terça-feira , 18 de junho de 2019
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A RODA GIRA E A VERDADE FICA…

16 de junho de 2019, às 08:30h

Peço licença a meia dúzia de leitores deste TL para trazer à “Conversa de Domingo” de hoje algo bem pessoal e, até agora, bem guardadinho nas páginas do diário de 2017.

Mini flash back.  Era 26 de Outubro de 2017, dois dias antes de meu aniversário sem qualquer perspectiva de festa ou alegria, mas o que estava triste ainda poderia piorar,

Acordada com susto por inúmeros policias federais em casa, dormia com minha filha e não poderia adivinhar o que aquele pessoal ainda procurava em minha casa. Pela terceira vez.

A policial de pequena estatura se adiantou, pedindo meu celular. Era a “arma do crime”. Pedi um tempinho para ir atende-los adequadamente. . Pedi para ver o mandado de busca e apreensão. Sim, até esqueci que sou advogada , OAB 3989.

Estava sendo acusada de pedir um atestado médico falso para meu  marido Henrique. Também tinha no corpo do mandado uma suposta ligação com primos, que tenho pouco contato e são adversários políticos  históricos em Nova Cruz. Um gráfico com árvore genealógica  que não poupava nem a figura de minha saudosa avó Joanita, falecida em 1993. O que a ver? Nada!

Já tinham levado meu marido há quatro meses, carros, mil reais, documentos mil… O que poderia justificar aquela Operação naquele altura de dor e solidão? Quando saíram, soube que também “visitaram” a clínica do médico ortopedista de HE.

Certamente, acreditaram que fazia parte de uma Ocrim (Organização Criminosa)  comigo para justificar a ida de um fisioterapeuta para atender-lo na Academia de Policia Militar, onde estava preso desde 06 de Junho de 2017.

A ficha caiu e tive mais uma lição (imediata) naquela manhã. Estamos vivendo dias difíceis, o estado democrático de Direito combalido. Antes de qualquer investigação aprofundada, a condenação e execração em praça publica. Direito ao contraditório? Pode esperar.

Logo eu que me julgava acima de qualquer suspeita. Logo eu que sempre optei por seguir minha vida pessoal e profissional em Natal, logo eu que optei por me restringir a acompanhar apenas  como mulher/”esposa” .

Logo eu que criticava sem dó e piedade, por achar que quem é coreto não tem o que se preocupar ou temer. E como só poderia falar por mim mesma, me garantia. Não foi o bastante. Não é o bastante.

Mas por que tudo isso agora?

Porque vejo o mito Ministro Sergio Moro ser vítima do que ajudou a construir; um common low na própria pele com legislação distinta da que nos rege. O receio de ser pego, sem o manto da perfeição. E quem o tem afinal?

Para quem tem FÉ, como eu, Deus; só ELE. E como Ele é o caminho, a verdade, a vida. É também quem nos traz  a lição que precisamos aprender, e é bom aproveitar nas primeiras (duras)  aulas.

No meu caso, tive a “sorte” de ter guardado a foto que ilustra essas mal traçadas. Uma semana antes de sua prisão fomos ao plantão da Promater para ele ser socorrido com fortes dores no ombro. Saiu de lá imobilizado, com receita médica e um diagnóstico: bursite.

Foi o que levei para meu depoimento ao delegado da Polícia Federal. O médico também apresentou todos os prontuários que tinha da doença de HE.

O melhor remédio? Se colocar no lugar do próximo.  É pedagógico para vida.

Injustiças existem e nem sempre o que parece ser, é de fato. A verdade real aparece no fim, mas antes é necessário o benefício da dúvida. Não se trata apenas de um princípio Constitucional e de Direito Penal, é um princípio cristão de misericórdia e humanidade.

Mais; todos nós podemos ser vítimas de injustiças e mal entendido. Até mitos. Até Moros.

Este com um diferencial de poder se explicar, se defender no Jornal Nacional ou no Programa do Ratinho. Outros não tiveram a mesma oportunidade.

A verdade real, infelizmente,  chegou atrasada para o Reitor Cancilier, de Santa Catarina. Não vai poder ressuscitar com a comprovação pública de sua inocência.

Com uma semana que o The Intercept  chegou ao patamar das celebridades dos sites, ainda não se sabe o que há por vir, o que os tribunais imediatistas e inquisitórios das redes vão decidir sobre quem dava poderes divinos há poucos dias.

O grande Ulyssses Guimarães deixou legados antes de partir. Deixou análises irrefutáveis de quem conviveu e observou o poder de perto; “Os heróis mais perigosos são os que acreditam mesmo que são heróis”.

Agora, uma oportunidade de se  corrigir equívocos, assumir excessos, retomar o darma do Brasil, dos mitos e dos pobres mortais com a certeza que a verdade  prevalece e se sobrepõe, agindo como um bálsamo, um alivio, uma cura aos males do corpo e da alma. .

Pode demorar uma vida. Pode ultrapassar existências humanas, mas aparece, mesmo sem ressuscitar reputações de quem não conseguiu resistir .

É não perder a FÉ que existe algo muito maior e sublime, Algo que suporta  tempestades, fogo  e hackers sem se macular.  Só Ele!

 

Laurita Arruda
LAURITA ARRUDA

Laurita Arruda , jornalista e advogada, com opinião formada sobre (quase tudo), observadora da cena e único compromisso; respeito à verdade! #TLvive #novoTL

A virtude da paciência – Paiva Netto

A respeito do fundamental exercício da paciência na vida dos seres humanos, transcrevo a página “O mais difícil”, de autoria do Espírito Hilário Silva, no capítulo 10 do livro A vida escreve. Reproduzo aqui o texto da forma que o saudoso Irmão Alziro Zarur (1914-1979) magistralmente a interpretava durante suas pregações da Hora do Ângelus, na Mensagem da Ave, Maria!

