praticar o seguinte:

·Apresente-se sem medo: crie coragem e tome a iniciativa, mas nunca antes de se preparar para o contato; a primeira impressão que você vai passar é importante para firmar o contato.
· Utilize a regra da afinidade: encontre um ponto comum entre você e o seu futuro contato; pode ser o time, a cidade onde vocês moraram na infância, a escola onde vocês estudaram; estabeleça a ligação.

·Determinação e persistência: coisas boas vêm para aqueles que têm paciência e adotam medidas consistentes para consegui-las, portanto, não desanime nunca; você nunca sabe de onde vem a próxima ideia boa para o seu negócio.

Jerônimo Mendes é Administrador, Coach, Escritor e Palestrante

Coleta seletiva: a organização do lixo começa em casa

Recentemente, em uma entrevista que concedi, me perguntaram sobre a composteira caseira e se era possível fazermos uma em casa. Na entrevista, respondi que sim, é possível, mas não tão simples. Uma composteira caseira se trata de um recipiente apropriado, em geral, um contêiner vertical, preenchido com materiais orgânicos secos (folhas), um inóculo (estrume seco de galinha ou outras fonte de bactérias) e a matéria orgânica fresca (restos alimentares e poda de jardim). A partir daí, o contêiner é fechado permitindo uma circulação de ar através da massa, de baixo para cima, de modo a promover a biodegradação da matéria orgânica fresca, o que em geral se dá em um prazo médio de 90 dias.

Existem outras medidas mais acessíveis que poderiam contribuir com o meio ambiente. A mais conhecida e comentada é a coleta seletiva, que pode ser realizada em casa. Além de incutir aspectos de ensinamentos de cidadania na família, esse tipo de ação realça a importância da promoção de ações visando à preservação do meio ambiente.

Entretanto lembro que, antes da implantação desse sistema, é preciso que as pessoas realmente conheçam os materiais que devem ser separados ou não. Separar (seco, úmido, baterias, remédios, materiais de construção), limpar e lavar os resíduos secos, dispor de recipientes adequados para o armazenamento temporário dos resíduos e informar-se sobre a frequência de coleta de cada tipo de resíduo, bem como conhecer a localização dos pontos de entrega dos demais resíduos (farmácias,eco-pontos). É importante lembrar que os resíduos recicláveis deverão estar limpos e secos, isentos de quaisquer tipos de sujeira.

Em nosso dia a dia, manipulamos diversos materiais que podem ser reciclados: garrafas pet’s, papéis, jornais, embalagens plásticas, garrafas de vidro, copos plásticos, latas de alumínio, latas de latão, embalagens de alumínio ou isopor, etc.

Atualmente, poucas cidades, que possuem coleta seletiva já implantada, exigem triagem na origem pela tipologia de material (plástico, vidro, madeira, etc.). A reciclagem só se sustenta se houver uma indústria ou um parque industrial regional que de fato reaproveite os materiais separados.

Caso este parque industrial não exista, não haverá valor comercial associado ao material separado e, consequentemente, passará a não fazer sentido a separação, coleta e triagem. A coleta seletiva residencial é importante e ajuda a manter a família engajada com a sustentabilidade.Quando feita com conhecimento traz benefícios imensuráveis para todos.

 Francisco Oliveira –  Engenheiro civil

Superando uma depressão profunda

Por muitos anos atendi pacientes com depressão. Em alguns casos, a pessoa tinha a personalidade depressiva, desde nova se percebia para baixo, não acreditava em si. Também é comum apresentar uma série de enfermidades no decorrer da sua vida. Em outros casos, a pessoa que apresentava bom humor entrou em depressão em função de um acontecimento traumático. Esse artigo é voltado para esses pacientes.

Algumas dessas pessoas já apresentavam algumas características depressivas, mas nunca tinham apresentado nenhum evento depressivo até então. Outras não tinham traços depressivos na sua personalidade, mas a culpa no evento traumático foi tão severa que perdeu o sentido do seu futuro. Por anos pensava diariamente no fato e no que poderia ter feito diferente para mudar o ocorrido. A dificuldade de superar a culpa está entre as mais difíceis, pois não se pode alterar o passado, apenas o significado que se tem dele.

