sexta-feira , 15 de dezembro de 2017
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País sem memória ou de eleitores irresponsáveis – Júlio César Cardoso

Se o país não tiver memória para lembrar  que a administração petista quase levou o Brasil à bancarrota, em mais de 13 anos de governo, então, que  se eleja novamente Lula e seus asseclas.

Não se deve esconder a cabeça como avestruz. O governo petista deixou mais de 13 milhões de desempregados e endividados, empresas fechadas, causou o retorno  da inflação, provocou o descrédito internacional, loteou as instituições públicas entre a  pelegada incompetente, saqueou e quase destruiu a Petrobras, e, nesse período, ocorreu o enriquecimento ilícito de Lula, comprovado pela Lava-Jato, que desmascarou o falso demiurgo, já condenado a 9 anos e 6 meses da prisão e a caminho  da segunda condenação.

Grande parcela de jovens sonha  hoje em ir embora do país, decepcionados com o alto grau de corrupção política, que impede o seu desenvolvimento e que sustenta a riqueza de Lula e de outros mequetrefes políticos, agarrados ao poder e às benesses públicas. E, não obstante isso, ainda existe gente favorável ao retorno de Lula ao poder? Um político desmascarado pela Lava-Jato, Odebrecht, OAS e mais recentemente por seu amigo e homem forte do governo petista, Antônio Palocci.

Não tenho bandeira partidária, o meu partido é o BRASIL sem corrupção política. Ainda espero que LULA, DILMA, TEMER, AÉCIO, RENAN, JUCÁ, GLEISI, LOBÃO, COLLOR, SARNEY, MALUF e outros indignos políticos sejam devidamente sentenciados a passar um bom tempo na cadeia e indenizar a nação pelos prejuízos provocados.

O cenário político é o pior possível: muita corrupção. Até um ex-presidente da República é condenado pela Justiça e caminha célere para a segunda condenação. O atual presidente, por manobra encardida, escapou de ser julgado pelo STF. No Rio de Janeiro, três ex-governadores estão presos. Assim, sem outra intervenção para resgatar o amor à Pátria e a moralidade política, o Brasil não sairá do impasse  em que se encontra.

Júlio César Cardoso – Bacharel em Direito e servidor federal aposentado.

Balneário Camboriú-SC

Reforma da Previdência Social sem laudo de auditoria – Júlio César Cardoso

Sem abrir a caixa preta da Previdência Social para se conhecer de forma transparente como o dinheiro previdenciário foi administrado até hoje e, por outro lado, sem apresentar documento de auditoria atestando a situação da Previdência, o governo tenta resolver o ajuste fiscal através da reforma da Previdência Social.

Pois bem. Não há dinheiro para manter a saúde da Previdência Social, mas para bancar os gastos de Brasília, a fonte pública mostra-se inesgotável.

Vejamos. A ilha da fantasia Brasília é um buraco negro por onde grande parte do dinheiro público some. O governo não reduz a quantidade de ministérios. Não dá demonstração de austeridade nos gastos públicos. As mordomias com ministros, parlamentares e servidores do alto escalão estão estampadas nas residências, nos carros e nas viagens às suas disposições. Os gabinetes de parlamentares e de suas representações amparam contingente enorme de servidores sem concurso público.

O Senado oferece aos senadores, ex-senadores e familiares serviços médicos e hospitalares gratuitos e de forma definitiva. E, a par de tudo isso, o governo ainda tem a pachorra de querer ferrar os servidores ativos, inativos e pensionistas e de pregar que quem é contra a reforma é porque não quer perder privilégio? Mas os privilegiados estão todos encastelados no Planalto, onde o dinheiro do país jorra como água.

No governo Lula, os aposentados e pensionistas foram atropelados com a cobrança de 11% de seus proventos e pensões. Agora, esses mesmos aposentados e pensionistas são ameaçados por outra reforma.

Por acaso, os parlamentares favoráveis à reforma da Previdência conhecem o suposto déficit previdenciário com base em laudo de auditoria? Ou se baseiam apenas em dados fornecidos pelo governo?

Não se pode ignorar que R$ 426 bilhões devidos por empresas ao INSS representam quase o triplo do déficit anual calculado pelo governo: R$ 149 bilhões. Entre as devedoras estão as maiores empresas do país, como Bradesco, Caixa, BB, JBS, Itaú, Santander, Valle. Vejam, por exemplo:
– Itaú/lucro/2016: R$ 6 bilhões. Dívidadorcom Previdência: R$ 88 milhões
– Caixa/lucro/2016: R$ 4 bilhões. Dívida com Previdência: R$ 550 milhões
– BB/lucro/2016: R$ 3 bilhões. Dívida com Previdência: R$ 208 milhões
– Bradesco/lucro/2016: R$ 16 bilhões. Dívida com Previdência: R$ 465 milhões
Fonte: Sindilegis.

O relator da CPI no Senado concluiu que a Previdência Social não é deficitária, e aí? Assim, como se pretende endossar uma reforma previdenciária alicerçada apenas em dados fornecidos pelo governo e não em laudo de auditoria?

O Banco Mundial recomenda a reforma. Mas a instituição, certamente, não conhece como o dinheiro previdenciário foi administrado pelos diversos governos. O trabalhador ativo, inativo e pensionista não pode ser penalizado pela má administração política da Previdência Social.

Portanto, sem apresentação de laudo de auditoria atestando o déficit previdenciário, a reforma carece de credibilidade.

Júlio César Cardoso. Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

Pe. Cornélio Rodrigues – Reflexão para o II Domingo do Advento (Marcos 1,1-8)

Por Pe. Francisco Cornélio Rodrigues.