“Diante das águas calmas, Jesus refletia.

“Afastara-se da multidão, alguns momentos antes.

“Ouviu remoques e sarcasmos.

“Viu chagas e aflições.

“E o Mestre pensava…

“Tadeu e Tiago, o moço, João e Bartolomeu se aproximaram. Não era aquele um momento raro? E ensaiaram perguntas.

“— Senhor — disse João —, qual é o mais importante aviso da Lei de Moisés na vida dos homens?

“E o Divino Amigo passou a responder:

“— Amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Mas o meu Mandamento é: Amai-vos como Eu vos amo.

“— E qual é a virtude mais preciosa? — indagou Tadeu.

“— É a humildade.

“Então, Tiago perguntou:

“— E qual o talento mais nobre, Senhor?

“Jesus respondeu:

“— O trabalho.

“— E a norma de triunfo mais elevada, Senhor? — perguntou Bartolomeu.

“— A persistência no Bem.

“— Mestre, qual é, para nós todos, o mais alto dever?

“— Amar a todos, a todos servir sem distinção.

“— Mas, Senhor — respondeu Tadeu —, isso é quase impossível!

“E clamou Tiago:

“— A maldade é atributo geral. Eu faço o Bem quanto posso, mas apenas recolho espinhos de ingratidão.

“— Vejo homens bons sofrendo calúnias por toda a parte.

“— Tenho encontrado mãos criminosas toda vez que estendo as mãos para ajudar.

“E todos desfilaram as suas mágoas diante do Mestre silencioso.

“Então, o Discípulo Amado voltou a interrogar:

“— Jesus, o que é mais difícil? Qual é a aquisição, realmente, mais difícil de todas?

“Jesus declarou:

“— A resposta está aqui mesmo em vossas lamentações. O mais difícil é ajudar em silêncio, é amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar… A aquisição mais difícil para nós todos chama-se paciência”.

A Dor é a libertação da Alma

Tanta gente padece na existência terrena. Mas poderá usufruir o benefício de várias encarnações enquanto for necessário esse medicamento para a sua Alma em evolução. Depois receberá a recompensa eterna da consciência tranquila pelo dever bem cumprido.

Não adianta fugir à Dor. O segredo para evitá-la é não a provocar. De que maneira?! Respeitando a Lei Divina. Por isso, é necessário conhecê-la bem. Trata-se de um estudo empolgante e infinito.

Ovídio (43 a.C.-17 ou 18 d.C.) compreendeu a lição do sofrimento: “Suporta e persevera, que essa dor acabará por te ser de grande proveito”.

Como tem sido ao Supremo Político, Jesus, que, em Seu Sermão da Montanha (Evangelho, segundo Mateus, 5:5), nos convida:

— Bem-aventurados os pacientes, porque eles herdarão a Terra.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] — www.boavontade.com

ESCOLAS, ENSINO E EDUCAÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completou 39 anos em 2019. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Http://lcamorim.blogspot.com.br – http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

A gente vê muita coisa ruim na internet, infelizmente, e entre elas, vi o seguinte texto num post na internet, recentemente: “Essa lei que Vcs colocaram eu como um repórter e jornalista básico náo concordo eu trabalho com meu celular depois que saio da escola náo concordo mesmo quando fiquei sabendo passei isso pra imprensa maior eles falaram com representante do governador ele falo que aluno náo pode usa dentro da sala manter desligado mais proibi è um abuso isso eu como aluno e brasileiro náo aceito isso ta bom diretora náo aceito quem cria lei é governo na escola”.

Tive que ler várias vezes, colocar os pontos e vírgulas e desconsiderar os erros de concordância e letras faltantes em algumas palavras para entender que ele estava protestando contra a proibição de celular em sala de aula. O autor do texto não vem ao caso, porque na verdade ele não tem toda a culpa da ignorância em expressar suas ideias na sua língua que é o português, isso é culpa da nossa educação, do ensino que está sendo praticado com nossos jovens. O mais estarrecedor da situação é que este é um aluno do segundo grau. Sim, do segundo grau, não é dos primeiros anos do primeiro grau.

É quase normal um aluno do terceiro ou quarto ano do primeiro grau não dominar a escrita ou a leitura, diante das modificações que fizeram no sistema de ensino brasileiro, nas últimas décadas, e diante da falta de consideração dos donos do poder para com a educação e para  com as nossas escolas, mas alunos do segundo grau já deveriam ter esse domínio. Segundo o texto que vimos acima, a pessoa que o escreveu não consegue nem ao menos comunicar um fato simples, que é a proibição do uso do celular na salada de aula, com o que ele não concorda.

É flagrante o despreparo do estudante e não precisaríamos nem entrar no mérito da questão dele, que é a indignação dele por não poder levar o celular para a sala de aula. Mas há que se discutir, sim, o uso do celular, pois para alguém que escreve tão mal, o celular pode desviar ainda mais a atenção do que está sendo ensinado e a situação dele pode ficar ainda pior.

