sexta-feira , 18 de outubro de 2019
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Médica de Alma

Médica de Alma

Reze o senhor por essa minha alma. Guimarães Rosa já dizia. Uma alma que sente e chora. Que clama e aclama.

Que sofre junto com aqueles de quem deveria cuidar. E cuida!Que sabe bem onde está, e por quê.

Que recebe e abraça. Faz graça! Que examina e se contamina, de fé. Deus te abençoe, minha filha! Escuto sempre.

Que toca o outro, com a ponta dos dedos ou do bisturi. Que vê por dentro, e quer entrar. Como sair da vida dos que me aparecem?

Que peca, por excesso de preocupação e falta de tempo. Tempo pra si! Que sente saudade, mas sabe que enche de orgulho os olhos dos pais.

Uma alma que tem o peito aberto e as mãos firmes. Que segura uma vida e se despede de outra. Insegura de que é assim que tem que ser. Tão difícil encontrar com a morte!

Que é digna de compaixão e reconhecimento. Que implora por humildade e hombridade política. O sistema carece, em prece!

Que é corajosa, por enfrentar esse mundo doente todos os dias. Que tem medo, mas não perde a esperança. Como viver sem?

Que é nobre, e se sente pequena perto de quem dela precisa. Que leva para casa dores que não são suas. E dói!

Que carrega um jaleco cansado, e com cheiro de dever cumprido.

Que é humana, mas não aprendeu isso com os livros. Que escolhe persistir, sempre e mais um pouco.

Que é abençoada, e demasiado grata. Em cada dedicação, uma oração!

Uma alma que veste apenas ela mesma, quase sempre. Que divide com as palavras o que não cabe dentro de si.

Que escolheu a medicina. Ou será que foi escolhida por ela?

Reze o senhor por essa minha alma.

Por que lá no sertão já diziam que ‘amor é a gente querendo achar o que é da gente’. Eu achei o que é meu, sô! Essa coisa de ser médica de alma.

Por que só de corpo, sei não.

Ampla defesa: Decisão do STF deve alterar futuro da Lava Jato

Especialistas em Direito e Processo Penal entendem posicionamento acertado ao defender que delatados devem se manifestar após delatores

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma a votação, na próxima quarta-feira, sobre a tese jurídica defendida por advogados de investigados na Lava-Jato e que pode anular várias condenações oriundas das investigações, segundo avaliação da força-tarefa de procuradores que atuam na operação. Por 7 votos a 3, a Corte decidiu, no dia 26 de setembro, que advogados de delatados podem apresentar as alegações finais, última fase antes da sentença, após a manifestação da defesa dos delatores. Atualmente, o prazo é simultâneo para as duas partes, de acordo com o Código de Processo Penal.

Para o vice-presidente da Comissão de Direito e Processo Penal da OAB/SP, Rogério Cury, o reconhecimento da aplicação do princípio da ampla defesa vai ao encontro do regimento. “O acusado sempre deve ter a efetiva ampla defesa de fato, e não somente de direito”.

O doutor em Direito e Processo Penal, sócio do Knippel Advogados Associados e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Edson Knippel, também concorda com a orientação. “O STF decidiu de modo correto pela anulação, tendo em vista que houve inversão na apresentação dos memoriais. Isso porque a defesa deve falar por último, após os delatores”, disse.

“O Supremo Tribunal Federal fez valer os ditames constitucionais da ampla defesa e do contraditório, na medida em que o réu colaborador atua como verdadeiro acusador, devendo ser garantido ao delatado o lídimo direito de defesa”, destaca Leonardo Pantaleão, sócio da Pantaleão Sociedade de Advogados e membro da Comissão Especial de Processo Penal da OAB/SP.

O caso foi discutido no habeas-corpus em que a defesa do ex-gerente da Petrobras, Márcio de Almeida Ferreira, condenado na Lava-Jato a 10 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro pediu a anulação da sentença para apresentar novas alegações finais no processo.

Modulação e futuro das sentenças:

Com a decisão, condenações em que as defesas não falaram por último na etapa final do processo poderão ser anuladas, e o processo deverá voltar à fase de alegações finais na primeira instância da Justiça. A repercussão da decisão nos casos que estão em tramitação em todo o país deverá ser decidida pela Corte na semana que vem, uma vez que o julgamento foi adiado e deverá ser retomado na próxima quarta-feira.

A decisão a ser tomada pelo plenário vale apenas para o caso específico, mas cria uma jurisprudência, uma interpretação sobre o assunto no STF. Esse entendimento serve para orientar tribunais do país sobre qual caminho seguir.

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também pediu anulação de duas condenações – a do triplex do Guarujá, caso pelo qual ele está preso, e a do sítio de Atibaia, caso pelo qual foi condenado em primeira instância.

O ministro Ricardo Lewandowski tem outros quatro pedidos semelhantes à espera de um posicionamento do plenário. Há ainda outros processos fora da operação que podem ser impactados pela decisão.

Na próxima quarta-feira a decisão definirá o alcance de eventuais anulações de condenações na Lava Jato. “Segundo indicado pelo ministro e presidente do STF, ministro Dias Toffoli, será por ele proposta modulação na aplicação da decisão aos casos concretos. Pensamos que essa modulação se prestará a necessidade de demonstração do prejuízo, bem como prévia arguição da nulidade, no momento oportuno, quando do despacho de apresentação dos memoriais no prazo comum”, ressalta o jurista Edson Knippel.

“O Supremo terá que definir na próxima sessão a aplicação destes casos e, eventualmente até mesmo outros que não estão vinculadas à Lava Jato, com trânsito em julgado. Fica pendente somente a modulação dos efeitos, o que poderá afetar a sentença do ex-presidente Lula e de outros réus condenados pelo Brasil. Essa é a grande expectativa da comunidade jurídica”, destaca o advogado criminalista, Yuri Sahione.

Márcio Santos

 

Homero Costa: Eleições e Fake News

Homero Costa, cientista político e professor da UFRN

Daniel Levitin no livro O guia contra as mentiras: como pensar criticamente na era da pós- verdade (Editora Objetiva, 2019) afirma que estamos vivendo na era da pós-verdade, uma “era de irracionalidade obstinada, que revoga todos os grandes avanços da humanidade”.

A ideia é a de que a infraestrutura da informação, num mundo conectado, tanto pode fazer o bem como ser nociva. Ao mesmo tempo em que possibilita acesso a muitas informações, democratizando-as “tem um lado sinistro que agentes mal-intencionados podem explorar facilmente para espalhar informações errôneas e desinformação, crueldade e preconceito”. Teresa Perosa no artigo O império da pós-verdade afirma que, mesmo com todo avanço tecnológico a maneira como processamos as informações que nos chegam continua a mesma. Então, indaga: o que estaria por trás da explosão das notícias falsas? “De acordo com os estudos mais recentes sobre o tema, a indústria das fake news foi turbinada pela combinação de três fatores, que criaram um terreno fértil para o império da pós-verdade.

