terça-feira , 27 de junho de 2017
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Vítimas inocentes – Paiva Netto

O Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão (4 de junho), instituído pelas Nações Unidas em 19 de agosto de 1982, teve inicialmente o propósito de chamar a atenção para o drama dos milhões de pequeninos que sofrem os efeitos da guerra, muita vez perdendo suas vidas.

Os cidadãos de bem, em toda parte, não podem ficar surdos aos gritos de dor desses inocentes. Trata-se de patrimônio humano, garantia de futuro — que desejamos mais feliz — da civilização.

Mas o despertar da sociedade deve abranger igualmente as crianças que padecem de agressão nos próprios lares, nas escolas, nas ruas, mesmo em países não considerados campos de guerra declarada, e as sacrificadas pelo horrendo tráfico de órgãos, ou, ainda antes de nascerem, pelo procedimento criminoso do aborto.

O psicólogo dr. Pedro Lagatta, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), em entrevista ao programa Viver é Melhor, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), expôs aos telespectadores várias faces da violência que acomete as crianças, sejam elas físicas ou emocionais; incluídos aí o execrável abuso sexual e o perverso bullying. Tudo isso com consequências dolorosas e duradouras.

Trago-lhes hoje esclarecimento importante do dr. Lagatta, em que ele procura estabelecer um diferencial em torno da polêmica e famosa palmada, ainda em uso por muitos pais na educação dos filhos. “Palmada é um termo bem ruim; é um eufemismo que tenta de alguma maneira esconder o que acontece realmente nas casas. Quando a gente fala que as crianças apanham de chinelo e objetos duros, o que acontece é um sistemático espancamento. Palmada parece que os pais só vão lá e dão umas palmadinhas para fazer a criança parar de chorar, mas muitas vezes não se trata disso, se trata da autorização para a violência, uma violência séria”.

O tema merece de pais e educadores vigilância constante quanto aos limites que devem ser absolutamente respeitados. Corrigir não significa agredir. É o que defende a Pedagogia do Afeto, que desenvolvemos na rede de ensino da LBV.

A sabedoria popular ilustra bem ao comparar as crianças com a argila, pronta para ser moldada. Ora, os melhores jarros, as mais belas cerâmicas carecem de cuidados específicos em sua confecção. Se o oleiro não souber unir disciplina e carinho, o trabalho apresentará defeitos indesejáveis.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com.

A conscientização da sociedade no trânsito – Carlos Santana

O número de acidentes nas estradas do Brasil é preocupante: mais de 41 mil pessoas morrem todos os anos, vítimas de acidentes fatais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Estatísticas indicam que 94% dos acidentes fatais são decorrentes de falhas humanas. Todos os anos, instituições não governamentais e o poder público discutem medidas variadas para educar e mobilizar motoristas, pedestres e ciclistas e para alertá-los sobre o perigo de adotar condutas imprudentes no trânsito. 

Nesse sentido, destaca-se o movimento Maio Amarelo, lançado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária há quatro anos, e que, em 2017, teve o período mais frutífero. Com o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade da construção de um trânsito seguro para a preservação da vida, a campanha contou com a adesão de todos os Departamentos Estaduais de Trânsito do país, além de diversos órgãos de diferentes setores da sociedade civil. Neste ano, o Maio Amarelo promoveu o tema “Minha Escolha Faz a Diferença”, que destacava a proibição do uso do aparelho celular ao volante, do consumo de álcool antes de dirigir, e incentivava o respeito aos limites de velocidade, o uso do cinto de segurança, entre outras atitudes.

A sociedade, sentindo-se vítima e responsável pelas casualidades decorrentes da insensatez no trânsito, abraçou o movimento. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) demonstram que houve uma redução de 25% no número de mortos no trânsito na primeira quinzena de maio de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado, e uma redução de 8% no número de acidentes.

Soma-se a esses esforços, o trabalho dos agentes do Detran por meio de blitzen educativas, palestras, atividades lúdicas, além da grande divulgação por parte da mídia, tinham o intuito de levar o cidadão a questionar o comportamento no trânsito. Destaca-se também o papel dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), que trabalham para estimular uma conduta altruísta e para preparar e formar motoristas que priorizem a segurança sempre que estiverem com as mãos no volante.