Anos atrás atendi uma paciente que já apresentava depressão há alguns anos. Quando questionada se lembrava de quando começou esse problema, me contou a seguinte história: tinha um filho depressivo que frequentemente ameaçava cometer suicídio, fato que a mobilizava para atendê-lo imediatamente. Por anos isso se repetiu. Ele fazia tratamento, mas quando ficava mal sempre se reportava a ela. Os conhecidos consideravam que ela o superprotegia e que não deveria lhe dar tanta atenção, mas ela continuava atendendo os chamados do seu amado filho. Com o tempo, foi construindo um medo de que isso realmente poderia acontecer e por isso entrava em contato com ele sempre que solicitada, mesmo morando em uma cidade distante. Porém, um dia ela resolveu fazer o que os conhecidos lhe recomendavam, ou seja, não atender o telefonema do seu filho e, com isso, o deixar enfrentar seus “pesadelos”. Mais tarde recebeu a notícia que ele tinha cometido suicídio.

Imediatamente construiu uma culpa enorme, não aceitava o fato de não ter atendido o telefonema do filho. Por mais que os amigos e parentes lhe confortassem, dizendo que ela tinha feito tudo que lhe estava a seu alcance, ela passou a apresentar um pensamento cativo de culpa. Um pensamento não lhe abandonava: acreditava que seu filho ainda estaria vivo caso ela tivesse agido diferente. Por anos, diariamente remontava a cena em sua imaginação, ela atendendo o telefonema e os inúmeros desdobramentos em que sempre seu filho estava vivo e bem. Realmente foi um golpe muito forte. Num caso assim, como criar a possibilidade de ela ultrapassar o “portal da esperança”? Como constituir um novo ponto de vista sobre o problema que pudesse ultrapassar essa depressão?

Nesse caso, a melhor alternativa de trabalho foi introduzi-la num grupo de tratamento de depressivos. Além das sessões de psicoterapia, muitos dos participantes reuniam-se durante a semana, se preocupando em conhecer e apoiar uns aos outros. A ajuda dada por alguém que está passando pelo mesmo problema é bastante saudável. Uma frase dada por alguém em quem se espelha é muito mais significativa do que mil frases dita por alguém que apenas quer lhe ajudar, mas não se identifica realmente com o problema. Esse é um dos pontos altos do trabalho em grupo.

Mas, psicologicamente, o que fazer? Ela precisava superar a culpa. Para isso foi preciso ressignificar sua relação com seu filho, e não apenas o fato de ela não ter atendido o telefonema. Foi necessário levantar quem era ela, não apenas como mãe, mas como mulher, como uma pessoa no mundo que está construindo sua vida. Compreender também quem era seu filho (que já tinha quase 40 anos de idade), que, além de filho, tinha outras relações, era casado, tinha filhos, amigos, trabalho e que a personalidade dele não foi talhada apenas pela relação mãe/filho. Ela precisava entender e aceitar que as decisões dele ultrapassavam essa relação e que, por maior que seja a dor de perder um filho, ela tinha outros filhos para se dedicar.

Não é apenas com conversas que se trabalha num grau profundo da personalidade, a ponto de dar outro significado ao passado. É necessário utilizar técnicas em que a pessoa se reconheça diferente. Pois não é o psicólogo quem dá outro significado à vida do paciente, mas o próprio paciente consegue perceber seu passado por meio de outro ponto de vista, a ponto de alterar como se vê no presente. Ao fazer isso, consegue antecipar um futuro positivo. Nesse sentido o grupo é um facilitador para aplicação dessas técnicas.

Com o passar do tratamento, o perfil de liderança que essa paciente já apresentava na sua personalidade foi ultrapassando a depressão. Começou a ajudar outros colegas que passavam pelo problema também causado por acontecimentos traumáticos e de culpa profunda. Voltou a sentir-se útil e a ver um novo sentido na sua vida. Provavelmente não vai esquecer do acontecido, nem da saudade do seu filho, mas as lembranças não tinham mais o peso que a culpa lhe causava. Com os sofrimentos severos que as pessoas passam, não é mais possível zerar as lembranças, como num computador. Mas é possível dar uma outra oportunidade para uma nova vida.