O primeiro é o ambiente de alta polarização política, que não favorece nem o debate racional nem o apreço pelo consenso. O segundo é a descentralização da informação, por causa da ascensão de meios de comunicação alternativos e independentes, propiciada pela internet. Parte dos novos canais tem uma agenda política, e seus compromissos propagandísticos e ideológicos suplantam qualquer compromisso com informação factual. O terceiro é o ceticismo generalizado entre as pessoas quanto às instituições políticas e democráticas – sendo os principais alvos os governos, os partidos e os veículos de mídia tradicional”. https://epoca.globo.com/mundo/noticia/2017/04/oimperio-da-pos-verdade.html

A respeito dos impactos das fake news nos processos eleitorais, se a verdade é um dos pilares da democracia, eleger alguém que baseou sua campanha em mentiras, distorce as eleições e compromete a própria democracia. Duas eleições presidenciais nos permitem pensar a respeito sobre o tema do uso das mentiras em eleições. As eleições presidenciais dos Estados Unidos em novembro 2016 e a do Brasil em outubro de 2018. Em relação aos Estados Unidos, Michiko Kakutani no livro A Morte da verdade: notas a mentira na era Trump (Editora Intrínseca, 2018) que pretende examinar “como o descaso pelos fatos, a substituição da razão pela emoção e a corrosão da linguagem estão diminuindo o valor da verdade, e o que isso significa para os Estados Unidos e para o resto do mundo” mostra como os Estados Unidos elegeram um presidente mentiroso, que soube aproveitar-se da polarização política e como os organizadores de sua campanha usaram fake news com muita eficácia.

Para ela, Donald Trump mentiu não apenas antes das eleições, durante o processo eleitoral como também (e muito) depois de eleito presidente. Ele tem o que ela chama de “hábito perverso de acusar os adversários dos mesmos pecados dos quais ele é culpado”. Segundo Kakutani, Donald Trump mente de forma tão prolífica e com tamanha velocidade que o jornal Washington Post calculou que ele fez 2.140 alegações falsas ou enganosas no primeiro ano de governo, uma média de 5,9 mentiras por dia. Quanto à eleição, há vários aspectos, como as fake news a favor dele nas redes sociais, mas há de se destacar o papel central da empresa britânica Cambridge Analytica, que usando dados das pessoas do Facebook, segundo se revelou depois, de mais de 50 milhões de pessoas, compartilhados indevidamente pela empresa, usando ferramentas para prever e influenciar o comportamento do eleitorado.

Trabalhando para a campanha de Donald Trump, filtrou dados das pessoas por meio de seu comportamento em redes sociais, permitindo que fossem geradas mensagens por WhatsApp, que teve impacto nas decisões do eleitor e, portanto, no resultado da eleição (uma excelente reconstituição desse processo está no documentário Privacidade Hackeada, lançado em julho de 2019 pela Netflix, que mostra como à empresa de análise de dados Cambridge Analytica se tornou “o símbolo do lado sombrio das redes sociais” expondo a forma e o método que utilizou nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016). Um dos responsáveis pela campanha (mentirosa) de Donald Trump foi um exfuncionário da Cambridge Analytica Steve Bannon, que assumiu a direção da campanha de Donald Trump três meses antes da eleição e que também foi consultado sobre as eleições presidenciais no Brasil em 2018 para a campanha de Jair Bolsonaro.

No artigo Steve Bannon e as eleições fake publicado no jornal Le Monde Diplomatique no dia 23 de outubro de 2018, Artur Sinaque Bez afirma que “nos Estados Unidos em 2016 foram 50 milhões de perfis invadidos, a partir dos quais localizaram-se as mensagens com potencial de engajamento de pessoas e grupos em prol de um posicionamento político de extrema-direita (…) e que “conduz as parcelas menos engajadas do eleitorado a revoltarem-se com boatos que modificam os resultados de uma eleição ‘democrática’”. Em relação ao Brasil, o uso das fake news têm preocupado a Justiça Eleitoral e alguns integrantes do Congresso Nacional. Em relação à Justiça Eleitoral, são várias as iniciativas, como a formação, no final de 2017 de um Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, que tinha por objetivo desenvolver pesquisas e estudos no cenário de preparação para as eleições de outubro de 2018, planejando uma série de regras com o intuito de desestimular a divulgação de notícias falsas.

Em junho de 2018, o TSE realizou-se o Seminário Internacional Fake News: Experiências e Desafios, em parceria com a delegação da União Europeia no Brasil e assinou acordos de colaboração com partidos políticos, com o objetivo de tentar impedir a utilização de conteúdos falaciosos na campanha eleitoral, criando uma página na internet visando esclarecer sobre as informações falsas disseminadas pelas redes sociais, com links que remetiam a portais de agências de checagem de conteúdo, e vídeos “com linguagem simples e acessível”, veiculados também nas redes sociais. O resultado é que apesar das boas intenções, não conseguiu impedir o uso sistemático das fake news nas eleições de outubro de 2018. Uma matéria publicada no dia 18 de outubro de 2019 no Jornal Folha de S. Paulo mostrou como foram utilizados perfis falsos para influenciar os resultados das eleições.

Empresários compraram irregularmente pacotes massivos de envio de mensagens contrárias ao PT, com conteúdos ofensivos a Fernando Haddad pelo WhatsApp. De acordo com a matéria, os contratos chegam a 12 milhões de reais e entre os compradores estava o dono da Havan Luciano Hang que apoiou (e continua apoiando) publicamente Jair Bolsonaro. Segundo a matéria as empresas compraram de companhias especializadas um serviço chamado “disparo em massa” de mensagens no Whatsapp. Para isso, usou a base do próprio candidato ou partido ou uma base das próprias empresas que prestam o serviço, o que é ilegal (a legislação eleitoral não permite a compra de base de dados de terceiros) e que essas bases de nomes compradas oferecem segmentação por região geográfica e, às vezes, por renda.o que permitiu o uso sistemático e organizado de mensagens para um público específico, influenciável.

Pouco depois da publicação da matéria e sua repercussão, o TSE abriu uma ação para investigar o uso ilegal do WhatsApp para impulsionar mensagens mentirosas por meio da compra de pacotes de disparos de torpedos. No entanto, não houve nenhuma consequência para a chapa vencedora. Para Marcos Coimbra, no artigo por que o TSE decidiu esconder as fakes news de Bolsonaro? Publicado na revista Carta Capital de 11 de maio de 2019 “Há indícios abundantes de que o capitão se beneficiou do uso intenso e ilegal de fake news na campanha. Desde o primeiro turno, eles se multiplicam, na forma de denúncias, depoimentos, reportagens, estudos acadêmicos e técnicos, conduzidos dentro e fora das universidades. As pesquisas de intenção de voto realizadas no período também oferecem pistas da manipulação que atingiu parte expressiva da população. Bolsonaro foi eleito jogando sujo, abusando do direito de criticar seu adversário e de fabricar rejeição a ele. Sem as mentiras que inventou maciçamente impulsionadas através do WhatsApp mediante investimentos milionários, é provável que não tivesse vencido”.

