sexta-feira , 15 de dezembro de 2017
Home / Artigos (page 20)

Artigos

Thadeu de Sousa Brandão – Institutos Federais na mira do DEM

Informes recebidos de colegas do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) trazem as notícias de que “o ministro da Educação, Mendonça (DEM), autorizou a extensão do IF Afogados da Ingazeira e juntou uma série de outros IF’s do agreste pernambucano em um único e novo: o IF Agreste. O ministro destituiu todos os diretores e nomeará sem eleição um novo reitor para tal IF, enfraquecendo o IFPE como um todo” (François Fernandes, Professor de História, IFPB – Catolé do Rocha e Coordenador Geral – SINTEFPB).

O professor Pablo Capistrano (IFRN), traz a informação confirmatória, ao remeter uma mensagem do Reitor do IFRN, Wyllys Abel Farkatt Tabosa. O reitor informa que “essa história infelizmente é verdade”, o mesmo telefonou para a Reitora do IFPE, “a professora Anália que tomou posse um mês antes do que eu para falar deste assunto. A coisa está tão descarada que foi o próprio Secretário da SETEC, por ordem do Ministro, foi que falou para a Reitora, e ela será chamada ao Ministério para uma conversa sobre isso”.

O dirigente do IFRN também traz a notícia de que “já conseguiram cooptar o Diretor Geral do Campus Recife e também já houve uma comissão de servidores do IFPE que apoiam o DEM, fazendo prospecção na PB e RN. Ou seja, vão fazer o balão de ensaio em PE e se alastram pelo NE. Querem varrer do mapa o projeto da expansão do Lula por meio do dividir para conquistar”.

Ainda segundo Pablo Capistrano, “infelizmente a informação procede. Há uma tentativa de interferência na gestão dos IFs. Não temos ideia ainda se é apenas algo localizado em Pernambuco que atenderia as demandas da política paroquial do estado ou se trata de um movimento mais abrangente  de desmonte do projeto de expansão.  Isso porque, ao contrário da rede de universidades federais os IFs tem uma capilaridade muito mais profunda no interior do país. É preciso estar atento e alerta para qualquer tentativa de intervenção que não passe pelas instâncias democráticas da eleição direta. A sociedade precisa defender o que há de positivo nos avanços sociais dos últimos anos. Só posso dizer que se objetivo for desmontar os IFs não vai ser fácil pra eles. Vamos resistir”.

Thadeu de Sousa Brandão 

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais (UFRN). Membro Efetivo do Programa de Pós-Graduação em Cognição, Tecnologia e Instituições – PPGCTI e Professor do Departamento de Agrotecnologia e Ciências Sociais – DACS da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA. Co-Apresentador do Programa Observador Político na TV Mossoró e FM Resistência (93FM). Membro da Câmara Técnica de CVLIS da SESED. Autor de “Atrás das Grades: habitus e redes sociais no sistema prisional”, entre outros.

 

Júlio César Cardoso – O desrespeito ao eleitor e a velha política do fisiologismo

Júlio César Cardoso

O desrespeito ao eleitor pela classe política é uma falta imoral reincidente, que precisa ser combatida.  É inadmissível que continuemos a assistir ao descaso do político eleito, que interrompe o mandato para prestar serviço no Executivo. Vejam, por exemplo, o governo interino de Michel Temer, inchado de parlamentares tal qual os demais governos.

Como eleitor, eu me sinto lesado ao votar em um candidato, que depois interrompe o mandato para trabalhar no Executivo. Trata-se de um expediente constitucional, é verdade, mas é antiético e imoral.  Ademais, assume um suplente que talvez não merecesse o meu voto.

Temos que moralizar o país. O desvio do exercício político macula a seriedade parlamentar e contribui para a corrupção política do fisiologismo espúrio tão candente na relação Governo e Parlamento. O político foi eleito para trabalhar no Legislativo, e o mínimo que se exige dele é o cumprimento integral de seu mandato, ou, então, que renuncie o mandato para prestar serviço alhures. O descumprimento de mandato representa uma das vertentes corruptas da política nacional.

O eleitor não pode continuar sendo tratado como peça descartável e que só é lembrado para eleger candidatos. O eleitor (o povo) é o principal agente da democracia e merece respeito, pois, sem o seu voto, no estado democrático, não existe Parlamento e nem Governo.

No Brasil, em diversas áreas profissionais, existem muitos cidadãos preparados. Por que esses cidadãos não são aproveitados para preencher as pastas governamentais, em vez de se alocar políticos em exercício de mandato?

A meritocracia deveria ser um lema na administração pública.  Pôr fim às indicações políticas para cargos nos governos é uma necessidade e caracteriza princípio de moralidade. Urge que tenhamos, no país, um serviço público apolítico, baseado no mérito, e que garanta serviços de qualidade sem favorecimento político.

O balcão de negócio espúrio, o fisiologismo canceroso do toma lá, dá cá, a distribuição de cargos a partidos políticos têm que acabar em nome da decência política. Essa prática perniciosa só tem contribuído para o descrédito dos partidos e comprometimento da imagem do Parlamento e do Executivo.  Vejam o caso recente do senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), ministro do Planejamento do governo interino de Michel Temer, flagrado em conversa suspeita, em que sugere a existência de um pacto para obstruir a Lava-Jato.

O eleitor brasileiro deveria ser implacável com político que desrespeita o mandato.  Não entendo, francamente, a passividade do eleitor em ainda dar credibilidade a traidores políticos que fogem de suas obrigações. Em verdade, os nossos políticos estão mal-acostumados com a falta de cultura política e omissão dos cidadãos, que não cobram dos eleitos o cumprimento de mandato.