Nesse sentido, são peças fundamentais os instrutores de autoescolas e os simuladores de direção veicular, pois promovem a condução responsável por meio de práticas em diferentes expoentes que exigem do motorista percepção e cuidado. Hoje já é possível que o aluno vivencie a experiência de conduzir e manusear o celular ao mesmo tempo ou de reproduzir o estado de embriaguez no volante, por exemplo, o que reforça a nocividade dessas ações e fortalece os ensinamentos dos instrutores.

 A cultura brasileira, já acostumada com maus hábitos, carece de um processo compreensivo e profundo de reeducação nas estradas. Valores de respeito ao próximo, ensinados a todos como premissa de uma convivência harmônica, são condições indispensáveis para melhorar as condições do trânsito. O Maio Amarelo já mobilizou pessoas de 23 países, nos cinco continentes. No Brasil, os números mostram que o cidadão entendeu a causa. Que na continuidade do ano mantenha-se a construção de um trânsito mais humanizado, a fim de reduzir as perdas e casualidades nas ruas, estradas e rodovias do país.

 Carlos Santana é empresário, advogado e tem experiência profissional de mais de 12 anos no segmento de trânsito e veículos. É vice-presidente do Grupo Tecnowise, que atua há 30 anos no mercado de tecnologia, infraestrutura e desenvolvimento de soluções para os segmentos de trânsito, veículos, simulação e mobilidade humana, sendo responsável pela produção de equipamentos de simulação profissional, como os simuladores de direção veicular.

 

Deserto, seca, poluição… – Paiva Netto

Dezessete de junho é o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca. Vale, portanto, ressaltar recentes e alarmantes estatísticas. Uma delas vem da OMS, conforme nos informa o site da ONU-Brasil: “A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou a necessidade de reduzir as emissões de poluentes como o carbono negro, o ozônio, o metano e o dióxido de carbono, que não só contribuem para as mudanças climáticas, como também provocam mais de 7 milhões de mortes associadas à poluição do ar por ano”. E, conforme noticiou a Deutsche Welle, uma pesquisa do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica diz que os reservatórios de água no país, considerados críticos pela Agência Nacional de Águas (ANA), perderam em média 80% de sua cobertura florestal.

Ora, os danosos impactos desse verdadeiro “arboricídio” estão aí. O ar, o solo e a água diariamente escasseiam em qualidade, fertilidade e abundância.

Cuidado, estamos respirando a morte

Há 17 anos, em 1o de julho de 2000, a revista Manchete publicou um artigo meu que parece até que foi escrito hoje:

Atualmente, em vastas regiões da Terra, o simples ato de respirar corresponde à abreviação da vida. Sofrimentos de origem pulmonar e alérgica crescem em progressão geométrica. Hospitais e consultórios de especialistas vivem lotados com as vítimas das mais diferentes impurezas.

Abeirar-se do escapamento de um veículo é suicídio, tal a adulteração de combustível vigente por aí. Isso sem citar os motores desregulados…

Cidades assassinadas

Quando você se aproxima, por estrada, via aérea ou marítima, de grandes centros populacionais do mundo, logo avista paisagem sitiada por oceano de gases nocivos.

Crianças e idosos moram lá… Merecem respeito.

No entanto, de maneira implacável, sua saúde vai sendo minada. A começar pela psíquica, porquanto as mentes humanas vêm padecendo toda espécie de pressões. Por isso, pouco adiantará cercar-se de muros cada vez mais altos, se de antemão a ameaça estiver dentro de casa, atingindo o corpo e a psicologia do ser.

Em cidades praieiras, a despeito do mar, o envenenamento atmosférico avança, sem referência à contaminação das águas e das areias… O que surpreende é constituírem, muitas delas, metrópoles altamente politizadas, e só de algum tempo para cá seus habitantes na verdade despertarem para tão terrível risco.

Despoluir qualquer área urbana ou rural deveria fazer parte do programa corajoso do político que realmente a amasse. Não se pode esperar que isso apenas ocorra quando se torna assunto lucrativo. Ora, nada mais proveitoso do que cuidar do cidadão, o Capital de Deus.