Precisamos prestar mais atenção ao aproveitamento de nossos filhos na escola e precisamos cobrar de nossos governantes melhoras na nossa educação. Melhores conteúdos programáticos, mais qualificação e salários decentes para nossos professores, manutenção assídua e equipamentos para as escolas públicas. Os programas de relacionamento, na internet, são boas amostras de como anda a instrução que estamos tendo em nosso país, pois lá as pessoas escrevem simplesmente como sabem, alguns de nossos jovens mostram, infelizmente, o pouco que estão aprendendo.

escritor

Luiz Carlos Amorim é fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA em SC, com 39 anos de atividades e editor das Edições A ILHA. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras.
Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e autor de 32 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano, francês -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc.
O autor assina, também, o Blog CRONICA DO DIA, em Http://lcamorim.blogspot.com

Petrônio Souza – A Civilização do Ouro

Para Eugênio Ferraz

O Ciclo do Ouro em Minas Gerais não foi um período, mas uma civilização: Essa civilização deu a Minas o primeiro governador aclamado pelo povo em ato revolucionário, o português originário Manuel Nunes Viana. Ao Brasil o mais belo momento das artes nacionais: o Barroco Mineiro, em toda sua opulência, exuberância, beleza e formas. Ao país, o Patrono das Artes no Brasil: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Às Letras nacionais, o Arcadismo eterno, renascido no cume de suas montanhas de ferro. À Pintura, o elo libertário nas naves das igrejas com as cores celestiais do mestre Manuel da Costa Ataíde. À Nação, o mais elevado movimento cívico, ideológico, político e cultural: A Inconfidência Mineira. À Pátria, o herói nacional Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. À Humanidade, três monumentos mundiais, os centros históricos de Diamantina e Ouro Preto e os profetas que miram o céu clamando por respostas, de Aleijadinho, no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo.

A Civilização do Ouro tinha moeda própria, contabilizada em onças/gramas de ouro. Tudo era taxado em onças de ouro, do alimento ao preço de escravos. Uma língua nova, nascida da fusão do português de Portugal, com o Tupi-Guarani nativo e o africano, abarcando os vários dialetos em suas várias origens. Nas Artes, uma linguagem única; o Barroco Mineiro, tão brasileiro que se dividiu em três. O encontro de várias religiões e diferentes cultos trouxe formas impensadas de manifestações religiosas, indo do monoteísmo absolutista ao politeísmo das noites enluaradas, sem entrelaçando e somando sem maiores conflitos. Uma música tão inusitada, que da matriz pré-clássica europeia incorporou-se os cânticos e ritmos negros aos instrumentos e sons indígenas, compondo uma nova toada na pauta ensolarada da clave de lua.

A Civilização do Ouro forjou-se no encontro de oportunidades e possibilidades, muito além de conceitos, ideologia ou matriz inicialmente estabelecida. Aqui as coisas nasceram não da opulência faustica paradisíaca, mas na fria realidade de sobrevivência, de sua primaz permanência.

As riquezas de todas as ordens se fundiram harmoniosamente ao ouro, gerando uma terceira paisagem. A culinária buscou na vegetação nativa o que lhe faltava para matar a fome dos nobres e dos rudes. O bambu ancestral transmutou-se em iguaria sem igual. As frutas tropicais em doces de cristalinos adornos. Minas além da cozinha é a sala servindo doces, os mais diversos e fartos nesse país de sonhos e frutas temporais.

A Civilização do Ouro foi tão intensa e densa que sua pujança artística perdura até os dias de hoje, diluída em várias manifestações e diferentes criações. A hegemonia da Civilização do Ouro mais que no plano econômico se deu sobretudo no plano cultural, elevando e levando as Minas Gerais como um local natural das artes. A cultura mineira nasceu no garimpar dessa bateia de ouro, alicerçada em uma civilização que fez história na mais prematura aurora.

Petrônio Souza é jornalista e escritor

Tireoide – Há uma epidemia de casos?

25 de maio – dia internacional da tireóide
Hospital Moriah
Há uma epidemia de casos?
Sim, parece que boa parte da população agora tem problemas com essa glândula que regula o nosso metabolismo, que é a maneira como o corpo usa e armazena energia. Mas não há uma epidemia de tumores de tireoide, mas sim uma “epidemia” de diagnósticos.

Para alguns, a alimentação moderna tem fator preponderante nesse aumento de casos, e embora a comida com iodo (como peixes, frutos do mar, sal) possa influenciar a função tireoidiana e a soja possa bloquear essa função, notadamente não é a alimentação do dia a dia. Para esse efeito, o ser humano deveria ter um desequilíbrio na ingestão de um desses itens.

Tudo leva a crer que o diagnóstico de nódulos aumentou no mundo todo – e consequentemente os tratamentos. Entre 2008 e 2015 o gasto com tratamentos no Brasil foi incrementado em R$ 230 milhões. Isso porque temos mais acesso à ultrassonografia, especialmente nos grandes centros.

Um estudo revelou que, na Coreia do Sul, ao incluírem o ultrassom como exame de rotina, houve a constatação de uma real epidemia de tumores de tireoide. Entretanto, o fato de detectar precocemente o nódulo não trouxe nenhum movimento de diminuição da mortalidade por câncer de tireoide. Logo, o sistema de saúde estava gastando dinheiro e energia – além de imputar stress para os pacientes – desnecessariamente.

Somente a punção da glândula – feita por uma agulha finíssima – pode identificar se um nódulo é maligno ou não, após a microscópica porção retirada ir para a análise patológica, e essa indicação só deve ser feita pelo endocrinologista, que é o especialista que deve, após suspeita no exame clínico, indicar um ultrassom e dar início ao rastreio, pois existem critérios específicos para a indicação de uma punção.

Isso porque, mesmo nódulos malignos podem ser de lenta progressão e não oferecer mortalidade. Você já deve ter ouvido de alguém: “o câncer de tireoide é o ‘segundo melhor’ dos cânceres”! Nenhum câncer é bom, claro, mas a progressão extremamente lenta desses tumores leva a uma relativa tranquilidade.

Existem quatro tipos de cânceres de tireoide e hoje, operam-se todos. Existem testes genéticos para estabelecer com acurácia quais casos supeitos na punção deveriam mesmo sofrer intervenção, mas infelizmente, hoje, ainda são muito caros.

