sábado , 21 de outubro de 2017
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Reinaldo Domingos – 10 ações domésticas para minimizar os impactos da crise

Reinaldo Domingos – 10 ações domésticas para minimizar os impactos da crise

A crise está assustando os brasileiros, são constantes dados negativos, como aumento do desemprego, alta dos preços e do endividamento. A situação apenas reforça a necessidade de se ter educação financeira, colocando em prática ações de economia em casa.

Então, para que se possa realmente combater a crise, é necessário ter consciência e disciplina, trazendo toda a família – inclusive as crianças – para o mesmo objetivo. Para tanto, será necessário fazer um diagnóstico financeiro detalhado dos gastos, descobrindo para onde está indo cada centavo do dinheiro.

Dessa maneira, fica mais fácil saber onde estão os supérfluos e os exageros, para reduzi-los ou até eliminá-los. A partir daí, novos hábitos estarão sendo formados e o comportamento em relação ao uso e à administração do dinheiro será diferente, garantindo que o período econômico ruim do país não interfira tanto na situação financeira das famílias.

Desenvolvi mais algumas orientações para economia doméstica:

  1. Os gastos de energia elétrica são um dos que mais apresentam excessos; basta pensar em quanto tempo usa o chuveiro e quantas vezes deixa as luzes ligadas ou a geladeira aberta. Sem contar no uso de televisão e de computador. Por isso, vale a pena agir com mais cautela, pois reduzir essa despesa representará uma economia substancial no final do mês;
  2. O uso de telefone também deve ser repensado, fazendo uma análise entre os valores do fixo e do celular. É preciso comparar o valor das tarifas sempre que possível. A opção deve ser pela menos custosa e não pela mais prática;
  3. A reciclagem de produtos também deve ser priorizada. O desperdício é recorrente, portanto, é possível reciclar desde alimentos até roupas e materiais escolares, sem perder a qualidade;
  4. Reflita melhor sobre as compras de roupas, eletrônicos, etc.; muitas dessas são feitas por impulso, sem que se tenha uma real necessidade. Sempre falo que é interessante deixar a compra para o dia seguinte, e só efetivar se realmente for relevante;
  5. Antes de ir ao supermercado, faça uma lista de compras. Tenha também cuidado com as “promoções”. Quantas vezes compramos o famoso “pague dois e leve três” e acabamos perdendo produto por causa de validade e, consequentemente, perdendo dinheiro;
  6. Compare os preços quando for às compras. Seja em lojas, supermercados ou até restaurantes; é fundamental que se faça essa comparação, pois as variações são, muitas vezes, consideráveis. Evite produtos de “grife”, uma vez que nem sempre representam um produto de qualidade superior, mas apenas status;
  7. Busque soluções de lazer mais económicas, é possível se divertir sem gastar muito. Reserve para ir em locais mais caros em ocasiões especiais;
  8. Economize ao utilizar o veículo. Não é necessário fazer tudo de carro; andar pode ser saudável e econômico. Além disso, é importante manter o carro revisado para que imprevistos não estourem as finanças;
  9. Valorize o que possui, se preocupe com a organização e cuidado com os bens materiais, muitos gastos extras são ocasionados por descuido ou desleixo, que ocasionam quebras e perdas, criando necessidade de reposição;
  10. Na utilização de gás e água, também é possível economizar. Evite deixar o fogo, o chuveiro e as torneiras ligadas sem necessidade e busque reutilizar a água sempre que possível.

Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin)

Júlio César Cardoso – Bate-boca na comissão do impeachment

Era plenamente dispensável a convocação da acusação e da defesa para se manifestar preliminarmente acerca do processo de impeachment na Câmara Federal, pois a Comissão  teria de qualquer forma de apreciar os fundamentos pró e contra exarados no processo, e não as argumentações orais de cada lado. Assim, ter-se-ia evitado todo esse bate-boca desnecessário inicial.

Ademais, é fundamental que o Congresso Nacional respalde a função primordial do TCU, estabelecida no Art. 71 da Constituição Federal, o qual recomendou que a Casa Legislativa Federal rejeitasse as contas de 2014 da presidente da República, por irregularidades (pedala fiscal). Desacatar as recomendações do tribunal equivale a considerá-lo sem importância, e, assim sendo, melhor seria que o TCU fosse extinto.

Por outro lado, José Eduardo Cardozo exerceu o seu papel de Advogado-Geral da União ao defender o Governo. Só que ele se esqueceu de que não estava em sala de aula tentando convencer uma plateia de imberbes calouros de Direito.

É necessário, entretanto, não cair na lábia esperta do Advogado-Geral, pois os seus argumentos sofísticos não podem contrapor ou sobrepor, por exemplo, uma decisão técnico-jurídica do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou “pedalada” fiscal.

Ora, a corte de contas do país foi instituída para quê? Não foi para auditar as contas públicas, coadjuvando o Congresso Nacional? O seu corpo não é formado por pessoas de idoneidade moral e de reputação ilibada, bem como por detentores de notórios conhecimentos jurídicos, técnicos econômicos e financeiros ou de administração pública, conforme preceitua o Art. 73 e parágrafos da Constituição Federal?

Logo, causa perplexidade a tentativa de o Governo Federal, através de seu Advogado-Geral da União, de pretender descaracterizar a decisão proferida pela suprema corte de contas do país, que, de forma categórica e por unanimidade de seus ministros, recomendou ao Congresso a rejeição das contas do governo Dilma Rousseff em 2014?

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado – Balneário Camboriú-SC

Júlio César Cardoso – A OAB versus o motim da claque petista

Os senhores golpistas petistas, que querem transformar este país em uma república do pixuleco, já foram surpreendidos nas ruas pela manifestação maciça e espontânea do povo brasileiro, inclusive de ex-petistas – suplantando a minoria vermelha e comunista arregimentada por sindicais e pelo “exército” do líder do MST, João Pedro Stédile -, que não aceita mais ver o país ser comandado por um governo incompetente e corrupto no mais amplo sentido: inflação; desemprego; fechamento de empresas; perda do grau de investimento; pedaladas fiscais; TSE (contas da campanha de 2014 irregulares); bancarrota da Petrobras (petrolão) e por decisões tomadas por seu Conselho Administrativo, presidido por Dilma Rousseff (Em 2015, a estatal fechou com o maior prejuízo de sua história: 35 bilhões de reais); as incriminações de Delcidio do Amaral contra Dilma, Lua, PT, por si sós, já recomendam o afastamento da presidente; o pedido de impeachment bem fundamento por Hélio Bicudo, Janaina Paschoal e Miguel Reale Júnior; e agora o novo pedido de impeachment apresentado pela OAB, firmado por esmagadora maioria de seus advogados.