As questões são múltiplas, mas esta é gravíssima: estamos respirando a morte. Encontramo-nos diante de um tipo de progresso que, ao mesmo tempo, espalha ruína. A nossa própria.

Comprova-se a precisão urgente de ampliar em largo espectro a consciência ecológica do povo, antes que a queda de sua qualidade de vida seja irreversível. Este tem sido o desafio enfrentado por vários idealistas pragmáticos. Entretanto, por vezes, a ganância revela-se maior que a razão. O descuido no preparo de certas comunidades, para que não esterilizem o solo, mostra-se superior ao instinto de sobrevivência. (…)

A poluição que chega antes

A infinidade de poluições que vêm prejudicando a vida de cada um deriva da falência moral que, de uma forma ou de outra, inferniza a todos. Viver no presente momento é administrar o perigo. Mas ainda há tempo de acolhermos a asserção de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944): “É preciso construir estradas entre os homens”. Realmente, porque cada vez menos nos estamos encontrando nos caminhos da existência como irmãos. Longe da Fraternidade Ecumênica, não desfrutaremos a Paz.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com.

Violência dela mesma provém – Wilson Bezerra De Moura

De uma coisa temos por certo. O mal é gerado pela própria sociedade, de  seus preconceitos, discriminação, má distribuição de direitos e garantias, má distribuição de rendas e outros mais aprestos. Desde o principio da humanidade que o mal existe porem passou a durar com maior constância quando esta se organizou dentro dos parâmetros sociais para encontrar melhor condições de sobrevivência, foi aí quando mais se acentuou o processo de desequilíbrio da coletividade, com dominação de competição oriunda de interesses escusos.

No principio da existência do ser humano os males eram menos prejudiciais, o homem se tornava feroz no meio ambiente em que vivia sem tirar normalmente seu lado humano, mais hoje com o desenvolvimento da sociedade, se torna violento, frio e sanguinário talvez pela força do sistema materialista que domina, transformando o homem não só um feroz como tirano, desumano, insensível aos problemas dos outros, enfim transforma a vida num verdadeiro dilema.

As injustiça, a discriminação os desmandos administrativos cometidos por políticos inescrupulosos, tudo isso conduz o homem ao desespero em saber que convive numa sociedade onde impera tudo isso e, como consequência vive à margem da sociedade, com  uma vida injusta e desequilibrada,  exigindo-lhe novas formas de comportamento entre estes  o emprego da violência, o terror como  sendo a forma de vingança adequada às reviravoltas que ocorre  no seu cotidiano, na  sua concepção os instrumento em  que se apoia para  combater tais injustiça e desigualdade é a violência originária do próprio meio ambiente.

Quando desses caracteres são produzidos a violência não será por meio de processos repressivos também violentos que se vá combate-la. O combate deveria ser de reajuste da sociedade, ser menos injusta e desigual, com certeza seria a maneira de melhor combater tudo isso, evitar vandalismos, rebeldia,  destruição do patrimônio  público ou particular com certeza  dessa forma  é possível  evitar a reprodução dos males que aterroriza a coletividade. Com procedimentos injustos, a começar com a má distribuição de rendas como no caso o pagamento de salário desproporcional entre as classes produtivas, uns ganhando desordenadamente enquanto a maioria com salário miserável dificultando uma vida digna e ordeira, jamais poremos fim ao incauto distúrbio da sociedade.

A parte de baixo – Tomislav R. Femenick – Escritor

O bilhete dizia: “Cansei. Tchau”. Desapareceu sem deixar notícias ou rastro algum. Junto com o bilhete deixou também o livro onde fazia algumas anotações; um misto de agenda e diário. Não um diário daqueles de antigamente, onde as moças escreviam o que lhes acontecia e suas opiniões.

Não. Ela não era dada a isso. Eram anotações simples, tipo: “As 12:00h, almoço com ex-colegas da faculdade”. E, logo em seguida: “Um saco. Nada tenho em comum com elas ou com eles”. Ou senão: “Tenho que comprar escova de dente”.

