terça-feira , 13 de novembro de 2018
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Joesley é suspeito de ter praticado obstrução de justiça

O empresário Joesley Batista foi novamente preso por suspeita de ter praticado obstrução de justiça. A informação é da Polícia Federal de Belo Horizonte, responsável pelas investigações de um esquema de corrupção que envolveria a Câmara dos Deputados, o Ministério da Agricultura e a JBS, grupo do qual Joesley é um dos donos. O Tribunal Regional Federal (TRF1) da 1º Região, que expediu os mandados, classificou como provisória a prisão de Joesley.

A mesma acusação atinge os ex-executivos do grupo Ricardo Saud, que já esteve detido, e Demilton Antonio de Castro, ambos delatores na Lava Jato. Joesley está detido na Superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo e já prestou depoimento no dia de hoje.

Segundo a PF, o grupo teria prejudicado a instrução criminal, ao tentar “desviar a linha de apuração adequada ao correto esclarecimentos dos fatos.” “Eles omitiram informações de que as empresas teriam ocultado e destruído parte do material probatório. Há inclusive indícios de que foram destruídas provas no gabinete de um lobista. Outras provas foram escondidas. Ao omitir essas informações, eles prejudicaram a qualidade da colaboração”, afirmou em entrevista coletiva o delegado Mário Veloso.

A defesa do empresário contesta a prisão, promete recorrer e afirma que ele cumpre rigorosamente o acordo de colaboração – sob exame do Supremo Tribunal Federal (STF) desde setembro de 2017, quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a anulação, por fraude, da delação premiada dos irmãos Batista.

De acordo com a PF, o grupo empresarial teria manipulado atos, normatizações e licenciamentos do Ministério da Agricultura, à custa de pagamentos de propinas a funcionários do alto escalão do ministério. Foi preso ainda, em regime temporário, o ex-ministro da Agricultura (2013-2014) e o atual vice-governador de Minas Gerais, Antônio Eustáquio Andrade Ferreira (MDB). O sucessor dele no ministério até o início de 2015, Neri Geller (PP), hoje deputado federal eleito pelo Mato Grosso, também foi detido.

Conforme a PF, o esquema ilícito garantiu “a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado”. Os atos de ofício praticados pelos servidores federais referem-se à regulamentação da exportação de despojos, proibição do uso da ivermectina de longa duração (vermífugo); e  federalização das inspeções de frigoríficos.

Teria havido também, por parte do grupo de Joesley, o financiamento ilegal de campanha de Eduardo Cunha (MDB-RJ), alvo de mais um mandado de prisão, para a Presidência da Câmara dos Deputados, em 2014. Ele teria sido beneficiário de R$ 30 milhões, em troca do atendimento dos interesses corporativos. Desse total, R$ 15 milhões teriam como suposto destino a bancada mineira do MDB, após a lavagem do dinheiro por escritórios de advocacia.

A Operação Capitu foi montada com base na delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, identificado como parceiro de Cunha e operador do MDB. Segundo a PF, os alvos de investigação deverão ser indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentre outros.

Outros mandados de prisão temporária expedidos foram contra o deputado estadual João Lúcio Magalhães Bifano (MDB), Marcelo Pires Pinheiro e Fernando Manuel Pires Pinheiro, Ildeu da Cunha Pereira; Mateus de Moura Lima Gomes; Mauro Luiz Rodrigues de Souza Araújo; José Francisco Franco da Silva Oliveira; Cláudio Soares Donato; Odo Adão Filho; Waldir Rocha Pena; Walter Santana Arantes; Joesley Mendonça Batista; Rodrigo José Pereira Leite Figueiredo; Ricardo Saud; Demilton Antonio de Castro e Florisvaldo Caetano de Oliveira.

Além de 19 mandados de prisão, o TRF1 ainda autorizou 63 mandados de busca e apreensão. Cerca de 310 policiais federais participaram da operação nos estados de Minas Gerais, São Paulo, do Rio de Janeiro, de Mato Grosso, da Paraíba e no Distrito Federal.

Agência Brasil

Escola Sem Partido: mais reprodução X menos reflexão

 Por Nestor Gomes Duarte Júnior

Assistente Social, Especialista em gestão pública, mestre em Serviço Social e doutorando em Serviço Social pela UFPE.

 

Se concebemos a educação formal como responsável por garantir a continuidade da cultura, valores e a identidade de um povo, são as escolas e universidades o campo de realização dessa tarefa nobre.

Assim, temos por premissa que os processos educativos estão intrinsecamente relacionados com a totalidade da vida social, são instâncias nas quais os sujeitos produzem e reproduzem conhecimentos e valores sobre seus cotidianos, numa simbiose entre a autonomia de cátedra do professor e seus ideais, e a autonomia de pensamento dos estudantes, com sua formação de base social, comunitária e familiar.

Contudo, há um movimento de um segmento social brasileiro em defesa de maior regulação dessa autonomia dos professores, expresso na tentativa de aprovação do Projeto de Lei nº 7.180/2014 da Câmara dos Deputados, cujo teor prevê a inclusão na Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB) do Programa Escola Sem Partido. Trata-se do estabelecimento de novas regras para atuação de professores, a lógica é coibir a influência dos mestres sobre seus discentes nas pautas de sexualidade, valores morais, e vivências religiosas.

Em síntese, o projeto é algoz da liberdade da prática docente nas escolas e universidades brasileiras, com o subterfúgio de coibir-se a “doutrinação ideológica” dos professores sobre os seus discentes. (Os mais açodados falam em acabar com a imposição de uma cultura que afronta aos valores da família tradicional brasileira com base em “ideologias esquerdistas”).