É patética a lamentação da camarilha petista e de partidos da base de apoio ao considerar golpe o pedido de impeachment da presidente. No entanto, o PT jamais considerou golpe os pedidos de impeachment de COLLOR e FHC. Agora os molecotes querem falar em golpe?

A ministra do STF, Cármen Lúcia, já declarou que o pedido de impeachment é constitucional, idem Dias Tóffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Luís Roberto Barroso etc. O STF, formado por juízes íntegros e independentes, contrariando LULA, não vê, portanto, nenhum golpe.

Tentativa de GOLPE é o que se viu hoje (28), na Câmara Federal, onde a OAB, em pleno exercício democrático de direito, estava sendo impedida de protocolar o seu pedido de impeachment contra DILMA ROUSSEFF por uma corja de políticos mequetrefes, ordinários e traidores da Pátria, que dão sustentação ao governo corrupto e não desejam ver o país ser passado a limpo: Vanessa Grazziotin (PT-AM), Jandira Feghali (PT-RJ), Humberto Costa (PT-PE), Gleisi Hoffman (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ), suplente Wadih Damous (PT-RJ), Paulo Pimenta (PT-RS), Paulo Teixeira (PT-SP), Maria do Rosário (PT-RS), Bohn Gass (PT-RS), Henrique Fontana (PT-RS), José Guimarães (PT-CE), Afonso Florence (PT-BA), Sibá Machado (PT-AC) e outros indecoros parlamentares.

GOLPE moralizador é o que o país está tentando dar na corrupção e nos larápios da República, que desviaram recursos da SAÚDE, EDUAÇÃO E SEGURANÇA PÚBLICA, como LULA e JOSÉ DIRCEU, os quais deviam ficar sempre trancafiados para o bem do Brasil. Porque Fernandinho Beira-Mar está pagando por seus crimes, e o mesmo não pode ocorrer com políticos e ex-políticos corruptos?

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor  federal aposentado

Balneário Camboriú-SC

José Romero Cardoso – Recordando Severino Cruz Cardoso (Biró de Onofre) nos quarenta anos sem sua presença física no plano terrestre

  • Para Maria de Lourdes Araújo Cardoso (In memoriam), Jerônimo Vingt-un Rosado Maia (In memoriam), Benedito Vasconcelos Mendes, Ignácio Tavares de Araújo e a Wilson Bezerra de Moura

 

Biró de Onofre veio ao mundo no dia das comemorações da proclamação da República do ano de 1926, falecendo em dois de agosto de 1976, ambos os fatos ocorridos em Pombal (Estado da Paraíba). Em 1961, ano que assinalou importantes comemorações a nível local no que tangem ao centenário de emancipação política da velha urbe sertaneja, conhecida como terra de Maringá, casou-se com Maria de Lourdes Araújo Cardoso, de quem era parente próximo, a qual namorou por mais de vinte anos.

Era filho de Onofre Benigno Cardoso, descendente de judeus sefaraditas que saíram às pressas do litoral paraibano para o sertão, devido a chegada da Inquisição, depois da expulsão dos holandeses do Nordeste açucareiro em 1654, e de Francisca Martinha Cruz Cardoso, a qual fazia parte do ramo dos Rosado surgido através do casal Jerônimo Ribeiro Rosado – Francisca Freire de Andrade ( Cf. ROSADO, Vingt-un. Informações genealógicas sobre alguns Rosado. Mossoró/RN: Fundação Guimarães Duque, 1982 (Série C, Coleção Mossoroense, Vol. CCXXIII) ).

Coincidentemente, seu grande ídolo, Luiz Gonzaga, encantou-se para o plano espiritual no mesmo dia e mês do ano de 1989. O eterno sanfoneiro do riacho da Brígida foi, por toda existência de Biró de Onofre, a referência musical mais expressiva, na qual pautou seu imaginário enquanto fomento às noções de pertencimento à região Nordeste.

Biró, bem como sua prima em segundo grau de nome Maria de Lourdes Araújo Cardoso, conhecida por Lia de Lourdes, tiveram pouca instrução, cursando apenas até o quinto ano do ensino primário. Naqueles tempos difíceis, era verdadeira odisseia conseguir evolução nos estudos. Somente pessoas bem situadas na estratificação social regional, ou alguns privilegiados pelo destino, caso de Josué de Castro, por exemplo, autor de célebres obras sobre o problema da nutrição, comoGeografia da Fome: O dilema Brasileiro – Pão x aço, lançada em 1946, conseguiram esse feito.

Lia de Lourdes ainda galgou alguns degraus no quesito instrução, pois dispôs de curso teórico e prático para técnica em enfermagem, no ano de 1949, em João Pessoa (Estado da Paraíba), cujo objetivo foi viabilizar exercício de funções empregatícias no Posto de Puericultura da Legião Brasileira de Assistência que o governo federal instalou em Pombal e que foi criminosamente fechado, quando do advento dos anos de chumbo da ditadura militar instalada no País em primeiro de abril de 1964.

O grande sonho de Biró era um filho homem para poder compartilhar o que sabia sobre o sertão, seus segredos e mistérios, suas perspectivas, formas de contatos humanos, enfim, tudo que dissesse respeito às terras adustas ressequidas pelo sol escaldante e seu aliado incondicional, o vento alíseo nordeste.

Dos três filhos que o casal Biró de Onofre – Lia de Lourdes teve, sobreviveu apenas o nascido em 28 de setembro de 1969. O primeiro, a esposa abortou em agosto de 1967. Uma “comemoração inusitada” em um casamento de um primo legítimo foi o estopim para a perda do primogênito. Aconteceu no sitio Lajedo, comunidade rural localizada em Pombal (Estado da Paraíba), pertencente à família Menandro da Cruz, herança do rico fazendeiro Sinhozinho Vieira, pai de Martinha Vieira da Cruz, esposa de Menandro José da Cruz. A companheira inseparável de Seu Menandro pertenceu a um ramo familiar que ainda hoje é conhecido em Pombal como os Maniçobas.

Tratava-se de um bêbado que disparava a esmo. Biró foi tomar as providências. Desarmou-o, pois sabia perfeitamente todos os procedimentos a fim de neutralizar o atirador. Lia de Lourdes, infelizmente, não suportou o estresse.