No futuro, boa parte desses tumores serão apenas acompanhados, quando tivermos marcadores biológicos mais acessíveis. Sem esses marcadores de agressividade, seguem todos sendo operados.

O tratamento

O resultado foi positivo, nada de desesperar. A cirurgia será feita e, na maioria dos casos a glândula é totalmente retirada. Existem sim, ocasiões onde o cirurgião consegue retirar somente a parte onde o tumor está instalado, mas, mesmo assim, nem sempre é possível preservar a função da glândula, mas não é a maioria dos casos. Após o envio da peça cirúrgica para o exame anátomo-patológico, o médico vai decidir se o paciente deve receber o tratamento com iodo radioativo para destruir algum restinho de câncer que pode ter ficado em tecidos próximos, ou em um linfonodo.

O paciente que teve sua glândula retirada entra em hipotireoidismo e precisa tomar uma medicação que repõe o hormônio (T4) para regular o metabolismo. Existem algumas drogas no mercado que regulam essa função e o paciente passa a ter uma vida normal. Claro, com acompanhamento do endocrinologista.

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JESUS É DEUS? – ( Y-Jesus/Português )

Y-Jesus

Você já encontrou uma pessoa que é o centro das atenções onde quer que vá? Alguma característica misteriosa e indefinível o distingue de todas as outras pessoas. Pois foi isso que aconteceu dois mil anos atrás com Jesus Cristo. Porém não foi simplesmente a personalidade de Jesus que cativou aqueles que o ouviam. Aqueles que puderem ouvir suas palavras e observar sua vida nos dizem que existia algo em Jesus de Nazaré que era diferente de todas as outras pessoas.

A única credencial de Jesus era ele mesmo. Ele nunca escreveu um livro, comandou um exército, ocupou um cargo político ou teve uma propriedade. Normalmente ele viajava se afastando somente alguns quilômetros do seu vilarejo, atraindo multidões impressionadas com suas palavras provocativas e seus feitos impressionantes.

Ainda assim, a magnitude de Jesus era óbvia para todos aqueles que o viram e ouviram. E enquanto a maioria das grandes personalidades históricas desaparece nos livros, Jesus ainda é o foco de milhares de livros e controvérsias sem paralelos na mídia. Grande parte dessas controvérsias envolvem as afirmações radicais que Jesus fez sobre si mesmo, afirmações que espantaram tanto seus seguidores quanto seus adversários.

Foram principalmente as afirmações únicas de Jesus que fizeram com que ele fosse considerado uma ameaça pelas autoridades romanas e pela hierarquia judaica. Embora fosse um estranho sem credenciais ou força política, em apenas três anos Jesus foi capaz de mudar a história dos mais de 20 séculos seguintes. Outros líderes morais e religiosos influenciaram a história, mas não como o filho de um carpinteiro desconhecido de Nazaré.

Qual era a diferença de Jesus Cristo? Ele era apenas um homem de grande valor ou era algo mais?

Essas perguntas nos levam ao cerne do que Jesus realmente era. Alguns acreditam que ele era simplesmente um grande professor de moral, já outros pensam que ele foi simplesmente o líder da maior religião do mundo. Porém muitos acreditam em algo muito maior. Os cristãos acreditam que Deus nos visitou em forma humana, e acreditam que há evidências que provam isso.

Após analisar com cuidado a vida e as palavras de Jesus, C.S. Lewis, antigo cético e professor de Cambridge, chegou a uma espantosa conclusão, que alterou o rumo de sua vida. Então quem é Jesus de verdade? Muitos dirão que Jesus foi um grande professor de moral. Ao analisarmos mais cuidadosamente a história do homem que causa mais controvérsias em todo o mundo, primeiramente devemos perguntar: será que Jesus foi simplesmente um grande professor de moral?

(Continua)

Y-Jesus/Português

Energia solar fotovoltaica: a próxima onda do mercado livre de energia

Por Marcel Haratz, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk* 

Desde o início 2019, o mercado de energia solar fotovoltaica apresenta uma trajetória animadora tendo ultrapassado a energia nuclear e assumido a posição de sétima fonte mais representativa na matriz energética brasileira, superando a marca de 2.000 megawatts (MW) de potência operacional.

A estimativa é de que a fonte ultrapasse a marca de 3.000 MW ainda em 2019, atraindo ao Brasil mais de R$ 5,2 bilhões em novos investimentos privados, com a instalação de mais de 1.000 MW adicionais em sistemas de pequeno, médio e grande porte, segundo projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

Os prognósticos são bons, mas ainda estão longe de representar o verdadeiro potencial que a energia solar fotovoltaica tem a oferecer ao Brasil, país com um dos maiores potenciais de geração desta fonte renovável no mundo.

Atualmente, o crescimento da energia solar fotovoltaica ainda está fortemente dependente de projetos desenvolvidos no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), ou seja, no chamado “mercado cativo”, composto por leilões de energia elétrica organizados pelo Governo Federal, como os A-4 e A-6 que ocorrerão neste ano, bem como por projetos de geração distribuída atendendo os consumidores cativos na baixa e média tensão.

No entanto, há um outro universo ainda pouco explorado e de grande potencial de expansão para a fonte: o Ambiente de Contratação Livre (ACL), ou seja, o chamado mercado livre de energia. A fonte solar fotovoltaica oferece preços cada vez mais competitivos e já inferiores aos de outras fontes renováveis, como CGHs, PCHs e biomassa, resultado da redução de preços de equipamentos e da acirrada competição entre empreendedores. Com isso, a energia solar fotovoltaica tem todas as características necessárias para se tornar a mola propulsora do próximo grande salto do dinâmico mercado livre de energia no curto, médio e longo prazos.