Ora, vejamos, é impossível falarmos em sujeitos e/ou propostas “neutras” ou “neutralizantes” na produção e reprodução da vida social, pois é a diversidade de pensamentos algo natural em uma sociedade democrática, se você não se identifica com as ideias do campo de direita, se identifica com a esquerda ou com as pautas mais ao centro.

Portanto, se o professor se vincula a um ou outro ideal de organização social, isso certamente aparecerá na sua estratégia metodológica, contudo, o processo educativo é composto por dois polos ativos, e o outro polo, que é o estudante, tem autonomia e liberdade para discordar, se contrapor e construir um diálogo franco e propositivo com o seu professor.

Se a realidade nos apresentar algo diferente do que descrevemos acima, não será possível definirmos a escola como campo de educação e sim de instrumentalização/mecanização da sociedade, pois de lá sairão pessoas meramente instruídas para o mercado, subsumindo-se a formação do senso de humanidade e pertença à uma coletividade, em detrimento do princípio de reprodução de fórmulas, regras e métodos tangíveis à objetividade das relações de mercado.

Trata-se de tentar eliminar o exercício da capacidade reflexiva de professores e estudantes em pleno processo formativo. Imaginemos uma escola com suas salas de aula em plena atividade, em uma determinada sala o professor aborda o “empreendedorismo como capacidade necessária ao desenvolvimento da sociedade”. Em uma segunda sala o professor fala “da consciência para preservação do meio ambiente como estratégia de preservação da espécie humana”. Na terceira sala a professora debate acerca “da epidemia das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s), as consequências e formas de prevenção”. Em outra sala discute-se “o protagonismo das religiões afro-brasileiras para a valorização da cultura brasileira”.

São quatro situações em que se lança mão de fatos e elementos históricos, reais, mas, que transitam entre valores sociais, culturais, morais e religiosos da vivência dos professores e dos estudantes, são temas transversais à formação da identidade das pessoas em sociedade.

Fomentar debates com essa entonação em dias atuais é extremamente comum no contexto das escolas e universidades brasileiras, pois são expressões das problemáticas sociais, que chegam às instituições de ensino. Com a aprovação dessa nova lei, os quatro docentes seriam enquadrados e/ou proibidos de seguir tais diálogos, e o que é mais grave do processo, é a expectativa da enorme censura que se alvoroça, em grupos sociais conservadores, para recair sobre o exercício da atividade docente, pois seremos obrigados a potencializar a capacidade de reprodução de comportamento e de ideias previamente definidas, em vez de instigarmos os nossos estudantes a questionarem o mundo, as coisas e as pessoas.

Portanto, projetos de lei dessa natureza tendem cada vez mais desumanizar os humanos, pois é da nossa própria essência questionar a realidade, dialogar em contrapontos de ideias, enfim, aproveitar os dissensos para amadurecermos e sermos protagonistas não só da nossa própria história particular, mas, legatários dos destinos da humanidade, e é nessa direção que se reflete a necessidade de continuar assegurado o direito a cátedra livre e os debates francos nas escolas e universidades brasileiras.

 

Entrar no Silêncio do Espírito – Paiva Netto

Minhas Irmãs e meus Amigos, minhas Amigas e meus Irmãos, façamos nosso Minuto de Silêncio. Já expliquei, muitas vezes, que o silêncio a que me refiro não é apenas o material, trata-se do espiritual, aquele que você consegue em meio à maior balbúrdia. Se este é o seu caso, já controla seus nervos do corpo e da alma. Esclareci, à saciedade, àqueles que falam ou escrevem para mim: “Irmão Paiva, faço um grande esforço para entrar no silêncio, mas meus vizinhos são uma barulheira tremenda; as minhas crianças também… Parece uma creche a minha casa: correm pra cá, pra lá”.

E eu respondo: deixem a meninada correr! Criança parada, em geral, encontra-se enferma. Dificilmente está bem de saúde. Ela tem de expressar a sua energia, precisa mover-se. Não se deve “algemar” a criançada.

 

“Ah, mas há uma barulhenta obra aqui do lado. Um horror!”

 

Não adianta vir com justificativa. É necessário aprender a entrar no Silêncio. Contudo, no que vem do Espírito.

Já dei o exemplo de quem viaja de ônibus, ou de metrô, ou mesmo de avião, mas que consegue concentrar-se no Silêncio da Alma.

Passa a simpática aeromoça: “O que o senhor deseja beber? O que gostaria de comer?”

Alguém grita no abarrotado trem suburbano: “Tira a mão do meu bolso!”

Coisas desse tipo ocorrem e, no entanto, quantas pessoas às vezes estão absortas nos seus pensares, indiferentes à balbúrdia circundante. Esperamos que sejam bons pensamentos…

Alguns, em volta, até gritam: “Eh, o camarada ali está desligado!”

Mas o que acontece é que, como nunca estamos espiritualmente sozinhos, ele pode estar dialogando com o seu Anjo Guardião, ou então com um obsessor. Aí é ruim! Por isso, temos de permanecer na faixa de Deus, o Grande Decifrador de todos os mistérios (Apocalipse de Jesus, 10:7) e Apaziguador de nossos conflitos interiores (Evangelho do Cristo, segundo João, 4:27).

Como diz o nosso Amigo Espiritual Flexa Dourada“Os problemas estão na Terra, a solução, no Alto”. Em Deus, naturalmente!

Entremos, portanto, em sintonia permanente com aqueles que se encontram na Espiritualidade Superior: o Reino de Deus, do Cristo e do Espírito Santo ou Espírito da Verdade ou Paráclito, que vem descendo até nós, na descrição confortadora da Nova Jerusalém (Apocalipse, 21:2 e 10):

 

“2 Eu, João, vi também a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, que da parte de Deus descia do céu, vestida como noiva adornada para o seu esposo.

“10 E ele me transportou, em Espírito, a uma grande e elevada montanha, e me mostrou a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus”.

