segunda-feira , 23 de outubro de 2017
Home / Artigos (page 10)

Artigos

Raimundo Carlyle – Alcaçuz e a tese de Malthus

Por Raimundo Carlyle, Juiz de Direito, TJRN.

A “bomba” malthusiana explodiu no sistema carcerário brasileiro. O economista britânico Thomas Malthus, autor de uma teoria populacional, desenvolveu um experimento para provar sua tese colocando ratos dentro de uma campânula de vidro transparente, observando que a medida que a população de ratos crescia, eles passavam a comer uns aos outros. Filmes com Guerra Mundial Z tem retratado isso com os zumbis.
Ora, no sistema penitenciário brasileiro – há décadas sem investimentos apropriados – a guerra de facções nada mais é que uma prova da tese malthusiana. Milhares de presos confinados e concentrados em ínfimos espações físicos acabam por “comer uns aos outros”. Não é à toa que doenças como tuberculose, sífilis, aids, DSTs de forma geral, proliferam sem controle dentro dos presídios brasileiros. Não é preciso ser especialista em sistema penitenciário para constatar que o modelo atual adotado faliu.
O Rio Grande do Norte também sofre as consequências do descaso governamental com o cárcere. Detentos são criminosos que estão cumprindo penas, portanto devem ter assegurada a dignidade humana a todos devida. Custodiados em verdadeiras masmorras medievais, com tráfico de drogas livre, corrupção de agentes públicos noticiada, ordenando crimes dentro e fora das penitenciárias, eles sucumbem à fera interior que habita todos os seres humanos.
Não interessam os argumentos que são criminosos pérfidos, a obrigação estatal se mantém hígida na proteção dos seus direitos de ser humano, apesar de se comportarem como verdadeiras “feras”. Nem é preciso citar a Constituição Federal ou a Lei de Execuções Penais como argumento de autoridade.
Também não vale argumentar que detentos custam mais caro que estudantes, como constatou a ministra presidente do STF, Carmen Lúcia. O economista Gary Becker já desmistificou a tese de que criminosos soltos custam menos que os detentos à sociedade. Criminosos em liberdade custam mais à sociedade do que os detentos porque, livres, praticam mais crimes, especialmente quando os investimentos sociais e em educação não impedem a proliferação do aumento da população carcerária, que dobrou na última década no Brasil.
Ou seja, o problema é mesmo a falta de investimentos em presídios modernos, seguros, operacionalmente eficientes, em mão de obra qualificada, em meios físico-estruturais que impeçam fugas, motins, rebeliões, com monitoramento por câmeras, celas individuais que abram e fechem eletronicamente, classificação de presos por tipo de delito etc., exigindo-se para isso um novo modelo de sistema penitenciário, onde os presídios não sejam encarados como “universidades do crime”, e as masmorras medievais sejam substituídas por cárceres dignamente humanos, possibilitando que as “feras” sejam reeducadas pelo cumprimento da pena e voltem à liberdade sem terem se tornado “animais” ainda mais ferozes. É preciso humanizar os humanos para que eles saibam que são humanos.
E não estou pregando aqui regalias (eles já as tem por meio da corrupção dentro do sistema) ou confortos que nem os internos hospitalares detém ou comida de melhor qualidade que aquela servida nos restaurantes populares, mas que humanos sejam tratados como humanos, e que detentos recebam do Estado a tutela merecida, com rigor, ordem, mas com tratamento humano digno do ser humano.
O domínio dos presídios pelas denominadas facções precisa ser combatido, eliminado, mostrando que o Estado mantido pela sociedade comanda, executa, resguarda, protege e pune com eficiência. Não é preciso “negociar” com o crime, mas combate-lo.

Júlio César Cardoso: Novo Secretário Nacional da Juventude

“O advogado Francisco de Assis Costa Filho foi nomeado nesta quinta-feira novo Secretário Nacional da Juventude, mesmo respondendo a processo por enriquecimento ilícito e improbidade administrativa. O novo secretário teve os bens bloqueados para garantir o ressarcimento de desvios estimados em suposto esquema de funcionários fantasmas no valor de R$ 2.978.406, 88. Assis Filho é afilhado político do senador João Alberto (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética e braço direito do ex-presidente José Sarney e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).”