As iniciativas da Justiça Eleitoral continuaram em 2019. O Tribunal Superior Eleitoral pensando em discutir formas de impedir ou minimizar a divulgação de fake news nas eleições municipais de 2020, com apoio da União Europeia, realizou nos 16 e 17 de maio de 2019 o Seminário Internacional Fake News e Eleições, reunindo especialistas e autoridades brasileiras e estrangeiras para debater a proliferação de notícias falsas no processo eleitoral. Além de integrantes do Poder Judiciário brasileiro, contou com a participação de dirigentes do Facebook, do Google, do Twitter e do WhatsApp, especialistas do FBI (Departamento Federal de Investigação dos EUA), da Polícia Federal, do Ministério Público, da Organização dos Estados Americanos (OEA), além de representantes de universidades e de institutos de checagem nacionais e internacionais. (depois foi lançado um livro on-line sobre os debates que ocorreram durante o Seminário http://www.justicaeleitoral.jus.br/desinformacao/arquivos/livro-fake%20news-miolo-)web.pdf).

No Congresso Nacional também há iniciativas importantes como a instalação, No dia 4 de setembro de 2019, de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito com o objetivo de “Investigar, no prazo de 180 dias, os ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o debate público; a utilização de perfis falsos para influenciar os resultados das eleições 2018; a prática de cyberbullying sobre os usuários mais vulneráveis da rede de computadores, bem como sobre agentes públicos; e o aliciamento e orientação de crianças para o cometimento de crimes de ódio e suicídio”. Entre outros aspectos relevantes pretende analisar as “consequências econômicas da produção e disseminação das notícias falsas que atentam contra a democracia no mundo” e ainda esquemas de financiamento, produção e disseminação de fake news com o intuito de lesar o processo eleitoral. Constam também da lista de iniciativas acesso aos inquéritos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra a Cambridge Analytica sobre o uso irregular de ferramentas digitais na campanha eleitoral de 2018. Como informa a Agência Senado, a comissão também solicitou acesso a relatórios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a ocorrência de fake news nas eleições de 2018 e do Facebook sobre contas suspensas “como parte de investigação sobre perfis falsos”.

No dia 25 de setembro a CPMI aprovou a convocação de nove empresas de serviços de comunicação digital e cinco provedoras de telecomunicações para prestarem depoimento. Claro, Nextel, Oi, Tim e Vivo. As convocações fazem parte dos 86 requerimentos aprovados pela comissão. Além das convocações e convites a pessoas vítimas de fake news, também aprovou requisições de acesso a documentos e inquéritos judiciais. Entre eles, o inquérito que o Supremo Tribunal Federal (STF) conduz desde abril de 2019 sobre ameaças nas redes sociais contra seus integrantes. São iniciativas relevantes, tanto da Justiça Eleitoral quanto do Congresso Nacional. Embora não seja um problema específico do Brasil, mas um fenômeno mundial, o Brasil, a exemplo do Reino Unido, Alemanha, os Estados Unidos, por exemplo, têm tentado criar instrumentos legais e uso de tecnologias para combater o uso sistemático de fake news.

No Brasil, a instalação e os trabalhos de uma CPMI podem trazer alguns resultados embora haja desconfiança de que, a exemplo de muitas, não dê em nada. É possível, mas é preciso tentar. Analisar fake news é muito complexo. Há um cenário mais amplo, no qual elas são consequências. Como diz Ivana Bentes no artigo as milícias digitais de Bolsonaro e o colapso da democracia, publicado na revista Cult (24 de outubro de 2018) estamos no meio de uma encruzilhada. Para ela “diante das forças políticas que emergiram no contexto das eleições de 2018 no Brasil, atropeladas por fake news e uma mimética corrosiva, a subcultura da internet está produzindo um estado de exceção digital, que afronta a justiça e as instituições analógicas. Mas o que seria um colapso de proporções e efeitos catastróficos, radicaliza também a potência das redes e de uma democracia digital capaz de calibrar as ditaduras por domínio informacional”.

A questão é: como viabilizar uma democracia digital nesse cenário? O desafio é imenso, como ela mesma diz ao afirmar que há “Uma desordem informacional e uma desorientação política que longe de nos levar para um novo tipo de governança, mergulhou o Brasil em uma onda de violência nas ruas e nas redes, com ataques, linchamentos reais e simbólicos, pautas regressivas, propagação epidêmica de discursos de ódio e mentiras contra mulheres, negros, grupos LGBTQI, indígenas, quilombolas, ativistas, ONGs, artistas e fazedores de cultura, professores e estudantes universitários, ambientalistas e cientistas, defensores dos direitos – um campo diverso e plural chamado de ’esquerda’”.

De qualquer forma, é importante saber, por exemplo, como atuam e quem financia as redes subterrâneas na web, quais os interesses que estão em jogo por trás de sites ou post que utilizam fake news. Embora, como diz Teresa Perosa, no citado artigo (O império da pósverdade) os desafios impostos pela era da pós-verdade exigem soluções bem mais complexas. E para tentar furar essa ‘bolha de desinformação’ “as democracias modernas e suas instituições precisam encontrar maneiras de recuperar sua credibilidade. Para ela “no mundo ocidental, há uma crise de confiança generalizada das populações em relação aos governos, aos partidos políticos e aos veículos tradicionais de imprensa”. E é justamente nesse cenário que proliferam as fakes news, com impactos significativos (e nefastos) nos processos eleitorais. O problema é: como fazer para informar, mobilizar para que as novas tecnologias sejam utilizadas a favor da construção da democracia e não da mentira e do obscurantismo?

Homero Costa Homero Costa, cientista político e professor da UFRN

A democracia brasileira é uma Fake News

A democracia brasileira foi um aborto. A consciência de nação foi um sentimento prematuro e tardio, que só aportou por aqui no acaso acovardado da vinda da família imperial portuguesa fugindo do exército flagelado e em frangalhos de Napoleão, em 1808. Desde então, o Brasil, quase nação, viveu ao sabor dos ventos, sem caminho próprio, sem a autodeterminação de seu povo. 1822 foi uma versão heroica da pueril sacada mais que nunca atual do ‘vai-que-cola’. E o negócio de família colou, o Império decolou até encontrar um marechal em delírio febril que negou seus ideais fazendo o fim do Império no Brasil. É cômico e trágico, bem ao modo de nossa gente.

Tudo na democracia brasileira foi fruto do acaso, das ideias de apaniguados, sempre visando o benefício próprio. Vargas em 1930, 1935 e 1954 foi a encarnação da tragédia brasileira, uma encenação do tosco ‘ganhar, mas não levar’. Assim foi, assim tem sido, assim é!