Neste segundo domingo do advento, a liturgia nos convida a ler e refletir os primeiros versículos do Evangelho segundo Marcos: 1,1-8. Se trata de um texto bastante rico e profundo. Como o advento é, para a liturgia, o tempo por excelência de preparação para o Natal do Senhor, é importante voltarmos o olhar para o princípio do evangelho, reconhecendo o papel dos personagens que estiveram em tal princípio, como hoje recordamos a figura de João, o Batista.
De maneira única em todo o Novo Testamento, assim Marcos inicia seu escrito: “Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (v. 1). Somente ele intitula sua obra de Evangelho, inaugurando um novo gênero literário. Evangelho (em grego: euanguélion) significa boa notícia, boa nova, notícia agradável. Era uma palavra mais utilizada na esfera política que religiosa. Na verdade, “euanguélion” era a palavra que se usava para anunciar as notícias mais importantes do império, como o nascimento de um filho do imperador e as vitórias em uma guerra ou batalha. Ao utilizá-la para falar dos acontecimentos referentes a Jesus, Marcos se assume como subversivo, afirmando que boa notícia não é o que sai de Roma, através de decretos imperiais, mas o que sai de Nazaré, na vida de um homem simples, corajoso e cheio de amor: Jesus.
Se Marcos se assume subversivo politicamente, aplicando “euanguélion” a Jesus, é nítida também a sua subversão religiosa, ao abrir a “história” de Jesus com a mesma palavra que se abre o Antigo Testamento, com o termo grego “arkhê”, cujo significado mais autêntico é princípio, ao invés de início, como traz o texto litúrgico. O autor quer dizer que a história da salvação tem, em Jesus, um novo princípio, um novo fundamento, desafiando a religião oficial da época, até então, controladora do nome de Deus.
O homem do qual o evangelista irá falar ao longo do evangelho, Jesus, é Cristo, ou seja, messias, e, ao mesmo tempo, Filho de Deus. O termo Cristo (Cristós) é a tradução grega de messias, assim, o evangelista ensina que o tempo da espera acabou: o tão esperado messias libertador de Israel chegou, mas não como tinha ensinado o magistério oficial, ou seja, ele não veio como rei, guerreiro e vencedor, mas simples e pobre, embora não seja preocupação de Marcos narrar o nascimento de Jesus, como fizeram Mateus e Lucas.
Ao afirmar que Jesus é também Filho de Deus, Marcos desafia, ao mesmo tempo, tanto o império quanto a religião da época. Ora, o judaísmo esperava um messias filho de Davi, o qual viria para proteger e libertar somente o povo de Israel; ao denominar Jesus como Filho de Deus, Marcos diz que Jesus veio para a humanidade toda, e não para um povo exclusivo, ao mesmo tempo em que desmascara a religião imperial que cultuava o imperador romano como filho de Deus. Portanto, de modo simples, mas ao mesmo tempo profundo, Marcos enfrenta os dois poderes mais fortes e organizados da época na terra de Jesus: o império romano e a religião oficial judaica.
Até aqui, refletimos apenas sobre o primeiro versículo, o qual funciona como título e introdução geral a todo o Evangelho segundo Marcos. Na continuidade, do segundo versículo em diante, o evangelista apresenta a figura de João, o Batista, e sua missão profética de precursor de Jesus. Para introduzir a missão de João, Marcos recorre à tradição profética: “Está escrito no livro do profeta Isaías: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’ ” (vv. 2-3). Aqui, embora mencione somente Isaías, a citação é, na verdade, uma mescla de Isaías com Malaquias (cf. Ml 3,1; Is 40,3). O objetivo do profeta é assegurar que a missão de João continua e atualiza o profetismo bíblico tradicional, do qual Jesus é o seu verdadeiro cumprimento.
Após a fundamentação bíblico-profética, o evangelista descreve a missão de João e os seus efeitos, dizendo que ele “apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para a remissão dos pecados” (v. 4). Ora, o deserto (em grego: erémos) é o lugar ideal para a relação entre Deus e o seu povo; representa uma etapa no processo de libertação, como aconteceu no primeiro êxodo; por isso, quando o povo demonstrava infidelidade, os profetas apresentavam a necessidade de retornar ao deserto para voltar a viver o ideal da aliança (cf. Os 2,14; 9,10; 13,5; Am 2,10; 5,25). Assim, a presença de João no deserto é um convite para Israel romper com as estruturas vigentes e retornar às suas origens. O batismo de conversão serve como chamada de atenção: todos tem um certo grau de culpa na situação de degradação do país. É necessário que cada um tome consciência de sua responsabilidade na construção de um mundo novo, através da conversão.
A pregação de João, como proposta de libertação, atraía “toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro” (v. 5a). Certamente, o evangelista exagera aqui, mas faz parte de suas intenções teológicas. Com isso, ele está propondo que um novo êxodo estava para acontecer, iniciando com a pregação do Batista e se completando com a missão de Jesus. A antiga terra prometida, principalmente a cidade de Jerusalém, tinha se transformado em terra de escravidão. Dessa vez, não era um faraó o algoz, mas a própria casta sacerdotal do templo. Foi dessa gente que controlava a vida do povo e explorava em nome de Deus que Jesus veio libertar, em primeiro lugar.
A religião institucionalizada era sinal de exploração, abuso de poder. E, de todas as formas de exploração, a pior é aquela que usa o nome de Deus, ou seja, a exploração religiosa. Mais uma vez, a tradução litúrgica omite um dado importante do texto, ao dizer que “os moradores iam” ao encontro de João. Na língua original, o grego, o autor emprega o verbo “ekporêuomai”, cujo significado é sair, libertar-se; por isso, a tradução correta seria “toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém, saíam…”. Saíam porque o julgo da exploração estava pesado demais, e viam na pregação do Batista um sinal de luz e libertação. O evangelista antecipa o projeto do Reino  de Jesus: menos institucional e mais profético.
As pessoas que saíam das antigas estruturas, “confessavam os seus pecados e João as batizava no rio Jordão” (v. 5b). A confissão aqui, não é um rito, mas um reconhecimento do pecado e arrependimento, conforme reza um salmista: “Confessei a ti o meu pecado, e minha iniquidade não te encobri; eu disse: “Vou a Iahweh confessar a minha iniquidade!” (Sl 32,4). Ser batizado no Jordão quer dizer atravessá-lo, passar por ele, como passou o povo do primeiro êxodo; de fato, a travessia do Jordão foi a última etapa da longa caminhada do povo de Deus antes de entrar na terra prometida, já sob a liderança de Josué, após a morte de Moisés (cf. Js 1,2). Assim, a proposta de João é um convite a um novo êxodo, ou seja, uma nova libertação que se aproxima, e só pode participar quem faz a experiência do deserto e da travessia, ou seja, quem passa de uma mentalidade antiga para uma nova.
Além das citações de Isaías e Malaquias, a descrição que o evangelista faz de João também reforça suas credenciais de profeta: “João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo” (v. 7). De fato, Elias, um dos maiores profetas da história de Israel, é apresentado em 2Rs 1,8 com características semelhantes. É mais uma prova de que o verdadeiro profeta é aquele que anuncia com palavras, ações e, principalmente, com o testemunho; a vida simples de João comprova esse testemunho e ainda serve de contraposição à vida opulenta da elite religiosa e política de Jerusalém. Essa descrição funciona como um apelo do evangelista para a comunidade cristã configurar-se como religião profética, combatendo as primeiras tendências de institucionalização do cristianismo.
Até aqui, a pregação de João, como convite à conversão, fora apenas mencionada, mas nenhuma palavra sua fora ainda citada. Eis, então: “Depois de mim, virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vou batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo” (vv. 7-8). Certamente, muitas pessoas confundiam João com o messias, por isso, ele esclarece. Como verdadeiro profeta, sabe que seu papel, na história da salvação é de instrumento de Deus, Aquele que é maior! A referência ao gesto de desamarrar as sandálias costuma confundir bastante as interpretações; mais que um simples gesto de humildade do Batista, é uma referência a Israel como esposa, fazendo uso da lei judaica do levirato: tirar a sandália significava apropriar-se do direito de tomar a mulher (viúva) como esposa (cf. Rt 3,5-11). Assim, João deixa claro que não é ele o esposo, porque essa missão não lhe compete. O direito de fecundar Israel é exclusivo de Jesus, para tornar novamente fértil aquela esposa explorada e tornada estéril pela elite sacerdotal de Jerusalém.
João administrava apenas um rito: o batismo com água, o qual era somente um sinal do batismo por excelência: com o Espírito Santo. Esse batismo é definitivo, é o cumprimento de profecias e condição para o povo de Israel voltar à condição de povo de Deus (cf. Ez 36,24-28), e ao mesmo tempo sinal de universalização da salvação: o Espírito Santo, como superação e substituição da Lei, dará condições, ao ser acolhido, para que todos os povos sejam contemplados com a libertação inaugurada por Jesus.
Somos, então, neste segundo domingo do advento, convidados a rever nossa prática religiosa, e tomar uma decisão, fazendo um êxodo pessoal: abraçar a religião profética, abandonando todas as práticas das antigas estruturas, renovando a maneira de conceber Deus e abrindo-se ao Espírito Santo, dom de Jesus, o balizador por excelência.
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http://porcausadeumcertoreino.blogspot.com.br/2017/12/reflexao-para-o-ii-domingo-do-advento.html
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Para quem quiser aprofundar o EVANGELHO DE MARCOS, acesse este site:-
http://xacute1.com/?p=962
Xavier Cutajar
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Pe. Francisco Cornélio – Reflexão para o I Domingo do Advento