O segundo nasceu forte e saudável, também no mês de agosto, ano de 1968, mas foi vítima da falta de cuidados. No Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro, uma garotinha de uns 13 anos tomava de conta do berçário. Uma queda e o bebê bateu forte com a cabeça no chão. Não resistiu e morreu. Assim como o primeiro, o casal havia decidido que deveriam colocar no segundo o nome de Severino Cruz Cardoso Filho. Sonharam em seus devaneios e confianças e já o chamavam carinhosamente de Birozinho.

Adepto fervoroso de uma cachacinha, hábito que manteve desde quando trabalhava na pedreira de gesso das voçorocas da Espadilha, localizada no antigo termo de São Sebastião, hoje município de Governador Dix-sept Rosado (Estado do Rio Grande do Norte), época em que notabilizou-se a maior extração de rocha sedimentar gipsita no Brasil, talvez na América Latina, Biró entregou-se à boemia, tendo como símbolo maior a música Juazeiro, de autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, não obstante gostar também das canções compostas e interpretadas por Nélson Gonçalves, Orlando Silva e Vicente Celestino.

Não largou sua opção etílica de forma alguma, pois manteve-se incólume em sua sina até seu trágico desencarne, vitimado por fenomenal descarga elétrica, quando desafiava trifásica ameaçadora que tangenciava-se com as galhas de uma cajazeira. Tragar sofregamente fumo DuBom enrolado em papel-seda ou em palha de milho era outro vício que Biró tinha e que cultivou até o final de sua existência.

Apesar de Juazeiro ter se transformado no hino oficial da pedreira de gesso, o qual fazia-lhe recordar momentos marcantes em São Sebastião, era com A Triste Partida que a emoção fluía por todos os poros. A magistral poesia matuta de Patativa do Assaré, narrando a saga, as desditas e os sofrimentos passados por uma família de retirantes tangida pela seca do Nordeste para o Sul, levava Biró de Onofre às lágrimas. Quando chegava no refrão sobre o meu pobre cachorro quem dá de comer, ele chorava compulsivamente. Lembro-me que em certa época chegamos a ter mais de dez cachorros em casa, cada um inseparável companheiro de caça de Biró de Onofre. Jolí e ligeiro foram os preferidos. Ele nunca levou-me para uma caçada, pois dizia sempre que era perigoso levar crianças e eu obedecia-o, não relutava, não pedia para acompanhá-lo, apenas ficava esperando-lhe, apreensivo, pois sabia muito bem quem era meu pai. Se desarmado era perigosíssimo, imaginem então com uma espingarda calibre 28 a tiracolo e dispondo de mais de quarenta cartuchos em um bornal?

Nas festas do Rosário do mês de outubro, em Pombal, quando o profano, sem sombras de dúvidas, torna-se extremamente mais visível que o sagrado, Biró de Onofre entregava-se de corpo e alma à bebida. Inúmeras vezes saiu comigo pelas ruas de Pombal, completamente bêbado, pois, para desespero de dona Lia, tirava-me da rede onde dormia, colocava-me em seu pescoço e saia se equilibrando, orgulhoso em mostrar aos amigos, muitos, incontáveis, que finalmente realizara seu grande sonho de ter um filho homem para poder dividir o que sabia sobre a terra dos desafios, a grande e soberana nação sertaneja.

Não vou dizer com absoluta certeza que ele era incapaz de fazer mal a alguém, pois era uma fera. Domá-lo, quando se enraivecia, era tarefa hercúlea. Diversas vezes eu o vi, quando dos pic-nics com os amigos e conhecidos, quebrar a cara de incautos e fazer riscos de faca em peçonhentos que ainda existem no sertão e que costumam exceder em certas práticas nocivas, como a falta de respeito para com os semelhantes.

Eu o vi muitas vezes desarmar diversas pessoas, apetrechadas de faca ou com arma de fogo. Ele avançava sem medo, sem titubear, pois quando menos esperava-se ele estava em cima, irresoluto, sem pestanejar, dando o recado àqueles que não sabiam que desconhecia o significado do substantivo masculino medo. Tio legítimo de nome Romeu Menandro da Cruz, irmão de Francisca Martinha da Cruz Cardoso, era do mesmo jeito, tendo chegado ao ponto de desafiar Sabino Gório e seu bando sinistro no dia 28 de setembro de 1926, em Cajazeiras dos Rolins (Estado da Paraíba). Sabino foi chefe de subgrupo do bando de Lampião, tendo se destacado pela ferocidade e perversidade inauditas.

Não posso esquecer ainda da participação de Lourenço Cruz, enquanto sinônimo de bravura, como defensor de Mossoró, postado de forma estoica e abnegada nas trincheiras de Saboinha, ou seja, na estação da estrada de ferro, em 13 de junho de 1927, quando Lampião e seus cabras invadiram a terra de Santa Luzia, sendo rechaçados por parte da população local e pelos poucos policiais que guarneciam a ameaçada cidade potiguar.

Eu, criança que não entendia muito bem o que estava acontecendo, ficava distante, temendo pela vida do meu genitor, mas ele sabia se safar bem, pois impor respeito através dos velhos métodos sertanejos era uma das especialidades de Biró de Onofre. Tem horas, no presente, que parece até que um filme está voltando em minha mente, com certas atitudes do meu filho mais velho. Romero Júnior tem muitas coisas do avô.  Jerônimo Vingt-un Menandro, calmo e dócil, até o presente momento, parece ser o contrário do irmão afobado e afoito.

Bruto ao extremo, papai certa vez despertou toda rua Benigno Cardoso devido aos desdobramentos de uma caçada de tatu. Ligeiro, cachorro de sua predileção, destemido e brabo como ele só, não dava espaço para que Biró de Onofre cavasse o local onde se encontrava o pobre animalzinho acuado. Com raiva, pegou o facão e rolou o rabo do desditado cachorro. Desesperado, ligeiro desceu os lajedos do riacho do bode em desabalada carreira, deixando rastros de sangue por onde passava. Papai conservou em casa, até sua morte, o pedaço que ele arrancou do rabo do cachorro ligeiro.

Outro amuleto que guardava a sete chaves, o qual conservo comigo, é uma velha fotografia do Vasco da Gama que ele trouxe quando foi trabalhar na Mineração Jerônimo Rosado S. A., em São Paulo. Quando dos deslocamentos para o Rio de Janeiro, aproveitou para adquirir souvenirs do time do coração, tendo aumentado significativamente sua coleção de lembranças referentes à associação desportiva nucleada em São Januário.