Em 1930 a marcha cívica trazida pelo minuano não durou dois anos, e a cizânia justificou a truculência de um governo de poucas leis e sem eleições. Depois de 1932 e o auge da divisão ideológica da federação, a Intentona Comunista apenas serviu de pretexto para o acirramento dos ânimos e a implantação do intransigente Estado Novo. A ditadura ganhou novo fôlego, quando a perseguição se fez carne. Em 1954, segundo governo Vargas, já com a volta do poder ao povo por meio do voto e a consciência de nação ganhando corpo, encenou-se em sangue o que se passava nos escaninhos democráticos do poder: o suicídio das leis e direitos trabalhista. Com Vargas morto, 1961 ou 1964 já teria ‘jurisprudência’ e cenários perfeitos para nova encenação. E assim foi. E assim tudo se passou e passa nessa devassada democracia tupiniquim, mistura de interesses e interessados.

Pela fresta do tempo, a compra dos partidos e deputados federais pelo IBAD na década de 1960 deu a senha do modus operandi do poder intervencionista norte-americano nesta terra tão gentil. Era o começo do Golpe de 1964.

No último século, o Brasil teve cinco décadas pisadas pela ditadura – 1930, 1940, 1960, 1970 e 1980 – enquanto a liberdade era desfigurada em todos os cantos do país. Um atestado para uma nação desprovida de solidez, clareza de ideias, de homens, ideais e história.

A nossa democracia é um aborto. As ditaduras não, são gestadas, em óvulo fecundado pelos Estados Unidos da América. Esse óvulo produziu um filho gordo, que fez desde 1964 – com surpreendente êxito – o aniquilamento do nacionalismo brasileiro, com nacionalistas de direita e esquerda se matando simultaneamente. Um feito, penso até que um crime perfeito.

Nós nunca fomos capazes de perceber os processos em que estávamos inseridos, até hoje. O que dói e constatar que sempre lutamos contra nós mesmos, contra nossos direitos, contra nossos interesses. Nossa subserviência é tão arraigada que nos passa despercebida. Estamos sempre indo em frente, mesmo constrangidos, batendo as panelas para o estrangeiro que canta e dança diante da torpe sinfonia sobre nossa pobre consciência cívica. Triste pátria mãe servil. Enquanto isso, enquanto acreditamos lavar a política nacional, é o Brasil que vai pelo ralo.

Petronio-Souza-Goncalves-303x380

Petrônio Souza é jornalista e escritor

O homem não nasce violento; torna-se violento!

Erick Santos 


rfcomunicacaocorporativa.com.br

SP/setembro – “Ninguém nasce homem, torna-se homem”. É parafraseando a escritora, filósofa, feminista e ativista política francesa Simone de Beauvoir (1908/1986), autora, dentre outras, da célebre frase “Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”, que o psicanalista, sociólogo e professor da pós-graduação da Universidade Paulista, Jorge Miklos, explica não apenas o significado do termo “masculinidade tóxica”, que acomete alguns homens, mas também os seus reflexos e gravidade, que não raro resultam, de diferentes formas, na violência contra o sexo feminino.

“Nenhum homem nasce competitivo, dominador, agressivo e violento. O estereótipo machista e seu comportamento tóxico é moldado ao longo da vida nas famílias, escolas, igrejas, corporações e também pela mídia”, afirma Miklos. Segundo ele, o machismo padrão, além de impor ao homem um tipo de comportamento inaceitável para com o sexo feminino, também o impede de manifestar seus sentimentos. “Encontramos aqui razões não somente para o elevado número de mortes violentas entre os próprios homens, mas também para os graves problemas físicos e mentais que muitos sofrem”, explica.

Para o professor da Universidade Paulista, a experiência da masculinidade é variável para cada pessoa ao longo da vida, no entanto, “existem crenças enraizadas no imaginário social sobre ‘o que é ser homem’ que moldam as expectativas grupais, formatam narrativas e plasmam comportamentos que induzem a um modelo machista, patriarcal e violento”.

Pesquisa realizada pela ONU Mulheres e o Portal Papo de Homem aponta que a construção da identidade masculina estereotípica é expressa em nove orientações básicas: cultura do herói, violência, heterossexualidade, restrição emocional, capital viril, pertencimento ao grupo, sexo, trabalho, provedor. “Seguir essa receita implica integrar-se às expectativas de como os homens devem agir, sentir e falar”, diz o professor da Universidade Paulista.

Miklos entende que o tema masculinidade e seus estereótipos midiáticos precisam de espaço para discussão e reflexão, ainda que em tempos de feminismo e empoderamento da mulher. Avalia que o debate é capaz de moldar gradativamente um novo comportamento e, por isso, propõe levá-lo às escolas, sobretudo as da rede pública. “É possível mudar o roteiro da violência masculina contra a mulher e desenhar um novo cenário, este de convivência pacífica”, acredita o professor.

SP/setembro – “Ninguém nasce homem, torna-se homem”. É parafraseando a escritora, filósofa, feminista e ativista política francesa Simone de Beauvoir (1908/1986), autora, dentre outras, da célebre frase “Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”, que o psicanalista, sociólogo e professor da pós-graduação da Universidade Paulista, Jorge Miklos, explica não apenas o significado do termo “masculinidade tóxica”, que acomete alguns homens, mas também os seus reflexos e gravidade, que não raro resultam, de diferentes formas, na violência contra o sexo feminino.

“Nenhum homem nasce competitivo, dominador, agressivo e violento. O estereótipo machista e seu comportamento tóxico é moldado ao longo da vida nas famílias, escolas, igrejas, corporações e também pela mídia”, afirma Miklos. Segundo ele, o machismo padrão, além de impor ao homem um tipo de comportamento inaceitável para com o sexo feminino, também o impede de manifestar seus sentimentos. “Encontramos aqui razões não somente para o elevado número de mortes violentas entre os próprios homens, mas também para os graves problemas físicos e mentais que muitos sofrem”, explica.

Para o professor da Universidade Paulista, a experiência da masculinidade é variável para cada pessoa ao longo da vida, no entanto, “existem crenças enraizadas no imaginário social sobre ‘o que é ser homem’ que moldam as expectativas grupais, formatam narrativas e plasmam comportamentos que induzem a um modelo machista, patriarcal e violento”.

Pesquisa realizada pela ONU Mulheres e o Portal Papo de Homem aponta que a construção da identidade masculina estereotípica é expressa em nove orientações básicas: cultura do herói, violência, heterossexualidade, restrição emocional, capital viril, pertencimento ao grupo, sexo, trabalho, provedor. “Seguir essa receita implica integrar-se às expectativas de como os homens devem agir, sentir e falar”, diz o professor da Universidade Paulista.

Miklos entende que o tema masculinidade e seus estereótipos midiáticos precisam de espaço para discussão e reflexão, ainda que em tempos de feminismo e empoderamento da mulher. Avalia que o debate é capaz de moldar gradativamente um novo comportamento e, por isso, propõe levá-lo às escolas, sobretudo as da rede pública. “É possível mudar o roteiro da violência masculina contra a mulher e desenhar um novo cenário, este de convivência pacífica”, acredita o professor.

