quinta-feira , 19 de outubro de 2017
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Lupércio Luiz deixou saudades – Wilson Bezerra de Moura

Viajávamos de Natal para Mossoró, na tarde de sábado, dia 29 de julho de 2017, quando inesperadamente quebrou-se a animação da equipe que compunha o transporte alternativo, com um telefonema que o amigo Olismar Lima recebeu, quando era comunicada a morte de Lupércio Luiz de Azevedo, figura de nossa estima, aliás, da estima de toda Mossoró, onde ele nasceu, cresceu e viveu toda uma existência. Só muito depois passou a residir em Natal, por razões de ordem familiar, naturalmente educação dos filhos.

Mesmo vivendo em Natal, Lupércio não perdeu a ligação com os mossoroenses, especialmente com os desportistas, com quem sempre manteve estreita ligação como comentarista esportivo. Sempre presente na vida mossoroense, como político, quando integrou o quadro da municipalidade na Câmara de Vereadores exercendo o mandato de vereador no período de 1988 a 1991, ali deixando boas relações de amizade entre os parceiros. Mesmo de partidos adversários contava com a estima dos opositores pela sua maneira distinta de tratar bem as pessoas.

Nos segmentos da sociedade onde teve participação assídua na Universidade, nos clubes esportivos, Baraúnas, Potiguar, Ipiranga e Ferroviário, onde também participou, foi feliz em seu relacionamento com os colegas e, sem dúvida alguma, nas emissoras de rádio, jornais O Mossoroense e Gazeta do Oeste, onde deu sua contribuição como amante do esporte, levando sua mensagem calorosa como verdadeiro desportista, um profissional do esporte que em todos os momentos estava presente na movimentação dos clubes.

Melhor dizendo, Lupércio Luiz de Azevedo deixou suas pegadas não só no esporte, mas na sociedade mossoroense e norte-riograndense como um todo, que sempre o teve como verdadeiro e legitimo amigo em todas as horas em que se fizera presente aos pontos de maior aceitação popular, na politica, na Maçonaria, onde marcou época como membro da Loja Maçônica João da Escóssia, e, finalmente, no futebol, que foi em toda sua vida o principal esporte.

Se ele tivesse tido um momento para pensar antes da morte, pouco antes do enfarte, teria, com certeza, elevado sua lembrança não só a Fátima Duarte, sua esposa, aos filhos e muito especialmente aos mossoroenses, amantes do futebol, aonde chegou a dar os primeiros passos como desportista.

Se ele não teve o privilégio de se despedir de todos, nós elevamos nossos sentimentos de reconhecimento e gratidão a ele, que passou por esta terra de Santa Luzia e deixou suas pegadas do bem e da virtude por meio de suas ações. Que lhe seja reservado bom lugar no Oriente Eterno onde passou a residir, é tudo o que o podemos fazer em seu favor.

Planilhas da JBS registram repasses a políticos – Júlio César Cardoso

Qual o politico do alto escalão (e até do baixo clero) que não recebeu propina para as suas campanhas políticas? Propina, sim, pois caixa dois é dinheiro sujo. O político que não tiver culpa em cartório que atire a primeira pedra!

A fortuna acumulada por grupos como JBS e Odebrecht é decorrente das facilidades que as empreiteiras encontraram no submundo da política nacional ao firmarem contratos espúrios com órgãos públicos, mediante o pagamento de propina a políticos e partidos, que serviram para bancar as suas campanhas milionárias políticas.

Vejam abaixo, para reflexão, a notícia da Folha de S.Paulo:

“Planilhas da JBS registram repasses de R$ 1,1 bilhão, afirma revista Época

Documentos publicados pela revista “Época” neste sábado (29) mostram como a JBS organizava pagamentos a políticos. As planilhas com a contabilidade detalhada fazem parte do material que a empresa entregará à Procuradoria-Geral da República como parte de seu acordo de delação, segundo a revista.

As tabelas têm informações que abrangem desde a eleição municipal de 2006 até a campanha de 2014. Nos últimos 11 anos, os repasses chegaram a R$ 1,1 bilhão, de acordo com os papéis. A empresa também apresentará comprovantes bancários, notas fiscais e contratos.

A pedido do presidente Michel Temer (PMDB), diz a revista, foram distribuídos R$ 21,7 milhões para aliados. Também são mencionados o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com recebimento de R$ 50 milhões, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), com R$ 18 milhões, entre outros. Para o PT, de acordo com os documentos, foram US$ 151 milhões pagos no exterior e R$ 111,7 milhões no Brasil.

O executivo Ricardo Saud, delator da JBS, já havia revelado o pagamento de propina a 1.829 candidatos eleitos.