O país em matéria de ética e moralidade pública está na UTI. Tanta gente trabalhadora, proba e de formação técnica e cultural existe, e os governos sempre estão indicando mequetrefes e apaniguados de políticos para  as pastas governamentais? E o pior: dando emprego político a elementos sem ficha ilibada ou que esteja com pendência na Justiça.

Este Brasil, maltratado por políticos inescrupulosos e crápulas e hoje mergulhado na sua pior história de corrupção (LAVA-JATO), é muito forte para suportar os ratos, os abutres, as velhas e as novas raposas políticas, que conspurcam a imagem da nação.

Rui Barbosa já denunciava o caráter corrompido do político nacional há muito tempo: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

Pois bem, quando a gente pensa que da juventude política brota alguém com predicados éticos e morais, eis a decepção ao saber que o apadrinhado das velhas raposas políticas maranhenses – João Alberto e José Sarney – é elemento já envolvido em procedimentos ilícitos.

Assim, é com este prontuário negativo do novo Secretário da Juventude que o governo Michel Temer pretende dar ar de seriedade ética e moral ao seu governo? Torço por Michel Temer, mas não posso aceitar a indicação de Assis Filho, o que só fortalece a oposição para criticar o governo.

Júlio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal aposentado.

Paiva Netto: À procura de equilíbrio

 

Agora, mais do que nunca, torna-se imprescindível a vivência do Amor Solidário Divino, porque ele é o único capaz de afastar da Terra as trevas do crime, da miséria e da dor quando compreendido e desempenhado — em todo o seu poder compassivo, justo e, portanto, eficaz —, não somente pela Religião, mas também pela Política, pela Ciência, pela Economia, pela Arte, pelo Esporte, pelos relacionamentos internacionais, pelo trabalhador mais simples e pelo mais projetado homem público.

Na verdade, o ser humano, sabendo ou não, procura instintivamente o equilíbrio, que só pode advir do exercício da Fraternidade, a grande esquecida — como lamentava Dom João Bosco (1815-1888) — da trilogia da Revolução Francesa (Liberté, Égalité, Fraternité), tanto que sua posição é a final do lema reformista, quando deveria ocupar a vanguarda deste. Por isso deu no que deu, com tanta gente guilhotinada. (…)

Não foi sem motivo que o notável escritor Victor Hugo (1802-1885) declarou: “Sem Fraternidade não pode haver Paz”.

Só se constrói a Paz com tolerância

O inspirado vate francês está corretíssimo. Portanto, não abdiquemos
das medidas práticas para a edificação dessa nova e fraterna sociedade, pois, como revela o Espírito dr. Bezerra de Menezes (1831-1900), pela psicografia de Chico Periotto: “A Paz, a tão desejada Paz, é o sonho de todos, do Mundo Espiritual e da Terra. Apenas se constrói a Paz com tolerância. É impossível acreditarmos que o caminho da guerra, do ódio e da violência possa gerar Paz verdadeira. Mas o mundo trilha caminhos inesperados. Logo, é realmente importante exercitarmos o caminho do Ecumenismo e da confraternização entre os países”.

José de Paiva Netto é jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com 

Paiva Netto: Em louvor à Paz

Mundo em guerra, ou melhor, mundo sempre em guerra. Então, é igualmente o momento de falar na Paz e de lutar por ela, sem descanso, até que seja alcançada, incluída a paz no trânsito, em que os desastres vitimam tanta gente. Um dos perigos que a Humanidade atravessa é a vulgarização do sofrimento. De tanto assistir a ele pela necessária mídia, parcela dos povos pode passar a tê-lo como coisa que não possa ser mudada. Eis o assassínio da tranquilidade entre pessoas e nações quando se deixam arrastar pelo “irremediável”. Ora, tudo é possível melhorar ou corrigir nesta vida, como no exemplo de Bogotá.

Se, pelo massacre das notícias trágicas, as famílias se acostumarem ao absurdo, este irá tomando conta de suas existências.