 

SP/setembro – “Ninguém nasce homem, torna-se homem”. É parafraseando a escritora, filósofa, feminista e ativista política francesa Simone de Beauvoir (1908/1986), autora, dentre outras, da célebre frase “Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”, que o psicanalista, sociólogo e professor da pós-graduação da Universidade Paulista, Jorge Miklos, explica não apenas o significado do termo “masculinidade tóxica”, que acomete alguns homens, mas também os seus reflexos e gravidade, que não raro resultam, de diferentes formas, na violência contra o sexo feminino.

“Nenhum homem nasce competitivo, dominador, agressivo e violento. O estereótipo machista e seu comportamento tóxico é moldado ao longo da vida nas famílias, escolas, igrejas, corporações e também pela mídia”, afirma Miklos. Segundo ele, o machismo padrão, além de impor ao homem um tipo de comportamento inaceitável para com o sexo feminino, também o impede de manifestar seus sentimentos. “Encontramos aqui razões não somente para o elevado número de mortes violentas entre os próprios homens, mas também para os graves problemas físicos e mentais que muitos sofrem”, explica.

Para o professor da Universidade Paulista, a experiência da masculinidade é variável para cada pessoa ao longo da vida, no entanto, “existem crenças enraizadas no imaginário social sobre ‘o que é ser homem’ que moldam as expectativas grupais, formatam narrativas e plasmam comportamentos que induzem a um modelo machista, patriarcal e violento”.

Pesquisa realizada pela ONU Mulheres e o Portal Papo de Homem aponta que a construção da identidade masculina estereotípica é expressa em nove orientações básicas: cultura do herói, violência, heterossexualidade, restrição emocional, capital viril, pertencimento ao grupo, sexo, trabalho, provedor. “Seguir essa receita implica integrar-se às expectativas de como os homens devem agir, sentir e falar”, diz o professor da Universidade Paulista.

Miklos entende que o tema masculinidade e seus estereótipos midiáticos precisam de espaço para discussão e reflexão, ainda que em tempos de feminismo e empoderamento da mulher. Avalia que o debate é capaz de moldar gradativamente um novo comportamento e, por isso, propõe levá-lo às escolas, sobretudo as da rede pública. “É possível mudar o roteiro da violência masculina contra a mulher e desenhar um novo cenário, este de convivência pacífica”, acredita o professor.

Careca: teoria e arte do fazer artístico – Marcio de Lima Dantas

Nem sempre parece evidente o fato de que um artista plástico elabora sua obra em algum tipo de suporte, detendo consciência do seu processo de feitura. Ocorre, via de regra, ser o resultado de um talento que não necessitou passar pela Teoria da Arte para que se fizesse pintor ou escultor. A grande maioria é de autodidatas nascidos com alguma espécie de talento abençoado pelas mágicas mãos das musas.

O talento é algo enigmático. Podemos compreender por meio de uma história familiar na qual existiram ou existem pessoas que de forma profissional ou amadora fazem arte. Nesse sentido, o artista familiarizou-se ou foi ensinado a dominar determinadas técnicas. Porém, essa não é a regra.

O que sucede é que algumas pessoas não se contentam em serem criaturas e se arvoram a serem criadores. Eis aqui, talvez, onde se inscrevem aqueles que trazem consigo uma imanente vontade de se expressar por meio de formas não copiadas do mundo, mas resultado de confluências de vetores que caminham para um mesmo ponto. De garatujas interiores passam a tomar formas exteriores: eis que surge o objeto de arte, sobretudo fruto das mãos e do atento olhar de quem busca transcrever o que sentira em seu íntimo.

Não que seja necessário ter o domínio da História da Arte, da Teoria das Cores ou da Geometria. Os naifs, primitivos ou ingênuos estão aí para desmentir essa obrigação de conhecimentos prévios acerca do que se pretende engendrar. Lembro, por exemplo, de um contemporâneo de Acari, o pintor primitivo Nilson, cujo domínio das formas e cores chegam a deleitar um corpo com tanta contemplação feita a partir de palnos extremamente simples. Beleza advinda de um homem simples de uma cidade do interior. É um mestre na combinação de cores, sobretudo nos animais retratados.

Tenho para mim que quando as duas coisas se juntam, a lucidez/consciência do fazer artístico e o talento, ocorre o triunfo da obra de arte resultado de uma gramática que a reveste de grande valor estético, na medida em que o artista é senhor dos seus meios, compreendendo

matematicamente o que faz, sabendo explicar a um eventual expectador o motivo pelo qual usou tais recursos buscando determinado efeito.

Lembro aqui das longas e agradáveis conversas com o artista plástico Careca. Nunca deixa uma pergunta sem resposta. Discorre com propriedade acerca das cores, dos planos e das perspectivas empregadas nos seus trabalhos. Tendo primeiro sido autodidata, contudo, depois aprimorou-se, sendo Bacharel em Arquitetura. Passando a lecionar cursos ou oficinas, nas quais mostra seu conhecimento teórico do que ele prática na sua obra.

O seu conhecimento sobre as cores é bastante profundo, sendo capaz de explicar acerca do círculo das cores, demonstrando oposições ou tons que concorrem para certos efeitos. Talvez não seja à toa a sua grande capacidade de provocar efeitos cromáticos inusitados nos seus trabalhos, ou seja, o que chamamos de grande colorista, a capacidade de apascentar o olhar por meio de uma íntima contemplação.

Todas as suas séries são previamente refletidas, não deixando passar tal fato a um apreciador atento, pois resulta de uma deliberada lucidez, de quem sabe o que está fazendo. Sintomático é que o curso que escolheu para fazer tenha sido a Arquitetura. Essa arte requer, mais que as outras, de um domínio matemático e geométrico para que se erga o edifício que se deseja chantar em algum espaço.

De espírito recatado, o silêncio não é atributo dele, pois parece sentir prazer em conversar sobre sua arte e seus modos de fazer. Como dizemos, “conversa aprumada”, de pessoa séria e de caráter manso, voltando sempre a explicar um detalhe conseguido por meio de um artifício.

Conversar com Careca é, antes de tudo, um exercício de aprendizagem para quem se interessa por arte. Para um crítico, é um deleite e uma boa oportunidade de acrescentar conhecimento por meio de um artista consciente dos meios que usam para lograr êxito com determinado fim: a obra de arte.

Márcio de Lima Dantas

Erros: Punição ou Aprendizagem? – Marcelo Boeger

Cada vez mais buscamos nas organizações uma cultura de desempenho. Mas, mesmo com capacitações regulares, tecnologia e ferramentas, erros podem ocorrer e temos que estar (a qualquer momento) preparados para identificá-los e neutralizar as suas consequências no menor tempo possível.

Algo que não foi planejado aconteceu. E agora? Como a sua gestão lida com isso?

Claro que o melhor a fazer com as falhas seria evitá-las. Mas, já que algumas vezes acontecem, mesmo com todas as precauções requeridas, podem ser pelo menos usadas como oportunidades para compreender falhas nos processos e no aprimoramento (ou criação) de um sistema de alerta existente para percebê-las antes que as mesmas ocorram. Na área de facilities especialmente, as equipes podem estar expostas a um alto volume de atendimento em determinados horários, os tempos das atividades são mensurados e monitorados e os erros podem ter consequências diretas no cliente final (ou no tomador), afetando a qualidade do serviço.

