sábado , 19 de agosto de 2017
Home / Artigos (page 3)

Artigos

Deserto, seca, poluição… – Paiva Netto

Dezessete de junho é o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca. Vale, portanto, ressaltar recentes e alarmantes estatísticas. Uma delas vem da OMS, conforme nos informa o site da ONU-Brasil: “A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou a necessidade de reduzir as emissões de poluentes como o carbono negro, o ozônio, o metano e o dióxido de carbono, que não só contribuem para as mudanças climáticas, como também provocam mais de 7 milhões de mortes associadas à poluição do ar por ano”. E, conforme noticiou a Deutsche Welle, uma pesquisa do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica diz que os reservatórios de água no país, considerados críticos pela Agência Nacional de Águas (ANA), perderam em média 80% de sua cobertura florestal.

Ora, os danosos impactos desse verdadeiro “arboricídio” estão aí. O ar, o solo e a água diariamente escasseiam em qualidade, fertilidade e abundância.

Cuidado, estamos respirando a morte

Há 17 anos, em 1o de julho de 2000, a revista Manchete publicou um artigo meu que parece até que foi escrito hoje:

Atualmente, em vastas regiões da Terra, o simples ato de respirar corresponde à abreviação da vida. Sofrimentos de origem pulmonar e alérgica crescem em progressão geométrica. Hospitais e consultórios de especialistas vivem lotados com as vítimas das mais diferentes impurezas.

Abeirar-se do escapamento de um veículo é suicídio, tal a adulteração de combustível vigente por aí. Isso sem citar os motores desregulados…

Cidades assassinadas

Quando você se aproxima, por estrada, via aérea ou marítima, de grandes centros populacionais do mundo, logo avista paisagem sitiada por oceano de gases nocivos.

Crianças e idosos moram lá… Merecem respeito.

No entanto, de maneira implacável, sua saúde vai sendo minada. A começar pela psíquica, porquanto as mentes humanas vêm padecendo toda espécie de pressões. Por isso, pouco adiantará cercar-se de muros cada vez mais altos, se de antemão a ameaça estiver dentro de casa, atingindo o corpo e a psicologia do ser.

Em cidades praieiras, a despeito do mar, o envenenamento atmosférico avança, sem referência à contaminação das águas e das areias… O que surpreende é constituírem, muitas delas, metrópoles altamente politizadas, e só de algum tempo para cá seus habitantes na verdade despertarem para tão terrível risco.

Despoluir qualquer área urbana ou rural deveria fazer parte do programa corajoso do político que realmente a amasse. Não se pode esperar que isso apenas ocorra quando se torna assunto lucrativo. Ora, nada mais proveitoso do que cuidar do cidadão, o Capital de Deus.

As questões são múltiplas, mas esta é gravíssima: estamos respirando a morte. Encontramo-nos diante de um tipo de progresso que, ao mesmo tempo, espalha ruína. A nossa própria.

Comprova-se a precisão urgente de ampliar em largo espectro a consciência ecológica do povo, antes que a queda de sua qualidade de vida seja irreversível. Este tem sido o desafio enfrentado por vários idealistas pragmáticos. Entretanto, por vezes, a ganância revela-se maior que a razão. O descuido no preparo de certas comunidades, para que não esterilizem o solo, mostra-se superior ao instinto de sobrevivência. (…)

A poluição que chega antes

A infinidade de poluições que vêm prejudicando a vida de cada um deriva da falência moral que, de uma forma ou de outra, inferniza a todos. Viver no presente momento é administrar o perigo. Mas ainda há tempo de acolhermos a asserção de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944): “É preciso construir estradas entre os homens”. Realmente, porque cada vez menos nos estamos encontrando nos caminhos da existência como irmãos. Longe da Fraternidade Ecumênica, não desfrutaremos a Paz.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com.

Violência dela mesma provém – Wilson Bezerra De Moura

De uma coisa temos por certo. O mal é gerado pela própria sociedade, de  seus preconceitos, discriminação, má distribuição de direitos e garantias, má distribuição de rendas e outros mais aprestos. Desde o principio da humanidade que o mal existe porem passou a durar com maior constância quando esta se organizou dentro dos parâmetros sociais para encontrar melhor condições de sobrevivência, foi aí quando mais se acentuou o processo de desequilíbrio da coletividade, com dominação de competição oriunda de interesses escusos.

No principio da existência do ser humano os males eram menos prejudiciais, o homem se tornava feroz no meio ambiente em que vivia sem tirar normalmente seu lado humano, mais hoje com o desenvolvimento da sociedade, se torna violento, frio e sanguinário talvez pela força do sistema materialista que domina, transformando o homem não só um feroz como tirano, desumano, insensível aos problemas dos outros, enfim transforma a vida num verdadeiro dilema.