Se não nos é possível evitar a Terceira Guerra Mundial, fruto da semeadura de milênios de loucuras humanas, não desejamos o remorso de não ter feito o possível e o impossível para lembrar ao mundo a Paz de Deus. Por todos os meios e modos, contrapomo-nos, há muito, ao ditado latino “Se queres a Paz, prepara-te para a guerra” (“Si vis pacem, para bellum”), proclamando o espírito que inspirou Rui Barbosa (1849-1923), o corajoso Águia de Haia, quando disse: “Se queres a Paz, prepara-te para a Paz”.

Do meu livro Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987):

Num futuro que nós, civis, religiosos e militares de bom senso, desejamos próximo, não mais se firmará a Paz sob as esteiras rolantes de tanques ou ao troar de canhões; sobre pilhas de cadáveres ou multidões de viúvas e órfãos; nem mesmo sobre grandiosas realizações de progresso material sem Deus. Isto é, sem o correspondente avanço espiritual, moral e ético. O ser humano descobrirá que não é somente sexo, estômago e intelecto, jugulado ao que toma como realidade única do mundo. Há nele o Espírito Eterno, que lhe fala de outras vidas e outros mundos, que procura pela Intuição ou pela Razão. A paz dos homens é, ainda hoje, a dos lobos e de alguns loucos imprevidentes que dirigem povos da Terra.

A Paz, a verdadeira Paz, nasce primeiro do coração limpo do ser humano. E só Jesus pode purificar o coração da Humanidade de todo ódio, porque Jesus é o Senhor da Paz. E Ele próprio, como tantas vezes lembrou Alziro Zarur (1914-1979), o saudoso Fundador da Legião da Boa Vontade, afirma: “Eu sou a Árvore, vós sois os ramos; sem mim nada podereis fazer. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie. Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo. Eu não vos deixarei órfãos. Novo Mandamento vos dou: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. Ninguém tem maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos”. (Evangelho de Jesus, segundo João, 15:5, 14:1 e 18, 13:34 e 35 e 15:12 e 13).

Deve haver um paradigma para a Paz. Quem? Os governantes do mundo?! Todavia, na era contemporânea, enquanto se põem a discuti-la, seus países progressivamente se armam? Tem sido assim a história da “civilização”… “Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?” (Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?).

Que tal experimentá-lo?

A LBV humildemente faz uma sugestão: o planeta quer viver em Paz? Então se inspire e viva os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Senhor da Paz, a ponto de dizer: “Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar”. (Evangelho do Cristo, segundo João, 14:27). Quer dizer: essa Paz existe, não é uma utopia. Negá-la é negar Jesus, menosprezar a civilização. Cumpre ao ser humano achá-la, enquanto há tempo.

A Paz de Deus pode parecer aos derrotistas algo longínquo, de tão bela… Entretanto, eliminar esse fosso depende unicamente de nós. Não será por parecer distante que devamos deixar de buscá-la. Pelo contrário, trabalhemos por ela — Já! São os grandes desafios o nosso maior amigo, pois nos impedem de desistir da Vida. Eia, pois, em frente, porque Deus Está Presente!

Todos estão profundamente preocupados com a selvageria que campeia na Terra, à cata de uma solução para pelo menos diminuir a violência, que saiu dos lugares ocultos, das madrugadas sombrias, ganhou as ruas e os lares, pois invadiu as mentes. Contudo, hoje, cresce o entendimento de que, se há violência, não é só problema dos governos, das organizações policiais, marcantemente, porém, um desafio para todos nós, sociedade. Se ela saiu da noite escura e mostrou-se à luz do dia, é porque habita o íntimo das criaturas. Existindo nas almas e nos corações, se fará presente onde estiver o ser humano.

É preciso desativar os explosivos que perduram nos corações.

Debate-se em toda a parte a brutalidade infrene e fica-se cada vez mais perplexo por não se achar uma eficiente saída, apesar de tantas teses brilhantes. É que a resposta não está longe, e sim perto de nós: Deus, que não é uma ilusão. Paulo Apóstolo dizia: “Vós sois o Templo do Deus Vivo” (Segunda Epístola aos Coríntios, 6:16). Ora, João Evangelista, em Sua Primeira Epístola, 4:16, por sua vez, asseverou que “Deus é Amor”. Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pelos milênios, vem pacientemente ensinando e esperando que, por fim, aprendamos a viver em comunidade. Trata-se da perspectiva solidária e altruística nascida do Seu coração, firmada no Seu Mandamento Novo: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros” (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 35), a Lei da Solidariedade Espiritual e Humana, sem o que jamais este Planeta conhecerá a justiça social verdadeira.