Thalita tinha 27 anos, há quatro era funcionária de um banco (onde entrara por concurso e era gerente), não tinha namorado fixo e morava com o irmão (mais moço e estudante de biologia marinha) no amplo apartamento 315, de um prédio residencial. Mal se falavam, pois dificilmente se encontravam em casa. Tinha poucos amigos. Com eles, nos fins de semanas frequentava alguns barzinhos e aos domingos ia à praia. Raramente visitava as duas primas. Trabalhava para ocupar o tempo, pois a herança deixada por seus pais era suficiente para viver a vida toda sem se preocupar com nada, desde que não esbanjasse.

Ela só reclamava de uma coisa: do calor. Detestava o calor, o suor, o molhado pegajoso, as mãos úmidas e o cabelo pregado na nuca. Detestava mais ainda quando sentia as roupas íntimas se grudarem em seu corpo como se fossem enguias ou sanguessugas, quando a parte de baixo da calcinha enrolava e assava as virilhas. Nos dias mais quentes se trancava no quanto, ligava o ar condicionado, baixava as persianas e, nua, se deixava embalar pelo frescor. Achava que era por causa do sol e dessa temperatura abrasadora que, nos trópicos, todos eram lentos, lânguidos.

Quando o irmão retornou da viagem de estudo que fazia em um barco de pesca e encontrou o bilhete, procurou o porteiro do prédio onde moravam e soube que, dois dias antes, Thalita saíra de casa com duas malas e pegara um táxi. Depois de ter recebido um telefonema do banco procurando por ela e depois de uma semana sem ter notícias, foi procurar a polícia, mas esta também não achou nada. Nenhuma pista foi encontrada na estação rodoviária, no aeroporto ou em lugar algum. Era como se ela tivesse sumido nas asas do vento.

Alguns anos depois, outro táxi parou na porta do prédio e dele desceu uma mulher com duas outras malas. Chamou o porteiro e mandou levar as malas para o apartamento 315, que abriu com sua chave. Thalita estava de volta, como que trazida por um tapete voador. Interrogada pelo irmão, pelos ex-colegas de emprego e pelos amigos, nunca revelou nada. Recompôs a vida, conseguiu outro emprego com a mesma função, agora em um banco particular. Mantinha os mesmo hábitos de antes; os barzinhos, a praia e as visitas às primas, agora ambas casadas. De vez enquanto, ia à casa dos tios. Sobre o que fez no tempo em que

estava desaparecida, permanecia muda. As únicas mudanças notadas pelos seus amigos eram que agora estava mais solta, mais extrovertida, namorava mais e que estava gostando de tango.

No dia do noivado do irmão, deram uma festa. Ela cuidou de tudo, da arrumação do apartamento, da comida, das bebidas. A festa ia alegre como devem ser as festas de noivado. Em determinado momento, os noivos começaram a fazer planos para a lua de mel. Surgiram vários palpites: Bahia, Europa, Miami.

Quando alguém sugeriu Mal del Plata, na Argentina, Thalita disse que não servia. “Lá nada há de extraordinário, a não ser os hotéis Costa Galana e o Sheraton, o Casino Central e uns leões marinhos fedorentos. Aqui é melhor”. A festa parou. Ai, ela contou tudo. No dia em que desapareceu, ela simplesmente pegou o dinheiro que tinha juntado de todos os seus salários e mais algum que tinha tirado ao longo do tempo da herança deixada pelos pais, contratou um táxi em uma cidade vizinha, foi até ao aeroporto de outra cidade, comprou passagem para o primeiro voo internacional que sairia (seu passaporte estava em dia) e se viu em Buenos Aires. Lá morou durante todo o tempo em que se ausentou.

Quando se entediava, ia passear em Bariloche, em Santiago do Chile, em Montevidéu e em Mar del Plata. Explicou porque voltou: “Buenos Aires é bom, mas em dezembro faz um calor danado. Pior do que aqui, pois não há vento ou brisa nenhuma. O suor corre pelo corpo, a gente fica molhada, pegajosa, com as mãos úmidas e o cabelo colado na nuca. A calcinha gruda no corpo e a parte de baixo enrola e assa as virilhas”.

 

Doe vida – Paiva Netto

Não há nada mais valioso na Terra do que a existência humana. No planeta, somos os únicos seres conscientes da finitude física, embora prossigamos nossa jornada de aprendizado, no âmbito espiritual, após o fenômeno chamado morte. A partir do momento que valorizamos a vida desde o seu estágio físico, construímos, verdadeiramente, uma Sociedade Solidária Altruística Ecumênica.