Percebo em muitos casos, erros ocorrendo com colaboradores bem-intencionados, mas em processos com desenhos equivocados que podem estar voltados ao erro. Muitos serviços ocorrem em locais ou em momentos mais vulneráveis (na troca de turno, na fronteira entre dois serviços) em que não está realmente claro as responsabilidades das partes, por exemplo.

Erros podem acontecer por vários motivos. Um dos motivos mais comuns que ocorrem em uma organização é originado pela falha na comunicação. Às vezes causados pela própria pressão do ambiente por produtividade (acima daquilo que a equipe tem capacidade de entregar), pela pressa para realização de uma tarefa, pela falta de habilidade e qualificação dos profissionais que executam (que pode ser causada muitas vezes por um recrutamento e seleção ineficaz), imaturidade da equipe, a falta de controle sobre os resultados (que pode fazer com que erros só sejam percebidos bem depois do fato que o originou) e mesmo pela alta rotatividade da equipe.

As empresas que simplesmente toleram erros constantemente – criam problemas enormes para a qualidade de sua operação. Por outro lado, o ritual de “caça às bruxas” poderá criar um ambiente de insegurança, injustiça, medo e baixa produtividade.

A equipe operacional deve sentir que atua em um ambiente em que erros são tratados, notificados e servem para aprendizagem. Caso contrário, atuarão em baixo desempenho. Quando atuam em ambientes em que erros são amplificados por outros da equipe e a liderança “apenas” busca culpados de forma indiscriminada para punir os responsáveis, é gerado um clima constantemente tenso e uma insegurança muito grande nas equipes. Normalmente, os envolvidos tendem a culpar “algo” ou “alguém” pelo problema, para se livrar das consequências e não há qualquer trabalho de revisita ao processo para se evitar que o problema se repita no futuro. Neste cenário, quando uma decisão tem que ser tomada, muitas vezes não há quem queira se expor, para não ser o responsabilizado pelas consequências da mesma. O “jogo do empurra”, a estagnação e o medo de decidir errado poderão ser o estopim para potencializar ainda mais as consequências do dano original.

Erros intencionais também existem e devem estar no “radar” do gestor. Um olhar atento sobre o erro poderá identificar eventuais sintomas de fraudes, boicotes ou sabotagens – motivados às vezes por insatisfação, por má fé, para desafiar o sistema ou ainda, para afetar diretamente alguém – mesmo que seja sua própria liderança.

O papel da liderança diante de erros:

  • Conhecer as causas e estudar a frequência com que ocorrem e a severidade das consequências. Assim poderá ajudar a “blindar” os processos mais importantes e recorrentes e que deveriam ser à prova de erros.
  • Ressignificar o erro, focando em como reparar os danos e gerar aprendizagem.
  • Restabelecer junto à equipe a confiança mútua necessária no sistema e nos processos implantados e corrigir os pontos de falhas.
  • Gerar na equipe o senso de contribuição (individual e coletivo) e estimular a compreensão sobre uma análise de consequências sobre a falha.

Marcelo Boeger é administrador de empresas; mestre em Gestão da Hospitalidade pela Universidade Anhembi Morumbi; e mestre em Planejamento Ambiental pela Universidade Ibero Americana. É o atual presidente da Sociedade Latino Americana de Hotelaria Hospitalar; coordenador e professor do curso de Especialização de Hotelaria Hospitalar do Hospital Albert Einstein; e professor de MBA em Gestão da Saúde e MBA em Infecção Hospitalar (INESP). Atua também como consultor pela Hospitalidade Consultoria.

Homero Costa: O nepotismo na política brasileira

Desde que o presidente da República Jair Bolsonaro anunciou que o seu filho e deputado federal
Eduardo Bolsonaro seria indicado para a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos o tema do nepotismo
voltou a ser discutido.

A palavra nepotismo tem origem no latim — nepos, que significa neto ou descendente. Segundo o
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Nepote “é o sobrinho do sumo pontífice; conselheiro papel;
indivíduo predileto ou protegido”. Assim nepotismo é em sua origem “a autoridade exercida pelos sobrinhos
e demais parentes do papa na administração eclesiástica” (Editora Objetiva, p. 2010).

No Dicionário de Política organizado por Norberto Bobbio (editora UNB, 1997) nepotismo é
associado a uma forma de corrupção: trata-se de concessão de empregos ou contratos públicos baseados não
no mérito, mas nas relações de parentesco (p.292).

Essencialmente, em sua versão moderna, derivada de uma tradição cultivada por pontífices da Igreja
Católica, o termo passou a ser utilizado como expressão do favoritismo, como sinônimo de concessão de
privilégios ou cargos a parentes na administração pública, ou seja, conduta de agentes públicos em benefício
de familiares.

Assim, nepotismo acontece quando as relações de parentesco são fatores determinantes para a
nomeação de alguém para cargo ou função pública, em detrimento da sua competência e capacidade. Nesse
sentido, depõe contra os princípios republicanos e democráticos, de separações entre o público e o privado
afrontando princípios constitucionais norteadores da Administração Pública conforme a Constituição Federal
de 1988 no seu artigo 37 que diz: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

Além do artigo 37 da Constituição, no dia 18 de outubro de 2005, o Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) publicou a Resolução nº 7 que disciplina o exercício de cargos, empregos e funções por parentes,
cônjuges e companheiros de magistrados e de servidores investidos em cargos de direção e assessoramento e
veda a prática do nepotismo no âmbito de todos os órgãos do Poder Judiciário.

Foi uma Resolução importante porque foi levada ao Supremo Tribunal Federal que, quase três anos
depois, em 21 de agosto de 2008, aprovou uma Súmula Vinculante – que se refere a um conjunto de
decisões de um Tribunal Superior relativos a casos que tratam de temas parecidos e que são julgados de
maneira semelhante e que tem efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e da
Administração Pública – que estabelece que “viola a Constituição a nomeação de cônjuge, companheiro ou
parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, o exercício de cargo em comissão ou de
confiança ou ainda de função gratificada na Administração Pública”.

No entanto, não se definiu se a nomeação de familiares para cargos de natureza política também se
enquadra nessa restrição. Desde então, portanto desde 2008, embora ainda não tenha havido uma decisão
colegiada, ministros do STF têm entendido que a nomeação de parentes para cargos de natureza política não
se enquadra como nepotismo. No momento ainda está no Supremo Tribunal Federal (STF) para ser votado o
mérito de um recurso, uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Ministério Público do Estado
de São Paulo no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP) para questionar uma lei municipal de Tupã (SP), que
passou a desconsiderar nepotismo a nomeação de parentes dos nomeantes para o cargo de agente político de
secretário municipal.