O restante da coleção sobre o Vasco da Gama que possuía não consegui localizar. Nem preciso dizer que a opção futebolística do meu pai influenciou de forma basilar na minha decisão referente para qual time torcer.

Na década de setenta do século passado, provavelmente no ano de 1974, protagonizou feito inaudito e, creio, talvez inédito para um sertão desacostumado a um certo tipo de fauna exótica, pois, na companhia do inseparável amigo Curinha de Dr. Lourival, deram caça a um jacaré no rio Piancó, conseguindo capturar o animal que havia sido retirado do seu habitat natural na região norte ou no Maranhão e levado para Pombal, sendo jogado nas águas do velho rio, tendo crescido consideravelmente, passando a impor medo nas lavadeiras e frequentadores do balneário natural.

O rio Piancó foi um dos relicários sagrados da minha convivência com Biró de Onofre, pois nos tradicionais banhos fui batizado perante as inclemências da terra do sol, sendo uma das garantias de pertencimento ao velho chão sertanejo.

Sob pretexto de que eu tinha que me virar, Biró praticava certo tipo de “esporte” por demais perigoso para uma criança, pois atirar-me em locais profundos do curso d´água sertanejo consistia em verdadeiro divertimento para ele.  Conforme Dedé Espalha, de saudosa memória, amigo pessoal de Biró de Onofre, o argumento de papai para tal prática era que eu deveria saber como me virar perante os segredos e mistérios do rio Piancó.

Dona Lia, concentrada em seus trabalhos no Hospital Distrital de Pombal, confiava-lhe para que tomasse-me de conta, ficando comigo em casa, pois, conforme dona Lourdes, minha avó materna, “boa romaria faz, quem em sua casa está em paz”.

Ledo engano. Papai aproveitava que a vigília materna não estava próxima e tomava comigo o rumo das águas tortuosas do rio Piancó, levando-me de madrugada para conhecer de perto as coisas do nosso sertão.

Ele improvisava pescarias noturnas, bem como diurnas, com tarrafas, com anzol, com landuá, bem como com as mãos. A facilidade que tinha para pescar era fantástica. Logo tínhamos peixes em grande quantidade. Tratá-los, temperá-los, principalmente com manjericão, essência nativa do semiárido, e cozinhá-los, também eram tarefas fáceis, pois Biró de Onofre sabia muito bem como aproveitar os frutos de sua aptidão natural como pescador. Era comum naquela época encontrarmos panelas de barro enterradas ao longo do leito do rio Piancó. Existia um local que margeava o curso d´água que era conhecido por panela, justamente por encontrarmos esses utensílios artesanais enterrados para que houvesse viabilidade no cozimento de espécies da fauna aquática que eram pescadas, bem como para o preparo do tradicional arrubacão à beira do rio.

Obter fogo através da fricção de paus era algo simples também para ele. A farra de madrugada estava garantida. Eu me concentrava nos saborosos peixes e ele tanto saboreava o que cozinhava como aproveitava para dar um gole na garrafa de pinga que nunca esquecia quando “roubava-me” para fazer parte de suas aventuras pela madrugada.

Não sei como, talvez atraídos pelo cheiro dos peixes sendo cozidos na panela de barro deixada por “solidários boêmios”, bem como pelo odor, para mim insuportável, da cachaça que não faltava quando papai estava por perto, principalmente no rio Piancó e na bodega de Severino Pedro, logo o improvisado acampamento estava repleto de apreciadores de uma peixada com pinga, sendo a maioria moradora das redondezas que conheciam por demais Biró de Onofre. Confesso com franqueza que ainda não conheci alguém mais conhecido do que ele em seu torrão natal.

Depois de saciada a fome, geralmente vinha uma das partes que mais gostava. Papai preparava uma cama com folhas de jitirana, tendo seu ombro como travesseiro, momento que ele aproveitava para ensinar-me sobre o sertão, dizendo-me de quem eram os cantos dos passarinhos que pululavam pela madrugada, bem como cada uivo dos animais, apontando ainda, sem pestanejar, denominações vulgares das espécies vegetais próximas.

Biró conhecia como poucos cada entoação do canto da mãe da lua, das corujas, das peiticas, da temida rasga-mortalha de canto considerado fúnebre no sertão, do bacurau, etc.

A variedade de peixes encontrados no rio Piancó, na época, era tão impressionante, que vislumbrava a todos, enchendo os olhos a diversidade fantástica. Era grande a quantidade de piaus, tucunarés, traíras imensas, curimatãs, cascudos, piranhas, etc., que faziam a felicidade dos pescadores e boêmios.

Essa riqueza piscícola era garantia de suplemento alimentar à população de baixa renda que dependia bastante do que o rio Piancó oferecia. Essa profusão de peixes também era verificada no rio Piranhas, o qual recebe o Piancó logo além da forquilha das Junqueiras, seguindo seu curso para o vizinho Estado do Rio Grande do Norte.

Certa vez, quando de uma pescaria noturna com amigos, da qual não participei, Biró chegou em casa com o polegar direito quase partido ao meio. Sangrava bastante. Em um gesto inopinado, resolveu desalojar com as mãos imensa piranhas preta que escondera-se em uma afloração granítica localizada, na época, ao longo do leito do rio Piancó. A piranha preta, feroz e perigosa, levou a melhor na pescaria, terminando-a de forma tragicômica.

Biró conhecia ainda cada espécie de nossa flora tão ameaçada de extinção. Não apenas fazia uma catalogação mental referente a cada árvore e a cada arbusto, como sabia também a serventia de cada um para manter saudável a saúde do sertanejo ou de quem quer que fosse.

Luiz Gonzaga foi muito feliz quando gravou extraordinária e belíssima canção, a qual enfatiza de forma sublime que: “como é bonito a gente ver, em plena mata o amanhecer”. Biró de Onofre mostrou-me o sertão de corpo e alma, através de suas essências mais marcantes.

Parece até que ele se inspirava nesse hino sertanejo quando me levava para conhecer a natureza que rodeia nossa nação, nosso espaço, hoje, infelizmente, tão ameaçado pela intensiva ação antrópica.

É no amanhecer que o sertão se torna mais sertão, pois o cheiro inigualável das árvores nativas e das águas dos rios é percebido pelo olfato mais sensível daqueles que amam a região.

