sexta-feira , 24 de novembro de 2017
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Café de Manuel Lopes – Wilson Bezerra

Mossoró sempre gostou de conservar em ponto de encontro, marcado pela presença de políticos ou mesmo adeptos de qualquer facção.

Por exemplo, nos anos de 1927 a 1930, manteve o café de Manuel Lopes de Melo, situado ao lado da matriz, esquina com a avenida Dix-sept Rosado, antiga Rua Padre João Urbano.

Era ponto de bate-papo acirrado, mais ainda quando se tratava de política, o que sempre foi assim. Quem não se lembra do Café de Francisquinho Nunes, do Vuco-Vuco, Seu Né.

Seu Chico do Canto, que era pai do doutor Assis Menezes, todos aqui no centro da cidade. O povo fala mesmo, e quando existe um ponto certo, aí é que o “pau troa”. Tanto assim que existia, à época, o cidadão de nome Manoel de Melo, que frequentava o local, um café de bate-papo, sem participar de acusação ao Governo Lamartine, por ser funcionária da Recebedoria de Renda, hoje SETA, e num dado momento, em conversa no ambiente, sem querer, interferiu em determinado assunto que chegou aos ouvidos do Governo e este autoriza o delegado de polícia da cidade a abrir inquérito aos faladores.

Daí por diante amenizou o quadro falatório contrário ao Governo Lamartine. É sabido, pelo relato histórico do jornalista Lauro da Escóssia em sua coluna Mossoró no Passado, que até o jornalista José Otávio, que frequentava o ambiente de Manoel Lopes, teve que prestar depoimentos.

Quando da vitória da Aliança Liberal, em 1930, e consequente derrota do governador Juvenal Lamartine, os documentos que fizeram parte do dossiê denunciam desaparecer mergulhados na gaveta dos auxiliares do governo seguinte.

O jornal Correio do Povo, que acabava de ressurgir, abre as páginas de acusação e revolta da população contra o ato arbitrário provocado pelo anterior governo Lamartine.

Esse jornal, que fazia parte do esquema da Aliança Liberal, tomou as rédeas politicas do momento e denunciou com força os reveses causados pela corrente partidária que acabava de sair do poder.

Só que chegou o momento de ler o manifesto de 26 de outubro de 1930, onde se viu e sentiu quanto Mossoró foi envolvida em grandes questões políticas, em sua maioria provocadas por fofoqueiros profissionais.

Ainda hoje existem os recantos disfarçados de café ou bares onde se conversa sobre assuntos políticos, defensores e contrários a qualquer facção partidária.