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

Idésio Coelho – Demanda por compliance realça trabalho do auditor

Idésio Coelho

Neste momento no qual o cenário político-econômico brasileiro evidencia que o País precisa avançar em termos de compliance, é importante contar com a experiência dos auditores independentes, cuja atuação pode contribuir de modo significativo. Apesar de não ser uma garantia plena contra a corrupção ou de que ela seja posteriormente detectada, o seu trabalho, baseado nas normas brasileiras e internacionais, visa a uma asseguração razoável, mas não absoluta, de que as demonstrações contábeis das organizações auditadas estão livres de distorções relevantes, independentemente se causadas por erro ou fraude.

Deve-se ressalvar que, mesmo se observando criteriosamente os quesitos técnicos, há um risco inevitável de que algumas distorções das demonstrações contábeis não sejam detectadas. Uma das causas é que o auditor é o primeiro profissional que um gestor mal-intencionado tentará ludibriar, escondendo ou camuflando informações. Ademais, a lei é clara quanto à responsabilidade dos dirigentes de uma empresa pelo estabelecimento de uma estrutura de governança apropriada e a preparação de demonstrações contábeis fidedignas.

Entendidas tais questões, a auditoria independente aumenta o grau de confiança nas demonstrações contábeis, por meio dos procedimentos técnicos realizados, do ceticismo profissional, que é pré-requisito nas qualificações do auditor independente, e da comprovada atualização profissional continuada, exigida pelos órgãos reguladores da profissão.

É por isso que, num cenário nacional em que compliance torna-se palavra de ordem, os auditores incluem-se dentre as profissões com mais oportunidades de trabalho, a despeito da crise. Outro fator favorável à carreira é o fato de as empresas estarem mais atentas às suas estruturas de governança, desde a promulgação da Lei Anticorrupção (nº 12.846/13).

O Brasil precisa resgatar a credibilidade para restabelecer um fluxo consistente de investimentos produtivos, estimular empreendimentos e criar empregos. Para isso, são decisivos todos os fatores, a começar pelo capital humano, capazes de contribuir para a ética, a probidade e a transparência!

Idésio Coelho é o presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).

Thadeu de Sousa Brandão – Governo Temer e o dilema da legitimidade

Thadeu de Sousa Brandão 

De Maquiavel a Max Weber, perpassando por toda a realpolitik, a questão da legitimidade do poder sempre foi questão central para a Ciência Política. Um poder sem legitimidade não se sustenta. A autoridade necessária para seu exercício não se consolida, não passa de fumaça.

De forma simples e didática, a legitimidade passa, dentre outras coisas, pela aceitação do poder, onde este é visto e tido como necessário (mal ou bem) para a consecução das coisas e do bem estar coletivos. Com ela, mesmo relutantemente, as mais diversas ações são aceitas, mesmo quando há contrariedade.

Em uma democracia “liberal” (ou “burguesa”, como queiram) o processo de legitimação do poder passa pelas urnas. As eleições são o momento onde os projetos e demandas são confrontadas, assim como as bases que sustentarão o novo governo são construídas. No presidencialismo (“de coalizão”), no nosso caso, as eleições são um momento sine qua non onde o presidente eleito começa seu governo com a legitimidade cesarista mínima para exercer seu mandato. Um adendo necessário: falo mínima devido ao imenso poder de barganha que o chefe de governo e de Estado possui no Presidencialismo. Isto não significa, porém, que possa fazer o que quiser e o possa fazer desprezando o Poder Legislativo. Embora este não governe, como no Parlamentarismo, os dois poderes caminham concatenados no processo. Fernando Collor e Dilma Roussef, de certa maneira, esqueceram-se disso.

Deixando de lado a questão de se tratar, ou não, de um “golpe legislativo”, o impeachment de Dilma representou uma ruptura do processo, embora dentro dos meandros jurídicos do país. A manobra que a defenestrou do Palácio do Planalto colocou em seu lugar o seu vice desde 2011, Michel Temer do PMDB, figura antiga e consolidada da política brasileira.

A questão que coloco (eu e mais centenas de outros) é que o novo governo interino (em curso) carece de legitimidade política. Seja pela ausência das eleições necessárias para ritualizar e consolidar sua permanência à magistratura suprema da República; seja pela completa inabilidade com que seus próceres, ministros e aliados, estão tratando políticas públicas mais gerais que, a pari passo, fora também obra sua; seja pela quantidade imensa de políticos citados na Operação Lava Jato em seu ministério. Isto em um governo que quer “restaurar a moralidade na política”.

Desnecessário lembrar que o PMDB fora governo desde o alvorecer do lulismo no poder, além da vice-presidência desde 2011, também abocanhou ministérios centrais das políticas “lulistas” e logrou louros no imaginário político popular ao fazê-lo. Seu crescimento, nos últimos anos, deu-se a reboque do PT. O ataque a essas políticas sociais acarretará, não tenho dúvidas, uma crítica de setores não necessariamente à esquerda do espectro político, além de parcela da população que, mesmo insatisfeita com Dilma, ainda vê com bons olhos as políticas sociais engendradas pelo “lulismo”.

Outrossim, vale lembrar que a tentativa de desmonte dessas políticas passa pela sua “satanização”, o que representa um tiro no pé eleitoral. Afirmar, como disse Temer, que não está preocupado com sua “popularidade” representa apenas um suicídio eleitoral que o PMDB, tenho absoluta certeza, não quer correr. Assim como também, os demais partidos de sua base (PSDB, DEM, PSB, PSD, PPS, PP etc.) que olham para as eleições municipais deste ano e para 2018 com uma preocupação visível. Todos, sem exceção, estão com um pé no governo e outro “na tábua”.

Se a questão da política econômica (que em nada difere da adotada por Fernando Henrique Cardoso em seus mandatos e, de certa maneira, também às de Lula nos seus) parece ser ponto pacífico, questões vitais como a reforma da previdência trazem um sabor de “deja vu” do “neoliberalismo à brasileira” dos anos 1990.