Procurados, os políticos citados negaram envolvimento no esquema e afirmaram só receber doações legais.”

A farra de dinheiro ilícito a políticos não foi uma exclusividade da JBS. Vejam o que afirmou Marcelo Odebrecht, executivo da empreiteira: “Duvido que tenha  um político no Brasil que tenha se eleito sem caixa dois, e, se ele diz que se elegeu sem, é mentira porque recebeu do partido. Então, impossível.”

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado.
Balneário Camboriú-SC.

Ecumenismo é Paz no planeta — Paiva Netto

Reflexões da Alma, título que lancei em 2008, em terras lusitanas, segue a Ideologia do Bom Samaritano, tão bem acolhida pelo ilustre povo português, acerca da qual escrevi na revista BOA VONTADE, número 197, de janeiro de 2005: ajudar o próximo e esclarecê-lo, espiritual e intelectualmente, para que saiba enfrentar os inúmeros desafios cotidianos e consiga erguer uma jornada de vitórias. E conforme elucidei em Como Vencer o Sofrimento (1990), quando o ser humano se esmera em aprimorar-se no Espírito, tudo melhora à sua volta. A saída está em educar ecumenicamente.

O Ecumenismo Divino é uma questão a ser realizada, pois o estado do mundo real infelizmente é, sob diversos aspectos, ainda este: “Mesmo que seja certa a proposta de outra criatura, se não é do meu rebanho, não interessa”. A solução, portanto, para tamanho absurdo é o Ecumenismo, do qual tanto lhes falo nas múltiplas publicações da Editora Elevação e na mídia eletrônica, destacando-se a internet. Exemplificando que a Boa Vontade é o elo de sapiência que nos une como seres espirituais e terrenos, porque a vida na Terra começa no Céu, exponho nos meus escritos e palestras o pensamento de gente dos incontáveis redis religiosos, políticos, científicos. E, universalizando, ideológicos. Esses meus Irmãos em humanidade, quando trazem em si e nos seus textos uma extensa variedade de expressões em que todos podemos, com um mínimo de Boa Vontade, encontrar-nos, demonstram, assim, que o Ecumenismo é verdadeiramente instrumento de Paz num planeta em que qualquer diletante promove a guerra. Mas “se queres a Paz, prepara-te para a Paz”, já dizia Rui Barbosa (1849-1923). Concordo com Vinicius de Moraes (1913-1980), o saudoso poetinha — como ficou conhecido o inesquecível parceiro de outro gênio da Bossa Nova, Tom Jobim (1927-1994) —, que, com sua peculiar inspiração, versejou: “Você é, ao mesmo tempo, um coração que bate e um único batimento nesse corpo chamado humanidade”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected]www.boavontade.com

Saiba quais os direitos de visita dos avós aos netos de pais separados

Por Paulo Akiyama

Muitos avós, paternos ou maternos, a cada dia que passa, buscam o poder judiciário para garantir o direito de serem avós.

A cada dia, há um crescimento no judiciário do reconhecimento da alienação parental, praticada por um dos genitores, ou seus familiares, criando assim uma forma de buscar o afastamento do genitor alienado e seus parentes da convivência dos menores alienados.

Esta complexidade criada com a prática da alienação parental, ainda traz a baila a complexidade de regulamentação da convivência do genitor alienado com sua prole, mais ainda complexo é a convivência dos avós com estes netos.

Parece até absurdo esta nossa afirmação, mas não é, muitos genitores obstruem ao máximo a convivência dos avós com seus netos, em especial, aqueles que são pais dos genitores alienados.

O espirito de vingança pela falência do relacionamento, muitas vezes reflete na penalização de todos os parentes daquele que é hostilizado, daquele que leva a culpa pela falência do matrimonio.

Os avós são parte integrante da vida das crianças. Quem não se lembra da macarronada da avó? Daquele passeio no parque com o avô? Daquele carinho especial dado pelos avós?

A convivência da criança com todas as gerações dos familiares é de suma importância ao seu desenvolvimento cultural e psicológico.

O sentimento de ser amado é primordial a qualquer ser humano, imaginem então as crianças.

E aos avós, que lutaram uma vida para poderem proporcionar o melhor aos seus filhos e com a esperança de desfrutar dos netos? É justo afasta-los desta convivência?

Sabe quando, nestes casos, os avós são lembrados? Quando aquele genitor guardião busca incansavelmente receber pensão alimentícia e o outro genitor não possui meios de comparecer com os valores que se entende justo (sabemos que nem sempre o são), alicerçam-se na lei (art. 1.696 do código civil) para buscar contra o idoso a obrigação de alimentar (prestar auxílio material). A lei determina que esta medida somente pode ser utilizada quando se esgotarem todos os meios processuais disponíveis para obrigar os alimentantes primários (genitores) a fazê-lo, porém, repisa-se, é quando os avós são lembrados pelo alienador.