Por  Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues.
Neste domingo, a Igreja inicia mais um ano litúrgico, convidando-nos a, mais uma vez, percorrer o caminho de Jesus Cristo, contemplando e vivendo o mistério da sua vida, morte e ressurreição. Advento é a palavra que designa a primeira etapa do ano litúrgico, cujo sentido literal é vinda ou visita. Trata-se de um tempo especial que a Igreja dedica à preparação para a magnífica celebração do Natal do Senhor, expressão maior da visita definitiva de Deus à humanidade.
Com o início do novo ano litúrgico, iniciamos também a leitura do Evangelho segundo Marcos, porém, não do seu início, mas do seu final, precisamente do seu pequeno discurso escatológico, comparado ao de Mateus. Por isso, o texto proposto para hoje é Mc 13,33-37. O discurso escatológico está presente nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), e trata das realidades últimas e finais da história, antecedendo as narrativas da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
A princípio, parece até paradoxal que a preparação para o natal seja iniciada com palavras sobre as realidades últimas. Porém, é necessário compreender o advento como uma oportunidade de preparação para a vinda constante do Senhor na vida de cada pessoa, tornando essa vinda uma presença, ao invés de apenas alimentar uma expectativa futurista e preparar para uma única data ou evento. É importante também perceber a continuidade do tempo: como nos últimos domingos do ano litúrgico anterior refletimos, a partir do discurso escatológico de Mateus, o tema da vigilância, é também com esse tema que abrimos o novo ano.
O Evangelho proposto consiste nas últimas palavras de Jesus antes do relato da paixão: Mc 13,33-37. É necessário fazer uma pequena contextualização para uma compreensão mais adequada do mesmo. Jesus se encontrava em Jerusalém e, ao sair do templo, os discípulos expressaram admiração a respeito da magnitude do templo; à essa admiração, Jesus respondeu: “não restará pedra sobre pedra”. Então, os discípulos perguntaram: “Quando estas coisas acontecerão?” (cf. Mc 13,1-4). Portanto, o Evangelho de hoje é a conclusão da resposta de Jesus a essa pergunta dos discípulos.
Ainda a respeito do contexto, é necessário recordar o versículo que precede de imediato o nosso texto: “Ora, a respeito daquele dia ou hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,32). Como sabemos, passados alguns anos após a ressurreição, os cristãos começaram a inquietar-se, pois esperavam com muita ansiedade pela segunda vinda do Senhor e, como essa não acontecia, muitos desanimavam, sobretudo quando começaram as perseguições. Por isso, explorou-se bastante a pregação sobre a imprevisibilidade dessa vinda, enfatizando que o importante é manter vivo o espírito de vigilância, sem preocupação com o dia ou a hora.
Foquemos, pois, em nosso texto: Mc 13,33-37. A palavra chave desse pequeno texto evangélico é o imperativo “vigiai”; a mesma ocorre três vezes (vv. 33.35.37) embora a versão litúrgica omita uma delas, infelizmente: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento” (v. 33). Ao invés de “Cuidado! ficai atentos”, seria mais adequado: “abri os olhos e vigiai”, por corresponder melhor à expressão grega “blépete agrípneite”. Diante da indefinição, não há outra saída para a comunidade a não ser a vigilância. Esse versículo prepara o leitor/ouvinte para a pequena parábola que vem a seguir, mostrando como deve ser feita essa vigilância.
Eis a continuação: “É como um homem que, ao partir, para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando” (v. 34). Em apenas um versículo, Marcos consegue transmitir uma parábola extraordinária, modificada e ampliada por Mateus e Lucas (cf. Mt 25,14-30 = parábola dos talentos // Lc 19,11-28 = parábola das dez minas). A partida do homem para o estrangeiro equivale ao intervalo temporal entre a ascensão e a tão esperada, porém desconhecida, segunda vinda do Senhor.
O evangelista quer ensinar à sua comunidade que, ao invés de preocupar-se com questões relativas ao tempo em que o Senhor virá, o importante é trabalhar para a sua mensagem manter-se viva e atuante na vida das pessoas, uma vez que Ele nunca se ausentou da comunidade que nunca deixou faltar o amor. Para isso, é importante que cada membro sinta-se responsável, como servo bom e fiel, ao bem-estar da casa. Surpreende o uso da imagem da casa: sinal de universalidade, ao contrário da vinha, por exemplo, imagem exclusiva do povo de Israel, e ao mesmo tempo, sinal das pequenas comunidades, nas quais todos se conhecem e devem viver em comunhão, a partir de relações movidas pelo amor, a justiça e a solidariedade. Na casa, enquanto, família, todos são iguais: empregados e porteiros, com a mesma responsabilidade de não deixar faltar o amor e a concórdia, bem como o pão material, tão necessário para o dia-a-dia.
O perigo de esfriamento na vivência da fé era tão grande, a ponto de ser necessário insistir no imperativo “vigiai”; assim, prossegue o versículo seguinte: “vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer” (v. 35). Sendo o Senhor o dono da casa, aos servos compete apenas vigiar. Porém, é necessário ressaltar, mais uma vez, a natureza dessa vigilância tão cara ao Senhor; não se trata de busca por segurança ou conforto, mas simplesmente de manter o evangelho vivo e atuante na vida das pessoas. A comunidade vigilante é aquela na qual os sinais do Reino se manifestam: amor e justiça em abundância. Onde esses valores abundam, o que menos tem importância é o tempo. Inclusive, quanto mais tardar o Senhor, mais frutos a casa/comunidade terá gerado; por isso, o cristão só pode ter pressa em uma coisa: em fazer o bem!
O motivo da vigilância é muito claro: “Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo” (v. 36). É claro que o texto não se refere ao dormir como a necessidade natural do ser humano, pois dessa ninguém pode privar-se, mas como a indiferença e a omissão em relação aos valores do evangelho. Nesse caso, dormir significa deixar de praticar a mensagem de Jesus Cristo, abandonar seu ensinamento. Mais que triste, é até trágico quando uma comunidade abandona a mensagem libertadora do evangelho, deixando de praticar o amor, a justiça e a solidariedade, ou seja, quando não tem mais a fraternidade como sinal distintivo. Por isso, o convite é novamente reforçado e, agora, com a sua dimensão universal mais explícita ainda: “O que vos digo, digo a todos: Vigiai!” (v. 37). Todos da comunidade, e em todos os tempos, são convocados à vigilância da prática do amor.
Não importa quando o Senhor virá pela segunda vez. Procuremos celebrar a sua primeira vinda, ou seja, o natal, como certeza de que Ele já veio e conosco está; porém, sua presença constante não será percebida enquanto não assumirmos a nossa responsabilidade na casa que Ele nos confiou: a família, a comunidade, o universo como “casa comum”. Para celebrarmos bem a certeza de que Ele já veio, só nos resta mantermo-nos acordados, ou seja, praticando o amor, acima de tudo. Vigiar é isso!

