terça-feira , 23 de outubro de 2018
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A TRADIÇÃO DE UM POVO -Wilson Bezerra de Moura

Sem dúvida nenhuma os antigos sempre lembram o passado. Foram eles, pelas suas tradições, que impulsionaram o cérebro dos vivos para que o passado dali extraia o conhecimento antigo.

Foi assim que, num dado momento, passávamos de frente aonde morou o Major Romão Filgueira, casarão sobrado que ainda resiste ao tempo, ao lado do prédio da antiga Escola Técnica de Comércio União Caixeiral, hoje Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, uma placa com os dizeres: “Aqui Morou um abolicionista”. Era então o Major Romão Filgueira.

Nos idos de 1959, quando trabalhávamos no Segundo Cartório, do então Tabelião e Escrivão Leônidas Pereira de Paula, estivemos levando um livro de Procuração para colher a assinartura de um cidadão, de estatura alta, magro, risonho, de olhos claros, sentado numa rede, que nos recebeu cordialmente, assinou o livro de procuração e nos agradeceu. Daí por diante buscamos informações detalhadas sobre quem se tratava e fui informado ser um dos baluartes do movimento abolicionistas em Mossoró.

O major Romão Filgueira, um dos integrantes da batalha a favor da abolição em Mossoró, que a cada dia se dedicava aos ideais da libertadora mossoroense, ao lado de Joaquim Bezerra da Costa Mendes, Almino Alvares Afonso, Romualdo Lopes Galvão, Conrado Mayer, os quais, em todos os momentos injetavam as luzes de um ideal libertário, até atingir o objetivo principal que era, sem dúvida, exterminar da região de Mossoró o clima escravista.

Durante várias décadas Mossoró comemora com altivez a data festiva da abolição, criada e regulada pelo então Intendente Francisco Isódio de Souza, que no dia 13 de setembro de 1913 determinou que doravante a data abolicionista fosse lembrada pelos mossoroenses como forma de preservar sua história. Enquanto os abolicionistas Romualdo Lopes Galvão, Joaquim, Bezerra da Costa Mendes, Almino Alvares Afonso eram organizados em suas atitudes e comportamento quanto à participação que eles todos tiveram no decantado dia 30 de setembro de 1883, fixou um tempo alvissareiro de importante acontecimento.

O velho Romão Filgueira dizia a quantos interessavam o cursor libertário: “A liberdade que vi nascer, por ela lutei e venci.”

Jamais o tempo apagará da história o papel que cada um daqueles bravos defensores da justa causa desempenhou.

Aos 30 dias do mês de setembro de 2018 renovam-se as esperanças do povo de Mossoró, que comemora essa data investido dos mesmos sentimentos.