Sem Amor Fraterno, nunca conheceremos a Paz.

Conforme escrevi em Reflexões da Alma (Editora Elevação, página 122), a Paz desarmada jamais resultará apenas dos acordos políticos, todavia, igualmente, de uma profunda sublimação do espírito religioso. Como grandes feitos muitas vezes têm suas raízes em iniciativas simples, mas práticas e verdadeiras, de gente que, com toda a coragem, partiu da teoria para a ação, com a força da autoridade de seus atos universalmente reconhecidos, valhamo-nos deste ensinamento de Abraão Lincoln (1809-1865): “Quando pratico o Bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião”. Ora, ninguém nunca poderá chamar o velho Abe de incréu.

 José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com 

 

Wilson Bezerra de Moura – QUANDO O AMANHÃ CHEGAR

Para todos nós é motivo de constrangimento saber que o principio democrático de que tanto pregamos não passa de uma mera ilusão um equivoco constrangedor. Os poderes executivo, Legislativo e judiciário a pirâmide da democracia, parece trincados em suas liberdades de ação. O legislativo seus participes envolvidos em roubalheiras e escanda-lo que abala a sociedade em todos os sentidos.  Por outro lado o descumprimento de qualquer determinação judicial assinala que nenhum dos poderes convive em paz e harmonia como manda a norma. O descumprimento de qualquer decisão é desmoralizante e contraditório aos princípios morais, como no caso do STF, descumprimento á sua  liminar caracteriza não existir a harmonia desejada  muito menos democracia.

O quadro da política nacional esta bem claro que sofre as piores consequências com o estado de corrupção que assola a vida publica. E quando a empreiteira Odebrecht anunciou que está de posse de mais ou menos duzentos nomes para delação premiada á olho nu a coisa passara a tomar novos rumos. Sim senhor novos nomes surgirão no cenário de falcatruas, apesar destes já serem elementos suspeitos mais agora vieram a se tornar realidade mais uma vez tumultua por todos os modos a vida politica nacional, entre os nomes estão   o Senador Renan, por sinal com inúmeros processo em  suas costas  o próprio Presidente Temer quando ainda vice Presidente da Republica, qualquer que seja  o crime não perde a validade, em qualquer circunstancias, o  crime ontem, hoje e amanhã portanto responde por ele em qualquer tempo o seu autor.

Piedade Senhor, intercedei pelo povo brasileiro que se meteu nessa encruzilhada do crime para sua infelicidade por todo o tempo. Além dos já denunciados, outros virão e consequentemente mais nomes serão revelados é que, enfim, o cordão dos desonestos cada vez aumenta mais. Pelo visto e pelo que se conclui quando a manhã chegar o que nos resta é amarrar a boca do saco e jogá-lo nas profundezas do mar onde o fluxo e refluxo não os tragam de volta e o mergulhe na mais profunda desgraçada  de uma história negra e indesejável.

Tomislav R. Femenick: Congresso ruim? Por seria sem ele

A mais marcante característica das sociedades democráticas no mundo atual é a existência dos partidos políticos, muito embora esta seja uma das muitas heranças da Grécia clássica, passada pela Roma Antiga e aperfeiçoada pela Revolução Francesa e pela prática inglesa do século XVIII. Partindo do FATO “associação de pessoas com os mesmos ideais e objetivos”, chegou-se ao CONCEITO de “organizações sociais que se fundamentam numa concepção política e que visam alcançar o poder”. Foi nessa base ideal que os partidos políticos se organizaram no ocidente e em outros países, principalmente depois da segunda guerra mundial.