Quando das tradicionais vaquejadas ocorridas no mês de julho no Parque Manuel Arnaud, em Pombal, Biró transformava-me em um vaqueiro-mirim, pois fazia questão que eu ostentasse chapéu de couro, luvas, chibatinha e outros adereços integrantes da indumentária do grande herói do sertão.

Exímio aboiador, resultado de suas lidas no trato com o gado no Carro Quebrado, denominação toponímica da propriedade de Onofre Benigno Cardoso, herança do velho ourives Benigno Ignácio Cardoso D’ Arão, Biró desfilava comigo pelo chão de terra batida do Parque de Vaquejada pombalense, como troféu, entoando a sonoridade laborial do vaqueiro sertanejo.

Entusiasta da nossa cultura popular, levava-me à tradicional feira dos sábados em Pombal para ouvir cantadores e repentistas declamarem versos do Pavão Misterioso e de outros clássicos da literatura de bolso nordestina. Os folhetos de cordel foram despertando-me a atenção em razão da forma como viabiliza a produção poética do autêntico literato regional, pois a maioria é composta por seres humanos desprovidos de recursos, sem condições de publicar livros refinados.

A feira foi sendo-me revelada espetacularmente, pois tudo que havia da produção artesanal sertaneja encontrávamos com facilidade naquela época. Selas impecavelmente trabalhadas, arreios, botas e chapéus de couro, bem como de palha, chocalhos, feitos cuidadosamente por hábeis ferreiros, panelas de barro, jarras para colocar água, aguidares, lamparinas, quartinhas, bornais e peias de couro, etc. eram comercializados na feira de Pombal. Hoje, a globalização mudou muito o rumo das coisas, modificando os produtos que encontramos à disposição, não obstante ainda encontrarmos muito da cultura popular de nossa região sendo vendido no lócus livre da comercialização pombalense.

Incontáveis vezes fizemos o trajeto Sousa – Governador Dix-sept Rosado – Mossoró e vice-versa, nos vagões das composições férreas da saudosa estrada de ferro inaugurada em 1915. A velha terra do alho, do gesso e da cal era, geralmente, o destino mais procurado, pois marcas indeléveis estão fincadas por lá de forma mais efetiva e proeminente, não obstante ser batizado em Mossoró e na capital do oeste potiguar estarem fixados inúmeros familiares, tendo em vista que após a fragmentação e a marginalização das explorações de gesso e da cultura do alho e da cebola às margens do rio Apodi-Mossoró a migração de inúmeros dix-septienses para a segunda aglomeração urbana potiguar tenha se efetivado de forma intensa.

Festas de São Sebastião em Governador Dix-sept Rosado constituíram-se em um dos motivos de deslocamentos da Paraíba para o Rio Grande do Norte nas companhias de Biró de Onofre, de dona Lia e de dona Cora, sendo que essa última era minha tia paterna e mãe de criação.

Todas as noites, depois que dona Lia dava-me banho, ficava sentado em seu colo para esperarmos a chegada do vento refrescante de Aracati. Pedia-lhe para contar-me histórias do tempo da pedreira. Lembro-me bem de uma, referente a uma ema que apareceu nas imediações da exploração de gesso.

Disse-me que chamou um conhecido, compadre Bevenuto, para abater a imponente ave, conhecida como avestruz das Américas. Conforme relatou-me, era tão grande que foi preciso ser transportada nas costas de um burro.

Naquela época era comum bandos de emas e varas de porcos-do-mato serem vistos na chapada do Apodi. Hoje, infelizmente, não existem nem rastros desses animais nos seus habitats naturais. Foram extintos pela irresponsabilidade humana.

Naquele fatídico dia dois de agosto de 1976 eu parei, atônito, pois foi-se para sempre meu herói, meu ídolo, meu bandido, meu pai amado de quem nunca esquecerei.    Hoje, quarenta anos sem a presença física de Biró de Onofre no plano terrestre, as transformações são intensas e visíveis no espaço que tanto amou.

O rio Piancó continua poluído, imundo, cheio de dejetos de toda espécie. Os peixes não existem mais em tamanha profusão como naquela época e os pássaros migraram para longe ou simplesmente desapareceram por que, entre outros motivos, a mata ciliar nativa foi derrubada para servir a fins diversos.

O que não muda é a saudade de abraçar novamente meu pai e dizer-lhe o quanto o amo e o quanto sou agradecido por todos os momentos que passamos juntos, pois foram importantíssimo para que meu fascínio pelo sertão se efetivasse da forma mais proeminente possível.

José Romero Araújo Cardoso.Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP). Filho único de Severino Cruz Cardoso (Biró de Onofre) e de Maria de Lourdes Araújo Cardoso (Lia de Lourdes).

Eduardo Gosson* – Crônicas do Sertão – IV

“Tantos anos passaste em solidão e lutaste, sabendo estar vencido”

Em Caraúbas/RN descobri personagens fantásticos como JOÃO DO ASSU. Este cidadão era comunista, tendo uma grande consideração por alguns ícones do comunismo brasileiro. Tinha dois filhos e numa homenagem a Prestes colocou o nome do seu filho de LUí S CARLOS PRESTES e o da filha de OLGA BENÁRIO. Caraúbas produziu nomes de esquerda muito importantes como GLÊNIO SÁ dirigente do PCdoB que  participou da Guerrilha do Araguaia.

Em 31 de março de 1964 o Brasil embarcou no apoio ao golpe militar que produziu uma Ditadura de 20 anos. Os militares sabiam que em Caraúbas tinha um núcleo muito forte de comunista. E foram lá. Ao chegarem prenderam JOÃO DO ASSU. Ao ser interrogado, perguntaram-lhe aonde encontrar os comunas. E JOÃO DO ASSU respondeu:

-“Major,  em Caraúbas não tem comunistas. O único que tem sou eu”. E assim aquele velho salvou a rapaziada das garras da Ditadura. Ao chegar no Mercado no longínquo ano de 1982 fiquei encantado com a sua figura e com os seus alfenins que eram verdadeiras obras de arte. E sobretudo, com a sua decência. Penso que  JOÂO DO ASSU não está mais na porta  do mercado porque quando o conheci ele tinha em torno de 70 anos  e já faz mais de trinta que esses fatos ocorreram. JOÃO DO ASSU agora está no céu, fazendo alfenins para Deus. Ele não acreditava em Deus mas Deus em sua misericórdia acreditava em JOÂO DO ASSU.