Flávio Melo Ribeiro – Psicólogo 

O Cinema Independente dos E.E.U.U. OS IRMÃOS MCMULLEN

Os filmes independentes nos Estados Unidos têm resgatado a perdida tradição do melhor cinema do país.

Em meio à atoarda ensurdecedora do marketing milionário de bilionárias produções anódinas, quando não completamente imbecilizadas (as latas vazias é que fazem barulho, já dizia Buda), os jovens cineastas estadunidenses não comprometidos ou cooptados pela indústria do entretenimento vêm realizando filmes autorais, baseados em propostas substanciosas derivadas de séria preocupação humanista e atilada visão do mundo.

Entre inúmeros exemplos, infelizmente não tão inúmeros quanto se deseja e, principalmente, se faz necessário, inclui-se Os Irmãos McMullen(The Brothers McMullen, EE.UU., 1995), de Edward Burns (1968-). À semelhança de seus congêneres, dirigidos por Spike Lee, Hal Hartley, Wayne Wang, Gus Van Sant, Quentin Tarantino (apenas o de Cães de Aluguel), Bryan Singer, Jim Jarmusch, entre outros, o filme de Burns fere uma das questões reais do ser humano, no caso, a atitude dos jovens face ao relacionamento amoroso.

Não qualquer jovem ou o jovem em geral, mas, determinada faixa, singularizada pela descendência (irlandesa), localização (Nova Iorque), religião (católica), condição social (classe média) e época (década de 1990).

Isolado esse tecido do corpo social, o cineasta o submete a exame, seccionando partes, expondo o interior, adentrando interstícios, rebuscando precedentes, mas, deixando livres seus elementos para que, de sua vivência, sejam retirados e expostos sentimentos, emoções, ideias e ideais, conceitos e preconceitos, limitações, potencialidade e possibilidades.

Contudo, não só dos protagonistas, mas, também, de suas companheiras. Se não em igual intensidade, pelo menos com semelhante ótica. Se os protagonistas encontram-se (os três estão na mesma situação), mergulhados em dúvidas e perplexidades, suas parceiras, ao contrário, apresentam-se decididas e seguras.

Na realidade, face à posição masculina e feminina, as coisas acontecem assim mesmo até que os homens se definam. Quando isso ocorre – e geralmente ocorre – os impasses são superados e a vida segue seu itinerário em direção a rumo geralmente previsível, salvo acidentes de percurso.

Burns, conhecedor da realidade focalizada, visto inserido nela, parte de três relacionamentos distintos, cada um deles singularizado pela atitude do respectivo protagonista e pela reação da companheira.

Mesmo permanecendo à superfície do comportamento das personagens, o cineasta desvenda e expõe motivações, extrai significado e revela sentido. Não objetiva nem se compraz, pois, em narrar a estória e nem se esgota na urdidura da trama.

O resultado é radiografia de certa parte da juventude de seu país, daquela que pauta sua existência nos limites da normalidade social.

Sob o aspecto artístico e até mesmo técnico, o filme reflete as circunstâncias de sua produção. É simples, desataviado, fluente e preciso nos enquadramentos, valorizados por adequada montagem.
A despretensiosidade formal traduz a postura e a naturalidade das personagens, estabelecendo apropriada simbiose entre realização e entrecho.

Não é comédia, como por vezes classificado, porém, drama destituído de exageros e grandiloquência, normalmente inúteis, quando não despropositados.

(do livro Cinema Contemporâneo dos Estados Unidos, em preparo)

Guido Bilharinho
Advogado atuante em Uberaba

O poder público nas redes sociais

O uso das redes sociais amplificou o poder de comunicação das empresas e deu voz para os clientes. Essa oportunidade também viabilizou para o poder público um novo canal para conversar com a população. Hoje, vemos diversas prefeituras utilizando as redes sociais como mais um canal de relacionamento com o cidadão, a exemplo a Prefeitura de Curitiba.