Na história mais recente do Brasil já tivemos agremiações políticas assim estruturadas: partidos do pós-guerra, durante a ditadura militar (a Arena defendia os militares e o MDB queria a sua saída do poder) e, mesmo agora, ainda há sobreviventes; poucos, mas há. Atualmente existem 35 partidos políticos e 56 outros estão sendo organizados. Todavia o que os caracteriza é uma total falta de ideais. As legendas de mais destaque eleitoral só buscam o poder para dele tirar proveitos para seus dirigentes e apaniguados. As que têm participação média se compõem com as que estão no poder para dele tirar um naco, uma fatia que seja. Já as menores fazem figuração, buscam participar do fundo partidário (dinheiros dos impostos que nós, o povo, pagamos) e vender tempo na propaganda eleitoral gratuita na TV e nas rádios. Grandes, médios ou pequenos querem uma parte do caixa 2 e das propinas. Nelson Rodrigues – o grande cronista e dramaturgo do cotidiano nacional – já dizia que nós brasileiros somos capazes de desmoralizar tudo. Pois bem, conseguimos desmoralizar a democracia.

São os integrantes desses partidos que fazem as Leis do país; geralmente pessoas descompromissadas com os interesses do povo, da nação e das instituições; graças a Deus nem todas. O quadro é dantesco, pavoroso mesmo. O meu avó já dizia que o que sai do esgoto é sujeira, que da pocilga só sai excrementos e porcos. Nunca, nunca mesmo, saem perolas. Bem, é na mão desse Congresso que estamos – Câmara e Senado onde a maioria só pensa em si, não se importando a quem prejudicar. Mas há uma pergunta que não se cala: quem é o responsável pela baixa qualidade dos elitos para representar o povo? Ora, não há como evitar a resposta: somos nós o povo, que os elegemos. Todos os descarados, sem vergonhas, velhacos e ladrões da honra alheia que estão lá, E lá estão porque o povo brasileiro votou neles.

Mas poderia ser pior. Pior como? – alguém há de se perguntar. “Mais ruim” ainda seria se não existisse o Congresso Nacional, vez que todo poder absoluto vem acompanhado de desonestidade absoluta. Recentemente, alguns idiotas de carteirinha invadiram a Câmara e pediram o fechamento do parlamento e a volta dos militares ao poder. Nem eles, os militares, aceitaram a provocação. Isso é coisa de quem não pensa, não estuda ou é totalmente carente de inteligência. Não nos esquecemos de que foi o Congresso Nacional quem casou o mandato de Dilma (a doida varrida, como dizem a boca pequena alguns de seus colegas do PT), mesmo acrescentando uma meia-sola na Constituição; quem aprovou a PEC do teto dos gastos; quem cassou Eduardo Cunha, Zé Dirceu e seus colegas do mensalão, Vaccari Neto e companhia bela.

Cabem ao povo brasileiro duas atitudes que poderiam mudar os nossos hábitos como cidadãos. Primeiro, cobrar dos atuais deputados e senadores uma maior postura cívica, mais empenho na defesa dos interesses públicos e, por que não, mais trabalho e menos gastos das verbas oriundas dos impostos que são pagos com o suor de quem realmente trabalha duro para sustentar a família, pagar planos de saúde (já que a saúde pública é ineficiente), pagar escola para os filhos (já que o ensino público não atende a todos), para seguro (já que a segurança pública não existe) e pagar impostos. Segundo, deixar de ser abestado e não mais votar naqueles que somente enganaram ao povo com lábias afiadas, tapinhas nas costas e promessas que nunca cumprem, bem como os que se credenciam por seres artistas, esportistas, parentes de políticos já famosos, participantes de reality shows – a lista é grande de mais para ser citada.

Tomislav R. Femenick – Historiador, membro da diretoria do IHGRN.

Tribuna do Norte. Natal, 29 dez. 2016.

Júlio César Cardoso: Delação premiada, Odebrecht e demais empreiteiras

A Odebrecht e todas as empreiteiras envolvidas na Lava-Jato, uma vez comprovadas as suas ilicitudes, deveriam ser banidas de prestar serviços ao setor público.

Não basta a delação premiada em que o delator recebe vantagem em troca de informações, tais como substituição, redução ou isenção da pena, mesmo que a delação resulte em recuperação total ou parcial do produto do crime. É necessário mais: que em casos de empresas privadas – que tenham atuado de forma ilícita junto aos órgãos ou agentes públicos – estas fiquem, no cadastro vermelho nacional, impedidas de manter quaisquer operações com os órgãos públicos, em respeito à moralidade pública de que trata o Art. 37 constitucional.