Henrique Meirelles, da pasta da Fazenda, é o nome forte do governo Temer e, ao contrário dos demais ministros, o único que parece ter certo “esteio moral” para aguentar o avanço da Operação Lava Jato sobre a trupe. A queda de Romero Jucá, Planejamento, é apenas o prenúncio de mais crises que o governo interino sofrerá até seu término.

Temer resistirá até o fim? Sobre o próprio também pesam citações na Operação Lava Jato, o que mostra que a crise política, longe de terminar, apenas chegou a um novo momento. Além disso, ao contrário de Itamar Franco, que embora não eleito, chegou ao poder com amplo apoio, Michel Temer não conta com apoio significativo por muito tempo. Tem sobre si, a imperiosidade de mostrar a que veio, além de ter que negociar com o Baixo Clero na Câmara dos Deputados, só que, desta vez, sem um Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para controlá-los.

A expectativa das ruas, o andamento da Operação Lava Jato, a oposição e a própria dinâmica econômica são fatores conjuntos a tirar o sono do interino. Isso, sem contar, com a falta de legitimidade que o assombrará até 2018, se ele chegar lá.

Thadeu de Sousa Brandão 

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais (UFRN). Membro Efetivo do Programa de Pós-Graduação em Cognição, Tecnologia e Instituições – PPGCTI e Professor do Departamento de Agrotecnologia e Ciências Sociais – DACS da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA. Co-Apresentador do Programa Observador Político na TV Mossoró e FM Resistência (93FM). Membro da Câmara Técnica de CVLIS da SESED. Autor de “Atrás das Grades: habitus e redes sociais no sistema prisional”, entre outros.

Thadeu Brandão – Marília Mendonça e a inflexão de gênero: a dor de “corna” também tem que ser cantada.

Esta na apresentação musical e espetáculo da jovem cantora Marília Mendonça, quando encontro Paulo Sidney, colega docente do IFRN e figura sempre pensante, que pediu minha opinião sobre o fenômeno tão rápido e massivo da cantora Marília Mendonça.  Eu, que já olhava abismado a interação entre a artista e as quase duas dezenas de milhares de pessoas que lotavam o Espaço Villa Oeste em Mossoró, fiquei a matutar umas “imponderações”.

Quando se trata de Indústria Cultural não há respostas simples. Todavia,  as escolhas do público podem ser um dos caminhos analíticos possíveis para responder. O chamado “brega-sertanejo” não é um ritmo e tipo musical recente, sua massificação vem desde o final dos anos 1980 e início dos 1990 com as famosas duplas sertanejas.  Mas, sua fusão com batidas mais “percussionais” e com ritmos mais dançantes, como o forró nordestino adaptado ao Sudeste (o chamado “forró universitário”), são elementos mais próximos e novidades.

Mesmo assim, por que uma menina de apenas 22 anos, fora do padrão estético exigido (anoréxico) e com voz pouco feminina estourou nas paradas tão rápido?

Possibilidade (uma das): o público. Questão de escolhas racionais (ou nem tanto).

Ela canta para mulheres que podem ter, tiveram ou têm experiências afetivas (a famosa “dor de corno”) similares. Canta massivamente para esse público que não tinha (na seara do “brega” contemporâneo) um produto que encaixasse suas necessidades de consumo simbólico. Não me falem de que ela é um “novo” Reginaldo Rossi. Ele cantava “para” as mulheres, mas não lhes dava voz. O sentido simbólico elencado é que Marília Mendonça canta as agruras amorosas, chifres e desilusões desta mulher que, cada vez mais, toma seu espaço público. Se o seu “cupido é um gari” ou se “seu companheiro infiel deve ir morar em um motel”, não são apenas consumos das massas “apolitizadas” que são vendidos. Adorno, apesar de certo quanto à emancipação, não percebeu todas as matizes que o “gradiente de informalização” (Nobert Elias) faria pela indústria cultural. Nem mesmo a questão da emancipação feminina, que perpassa por outras searas também…

Outrossim, são elementos simbólicos e representações que remetem ao cotidiano afetivo da jovem mulher brasileira, não apenas aquela dos grandes centros, mas também as das pequenas e médias cidades. Não é mais a mulher “bela, recatada e do lar”, mas aquela que trabalha, estuda, transa (não só com homens) e se defende emocionalmente. E que, no espaço público, bebe bastante também.
Marília Mendonça sinaliza para esse público. O fato de mulheres em massa cantarem suas músicas e, mais simbólico ainda, da cantora ter cantado “Eu quero” da Banda Kid Abelha, falou mais ainda…

Como diria o velho Max Weber, trago apenas uma via possível de compreensão. Existem outras. Há ainda a questão do papel da internet e da distribuição dessa fonografia, mas não foi minha intenção aqui discuti-los. Em todo caso, “dor de corno” não é mais monopólio masculino. As mulheres agora não mais são traídas simplesmente. Elas rasgam a traição, choram, sofrem, bebem e começam a ter um discurso simbólico que permitem-nas cantar, finalmente, em primeira pessoa.

 

Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais (UFRN). Membro Efetivo do Programa de Pós-Graduação em Cognição, Tecnologia e Instituições – PPGCTI e Professor do Departamento de Agrotecnologia e Ciências Sociais – DACS da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA. Co-Apresentador do Programa Observador Político na TV Mossoró e FM Resistência (93FM). Membro da Câmara Técnica de CVLIS da SESED. Autor de “Atrás das Grades: habitus e redes sociais no sistema prisional”, entre outros.

Celso Bazzola – Como conseguir um novo emprego

O desemprego está em alta e as perspectivas é que não haja uma melhora em curto prazo. Na verdade a expectativa é de piora, o novo ministro da Fazenda, Henrique Meireles, já afirmou que esse índice pode chegar a até 14% da população se nada for feito. Os dados são assustadores, assim, alguns cuidados devem ser tomados para quem procura um novo emprego.

É importante ter claro que, em momentos de incertezas na economia e nos resultados das empresas, o surgimento de novas oportunidades fica comprometido, com isso, buscar uma recolocação no mercado de trabalho tende a ser mais dificultoso. Mas, isso não torna impossível.