As injustiça, a discriminação os desmandos administrativos cometidos por políticos inescrupulosos, tudo isso conduz o homem ao desespero em saber que convive numa sociedade onde impera tudo isso e, como consequência vive à margem da sociedade, com  uma vida injusta e desequilibrada,  exigindo-lhe novas formas de comportamento entre estes  o emprego da violência, o terror como  sendo a forma de vingança adequada às reviravoltas que ocorre  no seu cotidiano, na  sua concepção os instrumento em  que se apoia para  combater tais injustiça e desigualdade é a violência originária do próprio meio ambiente.

Quando desses caracteres são produzidos a violência não será por meio de processos repressivos também violentos que se vá combate-la. O combate deveria ser de reajuste da sociedade, ser menos injusta e desigual, com certeza seria a maneira de melhor combater tudo isso, evitar vandalismos, rebeldia,  destruição do patrimônio  público ou particular com certeza  dessa forma  é possível  evitar a reprodução dos males que aterroriza a coletividade. Com procedimentos injustos, a começar com a má distribuição de rendas como no caso o pagamento de salário desproporcional entre as classes produtivas, uns ganhando desordenadamente enquanto a maioria com salário miserável dificultando uma vida digna e ordeira, jamais poremos fim ao incauto distúrbio da sociedade.

A parte de baixo – Tomislav R. Femenick – Escritor

O bilhete dizia: “Cansei. Tchau”. Desapareceu sem deixar notícias ou rastro algum. Junto com o bilhete deixou também o livro onde fazia algumas anotações; um misto de agenda e diário. Não um diário daqueles de antigamente, onde as moças escreviam o que lhes acontecia e suas opiniões.

Não. Ela não era dada a isso. Eram anotações simples, tipo: “As 12:00h, almoço com ex-colegas da faculdade”. E, logo em seguida: “Um saco. Nada tenho em comum com elas ou com eles”. Ou senão: “Tenho que comprar escova de dente”.

Thalita tinha 27 anos, há quatro era funcionária de um banco (onde entrara por concurso e era gerente), não tinha namorado fixo e morava com o irmão (mais moço e estudante de biologia marinha) no amplo apartamento 315, de um prédio residencial. Mal se falavam, pois dificilmente se encontravam em casa. Tinha poucos amigos. Com eles, nos fins de semanas frequentava alguns barzinhos e aos domingos ia à praia. Raramente visitava as duas primas. Trabalhava para ocupar o tempo, pois a herança deixada por seus pais era suficiente para viver a vida toda sem se preocupar com nada, desde que não esbanjasse.

Ela só reclamava de uma coisa: do calor. Detestava o calor, o suor, o molhado pegajoso, as mãos úmidas e o cabelo pregado na nuca. Detestava mais ainda quando sentia as roupas íntimas se grudarem em seu corpo como se fossem enguias ou sanguessugas, quando a parte de baixo da calcinha enrolava e assava as virilhas. Nos dias mais quentes se trancava no quanto, ligava o ar condicionado, baixava as persianas e, nua, se deixava embalar pelo frescor. Achava que era por causa do sol e dessa temperatura abrasadora que, nos trópicos, todos eram lentos, lânguidos.

Quando o irmão retornou da viagem de estudo que fazia em um barco de pesca e encontrou o bilhete, procurou o porteiro do prédio onde moravam e soube que, dois dias antes, Thalita saíra de casa com duas malas e pegara um táxi. Depois de ter recebido um telefonema do banco procurando por ela e depois de uma semana sem ter notícias, foi procurar a polícia, mas esta também não achou nada. Nenhuma pista foi encontrada na estação rodoviária, no aeroporto ou em lugar algum. Era como se ela tivesse sumido nas asas do vento.

Alguns anos depois, outro táxi parou na porta do prédio e dele desceu uma mulher com duas outras malas. Chamou o porteiro e mandou levar as malas para o apartamento 315, que abriu com sua chave. Thalita estava de volta, como que trazida por um tapete voador. Interrogada pelo irmão, pelos ex-colegas de emprego e pelos amigos, nunca revelou nada. Recompôs a vida, conseguiu outro emprego com a mesma função, agora em um banco particular. Mantinha os mesmo hábitos de antes; os barzinhos, a praia e as visitas às primas, agora ambas casadas. De vez enquanto, ia à casa dos tios. Sobre o que fez no tempo em que

estava desaparecida, permanecia muda. As únicas mudanças notadas pelos seus amigos eram que agora estava mais solta, mais extrovertida, namorava mais e que estava gostando de tango.