 

A qualquer zoada que haja à nossa volta, pretendendo prejudicar nosso intercâmbio com o Mundo Espiritual Elevado, lembremo-nos sempre deste pensamento do dr. Osmar Carvalho e Silva (1912-1975), grande Legionário da Boa Vontade. E o nosso Chico Periotto, médium da Boa Vontade de Deus, recebeu esta assertiva do saudoso Osmar em Figueira da Foz, Portugal, no dia 6 de junho de 1992: “O nosso trabalho depende da dedicação de vocês, mas o sucesso de vocês depende do nosso apoio”.

Isso vem ao encontro de importante fundamento doutrinário da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo: “O segredo do governo dos povos é unir a humanidade da Terra à Humanidade do Céu”, o que historicamente sucederá com a chegada espiritual da Nova Jerusalém (Apocalipse, capítulo 21).

Apesar do alarido, a despeito da algazarra, da confusão do mundo, entremos no Silêncio, isto é, na Sintonia de Deus. E como a nossa vida vai melhorar! Porque o ensinamento é do Cristo: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Evangelho, segundo Marcos, 14:38, e Mateus, 26:41).

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

[email protected] — www.boavontade.com

A política é um bem – Cristão/católico não desanima!

Dom Antônio Emídio Vilar
Bispo de São João da Boa Vista (SP)

 

“Política é a forma mais perfeita da caridade!”

 

A POLÍTICA BRASILEIRA: – Embora sejam poucos os bons exemplos de quem a exerce, não há dúvida de que, na essência, ela é UM BEM PARA TODOS. Sim, porque política é, originalmente, um modo de pensar e conviver em sociedade, com um objetivo saudável e comunitário, isto é, o BEM DA PESSOA HUMANA EM SOCIEDADE, o BEM COMUM (João XXIII, Pacem in terris, 54; Gaudium et Spes, 26). Daí que, na política, não importa a diversidade de pensamentos ou posição, o que importa é o objetivo para o bem comum. Por isso já se disse que política é a convivência sadia dos pensamentos/manifestações contrários. O importante é que sempre brote em nós o desejo de um bem, UMA EXIGÊNCIA DE VALORIZAÇÃO DO OUTRO, como pessoa humana, IMAGEM E SEMELHANCA DE DEUS (Catecismo da Igreja Católica, 1700).

Quando pensamos no nosso Brasil, nosso desejo não pode ser outro, a não ser de manter RELAÇÕES JUSTAS E FRATERNAS entre pessoas e grupos, de redescobrirem, de conversarem e de se indignarem com os desvios de conduta que, tristemente, terminam em corrupção, com a certeza da impunidade. Contudo, NÃO DEVEMOS DESANIMAR, MAS REANIMAR, fazer reflorescer o desejo de boas condutas

pessoais e sociais que nos sustentam como bandeira da esperança e da liberdade humanas/ cristã, que fundamentam o espírito de uma verdadeira democracia.

POLÍTICA NÃO É UMA PROFISSÃO E NEM UMA HERANÇA FAMILIAR. Lamentavelmente, são muitos os profissionais políticos, mas carregamos um certo grau de culpa, pois somos nós que os elegemos. Precisamos considerar que, se reelegermos um candidato que se tornou profissional da política, estaremos afastando-nos do exercício do bem comum. Nenhum político servirá ao bem comum ou retomará o bom propósito, se continuarmos neste provinciano, colonial, falido e corrupto sistema político de eleger “salvadores da pátria”, “coronéis modernos”, pessoas mal-intencionadas, que discursam apenas para a ocasião e prometem o que não podem cumprir.

A MUDANÇA NO SISTEMA POLÍTICO, TRIBUTÁRIO, JURÍDICO, temas tão delicados e complexos, não passa apenas pelos que são eleitos, mas está inserida NA ATITUDE CIDADÃ de cada um de nós, que precisa educar-se para fazer da vida um serviço ao outro, na participação em trabalhos sociais e comunitários, que nos tornam verdadeiros agentes de transformação. É preciso, ainda, abrirmos espaços e descobrirmos momentos reais para atuarmos na vida pública de nossa Cidade, Estado e País. Faz-se necessária a participação nos Conselhos municipais, nas reuniões da Câmara Municipal, acompanhando discussões e votações no Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, bem como fiscalizando os governos estadual e federal.

Nós, bispos, iniciamos a nossa mensagem da 56ª Assembleia geral da CNBB ao povo brasileiro, com a citação aos Hebreus (10, 23): “Continuemos a afirmar a nossa esperança, sem esmorecer”, por acreditarmos que as PRÓXIMAS ELEIÇÕES NOS PROVOCAM E DESAFIAM a termos esperança e a darmos razão de nossa fé como discípulos missionários. É o momento propício para que firmemos nossa posição e

expressemos nosso “BASTA” àqueles que se servem da vida pública, através da política. Cristo Jesus nos chama a vivermos a vida pública à luz do Evangelho. Esse deve ser o nosso lema.

NÃO PODEMOS CAIR NO ENGANO DE ACREDITAR QUE VOTAR É APENAS MAIS UMA OBRIGAÇÃO E QUE NOSSO VOTO POUCO OU NADA ADIANTA.

É GRAVE OMISSÃO dizermos ou pensarmos: estou tão desacreditado que vou votar nulo ou em branco. Uma conduta enganosa assim só contribui para os mal-intencionados (João Paulo II, Christifideles laici, 42). Estejamos atentos para não corrermos o risco de apenas ficar reclamando depois, pois, se não nos interessarmos por participar da política agora, ela acabará sendo usada por pessoas que não se preocuparão com o bem comum, mas com seus interesses particulares, o que, inevitavelmente, gerará mais CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE.