O recurso é para que se defina se a proibição do nepotismo pela súmula vinculante nº 13 alcança a
nomeação para cargos políticos. O entendimento é que a Constituição determina que agentes públicos de
qualquer nível ou hierarquia são obrigados a observar os princípios de legalidade, impessoalidade e
moralidade no desempenho de suas funções. Mas isso tem dividido o entendimento de ministros do STF.
Para o ministro Marco Aurélio Mello, a prática do nepotismo vale também para cargos políticos, devendo ser
banido do ordenamento jurídico brasileiro, enquanto para o ministro Luis Roberto Barroso “em linha de
princípio, a restrição sumular não se aplica à nomeação para cargos políticos”, a mesma interpretação
defendida pelo ministro Alexandre de Moraes.

No caso específico da indicação do cargo de embaixador, a lei não estabelece que seja
necessariamente ocupado por um diplomata, embora tenha sido este o procedimento adotado pelos
sucessivos governos pós ditadura, especialmente em se tratando da relevância de uma embaixada como a dos
Estados Unidos.

Para o presidente da República, a indicação de seu filho não configura nepotismo uma vez que a
referida súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) considera nepotismo apenas nomeações de
parentes para cargos administrativos, e não para cargos políticos, como é o caso do cargo de embaixador.
O fato é que a pretendida nomeação, que ainda depende da aprovação do Senado, tem gerado
polêmicas. O ministro do STF, Marco Aurélio Mello, por exemplo, afirmou que a eventual indicação é um
“péssimo exemplo” e que pode ser enquadrado como nepotismo.

Para o Ex-embaixador nos Estados Unidos, o diplomata Rubens Ricupero na matéria da revista Carta
Capital afirmou que a nomeação do filho do presidente, sem carreira diplomática ou estudos de Relações
Internacionais, seria um ato sem nenhum precedente nem na nossa história, nem na de nenhum país
civilizado, democrático. (https://www.cartacapital.com.br/politica/nomeacao-de-eduardo-bolsonaro-echocante-diz-ricupero/).
Em 4 de junho de 2010, um decreto presidencial (nº 7203) vedou o nepotismo nos órgãos e entidades
da administração pública federal direta ou indireta. E ainda previa as situações em que o nepotismo é
presumido e que precisavam de uma investigação específica: “a nomeação de familiares para vagas de
atendimento a necessidade temporária de ‘excepcional dinheiro público’ é considerada situação de
nepotismo presumido”.

O tema voltou a ser discutido no Congresso Nacional em 2019. No dia 14 de agosto de 2019, a
Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou uma
proposta que proíbe o nepotismo na administração pública federal. O texto trata a prática como ato
de improbidade administrativa e fixa pena de detenção de três meses a um ano para quem descumprir a regra.
No Senado foi apresentada, em julho de 2019, pelo senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC)120/2019, que disciplina a proibição do nepotismo em toda a
administração pública. Como o tema é polêmico, a exemplo do que foi aprovado numa comissão da Câmara,
ainda tem muito que ser discutido e aprovado nas respectivas casas legislativas. No caso do Senado, por
exemplo, dois meses depois, a proposta ainda aguarda designação de relator na Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ).

Uma questão relevante a ser discutida é: Como compreender o nepotismo com maior alcance? A
literatura sobre o tema não é muito expressiva, especialmente no Brasil. Em 2006 foi publicado o livro de
Adam Bellow Em louvor do nepotismo: uma história natural (Editora Girafa) que trata do tema numa
perspectiva histórica. Baseado na biologia, antropologia, história e nas teorias políticas e sociais, analisa a
história do nepotismo desde a sua origem e o seu uso nas tribos, nos clãs e nos reinos antigos até as
sociedades modernas.

A meu juízo, há pelo menos duas referências importantes para se compreender o nepotismo no
Brasil: os livros Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, publicado em 1936 e os donos do poder de
Raymundo Faoro, publicado em 1958. Ambos mostram como se constituiu no país uma cultura política
personalista na qual não há uma separação entre o público e o privado e assim o uso privado do que é
público. Esse processo vem desde o início da colonização, herdando práticas do Estado Português e que
ainda permaneceram como um traço marcante da história política do Brasil.

Para Faoro, que analisa a formação do patronato político brasileiro, constitui-se o que ele chama de
um Estado Patrimonialista, no qual um grupo de pessoas comanda o ramo civil e militar da administração e
dessa base, “com aparelhamento próprio, invade e dirige a esfera econômica, política e financeira”.
(FAORO, 2012, p.12). Suas origens estão no Estado Português e as análises (16 capítulos) se estendem do
Brasil colônia, depois Independência, Império e República. Há, em síntese, uma hipertrofia estatal, um
Estado onipotente (e onipresente) e “uma ficção: o povo” (p.202) excluído de todo o processo decisório. O
que existe é o uso privado do Estado, no qual o nepotismo é consequência.

Sérgio Buarque de Holanda entre outros aspectos relevantes de Raízes do Brasil constata a ausência
de verdadeiro espírito democrático no país (que permanece ainda hoje). No capítulo 5, O homem cordial,
mostra como são as relações de sangue e de coração que guiam as suas ações e que a cordialidade faz com
que os indivíduos coloquem as relações pessoais à frente das impessoais e nesse sentido, o nepotismo é
também resultado dessas relações.

Assim, considerando que a democracia e a República têm como uma de suas premissas a isonomia
entre os cidadãos, o nepotismo as contraria, daí a afirmativa de que na ausência desse princípio, desde o
início da colonização e depois da formação do Estado no Brasil “a democracia no Brasil sempre foi um
lamentável mal-entendido (…). Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde
fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o
alvo da luta da burguesia contra os aristocratas. E assim puderam incorporar à situação tradicional, ao menos
como fachada ou decoração externa, alguns lemas que pareciam os mais acertados para a época e eram
exaltados nos livros e discursos” (Raízes do Brasil, Companhia das Letras, edição comemorativa dos 70
anos, 2006, p. 176).

Para ele, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades
particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação
impessoal, presentes desde os primórdios da colonização brasileira e que continuam ainda presentes na
atualidade.

Dessa maneira, o nepotismo, parte integrante da sociedade brasileira desde o início da colonização,
ainda está presente na gestão pública, no qual uma minoria monopoliza o poder e utiliza-se do Estado em
benefício próprio. No caso da Administração Pública, esse proceder depõe contra a democracia e os ideais
republicanos violando os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, como
estabelece a Constituição Federal de 1988.

Homero Costa Homero Costa, cientista político e professor da UFRN

Afinal, o homem interfere ou não no aquecimento global?

As discussões sobre o aquecimento global são cíclicas. Para que voltem ao centro das atenções, basta uma tempestade voraz, ou mesmo queimadas florestais em tempos secos, que venham a ganhar notoriedade, já é suficiente para que a temática volte à tona. Um pronunciamento de uma autoridade política nacional ou internacional que provoque alguma polêmica, ou chame a atenção de setores organizados da sociedade, também certamente reacende o debate em torno do assunto.