No dia do noivado do irmão, deram uma festa. Ela cuidou de tudo, da arrumação do apartamento, da comida, das bebidas. A festa ia alegre como devem ser as festas de noivado. Em determinado momento, os noivos começaram a fazer planos para a lua de mel. Surgiram vários palpites: Bahia, Europa, Miami.

Quando alguém sugeriu Mal del Plata, na Argentina, Thalita disse que não servia. “Lá nada há de extraordinário, a não ser os hotéis Costa Galana e o Sheraton, o Casino Central e uns leões marinhos fedorentos. Aqui é melhor”. A festa parou. Ai, ela contou tudo. No dia em que desapareceu, ela simplesmente pegou o dinheiro que tinha juntado de todos os seus salários e mais algum que tinha tirado ao longo do tempo da herança deixada pelos pais, contratou um táxi em uma cidade vizinha, foi até ao aeroporto de outra cidade, comprou passagem para o primeiro voo internacional que sairia (seu passaporte estava em dia) e se viu em Buenos Aires. Lá morou durante todo o tempo em que se ausentou.

Quando se entediava, ia passear em Bariloche, em Santiago do Chile, em Montevidéu e em Mar del Plata. Explicou porque voltou: “Buenos Aires é bom, mas em dezembro faz um calor danado. Pior do que aqui, pois não há vento ou brisa nenhuma. O suor corre pelo corpo, a gente fica molhada, pegajosa, com as mãos úmidas e o cabelo colado na nuca. A calcinha gruda no corpo e a parte de baixo enrola e assa as virilhas”.

 

Doe vida – Paiva Netto

Não há nada mais valioso na Terra do que a existência humana. No planeta, somos os únicos seres conscientes da finitude física, embora prossigamos nossa jornada de aprendizado, no âmbito espiritual, após o fenômeno chamado morte. A partir do momento que valorizamos a vida desde o seu estágio físico, construímos, verdadeiramente, uma Sociedade Solidária Altruística Ecumênica.

A doação de sangue, aplaudível vereda que aproxima o ser humano de sua humanidade, é indispensável em favor de tantos que lutam para sobreviver.

No Brasil, em período de férias e feriados, justamente quando ocorrem mais acidentes de todo tipo, cresce a demanda por sangue e diminui o número de doadores. Um cálculo cujo saldo preocupa os hemocentros do país.

Déficit Nacional

Em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), a dra. Selma Soriano, médica hematologista e hemoterapeuta da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, fez um apelo: “Que a população antes de tirar férias, de sair em viagem, faça a sua doação de sangue. Normalmente, a demanda de sangue em feriados aumenta em torno de 30%, e a doação cai em torno de 40%. Daí trabalharmos sempre com os estoques no limite. Desse modo, priorizamos o atendimento de urgência (…)”.

A transfusão de sangue é imprescindível não somente no socorro às vítimas de graves acidentes, de catástrofes como deslizamentos de terra, inundações etc. A dra. Selma explica: “Precisamos, e muito, de doações de sangue no tratamento de pacientes que estão em Unidade de Terapia Intensiva; para os que lutam contra o câncer que, às vezes, carecem de reposição de sangue; e para os pacientes de transplante de órgãos. No caso de doenças congênitas, temos a hemofilia. Isso sem falar nas cirurgias. Nas de grande porte, 60% delas necessitam de transfusão de sangue”.

Segundo o Ministério da Saúde, 3,7 milhões de pessoas doam sangue anualmente no Brasil. Está longe de ser o ideal, já que deveríamos ter cerca de 5,4 milhões de doadores. Para suprir esse déficit são feitas campanhas de apelo à sociedade. “Temos 1,8% da população brasileira que doa sangue, e a gente deveria estar entre 3% e 5%. Faltam componentes sanguíneos para algumas situações específicas”, revela a hematologista.

Minutos que salvam

Que essa ação caritativa se torne um hábito saudável e permanente, já que é algo que não exige sacrifício algum. “Entre a pessoa chegar a um banco de sangue e fazer a sua doação, ela permanece de 40 a 50 minutos no máximo. O ato em si, propriamente dito, leva apenas 7 minutos”, afirma a dra. Selma.

Inúmeros são os postos de coleta no Brasil. No site www.prosangue.sp.gov.br, você encontra vários deles e se informa quanto aos requisitos básicos para ser um doador de sangue.