Porém, ainda há de se falar que existem muitos casos de pais não separados, mas que um dos genitores (genro ou nora) não convivem bem com seus sogros, ou mesmo, caso de filhos que não convivem bem com seus pais, e em retaliação a isto, proíbem a convivência dos netos com os avós.

A própria lei da alienação parental (12.318/10) prevê que a prática da alienação parental fere o direito da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações dom genitor e com o grupo familiar. Assim, entende-se que avós pertencem ao grupo familiar saudável ao desenvolvimento da criança e adolescente.

O direito dos avós de conviverem com seus netos ainda está previsto na própria Constituição Federal em seu art. 227, entre outros deveres da família, sociedade e Estado de garantir a criança, ao adolescente e ao jovem a liberdade e a convivência familiar, o próprio ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) em seu art. 16 (V) e 19 garantem a criança e ao adolescente participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação.

A IV Jornada de Direito Civil, no seu enunciado 333 afirma que o direito de visitas pode ser estendido aos avós e pessoas com as quais a criança ou o adolescente mantenha vínculo afetivo, atendendo ao seu melhor interesse.

As medidas judiciais que cuidam da convivência de avós com seus netos são as mesmas da regulamentação de visitas de pais separados, podendo ainda, se for o caso, requerer uma tutela de urgência, podendo o Juiz determinar liminarmente e de forma provisória a visitação dos avós, com ou sem a oitiva dos pais da criança ou adolescente.

Portanto, o nosso maior objetivo é dizer “Vovô e Vovó, vocês possuem sim direito de conviver com seus netos”.

*Paulo Eduardo Akiyama é formado em economia e em direito 1984. É palestrante, autor de artigos, sócio do escritório Akiyama Advogados Associados, atua com ênfase no direito empresarial e direito de família. Para mais informações acesse http://www.akiyamaadvogadosemsaopaulo.com.br/.

Acesso à terra, no Brasil: uma questão de ordem ou de justiça social? – Rogério Cruz

Neste 25 de julho de 2017, o Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), invadiu fazendas que, segundo esse Movimento, seriam ligadas a políticos e empresários que estão sendo investigados por suspeita de corrupção.

Sem necessariamente se ater a esse fato – mas guiado por aquilo que seriam os princípios orientadores das ações desse Movimento -, tem-se que essas ocupações de terras agrícolas teriam basicamente duas conotações. A primeira, porque existem espaços rurais que estão improdutivos; e, a segunda, porque é negado um espaço de terra a milhares de famílias de agricultores, seja pela ausência de Políticas Públicas, seja porque esse Movimento é composto por pessoas que não tem condições de adquirir terras para poder plantar sua própria subsistência.

Nesse sentido, indaga-se: existiria, de fato, um espaço agrário improdutivo, seja na economia brasileira, seja na economia do semiárido, ou, se está criando um fantoche acerca desse tema?

Inicialmente, meu caro leitor, suponha que você fará uma viagem, por rodovia, de Mossoró até Natal. O que se verá, no tocante ao uso da terra, nessa viagem? Será visto muita terra improdutiva, ou, ao contrário, muita terra que contém algum tipo de cultivo ou atividade criatória?

Segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tanto em nível nacional, quanto estadual ou ainda local, constata-se ociosidade de grande parte da terra agrícola do semiárido potiguar. E, além disso, que existe muita terra nas mãos de poucos, ou seja, que há expressiva concentração da propriedade privada da terra nas mãos de poucos proprietários.

Portanto, mesmo considerando os danos causados pelo longo período de estiagem, verifica-se que nosso território tem muito espaço concentrado para poucos e se mostra ocioso. Logo, neste primeiro item, de fato, o MST, tem razão.

No caso da segunda posição, dizer que o acesso é negado – seja pela ausência do Estado, seja pela lógica do mercado -, também pode se supor que seja verdade. Então, nesta condição, por que isso ocorre?

No Brasil, a terra ganhou a condição institucional de ser um bem privado e/ou uma mercadoria, a partir de 1850, com a edição da chamada Lei de Terras (LT). A partir desta LT, o acesso à terra se faz – por vias legais – mediante compra. Ora, a cada compra corresponde uma venda igual e contrária. Logo, esse processo de compra e de venda de terra dava início à constituição do assim chamado Mercado de Terras Agrícolas (MTA).

No caso do estado do Rio Grande do Norte, essa determinação legal surgiu apenas em 1895, onde, tal como era válido para o caso geral, o acesso à terra ficou condicionado aos que tem poder de compra para fazê-lo.