Desemprego é motivo de desespero?

Pode parecer difícil manter a calma diante o desespero e as informações negativas do mercado que vemos diariamente, mas, nesse momento manter a tranquilidade e equilíbrio torna-se um fator essencial para seu reposicionamento.

Para e repare como sempre a ansiedade e o desespero tende a dificultar ainda mais o raciocínio e apresentação de suas habilidades técnicas e comportamentais, por isso se controle. Além disso, agir por impulso de induzi-lo a decidir por uma oportunidade qualquer, que não agregará em sua vida profissional ou poderá deixar vulnerável a golpes existentes no mercado, por trás de oportunidade milagrosas de ganhos. Assim, primeiro ponto que ressalto, mantenha o raciocínio lógico.

Passos para se reposicionar

A busca por reposicionamento não é tão simples, porém também não é impossível, sendo necessário planejamento e preparo em suas ações e construções de novas oportunidades.

Cito sete passos que julgo importantes para que essa busca tenha êxito:

  1. Amplie sua rede de relacionamentos a cada momento, isto é trabalhe o seu network, lembrando que esse não deve ser utilizado somente nas necessidades. Assim, esteja pronto também para ajudar e nunca deixar de ser lembrado;
    2.    Defina a estratégia para que possa desenvolver sua autoapresentação, de forma transparente, segura e que demonstre preparo;
    3.    Crie interesse por parte do entrevistador, através de um Curriculum Vitae bem elaborado, com ordem e clareza na apresentação descrita e verbal, apresentando quais seus objetivos e seu potencial;
    4.    Cuidar da imagem pessoal é tão importante quantos os demais itens, demonstram autoestima e amor próprio, pois, primeiro temos que gostar de nós mesmos para depois gostar do que fazemos;
    5.    Busque conhecimento e informações além de sua formação, a fim de manter-se atualizado diante das mudanças de mercado;
    6.    Conheça as empresas que tem interessem em buscar oportunidades, analisando seus produtos ou serviços, estrutura e sua colocação de mercado.
    7.    Tenha transparência e autenticidade, esses pontos que atraem as empresas, portanto, não queira construir um personagem, seja você mesmo, demonstre o quanto tem valor nas competências técnicas e comportamentais.

    Estou empregado, mas insatisfeito!

    O fato de passarmos por uma crise não significa que os profissionais que estejam posicionados e desmotivados devam ficar estagnados, sem analisar novas possibilidades. Porém, aconselho que primeiramente se busque quais os motivos que estão levando a condição de desmotivação, criando oportunidades de mudança do ambiente e tornando-o mais atraente.

    Após essas ações e análises, concluindo-se que realmente é momento, recomendo que busque novas oportunidades, contudo, antes de deixar a colocação atual, aguarde o melhor momento e uma boa proposta para tomar a decisão em definitivo.

    Enquanto isso não ocorrer, busque motivação para contribuir com a empresa, atitude que considero no mínimo profissional e que dará respeito e consideração futura. Lembrando que deixar um legado positivo em resultados e em atitudes pode consolidar sua imagem em seu campo profissional.

    – Celso Bazzola, consultor em recursos humanos e diretor executivo da BAZZ Estratégia e Operação de RH.

Thadeu de Sousa Brandão – Impeachment e a Nova República: reflexões de crises anunciadas.

Thadeu de Sousa Brandão – Impeachment e a Nova República: reflexões de crises anunciadas.

O período histórico que se convencionou denominar de “Nova República”, surgida dos escombros da Ditadura Militar e com o processo de redemocratização, notadamente com a eleição indireta de Tancredo Neves e a posse de José Sarney (1985), já pode ser considerado o mais longevo período de democracia de massas da nossa vivência como povo e nação. Já são 31 anos, muito além dos 19 do período de 1945-1964. Não podemos contar o período denominado de República Velha (1889-1930) como de democracia de massas, dado à pequena participação popular e o caráter (mesmo para uma “democracia burguesa”) restrito da participação.

Nestes 31 anos, seis presidentes passaram pelo Palácio do Planalto e chefiaram a República e o Governo: Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma. Quatro deles eleitos diretamente e como cabeças de chapa. Dois deles sofreram processos de impeachment. Collor e Dilma entram para a história como duas figuras ímpares e primeiras em muitas coisas (presidente civil eleito pós-regime militar, primeira mulher presidenta etc.). Também únicos a sofrerem o remédio amargo dos presidencialismos: o impeachment.

Longe de perscrutar a justeza ou não do processo, tanto no caso de Collor quanto no de Dilma, aponto a necessidade de se debruças sobre as bases sociais, políticas, econômicas e culturais que permitiram tais ocorrências. Não cabe ao cientista social o gozo diletantista do jornalista, como apontou Max Weber. Debruçar sobre causalidades históricas e sociais leva-nos à necessidade de deixar de lado os brios morais e os juízos de valor.

O sociólogo Sallum Jr., em seu importante estudo sobre o impeachment de Fernando Collor (2015), aponta que certa ineficiência das políticas governamentais, pelo menos em relação aos propósitos proclamados na campanha, a recessão e o mal-estar social que provocaram, fragilizou o alicerce de legitimidade política do presidente, fertilizando o terreno para a oposição política. Além disso:

“Desde a formação de seu ministério, Collor agiu como se sua escolha pela maioria do eleitorado concedesse a ele o poder exclusivo sobre o Executivo conquistado e proeminência sobre os demais poderes, despreocupando-se em construir maioria orgânica, baseada em coalizão partidária, para aprovar no Parlamento as matérias legais de interesse do governo. Contentou-se em obter maiorias ad hoc, projeto a projeto, votação a votação. (…) ao invés de arrebanhar forças partidárias para compor maioria parlamentar concedendo a elas, em contrapartida, participação nos recursos do Executivo, o presidente Collor optou por mantê-los sob seu controle direto, ou de seus auxiliares, reforçando sua posição mediante campanha contínua de marketing político que destacava sua personalidade, acentuava suas qualidades messiânicas e confrontava adversários” (SALLUM JR., 2015, p. 394).