Eis nosso contributo no esclarecimento geral a respeito desse importante assunto. Doar sangue, gesto que merece o devido apoio de todos, pode ser a própria salvação do ofertante amanhã.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Solidão na Terceira Idade – Regina Pereira e Jenifer Almeida

 

Muitas vezes deixamos nossos idosos em uma espécie de isolamento, sem mesmo nos darmos conta disso. A correria do dia a dia, a falta de tempo e/ou paciência, as discordâncias sobres questões familiares, como educação, postura e comportamentos, afastam o idoso do convívio familiar. Esse afastamento favorece o sentimento de solidão. A ciência confirma que a extrema solidão, assim como a extrema pobreza, pode aumentar o risco de morte prematura em idosos, segundo estudo clinico realizado por pesquisadores de uma Universidade de Americana.

Existem diferenças dramáticas na taxa de declínio físico e mental entre solitários e pessoas socialmente engajados. Solidão pode ter consequências profundas para a saúde das pessoas mais velhas. Sono interrompido, por exemplo, eleva a pressão arterial, aumenta os níveis de estresse e da depressão. Isso tudo é relatado em pessoas que vivem em extrema solidão e também podem causar problemas para o sistema imune do corpo, além de gerar uma sensação de mal-estar geral. A resistência física e mental das pessoas mais velhas que têm relacionamentos satisfatórios é muito mais forte do que em pessoas idosas solitárias. Por isso a importância de manter contato com os ex-colegas de trabalho, dedicar tempo para a família e amigos além de valorizar tradições familiares que possam existir. Isso dá aos idosos a oportunidade de se conectar com o mundo a sua volta.

Podemos ressaltar a importância de convivência familiar como nos momentos de refeição. Da mesma forma que na infância a refeição em família é importante no estabelecimento de vínculos, na velhice, este hábito é tão importante quanto,  uma vez que são esses momentos que favorecem diálogos e troca de experiências diárias, além de reforçar e estreitar laços afetivos.

Muitos idosos não preservam a capacidade de se alimentar sozinhos, além de muitas vezes sofrerem com diversas alterações de mastigação, deglutição   necessitando não apenas do auxílio mecânico na refeição, mas do apoio emocional e envolvimento da família, demonstrando dessa forma a importância dele no contexto familiar.

Não é só o isolamento físico que provoca os problemas de saúde associados com a solidão, mas a “sensação subjetiva de isolamento”, experimentada por algumas pessoas mais velhas, pode estar ligada a perdas auditivas e de visão comuns nessa faixa etária. Essas alterações devem ser observadas e são passíveis de tratamento, portanto não devemos negligenciar essas condições e deixar que os idosos sintam-se cada vez mais isolados.

Vamos valorizar nossos idosos. Todos nós temos pais, avós ou outros parentes nesta situação onde qualquer atenção, um encontro familiar, uma boa conversa, um almoço no domingo, proporciona benefícios tão importantes que podem potencializar positivamente todas as formas de tratamento convencionais.

 

– Regina H. M. Pereira

Nutricionista- Mestranda na área de Ciências do envelhecimento,USJT

Diretora do Departamento de Nutrição SOCESP

–  Jenifer K. A. de Almeida

Nutricionista- Mestranda na área de Ciências do envelhecimento,USJT

Alunas de mestrado da pós-graduação stricto sensu Ciências do Envelhecimento da Usjt

Gestão das Restrições na Cadeia de Abastecimento – Wagner Salzano

Assim como não se formam bons marinheiros em águas calmas, não se formam bons gestores em processos sem restrições.

Gestores experientes sabem que o mundo ideal, aquele em que não tem problemas e onde os recursos são ilimitados, não existe. No mundo real, sempre haverá restrições, sejam de capacidade, de materiais, de recursos humanos, de recursos financeiros para gastos ou investimentos, de tempo etc. Na realidade, a grande função de um gestor é criar estratégias e colocá-las em prática, para atingir objetivos, vencendo restrições. Mesmo porque, num mundo sem restrições, gestores não seriam necessários…

Em 1986, Eliyahu M. Goldratt elaborou a famosa Teoria das Restrições (TOC Theory of Contraints), descrita no “romance” técnico “A Meta”, traduzido pelo IMAM. Resumidamente, podemos dizer que o ponto central da teoria indica que um processo terá a “velocidade” que o processo mais lento (restritivo), entregar.

Quem estudou engenharia e lembra da disciplina Mecânica dos Fluidos, rapidamente, se identificará com o conceito geral e, principalmente com a nomenclatura muito utilizada para o processo restritivo, chamada de “gargalo”, pois este é o ponto limitante do fluxo.