 

O mar de Sophia – Nathália Oliveira

“Quando eu morrer voltarei para buscar

Os instantes que não vivi junto ao mar”

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Existe entre o povo português e o mar uma inegável ligação. Inicialmente apresentava uma fonte de mitos, histórias e lendas. Mas com a evolução dos conhecimentos humanos, foi transformando-se numa fonte de riqueza graças às viagens ultramarinas. Devido a sua localização geográfica privilegiada, Portugal foi pioneiro nessas navegações. O mar faz parte da identidade do povo português e influenciou em obras de autores como Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa. Além desses, Sophia de Mello BreynerAndresen também se rendeu as belezas dos oceanos. Em suas obras retrata de forma singular e majestosa a praia e outros elementos ligados ao mar.

Sophia foi uma das mais importantes poetisas portuguesas contemporâneas. Autora de catorze livros de poesia, escreveu também contos, histórias infantis, artigos, ensaios e teatro,tendosua obra traduzida para diversos idiomas. Além de escritora e poetisa, Sophia também trabalhou na tradução de obras de Dante Alighieri e Shakespeare.

Foi a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, em 1999, o maior prêmio literário da língua portuguesa. A poetisade origem dinamarquesa por parte do pai, nasceu na cidade do Porto, Portugal, no dia 6 de novembro de 1919. Estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, mas não chegou a concluir o curso. Casou-se com o jornalista, advogado e político Francisco Souza Tavares com quem teve cinco filhos,dos quais alguns não negaram os seus genes literários. Faleceu em Lisboa, no dia 2 de julho de 2004.

Sophia teve seu primeiro contato com a poesia quando ainda era muito nova. Aos três anos de idade, uma empregada da família ensinou-lhe a “Nau Catrineta”, um poema anônimo romanceado ligado a tradição oral portuguesa. Esse poema narra as desventuras dos tripulantes durante uma longa travessia marítima. Um pouco mais tarde, sob influência de seu avô, um grande apreciador de poesia, Sophia aprende de cor os poemas de Camões e de Antero. Com esses poemas, nasce na jovem escritora a paixão pela poesia.

Seus primeiros versos foram escritos aos doze anos. Alguns dos seus poemas matinais, escritos a partir dos catorze anos, foram incluídos em seu primeiro livro publicado em 1944 sob o título Poesia. Sophia tinha vinte e cinco anos quando o publicou com o apoio financeiro do pai. Foram apenas trinta exemplares lançados, porém bastaram para que seu talento fosse reconhecido no mundo da poesia. Essa aceitação fez com que a ela prosseguisse no caminho da escrita. Nessa primeira obra, imagens poéticas como a natureza, o mar, as praias e os jardins são abordados.

Em sua criação artística o mar ocupa uma posição de destaque, quer seja na poesia, quer seja nos seus contos. Sophia passou boa parte de sua infância na Quinta do Campo Alegre, na Praia da Granja. Adorava passar horas na praia brincando sozinha nas piscinas naturais. Esses momentos de sua infância ligados à praia foram o início de sua forte atração pelo mar. Além das praias portuguesas, Sophia também dedicou poemas aos mares e as praias do Mediterrâneo e do Mar Egeu como também as suas ilhas. Sua primeira visita à Grécia, em 1961, serviu de inspiração para sua poesia, principalmente em seu livro Dual.

Sophia não se dedicou muito à poesia durante a infância dos seus filhos. No entanto, a autora sentiu falta de uma literatura infantil decentequando seus filhos tiveram sarampo. Foi então que voltou a escrever e começou a inventar histórias para crianças. “Comecei a inventar histórias para crianças quando os meus filhos tiveram sarampo” — lê-se num depoimento publicado em 1986. “Mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da ‘mensagem’: uma criança é uma criança, não é um pateta. Atirei os livros fora e resolvi inventar. Procurei a memória daquilo que tinha fascinado a minha própria infância. (…) Nas minhas histórias para crianças quase tudo é escrito a partir dos lugares da minha infância.”Seus livros infantis tornaram-se um verdadeiro culto na literatura infantil, foram lançados dezenas de edições dos seus contos de fadas. Os mais famosos são A Menina do Mar e A Fada Oriana, publicados no fim dos anos 1950. Seus livros preencheram a lacuna que existia na literatura portuguesa infantil, marcando várias gerações.