A oportunidade de conversar com o cidadão num canal mais democrático cria um grande ensejo para os órgãos públicos: estar presente no dia a dia das pessoas e poder resolver e compreender os problemas da cidade.

Mas nem tudo são flores. Ao mesmo tempo em que as redes sociais possibilitaram que os órgãos públicos pudessem conversar com a população, este poder também foi dado à mesma, amplificando reclamações e proporcionando a união das pessoas para cobrar ações dos entes públicos.

A partir do momento que uma empresa, seja ela pública ou privada, dispõe-se colocar um perfil em alguma rede social, ela precisa estar preparada para conversar e manter um diálogo. Afinal, estamos falando de um canal de comunicação e não apenas de um mural para publicações positivas. É preciso estar preparado e disposto a receber críticas e, principalmente, ser capaz de resolver problemas.

Um órgão público que resolve criar perfis em redes sociais necessita de uma estratégia não apenas virtual, mas de um plano de ação que consiga transformar a vida dos cidadãos. Um perfil que consiga trazer resultados reais, que auxilie para que a cidade seja um lugar melhor. As ações na rede social não podem ser isoladas, mostrando apenas imagens bonitas e compartilhando apenas notícias positivas. Elas precisam, também, estar em harmonia com toda a administração, transformando-se em mais um serviço para o cidadão, onde, por exemplo, uma reclamação possa ser encaminhada aos responsáveis e que estes possam responde-lo rapidamente.

As empresas públicas devem entender que a internet tem uma linguagem própria e as redes sociais não podem ser palco para divulgação de qualquer tipo de material oriundo de outras plataformas de comunicação. As instituições devem adotar uma linguagem adequada para esses canais.

Hoje, temos vários exemplos positivos de empresas públicas que utilizam esse novo canal de comunicação, como a Prefeitura de Curitiba, que faz uso dos memes para conversar com o cidadão, e tem recebido uma ótima resposta do público. Outro exemplo é a Prefeitura de São Paulo, que com uma linguagem mais formal também tem alcançado êxito na comunicação com a população.
Ter mais um canal de comunicação com o cidadão é importante e saber utilizar este meio é fundamental. E o mais importante é o cidadão ficar atento à sua cidade, exigir, fiscalizar e utilizar as redes sociais para fazer valer os seus direitos, sempre com responsabilidade e respeito.

GLucas Alfaix
Designer, social media, especialista em Mídias Digitais pelo Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG)

“Não atirei o pau no gato!”

Em uma crônica anterior, um tanto polêmica, falei das canções infantis tradicionais, aquelas que vêm sendo cantadas por crianças de sucessivas gerações, o que me lembra outra crônica, mais polêmica ainda, sobre as fábulas, os contos de fadas importados e antigos que encantam nossas crianças.

O tema foi polêmico, porque mencionava as letras de canções como “Atirei o pau no gato”, “O Cravo brigou com a rosa” e outras mais, onde encontramos cenas de violência em cima de músicas gostosas e cadenciadas. Recebi muitas mensagens, de pessoas que concordavam, de outras que nunca tinham parado para pensar mas perceberam que realmente havia alguma coisa e de outras que achavam que era exagero.

Achei ótimo ter provocado uma discussão a respeito e essa discussão ter resultado em mudanças, que podem ser até localizadas, mas que já começaram a acontecer. E o melhor resultado disso foi uma matéria em um programa na TV a cabo, atingindo todo o país, sobre as inovações implantadas nas conhecidas canções infantis por professores e educadores aqui de Florianópolis. E o programa tem o poder de difundir a ideia, de disseminar a novidade.

A matéria mostrava educadores de crianças na pré-escola, cantando com seus alunos aquelas mesmas famosas canções infantis que tínhamos denunciado pelo conteúdo aparentemente inocente, embora tendendo à violência, mas com letra reescritas, repensadas. Politicamente corretas, como disseram, termo que eu nem considero muito simpático, embora talvez seja apropriado.