Adicionalmente, as transformações em andamento no setor elétrico contribuirão de maneira positiva para um cenário promissor da fonte solar fotovoltaica. A primeira delas é a nova configuração dos patamares de carga do setor, que entrou em vigor neste ano, trazendo uma importante valorização do preço da fonte, dado o seu pico de geração nos momentos de patamar de carga pesada, que passará de 3 para 12 horas de vigência, do meio da manhã até o início da noite.

Além disso, também há a previsão de entrada em vigor do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) horário, que será um avanço regulatório para o setor no Brasil. Atualmente, o País adota a formação do PLD semanal. Com a inovação, espera-se sinalizar ao mercado um preço de energia mais próximo da realidade operativa.

Neste cenário a fonte solar fotovoltaica terá nova valorização significativa pois as simulações atuais de preços horários apontam que a fonte oferta a maior parte de sua geração em horários nos quais a energia elétrica é mais demandada e, consequentemente, mais valiosa e com preço mais elevado. Dessa forma, além de ajudar o sistema, a fonte proporcionará uma maior economia aos consumidores e rentabilidade aos investidores, quando comparada com fontes que têm a maior parte de sua geração nos horários da noite e madrugada. Ainda, representará um alívio a todo o sistema elétrico em horários de alta demanda diurna, como nos meses quentes de verão, e reduzirá a necessidade de despacho de termelétricas emergenciais, caras e poluentes, para suprir a demanda dos consumidores.

Desse modo, além de trazer maior competitividade para fonte solar fotovoltaica, essas evoluções contribuirão para um mercado de energia elétrica mais eficaz, eficiente, realista, transparente, sustentável e competitivo.

Muito em breve, projetos de energia solar fotovoltaica no ACL representarão um novo mar de oportunidades e contribuirão para a competitividade de segmentos importantes da nossa economia, como shopping centers, supermercados, fábricas, entre outros. Isso será possível por meio da estruturação de produtos customizados, adequados especificamente às necessidades de consumidores com maior consumo de energia elétrica no período diurno, em horário comercial, quando a geração solar fotovoltaica mais se destaca.

E a sua empresa, já está preparada para surfar esta nova onda do setor?

* Marcel Haratz é Diretor da Comerc ESCO

* Rodrigo Sauaia é Presidente Executivo da ABSOLAR

* Ronaldo Koloszuk é Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR

Júlio Cardoso – Demissão de servidor público estável

Está em tramitação no Senado o PLS 116/2017 complementar, de autoria da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), que dispõe sobre a perda de cargo público por insuficiência de desempenho do servidor público estável.
A ineficiência nos serviços públicos não pode ser debitada à incapacidade ou negligência dos servidores, mas, por exemplo, à falta de infraestrutura administrativa adequada.
Jogar nos ombros dos servidores a responsabilidade dos maus serviços prestados pelas instituições públicas é uma forma simplista de ver as causas ou defeitos na estabilidade dos funcionários.
A estabilidade, pós-estágio probatório, não é  uma garantia absoluta de emprego, porque dependendo do caso o servidor pode ser demitido. Ora, se já existem mecanismos legais  capazes de demitir um servidor público, por que, então, a aprovação de mais um instrumento com o mesmo objetivo?

A Constituição Federal  prevê três hipóteses para que o servidor perca o cargo (Art. 41, § 1º):  após sentença judicial transitada em julgado, por processo administrativo e mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, que na prática é aplicado aos servidores em estágio probatório.

Ademais, as causas de demissão do servidor público civil estão enumeradas o Art. 32 da Lei 8.112/90. Portanto, por que os legisladores moralistas, que não corrigem os injustos privilégios e mordomias no próprio Legislativo, querem agora instituir mais critérios para castigar os servidores públicos civis?
Pergunta-se: quem vai avaliar a competência operacional dos avaliadores? É preciso que haja mudança de orientação de trabalho na administração pública antes de qualquer  proposta pré-avaliativa dos servidores concursados.
A administração pública precisa  reduzir a quantidade de concursos públicos e implantar de forma dinâmica  a terceirização dos serviços.
Hoje, o mau servidor só não é demitido por justa causa por falta de coragem dos administradores públicos, que não acionam os mecanismos legais, que comprovem o motivo ensejador da dispensa.
A proposta em questão é aparentemente boa, mas esbarra na suspeita seriedade imparcial daqueles que serão os avaliadores.
Não é pedagógico o servidor trabalhar sob a espada de  Dâmocles.  Mas o estabelecimento de metas a cumprir a um grupo de servidores substitui qualquer avaliação individual.
Muitas vezes o servidor está alocado em áreas incompatíveis com o seu bom desempenho. O que denuncia que a falha não é do servidor, mas da administração que não sabe aproveitar a potencialidade de cada funcionário.
É óbvio que a população, pagadora de imposto, exige serviços públicos de qualidade e eficiência dos servidores públicos. Mas o xis da questão não está na ineficiência de (alguns) servidores públicos concursados, mas sim na falta de infraestrutura administrativa adequada e da necessidade de implantação de mudança de orientação de trabalho na administração pública.
Os parlamentares signatários da proposta estão tentando transferir a deficiência  existente nos serviços públicos  ao desempenho modesto de parcela restrita de servidores, fato que ocorre também no exercício parlamentar, com a profusão de políticos ineficientes.
Júlio César Cardoso

Servidor federal aposentado

Balneário Camboriú-SC

Marli Gonçalves – EM BUSCA DO PRAZER PERDIDO

Marli Gonçalves

Vou falar desse assunto um pouco proustiano porque creio que muito mais gente pode estar se sentindo assim e talvez seja bom trocarmos ideias, um pouco de filosofia, essa conversa particular. Não confunda prazer com felicidade. Prazer é fugaz, mas alegria necessária no nosso árido cotidiano.