A Menina do Mar foi considerado um dos melhores livros publicados no mercado brasileiro em 2014, segundo a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Foi publicado pela Cosac Naify, com ilustrações da autora brasileira Veridiana Scarpelli. A obra, que em Portugal faz parte do Plano Nacional de Leitura, conta a história de um menino, que vive numa casa branca voltada para o mar, que um dia encontra uma menina, pequenina e de cabelos azuis, que estava a dançar com um polvo, um caranguejo e um peixe.

 

“—Mas o que é a saudade?—perguntou a Menina do Mar.
— A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora…”

 

Sophia não dedicou-se apenas a escrita. Foi uma das fundadoras da Comissão Nacional do Apoio aos Presos Políticos de Portugal e em 1975, fora eleita deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista. No entanto, sua carreira política não teve longa duração. Optou pela literatura à qual se dedicou ao longo dos anos até a sua morte. Apesar do seu afastamento do ambiente político, sempre se preocupou com o mundo a sua volta, não hesitando em expor sua opinião quando considerasse necessário.

Sua linguagem poética soa como uma voz de liberdade. É comum evocar em seus versos os objetos, as coisas, os seres e os dias. Sophia retrata o mar como um espaço de nascimento, de regeneração.

Mar

“De todos os cantos do mundo

Amo com um amor mais forte e profundo

Aquela praia extasiada e nua

Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.”

 

Nesse poema, seu amor pela praia é descrito como “amor mais forte e profundo”. No verso “… Onde me uni ao mar, ao vento e à lua”, observamos Sophia sentir-se completa ao estar nessa “praia extasiada e nua”. Suas palavras transmitem a satisfação em estar ali, como se ela, o mar, a lua e o vento se unissem para formar uma única coisa.

 

As ondas

“As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma

Do mar que cantava só para mim.”

 

Em As ondas, Sophia nos mostra sentir-se confortável com a companhia do mar, da areia e da espuma das ondas. “Do mar que cantava só para mim” com a ideia de um espetáculo só para ela, que deve ser apreciado.

 

Mulheres à beira mar

“Confundido os seus cabelos com os cabelos
do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e
tão denso em plena liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura
dos seus pulsos penetra nas espumas.”

 

Já nessa estrofe de Mulheres à beira mar, em poucas palavras conseguimos sentir a liberdade vivida pelo eu-lírico ao correr pela praia “Confundido os seus cabelos com os cabelos do vento”.

 

Liberdade

“Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lucida unidade

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.”

 

No poema Liberdade, a praia é retratada como um lugar puro, onde “Não há nenhum vestígio de impureza”.

A cantora brasileira Maria Bethânia, em 2006 gravou o álbum “Mar de Sophia” em homenagem a poetisa. Várias faixas remetem ao oceano, os símbolos e os mitos tão contemplados pela portuguesa, entre elas “Memórias do mar”, “Grão de mar” e “As praias desertas”. A cantora fez um belíssimo trabalho homenageando o legado de Andresen. Vale a pena conferir e apreciar esse álbum de Bethânia.

 

Nathália Oliveira é Graduanda em Letras pela UFRN.

Educação com Espiritualidade Ecumênica – Paiva Netto

A ausência de Solidariedade, de Fraternidade, de Generosidade tem suscitado grande defasagem entre progresso material e amadurecimento moral e espiritual. Daí o nosso fraterno alertamento: é hora de aplacar as paixões. Se, apenas como argumento, o Brasil não progredir, os maiores perdedores serão os brasileiros. Além do mais, é sempre hora de superar ressentimentos. Entretanto, não haverá Paz enquanto persistirem cruéis discriminações e desníveis sociais criminosos, provocados pela ganância, que, por meio de eficiente Educação com Espiritualidade Ecumênica, devemos combater. Se não optarmos por caminhos semelhantes, estaremos sentenciados à realidade denunciada pelo Gandhi (1869-1948): “A menos que as grandes nações abandonem seu desejo de exploração e o espírito de violência, do qual a guerra é a expressão natural e a bomba atômica, a consequência inevitável, não há esperança de paz no mundo”.

A solução está em Deus

Sempre um bom termo pode surgir quando os indivíduos nele lealmente se empenham. E isso tem feito com que a civilização, pelo menos o que andamos vendo por aí como tal, milagrosamente sobreviva aos seus piores tempos de loucura. A sabedoria do Talmud dá o seu recado prático: “A Paz é para o mundo o que o fermento é para a massa”.

Exato!

Há quem prefira referir-se ao espírito religioso, exaltando desvios patológicos ocorridos no transcorrer dos milênios. (De modo algum incluo nestes comentários os historiadores e analistas de bom senso.) Creio que essa conduta beligerante, que manchou de sangue a História, urge ser distanciada de nossos corações, por força de atos justos, porquanto maiores são as razões que nos devem confraternizar do que as que servem para acirrar rancores. O ódio é arma voltada contra o peito de quem odeia. Muito oportuna, então, esta advertência do pastor Martin Luther King Jr. (1929-1968), que não negou a própria vida aos ideais que defendeu: “Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não a arte de conviver como irmãos”.

De fato, o milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é que aprendam a amar-se, para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa para o uso bélico da antimatéria. O melhor altar para a veneração do Criador são Suas criaturas. Torna-se urgente que a Humanidade tenha humanidade.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

Mossoró: uma força motriz dentro da abordagem territorial – Bruno José Bezerra

Por Bruno José Bezerra* 

O desenvolvimento territorial é uma perspectiva gerada entre os anos de 1970 e 1980, que objetiva, principalmente, o fortalecimento das instituições e organizações locais, a solidificação de comunidades ativas e participativas, a implantação do capital social, ações sustentáveis planejadas, a articulação de políticas públicas e o financiamento de projetos produtivos. Nesse processo, destaca-se o protagonismo dos atores locais e a utilização dos recursos endógenos, desse modo, permitindo o aumento na geração de emprego-renda, que por sua vez, contribui para a dinâmica econômica local.

A abordagem territorial é implantada no município de Mossoró em 2003, quando é elaborado o Território de Identidade Açu-Mossoró, que atualmente é denominado de Território da Cidadania Açu-Mossoró, que por sua vez, abrange quatorze (14) municípios do Rio Grande do Norte. Diante desse título, é notório a existia singular de dois municípios polos: Assú e Mossoró.

O município de Mossoró é o principal centro polarizador do território ao apresentar elevados indicadores socioeconômicos. Por exemplo, o produto interno bruto municipal é identificado em R$ 6.221.099 em 2014; assim sendo, o maior PIB municipal, se comparado, aos demais municípios do território. Assim, o município mossoroense torna-se eminente na dinamização econômica territorial.