Sallum argumenta que esta forma de governar, que denotava certa “encarnação da utopia presidencial plebiscitária”, só foi bem-sucedida enquanto Collor teve legitimidade em alto grau por combater um inimigo interno, “a hiperinflação, que ameaçava a sobrevivência material da grande maioria dos brasileiros”. Dado o custo político dos projetos apresentados e a falta latente de compromisso do governo com os partidos de centro e, mesmo, com os conservadores, o Congresso simplesmente “tirou de sua agenda os projetos governamentais”.

“(…) o governo mantinha um acentuado voluntarismo que se expressava na aguda desproporção entre o projeto reformista e possibilidades políticas de sua realização. Suas propostas liberalizantes não se sustentavam em uma avaliação realista sobre as possibilidades de encontrarem assentimento entre as forças de direita e de centro, quer dizer, em uma avaliação que levasse o Executivo a reduzir, por concessões aos partidos e parlamentares, o alto custo político-eleitoral das reformas que propunha. A orientação do Executivo sinalizava claramente a desconsideração pelos interesses políticos sediados no Congresso e, por esta via, a incapacidade do presidente liderar a maioria das forças políticas em alguma direção. Os sinais mencionados de deterioração da autoridade do Executivo diante do Congresso não foram, porém, suficientes para que o presidente alterasse sua posição política” (SALLUM JR., 2015, p. 398-399).

Com o passar do tempo, a opinião pública tornara-se francamente negativa em relação ao governo, e um conjunto, ainda pequeno, de atores coletivos com presença na esfera pública, representando diferentes segmentos sociais, como trabalhadores assalariados, classe média profissional e uma reduzida fração do pequeno empresariado, tentava articular-se em favor da oposição de centro e de esquerda e contra o governo. Dentro desse escopo, Collor foi atingido por acusações de seu irmão em duas entrevistas publicadas, em maio, pela revista Veja. Pedro Collor acusou o irmão de ser o responsável e maior beneficiário das atividades suspeitas do seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias. Agora, a suspeita de corrupção não atingia apenas auxiliares que o presidente poderia afastar; atingia ele mesmo, acusado de ser o verdadeiro responsável pelo esquema de corrupção organizado por “PC Farias”.

O surgimento do Movimento pela Ética na Política (MEP) e a liderança deste e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) permitiram uma articulação de forças e um protagonismo necessário para a contestação do governo. Cumpriu função-chave no processo, pela construção do quadro interpretativo que orientou e legitimou a luta da oposição contra o governo. Necessário dizer que esse quadro deu amplitude política ao combate à corrupção, associando-a a luta “pela ética na política”,

“à democracia almejada para o Brasil, um regime de governo não autoritário, com maior equilíbrio entre os poderes do Estado e promotor da expansão plena da cidadania. Esta associação entre ética e democracia não era trivial, pois rompia a vinculação popular usual entre política e corrupção. Construindo esse quadro interpretativo, disseminado pela imprensa, o MEP deu direção cultural ao movimento em favor do impeachment, cuja direção política foi assumida, desde o início, pela coalizão partidária de centro-esquerda” (SALLUM JR., 2015, p. 403-404).

As mobilizações de massa, articuladas também por vários movimentos sociais e também pelos partidos políticos tomam as ruas, permitindo uma solidez maior ao pedido de impeachment por parte do Congresso. O mesmo se deu em setembro de 1992, com a saída do presidente que renunciou logo depois.

Enquanto o processo se desenrolava, importante sublinhar a construção negociada do futuro governo do vice-presidente Itamar Franco que mostrou, para a maioria dos políticos profissionais, as vantagens da aprovação do impeachment. “O governo Itamar seria, desde logo, um governo de coalizão, negociado com as direções dos partidos políticos” (SALLUM JR., 2015, p. 405). Diferentemente do que havia ocorrido na Era Collor, Itamar valorizaria o Congresso, que fora colocado à margem naquele período. E a coalizão não incluiria apenas os partidos condutores do processo de impeachment; incorporaria também aqueles, conservadores, que a ela se juntaram ao longo do processo.

Se as similitudes e divergências entre os dois processos de impeachment, no que se referem ao contexto social, político e econômico não estão latentes, cumpre a nós agora apontá-las. Primeiramente, o quadro econômico dos dois momentos históricos é bem divergente. Com Collor, o Brasil patinava num quadro de hiperinflação e queda drástica do PIB (Produto Interno Bruto), além de um cenário de crise industrial e desemprego que fechavam o ciclo da década conhecida como “perdida” (1980). No caso de Dilma, os erros macroeconômicos na condução das políticas pela presidenta não foram tão danosos quanto o apontado anteriormente, embora no comparativo com o período de crescimento do governo Lula (2003-2010), o desemprego e uma inflação anual de dois dígitos tenha sido surpreendente para uma geração que não conheceu tais mazelas quanto a que viveu as décadas pretéritas.

Em segundo lugar, há uma pertinente verossimilhança entre Dilma e Collor no que tange à sua forma de relacionamento e tratamento do Congresso Nacional. Tanto o voluntarismo político quanto certo “desprezo” no trato político marcaram os dois presidentes, seja no que tange às concessões aos partidos políticos ou mesmo quanto às definições econômicas e políticas do rumo do governo. Aliado a um quadro de desgaste econômico, esse fator foi, em minha modesta análise, o elemento mais pertinente.