“Atirei o pau no gato” ficou mais ou menos assim: “Não atirei o pau no gato / porque isso não se faz / O gatinho é nosso amigo / Não devemos maltratar os animais / Jamais!” E “O cravo brigou com a rosa…” está sendo cantado assim: “A rosa deu um remédio / e o cravo logo sarou / O cravo foi levantado / E a rosa o abraçou.” Não ficou melhor? Transmite uma mensagem positiva e a música continua gostosa e vibrante.

O “boi da cara preta” virou “boi do Piauí” e por aí vai. As crianças gostaram, pois perguntadas pela reportagem, disseram que preferiam as novas versões, como “NÃO atire o pau no gato” e explicaram o porquê.

Uma doutora em educação, perguntada a respeito pela repórter, disse não concordar porque acha exagero pensar que as crianças possam ser influenciadas pelas letras das músicas. Eu peço licença para discordar, porque as próprias crianças já responderam a ela, crianças de dois, três, cinco anos. Quando pediram a elas que justificassem porque preferiam as novas versões, responderam que não se deve maltratar nenhum animal, nenhum ser vivo, nunca. Então não é correto dizer que as crianças não prestam atenção ao conteúdo das letras. Elas entendem, sim, e até copiam. Elas são pequenos discos rígidos vazios que gravam tudo.

Melhor se pudermos passar-lhes boas mensagens, para que sejam adultos mais responsáveis amanhã.

Luiz Carlos Amorim – Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC

Tenha a atitude correta e alcance os objetivos desejados

“Seja você mesmo”. Responda com sinceridade: quantas vezes você já ouviu esse conselho? Uma, dez, cem vezes… Sim, mas por que algo que parece ser tão fácil é, na realidade, difícil de fazer? Minha resposta é: “Atitude”, e ela não está embasada num estudo científico feito com um grupo de pessoas, mas sim, é apenas fruto das minhas experiências.

Muitos desejam ser algo, mas não fazem nada para irem nessa direção, ou seja, não têm a atitude certa para alcançar o objetivo desejado. São maravilhosos em idealizar as coisas e, se compartilham o que pensam com os outros, acabam sendo rotulados de sonhadores.

As pessoas que já tiveram a experiência de trabalhar comigo, sabem como sou chato com as palavras “tentar” e “achar”. Quando alguém me diz que vai tentar algo, tenho a absoluta certeza de que não está totalmente comprometido com o sucesso daquela tarefa e/ou projeto. Você tem que acreditar que conseguirá, senão, o fracasso está mais perto do que longe. Se você tem dificuldade de se visualizar bem sucedido, imagine o que pensam as pessoas à sua volta, principalmente se você é um líder!

A outra questão é o “achar”. Quando pergunto algo e recebo como resposta: “Acho …”, fico muito desapontado, pois é melhor responder que não sabe. Seja franco e honesto a respeito do que não sabe ou desconhece. É um primeiro passo para você começar a mudar a sua atitude.

Então, você deseja mudanças? Não saia como louco por aí “tentando” várias coisas. O primeiro passo é mudar a sua forma de pensar, é um trabalho de autoconhecimento. E, normalmente, é interessante uma ajuda externa para que a verdadeira mudança aconteça, mas, antes, você deve querer.

Você nunca conseguirá se transformar em algo que deseja se permanecer tendo os mesmo pensamentos, ou seja, sendo do jeito que é, fazendo as mesmas coisas, tendo as mesmas atitudes. O importante é conseguir se enxergar de determinada maneira e acreditar que pode se modificar. Você verá que o seu comportamento irá mudar para se adaptar a esse novo status quo.

Agora, não querendo ser repetitivo, mas sendo, você obrigatoriamente deverá sair da sua zona de conforto. Não existe substituto para o tempo, você não tem como estocar tempo para usar lá na frente. Passou, perdeu, então, não deixe o tempo passar em vão.

Comece desenhando um quadro atual de quem é você, onde está, do que é capaz de fazer e aonde desejar chegar. Busque conhecimento e experiência para alcançar esse objetivo e se cerque de pessoas que o ajudarão na caminhada. Você tem três opções: Perder, tentar não perder ou jogar pra vencer. Qual será a sua escolha?