No âmbito populacional, a concentração de indivíduos é maior no espaço urbano, em virtude dos elementos socioeconômicos atrativos. Esse resultado está associado ao Índice de Bem-Estar Urbano (IBEU) que aponta o município de Mossoró com o maior dado no Território Açu-Mossoró. Por outro lado, o espaço rural abrange a menor parcela populacional no município, em razão das precárias condições sociais, econômicas e culturais. No entanto, há algumas raras ações que estimulam a permanência gradativa dos indivíduos nos domicílios rurais e contribuem para a geração de arranjos produtivos locais. Além disso, Mossoró é considerado um importante distribuidor de alimentos agrícolas.

No campo da educação em Mossoró, destaca-se a existência de instituições de ensino superior, por exemplo, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Universidade Federal Rural do Semi-Árido e a Universidade Potiguar. A presença das IES no município aponta para a incorporação de conhecimento, troca de experiências profissionais e melhores prestações de serviços. Na educação de base municipal, destaca-se o elevado dado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) identificado em 3,10 em 2013, sendo assim, um resultado recorde na série dos últimos seis anos.

A prática de atividades culturais é um fenômeno característico do município que apresenta importantes espetáculos, por exemplo, Chuva de Bala no País de Mossoró, o Oratório de Santa Luzia, além de grupos teatrais e musicais

compostos pelos indivíduos locais que recebem estímulo financeiro da prefeitura do município.

A relevância de município torna-se notória por meio de outros resultados, entre eles: o aumento na frota de veículos, o acrescimento na quantidade de domicílios, e a redução na taxa de mortalidade infantil. Além de expor o maior dado no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal no território, bem como, um elevado quantitativo de indivíduos ocupados.

No entanto, o município ainda apresenta algumas ações de hierarquia vertical, assim sendo, há iniciativas provisórias, que por sua vez, transformam-se em futuros obstáculos. Nesse sentido, a segurança pública é certamente o segmento mais fragilizado no atual cenário mossoroense, desse modo, tendo que conter os elevados índices de criminalidade no município, mesmo sem ter as condições adequadas no exercício do serviço.

Por fim, salienta-se a necessidade de haver uma combinação equilibrada das estratégias bottom-up e top-down no decorrer do continuo processo de desenvolvimento municipal, a fim de fixar-se cada vez mais como um importante instrumento na dinâmica do desenvolvimento regional e nacional.

Bruno José Bezerra Silva. Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Pós-graduando em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN).

Jardim perdido – Joelma Benigna

JARDIM PERDIDO

Jardim em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.

A verdura das arvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.

A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidades e suspensão.

Mas cada gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possivel e perdido.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN 
In Poesia, 1944 

A invenção dos jardins enquanto espaços de natureza ordenada parece ter sido paralela ao avanço do racionalismo como forma de olhar o mundo. E desde que criados como locais de lazer foram progressivamente tomando parte na vida quotidiana. À medida que o tempo para o ócio se estendeu as mais largas camadas de população, sucederam-se os jardins públicos como espaços integrantes do universo urbano. Quando podemos passear num jardim, sentimo-nos bem: é uma espécie de poesia sem palavras, esse bem estar. Associamos aos jardins uma ideia de harmonia, de beleza, de natureza ordenada pelo homem com intuito de provocar prazer. Sentir poeticamente os jardins é privilegio de poucos e dar-lhe forma escrita é ainda mais raro. Folheio livros e encontro, diria que sem surpresa dada a personalidade da escritora, a presença da emoção induzida pelo jardim entre as primeiras obras de Sophia de Mello Breyner Andresen (1914-2004).

Para a poetisa Sophia de Mello: A poesia é uma “perseguição” do real, ou seja, o real é o seu ponto de partida; a poesia constrói, pelo rigor e verdade a transmissão de uma moral – Segundo Sophia, o poema é sempre uma construção de rigor e de verdade, e todo aquele que é sensível à beleza de um poema não pode deixar de ser sensível à injustiça e à ordem falsa do mundo. Mesmo aqueles poemas que apenas falam da luz ou do ar são sempre um meio de denunciar a injustiça e o sofrimento do mundo.A poesia deve ser um meio para atingir a liberdade e a dignidade do ser – recusa a ideia da «arte pela arte», sublinhando que mesmo o artista que escolhe o isolamento, pela sua produção artística “influenciará necessariamente, através da sua obra, a vida e o destino dos outros”, porque “pelo simples facto de fazer uma obra de rigor, de verdade e de consciência, ele irá contribuir para a formação de uma consciência comum”.

A TEMÁTICA

 Os Elementos Primordiais: A sua poesia mantém permanentemente uma relação especial com a natureza, nomeadamente com os quatro elementos primordiais. A água (mar, espuma, praia), o ar (vento, brisa, sopro), o fogo (sol e luz) e a terra (natureza, fauna e flora) constituem a “perfeição do universo”, daí que Sophia, como poeta, um medianeiro do Absoluto, deva procurar a compreensão da agitação cósmica, e apreender uma realidade pautada pela pureza, perfeição e harmonia.

Elemento poético: o mar, à noite, a floresta.

A natureza é uma das principais fontes de inspiração, conotada de significados diversos: tanto funciona como elemento poético (o mar, a noite, a floresta) como contém a verdade antiga das origens e do futuro; tanto se liga à ideia de beleza, pela sua perfeição e variedade de cores, como aparece associada ao mistério (sereias, nereides, ninfas, ilhas, pássaros estranhos e cores nunca vistas). Contém a verdade antiga das origens e do futuro.

Por outro lado, e quase paradoxalmente, a noite é “o espaço imenso que lhe consente visões em que pode satisfazer a sua sede de libertação pelo sonho, de partida para as viagens mais imprevistas, pelo imaginário e longínquo, da captação dos segredos adormecidos na memória”.

A NATUREZA TERRESTRE

Os elementos terrestres aparecem com muita frequência relacionada com a riquíssima memória do passado: infância e adolescência – jardim e casa. O mundo passado reconstitui-se através da memória: tempo recuperado. Jardim Perdido = beleza; pureza dos dias vividos; passado de sonho e fantasia.

CARACTERISTÍCAS ESTILÍSTICAS

Captação do real por meio de sensações que, por vezes confundindo-se, originam sinestesias. A poetisa transfigura tudo através da imaginação. As metáforas e as imagens constituem o fascínio do seu mundo artístico irreal, daí a plurissignificação e a ambiguidade tão própria dos seus poemas. A rima serve para criar beleza fónica, mas também para realçar certas palavras chave do poema. A pontuação é pouco utilizada de forma a não tolher a imaginação e o sonho.  Discurso figurado com recurso a símbolos e alegorias. Uso de certas palavras dotadas de grande simbolismo e magia: praia, jardim, justiça, mar, casa, luar, sol, água, vida, morte, areia, terra, estrelas, beijo. Liberdade de ritmo e métrica.