Modernamente, no caso dos integrantes do MST, pode-se dizer que foram e/ou estão sendo “barrados no baile” porque não tem poder de compra para ter acesso à terra agrícola.

Daí ter surgido o debate, na atualidade: de um lado, há uma interpretação de que, invadir uma propriedade fere a ordem jurídica, segundo declarou recentemente a senadora Ana Amélia/RS, dentre tantos outros que defendem essa tese. E, de outro lado, há o entendimento de que, se tem muita terra ociosa e/ou improdutiva, muito provavelmente é porque vem sendo utilizada de maneira especulativa, e, portanto, deveria ser destinada a quem quer produzir (como tem dito o economista Stédile/MST, por exemplo).

Uma vez colocada essa divergência de interesses entende-se que a solução do problema do acesso à terra, tudo indica, não pode ser interpretado apenas à luz da ORDEM legal existente. Mas, também do ponto de vista da JUSTIÇA social.

Enfim, o ato de acampar e/ou de invadir propriedades rurais ociosas, independentemente da razão alegada, ao mesmo tempo em que consiste numa transgressão à ORDEM, ao menos em tese tal como veem os representantes do MERCADO, também deve ser visto como uma demanda de terras, até para que se faça JUSTIÇA, tendo em vista o impedimento ao acesso por muitos contra o comando de uns poucos. Esta, tudo indica, uma questão que cabe ao Estado resolver.

Portanto, em face do exposto, entende-se que seja falso negar o acesso à terra pela razão de que se trata de uma contestação ao que está posto. Na aparência, até pode ser. Mas, em essência, não o é.

Por que?

Porque uma vez tornados proprietários, os atuais sem-terra, tenderão e/ou serão impelidos a agir dentro da lógica capitalista, atualmente existente. E, com isso, tudo indica, devem ampliar ao invés de contestar a ordem que está posta. Pois, a força do mercado tem se mostrado maior do que a força social emergente e comandada pelos integrantes do MST.

É como dizer que lutam por justiça para provavelmente ampliar a ordem existente, e, deverão fazê-lo, até mesmo na suposição de que não queiram.

Contestar o estado de coisas existentes? Não acredito que isso venha a acontecer, de fato, ainda que possa existir contestação, que, tudo indica, tenderá a se esvair ao longo do tempo porque talvez até seja um discurso que não poderá corresponder aos fatos que estão e que continuarão a estar postos.

Convite final: você, leitor, examine o que de fato ocorre no cotidiano de um assentamento constituído ao seu redor e elabore suas perguntas e/ou suas próprias conclusões sobre o tema.

 

Rogério Cruz é doutor em Desenvolvimento Econômico/Unicamp. Professor da UFRN. Aposentado.

BOULIER: errâncias de um pintor – Márcio Dantas

Por Márcio de Lima Dantas  – Professor do Departamento de Letras da UFRN 

 

A obra do pintor José Boulier (Cavalcanti Sidou, 1951-2004), embora tenha se expressado por meio de muitas vertentes da nossa tradição pictórica Ocidental, não levanta uma problemática sobre a arte de representar, como fez Picasso, Matisse ou Modigliani. Seus retratos ditos mais “clássicos”, buscando uma expressão naturalista do referente, não conseguiu lograr êxito nos desenhos que consideram as proporções consoante o que o olhar contempla (à exceção do retrato do seu pai, de excelente fatura, que se encontra na casa da irmã Laís),embora tenha estudado na Escola de Belas Artes de São Paulo. 

Com efeito, a compostura do indivíduo representado desconsidera a matemática implícita nos volumes e nas proporções das mãos ou do olhar. Tomo a liberdade de assim dizer, pois está muito clara a deliberada vontade de expressão do real como retrato da realidade, diferente de outras suas manifestações, nas quais predominam a licença poética e as inúmeras possibilidades, deixadas à guisa do pintor, por meio dos diversos movimentos do século XX que questionaram a arte de representar em tela ou em outro suporte. 

Numa vertente das suas pinturas prevaleceu uma farta e franca liberdade onírica, não ficando preso a cânones ou padrões estabelecidos desde sempre. Aqui entram pessoas fantasiadas para um eventual carnaval, embora detenham um semblante melancólico e uma lágrima escorra pelo rosto, elementos que nos levam a indagar do espaço que o social proporciona para a alegria e a catarse coletiva nos eventos dedicados a Momo. Quer dizer, até que ponto o interior é contaminado pelo clima festivo e permissivo do exterior. 