Anda faltando prazer. Anda me faltando prazer. Demorei dessa vez um pouco mais do que de costume para distinguir o porquê de uma certa tristeza no fundo do coração, como definiria e responderia como me sinto, claro, caso alguém me perguntasse. O que anda meio difícil, que alguém queira saber de outro realmente se está tudo bem. Tudo bem, tudo bom. Cada vez mais as relações são fugazes, superficiais e as pessoas estão voltadas aos seus próprios umbigos e a como salvar os seus rabos. Não é uma crítica. O mundo está assim mesmo. Cabe a todos admitirem onde o sapato aperta.

Mas especialmente quem vive só, ou melhor, convive consigo mesmo, tem de estar esperto ao que o seu eu interno está sentindo, até para evitar o agravamento enquanto é tempo. Quem pode, pode, faz análise, viaja, tira ano sabático, inventa uma moda, sai comprando coisas – que comprar coisas é sempre bom. Quem não pode… escreve.

Pode ser a aproximação de mais um aniversário, os teimosos e inúmeros cabelos brancos que despontam revelados pelo espelhos. E que parecem rir da sua cara quando se tenta puxá-los da cabeça. Pode ser essa sensação de ter se tornado invisível justamente para aqueles os quais mais gostaria de estar sendo vista. O tempo correndo.

Pode ser por causa de tanta coisa. Pode ser esse país maluco e desorientado, todo dia ouvir índices bons descendo, índices ruins subindo, o tempo escorregando numa rotina qualquer. A repetição das desgraças que poderiam ser evitadas, e das tragédias que, por mais longe que seguidamente ocorram, nos afetam a sensibilidade – cada vez mais acompanhamos ao vivo muitas delas e diante de nossos olhos elas se desenrolam sem que possamos interferir em nada.

Tenho um bom amigo psicanalista, um vizinho de quem gosto muito, também jornalista, e que um dia vi conseguir mudar um monte de coisas na vida dele. Continua mudando. Me contava que para se “salvar” diminuiu drasticamente o número de horas “GloboNews”; se informa no estritamente necessário. Já eu não posso fazer isso, por conta da atividade, mas detectei uma parte da minha própria angústia: os plins 24 horas vindos da internet, dos e-mails, das redes sociais, do SMS, do Whatsapp, que agora ainda tem mais essa. Cancelar notificações: ajuda.

Continuando a conversa, ele citou um autor que pergunta: “Você realmente quer aquilo que deseja?” “É mesmo o que precisa?”. Porque desejar muito é constante fonte de angústia. Citou ainda mais o que faz para si, a leitura e a culinária, essa última encontrei várias vezes citada como excelente forma de prazer. Cozinhar. Criar.

Prazer é descrito como uma sensação de bem-estar, a gente demonstra alegria quando tem prazer. É uma resposta do nosso organismo. É aquela sensação agradável. Efêmera, curta, mas fundamental. Os prazeres ocorrem à flor da pele. O dicionário é claro: sentimento agradável que alguma coisa faz nascer em nós; deleite, gozo, delícia; gosto, desejo; alegria, contentamento; boa vontade, agrado; distração, divertimento. E olha que nem estou falando do prazer sexual, que esse é outro capítulo.

Cazuza queria uma ideologia para viver. Eu quero prazer, ter mais prazer. Ideologias há muitas e ultimamente elas têm sido fonte é de enorme desprazer. Porque as pessoas se apegam a elas – talvez até em busca de preencher seus vazios existenciais – e têm ficado meio burras agarradas nessas tábuas de salvação. Acabam tentando limitar o prazer a aquilo que alguém ao longe acena friamente buscando fanáticos para segui-los. Acabam com os nossos, em palavras, canetadas, agressões.

O prazer é coisa pessoal, individual, precisa ser livre e desimpedido, acontecer quando menos se espera, naturalmente. Prazer me faz sorrir, me impulsiona, dá ânimo, me deixa bem, combina comigo.

Mas precisa de ambiente propício. Que é o que não vem sendo o caso, também descobri nessa busca que empreendi para entender meus sentimentos.

E você, como está se sentindo? O que é que te dá prazer?

Marli Gonçalves – jornalista

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Marcelo de Trói – Faça a Terra grande de novo

Hoje não se entende a política sem olhar para as mudanças climáticas; a população mais pobre e negra é a que vive em áreas com maior risco de catástrofes ambientais


Ilustração: Junião

Atualmente vivo no Alto da Sereia, bairro antigo da cidade de Salvador, uma periferia na área nobre da cidade. A comunidade fica a cerca de um quilômetro do palácio onde reside o governador do estado da Bahia. Apesar de não ser frequente, casas já foram invadidas pela polícia sem ordem judicial, pessoas já foram assassinadas; em maio, a casa de um vizinho desabou com a tempestade. Tem semana em que a primeira tarefa do dia consiste em acordar cedo e pegar baldes de água nas torneiras que trazem água da rua, pois sabemos que ela vai faltar o resto do dia, ficará uma semana sem aparecer ou não terá pressão para chegar até a caixa. Pelo estigma, alguns prestadores de serviço se recusam a subir o morro com medo. Contraditoriamente, o morro que habitamos é dividido por um muro. Do lado de lá, tudo parece funcionar bem com as mansões e o restaurante japonês frequentado pelos endinheirados de Salvador. O entorno do nosso bairro, que tem vista privilegiada para o mar, está sofrendo um processo de gentrificação com a construção de condomínios para a classe média alta com suas duas garagens por apartamento. Faz alguns anos que concessionárias de carro de luxo se instalaram na entrada das escadarias que dão acesso ao bairro. Modelo classe A: Jaguar, Land Rover, cujo valor, sem dúvida, é superior ao PIB per capita da favela inteira. As disparidades entre nossos mundos são gritantes e visíveis, nossos mundos não são compartilhados.