Já não se faz comunistas como antigamente!

(*) Presidente da UBE-RN

 

Aristides Ianelli Junior – Franquear uma empresa não é tão simples quanto parece

*Aristides Ianelli Junior

A expansão de uma empresa pelo Franchising é uma estratégia para quem quer ter diversas unidades, mas não tem capital ou tempo disponível para abrir unidades próprias. Mas empreender errado no Franchising pode significar a morte de um negócio até então seguro e rentável.

 Depois de tentativas frustradas e investimentos sem resultado, aprendi a importância de apostar na profissionalização como estratégia para fortalecer a marca e preparar o negócio para expansão. Não basta ser expert no negócio para franquear sua marca, você precisará ter experts em franquias para fazer seu projeto decolar.

 É um erro imaginar que para franquear seu negócio basta produzir os documentos jurídicos e contratuais, vender unidades e ensinar pessoas a fazerem o que você faz. É preciso ir além. A estratégia de expansão de uma rede é diferente de um negócio tradicional. Aqui não se pode começar do zero.

 É preciso ter cuidado na escolha do franqueado. Não basta que ele tenha dinheiro para investir se ele não tiver o perfil traçado para ser seu franqueado. Caso contrário, certamente em pouco tempo ele deixará de ser um parceiro no negócio para se tornar uma demanda na justiça.

 Além disso, como franqueador, é preciso ver que há duas empresas. Uma, a sua unidade própria, que atende ao cliente final do produto. A outra é a franqueadora que tem sua estrutura pronta para fazer a gestão das unidades com o objetivo de fazer com que elas atinjam resultados cada vez mais satisfatórios.

 Assim, fazer seu negócio franqueável tornará tudo “maior e potencializado”. Você conseguirá evidenciar exponencialmente a marca, terá unidades em locais que jamais seria possível, possuirá novas fontes de faturamento e fará a gestão de um negócio dinâmico e rico. Por outro lado, toda mudança de sistema, estratégia que seria fácil implementar em sua unidade local, deverá ser pensada e dimensionada para toda rede, considerando franqueados, culturas regionais, parceiros etc. E, sim, isso pode facilmente determinar o sucesso ou o fracasso do negócio. Então, será que sua empresa está pronta para ser franqueada? Você está pronto?

 *Aristides Ianelli Junior é presidente e sócio-proprietário da rede de franquias Estagilize Estágios

Monica Serra – A arte que diverte também ensina

Monica Serra

Estamos habituados a ver surgir propostas de soluções para problemas endêmicos da sociedade, os quais não conseguem ser resolvidos pelo poder público, seja porque não é prioridade no momento, seja porque não é da alçada de quem cobramos atitudes (Município, Estado ou Federação), ou, ainda, porque certos problemas endêmicos da sociedade são tidos como de responsabilidade difusa. Há dúvidas se corresponde ao poder público ou somente à família.

Quaisquer que sejam as razões da endemia, não podemos, nós da sociedade civil, sair de fininho encolhendo os ombros e os deixando cair, fazendo de conta que não temos nada com isso.

E é aí que melhor se justifica o trabalho cooperativo das ONGs – Organizações Não Governamentais – apoiadas pelo capital privado. Elas são o resultado dessa consciência que une pessoas para tentar resolver juntos alguns desses problemas endêmicos.

Um deles, que desperta crescente cooperação, é a prevenção do câncer de mama. Aproveitando a maciça mobilização do outubro rosa em prol da saúde da mulher, formou-se um calendário anual que dá visibilidade às muitas outras datas que celebram a mulher: 8 de março, Dia Internacional da Mulher; 30 de setembro, Dia da Secretaria; etc.

O Instituto Se Toque, fundado em 2005 e havendo, portanto, completado 10 anos de atuação, tornou-se referência inovando em matéria de prevenção. O Instituto Se Toque entende que prevenção é educação. Isto o levou a uma atuação permanente, como o ato educativo requer.

A base para criar a ponte, por onde transita a criança com a informação, indo ao encontro das mulheres da família, foi a escola pública.  Aproveitando da sua estrutura, feita para agregar conhecimento relevante à vida futura dos estudantes, criamos instrumentos próprios e adequados ao conceito de “escola da família”.

Assim, desenvolvemos um modo eficiente de troca de informações entre o Se Toque e as diversas faixas etárias da escola, informações estas que deviam chegar sem distorções para as famílias. Refiro-me ao Teatro Colar da Vida, para crianças de 8 a 12 anos, e às Oficinas de Prevenção, para jovens de 13 a 17, onde o conceito de prevenção do câncer de mama retira o rótulo de “doença maligna” e o substitui pelo de “doença detectada a tempo de ser curada”.

É nesse circuito de escolas que disseminamos a educação transformadora para sermos efetivos na prevenção do câncer de mama.

Para a prevenção ser efetiva, precisamos que a mensagem converse com o aluno em dois momentos da sua passagem pela escola: assistindo ao teatro dos 8 aos 12 anos e, mais tarde, dos 13 aos 17 anos, assim promovendo uma mudança cultural do conceito de prevenção. Isso é disseminar a educação transformadora no circuito escolar, pois requer remover o fatalismo que acompanha o termo câncer no seu início, por ter sido culturalmente associado à morte por muitos anos.

Essa mudança de visão, que chega às famílias por meio dos seus filhos, que não mais associam o câncer “àquela coisa ruim”, é capaz de reverter o quadro de casos encontrados em estado avançado da doença e reverter o prognóstico de sobrevida significativamente.

A pergunta inicial que nos fizemos referia-se a por que as mulheres não evitam, com a amplamente divulgada necessidade da mamografia anual, passar por processos muito mais penosos do que só o aperto das mamas pelas placas do mamógrafo.  A resposta veio de outra área.

Parece existir a convicção cultural, passada de pais para filhos, subliminarmente, de que a palavra câncer é sinônimo de morte. Observa-se que se fala “daquilo” sem nomeá-lo. Aquilo é “essa coisa ruim”. “O negócio que levou a vovó”. Se a criança pergunta: morreu do quê a vovó? Salta alguém para calar a pergunta: “Não fala nisso agora”. “Foi dessa doença ruim”.

Sendo a morte um tabu do qual não se fala em família, a informação sobre a doença, que vem marcada com esse estigma, é boicotada. Por tanto, descartada.