A escolha daqueles que dirigem os nossos destinos na vida pública, tem que ser baseada em princípios cristãos. Precisamos de pessoas que incentivem o bem comum, promovam a vida desde o seu início até seu término natural e fortaleçam as organizações sociais, principalmente as que são modelo de serviço ao outro, de construção de comunidades verdadeiramente solidárias, de EXEMPLO DE VIDA CRISTÃ.

Por isso, com a consciência alicerçada nos princípios cristãos, VAMOS ELEGER PESSOAS QUE:

1 – Reconheçam e promovam O VALOR DA PESSOA HUMANA. Se possível, políticos que pertençam à nossa região, cuja família e trajetória de vida conhecemos. Esse pertencimento é fundamental para manter a retidão na vida pública e sabermos quem é de fato este candidato. Nesse sentido, as redes sociais e canais de consulta da internet podem ser aliados valiosos para nossa decisão.

2 – Saibam educar-se PARA TRABALHAR EM CONJUNTO. Queremos governos que respeitem a liberdade e a criatividade das pessoas, que valorizem as iniciativas sociais e que respondam às necessidades cotidianas.

Não queremos governantes que acreditam que cabe somente a eles decidir o que é bom para todos.

3 – Candidatam-se porque possuem UMA TRAJETÓRIA DE VIDA PESSOAL comprometida com a superação da pobreza, com a educação, a saúde, a moradia, o saneamento básico, a promoção da vida e ao meio-ambiente. Não compram votos e nem barganham votos e licitações públicas, para depois recuperarem o que gastaram ou simplesmente enriquecerem-se ilegalmente.

Para eleger esse tipo de pessoa vamos:

1 – Observar se o candidato representa e apresenta apenas o interesse de um grupo ou partido ou se pretende, com projetos, promover políticas que beneficiam a todos. O bom governante governa para todos e não faz campanha com dinheiro de empresas na TROCA DE FAVORES, nem se propõe a comprar seu voto.

2 – Se os candidatos têm “ficha limpa”, sem processo judicial, e que não estejam na lista da “Lava-Jato” ou de alguma outra operação policial, especialmente de ofensa à “coisa” pública. O HOMEM PÚBLICO DEVE TER HONESTIDADE (idoneidade moral), ser coerente em sua postura e não mudar frequentemente de partido.

3 – VOTAR NÃO PARA AGRADAR ALGUÉM, mas em pessoas que possam representar você na utilização do seu dinheiro na educação, saúde, criação de empregos, promoção humana e social. Devemos tomar muito cuidado com os arrogantes, populistas, demagogos e bajuladores, os quais não inspiram confiança.

(cf. CNBB, Sul 2. (2018). Cartilha de Orientação Política. Os cristãos e as eleições, 2018. e CNBB – Doc. 91, 2010)

Por isso, queiramos ou não, precisamos da política. Ela faz parte da nossa vida. É irracional pensarmos que, para derrotar a crise política, basta estarmos contra alguém, ou à espera de um “salvador da pátria”, ou ainda negar a sua existência, que é pior ainda. Afinal, o que teríamos em comum para modificar?  Não estaremos agindo contra um inimigo, mas por um bem comum maior, desejado e perseguido.

Sabemos que poucos candidatos terão os atributos anteriormente elencados, mas busquemos votar naqueles que mais se aproximarem do ideal cristão e que estimulem, durante o mandato, suas qualidades para diminuir suas limitações.

Cada um de nós é corresponsável pelos destinos de nossa cidade, de nosso Estado, de nosso País.

Concluo essa minha pequena reflexão com as tão eloquentes palavras do Papa Francisco: “Há necessidade de dirigentes políticos que vivam com paixão o seu serviço aos povos, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que sejam abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, que conjuguem a busca da justiça com a misericórdia e reconciliação.”

(Mensagem vídeo do papa Francisco aos participantes no encontro de políticos católicos organizado pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), 03/12/2017).

Análise – Será que o resultado da eleição no RN significará um tiro no pé do próprio estado?

Postado às 04h37 | 09 Out 2018 no http://blogdoneylopes.com.br

Ney Lopes

O Rio Grande do Norte assistiu no último domingo, a maior transformação na política potiguar neste século.

Famílias tradicionais e grandes partidos que se revezaram no poder há décadas foram afastados pelo voto popular.

Viraram nanicos.

Partidos e figuras referenciais da política norte-rio-grandense sofreram derrotas eliminatórias, como José Agripino, Garibaldi Alves, Geraldo Melo e o PSDB.

Assumem protagonismo, o PT e o PDT, siglas de pouca influência local.

No vácuo aberto pela rejeição aos políticos tradicionais ascenderam forças antes periféricas, ou coadjuvantes.

No legislativo, os grandes partidos definharam.

O PSDB não fez um único deputado federal.

O MDB diminuiu a bancada.

O DEM ficou de fora.

Todos viram o sucesso de estranhas candidaturas de representantes emblemáticos da antipolítica, do combate à corrupção, do combate bruto à criminalidade e de afirmação moralista.

Deu-se o fim de um ciclo, que definitivamente acabou.

Ninguém sabe o que nasceu.

O desastre da transformação dos partidos em “propriedades privadas”, a serviço de familiares, se expressa nos resultados vistos no RN.

No segundo turno, se enfrentam PT e PDT, que formaram alianças para a disputa de 2018.

O PT é o partido que mais sucesso alcançou nas urnas locais: elegeu uma senadora (em coligação) e dois deputados federais, até agora.

O PDT mostrou força na cidade de Natal, o que credencia o seu candidato no segundo turno como prova de que é bom administrador.

Porém, tanto PDT quanto PT terão dificuldades nos palanques do segundo turno.

Os petistas com a violentíssima “onda” anti-Lula,  perdendo o direito de posar como se tivesse superioridade moral ou capacidade para governar o estado e o país.