Há um mês, era noite, chovia forte e eu já estava deitado lendo o novo livro de Bruno Latour (Down to Earth: Politics in the New Climate Regime. Polity Press: Cambridge, 2018). No ensaio, Latour defende a tese de que não podemos entender a política nos últimos 50 anos sem colocar no centro a questão das mudanças climáticas. Quando dei por mim, a água estava descendo da laje, vinda do quarto da amiga que me hospeda. A força da correnteza desceu feito cachoeira para o meu quarto, que rapidamente foi tomado por dez centímetros de água. A chuva parecia me dizer que ela precisava daquele espaço para correr. Nos últimos anos, vivendo aqui no alto do morro à beira-mar, tive sonhos e mirações da água salgada subindo pelo penhasco até chegar em nossas casas como uma grande tsunami. Pelos cálculos dos cientistas, em 2100 o nível dos oceanos poderá subir até 4 metros, fazendo desaparecer bairros, cidades e até países inteiros.

Gaia é o nome pelo qual a filósofa Isabelle Stengers chamou essa força que foi desperta pela ação desenfreada do ser humano no planeta e que parece se revoltar contra nós. Chamada de Antropoceno por alguns cientistas do clima, a antropóloga Donna Haraway gosta de pensar em outras possibilidades de nomes para designar essa época. Afinal, não é possível dizer que a mudança climática seja responsabilidade de todos os seres humanos. Então Haraway vai vislumbrar nomes como Capitaloceno, para demarcar uma era marcada pelos efeitos do capitalismo que devasta nosso meio ambiente, e também Chthuluceno, para designar essa época futura na qual humanos e não humanos precisarão articular alianças inimagináveis para sobreviver aos tempos que se desenham.

A construção do mundo comum depende do fim de privilégios e de um basta na produção desenfreada em busca do lucro. Nem a frequência de eventos ligados ao aquecimento global parece sensibilizar essa gente. No início do ano, o Rio de Janeiro testemunhou acontecimentos que se tornarão comuns com mudanças bruscas nos regimes de precipitação, com períodos de seca e chuva radicais. A World Without Clouds, artigo de Natalie Wolchover na Quanta Magazine, relatou como pesquisas recentes apontam que alguns tipos de nuvens, essenciais no regime climático, podem desaparecer no nosso século. A cada ano contabilizamos acontecimentos ligados ao clima como o incêndio em Portugal e na Califórnia, os mais de 1,5 mil mortos na França com a onda de calor em 2018, ou a crise hídrica em São Paulo que deixou principalmente as periferias sem água (enquanto a Sabesp faturava seus milhões na bolsa de valores de Nova Iorque). A situação climática do planeta se agrava, mas aqueles que detêm poder de decisão continuam sem nenhum senso de responsabilidade ou preferem simplesmente fingir que nada está acontecendo ou, o que é pior, negar os fatos e as pesquisas científicas.

O negacionismo sempre rondou o mundo, principalmente no que diz respeito aos assuntos relacionados a História e a Ciência. O negacionismo é contagiante, encontra adesão de pessoas que vivem fechadas em seu mundo e atinge em cheio a discussão sobre o clima. Ele reduz a percepção de que a mudança climática vai atingir o globo todo. Discutir o clima significa pensar o planeta, discutir a energia que gastamos, a maneira como produzimos, o uso do combustível fóssil, a existência de conflitos armados liderados pelos EUA em função do petróleo, a maneira de ocupação nos territórios e os mais diversos tipos de desigualdade e discriminação. Na luta dos negacionistas contra os cientistas do clima há um sentimento pesado que mistura ressentimento e desinformação.

A mudança climática, como consequência da modernidade-colonialidade, transversal e multidisciplinar, também estabelecerá laços com suas ferramentas históricas como o racismo e o sexismo (vislumbro reflexões de como as modificações na natureza têm um caráter heterocentrado, pensando nos bandeirantes, nos cortes das árvores e em países no qual as mulheres não podiam dirigir). Nos países do Sul Global e em muitos do Norte, é a população mais pobre e negra que vive em áreas com maior risco de catástrofes ambientais. Aqui em Salvador, é em Valéria, Cajazeiras e Cabula que as casas e lajes desabam quando tem tempestade. Quem se importa? Aqui mesmo no morro onde moro, na parte rica, do lado de lá do muro, as casas nunca caem e duvido que falte água. Até 2100, com o cenário climático que se desenha, os nossos vizinhos ricos e seus herdeiros poderão se deslocar para áreas seguras, enquanto os populares continuarão sofrendo as consequências.

Todos devem se lembrar das imagens do furacão Katrina, em 2005, quando os bairros com população majoritariamente negra estamparam as telas de TV, revelando uma disparidade social dos Estados Unidos poucas vezes divulgada para o mundo. Parte da população rica e branca do sul abandonou a cidade enquanto os bairros populares sofriam com inundações e destruições. Pior, durante o socorro às vítimas, as equipes deixavam os mais pobres, afrodescendentes, se afogarem: “(…) a corporificação da cultura que havia tornado possíveis os horrores do furacão Katrina e deixara os moradores mais pobres de Nova Orleans se afogarem (…) ele fora treinado para simplesmente não enxergar os habitantes majoritariamente afrodescendentes de Nova Orleans…”. Dentre tantas narrações impressionantes, outro trecho do livro de Naomi Klein (Doutrina do Choque – a ascensão do capitalismo de desastre. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018), demonstra como, antes do furacão Katrina, o conselho de educação administrava 123 escolas públicas e depois do furacão governava apenas quatro. Os professores eram engajados, a comunidade ativa. As escolas comunitárias de New Orleans destruídas foram reconstruídas pelo governo norte-americano, mas “vendidas” para a iniciativa privada que expulsou os conselhos. Klein demonstra como o dinheiro para as vítimas da enchente eram desviado para erradicar o sistema público e privatizar o setor da educação. O caso é emblemático para compreender a “doutrina do choque”, um modo de operar do capitalismo de desastre que também está conectado às questões ambientais. Klein afirma que o enfrentamento das situações de emergência é um mercado ascendente bastante aquecido. Aproveitando a população em choque, implementam o neoliberalismo gerando lucro para os donos do capital.