Amauri Nóbrega
Consultor executivo, palestrante, coach, escritor, conselheiro e especialista em estratégia e finanças

Novo campo de batalha das pequenas empresas

O ânimo dos brasileiros que lutam a favor das pequenas empresas quase foi abatido no começo de outubro, quando a presidente Dilma Roussef anunciou sua reforma ministerial. A Secretaria da Micro e Pequena Empresa perderia o status de ministério. Um dos melhores quadros do governo, o ministro Guilherme Afif, deixaria sua missão. Ainda bem que a experiência do gestor acabou reconhecida com sua nomeação para o Sebrae. Fez-se justiça e ele continuará a prestar sua experiência ao empreendedorismo.

As entidades que representam o setor respiram aliviadas pela continuidade do seu trabalho. A importância de micros e pequenas empresas se mede por seus números: 12.470.015 no ano passado, o equivalente a 84,9% das 15.479.747 companhias registradas em todo o País. São responsáveis por mais de 60% dos empregos formais e sua participação no PIB ultrapassa 27%. Essa larga base da economia foi maltratada ao longo da história.

Afif enfrentou forte resistência em Brasília por parte de tecnocratas que produzem estatísticas como esta: de cada cem empresas abertas no Brasil, 48 encerraram suas atividades em até três anos. Afif foi à luta. No Simples Nacional, ampliou o programa para mais 450 mil empreendimentos no País em mais de 140 atividades, universalizando o imposto único. Trabalhou para elevar o teto de enquadramento de R$ 240 mil para R$ 360 mil para microempresas e de 2,4 milhões para 3,6 milhões para pequenas empresas. Para empreendedores individuais, foi para R$ 60 mil ao ano.

É projeto dele a REDESIM – Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios, que permite abrir, fechar, alterar e legalizar empresas com o mínimo de burocracia. E também o Simples Social, para beneficiar o Terceiro Setor com papel fundamental na sociedade.

Existem motivos para acreditar: a luta do setor trocou de endereço, mas não de comandante.

Sérgio Approbato Machado Júnior
Presidente do SESCON-SP (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo)

Doutrinação em sala de aula é crime

No último Enem, houve grande debate para o fato de que algumas perguntas continham forte conotação doutrinária, teses marxistas e ideologia de gênero, este debate não pode ser evitado e a educação brasileira tem sido palco de inúmeras denúncias de parcialidade e assédio ideológico praticado por doutrinadores que se aproveitam da cátedra para impor sua visão de mundo. Inclusive teses bizarras de que as pessoas nascem neutras sem a sexualidade definida e depois construiriam sua opção a partir de suas experiências.

Cada vez mais ideologias são vendidas como teorias científicas em sala de aula enganando e constrangendo milhões de estudantes que desejam se preparar para o ensino superior e ter uma profissão que lhe garanta uma vida melhor. O espaço das doutrinas, de muitas matizes, amplia-se e diminui o espaço da matemática, leitura, gramática, literatura, física, biologia e da química. O atual ensino brasileiro, parece estar mais preocupado em moldar comportamentos, antes algo da esfera privada e familiar, do que ensinar matérias e habilidades úteis ao mundo do trabalho, afrontando claramente nossa constituição em seu artigo 206 e incisos que determina a laicidade e pluralidade do ensino.

Exatamente por isso é preciso desnudar a origem dessa engenharia de comportamentos imposta ao ensino nacional. Vamos começar pelo século XIX e pinçar a origem marxista destas doutrinas. Friedrich Engels, parceiro intelectual de Karl Marx, o pai do comunismo, em A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, um livro de 1884, diz que “o desmoronamento do direito materno é a grande derrota histórica do sexo feminino em todo o mundo”. Para ele “o homem apoderou-se também da direção da casa; a mulher viu-se degradada, convertida em servidora, em escrava da luxúria do homem, em simples instrumento de reprodução”.

Veja o discurso feminista radical, aquele que envenena a complementariedade entre homens e mulheres, que passam a ser inimigos por natureza histórica. Se isso fosse verdade, jamais a sociedade teria se desenvolvido e a parceria natural entre homens e mulheres teria gerado mais de seis bilhões de seres humanos.