Ficou a marca da corrupção e inconsequências políticas, contra a qual terá que lutar nas urnas.

O PDT traz consigo o ônus do tradicionalismo da política do RN, com o timbre da família Alves, buscando manter-se no poder.

Entretanto, o candidato, Carlos Eduardo, mostra autonomia, na medida em que na sua biografia constam atos de rebeldia contra essa oligarquia familiar, quando se afastou do grupo e apoiou Wilma de Faria, seguidora de Miguel Arraes, em época passada.

A verdade é que terminou um ciclo da política do estado do Rio Grande do Norte.

Tudo que vier será novo e desconhecido.

O eleitor optou pela mudança, de forma total e absoluta, sem medir os riscos de escolhas para cargos da maior relevancia, de nomes sem curriculum político e sem a expeeriência que a função exige.

O caminho foi o de “aventurar” radicalmente, contrapondo-se a regra de que “na natureza (como na política) não se fazem saltos”.

A regra seria obedecer às etapas graduais de ascensões à cargos e mandatos públicos.

Mas não foi assim.

Com a ausência desse princípio de bom senso restará aguardar: se der certo, tudo bem.

E se não der? 

Fica a  dúvida, se o povo, ao “atirar”  com as “balas” da moralidade, anti política e contra corrupção, terminará atingindo de morte a própria representatividade e conceito do estado, que passariam a ser um zero a esquerda, por falta de condições dos eleitos.

Enfim: terá sido uma reação sensata, racional, pesada e medida do eleitor?

Ou, atitude emotiva e de mera revolta e indignação com o status quo?

Terá sido um tiro no pé, ou vacina eficiente para afastar o risco das enfermidades que tantos males já causaram ao Estado?

Só o futuro responderá essa indagação!

 

O autor é Advogado militante; Professor titular de “Direito Constitucional” da Universidade Federal do RN (UFRN); Jornalista, Procurador federal; Deputado federal, durante seis legislaturas.

O mundo pede Paz – Paiva Netto

O fantasma das guerras, grandes ou pequenas, de diferentes formas, ainda nos ronda. Então, é igualmente hora de falar na Paz e de lutar por ela, sem descanso, até que seja alcançada, incluída a paz no trânsito, em que os desastres vitimam tanta gente. Um dos perigos que a humanidade atravessa é a vulgarização do sofrimento. De tanto assistir a ele pela necessária mídia, parcela dos povos pode passar a tê-lo como coisa que não possa ser mudada. Eis o assassínio da tranquilidade entre pessoas e nações quando se deixam arrastar pelo “irremediável”. Ora, tudo é possível melhorar ou corrigir nesta vida, como no exemplo de Bogotá*, na redução da criminalidade.

Se, pelo massacre das notícias trágicas, as famílias se acostumarem ao absurdo, este irá tomando conta de suas existências. (…)

Sociedade Solidária Altruística Ecumênica

Debate-se em toda a parte a brutalidade infrene e fica-se cada vez mais perplexo por não se achar uma eficiente saída, apesar de tantas teses brilhantes. É que a resposta não está longe, e sim perto de nós: Deus, que não é uma ilusão. Paulo Apóstolo dizia: “Vós sois o Templo do Deus Vivo” (Segunda Epístola aos Coríntios, 6:16).

Ora, João Evangelista, em sua Primeira Epístola, 4:8, por sua vez, asseverou que “Deus é Amor”.

Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pelos milênios, vem pacientemente ensinando e esperando que, por fim, aprendamos a viver em comunidade. Trata-se da perspectiva solidária e altruística nascida do Seu coração, firmada no Seu Mandamento Novo — “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Nisto reconhecerão todos que sois realmente meus discípulos, se tiverdes Amor uns pelos outros” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35) —, a Lei da Solidariedade Espiritual e Humana, sem o que jamais este planeta conhecerá a justiça social verdadeira.

Num futuro que nós, civis, religiosos e militares de bom senso, desejamos próximo, não mais se firmará a Paz sob as esteiras rolantes de tanques ou ao troar de canhões; sobre pilhas de cadáveres ou multidões de viúvas e órfãos; nem mesmo sobre grandiosas realizações de progresso material sem Deus. Isto é, sem o correspondente avanço espiritual, moral e ético. A Esperança de um futuro melhor é chama que não se apaga no coração perseverante no Bem.

Outro paradigma

Deve haver um paradigma para a Paz. Quem? Os governantes do mundo?! Todavia, na era contemporânea, enquanto se põem a discuti-la, seus países progressivamente se armam? Tem sido assim a história da “civilização”… “Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?” (Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?) A Sabedoria Divina, no entanto, adverte que, se queremos a Paz, devemos preparar-nos para ela. E Jesus nos apresentou um excelente caminho: “Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie, porque estarei convosco, todos os dias, até o fim dos tempos” (Boa Nova, consoante João, 14:27 e 1, e Mateus, 28:20). Que tal experimentá-lo?

Roteiro Espiritual

Que todos nós possamos cultivar em nossos lares o Amor Universal preceituado pelos grandes luminares da Humanidade. É o convite que Jesus também nos faz: “Eis que estou

à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abri-la para mim, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Apocalipse, 3:20). Essa passagem bíblica – juntamente com Efésios, 6:10 a 20, e Apocalipse, 19:11 a 21 – compõe o Roteiro Espiritual para a Vitória, uma feliz sugestão do respeitado político brasileiro Dr. Bezerra de Menezes (1831-1900), Espírito. Objetivo: compreender a origem espiritual dos desafios diários e vencê-los sob a inafastável Proteção Celeste.

