terça-feira , 21 de maio de 2019
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Brasileiros se destacam no Balé de Astana

O brasileiro Ricardo Amarante, de 39 anos, que se formou na English National Ballet School, no Reino Unido, chegou há três anos a Astana – capital do Cazaquistão, cidade onde lida com invernos em que as temperaturas podem chegar a -45 graus celsius, tudo isso por conta de seu trabalho como coreógrafo no novíssimo teatro “Astana Ballet” (2012).

Natural de Pirassununga, no interior de São Paulo, cidade onde faz calor praticamente o ano inteiro, Amarante explicou que a decisão de se mudar para o outro lado do mundo, para um país com cultura e mentalidade completamente diferentes, foi para contribuir com o balé nacional deste país da Ásia Central, que se independizou há um pouco mais de 25 anos depois do colapso da União Soviética.

“Eu encerrei minha carreira de dançarino e comecei a ensinar coreografia quando fui convidado para inserir o balé aqui. Depois de uma performance de sucesso em Astana, o líder do Astana Ballet sugeriu que eu pudesse trabalhar como coreógrafo. Na minha opinião, o novo teatro necessitava de uma nova visão e um certo frescor, mas eu tinha minha vida na Bélgica, com um contrato válido, então a decisão não foi fácil. Eu fiquei muito impressionado com a companhia de balé cazaque e com a forma como as autoridades incentivam a arte, então não pude resistir e aceitei. E também tive essa nova oportunidade”, disse Ricardo em entrevista ao correspondente da Agência Efe.

Durante a entrevista, a palavra “possibilidade” foi usada pelo coreógrafo diversas vezes. Para Amarante, apesar do clima da capital, ele viu novas condições de criatividade e inspiração.

Durante três anos trabalhando no Astana Ballet, Ricardo Amarante conseguiu realizar duas performances completamente novas – dois balés de um ato – “Gaia” e “Touch of Illusion”, assim como as já conhecidas produções “A Fuego Lento” e “Love Fear Loss”, criadas anteriormente no Royal Ballet of Flanders.

Ricardo disse que Astana e o teatro se tornaram sua casa. No entanto, no começo, o clima do Caqzaquistão foi um grande desafio para ele. Mas a atitude dos cidadãos do país ajudou a superar essa dificuldade.

“Para mim, Astana é diferente, ainda desconhecida. É uma cidade nada usual em termos de arquitetura, futurismo, multicultural. É especialmente impressionante como uma pequena cidade tem dois grandes teatros, duas legais companhias de balé. Na Europa, isso é raro. A comida aqui é muito boa e variada, as pessoas são amigáveis e livres. A importância nos pequenos detalhes é dada aqui, tudo é feito nos mínimos detalhes. Eu estou amando morar aqui. E quanto mais fico aqui, mais me apaixono”, disse Ricardo.

Nos últimos meses, o coreógrafo esteve trabalhando em um novo projeto – um balé de um ato com o título “Silent Voices”. A apresentação começará em duas semanas, no dia 8 de março no Astana Ballet stage.

Três dias depois, Ricardo irá levar toda a trupe do Astana Ballet para uma perfomance em um grande centro industrial do Cazaquistão – a cidade de Karaganda.

Como a assessoria de imprensa do teatro enfatizou, pela primeira vez as obras-primas do balé mundial serão mostradas em uma cidade regional. Todos os ingressos já foram vendidos e diante do grande interesse pelo balé nessa cidade de mineradores e metalúrgicos, a direção do Astana Ballet decidiu estender a performance por mais um dia.

Assim como Amarante, a também brasileira Paula Rosa Santana, de 21 anos e natural de Brasília, está envolvida nessa nova produção. Ela é hoje uma das solistas do “Astana Ballet”.

Em entrevista à Agência Efe, Paula contou como chegou ao Cazaquistão.

Paula terminou o curso em dança clássica no Itego em Artes Basileu França em 2016. A partir de então, começou procurar emprego na Europa, mas não tinha experiência. E acidentalmente ficou sabendo que o teatro no Cazaquistão, onde o coreógrafo brasileiro trabalha, estava recrutando artistas. Ela mandou um currículo e imediatamente recebeu um convite.

“Quando eu cheguei e vi a moderna arquitetura, grandes construções, totalmente diferente do que eu tinha visto antes, eu me assustei um pouco. Agora estou acostumada. Toda hora eu aprendo algo interessante e maravilhoso sobre o país, e eu quero aprender mais. Eu já estive em várias cidades, mas sou especialmente apaixonada por Almaty por sua atmosfera. Mas meu lugar favorito, é claro, é o teatro. Atrás das cortinas existe um imenso mundo”, disse Paula

Agora Paula Rosa Santana ensina russo e quer aprender cazaque. Ela também planeja estudar no Cazaquistão para iniciar uma carreira como designer.

“Primeiro eu pensei que iria ficar no Cazaquistão por apenas dois ano, porque eu estou muito longe de casa e é muito frio aqui. Mas tudo mudou, agora me sinto muito confortável. Esse teatro me deu grandes oportunidades que eu não teria na Europa. Eu acho que vou ficar no Cazaqusitão por muito tempop”, disse Paula.

Outro brasileiro também entrou para o grupo do “Astana Ballet”. Trata-se de Edson Artur Machado Jr., de Mauá (São Paulo). Ele já está envolvido nas produções de Ricardo Amarante.

No entanto, hoje no “Astana Ballet” não trabalham apenas artistas brasileiros, mas também da Austrália, Israel, assim como de países vizinhos. No geral, o elenco do teatro contra com 55 artistas, sendo 12 deles líderes.