Antes de prosseguir, permitam-me evocar alguns traços do temperamento e dos meios de vida empregados para sobreviver, como sucede a todo e qualquer humano responsável.  Para além de ser pintor, Boulier tinha o ofício de decorar festas, clubes e bailes de carnaval. Tendo ficado na lembrança de muitas pessoas de Mossoró a decoração do baile da Norsal, quando preencheu todos os espaços com a temática do palhaço, deslumbrando todos que a contemplaram, na qual demonstrou suas capacidades em estado de potência, dizendo por meio da sua assinatura o quanto era hábil e dominava a ideia de conceber um conjunto de imagens, afastando o horror vacui  tão ontologamente vinculado aos viventes 

Boulier trabalhou como estilista em Teresina, Fortaleza, Mossoró e Recife, desenhando com habilidade e rapidez modelos de vestidos. Dotado de temperamento inquieto e visivelmente saturniano, sugere não ter uma boa relação com Cronos, haja vista que não se demorava muito tempo em um só lugar. O que procurava mesmo nessa excitação física e metafísica? O que o levava a mudar tanto de residência, mesmo quando morava em Mossoró? 

Uma das suas características era pintar rostos quase sempre de perfil, como na arte egípcia, sendo que essa estava subordinada aos cânones impostos pela religião, que não é o nosso caso. A estilização formal e simbólica advinha de preceitos religiosos. Parecia estar muito mais fascinado pelo que o humano detém de máscaras do que pelos poucos momentos nos quais indivíduos se lançam à vida com o rosto lavado, autêntico e sem a necessidade ou imperatividade da hipocrisia, demandada nos embates do cotidiano pela Senhora Vida. 

Creio que esta tela abaixo pode nos proporcionar uma série de especulações acerca dos mitos, imagens, inquietudes e buscas de respostas para suas inquirições de caráter metafísico. Para efeito do meu artigo, será considerada uma metonímia da pintura de Boulier, ou seja, tomarei a parte pelo todo, no qual procurarei estabelecer uma tese, sua antítese e, finalmente, esboçarei uma síntese daquele que marcou durante muitos anos as artes plásticas em Mossoró. Sugiro que outros críticos e exegetas escrevam sobre o autor, fazendo valer o princípio de que outros não cuidarão do que foi produzido aqui, definindo o âmbito que confere número e nome ao que nos caracteriza enquanto agrupamento social, bem distante do eixo onde circulam os artistas que se destacam: o sul e o sudeste brasileiros. 

Além do mais, essa tela inscreve-se como de boa fatura no conjunto da sua obra. Há uma aura de esmero, capricho e exigência interior, sobretudo no marcante traço do desenho que compôs um rosto afilado e com firmes contornos em ângulos retos. De outra parte, não há como não se permitir contemplar a oposição do amarelo do rosto, do marromno longo pescoço, e da estamparia da indumentária, nqual predominam o vermelho e o amarelo. 

Arte Boulier 91

Antípodas são anuances derivadas do vermelho e do amarelo. Temos o azul do cabelo, ocupando cerca de um terço de toda a tela.Ora, amarelo e azul, e seus respectivomatizes, no plano do Imaginário, representam, respectivamente a oposição entre terra e céu, entre realidade e imaginação, entre carne e espírito. Expressando-se de maneira ímpar na personalidade de cada indivíduo, impossibilitando o juízo do outro sobre a forma de ser e agir do próximo. As bodas das duas dimensões básicas do humano parecem não ter sido harmônicas em Boulier. 

O verde à esquerda, ocupando cerca de um terço da tela, por sua vez, está situado entre o azul e o amarelo, sendo uma cor tradicionalmente vinculada a uma atitude mediadora, uma vez que se encontra entre o baixo e o alto, sendo uma cor tranquilizante, apaziguadora de conflitos. Representa a esperança de uma buscada harmonia externa ou interna. É notável a simbologia das cores na tela: o olhar melancólico da mulher admite a impossibilidade. Tristeza resignada, com um leve travo de acusação, porém de maneira polida. 

Isso mesmo, Eros e Psiquê se confrontaram no artista. Pássaro degolado em permanente agonia de um desassossego imanente. A arte não conseguiu apartar o inexorável embate anunciado. A arte não cumpriu seu papel histórico de galvanizar a alma, pagando o preço de demandas interiores que o sufocavam. A arte não conseguiu sublimar a tempestade interna? Morrem jovens os que os deuses amam? Acaso serve de consolo ou guarida? 

Para além de integrar a história das Artes Plásticas em Mossoró, amigo de Marieta Lima, a qual sempre retornava ao ateliê dela, numa rua estreita, no centro da cidade, eis que Boulier muito mais cumpria o papel de comediante na polisPersonagem ou artista? Os dois? 