E, nos casos em que somente as empresas nacionais impedidas reúnam condições técnicas para a realização de obras e serviços públicos, deverão ser convocadas empresas do exterior para participar de processo de licitação correspondente.

Assim, com delação ou sem delação premiada, com recuperação total ou parcial do produto do crime, as empresas ou os responsáveis envolvidos judicialmente com as ilicitudes deveriam ficar impedidos para sempre de trabalhar com a administração pública direta, indireta ou fundação, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e isso deveria constar de lei.

Júlio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-SC.

Como economizar na compra do material escolar

Reinaldo Domingos *

Para quem tem filhos, um dos maiores gastos no início do ano é com a compra do material escolar. Mas, devido à falta de educação financeira, as despesas se acumulam e as famílias se perdem em meio a tantas contas para pagar, muitas vezes, ultrapassando o limite de seu orçamento financeiro.

A maior dúvida é como economizar sem ter que abrir mão de obter os itens que as crianças necessitam. Para começar, sempre recomendo que pensem o quanto precisam trabalhar para conseguir o seu salário. A partir daí, fica fácil valorizar esse dinheiro, aprendendo a pesquisar preço e, principalmente, a negociar os valores das compras.
Então, o primeiro passo é realizar um diagnóstico da vida financeira da família, para saber exatamente quais são os ganhos e gastos mensais e quanto poderá dispor para a aquisição do material escolar. É fundamental ir às compras com antecedência para não precisar ser obrigado a pagar mais caro de última hora. Elaborei algumas orientações sobre o assunto. São elas:
1.         Procure conversar com outros pais e tentar fazer a compra em conjunto, pois, assim, a probabilidade de conseguir preços menores aumenta;
2.         Junte o material escolar do ano anterior e veja a possibilidade de reutilizá-los. É possível ainda reaproveitar livros didáticos do filho mais velho para o mais novo, se for o caso. Se não der, faça uma boa ação e doe o material para crianças ou jovens de famílias que não possuem condições de comprá-los;
3.         Faça uma lista do que se precisa comprar, para não se perder e acabar rendendo-se aos impulsos consumistas, deixando de economizar;
4.         Converse com os filhos antes de sair às compras, explicando a situação em que a família se encontra e quanto poderão gastar com os materiais. Caso contrário, será muito fácil ceder aos desejos deles e, com isso, gastar mais do que o planejado;
5.         Quando estiver na loja, seja sincero e explique ao vendedor de forma clara o que você precisa, buscando sempre a melhor opção de pagamento. Sempre pergunte quanto aquele produto custa à vista? Isso proporcionará bons descontos. Se tiver que pagar a prazo, veja se as parcelas caberão no orçamento mensal.
Comprar materiais escolares requer cuidados, mas o investimento vale à pena, pois é o que dará a base necessária para os estudos. Preocupar-se em economizar sem deixar de proporcionar o que a família precisa faz parte do processo de educação financeira. Passe esses ensinamentos aos pequenos, pois, se aprenderem agora, se tornarão adultos mais conscientes e saudáveis financeiramente. Boas festas e bom início de ano a todos!

* Reinaldo Domingos é doutor e mestre em educação financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira, autor do best-seller Terapia Financeira, do lançamento Mesada não é só dinheiro, e da primeira Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.

Se organize para pagar IPVA e IPTU em janeiro

Reinaldo Domingos *

Dois dos gastos que mais “atrapalham” a vida financeira dos brasileiros são o IPVA e o IPTU, mas não precisa ser assim. O grande erro está em não programar seu pagamento com antecedência. Como a maioria das pessoas não traçam um planejamento anual, acabam começando um ano novo com dificuldades financeiras, já que no período há também gastos com matrícula e material escolar, entre outros.

Uma dúvida muito comum em relação ao IPTU e ao IPVA é sobre a condição de pagamento: é melhor à vista ou a prazo? Antes de ter essa resposta, é preciso saber em que situação financeira você se encontra: endividado, equilibrado financeiramente ou investidor.