Voltando a Latour, ele identifica um modus operandi perverso da elite no que diz respeito ao clima e para isso utiliza o exemplo do naufrágio do Titanic. Naquele acontecimento, a classe abastada, percebendo o naufrágio, pega os botes salva-vidas, junta a orquestra (para não ouvir os sinais de alerta para os que ficaram) e cria sua rota de fuga, deixando os outros para trás. Com isso, Latour discorre sobre o desafio de construção de um mundo comum.

Tema antigo para as ciências sociais e políticas, a construção do comum depende de muitos passos, entre eles cuidar de uma ferida que foi aberta desde a implantação da modernidade a partir da luta entre o local e o global. Latour acredita que esses dois vetores opostos criaram um terceiro vetor, o da impossibilidade de qualquer acordo, no qual só há sinais, ferida de uma batalha que opuseram duas visões de mundo. A criação do comum ficou impossível a partir dessa luta permeada por questões identitárias à “esquerda e a direita”, termos que se relativizam e se confundem quando olhamos sob a perspectiva do clima. Progressistas e reacionários, campos que não conversam, estariam ambos errados: nenhum deles leva em conta como registrar, manter e valorizar um número máximo de formas alternativas de pertencer ao mundo. Como podemos tranquilizar aqueles que veem salvação nas identidades nacionais, étnicas, de gênero, ou como organizar uma vida coletiva nesse cenário de destruição e desesperança? Latour sugere que devemos voltar à Terra. Aterrar.

Um dos pressupostos da colonialidade seria essa perda de território, uma perda de si, em looping. Nesse sentido, para mim, pensar a diáspora africana como marco de uma nova fase da modernidade equivale a pensar de que forma novas escravizações se desenham no neoliberalismo, a exemplo dos costureiros estrangeiros escravizados pelo mercado da roupa em São Paulo ou no Vietnam.  A crise da imigração é apenas a continuidade de uma maneira de agir que teve início com as grandes navegações e, hoje, devemos refletir quantos desses deslocamentos não têm relação direta com o clima. A alteração climática provocará cada vez mais deslocamentos e forçará as pessoas a não serem bem vindas nas fronteiras. Precisaríamos de cinco planetas caso as ideias e pressupostos da modernidade tivessem que ser estendidos a todos os seres humanos e, como diz Latour, “não podemos acreditar naqueles que defendem a modernidade para todos”.

Isso me levou a pensar que, por hora, precisamos saber quem são nossos aliados e lutar pela garantia da vida, mas parece que esse objetivo encontra uma forte barreira pela frente, já que o neoliberalismo é um mecanismo político que depende do enfraquecimento da participação popular, do sequestro do Estado, do consumo desenfreado, da guerra, da morte, da doença, da paranoia, da destruição geral e irrestrita de qualquer alternativa que não esteja alinhada ao mercado.

A construção do mundo comum depende de uma equação que supere o trauma da implantação da modernidade e reconheça outros modos de vida. As elites têm fobia do mundo comum e já não querem compartilhar mais nada. Como declarou Trump, “não existe mudança climática nos Estados Unidos” (como se fosse possível separar esse país do Globo). O pensamento de Latour revela como a eleição de Trump é um acontecimento, uma inovação política que explica a criação de um quarto vetor: o dos “fora do mundo”, construído em oposição ao terceiro vetor. É a primeira vez na história que a negação da mudança climática define a orientação da vida pública de uma nação. “Não é pós verdade, é pós política, política sem objetivo”, afirma Latour. O quarto vetor congrega os que não acreditam no mundo, os obscurantistas e negacionistas do clima. A atual elite, sabendo que o mundo se afunda, preferiu viver os últimos 40 anos em suas bolhas, esbanjando consumo. O movimento obscurantista, messiânico, acusa os cientistas de serem apocalípticos e nega os fatos. O que os obscurantistas querem esconder é que uma hecatombe termoambiental só poderia ser evitada com medidas radicais para que a temperatura do planeta não suba entre 1,5 e 2 graus nas próximas décadas, o que exigiria um giro radical de toda a política mundial dos estados nação.

Pelos dados do cientistas do IPCC, o painel de mudança climática da ONU, instituição que reúne dezenas de cientistas de todo o globo, só seria possível impedir isso com ações concretas que atingiriam em cheio o capitalismo. Mas, enquanto faz questão de minar a credibilidade de instituições e cientista do clima, a elite, apoiando essa gente que ascendeu ao poder em diversos lugares do mundo, sobe no seu barco para viver mais quarenta anos e que se dane o futuro. Que importa que o mundo se acabe, continuaremos agindo assim, danem-se as gerações futuras.

Perceber a questão climática no centro da geopolítica mundial é fundamental para garantir o futuro e a luta pelo comum. E, para pensar na construção desse mundo compartilhado, em um planeta vivível, concordo com Latour: precisaremos nos voltar para a Terra. Make The Earth Great Again!

(*) Marcelo de Trói é jornalista, mestre em Cultura e Sociedade e doutorando no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (Pós Cultura) da Universidade Federal da Bahia.