Os relógios de todas as classes sociais, numa cidade média onde todos se conhecem, ronronavam seus mecanismos numa busca acelerada de consumir as horas nos archotes incendiados que cada indivíduo é. As Parcas, em conluio perverso com Cronos, assinalou o jovem de temperamento desinquieto e corpo nascido com os estigmas de cordeiro a ser imolado. Aquiescendo, face às potências das Parcas: ClothoLáquesis e Átropos, estas fiaram apressadamente o carretel da frágil lã a dissolver-se perante o álcool que demandava de maneira estranha qualquer chispa de fogo que o circundasse, vindo a ser frágua a ser consumida em labareda viva.

Arte Boulier 85

ENSAIO FERNANDO PESSOA III – Uma breve conversa sobre Fernando Pessoa e sua arte de “outrar-se”

pessoa 3Discorrer acerca do fenômeno da heteronímia em Pessoa pressupõe,antes de tudo, comprar a estória de cada personagem com vida própria, a assunção das identidades com data de nascimento e óbito, a existência autônoma no mundo da vida. Cada heterônimo traz consigo fôlego, vontades, personalidade, biografia, fato esse contrário aos pseudônimos, que tem por missão única camuflar ou esconder a autoria. Detenho-me na fala dos três mais expressivos para a crítica literária, em ordem meramente arbitrária: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Fernando Pessoa- ele mesmo.

Para início de conversa, escolhi falar sobre o poeta vanguardista Álvaro de Campos. O viajante, engenheiro e adicto Álvaro expressa o humano tentando desprender-se das correntes da tradição e com o dito convencional. Prefere antes à noite e a contravenção lunar que a perseguiçãode Apolo, do dia e dos ideais hedonistas. Questiona a multiplicidade na existência ao afirmar em “Opiário” que as vidas ocidental e oriental se equivalem, tendo aí forte teor de tédio. Para ele, o homem estaria preso a um destino comum, onde só o ópio, a noite e a bebedeira fariam menção de obliterar; ainda assim, parcialmente.Seria o mais próximo do fluxo de consciência visto no romance inglês, assim como lembra a heteroglossia de Bakhtin e o que é visto paralelamente no discurso de Dostoievski e o fenômeno da polifonia, dadas as devidas proporções.

O árcade Ricardo Reis, de formação latinista, espirito ligado às tradições clássicas, tem em sua poesia a regência do epicurismo, da moderação dos prazeres humanos. Assim como nas inscrições literárias árcades o carpe diem é sua filosofia e missão. Ao rejeitar as emoções e sentimentos exacerbados, se aproximou do estoicismo enquanto estilo de vida e neste ponto destoa completamente de Álvaro de Campos. No olhar para a natureza se aproximou de Caeiro, porém distinguiu-se na simpatia que desenvolveu pelos tratados filosóficos. O gênero ode é eleito pelo poeta como predileto, onde exalta a contemplação. Este, diferente de outros heterônimos, não teve data de morte definida, deixando assim uma aura de mistério e infinitude na sua obra.

Alberto Caeiro é tido como o mestre de Fernando Pessoa, e, tendo surgido numa torrente de inspiração é representante do bucolismo, da inspiração pastoril. Dos que aqui estão listados é o de origem mais humilde e talvez por isso tenha melhor captado a tese que estamos limitados a captar o mundo pelos nossos sentidos, sem pretensões metafísicas ao afirmar no poema “O guardados de rebanhos” que inaugura sua obra e sintetiza sua essência “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos”

Cada heterônimo tem pontos de contato e divergências e Fernando Pessoa- ele mesmo parece figurar como maestro, orquestrando a tessitura de sua obra. Fernando Pessoa- ele mesmo define seus heterônimos como amigos conhecidos que nunca existiram em carta a Adolfo Casais Monteiro. Ora pelo viés psicológico ora pelo fenômeno discursivo-literário, o nome Pessoa parece ter se pulverizado em seus outros. Nas leituras que fazemos de Pessoa, vemos o homem do seu tempo em conflito com o poeta além dele. O modernismo exaurido em seus versos transparece o cansaço de si e seus muitos. Temos na declaração do eu-lírico pessoano de sua não ciência em quantas almas carrega o álibi para entender sua poesia por uma lógica subvertida, talvez a la Campos, enxergando em cada entidade dele originada uma vida interior concretizada nas palavras.

Saber querer, de acordo com Jesus – Paiva Netto

Jesus é o Cristo Ecumênico, o Estadista Supremo, porquanto apenas o pensamento divinamente universalista pode propor a existência de uma sociedade em que os seres humanos se respeitem em tamanho grau de Fraternidade.

Impossível?! Jamais!

Estamos perante uma simples questão de saber querer, passe o tempo que for necessário. Imprescindível é que perseveremos em Cristo Jesus, como Ele próprio sabiamente exige no Apocalipse, segundo João, 3:10: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também Eu te guardarei da hora da tormenta que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a Terra”.