A teoria indica que o processo ideal é aquele em que predomina o equilíbrio balanceado, onde as velocidades são iguais, ou muito próximas disso, em todos os processos sequenciais. Aplicam-se neste contexto diversas técnicas, sendo muito conhecida a abordagem chamada de Tambor – Pulmão – Corda, em que o Tambor identifica a cadência, o Pulmão dimensiona os estoques para absorver as variações (demanda, processos, aleatórias etc.) e a Corda significa a puxada feita pela demanda para que o processo entregue apenas o necessário, sem excessos ou faltas.

Em primeiro lugar, o gestor necessita dispor de visão holística, isto é, ter a capacidade de enxergar o processo de forma global e estratégica, como um todo e suas interrelações, entendendo a localização das interfaces e identificando os possíveis gargalos. Com isso, ele poderá fazer um diagnóstico adequado, orientando o encaminhamento da sua gestão.

Além disso, é fundamental desenvolver a capacidade de tratamento das restrições, buscando as formas para superá-las. Conhecimento técnico e visão de gerenciamento de projetos e processos são fundamentais para o sucesso da gestão com foco no tratamento e gerenciamento das restrições, garantindo a definição de ações eficazes.

Além da teoria desenvolvida por Goldratt, gestores desenvolvem técnicas e estratégias próprias, em parte buscando trabalhar com recursos adicionais, outras com adequação de processos auxiliares, outras ainda analisando o valor agregado, sempre visando de alguma forma a “driblar” as restrições para que os processos entreguem os resultados esperados.

A questão é que a maioria destas estratégias de gestão de restrições consiste no desenvolvimento de soluções empíricas, elaboradas no próprio momento e baseadas apenas em conhecimentos e experiências dos profissionais envolvidos, com pouca ou nenhuma aplicação de técnicas e conceitos estruturados.

Estas abordagens, via de regra, levam a erros de avaliação e interpretação da situação, gerando um diagnóstico inconsistente, que acaba por encaminhar para soluções que nem sempre são adequadas.

Como falamos, o ponto mais importante é contar com métodos estruturados e que garantam a qualidade das soluções para processos com restrições. Por exemplo, quando tratamos de processos de suprimento, precisamos entender adequadamente as características do transporte (modal, disponibilidade de frota, custos), da armazenagem (capacidade, estrutura, condições especiais para os produtos, normas e regulamentos), do lead-time dos fornecedores (restrições dos processos) e características específicas de mercado como as relacionadas a questões como impostos, taxas, regulamentações governamentais, greves, infraestrutura etc.

Tais aspectos são fundamentais para definir, por exemplo, a viabilidade de um projeto, se este poderá ou não entregar os resultados esperados.

Restrições existem e não podem ser ignoradas ou simplificadas. É muito comum em análises estratégicas que ocorrem, por exemplo, em épocas de orçamento, em momentos de investimentos em novos produtos, processos e expansões, ou quando aparece uma “ideia genial”, o otimismo exagerado, que nada mais é do que a minimização e subavaliação das restrições.

Podemos dizer que uma das medidas da qualidade de um gestor é a sua capacidade de identificar e tratar as restrições.
*Wagner Salzano é Engenheiro de Produção Mecânica (Universidade Paulista, turma de 1986) com MBA em Administração para Engenheiros (Instituto Mauá de Tecnologia) e gerente da Divisão de Supply Chain da IMAM, com mais de 35 anos de experiência, atualmente é Instrutor de Treinamentos, Palestrante, Articulista da revista Logística e Gerente de Projetos de Consultoria.

Mossoró recebeu primeiro rádio receptor em 1931 – Wilson Bezerra de Moura

Muito se tem que aprender na vida, porém mais ainda ao rever a história nos deparamos com façanha que nos chama a atenção e até surpreendem.

Um fato novo gera uma expectativa causa novidade, pode no futuro ser uma situação bestial, mais no momento é sim uma novidade.

A introdução do rádio receptor em Mossoró no ano de 1931 causou uma reviravolta na comunicação sem comentários.

Um industrial da cidade, chamado de Azevedo Cunha, disse Lauro da Escóssia em seu Mossoró no Passado ed.1981, ocasionou revolução na região ao possuir e instalar o primeiro rádio receptor em sua residência tudo aconteceu causando curiosidade à população.

Correu a noticia por toda urbe e a população se interessou em saber como a coisa funcionava. Nada mais era que uma caixa de madeira que falava dando noticia do que se passava pelo mundo inteiro, imagine o sucesso talvez comparado com a internet de hoje fosse novidade que de certo abismava o conhecimento de todos, só que uns acreditavam outros não no sucesso do aparelho.