A doação de sangue, aplaudível vereda que aproxima o ser humano de sua humanidade, é indispensável em favor de tantos que lutam para sobreviver.

No Brasil, em período de férias e feriados, justamente quando ocorrem mais acidentes de todo tipo, cresce a demanda por sangue e diminui o número de doadores. Um cálculo cujo saldo preocupa os hemocentros do país.

Déficit Nacional

Em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), a dra. Selma Soriano, médica hematologista e hemoterapeuta da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, fez um apelo: “Que a população antes de tirar férias, de sair em viagem, faça a sua doação de sangue. Normalmente, a demanda de sangue em feriados aumenta em torno de 30%, e a doação cai em torno de 40%. Daí trabalharmos sempre com os estoques no limite. Desse modo, priorizamos o atendimento de urgência (…)”.

A transfusão de sangue é imprescindível não somente no socorro às vítimas de graves acidentes, de catástrofes como deslizamentos de terra, inundações etc. A dra. Selma explica: “Precisamos, e muito, de doações de sangue no tratamento de pacientes que estão em Unidade de Terapia Intensiva; para os que lutam contra o câncer que, às vezes, carecem de reposição de sangue; e para os pacientes de transplante de órgãos. No caso de doenças congênitas, temos a hemofilia. Isso sem falar nas cirurgias. Nas de grande porte, 60% delas necessitam de transfusão de sangue”.

Segundo o Ministério da Saúde, 3,7 milhões de pessoas doam sangue anualmente no Brasil. Está longe de ser o ideal, já que deveríamos ter cerca de 5,4 milhões de doadores. Para suprir esse déficit são feitas campanhas de apelo à sociedade. “Temos 1,8% da população brasileira que doa sangue, e a gente deveria estar entre 3% e 5%. Faltam componentes sanguíneos para algumas situações específicas”, revela a hematologista.

Minutos que salvam

Que essa ação caritativa se torne um hábito saudável e permanente, já que é algo que não exige sacrifício algum. “Entre a pessoa chegar a um banco de sangue e fazer a sua doação, ela permanece de 40 a 50 minutos no máximo. O ato em si, propriamente dito, leva apenas 7 minutos”, afirma a dra. Selma.

Inúmeros são os postos de coleta no Brasil. No site www.prosangue.sp.gov.br, você encontra vários deles e se informa quanto aos requisitos básicos para ser um doador de sangue.

Eis nosso contributo no esclarecimento geral a respeito desse importante assunto. Doar sangue, gesto que merece o devido apoio de todos, pode ser a própria salvação do ofertante amanhã.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. Contato: [email protected] — www.boavontade.com

Solidão na Terceira Idade – Regina Pereira e Jenifer Almeida

 

Muitas vezes deixamos nossos idosos em uma espécie de isolamento, sem mesmo nos darmos conta disso. A correria do dia a dia, a falta de tempo e/ou paciência, as discordâncias sobres questões familiares, como educação, postura e comportamentos, afastam o idoso do convívio familiar. Esse afastamento favorece o sentimento de solidão. A ciência confirma que a extrema solidão, assim como a extrema pobreza, pode aumentar o risco de morte prematura em idosos, segundo estudo clinico realizado por pesquisadores de uma Universidade de Americana.

Existem diferenças dramáticas na taxa de declínio físico e mental entre solitários e pessoas socialmente engajados. Solidão pode ter consequências profundas para a saúde das pessoas mais velhas. Sono interrompido, por exemplo, eleva a pressão arterial, aumenta os níveis de estresse e da depressão. Isso tudo é relatado em pessoas que vivem em extrema solidão e também podem causar problemas para o sistema imune do corpo, além de gerar uma sensação de mal-estar geral. A resistência física e mental das pessoas mais velhas que têm relacionamentos satisfatórios é muito mais forte do que em pessoas idosas solitárias. Por isso a importância de manter contato com os ex-colegas de trabalho, dedicar tempo para a família e amigos além de valorizar tradições familiares que possam existir. Isso dá aos idosos a oportunidade de se conectar com o mundo a sua volta.