A palavra de Martin Luther King Jr.

E que certos homens de bem parem de se esconder de uma vez por todas! Ainda ressoa a lástima do destemido pastor norte-americano Martin Luther King Jr. (1929-1968): “Nossa geração haverá de lamentar não apenas as palavras e ações odiosas dos perversos, mas o estarrecedor silêncio das pessoas boas”. (O destaque é nosso.)

Exato!

Contudo, não há neste orbe quem seja perfeitamente bom ou totalmente mau. Por causa disso, há sempre a possibilidade de corrigir-se. E que aqueles considerados bons não se tornem arrogantes na sua bondade! No entanto, e o mundo reclama com razão, que os bons sejam mais audazes nas suas obras, a fim de merecer o reconhecimento dos que esperam deles a atitude devida. Jesus deplora o comportamento omisso, conforme este Seu lamento, que antes mencionamos: “Os filhos da Terra são mais perspicazes do que os filhos da Luz”. Jesus (Lucas, 16:8)

Só com ação decidida e talentosa no Amor e na Justiça Divinos finalmente teremos “um novo Céu e uma nova Terra” — transformação que tem início no Espírito de cada um ou de cada uma —, de acordo com promessa constante do Livro das Profecias Finais, 21:1: “E vi novo Céu e nova Terra, porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com

ENSAIO FERNANDO PESSOA II – As múltiplas pessoas de Fernando

As múltiplas pessoas de Fernando – Por Sérgio Linard – Graduando emLetras UFRN

 

Multipliquei-me para me sentir,

Para me sentir, precisei sentir tudo,

Transbordei, não fiz senão extravasar-me,

Despi-me, entreguei-me.

E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente. 

Álvaro de Campos

 

Fernando Pessoa bem poderia ter o seu sobrenome pluralizado e passar a ser reconhecido por Fernando Pessoas. O conhecimento, a primazia, e a inovação de tal poeta não se limitaram às cercas impostas pela única vida com que somos agraciados no ventre de nossas mães.

Adepto de teorias e ideias modernas, Pessoa decide romper com a tradição sem abandoná-la. Cria, dentro de sua produção artística, personagens não apenas com um nome, mas também com todo um mapa astral, características físicas, psicológicas e dicções literárias próprias. Não falamos de simples pseudônimos, falamos de heterônimos.

Para um, viver por viver é suficiente. Para outro, a fragmentação do ‘eu’ que é viver. Para o terceiro,a razão prevalece à sensibilidade. O ‘pai’ dos três vivia em um processo constante de busca de si mesmo.

Romper com a tradição é uma tarefa desafiadora para todo e qualquer artista. Olhá-la nos olhos e dizer que não dará continuidade ao seu trabalho, é, além de ousado, arriscado. Inovar quando muito já se foi feito é perigoso e muitos falham nesta tentativa.

Fernando Pessoa não falhou.

pessoa 1

A moderna obra de Pessoa trouxe para um Portugal em plena crise econômica e política o inesperado sabor da crítica à realidade caótica, por meio de humor, ausência de rimas, estrofes livres e linguagem coloquial. Toda esta inovação no sistema literário português só foi possível mediante o trabalho do poeta Alberto Caeiro que recorreu, ainda, à simplicidade e ligação com a natureza para expressar suas percepções do sistema instituído e da vida.

Ao encontrar-se com a tradição o poeta recorre à quebra de paradigmas historicamente instituídos, para dar continuidade à produção literária de cunho universal. A compreensão da obra de Fernando Pessoa prescinde, portanto, um estudo de todos os campos da criação ideológica humana, como defende Medviédev (2016), ao entender que a literatura é marcada por traços ideológicos que perpassam todos os seres humanos.

Por acreditarmos que a obra literária é um “exercício de reflexão e experiência de escrita, a literatura responde a um projeto de conhecimento do homem e do mundo” (COMPAGNON, 2012), destacamos que as múltiplas pessoas de Fernando são, na verdade, uma resposta a esta necessidade da literatura de expressar os vários sujeitos humanos, bem como de proporcionar os dinâmicos entendimentos que vivemos a depender da situação em que nos encontramos. Seja como um médico, um pastor, ou um engenheiro, os dilemas diante da vida serão os mesmos, as perspectivas é que sofrerão mudanças. Eis aqui a grande inovação do moderno Fernando Pessoa: usar-se de apenas uma vida para analisá-la como se fossem várias.

As literaturas modernas e contemporâneas dialogam com a tradição constituída. Ora para reforçá-la, ora para refutá-la. A obra dos vários Fernandos Pessoas assim o faz. Ora inova com um Alberto Caeiro, ora mantém-se tradicional com um Ricardo Reis. Aquele, com menor formação acadêmica do que este, é considerado o professor dos demais, explicitando a quebra de paradigmas que Pessoa se propôs a fazer. Onde, então, se observa a tradição da obra poética do autor em questão? Nele mesmo.