Voltaremos ao assunto.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

[email protected] — www.boavontade.com

Mineral e universal

Para Juarez Moreira

O mineiro é essencialmente um garimpeiro; um minerador. Por isso se esmera tanto na eterna busca da preciosidade. Sua produção é pequena, pois está focada em separar o que reluz em meio ao cascalho. Drummond e Milton Nascimento são exceções. Drummond foi longevo e constante, Milton captou o sentimento do mundo que inspirava o Brasil em tempos de efervescência e esperança.

Guimarães Rosa talvez seja a síntese dessa mineiridade criativa. Publicou apenas oito livros em vida, diante da sua prematura partida, mas foi fundo no veio que encontrou entre o sertão inóspito da palavra e a vereda do pensamento. Plantou um buritizeiro no coração dos brasileiros que floriu no mundo inteiro. Pedro Nava, o grande memorialista nacional, juntou tudo que viu, ouviu e viveu e condensou em seis livros, tornando possível a improvável tarefa de colocar o oceano em apenas seis conchas.

O Clube da Esquina encarnou essa premissa de menos quantidade e mais preciosidade. Todos eles estão por aí, cantando o momento divinal do primeiro encontro. Por sucessão do acaso, os dois gênios do futebol mineiro seguiram a mesma sorte, com Tostão e Reinaldo deixando seus lances espetaculares antes do fim do primeiro tempo.

Garimpar é um pouco a gente sozinho, bateando o pensamento, seguindo o veio com fé na busca da fonte de todo mistério. Depois de encontrado e devidamente lapidado, essas preciosidades são levadas para todo o mundo, encantando e enfeitando a vida daqueles que adoram o belo e têm olhos para o raro, o nobre, o inusitado, o maravilhoso.

O amanuense Ciro dos Anjos sabia disso e foi preciso em seu primeiro e quase único feito. O fantástico Murilo Rubião foi tão realista em suas visões que tirou apenas 33 coelhos da cartola e deixou a plateia extasiada; para todo o sempre. Rubião, pedra de outra esfera, tornou-se gênero literário e foi buscar a Lua para colocar dentro de seu livro, nos revelando um outro lado do mundo.

Mineiro vive entre montanhas, guardado em neblinas, imaginado o que tem por detrás da paisagem. Está sempre filosofando sobre o mundo que se ergue à sua volta, guiando seus olhos para o alto, o infinito. Não tem jorro criativo, sequenciado, mas um eterno amadurecer do sentimento curado, destilado, defumando em sonhos e sentimentos. Tem um afazer demorado, porque nada está pronto, terminado, nem mesmo o pôr do sol, que precisa de olhos atentos para ver detalhes dos contornos, nuances e silhuetas improváveis. Tudo é rebuscado nessas paragens, até o dedilhar do vento soprando os telhados ancestrais das noites em quintais das Minas Gerais. O criar mineiro não é liso, reto, planalto aberto. É montanhoso, sinuoso, em segredos vales submersos.

A sofisticação de um verso mineiro tem esse tempo de garimpar, lapidar, polir e cravar nos contos, poemas, canções, livros. De fundir o irreal com nossa pobre vida diária. Não é apenas uma publicação, uma gravação, um lance no gramado. É, sobre tudo, um registro para a eternidade.

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor

Pe. Fco. Cornélio Rodrigues – Reflexão para o XXVI Domingo do Tempo Comum

O texto evangélico que a liturgia propõe para este vigésimo sexto domingo do tempo comum – Marcos 9,38-48 – é a continuidade daquele refletido no domingo passado (cf. Mc 9,30-37), e apresenta mais uma atitude de incoerência dos discípulos, seguida da correção e catequese de Jesus. O contexto geral é o do caminho decisivo de Jesus com os discípulos para Jerusalém, que culminará com os eventos da paixão, morte e ressurreição. Com muita maestria, o evangelista Marcos diz que, mesmo estando próximos, os discípulos se tornam, nesse itinerário, verdadeiros opositores de Jesus, com um comportamento oposto ao que o Mestre ensinava. Embora Jesus já tenha, nesse contexto, feito dois anúncios explícitos da sua paixão (cf. Mc 8,31-33; 9,30-32), os discípulos continuam ignorando, preferindo alimentar seus próprios anseios de grandeza, poder e exclusivismo, colocando-se, assim, em oposição a Jesus.

A principal incoerência dos discípulos denunciada no Evangelho de hoje é o exclusivismo e a tendência ao fechamento e fanatismo, expressos na atitude e na fala do apóstolo João: “Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue” (v. 38). Assim como a profissão de fé de Pedro – Tu és o Cristo! (Mc 8,27) – não representa uma afirmação pessoal, mas comunitária, ou seja, ele afirmou em nome do grupo, também nesse trecho de hoje a postura de João tem uma dimensão comunitária; é a expressão de todo o grupo de discípulos que permanecia com uma mentalidade fechada e exclusivista. É importante recordar que, no momento da formação do grupo dos Doze, juntamente com seu irmão Tiago, João recebeu o nome de Boanerges, que significa “filhos do trovão” (cf. Mc 3,17), em alusão ao temperamento explosivo, arrogante, intolerante e ambicioso dos dois. Além, dessa de hoje, há outras duas ocasiões em que essas características desses dois discípulos irmãos se revelam: quando pedem a Jesus para ocuparem as melhores posições no reino, um à direita e outro à esquerda (cf. Mc 10,35-40), e quando queriam eliminar com fogo os samaritanos, somente porque não os acolheram, no início do caminho para Jerusalém (cf. Lc 9,51-55). Juntamente com Pedro, João e Tiago são os discípulos mais difíceis de lidar no grupo; por isso, quando Jesus fica somente com eles, como no episódio da transfiguração (cf. Mc 9,2-8; Mt 17,1-8; Lc 9,28-36), não se trata de privilégio, mas de necessidade. Pelo comportamento e temperamento, ambos necessitavam de uma catequese mais intensa.