O fato é que o radio receptor do industrial Azevedo Cunha foi sucesso daí por diante sua casa que ficava na Rua João Urbano na atual Avenida Dix-sept Rosado, se enchia de pessoas para ver e ouvir o rádio.

Interessante que a casa de seu Azevedo Cunha era totalmente cheia de ouvintes assistente ao ponto de faltar espaço e cadeiras para sentar os curiosos. Os donos de casa recebiam os visitantes e ofereciam um cafezinho com todo prazer a quem os frequentava.

Diante de toda movimentação só o dono de casa tinha o direito de sintonizar o rádio, esta era a recomendação trazida de Fortaleza, onde ele adquiriu o aparelho.

Convém destacar que poucas emissoras de rádio naquele tempo, Rio e São Paulo, tinham capacidade e potencial de fazer chegar o som a Mossoró com certa habilidade foi possível vez por outra sintonizar uma emitente.

Para surpresa e numa causalidade num dado momento foi mudado a faixa e apareceu uma emissora de comunicação Argentina, cujo locutor castelhano causou absoluta admiração a todos, mais uma revolução captar uma voz estrangeira.

A descoberta causou sucesso daí por diante quem tinha condições econômicas procurou comprar um aparelho, a começar por Edgar Medeiros, Mário Vilar de Melo, João Capistrano do Couto, Raimundo Cantídio, Saboia Filho, foram os primeiros seguidores da ideia de Azevedo Cunha.

Consta da história de Mossoró, faz parte dela e merece reconhecer fatos passados que só nos traz consideração.

 

O crack mais perto de você – Por Marco Antônio Barbosa

Temos acompanhado o desenrolar das ações na área de São Paulo conhecida como “crackolândia”. A Prefeitura da capital paulista dissolveu os acampamentos em uma ação policial e a medida repercutiu no país dividindo opiniões a favor e contra.

Segundo especialistas que atuam no local, o grande problema tem sido a livre atuação de traficantes que se instalam ali e comandam com violência a relação com os usuários, impedindo que as frentes humanitárias atuem no combate ao vício e busquem a reabilitação dos doentes. Isso tem fomentado a violência na região da Luz, onde se localiza a crackolândia e onde assaltos têm se tornando rotina.

Mas esse problema não é exclusivo da capital paulista. Em levantamento do Observatório do Crack, um monitoramento realizado pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios), a droga é um grave problema para 1.155 municípios brasileiros, um quinto dos 5.570 existentes. São Paulo, Minas Gerais e Bahia ocupam as primeiras posições em alto nível de problemas com crack.

Um levantamento de 2010 realizado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), detectou 29 crackolândias em 17 capitais brasileiras, com total de 2 milhões de usuários de crack. Este dado está defasado, pois, até 2012, somente cidades com mais de 200 mil habitantes eram atendidas pelo extinto programa “Crack, é Possível Vencer”. O que não se contabilizava era o avanço da droga para cidades no interior dos estados.

O crack é um entorpecente altamente viciante e, portanto, altamente lucrativa. Os problemas sociais do Brasil têm contribuído para o avanço desse consumo e da violência que dele surge. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), na América Latina, um a cada cinco jovens está desemprego e mais de 20 milhões nem estudam nem trabalham.

O cenário se torna favorável e, com isso, os pontos de consumo de drogas tem se alastrado para todo território nacional e pode estar atrelado ao aumento famigerado da violência no Brasil. No livro, “O tratamento do usuário de crack”, especialistas revelam que fumar crack aumenta a violência, onde o usuário comete mais crimes (roubos e homicídios) para obter a droga e manter o consumo.

Esses fatores têm levado governos municipais a buscarem alternativas que esbarram na fraca política de combate às drogas, além de estratégias confusas, como a vista em São Paulo. Na verdade, por lá, a medida não resolveu, mas sim, pulverizou os usuários para outros pontos da cidade.

Diante da ausência de medidas coerentes, traficantes veem terreno fértil para continuarem com seus negócios em outros locais. Enquanto isso, governos amargam com o impacto do crack em seus orçamentos. Ainda segundo o levantamento da CNM, na região Sudeste, a presença do crack tem peso de 49% nos investimentos em Segurança.

O crack avança e está cada dia mais perto de nós. Precisamos entender qual é a sistemática do problema e atuar em múltiplas frentes. Enquanto a força policial age coibindo a cadeia de produção, distribuição e comercialização da droga, ações de assistência psicossocial precisam atuar junto aos dependentes, enquanto uma terceira via trabalha na prevenção com público vulnerável.

Mas pasmem, tudo isso já existe. O que não existe é uma comunicação entre essas ações, interligando inteligência, ações sociais e sistema de saúde preparado para a demanda. O problema é mais profundo e requer programas eficientes de resgate social ou vamos perder para o crack, sempre.

*Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

Notas para uma história das Artes Plásticas em Mossoró

Por Márcio de Lima Dantas

 

O universo da produção pictórica mossoroense é mais rico e complexo do que fomos acostumados a representar e a repetir, sobretudo nas mídias, que acabam por nos influenciar a imprimir os contornos da imagem que fazemos de nós e da cidade na qual vivemos. Enquistada nas terras quentes do oeste, equidistante de dois grandes centros, Natal e Fortaleza, permanece no imaginário como uma polis isolada e sem maior acesso a determinadas tradições da história da arte.

Porém, a comarca da arte não se rege pela gramática da política ou da economia. A arte ocupa no humano um lugar mental, que se manifestará de maneira relativamente autônoma com relação ao entorno do grande teatro do mundo. Ou seja, a arte é uma espécie de imanência, uma necessidade humana, para servir de contraponto ao que convencionamos chamar de realidade. Não dizem que a poesia existe por que o real não basta, não é suficiente para atingirmos algum tipo de equilíbrio, ou do que chamam de felicidade?

Destarte, toda e qualquer cultura manifestará através da arte o modo como sente e representa as coisas ao redor, – de acordo com o espírito da época -, organizando as mesmas invariantes, tendo em vista a sintaxe de determinada sociedade, como um caleidoscópio que, a partir dos mesmos diminutos objetos contidos no seu interior, dado uma sacudida, transforma-se em novo belo conjunto de imagens.

Vamos aos artistas. Vou logo avisando que não pretendo dar conta de tudo e de tantos que produziram arte em Mossoró, farei referência tão-somente a alguns poucos nomes que iconificam e fazem saber, através de sua qualidade estética, que a cidade foi capaz de engendrar alguns nomes de importância para a arte no estado do Rio Grande do Norte. Não há pesquisas que nos ajudem a precisar nomes e datas acerca de como evoluíram as artes plásticas em Mossoró.

Entretanto, a cidade teve fôlego estético suficiente para conceber uma tradição no sistema semiótico pintura, que está organizada na artista Marieta Lima e sua obra multifacetária.Mas, antes de Marieta Lima, já houvera o artista João Nogueira da Escóssia (1873-1919), no final do século XIX. Não se restringiu apenas às xilogravuras que ilustravam o jornal O Mossoroense, adentrou por outros domínios do desenho, tais como a charge, a caricatura e ilustrações para publicidades. O seu ateliê foi responsável inclusive de produzir rótulos para medicamentos. Curioso notar que só após as vanguardas do início do século XX, como o Dadaísmo, por exemplo, algumas espécies de designs tipográficos incorporaram o que era tido como meramente funcional ou arte técnica/decorativa, elevando-os como possibilidades de serem considerados como objeto estético.

Marieta Lima (1912-2012), na pintura em Mossoró, se inscreve como o nome mais importante, tanto no que diz respeito a presença de um insofismável talento quanto no que concerne ao domínio de diversas técnicas da arte de desenhar e pintar. Discípula da franciscana Irmã Inês, professora de artes do Ginásio Sagrado Coração de Maria (Colégio das Freiras), estudou com sua mestra várias técnicas de pintura e do desenho, talvez por isso seja difícil uma dicção e uma sintaxe próprias, na medida em que adaptava a técnica ao tema do trabalho, indo desde um suave impressionismo lírico, com pinceladas um tanto pastosas, indo até o desenho de fatura classicista.

Notabilizou-se pela pintura de cunho religioso e pelas belas composições cromáticas de suas muitas naturezas-mortas, aqui percebe-se uma franca e lírica hegemonia da cor sobre o desenho. Dotada de enorme sensibilidade artística, tinha a exata noção do equilíbrio compositivo que deve reger o cromatismo quando da harmonia de justapor cores, causando um efeito de agradável suavidade para quem contempla alguns dos seus exuberantes arranjos florais.

Em síntese, Marieta Lima é o mito fundante da pintura em terras de Mossoró, sua caligrafia é matriz e nutriz de uma grande plêiade de pintores que a sucederam ao longo do tempo, estendendo-se até nossos dias. Mesmo sendo capaz de lecionar desenho geométrico, que não é coisa simples, em colégios e a particulares, na sua casa, provando o quanto dominava a arte da representação através do desenho e das cores, ou seja, o quanto tinha valor como pintora, possuía um temperamento não detentor da vaidade tão peculiar no meio artístico. De um ethos simples, chegada a uma conversa, cuidava da casa e colecionava cactus.