O Instituto Se Toque, nasceu com o compromisso de alcançar as pessoas com a informação de prevenção, quando ainda não instalado o tabu da morte vinculado à doença. A ideia é alcançar a criança de 8 a 12 anos com informações, numa primeira abordagem, chegar nela novamente quando instalada a preocupação com o próprio corpo e suas mudanças, numa segunda abordagem àqueles de 13 a 17 anos.

Para a primeira abordagem, criamos o Teatro Colar da Vida, onde, logo após cada apresentação, um presente é doado a cada criança para ser entregue às mães e avós, o Colar da Vida. O Colar da Vida faz parte da trama da peça de teatro. De forma didática e interativa, ensina o seu significado. O crescimento das pérolas indica não só a chance de cura associando o tamanho das pérolas ao crescimento do tumor, como a textura a ser procurada pelos dedos no autoexame, pois se assemelha ao toque de uma pérola, embora sempre deixemos claro que a mamografia detecta um tumor antes da palpabilidade, quando ainda é possível retirá-lo sem o dano ao corpo (retirada da mama ou parte dela). Sem falar nos altos custos à sociedade e à família: abalo quando há perda do trabalho, o custo de um leito hospitalar, os efeitos da quimioterapia ou o desconsolo familiar pela perda de mulheres valorosas. Nada disso uma família deveria passar se houver prevenção.

As crianças, na nossa experiência, já foram os melhores agentes antitabagistas e, hoje, ajudam as suas mães e avós a preservar seu convívio em família com a simples cobrança: Olha aí, meu presente é para ajudar você a se lembrar de fazer a mamografia. Usa o Colar da Vida para você se lembrar de fazer a mamografia. Dessa forma, a arte que diverte também ensina e salva vidas.

*Monica Serra, presidente do Instituto Se Toque.

Joacir Rufino de Aquino – A polêmica em torno da grafia do nome do município de Assú

Joacir Rufino de Aquino

(Economista, professor e pesquisador da UERN)

Há uma grande polêmica em torno da escrita correta do nome do município de Assú, situado geograficamente na porção oeste do semiárido potiguar. No papel timbrado da Prefeitura o nome da localidade aparece com “SS” e acento agudo no “Ú” (Assú). A maior parte das pessoas, porém, prefere escrever com “Ç” e sem acento na vogal em que termina a palavra (Açu). Já outros usam o caminho do meio, escrevendo com “SS” e sem acento no “U” (Assu), sendo esta a forma empregada costumeiramente no âmbito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Em uma simples caminhada pelas ruas da cidade percebe-se que o nome do município é escrito em placas e nas faixadas comerciais das três maneiras simultaneamente. Da mesma forma, não é incomum encontrar algum documento público que apresente o mesmo problema, onde a confusão sobre a grafia do nome do município se manifesta no começo, no meio e no fim dos enunciados. Inquieto com a situação, em 2008, o professor Gilton Sampaio, do Campus de Pau dos Ferros/UERN, enviou uma mensagem ao colega Messias Dieb (na época docente do Campus de Assú/UERN e hoje na Universidade Federal do Ceará – UFC), com as seguintes perguntas: “Dieb, qual a grafia correta do nome do município em que você trabalha? Dizem que há flexibilidade entre Açu/Assu, mas também é permitido Açú/Assú?”.

Na tentativa de esclarecer a dúvida do amigo pauferrense, e de muita gente, o professor Dieb respondeu: “Gilton, a grafia do nome Assú/Assu/Açú/Açu tem sido motivo de polêmica. Em função disso, o Júlio César (que foi professor do Departamento de Letras do Campus de Assú/UERN e também está hoje na UFC) fez uma pesquisa diacrônica para descobrir como era a verdadeira grafia. Consultou documentos muito antigos, inclusive do comecinho do século XIX. Teve acesso ao documento oficial (registrado em cartório) que elevava a localidade ao status de município e, nesse documento, e em vários outros, ele encontrou a grafia ASSÚ (com SS e o acento transgressor da norma culta). Embora o registro oficial seja assim, muitas pessoas querem – cada uma – criar suas próprias normas de grafar o nome da cidade. O resultado é um pandemônio lexical desnecessário”.

O trecho transcrito do diálogo destacado, de modo bastante preciso, contribui para pôr ordem na casa. O nome “próprio” do município em foco, segundo o seu registro oficial em cartório, deve ser escrito ASSÚ! Qualquer outra grafia, mesmo que siga um critério semântico e seja amparada institucionalmente, não é correta. A palavra AÇU, originária do vocabulário indígena, por sua vez, deve ser utilizada tão somente para designar a microrregião banhada pelo Rio Piranhas, a qual é denominada de VALE DO AÇU. A distinção entre os termos é clara, conforme lembra o historiador assuense Ivan Pinheiro, mas, infelizmente, ela não tem recebido a devida atenção por parte das instituições de ensino e da maioria da sociedade local.

Portanto, seria de bom tom o poder público municipal trabalhar o tema e procurar esclarecer a população a respeito. Inclusive há indícios de uma ideia de modificar oficialmente o nome da cidade para sua variante indígena, Açu. A iniciativa é pertinente, uma vez que valorizaria a história cultural dos primeiros habitantes da área e também ajudaria a ajustar a sua grafia à norma culta da gramática vigente nos nossos dias. No entanto, a proposta não avançou e o nome do município continua igualzinho ao de sua emancipação política em 16 de outubro de 1845, ou seja, Assú com “SS” e acento no “Ú”. O que muda a cada instante é a forma incorreta de escrevê-lo, ora de um jeito, ora de outro, alimentando uma confusão inteiramente desnecessária dentro e fora de suas fronteiras territoriais.

Jaques Grinberg – 7 regras para aumentar as vendas com o uso do WhatsApp

Todos os dias surgem novos aplicativos mobile e novos sites para facilitarem de alguma forma a vida das pessoas. A conectividade esta presente 24 horas por dia e sete dias por semana em nossa vida, tornando a comunicação mais simples e ágil.

Com alguns cliques é possível compartilhar os seus momentos com o mundo através das redes sociais, enviar fotos para amigos e familiares ou transmitir ao vivo uma aula ou palestra. Sim, é tudo mais simples e rápido! Então, por qual motivo perdemos o pouco tempo que tínhamos para ficar com a família e amigos? A resposta também é simples, estamos conectados com os aparelhos celulares 24 horas por dia e sete dias por semana – acabou o tempo para as conversar olhando nos olhos.