Neste sentido, torna-se salutar reeditar algumas informações a respeito das mudanças climáticas globais, de forma simples, objetiva e didática, apontando os argumentos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – Organização das Nações Unidas (IPCC/ONU) e os dos cientistas tidos como céticos no que se refere a esta temática. No final, diante das considerações das duas vertentes, emitiremos nossa opinião.

Na vertente dos céticos se destaca o Prof. Luiz Carlos Molion, da UFAL. Este pesquisador defende que a ação antrópica só possui efeitos locais, não globais. Segundo Molion, o CO2 não tem nada a ver com o aquecimento do planeta. Na sua visão, os países ricos querem frear o crescimento dos países emergentes para manter seu domínio sobre a economia mundial. Ou seja, a questão é meramente econômica.

Outro argumento dos céticos é com relação as cíclicas eras de resfriamento e aquecimento no planeta. Ou seja, entre as décadas de 40 e 70 aconteceu um resfriamento da Terra, e nesta época foi observado um grande crescimento das indústrias após a segunda guerra. Isto é usado como algo que contradiz o argumento do efeito estufa, já que neste período existiu um aumento exponencial das emissões de CO2 na atmosfera e, no entanto, aconteceu um resfriamento do planeta.

Existe, por fim, a questão das ilhas de calor. Sobre isto, foi produzida na UFCG uma tese do Prof. Joel Silva dos Santos. Através de medições, ele comprovou que as temperaturas na praia de Tambaú, em João Pessoa-PB, são mais elevadas que em outros locais no perímetro urbano, exatamente por conta desta questão das concentrações de construções (asfaltos, prédios etc), sem o devido planejamento arquitetônico e arbóreo.

Por sua vez, num sentido mais macro, o IPCC afirma que a concentração de dióxido de carbono, gás metano e óxido nitroso na atmosfera tem aumentado como fruto de atividades humanas desde 1750, e agora já ultrapassou em muito os valores antes da era industrial. Este preocupante crescimento destas emissões é um grave problema do insustentável sistema econômico mundial, que causa o efeito estufa; uma vez que o calor irradiado pelo sol e penetrado no planeta não volta para o espaço, causando sérios desequilíbrios no aumento da temperatura.

Outra grave afirmação do IPCC é que o aquecimento global não é um equívoco, sendo agora comprovado com as observações de aquecimento global do ar e das temperaturas dos mares; derretimento de gelo e neve em grande escala, e aumento global do nível dos oceanos. As previsões catastróficas do aumento dos oceanos são a grande preocupação das nações, sobretudo por conta das cidades criadas próximas do mar.

Já o Prof. José Goldemberg, USP, acredita que a rotação da Terra em relação ao sol, e a mudança de posição da sua órbita em torno daquele astro aumenta a temperatura do planeta. Mas, a magnitude da ação antrópica com emissões atmosféricas de alto impacto está provocando o aquecimento causador de eventos climáticos extremos, como furacões, chuvas torrenciais e secas extremas.

Estas vertentes usam metodologias científicas. Mas, o leigo não usa isto para ver que os mares estão quebrando os calçadões das praias. Contudo, quando uma polêmica envolve a vida, devem existir ponderações. Todos estão certos em defender os ciclos de resfriamento e de aquecimento no planeta. Mas, tentar literalmente tapar o sol com a peneira em torno das elevadas temperaturas médias, é a maior causa do ceticismo em torno dos céticos, perdoem pela redundância.

 

Prof. Auris Martins de Oliveira – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Careca e a arte de natureza religiosa

No Mosteiro de Santa Clara, pertencente à ordem das irmãs Clarissas Descalças, existem quatro grandes painéis realizados pelo artista plástico Careca. São de uma extraordinária beleza. Sua inscrição na História da Arte remonta à milenar tradição de retratação de santos e mártires da Igreja Católica, iniciado com mais rigor na Idade Média e atingindo seu apogeu antes do Renascimento. Embora a Igreja Católica sempre fora a maior incentivadora no campo das artes, vide o caso da profícua escola que teve seus alicerces em Florença, na Itália.

As pinturas foram feitas na parece sobre uma camada de massa acrílica, pintadas com tinta a óleo sobre a massa ainda úmida, para melhor fixar a cor. Causando um belo efeito de nitidez na aura de tranquilidade e contemplação dos santos.

Os santos retratados são Santa Luzia, São Francisco de Assis, Santa Clara e Nossa Senhora da Conceição. Os que mais atingiram um grau de originalidade foram São Francisco e Santa Clara, os demais foram retratados seguindo a maneira padrão com a qual fomos acostumados a contemplar.

Sintomático são os que mais fazem ressoar uma aura de concentração e austeridade, não se postando de maneira hierática, mas de forma bastante simples e desprovidos de cores, como sucede com as duas outras santas, as quais adentram elementos de um excesso de formas e cores que lembram o Barroco. São Francisco e Santa Clara encontram-se paralisados em suas meditações, cada um com seus atributos. Os pássaros e a lanterna, respectivamente. Com indumentárias das suas ordens, o marron, se fizeram ressaltar por conta do fundo ocre, verde e azul do plano da paisagem ao fundo.

Creio que Careca se inscreve como o maior artista visual de Mossoró, tendo em vista não só sua capacidade intelectiva, seu domínio da perspectiva, da composição dos planos e do amplo domínio cromático, que permite-lhe plasmar inúmeras séries que vão da influência de natureza popular, como o cordel, até a arte mais vinculada às tradições mais eruditas, como o São Francisco e a Santa Clara que aqui tratei.

Com relação à arte de natureza religiosa, o artista detém uma série extremamente original. Tendo sido elaborada digitalmente, com o controle dos meios das máquinas usadas, quem sabe isso tenha colaborado para que houvesse uma grande uniformidade em todos os desenhos.

Nesse sentido, há o controle total do artista sobre o que tensionava fazer,  talvez explique o belo efeito  do contraste entre o contorno negro, – e que perfaz o plano central dos santos em evidência -, contrastando com planos em diversas cores – variando de imagem para imagem. Valendo lembrar que os planos não são uniformes, tanto são diferentes nos formatos, nas cores e na pluralidade de miúdos desenhos que preenchem o interior de cada plano individual.

O artista inicialmente desenha com caneta Pilot sobre papel canson, em seguida fotografa e leva ao fotoshop, separando os cubos e segue digitalizando a cor por unidade de plano. É um meio bastante interessante e contemporâneo de se fazer arte, pois faz uso da parafernália eletrônica surgida nos últimos tempos. A Arte não poderia ficar de fora de meios que revolucionaram o fazer e até o comportamento e a maneira de pensar o mundo, sobretudo pelo seu excesso de informações.

Enfim, uma tradição tão antiga, que remonta aos primórdios do Cristianismo, nos quais os primeiros cristãos desenhavam seus ícones representativos nas paredes das catacumbas, surge contemporâneamente como forma de representar as imagens da Igreja Católica. Sendo que aqui, gostaria de deixar bem claro, que interpreto todo esse Imaginário Religioso como integrando a mitologia Ocidental. Não me interessa questões de crenças ou de fé.

 

                                      Márcio de Lima Dantas