Se for a primeira ou segunda opção, dificilmente conseguirá fazer o pagamento à vista, restando o caminho do parcelamento. Lembrando que se deve evitar ao máximo recorrer a empréstimos, limites do cheque especial ou qualquer outra maneira de crédito do mercado financeiro, pois isso apenas se tornaria uma bola de neve, devido aos juros altíssimos cobrados.

Agora, caso a situação financeira esteja mais confortável, sendo investidor, recomendo, sem dúvida nenhuma que o pagamento seja feito à vista, já que obterá 3% de desconto no IPVA e 6%, em média, no IPTU. Mas é importante ficar atento aos compromissos futuros; muitas pessoas se deixam levar pelo bom desconto e acabam esquecendo que haverá outras contas a serem pagas naquele mesmo mês ou nos próximos. De que adianta pagar à vista e conseguir desconto em uma despesa e não ter dinheiro suficiente para quitar as outras?

Isso nos leva a outro importante aspecto da educação financeira: ter reserva financeira. Isso evita problemas como esse e nos deixa mais seguros, em caso de imprevistos. Enfim, com planejamento, é possível terminar e começar o ano com segurança de uma vida financeira saudável e muitas realizações.

* Reinaldo Domingos é doutor e mestre em educação financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira, autor do best-seller Terapia Financeira, do lançamento Mesada não é só dinheiro, e da primeira Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.

Mega-Sena da Virada: mude de vida mesmo se não ganhar

Reinaldo Domingos *

As lotéricas daqui a pouco estarão lotadas, com filas enormes, por causa da Mega-Sena da Virada, que, neste ano, premiará R$ 200 milhões ao ganhador. Muita gente aposta não só dinheiro, mas também a esperança em ganhar essa quantia de dinheiro e resolver, de uma vez por todas, a vida financeira.

Embora a situação seja de euforia, é preciso cautela. Fazer “uma fezinha”, destinando pequenos valores para esta finalidade, faz parte da brincadeira e é divertido. No entanto, há pessoas que se tornam “viciadas” em apostar, o que, ao invés de ajudar, atrapalha – e muito – as finanças pessoais.

O grande erro é achar que a única forma de se tornar independente financeiramente é por meio da sorte. Chegar a uma fase da vida em que não precisa mais trabalhar por necessidade, apenas por prazer, é um mérito de quem busca se educar financeiramente, planejando-se para alcançar esse objetivo.

Na educação financeira, a pessoa aprende a ter sonhos materiais que serão realizados e entre estes sempre deverá estar o da independência financeira. Na Metodologia DSOP, dividimos os sonhos em: curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo prazo (mais de dez anos). Se tornar sustentável financeiramente deve ser um objetivo de longo prazo, porém, para atingir, o início deve ser imediato.

Em uma aposta da Mega-Sena da Virada, a chance de acertar todos os seis números é de uma em 50.063.860, segundo os dados oficiais da Caixa Econômica Federal. Por outro lado, apostando na educação financeira, para se tornar sustentável financeiramente depende só de você.

Para isso, o caminho deve ser o contrário do que normalmente fazem: ao receber seus rendimentos, a pessoa já deve, imediatamente, separar uma parte para os seus sonhos. Com isso, não haverá risco de cair nas tentações do consumo e não sobrar dinheiro para poupar.

Também é fundamental que se saiba exatamente os valores desses sonhos, descobrindo, assim, o quanto deverá guardar mensalmente para cada um. O tipo de aplicação que deverá feito para realização dos sonhos também dependerá do tempo que pretende realizá-los. Para uma aposentadoria sustentável financeiramente, é preferível aplicações de longo prazo, como uma previdência privada ou título do tesouro direto.

Enfim, o problema não é apostar, mas não ter consciência desses atos e apostar o seu futuro nisso. Se quiser realmente ter chances de ter o dinheiro para sua segurança financeira o caminho é ter sonhos e buscar educar-se financeiramente.

* Reinaldo Domingos é doutor e mestre em educação financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira, autor do best-seller Terapia Financeira, do lançamento Mesada não é só dinheiro, e da primeira Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.