Em terceiro e último lugar, a fim de não me alongar em demasia, afinal só quero provocar a discussão aqui, o ambiente cultural e político em torno da “luta contra a corrupção”, apanágio das classes médias, ampliado e absorvido por parte das novas classes trabalhadoras que emergiram no lulismo (SINGER, 2012), foi um fator não decisivo, mas fortalecedor do processo de impeachment tanto de Collor quanto no de Dilma. Embora, diferenciemos que: (1) no de Collor, o quadro de desgaste atingia o próprio presidente, diferentemente no caso de Dilma; (2) no caso desta, seu partido, o PT, é o grande alvo das acusações de corrupção e das grandes operações da justiça federal e da polícia, o que não havia (nem estrutura) no período de Collor; (3) no processo de impeachment de Collor, quase unanimidade nacional, não houve praticamente apoios ao presidente, o que, com Dilma, já é diferente face às incertezas tanto quanto a uma futura gestão Michel Temer (PMDB), tanto quanto à própria legitimidade do processo conduzido pelo Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) acusado de corrupção e réu de vários processos; (4) o governo Itamar pôde-se formar uma ampla coalizão nacional de apoio, o que não parece que ocorrerá com o governo (futuro) Temer.

Muito ainda a se pensar e a se analisar no quadro amplo dos dois processos. Para o analista, o distanciamento do tempo é o melhor antídoto quanto à interferência das paixões e dos valores e seus juízos. As similitudes e semelhanças apontadas não esgotam o tema (e nem é aqui meu objetivo). Outros pontos podem ser elencados e, espero que o sejam debatidos até à exaustão. Neste momento de turbilhão nacional, que nossa pena seja mais útil que a espada das vivandeiras de plantão.

 

Thadeu de Sousa Brandão.

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais (UFRN). Membro Efetivo do Programa de Pós-Graduação em Cognição, Tecnologia e Instituições – PPGCTI e Professor do Departamento de Agrotecnologia e Ciências Sociais – DACS da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA. Co-Apresentador do Programa Observador Político na TV Mossoró e FM Resistência (93FM). Membro da Câmara Técnica de CVLIS da SESED. Autor de “Atrás das Grades: habitus e redes sociais no sistema prisional”, entre outros.

Obras Citadas

SALLUM JR., Brasilio. O impeachment de Fernando Collor: Sociologia de uma crise. São Paulo: Editora 34, 2015.

SINGER, André. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

 

 

 

 

Wyllo Marques – O ciclismo e seus riscos, aprendendo com o perigo e as tragédia

Hoje em dia ser “fitness” e praticar atividade física está na moda. Na esteira disso temos o crescente número de pessoas que aderiram à bicicleta como prática na vida cotidiana, seja por necessidade, prazer ou por alguma causa nobre como reduzir a poluição. Pedalo há três anos apenas (há dois participo de competições de estrada) e sei de muitas estórias de acidentes envolvendo ciclistas, a mais recente delas a que vitimou fatalmente um amigo enquanto treinava no mesmo local que utilizo quase todos os dias.

Cabem aqui alguns esclarecimentos quanto aos riscos da atividade ciclística que variam de acordo com o uso que se faz da bike, local onde pedala, objetivo, equipamentos utilizados etc… Para isso vamos tentar explicar um pouco cada um dos tipos em ordem crescente de risco na opinião de quem os escreve, apesar de acidentes fatais serem passíveis de acontecer com todos que pedalam.

1-     O ciclista que usa a bicicleta como meio de transporte urbano. Normalmente anda em baixa velocidade, não usa nenhum equipamento de segurança e tem pouquíssima percepção de risco, andando na contramão, por cima de calçadas etc. Muitos se aventuram a tomar sua “cerevejinha” do fim de semana e voltam para casa correndo muito mais riscos por essa condição. Normalmente os acidentes envolvendo estes ciclistas são simples, levando a pequenas escoriações pois andam em baixíssima velocidade junto com os carros do trânsito em geral que param em semáforos, pegam engarrafamentos e por isso também estão normalmente em velocidade reduzida. Muito comum serem “fechados” em esquinas sem maiores prejuízos para a saúde.

2-     O ciclista que passeia de bicicleta. Faz uso da bike nos fins de semana ou ocasionalmente, anda com a família ou amigos (quase sempre em grupo, o que aumenta a visibilidade dos veículos) muitas vezes em trilhas tranqüilas e também anda em baixa velocidade. Muitas vezes anda em BRs e pista mais movimentadas o que torna a atividade um pouco mais perigosa. Andam numa bicicleta chamada de “Moutain Bike” (MTB) própria para trilhas o que facilita passar por buracos e pedras que eventualmente apareçam no caminho. A condição da bicicleta, com pneus grossos e amortecedor, dá condição de andar pelo acostamento sem nenhum problema, se mantendo assim um pouco mais longe do rolamento da pista. Classifico essa atividade com um pouco mais de risco que a anterior pois a condição de poder andar nas trilhas e de rodar nas rodovias, principalmente esta última, eleva significativamente a probabilidade de um acidente mais grave. Muitas vezes não utilizam capacetes e luvas e normalmente não utilizam sapatilhas de ciclismo (que prendem os pés nos pedais).

3-     O ciclista de MTB que treina e compete. Esse já tem um nível significativo de risco. A condição de treino eleva a velocidade da pedalada e os coloca em condições extremas de descidas íngremes além das estradas de barro, que só tem espaço para um automóvel e se este vier no sentido contrário, somada  à velocidade, o frio na barriga e inevitável. Por estarem em condição de treino o desgaste físico é grande levando a perda parcial da capacidade sensorial. O instinto competitivo os faz se arriscar muito mais que os da categoria anterior estes já sofrem acidentes constantemente porém pouco se tem conhecimento pois normalmente não são fatais. Acontecem muitas quedas com arranhões, quebra de ossos mas por terem pouco contato com rodovias os atropelamentos (principal causa de mortes entre ciclistas) é menos comum.