Declaro-me, cada vez mais, rendida! A poesia de Sophia, além de maravilhosa, ela nos leva a uma viagem. Amei passear por estes “jardins” onde a magia das palavras me transporta a outros mundos, nesse poema introspectivo, carregado de amor e solidão transbordante de imagens, onde o vermelho das rosas transborda, alucinando cada ser, numa agitação de paraíso, deuses e infernos de possibilidades e suspensão. Pois trás em ti sempre suspenso outro jardim possível e perdido. Há amores que não se deixam conquistar por inteiro, não se entrega de verdade os devaneios e loucuras que o amor pode transportá-lo se nunca se doam por inteiro aos amores da vida.

Joelma Benigna – Graduanda em Letras pela UFRN.

Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues. – Reflexão para a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Por Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues.
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MATEUS 25,31-46 (ANO A)
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Chegamos ao trigésimo quarto domingo do tempo comum, o último do ano litúrgico, o qual vem intitulado como Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Se trata de um título, a princípio, perigoso, uma vez que a tendência é, de imediato, imaginá-lo como um rei semelhante aos reis deste mundo, e atribuir-lhe trono, cetro, coroa e poder, como normalmente vem representado nas diversas imagens feitas para representá-lo, escondendo a sua principal característica: o amor serviçal.
Se concebermos Jesus Cristo, Rei do universo, como um homem forte, potente, sentado em um trono ornado de ouro, com cetro na mão, ditando, julgando e ordenando uma imensidão de serviçais, guerreando, vencendo e subjugando inimigos, estamos imaginando o rei-messias esperado pelos judeus do seu tempo, e rejeitando Jesus de Nazaré. Infelizmente, boa parte do cristianismo acabou caricaturando a realeza de Jesus, atribuindo-lhe os traços de rei que nunca foram seus.
Mais do que no título litúrgico da festa, focaremos a nossa reflexão no texto evangélico que a liturgia propõe para a solenidade neste ano: Mt 25,31-46. Trata-se da conclusão do último discurso de Jesus, o chamado discurso escatológico, um trecho normalmente conhecido como o “julgamento final”. É um texto exclusivo do Evangelho segundo Mateus, com fortes traços apocalípticos, o que pode dificultar a sua compreensão.
O evangelho apresenta uma cena de juízo conduzida pelo “Filho do Homem” em forma de parábola. É importante recordar que o tema principal do discurso escatológico é a vigilância, ou seja, a espera atenta pelo desfecho final da história; por isso, o texto inicia com essa expressão: “Quando vier o Filho do Homem em sua glória” (v. 31a). O importante não é a forma como virá esse Filho do Homem, mas a sua atitude: “reunirá diante dele todos os povos da terra e separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos” (v. 32). Aqui está a universalidade do juízo e do alcance da mensagem de Jesus: todos os povos são contemplados, inclusive Israel, eliminando qualquer privilégio étnico e racial.
A imagem do pastor é usada mais uma vez, pois era muito acessível aos interlocutores de Jesus e à comunidade de Mateus. De fato, era frequente que o mesmo pastor cuidasse de rebanhos de ovinos e caprinos juntos, e no início da noite sempre era necessário separá-los, devido as questões climáticas e também para facilitar o acasalamento, tendo em vista a reprodução. Certamente, os primeiros ouvintes e leitores da comunidade de Mateus compreendiam muito bem isso.
Ao reunir “todos os povos” (em grego: pánta tá étne), ou seja, toda a humanidade, o Filho do Homem irá fazer a separação. O critério da separação é o mais surpreendente: ao invés de considerar distintivos religiosos, como bom e mau, puro e impuro, digno e indigno, santo e pecador, o critério utilizado por Jesus é o que alguém fez ou deixou de fazer aos “pequeninos” ou “menores” dos irmãos. Não é difícil compreender a quem Jesus se refere como os “menores dos irmãos”, embora algumas correntes de estudos tentem distorcer a mensagem, afirmando que esses menores são apenas os discípulos, os quais foram enviados a todas as nações (cf. Mt 28,16-20). Essa interpretação não se sustenta se considerarmos o evangelho em seu conjunto.
A atenção aos “menores dos meus irmãos” é o critério de participação na vida definitiva, ou seja, o “reino que o Pai preparou desde a criação do mundo” (v. 34). Em Mateus, a mensagem de Jesus foi condensada nos cinco discursos, e é importante perceber o nexo que une esses discursos: o primeiro, o da montanha, foi iniciado com as bem-aventuranças, nas quais Jesus introduzia a sua opção preferencial pelos pobres (pobres, aflitos, mansos, perseguidos… cf. Mt 5,1-12); no último discurso, o evangelho de hoje, essa opção é reforçada e confirmada. Podemos dizer que, do começo ao fim, a mensagem de Jesus tem a atenção aos “menores dos irmãos”, ou seja, toda a sua vida foi marcada por uma clara opção preferencial pelos pobres.
A partir de seis situações (ações) concretas, o evangelho de hoje mostra como alguém pode demonstrar ser cristão ou não: dar comida aos famintos, dar água aos sedentos, acolher os estrangeiros, vestir os nus, cuidar dos enfermos e visitar os presos. Essas foram consideradas as “obras de misericórdia” pelo cristianismo, como de fato são, mas ensinadas mais como conselhos, e não como critério único de pertença à comunidade do Reino, como ensina o evangelho. Por isso, é importante reforçar aqui: estas práticas não são alguns, mas são os únicos critérios válidos para credenciar a pertença ou não de alguém à comunidade do Reino.
O Filho do Homem, enquanto senhor da história, conduzirá o julgamento com um diálogo bastante franco e sincero, iniciado com um convite: “Vinde benditos de meu Pai!” (v. 34a). Em seguida, são dadas as razões pelas quais são chamados de benditos do Pai: “Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar” (vv. 35-36). Chama a atenção a surpresa dos que são tratados como benditos: eles perguntam quando viram o senhor naquelas situações e o serviram. Essa surpresa é registrada pelo narrador para reforçar o caráter desinteressado e gratuito do amor transformado em serviço: fazer o bem, sem olhar a quem! A surpresa aumenta ainda mais quando o senhor diz: “todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (v. 40). Famintos, sedentos, estrangeiros, nus, doentes e presos sintetizam todas as categorias de marginalizados. Jesus se identifica a tal ponto com tais categorias, chamando-os de irmãos, de seus iguais.
O diálogo com o segundo grupo se desenvolve a partir da mesma dinâmica, embora com desfecho contrário, a começar pelo convite inicial: “Afastai-vos de mim, malditos” (v. 41). Da mesma forma, o rei dá as razões pelas quais esses são chamados de malditos: não ter feito aquilo que fizeram os primeiros. Também esses recebem a sentença do rei com surpresa: “Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?” (v. 44). A resposta do rei só faz aumentar a surpresa: “Todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!” (v. 44). Assim como o terceiro empregado da parábola dos talentos, a sentença de condenação não é consequência de maldades cometidas, mas de omissões. O que há de mais sério na vida do ser humano, e que pode leva-lo à privação da vida em plenitude, é a omissão, a indiferença ao sofrimento do próximo, a carência de ações praticadas em favor dos menos favorecidos.
Como conclusão do discurso escatológico, o texto de hoje reforça e dá um novo sentido à vigilância: não se deve esperar para o encontro com o Senhor na consumação dos tempos, em um tempo remoto; é preciso ter capacidade, maturidade e amor para encontrar-se com Ele todos os dias, fazendo o bem àqueles nos quais o Senhor está presente, já elencados repetidas vezes aqui (faminto, sedento, estrangeiro, nu, doente e preso). A parábola é um alerta para a comunidade de Mateus, tão ansiosa pelo retorno do Senhor, mas incapaz de ver o Senhor já presente nos mais necessitados. Certamente, esse alerta continua válido também para os cristãos de hoje.
O cristão verdadeiro encontra-se com o Senhor todos os dias, não tem medo nem anseia por um encontro final e decisivo, mas sabe que Ele já está aqui conosco. A presença de Jesus, por sinal, é o fio condutor do Evangelho segundo Mateus: do anúncio a José (Mt 1,23) ao envio dos discípulos após a ressurreição: “Eis que eu estou convosco todos os dias” (28,20). Portanto, não razões para a comunidade perguntar quando virá o Senhor; o importante é sentir a sua presença no cotidiano, nas situações concretas da vida.
Todos foram pegos de surpresa: tanto os considerados benditos quanto os ditos “malditos”, pois ou fizeram ou deixaram de fazer o bem. O bem a ser praticado é completamente deve ser completamente desinteressado. O Senhor não marca nem rotula nenhum daqueles nos quais Ele deve ser reconhecido. Basta reconhecer o outro como ser humano, imagem e semelhança do criador; essa é a única marca e não é impressa por nenhuma religião, mas pelo criador de todas as coisas. Ao Senhor, interessa o bem praticado, o serviço doado, o amor praticado! Reconhecer a realeza de Jesus sobre o universo é reconhece-lo em cada irmão e irmã, sobretudo os/as mais necessitados.