A atividade de “expulsar demônios” nos evangelhos, e principalmente em Marcos, significa a promoção da liberdade e da dignidade das pessoas. É abrir as portas do Reino de Deus, tornando-o acessível a todas as pessoas. É a difusão da boa nova que transforma vidas, rompendo com as estruturas de morte e opressão vigentes em qualquer sistema. Uma atividade assim, de promoção plena do bem das pessoas, não pode ser estranha ao programa e à mensagem de Jesus, independente do grupo ou movimento a qual se pertença. Quem faz o bem ao próximo, está em sintonia Deus. Ao afirmar que o homem estava “expulsando demônios em nome de Jesus”, o evangelista evidencia que ele estava em sintonia e comunhão plena com Jesus, mesmo sem pertencer ao grupo dos Doze, e nem segui-los. A proibição imposta por João denuncia o fechamento e o fanatismo dos discípulos. Uma atitude dessas coloca em risco a eficácia e a credibilidade do Evangelho. Como uma proposta de vida de alcance universal, que visa a libertação plena do ser humano em todas as suas dimensões, a mensagem de Jesus não é propriedade de nenhum grupo ou instituição. Por isso, a repreensão.

A reação de Jesus é de clara reprovação à mesquinhez dos discípulos liderados por João: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor” (vv. 39-40). Ora, “fazer milagres em nome de Jesus” significa estar em sintonia com ele; só faz isso quem reconhece a sua autoridade e conduz a vida de acordo com o Evangelho. Ninguém pode ser impedido de fazer o bem, mesmo que não pertença ao mesmo grupo ou movimento. Proibir alguém de agir em nome de Jesus é querer aprisionar a sua mensagem e delimitar a ação do Espírito Santo, o que é impossível. Dos discípulos, exige-se abertura, compreensão e consciência de que a mensagem do Evangelho não é propriedade, mas dom acessível a quem tem sede de justiça e de amor. Com um simples provérbio, Jesus fecha a questão: “Quem não é contra nós é a nosso favor”. Ser contra, significa optar pelo mal e fechar-se aos valores do Reino; quem não faz isso, já está, consequentemente, a favor e, portanto, apto a agir em seu nome, independente de pertencer ou não a algum grupo religioso.

Como sempre, às repreensões de Jesus aos discípulos são seguidas de catequese mais aprofundada e prática: “Em verdade eu vos digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa” (v. 41). Embora seja um gesto, aparentemente, simples, dar um copo de água era, para a mentalidade semita, uma das maiores demonstrações de hospitalidade e acolhida. A recompensa, aqui, significa a pertença a Jesus e sua comunidade. Essa pertença não depende de discursos ou formulações doutrinárias, mas de gestos e atitudes que revelem amor e justiça, como dar um simples copo de água a uma pessoa sedenta. O que importa, de acordo com o evangelista, é que tudo seja feito em “nome de Jesus”, ou seja, em comunhão com ele. Aqui, o ensinamento é dirigido exclusivamente aos discípulos: eles não devem esperar muita coisa, nem grandes adesões; basta um simples gesto de reconhecimento da pertença a Cristo, para que os destinatários sejam recompensados, ou seja, entrem em comunhão com sua vida.

Na sequência, a catequese é continuada com a retomada da importância dos “pequeninos” para o Reino de Deus, já introduzida no domingo passado com o exemplo da criança: “E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço” (v. 42). Escandalizar, aqui, é criar obstáculo ou impedimento à fé e à vida digna. O maior exemplo de escândalo numa comunidade é o espírito de grandeza e busca pelo poder. “Pequeninos” é a síntese de todas as categorias de pessoas vulneráveis e historicamente excluídas: pobres, mulheres, pecadores, etc. Quando os membros da comunidade cristã são motivos de escândalo para essas pessoas, isto é, quando não favorecem a acolhida e a inclusão, Jesus reprova e adverte severamente. Por sinal, Jesus tolera quase tudo, inclusive que sua mensagem seja rejeitada; a única coisa que ele não tolera é a indiferença e o desprezo aos pequeninos, os seus prediletos. A sorte de quem os rejeita é trágica. Ser jogado no mar com uma grande pedra amarrada ao pescoço é a certeza de que esse corpo jamais será resgatado; assim, não poderia receber uma sepultura digna e, consequentemente, não teria sequer direito à ressurreição dos mortos do último dia, como acreditavam os judeus. Esse destino exclui qualquer possibilidade de salvação. Dentre as tantas possibilidades de morte, a mais temida pelos judeus era o afogamento no mar, devido ao risco de não ter o corpo encontrado para ser sepultado. Daí, a ênfase de Jesus para mostrar que o ser humano se auto condena quando se torna obstáculo na vida dos pequeninos. Portanto, não é um convite para amputar membros do corpo, mas a ter o máximo cuidado de pautar toda a vida em favor do bem.

A chamada de atenção aos discípulos continua com a demonstração de certas ocasiões, através dos principais membros do corpo, que podem levar os discípulos a causarem “escândalo” aos pequeninos. A mão, o pé e o olho (cf. vv. 43-47) eram, de fato, os membros do corpo responsáveis pelo bom ou mau comportamento das pessoas, segundo a mentalidade semita. As mãos, representam todo o agir da pessoa; quando a pessoa não age conforme o evangelho, é melhor não tê-las, conforme essa mentalidade. Os pés representam a conduta, podendo levar a pessoa por caminhos justos e injustos; é melhor não ter pé do que andar por caminhos errados. O olho, como “lâmpada do corpo” (cf. Mt 6,22) é a porta de entrada dos sentimentos e desejos alimentados no coração da pessoa; tudo o que é processado no coração, sentimentos bons e maus, passou pelo olho. Diante disso, se esses membros são usados para o mal, é melhor o ser humano privar-se deles, do que ter um corpo são e uma vida perdida, sem sentido, ou seja, jogado no fogo que nunca se apaga. O texto original não fala de inferno, como na tradução litúrgica, mas de “geena” (em grego: γεενα). O “geena” era um vale onde ficava o lixão de Jerusalém; era sinônimo de imundície e de fogo constante. Inclusive, corpos humanos já tinham sido lá sacrificados, em cultos pagãos, por isso, esse local passou a ser símbolo de condenação completa para os judeus. Além do fogo, lá predominava também o mau cheiro constante. Era um símbolo concreto da negação da vida. Por ser depósito de todo o lixo de uma grande cidade, numa época em que o saneamento não era sequer imaginado, todos os tipos de resíduos iam para lá, por isso possuía um “fogo que não se apaga” (v. 48).