4-     O ciclista que anda de bikes de competição (speed ou triatlon), as chamadas “finas”. Esse está em risco constante, os acidentes fatais são muito comuns e estão cada vez mais presentes dado o aumento do número de adeptos da modalidade. Só há um lugar para praticar: as estradas. Sujeitos a carros em alta velocidade e motoristas bêbados todos os dias. A velocidade atingida é muito alta e a bicicleta tem um pneu muito fino, sendo inflado a alta pressão parecendo até que são maciços como um pedaço de madeira. Por essa condição qualquer pequena pedra no caminho pode levar a um acidente grave. Não conseguem andar pelo acostamento pois o asfalto normalmente é ruim com pequenas ranhuras ou pedras soltas o que torna a pedalada desconfortável além de mais perigosa. Assim andam na rolagem dos carros, normalmente em grupos e muito próximos uns dos outros para aproveitar o “vácuo” deixado pelo ciclista que vai na frente – o que gera uma vantagem considerável para quem anda atrás. O problema da proximidade é que qualquer movimento em falso de um colega leva ao efeito dominó, não se consegue frear para evitar a batida no outro por causa da velocidade e proximidade. Se participar de competições aí o negócio piora. Muitas vezes em descidas chega-se a 70-80Km/h o que dificulta muito o controle da bicicleta. As rajadas laterais de vento são outro perigo que exigem atenção. Uma queda pode facilmente jogar o ciclista no meio da via e com um pouco de azar ser atropelado. Quedas em grupo são comuns, muito mesmo. Para estes ciclovias são inúteis pois precisam de muito espaço com pedaladas longas (normalmente mais de 50km , podendo chegar a 200-300km em um fim de semana), é o mundo do ciclismo de estrada de competição. Ainda há os andam com bikes de triatlon que por causa da posição aerodinâmica – pasmem – não tem acesso aos freios, precisam se levantar e pegar em outra parte do guidão para frear, esse tempo pode ser precioso para evitar um choque. Os dessa categoria normalmente tem uma estória pessoal de acidente para contar.

Resolvi escrever pois muitas pessoas questionam atitudes do poder público para incentivar o esporte, a mobilidade urbana, a educação no trânsito… Porém, como visto acima, as situações são as mais diversas e suas soluções também. Sinceramente não sei como fazer ciclismo seguro com ações simples, todas passam por trabalhos complexos demandam educação, obras e estruturas para garantir segurança para atletas. Por enquanto ficamos chorando as mortes e deixando parentes aflitos sempre que saímos em cima de uma bicicleta, o que era brincadeira de criança virou assunto nacional!

Wyllo Marques Ferreira Júnior é funcionário público e atleta amador de ciclismo de estrada desde 2013.

Mossoró/RN 09/05/2016

Paiva Netto – Todas as mulheres são mães

Na Legião da Boa Vontade, LBV, a visão que temos da maternidade é ampla. É o que comentei em 22 de maio de 1988, na Folha de S.Paulo: Deus, Mãe e Pai dos seres humanos, é universal abrangência. Assim sendo, Mães não são apenas as que geram filhos carnais. Também são aquelas que se consagram à sobrevivência dos filhos dos outros: as crianças órfãs, até mesmo de pais vivos; as das Mães que precisam trabalhar e não têm pessoa de confiança com quem deixá-las; as das que são irremediavelmente enfermas. Tal como se lê no “Poema do Grande Milênio”, de Alziro Zarur (1914-1979): “(…) Os filhos são filhos de todas as mães, e as mães são as mães de todos os filhos”.

Mães são ainda as que se devotam à Arte, à Literatura, à Ciência, à Filosofia, à Religião, à Política, à Economia, afinal a todos os setores do pensamento ou ação criadora, a gerar “filhos” de sua dedicada competência pelo desenvolvimento da Humanidade. A LBV não ergue bastilhas, pelo contrário, as derriba com renovada Boa Vontade. (…)

Muito oportuna também é outra composição poética do velho Zarur: “Poema das Mães”, uma ode à face maternal, à necessidade da marca afetuosa e forte deste ser no governo dos povos:

“Poema das Mães”

“Desde que o mundo é mundo, até onde vai/ O arqueológico olhar da pré-História,/ Na família dos nobres ou da escória/ A mãe não manda, pois quem manda é o pai.

“Sem pretensão alguma a Nostradamus,/ Eu creio que a razão desse destino/ Da mulher-mãe, que todos subjugamos,/ É o Deus antropomorfo-masculino.

“‘Se é homem o Criador (raciocinaram/ Os argutos filósofos de antanho),/ Façamos das mulheres um rebanho…’ / E assim fizeram quando assim pensaram.

“Desde então, temos visto a velha farsa/ Representada, com solenidade,/ Nos países de toda a Humanidade/ Onde a moral pré-histórica anda esparsa.

“‘As mulheres não podem entender-nos’,/ Diziam os despóticos senhores./ E fomos vendo, em séculos de horrores,/ A falência dos homens nos governos.

“Ao meditar, em raras horas mansas,/ Cheguei a conclusões desprimorosas:/ Os homens são crianças rancorosas,/ Sem a graça espontânea das crianças.

“Só então compreendi o caos da guerra,/ Em seus apavorantes misereres:/ Coisa impossível de se ver na terra,/ Quando os governos forem de mulheres.

“Assim é que não pode continuar!/ Porque os ‘chefes’ — piores do que os cães/ Hidrófobos — têm este singular/ Defeito imenso de não serem mães”.

