terça-feira , 24 de outubro de 2017
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Airton Cilon da Silva
Airton Cilon da Silva

Airton Cilon da Silva

Airton Cilon da Silva  nasceu em Mossoró aos 2 de junho de 1968. Filho de  Francisco  Eliel  da Silva e Odeniza Maria da Silva, estudou em Olinda/PE de 1979 a1984, mas devido problemas de doença não chegou a concluir seus estudos. Casado separado, pai de dois filhos, aos 13 anos começou a fazer seus primeiros desenhos, aos 18 anos escreveu seu primeiro poema. Atualmente Cilon é daqueles que bate o escanteio, corre pra área e ainda faz o gol de cabeça. Músico, artista plástico e poeta, nesta entrevista conversamos sobre o seu universo e suas lutas.

Por: Caio César Muniz
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O Mossoroense: Você é um artista múltiplo. Pinta, escreve e canta? Como aconteceu a descoberta destas artes em você?
Airton Cilon: Sempre fui um curioso, tudo que me interessava eu buscava aprender. Eu tinha um tio materno que desenhava muito bem e foi dele que herdei meu gosto pelo desenho e a pintura. Durante minha juventude, eu fui um cara solitário, foi quando ganhei de um primo um livro de coletânea poética, onde figuravam poetas de renome entre estes, Florbela Espanca, Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar entre outros. Aqueles poetas despertaram em mim um poeta que certamente já existia! A poesia é minha catarse, minha forma de me dizer!

OM: A qual das três artes mais você está mais ligado?
AC: Não tem essa de qual arte eu estou mais ligado, as três me completam… Na minha incompletude…

OM: Você vive da sua arte, no seu caso, das suas artes? Quais as maiores dificuldades encontradas?
AC: Não, não vivo de minha arte, a arte vem a ser um suporte financeiro, um complemento. O mercado de arte é muito instável, não há incentivo, nem mercado que absorva essa arte produzida e feita aqui. Quem compra os livros que são lançados na cidade de Mossoró, senão os amigos e amigos dos seus amigos? Somos uma cidade que na sua maioria não conhece seus artistas. Temos uma produção artística na cidade, muitos trabalham de forma independente. Precisamos discutir uma pauta cultural para cidade de Mossoró, pois estamos muito aquém da maioria das cidades do Nordeste.

OM: Como você avalia a sua trajetória poética?
AC: Minha trajetória tem sido de construção, de aprendizagem e amadurecimento nestes quase 30 anos de dedicação. Procuro sempre dar o melhor de mim naquilo que faço, e a recompensa vem na forma de aceitação positiva do trabalho.

OM: Você lançou recentemente “Flor de Setembro”. Fale-nos do livro e como está sendo a sua aceitação.
AC: Depois de 12 anos sem publicar, eu tive a felicidade de lançar, “Flor de Setembro”, um livro que nasceu no tempo certo, com os cuidados que se deve ter por uma obra literária, que a partir do seu lançamento não lhe pertence mais, é coisa do mundo. Segundo aqueles que me leem, dizem que eu escrevo com alma, com sentimento. Acredito eu, ter botado um bom filho no mundo!

OM: E a música, como tem sido esta experiência?
AC: A música sempre fez parte da minha vida, sempre gostei de cantar, acompanhar meus ídolos ouvindo-os pelo rádio. Mesmo antes de tocar violão, eu já me arriscava em compor música a partir de poemas meus. Fico feliz quando ao final de uma apresentação, alguém vem me elogiar dizendo que curtiu meu repertório, minha interpretação. A sensação é de ter cumprido o meu papel, dado o meu recado!

OM: Você é também um lutador e convive com a hemofilia, um distúrbio da coagulação do sangue. Como tem conseguido vencer esta batalha?
AC: A hemofilia é um distúrbio genético e hereditário que afeta a coagulação do sangue. O sangue é composto por várias substâncias, onde cada uma delas tem uma função. Algumas dessas substâncias são as proteínas denominadas fatores da coagulação, que ajudam a estancar as hemorragias quando ocorre o rompimento de vasos sanguíneos. Existem 13 tipos diferentes de fatores de coagulação. Eu sou hemofílico (A) pois meu organismo não produz ou quase não produz o fator VII, que é um dos responsáveis pela coagulação do sangue. O tratamento é feito com reposição desse fator ausente. Seguindo seus cuidados, o hemofílico de hoje vive uma vida normal sem grandes problemas.

OM: Além das artes, você também é um pai dedicado. A arte de ser pai é mais fácil ou mais difícil que as demais?
AC: Na verdade eu sou “pãe” (pai e mãe). Desde que me separei da mãe dos meus filhos, eu fiquei com a guarda deles. Ser pai é se comprometer pelo resto da vida, e eu vou tentando ao meu modo, direcionar o melhor caminho para ambos. Isso não é nada fácil nos tempos de hoje!

OM: Como você vê o cenário cultural de Mossoró nos dias atuais?
AC: Existem pessoas fazendo arte, temos potencial cultural, só precisa ser fomentado de forma séria pelos poderes públicos. Não podemos ficar à mercê de uma cultura fragmentada, fracionada para este ou aquele evento de interesse meramente político!

OM: O que falta para que a cidade seja realmente uma “capital da cultura”?
AC: Não precisamos ser a “capital da cultura” precisamos sim, ser uma cidade de cultura… Para isso, os artistas da cidade têm que se mobilizar em prol de um bem comum: O de existir como artista.

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