Com essa linguagem tão severa, Jesus não está apontando as possibilidades de uma vida futura, mas denunciando que não tem sentido algum a vida que não é pautada pelo bem ao próximo e, em especial, aos mais necessitados, ou seja, os pequeninos. “Geena” e fogo são imagens de uma vida fora do Reino de Deus, Reino esse que não é um paraíso futuro, mas um projeto real de vida para ser aplicado e vivido desde agora. Isso acontece quando a Boa Nova de Jesus é aceita com todas as suas dimensões e exigências. A dinâmica do Reino é incompatível com todas as formas de dominação, exclusivismo, autoritarismo e falta de amor e justiça.

Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

Reflexão de Boa Vontade Segurança em Deus – Paiva Netto

Permaneceremos seguros onde e sempre que estivermos com Deus. O Pai Celestial é o Divino Sentimento de Caridade, que alimenta e nutre a nossa existência. Em seu “Discurso no Colégio Anchieta” (1903), grafou Rui Barbosa:

— Deus é a necessidade das necessidades, Deus é a chave inevitável do Universo, Deus é a incógnita dos grandes problemas insolúveis, Deus é a harmonia entre as desarmonias da criação.

Paz duradoura

É essencial destacar as propostas e as ações de real entendimento fraterno entre os povos. Diferente rota para as nações será a do remédio amargo. Por isso mesmo, não percamos a Esperança diante do sofrimento. Perseveremos trabalhando “por um Brasil melhor e por uma humanidade mais feliz”, consoante propôs o saudoso Alziro Zarur. Eis a direção da vitória. E não se trata de argumento simplório, mas, sim, do acertado roteiro da Paz duradoura. Foi o exemplo que nos ofereceu Jesus, Bússola de nossa mais legítima esperança, como afirmo em minha obra Jesus, o Libertador Divino (2007).

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

[email protected] — www.boavontade.com

 

Reflexão de Boa Vontade – Paiva Netto

As graves consequências dos diversos tipos de suicídio

Ninguém está livre das influenciações espirituais inferiores, as quais, mesmo quando não se revelam num gesto tão extremado como matar-se, encerra consequências que podem configurar verdadeiro suicídio em vida.

Quantas empresas, por exemplo, são levadas à “morte”, ou seja, à falência? Quantos casais estão em conflito, arrastando em seu bojo a felicidade dos filhos? Quantos se entregam à “morte” pelos vícios da bebida, do cigarro, das drogas, que enfermam e destroem nosso veículo físico e distorcem a Alma? E as chagas do ódio, da violência doméstica, do feminicídio, da pedofilia, da efebofilia, dos estupros…? Quantos são drasticamente atingidos, arrancados do mundo por essas barbáries? E as guerras, o desmantelamento econômico de países, os conflitos étnicos de toda sorte?… E a hipnose coletiva que, pelo planeta, enceguece governantes e governados? Todos são Espíritos na carne; portanto, completamente suscetíveis de sofrer o magnetismo inferior desses “invasores de Almas”, que aqui denominamos “lobos invisíveis” ou espíritos obsessores. Contudo, em medida ainda mais vigorosa, qualquer pessoa é capaz de se tornar instrumento benfazejo sob os cuidados das Falanges Divinas, das Almas Benditas. Todos somos médiuns, conforme nos revela Allan Kardec. E poder nenhum é maior que o de Deus.

Reitero a importância da leitura de “Quanto à Abrangência do Templo da Boa Vontade” e “O equilíbrio como objetivo” (disponíveis no blog PaivaNetto.com), páginas nas quais esclareço que o mundo material não mais poderá evoluir sem o auxílio flagrante do Mundo Invisível Superior. (…)

Como impedir a ação dos espíritos malignos

Meus Irmãos e minhas Irmãs, que drama enfrentam, muitas vezes, nossos Anjos Guardiães a fim de nos livrar de funestas ambiências, que acabamos atraindo para dentro de nossos lares, de nossas empresas, de nossas igrejas, de nossas comunidades, de nossos países! No entanto, alguém pode dizer: “Mas, Irmão Paiva, eu tento, eu luto; contudo, não consigo afastar esses obsessores espirituais de meu caminho. No ambiente da minha empresa, pelas ruas, em minha casa, nas dos meus entes queridos, eles sempre estão lá, ou acolá, me atormentando, fazendo com que minha competência no trabalho seja abalada; minha felicidade, minha saúde, minha paz sejam postas abaixo. Já não tenho forças…”

Tem forças, sim!!! Quem lhe disse que não? Afaste de si as sugestões de fraqueza, justamente, do aqui ultradenunciado “lobo malfeitor espiritual”. E ore por ele, de maneira que a prece fervorosa toque os recônditos de sua alma, tornando-o, pela transformação do caráter, um bom sujeito. Rogue pelo apoio de seu Anjo da Guarda, ou Espírito Guia, ou Nume Tutelar — seja qual for a maneira que você denomine esses Benfeitores (ainda) Invisíveis.