Retrato de Mãe

Abro a revista BOA VONTADE e encontro esta joia do saudoso bispo chileno Dom Ramón Ángel Jara (1852-1917): “Existe uma simples mulher que possui um pouco de Deus pela imensidade de seu Amor, e muito de anjo pela constância de sua dedicação. Mulher que, sendo jovem, pensa como anciã; e, na velhice, trabalha como se tivesse o vigor da juventude; se é ignorante, decifra os problemas da vida com mais acerto do que um sábio; sendo culta, amolda-se à simplicidade das crianças; quando pobre, considera-se bastante rica com a felicidade daqueles que ama; e, sendo rica, daria com prazer sua riqueza para não sofrer a injúria da ingratidão. Forte ou intrépida, entretanto estremece ante o choro de uma criancinha; franzina, se reveste, às vezes, da bravura de um leão. Mulher que, enquanto viva, não sabemos dar-lhe o devido valor, porque a seu lado todas as nossas dores se apagam… Mas, depois de morta, daríamos tudo o que somos e tudo o que temos para vê-la de novo um só instante e dela receber a carícia de seus abraços, uma palavra de seus lábios… Não exijais de mim que diga o nome dessa mulher se não quiserdes que eu inunde de lágrimas este álbum, porque já a vi passar em meu caminho. Porém, quando os vossos filhos crescerem, lede-lhes esta página. E eles, cobrindo-vos de beijos, dirão que um pobre viandante, em retribuição da magnífica hospedagem recebida, deixou gravado neste álbum, para todos, o retrato de sua própria Mãe”.

Dizem que Mãe não tem rima. Será?! Então secou-se-lhes a musa, ou saiu em férias… Mas não semelhantemente à famosa experiência de Guerra Junqueiro (1850-1923).

Amor faz rima perfeita com Mãe. Mãe é eterna também.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

Crie líderes melhores que você!

José Ricardo Noronha

Se você é líder ou aspira chegar a um cargo de liderança, precisa ter em mente uma característica fundamental: a capacidade de formar líderes muito melhores que você! Acreditar que é difícil achar alguém mais qualificado é uma grande bobagem. Até porque, se há esse pensamento, sugiro que questione se você é realmente um líder ou um “chefe das antigas”, daqueles que não se importa com o futuro da empresa em curto, médio e longo prazos.

Desenvolver líderes permitirá até que você continue a evoluir, além de dar espaço para que todos em sua estrutura tenham ou enxerguem reais possibilidades para crescerem pessoal e profissionalmente.

Um exemplo claro de uma empresa líder global é a ABInBev, dona da AmBev e que foi criada e idealizada pelo trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.

Dentre os principais pilares de existência de todos os negócios do trio (incluindo aí ícones globais, como Burger King e Heinz) estão a força e a competência no desenvolvimento de novos líderes.

Trata-se de um processo que permite que os talentos já identificados consigam rapidamente subir e assumir novos cargos de liderança. Tudo isso com a certeza de que serão substituídos por profissionais melhores do que eles e que serão capazes de, em uma cultura absolutamente voltada à meritocracia e melhoria contínua de processos, entregar resultados cada vez mais sensacionais. Aliás, é exatamente isso que tem acontecido, ano após ano, na AmBev e em todas as empresas lideradas por este competente e icônico trio.

Um exercício rápido, prático e muito bacana que lhe proponho a fazer agora: pare ainda hoje e se questione: “Se eu virasse Diretor ou Presidente da empresa em que hoje atuo, amanhã quem estaria apto a me substituir?”.

Se a resposta demorar mais de 1 minuto, é bem possível que você tenha problemas para dar vazão aos seus sonhos de atingir um novo cargo de liderança em sua corporação.

Dentre os importantes conceitos que podemos absorver e aplicar em nossos negócios para acelerar a formação de novos líderes, três merecem especial destaque.

1) Meritocracia

Nos tempos mais desafiadores em que hoje vivemos, é fundamental criar uma cultura empresarial que privilegie a meritocracia, na qual os profissionais de melhor performance são reconhecidos e têm reais possibilidades de ascenção profissional. Isso não de acordo com o tempo de empresa, mas sim com os resultados e metas que entregam.

Na AmBev, por exemplo, um dos pilares de construção da cultura da empresa é a de fomentar o “espírito de dono”. Todos os profissionais têm metas claras e também desfrutam de uma boa autonomia para tomarem decisões de forma mais rápida, o que tem impacto direto na melhoria da performance de vendas e na percepção clara de que, ao final do dia, todos são de fato “donos do negócio”.

2) Pipeline de liderança

Para que você que já é líder, é fundamental que trabalhe o tempo todo em conjunto com sua equipe de Recursos Humanos no processo de recrutamento, identificação, capacitação e desenvolvimento dos profissionais identificados como “high potentials” (alto desempenho).

Sem um bom funil de líderes, a sustentabilidade do seu negócio no médio e longo prazos vai estar fortemente comprometida.

Além disso, é preciso sempre dedicar especial atenção à busca de congruência entre os valores, princípios, missão e sonhos destes potenciais novos líderes com os valores, princípios, propósitos e metas da sua empresa.

Quão mais próximos forem estes valores e propósitos, maiores são as chances de você criar líderes que tenham a capacidade de manter viva e fortalecer ainda mais a cultura da sua empresa.

3) Transparência

Como líder, é seu papel buscar ser o mais transparente que puder, em tudo o que fizer. E quando falamos no processo de identificação e formação de novos líderes, esta tarefa ganha peso ainda maior. Alie-se a isso a importância de dar coaching verdadeiro a todos os seus liderados, o tempo todo.

Com especial ênfase aos seus profissionais já identificados como de alto potencial, a transparência e o coaching são ainda mais fundamentais.

Faça-os saber com regularidade quais são as competências, talentos, pontos fortes e pontos de melhoria que você tem percebido evolução ou não. Aproxime-se o quanto puder deles para que eles, de fato, sintam que você tem sido um líder verdadeiramente interessado em ajudá-los para se tornarem grandes líderes no momento oportuno.

Meritocracia, Pipeline de Liderança e Transparência são, portanto, três elementos essenciais para fomentar em sua empresa uma cultura de formação constante de grandes líderes.

Tenho certeza de que, ao fazer isso, você contribuirá incrivelmente para perpetuar uma cultura vencedora, na qual todos se sentem valorizados e pertencentes à grande causa e ao propósito da organização.

José Ricardo Noronha é vendedor, palestrante, professor, escritor e consultor.