Os clientes também estão sem tempo para comprar e o motivo pode ser o mesmo, estão conectados. Já sei, você está imaginando em desenvolver um e-commerce e um aplicativo para vender seus produtos e/ou serviços. Parabéns! Excelente iniciativa! São ferramentas importantes que por enquanto sozinhas não irão compensar as quedas em vendas na loja física. O motivo é obvio e poucos percebem por ser obvio. As pessoas querem relacionamento e são imediatista, querem o contato com o vendedor e sair da loja com a sacola.

O uso do smartphone não é para comprar, é para relacionar-se através das redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas – seja por texto, fotos ou vídeos. Nunca estivemos tão solitários com tanto relacionamento, virtual.

As lojas, escritórios de profissionais autônomos, empresas e até industrias ainda não perceberam as oportunidades que perdem com a falta de uso do WhatsApp ou o uso incorreto nas vendas e fidelização de clientes.

Por este motivo escrevo sete regras poderosas para aumentar as vendas com o uso do WhatsApp.

1º Use o aplicativo para relacionar-se com os clientes.

A venda deve ser consequência. Por exemplo, para um consultório odontológico, mantenha os clientes informados sobre os horários das consultas, previsão do tempo para o dia e horário da consulta e situação do transito na região. Para uma loja de shopping, informe os clientes sobre eventos que acontecem na região, lançamento de filmes no cinema do shopping, melhores horários para encontrar vagas no estacionamento e a origem das datas comemorativas como a Páscoa, dia do consumidor, dia das mães e outras. Ao lembrar as datas comemorativas, os clientes lembram que precisam comprar presentes.

2º Lista de transmissão.

A lista de transmissão é uma forma rápida para enviar mensagens individuais para um grupo pré selecionado. Os destinatários recebem de forma individual. O uso de grupos não é aconselhado para uso profissional.

3º Só envie mensagens se o motivo for válido e de interesse de quem irá receber.

Se o uso é para relacionamento, a mensagem tem que de alguma forma parecer personalizada. Uma das dicas é criar a lista de transmissão separando os clientes pelo sexo, masculino e feminino. Desta forma, você poderá começar a frase, por exemplo com “Boa dia Senhor!” ou “Bom dia, Senhora!”.

4º Texto profissional.

Cuidado com o uso de gírias, “memes”, assuntos polêmicos, imagens e outros. O texto deve ser profissional e isso não quer dizer formal. Antes de enviar leia duas ou mais vezes e peça para um colega também ler e revisar, além de sugerir mudanças. Escreva da forma como o desejado pelo perfil dos seus clientes.

5º Foco no objetivo.

O objetivo principal do relacionamento via aplicativo é manter o cliente informado sempre com foco em possibilidades para vir pessoalmente na sua loja, empresa ou consultório. Fidelizando os clientes através de uma interação fácil e ágil e que todos estão conectados.

6º Faça como os Vendedores Coach.

O Vendedor Coach não vende, ajuda os clientes a comprarem. Trazendo informações de interesse dos clientes, quando eles precisarem comprar algo, eles irão tomar a iniciativa. Por exemplo um escritório de advocacia que mantem os clientes informados sobre mudanças nas leis, precauções para evitar problemas futuros entre outros, quando o cliente precisar de ajuda irá procurar o escritório através do WhatsApp – pela facilidade e também pelo relacionamento. A venda é consequência.

7º A comunicação é uma mão de duas vias – vai e volta.

Esteja preparado para responder as mensagens enviadas. Tenha um profissional preparado e pronto para atender os clientes via aplicativo. Quando recebemos uma mensagem interessante e do nosso interesse, respondemos agradecendo ou perguntando mais sobre o assunto. Alguns clientes irão compartilhar esse conteúdo, então, insira no meio da mensagem ou na assinatura o nome da sua empresa.

É preciso fazer diferente para fazer a diferença! Os clientes querem ser surpreendidos.

Sobre Jaques Grinberg: É empreendedor, coach, palestrante, consultor e sócio em quatro empresas.

Luiz Gonzaga Bertelli – Oportunidades aos deficientes

Luiz Gonzaga Bertelli* 

Nos últimos anos, as pessoas com deficiência ganharam mais oportunidades no mercado de trabalho, principalmente pela Lei de Cotas que determina a contratação por parte das empresas. Em um primeiro momento, as corporações mostraram preocupação quanto à qualificação dessa mão de obra, que, muitas vezes, não conseguiam completar os estudos devido à falta de acessibilidade e instrumentalização pedagógica própria nas escolas. Mas na prática, o que se viu foi uma turma cheia de vontade e dedicação, que demonstrou ter plenas condições de participar do mercado de trabalho.

Para resolver o problema da falta de capacitação, o CIEE, com sua experiência de 52 anos na inserção de jovens no mercado de trabalho, criou o programa CIEE para Pessoas com Deficiência, que vem, a cada ano, treinando pessoas para várias funções no mundo corporativo. Sabendo da atenção especial que o CIEE tem para com os profissionais com deficiência, empresas procuraram a instituição para formular programas especiais de formação profissional, com treinamentos específicos – como nas áreas de informática e administrativa, por exemplo. Entre as grandes empresas que possuem projetos desse porte com o CIEE, estão a TAM Linhas Aéreas, a Bauducco e a Embraer.

Em 2015, o CIEE intermediou a contratação de 1,2 mil jovens com deficiência como estagiários ou aprendizes em empresas pelo país. O número de beneficiados é 25% superior ao ano de 2014, quando foram inseridas 988 pessoas no mercado de trabalho. Além de realizar uma verdadeira ação social, dando oportunidades reais de cidadania para essas pessoas, o CIEE ainda colabora com as empresas que necessitam cumprir as cotas exigidas pela legislação.

Pelo estágio e aprendizagem, as empresas têm a oportunidades de qualificar as pessoas com deficiência para que possam adquirir habilidades adequadas às suas funções corporativas. Os participantes dos programas, por sua vez, recebem capacitação prática e a chance real de se inserir no mercado de trabalho com mais qualidade.  Importante lembrar que em alguns estados, como em São Paulo, os aprendizes fazem parte tanto das cotas de deficientes como da própria aprendizagem. O jovem que participa do estágio ou do Aprendiz Legal – programa de formação profissional numa parceria CIEE e Fundação Roberto Marinho – não perde o benefício de Prestação Continuada (BCP), um estímulo concedido pelo governo para que pessoas com deficiência busquem se preparar para o mundo laboral. O programa do CIEE é mantido há 17 anos e já inseriu mais de 15 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).