Fernando Pessoa, ortônimo, é os mais conservador dos poetas criados por ele. A preocupação com a métrica e o típico tema da insatisfação da alma humana explorada pelos poetas desde Homero, são exemplos de características que fazem do ortônimo o poeta mais conservador de todos.

A principal obra de Fernando Pessoa, ele próprio, Mensagem, é uma nítida materialização daquilo que a teoria literária defende por meio de muitos autores. Medviédev (2016), por exemplo, entende que: na história da literatura, manifesta-se uma tendência para apoderar-se da realidade concreta e específica e da historicidade dos fenômenos literários, sem perder de vista, ao mesmo tempo, os princípios gerais e os vínculos com uma visão de mundo unificada. (p.46)

Essa tendência em relacionar o local com o universal, uma característica das obras literárias de qualidade, está muito presente em Mensagem. Ao retratar a história do povo português com tanta maestria quanto seu antecessor, Camões, Fernando deixa para a história da humanidade uma rica obra de valores estéticos e sociológicos que cumprem a função de humanização da literatura defendida por Cândido (2004), demonstrando a responsabilidade criativa do poeta português que se dedicou à inovação sem esquecer a importância da tradição, tampouco tornando sua obra um simples “panfleto” sobre a sua terra natal.

 

E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

 

Uma vida não foi suficiente para Fernando Pessoa. Ela não o é para ninguém. Vivemos como se eternos fôssemos, morremos como se nunca tivéssemos vivido. É a arte, portanto, que supre a intrínseca necessidade humana de ser mais de um, de ser infinito. Campos, Caeiro, Reis e Pessoa, são, portanto, o espelho de Fernandos, de Marias, de Luísas e de todos aqueles que infelizes são porque apenas uma vida têm.

 

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei…

Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos…

Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,

Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir

E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz

 pessoa 2

 

Referências Bibliográficas 

CÂNDIDO, Antônio. Vários escritos. 4 ed. São Paulo; Rio de Janeiro. Duas Cidades: Ouro Sobre Azul, 2004, p. 169-191.

COMPAGNON, Antoine. Literatura para quê? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012.

MEDVIÉDEV, PávelNikoláievitch. O método formal nos estudos literários: introdução crítica a uma poética sociológica. 1ª ed. São Paulo: Contexto, 2016.

PESSOA, Fernando. Poesia completa de Álvaro de Campos. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

 

A pergunta que não cala: o que acontecerá na política nacional, no mês de agosto próximo?

Artigo de Ney Lopes publicado no Diário do Poder, em Brasília, DF

Ney Lopes

Para quem acredita em superstição, causa temor o anuncio feito pelo deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, de que a votação em plenário do pedido de autorização para processar o Presidente Temer ocorrerá em 2 de agosto próximo.

Esse é um mês fatídico para a política brasileira e o mundo.

O mês de agosto é popularmente conhecido como o “mês do cachorro louco”.

A alcunha está ligada ao fato de o mês de agosto registrar uma maior quantidade de cadelas no período fértil (o que deixaria os machos “loucos” atrás delas)

No plano internacional, em agosto teve início a primeira grande guerra e ocorreu a ascensão de Hitler ao cargo de Fuhrer.

O oitavo mês dos calendários juliano e gregoriano tem sido trágico para o Brasil.

Foi neste mês que Getúlio Vargas se suicidou em 1954; Jânio Quadros renunciou em 1961; Juscelino Kubistchek morreu em acidente de carro em 1976 e Fernando Collor perdeu a presidência da República.

Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco e símbolo da esquerda no país, faleceu no mesmo dia do seu neto, governador Eduardo Campos, no dia 13 de agosto, em anos diferentes.

Em agosto ocorreram às primeiras denúncias políticas da Operação Lava Jato.

O Senado Federal aprovou o impeachment que afastou Dilma Rousseff, numa quarta feira, dia 31 de agosto de 2016.

Em agosto de 1954, na madrugada do dia 5, ao voltar para casa, na rua Tonelero, em Copacabana, o deputado Carlos Lacerda sofreu um atentado a tiros, que resultou na morte do major-aviador Rubens Vaz.

Tais fatos precipitaram o suicídio de Getúlio Vargas.

A pergunta que não cala: como será agosto de 2017?

Pelos precedentes, o mês significará mais um desafio para a política brasileira, que se acha mergulhada na maior crise de sua história.

Deus queira que sejam afastados do país novos tremores e abalos, que tantos males ocasionam à vida nacional.