Podemos ressaltar a importância de convivência familiar como nos momentos de refeição. Da mesma forma que na infância a refeição em família é importante no estabelecimento de vínculos, na velhice, este hábito é tão importante quanto,  uma vez que são esses momentos que favorecem diálogos e troca de experiências diárias, além de reforçar e estreitar laços afetivos.

Muitos idosos não preservam a capacidade de se alimentar sozinhos, além de muitas vezes sofrerem com diversas alterações de mastigação, deglutição   necessitando não apenas do auxílio mecânico na refeição, mas do apoio emocional e envolvimento da família, demonstrando dessa forma a importância dele no contexto familiar.

Não é só o isolamento físico que provoca os problemas de saúde associados com a solidão, mas a “sensação subjetiva de isolamento”, experimentada por algumas pessoas mais velhas, pode estar ligada a perdas auditivas e de visão comuns nessa faixa etária. Essas alterações devem ser observadas e são passíveis de tratamento, portanto não devemos negligenciar essas condições e deixar que os idosos sintam-se cada vez mais isolados.

Vamos valorizar nossos idosos. Todos nós temos pais, avós ou outros parentes nesta situação onde qualquer atenção, um encontro familiar, uma boa conversa, um almoço no domingo, proporciona benefícios tão importantes que podem potencializar positivamente todas as formas de tratamento convencionais.

 

– Regina H. M. Pereira

Nutricionista- Mestranda na área de Ciências do envelhecimento,USJT

Diretora do Departamento de Nutrição SOCESP

–  Jenifer K. A. de Almeida

Nutricionista- Mestranda na área de Ciências do envelhecimento,USJT

Alunas de mestrado da pós-graduação stricto sensu Ciências do Envelhecimento da Usjt

Gestão das Restrições na Cadeia de Abastecimento – Wagner Salzano

Assim como não se formam bons marinheiros em águas calmas, não se formam bons gestores em processos sem restrições.

Gestores experientes sabem que o mundo ideal, aquele em que não tem problemas e onde os recursos são ilimitados, não existe. No mundo real, sempre haverá restrições, sejam de capacidade, de materiais, de recursos humanos, de recursos financeiros para gastos ou investimentos, de tempo etc. Na realidade, a grande função de um gestor é criar estratégias e colocá-las em prática, para atingir objetivos, vencendo restrições. Mesmo porque, num mundo sem restrições, gestores não seriam necessários…

Em 1986, Eliyahu M. Goldratt elaborou a famosa Teoria das Restrições (TOC Theory of Contraints), descrita no “romance” técnico “A Meta”, traduzido pelo IMAM. Resumidamente, podemos dizer que o ponto central da teoria indica que um processo terá a “velocidade” que o processo mais lento (restritivo), entregar.

Quem estudou engenharia e lembra da disciplina Mecânica dos Fluidos, rapidamente, se identificará com o conceito geral e, principalmente com a nomenclatura muito utilizada para o processo restritivo, chamada de “gargalo”, pois este é o ponto limitante do fluxo.

A teoria indica que o processo ideal é aquele em que predomina o equilíbrio balanceado, onde as velocidades são iguais, ou muito próximas disso, em todos os processos sequenciais. Aplicam-se neste contexto diversas técnicas, sendo muito conhecida a abordagem chamada de Tambor – Pulmão – Corda, em que o Tambor identifica a cadência, o Pulmão dimensiona os estoques para absorver as variações (demanda, processos, aleatórias etc.) e a Corda significa a puxada feita pela demanda para que o processo entregue apenas o necessário, sem excessos ou faltas.

Em primeiro lugar, o gestor necessita dispor de visão holística, isto é, ter a capacidade de enxergar o processo de forma global e estratégica, como um todo e suas interrelações, entendendo a localização das interfaces e identificando os possíveis gargalos. Com isso, ele poderá fazer um diagnóstico adequado, orientando o encaminhamento da sua gestão.

Além disso, é fundamental desenvolver a capacidade de tratamento das restrições, buscando as formas para superá-las. Conhecimento técnico e visão de gerenciamento de projetos e processos são fundamentais para o sucesso da gestão com foco no tratamento e gerenciamento das restrições, garantindo a definição de ações eficazes.