Eu estava lá – Márcia Pinto

Quando a primeira bomba foi jogada eu estava na porta principal de acesso da Secretaria de Estado do Planejamento e das Finanças-SEPLAN. A bomba, dizem, é de efeito moral, em mim o efeito foi de terror. Um estrondo que fez tremer a rampa pela qual eu corri com o coração na boca, a cabeça em Cecilia e um sentimento misto de humilhação e dever.

 

Com o celular na mão, quase descarregando, tentei registrar o que vi. Uma polícia cumprindo a determinação de um magistrado que um dia precisou deveras desses contra os quais ele manda usar da força. Dói saber que o juiz Bruno Lacerda Bezerra Fernandes, que ordenou a reintegração de posse, sentou nos bancos da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN.

 

O pedido de reintegração/manutenção de posse, enfim foi cumprido no dia 24 de novembro de 2017, ironicamente, com a depredação do patrimônio público, físico, humano, ético e moral.  A Polícia Militar do Rio Grade do Norte, que a priori deveria nos proteger, protagonizou o quebra-quebra dentro da SEPLAN. Jogar bomba em um prédio público contra servidores públicos é o que senão destruição, assombro e terror?

 

Que honra pode ter uma polícia que atende a um pedido de um governo “suspeito” de crimes?  Que honra pode ter uma polícia que se posiciona contra seus pares? Essa história não será esquecida! Toda a imprensa potiguar estava lá. As imagens são autoexplicativas!

 

Que crimes cometemos? Lutar pelo pagamento dos nossos salários atrasados? Somos vítimas de um governo que privilegia os poderes e penaliza os verdadeiros heróis desse estado sofrido.

 

Eu vi, o Tenente Coronel chegar na SEPLAN dizendo que queria conversar. Este mesmo Servidor do Estado, desceu a rampa com ira nos olhos: “Tirem as crianças e os idosos porque nós vamos entrar!” Eu, nervosa, perguntei: “Coronel, o que vai acontecer?” O repórter de TV ao meu lado diz: “Vocês vão usar a força, Coronel?” “Sim, nosso pessoal tá autorizado a usar a força de forma progressiva”.

 

Sou servidora pública concursada, trabalho na UERN, com orgulho, há 11 anos. Já participei de outras greves, todas necessárias e legítimas, por reajuste salarial. É a primeira vez que paramos, exauridos, unicamente pelo direito constitucional de receber o pagamento de nossos salários já defasados há mais de 7 anos. Paramos em nome do que nos resta: nossa dignidade! Mas o governador Robinson Faria sequer recebe a categoria para dialogar, manda representantes de seu governo anêmico e inábil que se limitam a dizer que o estado não tem dinheiro. Não há diálogo, não há respeito, não há boa vontade, não há proposição… é só autoritarismo e imposição!

 

Entretanto, em cumprimento a outra ordem judicial, 40 milhões de reais (o que seria suficiente para pagar duas vezes toda a folha de pessoal da UERN e ainda sobrava um trocado) foram pagos aos magistrados, inclusive ao Juiz Bruno Lacerda, na mesma semana em que os professores da UERN e os Servidores da Saúde receberam apenas truculência, bomba e spray de pimenta. Sabemos que esse dinheiro do Tribunal de Justiça do RN corresponde aos repasses referente ao duodécimo, mas não deixa de ser dinheiro do mesmo Estado em dificuldade financeira, como dizem os “especialistas financeiros” do governo. Foi, no mínimo, inoportuno este pagamento de “auxílio-moradia” diante do atual caos instalado na vida de muitos servidores que, provavelmente, não consigam honrar suas modestas moradias.

 

Por que a justiça determina prontamente o pagamento retroativo de um auxílio-moradia (legal, mas imoral) de um magistrado que já recebe um generoso salário, inclusive pago em dia, e não age com a mesma idoneidade e celeridade com os outros servidores do Estado? É fácil julgar com dinheiro na conta, “doutores”!

 

Eu vi, eu estava lá. Que bom que eu estava lá!

 

Márcia Pinto – Professora da UERN.

(Foto: Gil Ferreira – CNJ).