Ou seja, para um dos principais teóricos marxistas, a opressão do homem sobre a mulher é o gêneses do capitalismo e da família burguesa e como tal tem que ser combatida.

Simone de Beauvoir, em seu livro o Segundo Sexo: fatos e mitos, publicado em 1949, reforça a visão do feminismo radical de origem marxista e finca bases da ideologia de gênero ao atribuir a ideia de feminino, não como algo dado por natureza, mas uma construção social perversa, feita por homens dominantes preocupados em oprimir as mulheres.

Apesar de sua controvertida biografia, simpatizante e colaboradora do nazismo e envolvida em apologia a pedofilia, ela ficou famosa e influente em círculos intelectuais alternativos e aos poucos tornou-se dominante em sociedades que sofrem hegemonia esquerdista de pensamento, afinal o comunismo, o nazismo e o fascismo são irmãos siameses. No Brasil chegou ao Enem. Vejamos uma pérola de seu pensamento: “poucos mitos foram mais vantajosos do que esse (o mito da mulher) para a casta dominante: justifica todos os privilégios e autoriza mesmo a abusar deles. Os homens não precisam preocupar-se em aliviar os sofrimentos e encargos que são fisiologicamente a parte da mulher, porquanto “são da vontade da Natureza”; eles se valem do pretexto para aumentar ainda a miséria da condição feminina, para denegar, por exemplo, à mulher, qualquer direito ao prazer sexual, para fazê-la trabalhar como um animal de carga”, esta generalização é injusta e preconceituosa.

Vejamos quando essa intenção torna-se explícita em duas importantes autoras do movimento feminista. A primeira é Kate Millett, nascida em 1934 é norte-americana, que escreveu a Política Sexual, livro de 1970, e é considerada uma das teóricas mais influentes do movimento feminista mundial. Eis a explicitação da intenção política da teoria de gênero: “no contexto de uma política sexual, transformações verdadeiramente revolucionárias deveriam ter influência, à escala política, sobre as relações entre os sexos.” Ou “uma revolução sexual exigiria antes de mais, talvez, o fim das inibições e tabus sexuais, especialmente aqueles que mais ameaçam o casamento monógamo tradicional: a homossexualidade, a ilegitimidade, as relações sexuais pré-matrimoniais e na adolescência”. Ou, ainda, “uma revolução sexual acabaria com a instituição patriarcal, abolindo tanto a ideologia da supremacia do macho como a tradição que a perpetua através do papel, condição e temperamento atribuídos a cada um dos dois sexos”.

A segunda é Shulamith Firestone no seu livro de 1970, A Dialética do Sexo: o caso da Revolução Feminista: Assim como a meta final da revolução socialista era não só acabar com o privilégio da classe econômica, mas com a própria distinção entre classes econômicas, a meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente?não simplesmente acabar com o privilégio masculino, mas com a própria distinção de sexos: as diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam culturalmente”. Ou seja: o extermínio da família tradicional e apologia a sexo livre e outros comportamentos antissociais.

A intenção marxista por trás das teorias de gênero são explicitadas sem pudor pelas teóricas do feminismo radical desde Simone de Beauvoir. Abolir a própria ideia de feminino e masculino e subverter os comportamentos sexuais transformando-os em armas contra a família dita tradicional opressora. Ora, é evidente que o Enem não deve cobrar essas teorias, que nada de científico possuem. São meras ideologias exóticas, parciais e preocupadas com revolução e mudanças profundas de comportamento. O espaço delas é no palanque em discussões acadêmicas e não nas salas de aula.

A violência é deplorável e deve ser combatida em todas as suas vertentes, contra mulheres, negros, crianças, idosos, qualquer um, não pode é ser pretexto para a divisão da sociedade.
Não se pode confundir educação com doutrinação. O fundamento da verdadeira educação é a liberdade de reflexão, a possibilidade de acesso à pluralidade do pensamento, das correntes de interpretação da realidade e da diversidade metodológica científica. A verdade é que onde há doutrinação não pode haver educação, apenas formação de massa de manobra de movimentos radicais. Estamos prontos para o debate, não iremos nos calar.

Rogério Marinho
Deputado federal