Além da teoria desenvolvida por Goldratt, gestores desenvolvem técnicas e estratégias próprias, em parte buscando trabalhar com recursos adicionais, outras com adequação de processos auxiliares, outras ainda analisando o valor agregado, sempre visando de alguma forma a “driblar” as restrições para que os processos entreguem os resultados esperados.

A questão é que a maioria destas estratégias de gestão de restrições consiste no desenvolvimento de soluções empíricas, elaboradas no próprio momento e baseadas apenas em conhecimentos e experiências dos profissionais envolvidos, com pouca ou nenhuma aplicação de técnicas e conceitos estruturados.

Estas abordagens, via de regra, levam a erros de avaliação e interpretação da situação, gerando um diagnóstico inconsistente, que acaba por encaminhar para soluções que nem sempre são adequadas.

Como falamos, o ponto mais importante é contar com métodos estruturados e que garantam a qualidade das soluções para processos com restrições. Por exemplo, quando tratamos de processos de suprimento, precisamos entender adequadamente as características do transporte (modal, disponibilidade de frota, custos), da armazenagem (capacidade, estrutura, condições especiais para os produtos, normas e regulamentos), do lead-time dos fornecedores (restrições dos processos) e características específicas de mercado como as relacionadas a questões como impostos, taxas, regulamentações governamentais, greves, infraestrutura etc.

Tais aspectos são fundamentais para definir, por exemplo, a viabilidade de um projeto, se este poderá ou não entregar os resultados esperados.

Restrições existem e não podem ser ignoradas ou simplificadas. É muito comum em análises estratégicas que ocorrem, por exemplo, em épocas de orçamento, em momentos de investimentos em novos produtos, processos e expansões, ou quando aparece uma “ideia genial”, o otimismo exagerado, que nada mais é do que a minimização e subavaliação das restrições.

Podemos dizer que uma das medidas da qualidade de um gestor é a sua capacidade de identificar e tratar as restrições.
*Wagner Salzano é Engenheiro de Produção Mecânica (Universidade Paulista, turma de 1986) com MBA em Administração para Engenheiros (Instituto Mauá de Tecnologia) e gerente da Divisão de Supply Chain da IMAM, com mais de 35 anos de experiência, atualmente é Instrutor de Treinamentos, Palestrante, Articulista da revista Logística e Gerente de Projetos de Consultoria.

Mossoró recebeu primeiro rádio receptor em 1931 – Wilson Bezerra de Moura

Muito se tem que aprender na vida, porém mais ainda ao rever a história nos deparamos com façanha que nos chama a atenção e até surpreendem.

Um fato novo gera uma expectativa causa novidade, pode no futuro ser uma situação bestial, mais no momento é sim uma novidade.

A introdução do rádio receptor em Mossoró no ano de 1931 causou uma reviravolta na comunicação sem comentários.

Um industrial da cidade, chamado de Azevedo Cunha, disse Lauro da Escóssia em seu Mossoró no Passado ed.1981, ocasionou revolução na região ao possuir e instalar o primeiro rádio receptor em sua residência tudo aconteceu causando curiosidade à população.

Correu a noticia por toda urbe e a população se interessou em saber como a coisa funcionava. Nada mais era que uma caixa de madeira que falava dando noticia do que se passava pelo mundo inteiro, imagine o sucesso talvez comparado com a internet de hoje fosse novidade que de certo abismava o conhecimento de todos, só que uns acreditavam outros não no sucesso do aparelho.

O fato é que o radio receptor do industrial Azevedo Cunha foi sucesso daí por diante sua casa que ficava na Rua João Urbano na atual Avenida Dix-sept Rosado, se enchia de pessoas para ver e ouvir o rádio.

Interessante que a casa de seu Azevedo Cunha era totalmente cheia de ouvintes assistente ao ponto de faltar espaço e cadeiras para sentar os curiosos. Os donos de casa recebiam os visitantes e ofereciam um cafezinho com todo prazer a quem os frequentava.

Diante de toda movimentação só o dono de casa tinha o direito de sintonizar o rádio, esta era a recomendação trazida de Fortaleza, onde ele adquiriu o aparelho.