Com Marieta Lima, estudaram José Boulier Cavalcanti Sidou (1951-2004), – mesmo tendo estudado pintura em São Paulo, sempre voltava à casa da pintora – e Luiz Varela Laurentino (1942-2007), ambos expoentes do que melhor a cidade produziu em pintura, visto que possuídos de talentos inatos e detentores de vasta produção de telas que se encontram em casas e coleções particulares.

O II Salão Dorian Gray de Arte potiguar, com sua proposta monotemática para as obras,  ritualiza por meio da arte um dos mitos que integram a aura do imaginário da cidade, a saber, a invasão do cangaceiro Lampião e seu bando à cidade em 13 de junho de 1927. Para o poeta Fernando Pessoa, “O mito é o nada que é tudo”. A arte, desde sempre, buscou inspiração nos mitos que se encontram chantados no coletivo, fazendo-os perpetuar-se e lançando-os à posteridade, fortalecendo outros elementos que fazem parte do Imaginário da cidade, “assim a lenda se escorre a entrar na realidade”. Este Salão demonstra de maneira bela e contemplada  por múltiplos ângulos  a necessidade que Mossoró tem desse mito.

 

Agradeço a Vicente Vitoriano e a Cid Augusto o material gentilmente me fornecido.

Advogada orienta sobre como obter a utilização de crédito acumulado de ICMS

Muitas empresas contam com crédito acumulado do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), mas não sabem como fazer para resgatá-lo e se têm direito. No artigo abaixo, a advogada Beatriz Dainese orienta os empresários sobre o assunto:

O ICMS é o imposto mais oneroso na composição da carga tributária brasileira, e diversas empresas ainda contam com crédito acumulado deste imposto junto à Fazenda Estadual. O sucessivo acúmulo de saldo credor acumulado de ICMS constitui um dos mais graves problemas tributários das companhias atualmente. Isto porque, enquanto não tiver liquidez, este imposto a recuperar gera um lucro fictício nas organizações com consequente desembolso antecipado de Imposto de Renda e Contribuição Social.

No Estado de São Paulo, é possível – após a homologação e a auditoria deste crédito acumulado pela Secretaria da Fazenda Estadual – recuperar este imposto, sob forma de pagamento a fornecedores, aquisição de ativo imobilizado, ou ainda transferência a terceiros ou quitação de débitos próprios.

Saldo credor nem sempre significa crédito acumulado. Saldo credor é aquele decorrente da confrontação mensal entre débitos e créditos, devendo a diferença – se devedora – ser recolhida aos cofres públicos ou então ser credora, ser transportada para o mês ou período de apuração seguinte. Crédito acumulado é o sucessivo acúmulo mensal de saldo credor.

Assim, como visto, o crédito acumulado passível de homologação deve ser decorrente das hipóteses previstas no Artigo 71 do Regulamento do ICMS de São Paulo. Dentre as quais, destacamos:

  1. i) Base de cálculo reduzida
  2. ii) Alíquota reduzida

iii) Diferimento

  1. iv) Isenção com direito ao não estorno
  2. v) Exportação
  3. vi) Substituição tributária

Após a verificação e a homologação do saldo credor pela Secretaria da Fazenda, através da sistemática que for mais conveniente para a organização, o valor de crédito acumulado aprovado passa a constar na conta-corrente fiscal da empresa, mantida e aberta através do “Sistema Eletrônico de Gerenciamento do Crédito Acumulado”, e-CredAc:

A partir deste momento, o crédito acumulado poderá ser utilizado para:

1) Quitação de débitos próprios das empresas, a exemplo do ICMS devido por ocasião do desembaraço aduaneiro das importações, quando estas ocorrerem em território paulista.

2) Pagamento parcial de aquisições do ativo imobilizado e fornecedores de mercadorias ou insumos inerentes ao seu ramo usual de atividades.

3) Transferência mediante pagamento, outras empresas interdependentes ou não.

Desta forma, a questão do acúmulo sucessivo de crédito de ICMS pelas empresas pode ser resolvida em âmbito administrativo junto à Secretaria Estadual da Fazenda Paulista. Primeiramente, é necessário verificar se o acúmulo de crédito da organização está enquadrado em uma das hipóteses formadoras de saldo credor, previstas no Regulamento do ICMS. E, posteriormente, dar entrada com o processo administrativo correspondente para a homologação deste crédito. A partir deste momento, o crédito acumulado homologado se transforma em recursos financeiros, que se concretiza com reflexos positivos imediatos no fluxo de caixa da organização.

Artigo de:

Dr.ª Beatriz Dainese, advogada da Giugliani Advogados