Convém destacar que poucas emissoras de rádio naquele tempo, Rio e São Paulo, tinham capacidade e potencial de fazer chegar o som a Mossoró com certa habilidade foi possível vez por outra sintonizar uma emitente.

Para surpresa e numa causalidade num dado momento foi mudado a faixa e apareceu uma emissora de comunicação Argentina, cujo locutor castelhano causou absoluta admiração a todos, mais uma revolução captar uma voz estrangeira.

A descoberta causou sucesso daí por diante quem tinha condições econômicas procurou comprar um aparelho, a começar por Edgar Medeiros, Mário Vilar de Melo, João Capistrano do Couto, Raimundo Cantídio, Saboia Filho, foram os primeiros seguidores da ideia de Azevedo Cunha.

Consta da história de Mossoró, faz parte dela e merece reconhecer fatos passados que só nos traz consideração.

 

O crack mais perto de você – Por Marco Antônio Barbosa

Temos acompanhado o desenrolar das ações na área de São Paulo conhecida como “crackolândia”. A Prefeitura da capital paulista dissolveu os acampamentos em uma ação policial e a medida repercutiu no país dividindo opiniões a favor e contra.

Segundo especialistas que atuam no local, o grande problema tem sido a livre atuação de traficantes que se instalam ali e comandam com violência a relação com os usuários, impedindo que as frentes humanitárias atuem no combate ao vício e busquem a reabilitação dos doentes. Isso tem fomentado a violência na região da Luz, onde se localiza a crackolândia e onde assaltos têm se tornando rotina.

Mas esse problema não é exclusivo da capital paulista. Em levantamento do Observatório do Crack, um monitoramento realizado pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios), a droga é um grave problema para 1.155 municípios brasileiros, um quinto dos 5.570 existentes. São Paulo, Minas Gerais e Bahia ocupam as primeiras posições em alto nível de problemas com crack.

Um levantamento de 2010 realizado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), detectou 29 crackolândias em 17 capitais brasileiras, com total de 2 milhões de usuários de crack. Este dado está defasado, pois, até 2012, somente cidades com mais de 200 mil habitantes eram atendidas pelo extinto programa “Crack, é Possível Vencer”. O que não se contabilizava era o avanço da droga para cidades no interior dos estados.

O crack é um entorpecente altamente viciante e, portanto, altamente lucrativa. Os problemas sociais do Brasil têm contribuído para o avanço desse consumo e da violência que dele surge. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), na América Latina, um a cada cinco jovens está desemprego e mais de 20 milhões nem estudam nem trabalham.

O cenário se torna favorável e, com isso, os pontos de consumo de drogas tem se alastrado para todo território nacional e pode estar atrelado ao aumento famigerado da violência no Brasil. No livro, “O tratamento do usuário de crack”, especialistas revelam que fumar crack aumenta a violência, onde o usuário comete mais crimes (roubos e homicídios) para obter a droga e manter o consumo.

Esses fatores têm levado governos municipais a buscarem alternativas que esbarram na fraca política de combate às drogas, além de estratégias confusas, como a vista em São Paulo. Na verdade, por lá, a medida não resolveu, mas sim, pulverizou os usuários para outros pontos da cidade.

Diante da ausência de medidas coerentes, traficantes veem terreno fértil para continuarem com seus negócios em outros locais. Enquanto isso, governos amargam com o impacto do crack em seus orçamentos. Ainda segundo o levantamento da CNM, na região Sudeste, a presença do crack tem peso de 49% nos investimentos em Segurança.

O crack avança e está cada dia mais perto de nós. Precisamos entender qual é a sistemática do problema e atuar em múltiplas frentes. Enquanto a força policial age coibindo a cadeia de produção, distribuição e comercialização da droga, ações de assistência psicossocial precisam atuar junto aos dependentes, enquanto uma terceira via trabalha na prevenção com público vulnerável.

Mas pasmem, tudo isso já existe. O que não existe é uma comunicação entre essas ações, interligando inteligência, ações sociais e sistema de saúde preparado para a demanda. O problema é mais profundo e requer programas eficientes de resgate social ou vamos perder para o crack, sempre.

*Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.